ESTUDO DE ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO UTILIZADAS NAS CAMPANHAS DE ALFABETIZAÇÃO EM PEMBA, CABO DELGADO

A STUDY OF COMMUNICATION STRATEGIES AND LITERACY CAMPAIGNS IN PEMBA, CABO DELGADO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202512051859


Achegar Tiodósio Matias1*
Bruno Miguel Ferreira Gonçalves²*
Ana Domingos Cuambe3*


Resumo

Em Pemba, norte de Moçambique, os desafios educacionais revelam-se significativamente agravados pela coexistência linguística, os deslocamentos populacionais e profundas carências estruturais. Nesse contexto, as campanhas de alfabetização assumem papel central como instrumento de cidadania e inclusão social. Contudo, o seu êxito está intimamente relacionado à adequação das estratégias de comunicação usadas frente à complexidade sociocultural local. Intitulado Estudo das Estratégias de Comunicação e Campanhas de Alfabetização em Pemba, este artigo teve como objectivo analisar as estratégias de comunicação utilizadas nessas campanhas, buscando identificar factores facilitadores e limitantes da participação de alfabetizandos, alfabetizadores e gestores, bem como avaliar a eficácia das mensagens veiculadas e por fim propor estratégias de aprimoramento institucional. A pesquisa adoptou uma amostragem não probabilística por conveniência, composta por 81 indivíduos, dos quais 54 alfabetizandos e 27 alfabetizadores/gestores oriundos de bairros distintos e contemplando diversidade de gênero, idade, escolaridade, vínculo institucional e língua materna. A abordagem metodológica foi mista, de natureza descritivo-exploratória, suportando-se de questionários estruturados e análise estatística usando softaware SPSS e análise de conteúdo para dados qualitativos. Complementarmente, utilizaram-se testes de correlações e categorização narrativa, permitindo captar tanto padrões quantitativos quanto experiências e percepções subjectivas. Os resultados apontam 41% dos participantes recebem informações regulares sobre as campanhas. O canal predominante é a rádio comunitária, seguida por reuniões presenciais e WhatsApp, mas com penetração desigual entre comunidades. Do universo dos alfabetizandos, 33% avaliam as mensagens como plenamente claras enquanto que 54% indicam compreensão parcial e 13% relatam incompreensão frequente evidenciando fragilidades linguísticas e predomínio do português sobre as línguas locais. Barreiras logísticas são expressivas como incompatibilidade de horários (52%), transporte inadequado (21%) e distância dos centros de aprendizagem (19%). A pesquisa concluiu que a eficácia das campanhas está directamente vinculada à capacidade institucional de alinhar os processos comunicativos à realidade sociocultural dos participantes, priorizando a valorização das línguas maternas, a escuta activa, a descentralização das acções e o fortalecimento da participação comunitária. Recomenda-se de modo central a adopção de linguagens bilíngues, o investimento em múltiplos canais articulados (rádio, redes sociais como páginas oficiais dos sectores envolvidos, reuniões de bairro), produção de materiais adaptados e a garantia de fluxos institucionais regulares de escuta e pilares necessários para promover inclusão efectiva e sustentabilidade nas acções de alfabetização em Pemba.

Palavras-chave

Multilinguismo, Inclusão social, Participação comunitária, Educação, Campanhas educativas.

Abstract

In Pemba, northern Mozambique, educational challenges are significantly heightened by linguistic diversity, population displacement, and profound structural deficiencies. Against this backdrop, literacy campaigns serve as pivotal instruments for fostering citizenship and social inclusion. However, their success is closely linked to adapting communication strategies to the region’s complex sociocultural environment. Entitled “A Study of Communication Strategies and Literacy Campaigns in Pemba,” this article aimed to critically analyze the communication approaches employed in these campaigns, seeking to identify both facilitating and limiting factors affecting the engagement of learners, educators, and managers, as well as to evaluate message effectiveness and suggest institutional improvements. The study was based on a non-probabilistic convenience sample comprising 81 individuals, 54 learners and 27 educators/managers, with different neighborhoods, representing diverse genders, ages, educational backgrounds, institutional affiliations, and native languages. A mixed-methods approach was adopted, predominantly descriptive-exploratory, using structured questionnaires and statistical analysis (SPSS), as well as semi-structured interviews and qualitative content analysis. Additionally, t-Student tests, ANOVA, correlations, and narrative categorization were employed to capture both quantitative patterns and subjective experiences and perceptions. Key findings reveal that only 41% of participants receive regular information about the campaigns, 48% report no systematic access, and 11% only partial access. Community radio emerged as the primary communication channel, followed by face-to-face meetings and WhatsApp, though with uneven reach between neighborhoods. Only 33% deemed messages to be fully clear, 54% reported partial understanding, and 13% noted frequent misunderstanding, highlighting linguistic vulnerabilities and the dominance of Portuguese over local languages. Logistical barriers were prominent: incompatible schedules (52%), inadequate transportation (21%), and distance from learning centers (19%). In conclusion, campaign effectiveness is strongly tied to the institutional ability to adapt communication methods to the sociocultural realities of participants, emphasizing the importance of native language valorization, active listening, decentralization, and heightened community participation. The central recommendations are to implement bilingual models, invest in articulated multi-channel strategies (radio, social media, neighborhood meetings), develop adapted instructional materials, and ensure ongoing institutional mechanisms for listening and feedback measures essential for real inclusion and the sustainability of literacy initiatives in Pemba.

Keywords

Multilingualism, social inclusion, community participation, educational campaigns.

1. Introdução

Este artigo deriva de uma investigação doutoral mais ampla sobre as estratégias de comunicação utilizadas nas campanhas de alfabetização em Pemba, Cabo Delgado, realizada entre 2023 e 2025.

A educação constitui um dos pilares fundamentais para a promoção e a garantia dos Direitos Humanos, o fortalecimento da coesão social e a consolidação do bem-estar colectivo. Trata-se de um instrumento estratégico que não apenas assegura o acesso ao conhecimento, mas também possibilita a inclusão, a redução das desigualdades e a emancipação dos indivíduos e comunidades.

No contexto Moçambicano, o alinhamento das políticas educativas de alfabetização de jovens e adultos com as demais políticas públicas representa um desafio e, ao mesmo tempo uma oportunidade essencial, sendo esta uma condição necessária para ampliar a participação efectiva dos beneficiários nos processos de desenvolvimento, de modo a contribuirem com os objectivos do desenvolvimento sustentével (ODS), que defende uma educação de qualidade, inclusiva e equitativa para todos (ODS4) (Lamas & Zefanias, 2021).

Segundo os referidos autores, a alfabetização de jovens e adultos em Moçambique configura-se como uma iniciativa que procura responder às necessidades de um grupo socialmente marginalizado e historicamente marcado pelo analfabetismo. Mais do que aprender a ler e escrever, a alfabetização é concebida como um caminho para a liberdade, para o exercício pleno da cidadania e transformação da realidade.

Essa visão é coerente com a pedagogia libertadora de Paulo Freire, para quem a alfabetização não deve ser entendida como mera decodificação linguística, mas como um processo de conscientização, questionamento crítico da realidade e de fortalecimento da autonomia (Freire, 2018).

Moçambique regista actualmente uma taxa de alfabetização de cerca de 61% Mangue (2023), este número, apesar de representar avanços quando comparado a décadas anteriores, permanece além do desejável e encontra-se intrinsecamente associado a desigualdades sociais persistentes, agravadas por crises de ordem global, os efeitos das alterações climáticas e as convulsões socioeconómicas que limitam o acesso à educação em várias regiões.

Além disso, a eficácia das campanhas tem sido limitada por estratégias de comunicação muitas vezes desajustadas ao contexto cultural e linguístico das comunidades. Neste quadro, torna-se relevante analisar como as campanhas de alfabetização, particularmente em Pemba, são concebidas, implementadas e percebidas pelas comunidades locais.

A diversidade étnico-linguística da região e o histórico de desigualdades exigem abordagens de comunicação inovadoras sensíveis ao contexto e capazes de gerar maior impacto. Assim, a questão central que orienta esta pesquisa é: Como são concebidas, implementadas e interpretadas as estratégias de comunicação nas campanhas de alfabetização em Pemba, e que impacto têm junto das comunidades?

O estudo desta questão é fundamental para compreender as dinâmicas comunicacionais que influenciam o êxito das campanhas de alfabetização em contextos culturalmente diversos, como o de Pemba. Ao analisar como as mensagens são concebidas e recebidas, é possível identificar desajustes entre as estratégias utilizadas e as realidades linguísticas das comunidades.

Essa reflexão contribui para o aprimoramento das práticas comunicacionais, tornando-as mais inclusivas e eficazes. Além disso, os resultados podem orientar políticas públicas de educação mais sensíveis ao contexto local, fortalecendo a participação comunitária e promovendo uma alfabetização mais sustentável e equitativa em Moçambique.

A situação torna-se ainda mais crítica na Província de Cabo Delgado, onde a instabilidade provocada pelos conflitos armados desde 2017 tendo-se fragilizado profundamente as estruturas sociais e educativas. A cidade de Pemba passou a desempenhar um papel de refúgio e acolhimento para milhares de deslocados internos, aumentando a pressão sobre os recursos locais e dificultando ainda mais a resposta às necessidades educativas da população. Diante deste cenário desafiante, o estudo das estratégias de comunicação adoptadas nas campanhas de alfabetização em Pemba configua como uma das prioridades.

A investigação aqui apresentada insere-se no campo da comunicação para o desenvolvimento, partindo do pressuposto de que uma comunicação culturalmente sensível, inclusiva e participativa constitui elemento central para a eficácia das campanhas educativas, sobretudo em contextos de vulnerabilidade marcadas pela pobreza, desigualdades de género, barreiras linguísticas, deslocamentos populacionais e situações de insegurança.

Compreender quais são os meios de comunicação usados em campanhas de alfabetizacao em Pemba e como estes podem ser articulados com as tecnologias disponíveis e de que forma podem ser explorados para gerar maior adesão comunitária, revela-se um passo decisivo para potencializar a alfabetização e, consequentemente, o fortalecimento do desenvolvimento humano em Moçambique (Mangue, 2023).

O presente estudo está delimitado à análise das estratégias de comunicação utilizadas nas campanhas de alfabetização de jovens e adultos na Cidade de Pemba, Província de Cabo Delgado, em Moçambique.

A escolha geográfica justifica-se pelo elevadas desigualidades na, perpetuando em índices de analfabetismo, agravados pela situação de instabilidade social e de deslocamentos populacionais decorrentes dos conflitos armados que assolam a Província.

Quanto a delimitação temporal do estudo mesmo sendo prospectivo, eleanalisa elementos longitudinais das campanhas realizadas entre os anos de 2020 e 2024, período em que se verificou maior intensificação das acções de alfabetização em resposta à crise humanitária vivida na região e este estudo observa directamente as actividades realizadas no periodo de in loco . No plano temático, a pesquisa concentra-se especificamente nas estratégias comunicacionais aplicadas, não abrangendo de forma aprofundada outros factores correlacionais, como gestão institucional ou financiamento dos programas.

Quanto ao grupo alvo, a investigação foca-se em dois grupos principais: (i) os responsáveis pela concepção e implementação das campanhas de alfabetização, incluindo gestores institucionais, formadores e comunicadores; e (ii) os beneficiários directos das campanhas, constituídos por jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social e educacional. A delimitação contribui para assegurar clareza nos objectivos, coerência metodológica e viabilidade prática da pesquisa.

2. Revisão de Literatura

2.1 Comunicação no processo de alfabetização

A comunicação é um recurso estratégico no processo de alfabetização, pois garante a circulação de mensagens educativas, a participação dos aprendentes e o envolvimento da comunidade. No contexto de Cabo Delgado, marcado por diversidade linguística e desafios sociopolíticos, a comunicação não se limita à transmissão de conteúdos, mas torna-se um mecanismo de mobilização social e de inclusão educacional.

Estudos recentes indicam que programas de alfabetização que incorporam práticas comunicacionais adequadas apresentam melhores resultados, sobretudo quando utilizam metodologias participativas e linguagens culturalmente relevantes (UNESCO, 2019; Cardey et al., 2024).

2.1.1 Definição e relevância no contexto educacional

A alfabetização enquanto processo social exige que a comunicação esteja no centro das práticas educativas, permitindo que o conhecimento circule de forma dinâmica e contextualizada. A UNESCO (2019) enfatiza que a comunicação adequada amplia a participação comunitária, criando espaços de aprendizado que vão além da mera instrução, valorizando as experiências e saberes locais.

Essa perspectiva amplia a alfabetização para um direito activo à participação e transformação social. A relevância da comunicação no processo educativo envolve a mediação constante entre educadores e educandos. Lauwo (2021) reforça o uso da translanguagem, prática comum em contextos multilíngues africanos, que permite a adaptação das mensagens e conteúdo a partir das línguas dominantes nos grupos-alvo, tornando o aprendizado mais acessível e eficaz. Essa flexibilidade linguística é um instrumento poderoso para garantir a inclusão.

Em regiões como Cabo Delgado, a comunicação tem papel ampliado diante dos desafios provocados pelo conflito armado. Matias (2021) aponta que as estratégias que envolvem rádios comunitárias, líderes locais e associações civis fomentam a resiliência educativa, permitindo a continuidade dos programas de alfabetização mesmo em situações de deslocamento e fragilidade institucional.

Campanhas de alfabetização que utilizam comunicação participativa, integrando atores locais para co-produção das mensagens, conferem maior legitimidade e eficácia à mensagem educativa. Segundo Medicus Mundi (2019), o envolvimento comunitário fortalece o sentimento de pertencimento e a apropriação dos processos educativos, aumentando a participação e continuidade dos programas.

Outra dimensão da comunicação relevante no contexto educacional é a produção de materiais didáticos adaptados cultural e linguisticamente, o que facilita o processo de aprendizagem. Matias (2021) destaca que o desenvolvimento de livros e conteúdos bilíngues com elementos visuais e simbólicos locais contribui para o melhor desempenho dos alunos e o respeito às culturas.

A formação dos facilitadores e educadores na comunicação inclusiva é fundamental para o sucesso dos programas de alfabetização. Florêncio e Gonçalves (2024) reforçam que a capacitação contínua em metodologias comunicacionais e tecnológicas fortalece o papel desses agentes no processo educativo, especialmente nas regiões rurais e afetadas por crises como Cabo Delgado.

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) têm se mostrado cada vez mais importantes para ampliar o alcance das campanhas de alfabetização. Conforme salientam Florêncio e Gonçalves (2024), o uso de ferramentas digitais e plataformas educativas permite o acesso a conteúdo e mensagens em contextos em que o contato presencial é limitado, inovando o cenário da alfabetização. Por meio das rádios comunitárias, as mensagens educativas alcançam audiências remotas e multilíngues, como o caso das campanhas em Pemba. Medicus Mundi (2019) relata que o rádio é um meio estratégico para expandir o acesso à alfabetização, ao incorporar conteúdo adaptados às especificidades culturais e linguísticas locais.

A comunicação não é somente um meio, mas um fim educacional, pois promove a cidadania ativa e a inclusão social, ampliando o entendimento dos direitos e deveres dos indivíduos e comunidades. A comunicação eficaz instiga o diálogo, favorece a resolução de conflitos e fomenta o engajamento social, como reforça a UNESCO (2020).

A adaptação cultural e linguística das mensagens educativas garante a participação efetiva dos beneficiários e o sucesso das campanhas. Lauwo (2021) argumenta que ao incorporar as línguas maternas e práticas culturais, amplia-se a compreensão dos conteúdos, tornando o processo educativo mais eficaz e inclusivo.

O impacto da educação na reconstrução social é amplificado quando a comunicação fortalece a interligação entre diferentes atores sociais, como apontado por Matias (2021). Assim, a comunicação funciona como um elo que conecta educadores, comunidades e instituições, criando uma rede de aprendizado contínuo e sustentável.

Além disso, o uso de múltiplos canais de comunicação, incluindo encontros comunitários, folhetos, redes sociais e materiais audiovisuais, permite atingir públicos diversificados com conteúdo adaptados às suas necessidades e realidades locais, conforme a recomendação de Matias (2021).

A avaliação e monitoramento das estratégias comunicacionais é um componente necessário para garantir o ajuste das campanhas às dinâmicas locais e às evoluções sociais. Medicus Mundi (2019) ressalta que a recolha do feedback das comunidades e facilitadores é essencial para aprimorar a comunicação e sua eficácia, o que justifica de igual forma a pertinência de aprimorar as estratégias de comunicação entre esta categoria em Pemba, Cabo Delgado.

A comunicação inclusiva também deve contemplar a diversidade social e cultural, combatendo preconceitos e discriminações. A implementação de linguagens neutras, visuais apropriados e a valorização das identidades locais promovem uma educação mais justa e democrática, conforme aponta UNESCO (2020).

A comunicação orientada para a alfabetização deve ser vista como um processo vivo e dinâmico, que não apenas transmite informação, mas cria possibilidades de diálogo, construção coletiva do conhecimento e empoderamento das comunidades, reafirmando seu papel central no desenvolvimento educacional e social (Lauwo, 2021; Medicus Mundi, 2019).

2.1.2 Aplicações da comunicação na educação e alfabetização

A comunicação é aplicada em múltiplos níveis no processo de alfabetização. Em primeiro lugar, atua como ferramenta pedagógica, orientando a forma como o professor explica conteúdos, organiza atividades e interage com estudantes. Segundo Probyn (2024), práticas comunicativas centradas no diálogo promovem maior envolvimento dos aprendizes e tornam a alfabetização mais significativa.

No campo da educação comunitária, a comunicação assume formas alternativas, como teatro comunitário, contação de histórias, música e uso de rádios locais. Essas práticas, comuns em várias regiões africanas, possibilitam que mensagens educativas sejam transmitidas de modo culturalmente apropriado. Em Cabo Delgado, iniciativas que utilizaram rádios comunitárias para transmitir programas educativos durante deslocamentos populacionais revelaram-se fundamentais para manter a continuidade da aprendizagem em cenários de crise (Matias, 2021).

Outro exemplo é o uso de cartazes, panfletos e murais em línguas locais, que permitem alcançar pessoas sem escolaridade formal. Lauwo (2021) observa que a comunicação visual e oral é indispensável em contextos de baixa literacia, funcionando como ponte para a alfabetização funcional. Essas estratégias aumentam o alcance de campanhas de alfabetização e garantem que grupos vulneráveis, como mulheres e idosos, não fiquem excluídos.

Além disso, há experiências inovadoras que utilizam plataformas digitais e aplicativos móveis em programas de alfabetização de adultos em países africanos. Embora os desafios de acesso à internet em Cabo Delgado sejam significativos, projetos-piloto de educação digital tem buscado integrar mensagens educativas em celulares, explorando a crescente expansão da telefonia móvel.

2.1.3 Modelos teóricos aplicáveis

Os modelos teóricos que fundamentam a comunicação no processo de alfabetização são variados. O modelo da educação dialógica de Paulo Freire continua sendo referência central, ao defender que a alfabetização deve ser baseada no diálogo, na conscientização crítica e na valorização das experiências locais (L. Lima, 2019). Essa abordagem é particularmente relevante em Cabo Delgado, onde comunidades deslocadas necessitam de espaços de diálogo para reconstruir saberes e reafirmar identidades culturais.

Outro modelo frequentemente aplicado é a difusão de inovações, Oliveira et al. (2022), que explica como novas ideias ou práticas educativas se espalham em uma comunidade. Embora originalmente pensado para adoção de tecnologias, esse modelo foi adaptado para campanhas de alfabetização, ajudando a planejar estratégias de mobilização e engajamento. No entanto, Cardey et al. (2024) alertam que, em contextos africanos, esse modelo deve ser adaptado para incluir dimensões culturais e linguísticas específicas.

A teoria da comunicação participativa também é fundamental, pois enfatiza a importância da escuta ativa, do feedback e do envolvimento das comunidades no planejamento e implementação de programas. Agunga (2022) reforça que iniciativas de alfabetização que adotam práticas comunicacionais participativas alcançam maior legitimidade e sustentabilidade, já que as comunidades se tornam coprodutoras do processo educativo.

Finalmente, modelos de literacia crítica e translanguagem (Lauwo, 2021) oferecem perspectivas contemporâneas que reconhecem a alfabetização como prática social multifacetada. Essas teorias valorizam o uso de múltiplos códigos linguísticos e formas de expressão, ajustando-se melhor à realidade de Cabo Delgado, onde a diversidade linguística é marcante.

2.1.4 Estratégias de comunicação educacional

As estratégias de comunicação educacional utilizadas em processos de alfabetização podem ser classificadas em convencionais e inovadoras. Entre as convencionais estão palestras, cartilhas, cartazes e encontros presenciais. Essas formas, ainda largamente utilizadas, são eficazes em contextos de baixa tecnologia e de forte oralidade. Em Cabo Delgado, professores comunitários e líderes religiosos têm desempenhado papel relevante na transmissão oral de mensagens educativas (Matias, 2021).

As estratégias inovadoras incluem o uso de rádios comunitárias, aplicativos móveis, plataformas digitais e redes sociais. Em Moçambique, experiências com rádio educativa têm se mostrado eficazes para alcançar comunidades rurais e deslocadas. Heywood (2022) observa que a rádio, quando combinada com redes sociais e feedback dos ouvintes, cria um fluxo de comunicação bidirecional capaz de fortalecer campanhas educacionais. Outra estratégia inovadora é a adoção de materiais bilíngues e multilíngues, que respeitam a diversidade linguística local.

Probyn (2024) demonstra que práticas de multiliteracia fortalecem o processo de aprendizagem e ampliam o alcance da alfabetização, reduzindo exclusões. Em Cabo Delgado, a produção de materiais em Macua, Kimwani e Emakwa tem permitido maior envolvimento de comunidades locais.

Por fim, estratégias híbridas que combinam métodos tradicionais e digitais têm ganhado espaço. O uso de teatro comunitário aliado a transmissões radiofônicas ou à disponibilização de podcasts educativos ilustra como canais diversos podem ser articulados para ampliar o impacto da alfabetização. Tais práticas mostram-se particularmente eficazes em contextos de crise, onde a flexibilidade e a adaptação às condições locais são fundamentais.

2.1.4.1 Estratégias convencionais

As estratégias convencionais em alfabetização referem-se a métodos presenciais, materiais impressos, interações em sala de aula, uso de leitura e escrita repetitiva, com base em línguas oficiais ou de instrução. Essas práticas são bem conhecidas em Cabo Delgado e zonas rurais de Moçambique, onde o acesso a tecnologias ainda é limitado. A literatura moçambicana mostra que, nesses contextos, a familiaridade com esses métodos contribui para uma base sólida no aprendizado da leitura, especialmente nos primeiros anos (Milice, 2022).

Outra forma convencional é o uso de linguagens autóctones nas aulas iniciais, seguido de transição gradual para o português, como forma de reduzir barreiras linguísticas na alfabetização. Milice (2022) discute que em contextos multilíngues moçambicanos, essa prática favorece a inclusão, principalmente entre alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE).

Em Cabo Delgado, dada a fragilidade da infraestrutura (escolas danificadas, transporte difícil, baixos recursos materiais), estratégias como aulas presenciais regulares, distribuição de cadernos/cartilhas e uso de professores comunitários continuam sendo centrais. Essas ações convencionais, embora menos “visíveis” em reportagens, são muitas vezes as mais viáveis em áreas afectadas por conflito ou isolamento.

Contudo, suas limitações são evidentes: material impresso pode ser escasso ou desatualizado; professores frequentemente não têm formação específica em literacia; a frequência escolar muitas vezes é irregular por razões de deslocamento ou insegurança; e a língua de instrução pode não ser a língua materna, o que reduz eficácia. A fonte nacional sobre alfabetização digital (Faustino & Gonçalves, 2024) destaca que, mesmo quando há iniciativas digitais, elas não substituem essas práticas convencionais em locais aonde a tecnologia não chegou.

2.1.4.2 Estratégias inovadoras

Estratégias inovadoras envolvem incorporação de tecnologias digitais, rádio educativa, aprendizagem híbrida, uso de plataformas online ou objetos de aprendizagem digitais. Em Moçambique, o estudo “O Papel da alfabetização digital …” (Faustino & Gonçalves, 2024) mostra que programas que investem em infraestruturas tecnológicas e capacitação docente aumentam engajamento acadêmico e promovem inclusão social, particularmente em contextos urbanos e periurbanos, e podem servir de modelo para adaptação em Cabo Delgado.

Outro exemplo nacional é “Práticas e perspectivas da literacia para os media” (Faustino, 2023), que relata o uso de mídias: rádio, redes sociais, materiais digitais, como complemento de aulas presenciais, embora não em grande escala, apontando desafios de acesso a dispositivos e conectividade em zonas remotas.

A inovação também se manifesta no desenvolvimento de objetos de aprendizagem digitais e design educativo adaptado, como o uso de objetos de aprendizagem em EaD (Ensino à Distância) no Centro de Recursos de Maputo (Matusse & Lagarto, 2018) que ilustram como conteúdos mediáticos e tecnológicos podem apoiar alfabetização, especialmente para adultos ou alunos fora do sistema formal. A aplicação dessas práticas em Cabo Delgado poderia permitir alternativas durante interrupções causadas por conflitos ou crises humanitárias.

No entanto, a adoção de inovações enfrenta barreiras: conectividade limitada, falta de eletricidade, escassez de equipamentos, baixos níveis de literacia digital entre professores e alunos, e resistência cultural ou de aceitação tecnológica. Estas limitações são destacadas em foram apontadas por Faustino & Gonçalves (2024) e Faustino (2023) como obstáculos significativos para expandir estratégias inovadoras em áreas remotas.

2.1.5 O papel dos meios de comunicação na alfabetização

Meios de comunicação tradicionais como, rádio comunitária, rádios locais, palestras públicas, têm papel importante em campanhas de alfabetização em Moçambique, sobretudo em zonas com baixa cobertura escolar ou instabilidade. Estes meios garantem que as mensagens atinjam populações sem acesso à internet ou onde o deslocamento para a escola é difícil.

No estudo nacional “O papel da alfabetização digital …” (Faustino & Gonçalves, 2024), é observado que meios digitais e tradicionais precisam trabalhar em conjunto; onde a cobertura digital é limitada, a rádio comunitária ou métodos presenciais continuam essenciais para atingir comunidades mais isoladas.

A literacia mediática, conforme o trabalho de Faustino (2023), permite que estudantes, famílias e comunidade entendam criticamente os conteúdos recebidos pelos meios de comunicação, não apenas para consumo, mas para participação ativa e reflexão educativa. Isso é vital em campanhas de alfabetização que visam transformar conhecimentos, não só transmitir alfabetização mecânica.

Meios de comunicação também podem facilitar feedback comunitário, escuta das vozes locais e adaptação de mensagens. Por exemplo, no uso de rádios locais ou reuniões comunitárias, contribui-se para que a mensagem educativa seja ajustada às linguagens locais, costumes e condições práticas. Estratégias híbridas que combinam rádio, áudio gravado, impressos e, quando possível, digital, oferecem maior alcance e flexibilidade.

Figura1 Instalações da Rádio Sem Fronteiras – Útu FM, em Pemba

Fonte: Autor (2025)

2.2 Campanhas de alfabetização: abordagens e experiências

As campanhas de alfabetização constituem esforços organizados, geralmente liderados por governos, organizações internacionais e parceiros comunitários, para ampliar o acesso ao ensino básico e reduzir as taxas de analfabetismo. Essas iniciativas podem assumir diferentes formatos, desde programas formais de ensino até práticas não formais desenvolvidas em espaços comunitários. No caso de Moçambique e particularmente em Cabo Delgado, compreender as abordagens internacionais é essencial para contextualizar os desafios locais e identificar boas práticas que possam ser adaptadas à realidade sociocultural e linguística da região.

2.2.1 Experiências internacionais em campanhas de alfabetização

As experiências internacionais em campanhas de alfabetização demonstram a diversidade de estratégias utilizadas para enfrentar o analfabetismo em diferentes contextos. Um exemplo marcante é a campanha de alfabetização em Cuba na década de 1960, que mobilizou professores, estudantes e voluntários para levar educação a áreas rurais e remotas. Essa experiência tornou-se referência mundial por sua abrangência e rapidez na redução das taxas de analfabetismo (Leiner, 2017). Embora o contexto político e social cubano seja distinto, a ênfase na mobilização comunitária e no engajamento massivo continua a inspirar programas contemporâneos.

Outro caso relevante é o do Brasil com o Programa Brasil Alfabetizado, que buscou atender jovens e adultos fora da escola. Estudos apontam que, apesar de desafios estruturais, a integração entre governo, universidades e sociedade civil fortaleceu o impacto do programa (Haddad & Di Pierro, 2022). A experiência brasileira é particularmente útil para Moçambique, dada a proximidade linguística e as semelhanças em desafios sociais e econômicos.

Na África, destaca-se a experiência da Etiópia, que implementou programas de alfabetização de adultos vinculados ao desenvolvimento agrícola e comunitário. Essa integração entre alfabetização funcional e atividades produtivas mostrou-se eficaz em contextos de subsistência, pois a aprendizagem estava diretamente conectada às necessidades da vida diária (UNESCO, 2019). Essa abordagem reforça a ideia de que campanhas de alfabetização devem ir além da aquisição técnica da leitura e escrita, incorporando conteúdos contextualizados e aplicáveis ao cotidiano.

Outra iniciativa africana importante é a da Tanzânia, cujo movimento de alfabetização dos anos 1970 esteve associado ao projeto de desenvolvimento nacional “ujamaa”. De acordo com Mushi (2023), a alfabetização foi articulada como ferramenta de transformação social, reforçando a coesão comunitária e a participação política. Ainda que tenha enfrentado limitações, esse modelo demonstra como campanhas podem articular dimensões educativas, culturais e políticas.

As experiências recentes em países como Índia e Bangladesh mostram o potencial de integrar tecnologia digital em campanhas de alfabetização. A utilização de aplicativos móveis, rádio educativa e televisão tem ampliado o alcance de programas em áreas rurais e urbanas (Aker et al., 2024). Essas práticas revelam a importância de combinar estratégias convencionais e inovadoras para alcançar populações diversas, sendo um aprendizado relevante para Moçambique e Cabo Delgado, onde os desafios de acesso e deslocamento exigem soluções criativas e adaptadas ao contexto local.

2.2.2 Estratégias de comunicação em programas de educação de adultos

A comunicação em programas de educação de adultos é essencial para garantir a eficácia das ações de alfabetização, sobretudo em contextos de diversidade linguística e sociocultural. Estratégias de comunicação voltadas para esse público precisam ser adaptadas à realidade local, considerando níveis diferenciados de escolaridade, idades variadas e múltiplas responsabilidades sociais. Faustino e Gonçalves (2024) enfatizam que, em Moçambique, a inclusão de ferramentas de alfabetização digital associada à comunicação comunitária fortalece o engajamento dos aprendentes e promove maior integração entre escola e comunidade.

Uma das estratégias mais comuns é a utilização de materiais educativos bilíngues, que permitem aos adultos aprenderem na sua língua materna antes de transitarem para o português. Milice (2022) defende que esta prática reduz barreiras linguísticas e aumenta a confiança dos estudantes, possibilitando uma alfabetização mais inclusiva. Esse tipo de comunicação, ao valorizar os idiomas locais, reforça também a identidade cultural dos participantes.

Outra estratégia relevante consiste no uso de meios de comunicação de massa, como rádio comunitária e programas educativos transmitidos por rádio e televisão. Em áreas rurais e em situações de crise, como no caso de Cabo Delgado, esses meios têm um papel essencial para assegurar que os conteúdos educativos cheguem às comunidades. UNESCO (2019) destaca que, em contextos de deslocamento, a comunicação massiva é uma das formas mais eficazes de dar continuidade ao processo de alfabetização.

Além disso, os programas de educação de adultos têm incorporado, em alguns países africanos, metodologias participativas que associam alfabetização a atividades produtivas e de desenvolvimento local. Esse modelo integra aprendizagem com práticas de agricultura, saúde comunitária e gestão financeira, possibilitando que a alfabetização tenha utilidade prática imediata (Asongu, Odhiambo, & Rahman, 2024). Dessa forma, a comunicação nos programas de adultos deve ser tanto educativa quanto funcional, aproximando-se das necessidades reais das comunidades.

2.2.3 Modelos de comunicação participativa e comunitária

Os modelos de comunicação participativa e comunitária têm sido amplamente aplicados em programas de alfabetização e educação de adultos, sobretudo em países em desenvolvimento. Esses modelos reconhecem que a comunicação não é um processo unidirecional, mas um espaço de diálogo em que os aprendentes são sujeitos ativos da construção do conhecimento. Paulo Freire (2018) já defendia que a alfabetização deve ser concebida como prática de liberdade, em que educadores e educandos aprendem em conjunto a partir da realidade vivida.

No contexto africano, a comunicação participativa assume formas que combinam práticas culturais tradicionais e abordagens pedagógicas contemporâneas. Aker, Sawyer e Berry (2024) reforçam que programas que utilizam debates comunitários, grupos de aprendizagem colaborativa e metodologias de resolução de problemas alcançam maior impacto, pois os aprendentes percebem sentido imediato no processo educativo. Essas práticas favorecem a autonomia e promovem maior adesão às campanhas de alfabetização.

Em Moçambique, experiências documentadas apontam para o uso de teatro comunitário, música e histórias orais como meios de engajar comunidades em processos de alfabetização. Faustino (2023) mostra que a literacia mediática, quando associada a práticas culturais locais, amplia a eficácia da comunicação participativa, tornando os programas mais próximos da realidade dos educandos. Tais estratégias são especialmente relevantes em Cabo Delgado, onde a reconstrução da coesão social é um desafio constante.

Outro modelo importante é o da comunicação comunitária mediada por tecnologias simples, como rádios comunitárias interativas, que permitem não apenas a transmissão de mensagens, mas também a receção de feedback da comunidade. Boshoff e Fafowora (2025) destacam que essas práticas fortalecem o sentimento de pertença e permitem que os programas se adaptem continuamente às necessidades locais. Isso reforça a ideia de que a comunicação participativa é dinâmica e precisa de constante diálogo entre educadores, comunidade e instituições.

Por fim, os modelos de comunicação participativa e comunitária devem ser entendidos como estratégias que transcendem a alfabetização técnica, promovendo também cidadania ativa, coesão social e inclusão cultural. Em Cabo Delgado, essa abordagem é particularmente significativa, pois fortalece laços comunitários e contribui para o enfrentamento dos impactos sociais do conflito armado.

2.3 Campanhas de alfabetização em Cabo Delgado

As campanhas de alfabetização em Cabo Delgado devem ser compreendidas a partir da interseção entre os fatores socioculturais, educacionais e políticos que caracterizam a província. A região enfrenta desafios singulares derivados do conflito armado, do deslocamento interno de milhares de pessoas e da diversidade linguística, que influenciam de forma direta os processos educativos. Ao mesmo tempo, a alfabetização se apresenta como ferramenta essencial de resiliência comunitária, contribuindo para reconstrução do tecido social e promoção de cidadania.

2.3.1 Contexto sociocultural e educacional de Cabo Delgado

Cabo Delgado é uma das províncias mais diversas cultural e linguisticamente de Moçambique, abrigando grupos como os Macua, Makonde, Mwani e Makua-Metto, cada um com línguas próprias e práticas socioculturais distintas. Essa diversidade é uma riqueza cultural, mas representa um desafio significativo para programas de alfabetização que, historicamente, foram centrados no português como língua de ensino (Milice, 2022). A ausência de materiais adequados em línguas locais contribuiu para exclusões, sobretudo em áreas rurais.

Outro fator relevante é o impacto do conflito armado iniciado em 2017, que resultou no deslocamento de centenas de milhares de pessoas e na destruição de infraestrutura escolar. Relatórios da UNESCO (2022) e do UNICEF (2023) apontam que escolas foram destruídas ou transformadas em abrigos temporários, interrompendo programas educativos e dificultando a continuidade da alfabetização formal. Essa situação criou a necessidade de iniciativas alternativas de educação não formal, muitas vezes realizadas em centros de acolhimento de deslocados.

Do ponto de vista socioeconômico, Cabo Delgado apresenta altos índices de pobreza e baixos níveis de escolaridade, fatores que agravam os desafios da alfabetização. Faustino e Gonçalves (2024) ressaltam que, sem estratégias de inclusão digital e comunitária, a população adulta tende a permanecer à margem dos processos educativos. Por isso, qualquer campanha na região precisa considerar não apenas as escolas, mas também meios de comunicação de massa e práticas culturais locais como veículos pedagógicos.

Adicionalmente, o contexto educacional é marcado por fortes desigualdades de gênero. Meninas e mulheres são desproporcionalmente afetadas pelo abandono escolar, tanto devido a fatores culturais quanto por questões de segurança no contexto do conflito (UNICEF, 2023). A alfabetização feminina em Cabo Delgado, portanto, exige estratégias comunicacionais específicas que enfrentem barreiras sociais e promovam maior equidade.

2.3.2 Estratégias de comunicação nas campanhas locais

As campanhas de alfabetização em Cabo Delgado têm utilizado uma combinação de estratégias convencionais e inovadoras para alcançar diferentes grupos sociais. Entre as convencionais, destacam-se as aulas presenciais em escolas comunitárias, o uso de materiais impressos simplificados e a mobilização de professores voluntários em campos de deslocados. Essas ações garantem uma base mínima de continuidade educativa, ainda que enfrentem limitações logísticas e falta de recursos (UNESCO, 2022).

Paralelamente, estratégias inovadoras têm sido introduzidas com apoio de organizações internacionais e ONGs locais. Rádios comunitárias, por exemplo, transmitem programas educativos em línguas locais, reforçando conteúdos básicos de leitura e escrita. Essa abordagem tem se mostrado eficaz ao ultrapassar barreiras de deslocamento e ao alcançar comunidades em zonas de conflito. Faustino (2023) observa que a literacia mediática, quando articulada com práticas culturais locais, fortalece o impacto das mensagens educativas e estimula maior participação comunitária.

Além da rádio, projetos experimentais têm explorado ferramentas digitais, como tablets comunitários movidos a energia solar, adaptados para contextos sem eletricidade. Embora seu alcance ainda seja limitado, tais recursos oferecem potencial de expansão no futuro (Faustino & Gonçalves, 2024). Esses meios digitais são especialmente úteis em espaços de deslocados, onde o acesso físico às escolas é restrito.

Outro elemento estratégico das campanhas locais é a valorização das línguas maternas. Produção de cartilhas em Macua e Kimwani, por exemplo, tem sido utilizada em iniciativas comunitárias para facilitar o engajamento dos adultos. Milice (2022) destaca que campanhas multilíngues promovem maior inclusão e reforçam a identidade cultural dos participantes, tornando o processo de alfabetização mais significativo.

A articulação com líderes comunitários e religiosos desempenha papel crucial na mobilização da população. A confiança depositada nesses atores sociais aumenta a adesão às campanhas, legitima as mensagens e cria um ambiente mais seguro de aprendizagem, especialmente em áreas afetadas pelo conflito. Essa estratégia de comunicação comunitária reflete a necessidade de adaptar as campanhas de alfabetização ao contexto específico de Cabo Delgado, transformando limitações em oportunidades de inovação social.

2.3.2.1 Meios de comunicação comunitária

Os meios de comunicação comunitária constituem instrumentos fundamentais na alfabetização de adultos em Cabo Delgado, particularmente em contextos de vulnerabilidade social e deslocamento forçado. A rádio comunitária, por exemplo, destaca-se como o canal de maior alcance, devido à sua penetração em áreas rurais e ao uso de línguas locais. A UNESCO (2019) documenta que a rádio educativa desempenha papel essencial em situações de crise humanitária, permitindo que conteúdos pedagógicos sejam transmitidos mesmo em ambientes onde as escolas formais não funcionam.

Além das transmissões radiofônicas, encontros locais como assembleias comunitárias e fóruns de diálogo têm sido integrados às estratégias de comunicação. Esses espaços funcionam não apenas como momentos de transmissão de mensagens educativas, mas também como oportunidades de interação, debate e mobilização social. Rega e Vannini (2018) demonstram que Centros Multimídia Comunitários em Moçambique têm sido percebidos como espaços de empoderamento coletivo, ampliando a confiança e a participação cívica.

Outro aspecto relevante é que os meios comunitários oferecem maior legitimidade às campanhas de alfabetização, uma vez que são reconhecidos como espaços de pertencimento. Em Cabo Delgado, marcado por deslocamentos e tensões sociais, a rádio comunitária e os encontros locais são vistos como “extensões” da comunidade, o que fortalece a credibilidade das campanhas educativas (Faustino, 2023).

Essa confiança é decisiva para que populações marginalizadas aceitem participar em programas de alfabetização. Também é importante destacar o caráter bidirecional dos meios comunitários. A rádio e os encontros não funcionam apenas como emissores de mensagens, mas permitem o retorno e a interação. Isso se alinha com a concepção de comunicação participativa, em que a comunidade deixa de ser receptora passiva e passa a ser produtora e avaliadora das mensagens (Boshoff & Fafowora, 2025). Essa abordagem garante maior adaptação das campanhas às necessidades locais.

Por fim, deve-se observar que, embora eficazes, os meios comunitários enfrentam limitações, como a escassez de financiamento, equipamentos precários e falta de profissionais capacitados. Mesmo assim, em Cabo Delgado, onde os meios formais de ensino foram interrompidos pelo conflito armado, essas ferramentas continuam sendo alternativas resilientes para garantir o acesso à alfabetização em condições adversas.

2.3.2.2 Comunicação interpessoal e tradicional

A comunicação interpessoal e tradicional tem desempenhado papel decisivo nas campanhas de alfabetização em Cabo Delgado, refletindo a importância das práticas culturais enraizadas no cotidiano das comunidades. A mobilização de líderes locais e religiosos é uma das estratégias mais utilizadas, uma vez que essas figuras gozam de confiança e respeito comunitário.

A legitimidade desses atores sociais contribui para aumentar a adesão às iniciativas educativas, criando um ambiente de aprendizagem seguro e culturalmente validado (UNICEF, 2023).

A música tradicional e os cânticos populares também desempenham papel relevante como instrumentos de comunicação. Canções educativas, compostas em línguas locais, facilitam a memorização de conteúdos básicos de leitura e escrita, tornando o processo de alfabetização mais lúdico e inclusivo. Essas práticas resgatam valores culturais e estimulam o orgulho identitário, contribuindo para a valorização da alfabetização como um bem comum (Johnson, 2016).

A oralidade, presente nas narrativas, contos e provérbios locais, é outro recurso pedagógico fundamental. Segundo Johnson (2016), práticas orais funcionam como ponte entre a tradição e a alfabetização funcional, pois permitem que os adultos incorporem novas competências de leitura e escrita a partir de estruturas narrativas já conhecidas. Essa abordagem é especialmente útil em contextos multilíngues, como Cabo Delgado, onde a oralidade é central na vida comunitária.

Por fim, a comunicação interpessoal e tradicional reforça a dimensão comunitária da alfabetização, ao promover espaços de interação direta e afetiva. Em vez de um processo isolado, a alfabetização torna-se um evento coletivo, partilhado e culturalmente significativo. Em Cabo Delgado, essa estratégia tem se mostrado essencial para superar resistências iniciais e reconstruir laços sociais fragilizados pelo conflito armado.

Figura 2O Papel da comunicação na alfabetização comunitária

Fonte: Autor (2025) adaptado de Freire (2014)

2.3.2.3 Uso de linguagens e idiomas locais

O uso das línguas locais nas campanhas de alfabetização em Cabo Delgado representa não apenas uma estratégia pedagógica, mas também um ato de inclusão social e respeito cultural. A diversidade linguística da província, marcada pela presença de idiomas como Emakhuwa, Kimwani e Shimakonde, exige abordagens adaptadas. Pesquisas recentes confirmam que a proficiência em línguas maternas é um fator determinante para o sucesso da alfabetização em português (Zhang et al., 2023).

A utilização de idiomas locais tem impacto direto na motivação e no engajamento dos aprendentes. UNESCO (2019) documenta que campanhas de alfabetização em Moçambique que valorizam línguas nativas aumentaram significativamente a participação de mulheres adultas, reduzindo desigualdades de gênero. Esse fator é particularmente importante em Cabo Delgado, onde os índices de analfabetismo feminino ultrapassam os 70% (UNHCR, 2023).

Além disso, programas comunitários têm investido na produção de materiais didáticos bilíngues. A Terra (2021) relata oficinas realizadas em 2023 para a criação de livros escolares em línguas locais, envolvendo professores, estudantes e líderes comunitários na elaboração. Essa prática assegura que o material seja culturalmente apropriado e amplamente aceito pelas comunidades.

Outro elemento essencial é que o uso das línguas locais fortalece identidades culturais e promove maior coesão social.

Em contextos de deslocamento, como os acampamentos em Cabo Delgado, a alfabetização em língua materna ajuda a preservar tradições e a promover resiliência coletiva. Essa função cultural da alfabetização amplia seu valor além da mera técnica da leitura e escrita. Finalmente, o uso de idiomas locais em campanhas de alfabetização deve ser visto como parte de uma política de inclusão mais ampla, que reconhece a pluralidade cultural como um recurso e não como obstáculo.

Ao permitir que os aprendentes iniciem o processo educativo em sua língua materna, cria-se um caminho mais sólido para a aprendizagem do português e para a participação plena na sociedade moçambicana.

Tabela 1 Línguas locais mais faladas em Cabo Delgado e suas regiões de predominância

Fonte: Autor (2025)

2.4 Envolvimento da comunidade e eficácia das estratégias

O envolvimento da comunidade é um dos fatores determinantes para a eficácia das campanhas de alfabetização, especialmente em contextos complexos como Cabo Delgado. Quando a comunidade é apenas receptora passiva das iniciativas, as estratégias tendem a fracassar ou a ter resultados superficiais e de curta duração. Ao contrário, quando os membros locais participam ativamente do processo, desde o desenho até a implementação das atividades, os programas tornam-se mais sustentáveis e culturalmente relevantes (Freire, 2018).

2.4.1 Participação ativa da comunidade

A participação ativa da comunidade nas campanhas de alfabetização é um elemento-chave que diferencia iniciativas bem-sucedidas daquelas que permanecem ineficazes. Trata-se de um processo em que os beneficiários não apenas recebem instrução, mas atuam como coautores das estratégias educativas, influenciando conteúdos, metodologias e linguagens utilizadas. Paulo Freire (2018) já havia destacado que a educação deve ser dialógica, e não bancária, devendo reconhecer o saber popular como ponto de partida para qualquer prática educativa.

Em Cabo Delgado, a participação ativa tem se materializado em práticas como a formação de alfabetizadores voluntários dentro da própria comunidade. Essa estratégia permite maior proximidade cultural e linguística entre educador e educando, diminuindo resistências e aumentando o engajamento. O programa FELITAMO, por exemplo, envolveu membros locais na preparação de materiais e no ensino, fortalecendo a apropriação comunitária do processo (UNESCO, 2019).

A experiência internacional tem demonstrado que a participação comunitária promove sentimento de pertença e corresponsabilidade. Em países africanos como Tanzânia e Etiópia, movimentos de alfabetização baseados em modelos de education for self-reliance demonstraram que a apropriação local é essencial para transformar a alfabetização em prática social e não apenas em habilidade técnica (Mushi, 2021). Isso também é válido em Cabo Delgado, onde as comunidades enfrentam deslocamentos e rupturas sociais, necessitando de estratégias que reforcem a coesão social.

No contexto moçambicano, o relatório Leaving No One Behind-Cabo Delgado Province Report (UNDP, 2025) enfatiza que os programas de educação comunitária têm maior impacto quando incluem representantes locais, líderes comunitários e associações de base. Essa abordagem fortalece a legitimidade das campanhas e facilita a superação de barreiras culturais, linguísticas e de gênero.

A eficácia das estratégias de alfabetização em Cabo Delgado também está ligada à forma como os programas valorizam práticas culturais locais. A integração de música, teatro e oralidade tradicional em campanhas educativas aumenta a adesão da comunidade e gera identificação cultural (Ebewo, 2022). Essa participação ativa transforma a alfabetização em um movimento coletivo de reconstrução social e não apenas em um processo pedagógico formal.

Outro aspecto fundamental é a inclusão de mulheres nas decisões comunitárias sobre campanhas de alfabetização. Dado que cerca de 75% das mulheres em Cabo Delgado permanecem analfabetas (UNHCR, 2023), sua participação não apenas como beneficiárias, mas também como mobilizadoras garante maior impacto e reduz desigualdades de gênero. Essa dimensão é enfatizada em relatórios da UNESCO (2022), que mostram que programas inclusivos alcançam maior adesão feminina.

A participação ativa também ocorre através de práticas culturais. Líderes tradicionais, grupos de teatro comunitário e músicos locais têm desempenhado papéis de mobilização e sensibilização. Essa forma de engajamento fortalece a credibilidade das mensagens e cria um ambiente de aprendizagem mais enraizado na realidade local. Estudos sobre theatre-for-development em África destacam que essa modalidade de comunicação promove mudanças sociais duradouras (Ebewo, 2022).

A participação comunitária ativa deve ser entendida como um processo contínuo de negociação e adaptação. Ela não se limita ao momento inicial das campanhas, mas estende-se à avaliação e monitoria das atividades. Ao incluir feedback comunitário, as campanhas podem ser ajustadas para responder às condições sociopolíticas de Cabo Delgado, assegurando não apenas eficácia imediata, mas também sustentabilidade a longo prazo (Boshoff & Fafowora, 2025).

2.4.2 Papel dos líderes comunitários e associações locais

O papel dos líderes comunitários e das associações locais em campanhas de alfabetização é central para legitimar e fortalecer as iniciativas educativas. Em Cabo Delgado, onde os laços comunitários são fundamentais para a reconstrução social em contextos de conflito, esses atores representam a ponte entre a comunidade e as organizações externas. McKay (2019), ao analisar campanhas de alfabetização na África do Sul, mostrou que o envolvimento ativo de líderes locais foi decisivo para o sucesso, pois gerou confiança e mobilização em larga escala. Esse mesmo princípio é aplicável ao caso moçambicano.

Os líderes tradicionais e religiosos não apenas facilitam a adesão às campanhas, mas também exercem funções de mediação cultural e resolução de conflitos. Manuel e Popov (2016), ao examinar a implementação de políticas de educação de adultos em Moçambique, destacam que a ausência de engajamento comunitário consistente enfraquece os programas, criando descontinuidade. Assim, o reconhecimento do papel dos líderes é vital para reduzir resistências culturais e assegurar a participação das populações.

As associações locais, como grupos de mulheres, cooperativas agrícolas e organizações juvenis, desempenham também um papel prático na execução das campanhas. Elas contribuem com infraestrutura, organização de turmas e até preparação de materiais. Segundo a UNESCO (2019), iniciativas de alfabetização familiar em Moçambique só alcançaram resultados expressivos porque envolveram associações locais no planejamento e monitoria. Isso indica que tais organizações não são apenas beneficiárias, mas parceiras estratégicas.

Outro aspecto relevante é a função de tradutores culturais desempenhada por líderes e associações. Em um território multilíngue como Cabo Delgado, a capacidade desses atores de adaptar mensagens às línguas e aos códigos culturais da comunidade garante maior compreensão e apropriação das campanhas.

Quan-Baffour e Johnson (2022), em estudo com refugiados adultos na África do Sul, mostram que a alfabetização só se tornou eficaz quando mediada por pessoas que partilhavam idioma e experiências culturais com os aprendentes.

Em síntese, líderes comunitários e associações locais são peças-chave para o enraizamento das campanhas de alfabetização. Seu envolvimento não apenas mobiliza a população, mas também garante sustentabilidade, transformando a alfabetização de uma intervenção externa em um processo coletivo de transformação social.

3. Metodologia

A pesquisa adoptou uma abordagem mista, de natureza descritivo-exploratória, com amostragem não probabilística por conveniência, constituída por 81 participantes: 54 beneficiários das campanhas de alfabetização e 27 alfabetizadores e gestores provenientes de diferentes bairros da Cidade de Pemba. A combinação de técnicas qualitativas e quantitativas permitiu captar percepções, experiências e significados atribuídos pelos participantes, ao mesmo tempo que evidenciou padrões e tendências que reforçassem a robustez dos resultados.

A recolha de dados decorreu durante doze semanas, entre Junho e Setembro, em dezasseis (16) centros educacionais. Após obtenção de autorização institucional, estabeleceu-se contacto prévio com os gestores para planificar o trabalho de campo sem interferir nas actividades pedagógicas. Os instrumentos utilizados incluíram entrevistas semiestruturadas com gestores e facilitadores, questionários estruturados aplicados aos alfabetizandos durante as sessões e observação directa das dinâmicas comunicacionais. Os dados quantitativos foram analisados por meio de estatística descritiva e testes de correlação, enquanto os dados qualitativos foram examinados mediante análise de conteúdo, com categorização narrativa.

Foram incluídos participantes directa e activamente envolvidos nas campanhas de alfabetização, disponíveis e dispostos a colaborar, bem como documentos institucionais e materiais pedagógicos relevantes para o período de estudo. Excluíram-se indivíduos que não assinaram o consentimento informado, que não actuavam no contexto das campanhas ou apresentavam limitações cognitivas que impedissem a recolha de dados adequada. Foram eliminados posteriormente participantes que desistiram, respostas inconsistentes e documentos com informações incompletas ou contraditórias. Os critérios visaram garantir validade, confiabilidade e ética, evitando vieses e assegurando que os dados reflectissem fielmente a realidade local.

As variáveis sociodemográficas incluíram idade, género, escolaridade, estado civil, ocupação e local de residência. As variáveis independentes referiram-se aos componentes das estratégias de comunicação (rádio, cartazes, reuniões comunitárias, frequência e conteúdo das mensagens, envolvimento de educadores e líderes, recursos materiais). As variáveis dependentes representaram os resultados das campanhas (nível de compreensão das mensagens, mudança de práticas de leitura e escrita, frequência/engajamento e percepção de eficácia comunicacional). As variáveis intervenientes correspondiam aos factores socioculturais, condições socioeconómicas, mobilidade populacional e efeitos de deslocamentos forçados. As variáveis foram operacionalizadas por escalas nominais, ordinais, grelhas de observação e escalas de Likert.

A pesquisa enfrentou constrangimentos no acesso a documentos institucionais e limitações operacionais devido à insegurança na província, o que dificultou o acesso a todas as comunidades alfabetizadas. Para mitigar tais restrições, recorreu-se à triangulação de métodos e fontes, seleccionaram-se áreas acessíveis e utilizou-se recolha digital complementar quando necessário. Reconhece-se igualmente a subjectividade inerente à análise qualitativa, mitigada através de validação cruzada e categorização rigorosa.

O estudo foi aprovado pelo Comité de Ética de Cabo Delgado. A participação foi voluntária, mediante assinatura do consentimento informado, garantindo-se anonimato, confidencialidade e recolha de dados em ambiente reservado. Nenhuma informação pessoal identificável foi utilizada na análise. A condução do estudo respeitou integralmente a integridade, a dignidade e a privacidade dos participantes, reconhecendo os valores e dinâmicas culturais locais.

4. Discussão de resultados

4.1 Descrição sociolinguístico nas campanhas de alfabetização em Pemba

Este artigo teve como objetivo analisar a eficácia das estratégias de comunicação nas campanhas de alfabetização de jovens e adultos na Cidade de Pemba. A implementação de campanhas de alfabetização em Moçambique representa uma estratégia fundamental na luta contra a pobreza e na promoção da cidadania, sendo uma prioridade reconhecida pelo governo desde a independência nacional.

O país tem avançado, historicamente, no desenvolvimento de políticas e programas voltados ao aumento do acesso à educação básica para jovens e adultos, refletindo a preocupação com a redução das elevadas taxas de analfabetismo, especialmente em populações vulneráveis e áreas rurais.​

Essas campanhas são estruturadas para atender a uma população heterogênea quanto a níveis educacionais, culturais e linguísticos, o que demanda uma formação pedagógica específica para alfabetizadores e conteúdos educativos contextualizados à realidade dos participantes.

A estratégia nacional de alfabetização e educação de adultos, que inclui ações integradas de formação e capacitação, busca não só a transmissão de conhecimentos básicos, mas também a preparação dos aprendizes para os desafios futuros sociais, políticos e econômicos.​

Além da dimensão pedagógica, essas iniciativas enfrentam desafios institucionais, sociais e logísticos que influenciam diretamente a efetividade das campanhas e a permanência dos participantes.

Por isso, o planejamento e a gestão das estratégias de comunicação desempenham papel crucial para motivar e engajar as comunidades, valorizando saberes locais e garantindo que os conteúdos sejam culturalmente pertinentes e acessíveis.

O estudo realizado, evidencia que 41% dos participantes reconhecem o uso trilingue de português, Emakhuwa e Kimwani nas campanhas de alfabetização, demonstrando um avanço significativo quanto à integração de grupos linguísticos diversos.

Esse esforço responde a diretrizes do Ministério da Educação e organismos internacionais, que recomendam a valorização das línguas maternas como instrumento fundamental de inclusão e melhor desempenho educacional em Moçambique.​

A adopção do modelo trilíngue é estratégica não apenas para ampliar a compreensão dos conteúdos, mas também para fortalecer o sentimento de pertencimento e identidade dos alfabetizandos, característica essencial em territórios com grande diversidade etnolinguística, como Pemba.

Segundo relatórios da UNESCO (2023), programas bilíngues ou multilíngues elevam o engajamento dos alunos e melhoram os indicadores de permanência escolar, especialmente quando as campanhas de alfabetização respeitam as particularidades culturais e regionais.​

A tabela abaixo reflete esse compromisso com a diversidade, mostrando que o uso conjunto das três línguas atende não apenas à comunicação educativa, mas também à inclusão social de públicos que, historicamente, enfrentaram barreiras de acesso ao conhecimento formal por questões linguísticas.

Portanto, essa prática deve ser reforçada e expandida como uma das principais estratégias para garantir o direito universal à alfabetização e promover equidade educacional no contexto local.

Gráfico 1 Idiomas mais usados

Fonte: Autor (2025)

A análise dos resultados revela que 18% dos respondentes declararam utilizar exclusivamente o português durante as campanhas de alfabetização em Pemba, o que evidencia limitações consideráveis de acessibilidade para os participantes que possuem o Emakhuwa ou o Kimwani como língua materna.

O destaque do Emakhuwa como idioma de maior representatividade local (15%) reafirma sua centralidade nas práticas comunicativas da região, reforçando a necessidade de políticas linguísticas que valorizem os saberes e códigos das comunidades.

Esses achados estão em consonância com o argumento de Chimbutane (2023) que aponta o predomínio do português nas campanhas nacionais como uma barreira significativa à inclusão, sobretudo em áreas onde línguas bantu prevalecem. Cardey et al. (2024) destacam que o sucesso das campanhas está associado à incorporação dos códigos culturais e linguísticos tradicionais dos grupos-alvo e à valorização de formatos de oralidade e materiais adaptados.

Assim, a desigualdade observada no uso e frequência dos idiomas locais pode comprometer tanto a compreensão das mensagens educativas quanto o engajamento dos alfabetizandos, limitando o impacto das intervenções.

Por outro lado, o estudo reforça que o perfil linguístico dos participantes é essencial para o êxito das campanhas, defendendo a adaptação contínua das mensagens às realidades locais e o uso equilibrado dos idiomas indígenas e do português como elementos-chave.

Além disso, Faustino & Gonçalves (2024) e Agunga (2022) enfatizam que a comunicação deve ser clara, frequente e multilíngue, utilizando canais tradicionais e digitais para amplificar o alcance e promover inclusão.

Estratégias como produção de materiais em diferentes línguas, envolvimento de facilitadores bilíngues e promoção de atividades interativas entre grupos linguísticos diversos são recomendadas como meios eficazes para superar as barreiras identificadas.

As dificuldades relatadas pelos participantes convergem para desafios relacionados à barreira linguística e às diferenças culturais no contexto da alfabetização, indicando que a ação educativa precisa se abrir à pluralidade de saberes e práticas dos povos locais. Ao reforçar a inclusão e apoiar a comunicação intercultural, espera-se ampliar não apenas a participação, mas também a sustentabilidade e o impacto social das campanhas.

4.2 Percepção e avaliação da eficácia das estratégias de comunicacão

4.2.1 Níveis de alfabetização e comunicação no subsistema de educação

A análise dos níveis de alfabetização constitui um eixo estruturante para compreender a eficácia das estratégias de comunicação adoptadas nos programas educativos. Esta avaliação permite não apenas aferir o desempenho pedagógico, mas também verificar em que medida as mensagens, metodologias e suportes comunicacionais estão ajustados às necessidades e capacidades dos diferentes perfis de alfabetizandos.

No campo das ciências da comunicação especialmente na vertente da comunicação organizacional aplicada ao sector educativo, onde os níveis de alfabetização são entendidos como indicadores empíricos da qualidade das interações institucionais, refletindo a coerência entre o conteúdo transmitido, a linguagem utilizada e a recepção efectiva pelos públicos-alvo (Campos et al., 2023).

A literatura internacional sublinha que a comunicação eficaz em programas de alfabetização depende de um alinhamento constante entre o nível de complexidade da mensagem e a etapa de aprendizagem em que o beneficiário se encontra. Pesquisas da UNESCO (2023) mostram que, quando esse alinhamento não ocorre, surgem barreiras informacionais que prejudicam o progresso pedagógico, diminuem a retenção dos participantes e reduzem a motivação para a permanência no programa.

Assim, compreender os níveis de alfabetização é essencial para orientar escolhas metodológicas, definir o tipo de linguagem mais apropriada, selecionar canais de comunicação adequados e planificar momentos estratégicos de interação entre facilitadores e alfabetizandos.

No contexto moçambicano, esta estrutura de níveis é ainda mais relevante devido à diversidade linguística e ao histórico de desigualdades de acesso à educação, que se traduzem em heterogeneidade significativa entre os participantes.

Em programas implementados em áreas urbanas e periurbanas, como Pemba, coexistem alfabetizandos que iniciam o processo com competências mínimas de leitura e escrita em português, outros com alfabetização parcial ou informal em línguas bantu, e ainda um grupo mais reduzido que já possui determinados domínios práticos, mas carece de consolidação formal (Mangue, 2023).

O sistema de alfabetização analisado encontra-se estruturado em três níveis progressivos, que visam assegurar uma trajetória formativa coerente, inclusiva e equitativa para os adultos que retomam a escolarização:

Nível I (Iniciação): corresponde à aprendizagem básica da língua escrita e falada, reconhecimento de palavras e frases simples, domínio inicial da leitura funcional e de noções elementares de aritmética. Este nível exige estratégias comunicacionais altamente visuais, claras e contextualizadas, com forte uso de exemplos do quotidiano.

Nível II (Consolidação): caracteriza-se pelo aprimoramento das capacidades de leitura e escrita, compreensão de textos breves e desenvolvimento gradual do pensamento crítico. A comunicação neste nível pode incorporar mensagens mais complexas, recursos multimodais e atividades de interpretação.

Nível III (Educação Continuada): marca a transição para o ensino primário formal, com foco no domínio de textos mais extensos, resolução de problemas práticos e aplicação das competências adquiridas no trabalho e na comunidade. Neste nível, as estratégias comunicacionais tendem a ser mais diversificadas, incluindo debates, trabalho de grupo e leitura orientada.

Segundo a UNESCO (2023), esta divisão sequencial tem como propósito garantir progressividade, evitando rupturas abruptas entre as fases, equidade, assegurando que cada alfabetizando avança conforme o seu ritmo, e continuidade, permitindo que adultos retornem ao percurso educativo de maneira estruturada e motivadora.

No presente estudo, a distribuição dos alfabetizandos pelos níveis de alfabetização constitui um indicador fundamental da forma como a comunicação tem sido operacionalizada nos programas analisados.

Assim, os dados agrupados na tabela 9 abaixo, correspondente referente à amostra de n = 54 participantes e ilustra de forma clara como os beneficiários se distribuíram entre os três níveis, oferecendo evidências essenciais para avaliar a adequação pedagógica e comunicacional do processo em análise:

Tabela 2 Distribuição dos alfabetizandos por níveis

Fonte: Autor (2025)

Os resultados obtidos revelam uma distribuição equilibrada entre os níveis de alfabetização, com predomínio do Nível III (48%), seguido pelo Nível II (28%) e Nível I (24%). Este panorama evidencia que quase metade dos beneficiários alcançou um estágio avançado de literacia funcional, caracterizado por maior domínio da leitura e da escrita.

Tal desempenho sugere a existência de estratégias de comunicação pedagógica eficazes e inclusivas, que promovem a compreensão, retenção e aplicação prática dos conteúdos (de Carvalho, 2024).

A concentração de alfabetizandos nos níveis II e III, que totaliza 76% do grupo de beneficiários, denota um movimento progressivo de consolidação do aprendizado e pode ser interpretada como reflexo direto de mecanismos comunicacionais consistentes dentro do processo educativo.

Essa tendência está em consonância com os relatórios UNESCO (2023), que apontam para uma melhoria gradual nas taxas de progressão e retenção nos programas de alfabetização de adultos em Moçambique, sobretudo quando estes integram abordagens de comunicação participativas, capazes de promover o diálogo e a motivação intrínseca dos aprendentes.

A eficácia comunicativa nas campanhas de alfabetização não depende unicamente da transmissão de mensagens, mas da forma como estas são codificadas e descodificadas em função dos níveis de literacia dos destinatários.

A presença significativa de participantes nos níveis II e III indica que as mensagens e metodologias empregues foram adequadamente adaptadas ao contexto linguístico e cultural dos alfabetizandos, o que reforça a pertinência da comunicação contextualizada como ferramenta estratégica para o desenvolvimento educacional (Mangue, 2023).

Sob o ponto de vista da comunicação organizacional, a segmentação dos alfabetizandos por níveis representa uma estrutura comunicacional hierarquizada, em que cada grupo requer formatos e linguagens distintos de mediação pedagógica.

Alfabetizandos em níveis iniciais beneficiam-se de comunicações visuais, narrativas e orais, que reduzem a carga cognitiva e aumentam a retenção; já os de níveis avançados respondem melhor a comunicações reflexivas, simbólicas e problematizadoras, que reforçam a autonomia e o pensamento crítico.

Essa diferenciação comunicacional é componente-chave para garantir a eficácia das campanhas de alfabetização e a sustentabilidade do processo educativo. O equilíbrio entre os níveis também reflete a heterogeneidade sociocultural dos participantes, aspecto recorrente em contextos pós-conflito e de deslocamento populacional, como ocorre na Cidade de Pemba, em Cabo Delgado.

De acordo com a UNICEF (2021), a reconstrução dos percursos de aprendizagem em cenários de instabilidade requer comunicação organizacional resiliente, baseada em confiança, empatia e transparência, capaz de restabelecer vínculos educativos e fortalecer o sentido de pertença comunitária. Assim, a estabilidade no contexto de comunicação torna-se elemento essencial para a continuidade do aprendizado e para a integração social dos beneficiários.

Complementarmente, Faustino & Gonçalves (2024), salientam que a incorporação da alfabetização digital e funcional aos currículos tradicionais amplia as competências de comunicação dos adultos, estimulando a autonomia informacional e promovendo a aprendizagem ao longo da vida.

No contexto da Cidade de Pemba, onde coexistem desafios estruturais e socioculturais, a integração de tecnologias simples de comunicação como rádios comunitárias, mensagens móveis e materiais audiovisuais constitui uma estratégia eficaz para aumentar o alcance e a permanência dos alfabetizandos.

Dessa forma, discutir os níveis de alfabetização no âmbito do subsistema educativo não se resume a uma análise estatística, mas a uma interpretação comunicacional do processo de aprendizagem. Os níveis funcionam como espelho da eficácia das estratégias de comunicação adoptadas, revelando em que medida a informação circula, é compreendida e transforma-se em conhecimento aplicado.

Em síntese, a progressão dos alfabetizandos entre os diferentes níveis evidencia uma comunicação organizacional eficiente, capaz de motivar, instruir e transformar realidades, cumprindo o papel social da educação como processo comunicativo e emancipador.

Outro ponto de elevada relevância no âmbito da educação de adultos refere-se à localização residencial dos participantes em relação à distribuição geográfica dos 16 pontos educacionais existentes nos 13 bairros da cidade de Pemba.

Esta relação evidencia uma razão acima da média na simetria centro–bairro, sugerindo que o acesso às campanhas de alfabetização é significativamente influenciado pela proximidade física entre os alfabetizandos e os centros onde as atividades ocorrem.

A análise da distribuição espacial revela que 75% dos alfabetizandos residem em áreas urbanas, enquanto apenas 25% pertencem a bairros periféricos, conforme ilustrado no Gráfico 3. Esta discrepância demonstra uma maior concentração de beneficiários nas zonas centrais da cidade, onde a oferta de serviços educativos tende a ser mais densa e a infraestrutura mais consolidada.

Essa tendência não é exclusiva de Pemba; é amplamente observada em várias cidades Moçambicanas como Beira, Nampula e Maputo e e em diferentes contextos urbanos africanos, onde as periferias enfrentam maior precariedade de serviços públicos, mobilidade reduzida e distâncias consideráveis até aos centros educativos (UNESCO, 2022; ADEA, 2021).

Nos bairros periféricos de Pemba, como Cariacó, Natite e Chuiba, a combinação entre fraca infraestrutura viária, baixa cobertura de transporte público e insegurança em determinados períodos do dia constitui uma barreira significativa à participação em atividades educacionais.

Estudos realizados por Langa (2019), Nhantumbo (2021) e UNICEF (2020) demonstram que a distância física aos serviços educativos está diretamente associada à taxa de abandono, à irregularidade da frequência e, em muitos casos, à total exclusão de adultos residentes nas zonas mais afastadas dos centros.

Além disso, a literatura sobre educação de adultos em contextos africanos evidencia que a distribuição urbana desigual dos centros de alfabetização reforça assimetrias socioeconómicas já existentes, beneficiando indivíduos com maior mobilidade espacial e penalizando moradores das periferias.

Em Pemba, isto traduz-se na participação predominante de alfabetizandos residentes em bairros centrais como Paquitequete, Ingonane e Alto Gingone, onde os programas são mais acessíveis e frequentemente mais bem divulgados.

Do ponto de vista comunicacional, a concentração geográfica dos alfabetizandos nas áreas centrais implica que as mensagens, campanhas de mobilização e canais de comunicação utilizados alcançam de forma mais eficaz os públicos urbanos, enquanto os residentes das zonas periféricas permanecem subrepresentados e com menor acesso à informação.

Esta desigualdade no alcance comunicacional evidencia a necessidade de estratégias diferenciadas que ampliem a cobertura e assegurem maior equidade territorial. Entre essas estratégias destacam-se a realização de campanhas comunitárias itinerantes que se desloquem diretamente às áreas periféricas, o uso intensificado de rádios comunitárias, megafones de bairro e líderes locais como mediadores do processo comunicativo, a criação de microcentros educativos próximos das comunidades afastadas e a mobilização porta-a-porta para garantir que a informação chegue às famílias que vivem em locais de difícil acesso.

Juntas, essas ações permitem reduzir as barreiras territoriais e promover uma comunicação mais inclusiva, adaptada às realidades e limitações dos diferentes segmentos da população. Assim, a análise espacial dos alfabetizandos demonstra que a localização geográfica continua a ser um determinante crítico no acesso à educação de adultos em Pemba.

A forte concentração urbana observada não apenas reflete desigualdades territoriais existentes, mas também evidencia que as campanhas de alfabetização, para serem efetivamente inclusivas e equitativas, precisam considerar critérios de territorialidade e mobilidade que ultrapassem os limites centrais da cidade.

Gráfico 2  Distribuição espacial dos alfabetizandos

Fonte: Autor (2025)

A rede de alfabetização na Cidade de Pemba abrange 16 centros distribuídos entre zonas urbanas (56%) e periféricas (44%), apontando para esforços de distribuição territorial que buscam a equidade, embora ainda haja uma tendência à concentração nos centros urbanos, onde as condições de infraestrutura, transporte e segurança são mais favoráveis.

Esse padrão corrobora a análise de UNICEF (2021) e UNESCO (2023), que destacam a relação direta entre o grau de urbanização, oferta de transporte público, condições de segurança local e frequência escolar em contextos africanos vulneráveis.​

Segundo Sefane (2018), a simples disponibilidade física dos centros não assegura por si só a equidade territorial. Distâncias superiores a três quilômetros entre residência e o centro educativo reduzem significativamente a frequência dos beneficiários, especialmente entre grupos socialmente vulneráveis.

Isso é agravado por desafios logísticos e comunicacionais, como baixos investimentos em mobilização comunitária, divulgação ineficaz e linguagem pouco acessível.​ A literatura indica que, para superar essas barreiras, é necessário fortalecer campanhas de sensibilização voltadas para a literacia funcional e comunitária, abordando temas relevantes para o cotidiano nos bairros periféricos, como gestão doméstica, saúde preventiva e cidadania local (Faustino & Gonçalves, 2024; Soares, 2017; Silva & Ribeiro, 2019).

Essas abordagens aumentam o engajamento ao tornarem a alfabetização mais útil e contextualizada para os sujeitos.​ No aspecto programático, autores como Paiva et al. (2021) sugerem a instalação de turmas móveis ou itinerantes e o uso de modalidades híbridas (rádio, encontros presenciais curtos, teatro popular e líderes locais), garantindo acesso à aprendizagem em realidades de difícil deslocamento e baixo acesso a serviços, como ocorre em Pemba.

Segundo Araújo & Lima (2018) reforçam que estratégias comunicacionais eficazes devem contemplar múltiplos canais, adaptando-se à diversidade sociolinguística do território e priorizando protagonistas locais, o que potencializa adesão, motivação e resultados sustentáveis.​

Além da infraestrutura e logística, é fundamental considerar fatores socioculturais, como aspirações de mobilidade social, que aparecem com maior intensidade em zonas urbanas, onde o valor da alfabetização está atrelado a oportunidades de emprego e acesso a serviços públicos. Nos bairros periféricos, o impacto da alfabetização depende mais do seu carácter prático e imediato. Por isso, campanhas que dialogam com necessidades comunitárias tendem a mobilizar e transformar mais.​

Em síntese, estudos em Moçambique e outros contextos africanos demonstram que a eficácia das campanhas e estratégias de comunicação em alfabetização repousa sobre: infraestrutura e distribuição territorial dos centros em equilíbrio., mobilização comunitária, adaptação linguística e protagonismo feminino nas campanhas (Spinelli, 2021; Mangue, 2023).​ Em contra partida temos a utilização de canais variados e interação directa com lideranças locais e foco na literacia funcional e cidadania ativa para ampliar o alcance e relevância do processo educativo.

4.2.2 Eficácia dos meios de comunicação nas estratégias de alfabetização comunitária.

A análise dos dados relativos à sensibilidade cultural e linguística no processo de alfabetização revela a importância de ajustar as estratégias comunicacionais e pedagógicas às realidades socioculturais das comunidades envolvidas. Essa adequação constitui um elemento central para garantir que as mensagens educativas sejam não apenas compreendidas, mas também internalizadas e valorizadas pelos destinatários.

Em contextos de diversidade étnica e linguística, como o observado, o uso de abordagens comunicativas culturalmente pertinentes torna-se essencial para superar barreiras simbólicas, promover a inclusão e consolidar processos educativos mais significativos e sustentáveis.

Os resultados obtidos indicam que a escolha de meios de comunicação apropriados é um fator determinante para ampliar a adesão, a compreensão e o engajamento dos alfabetizandos. O aproveitamento eficaz de canais acessíveis e socialmente legitimados contribui para a criação de um ambiente de aprendizagem mais participativo, interativo e adaptado às especificidades locais.

Nesse sentido, estratégias comunicativas que valorizam o uso das línguas locais, a oralidade e as formas tradicionais de partilha de conhecimento revelam-se fundamentais para fortalecer o vínculo entre educadores e comunidades.

O Gráfico 4 demonstra que os principais canais de comunicação empregados nas campanhas de alfabetização foram a rádio comunitária (39%), as redes sociais e plataformas digitais (28%), as reuniões comunitárias (19%) e os cartazes ou panfletos impressos (15%).

Essa distribuição evidencia a predominância da rádio como meio de maior alcance, especialmente em zonas rurais e periurbanas, onde a limitação de acesso à internet restringe a efetividade das ferramentas digitais.

As rádios comunitárias destacam-se como instrumentos privilegiados de mobilização social, dada a sua capacidade de transmitir mensagens em línguas locais, promover debates públicos e divulgar conteúdos educativos de forma contínua e interativa.

Por outro lado, a crescente utilização de redes sociais e plataformas digitais demonstra uma tendência de modernização das estratégias comunicacionais, particularmente nas áreas urbanas e entre os públicos jovens. Essas plataformas oferecem potencial para a disseminação rápida de conteúdos, interação direta com os alfabetizandos e produção colaborativa de mensagens educativas.

No entanto, o seu impacto depende fortemente da disponibilidade de recursos tecnológicos e da literacia digital dos participantes, o que reforça a importância de políticas de inclusão tecnológica no âmbito educacional.

As reuniões comunitárias e materiais impressos, embora representem percentagens menores, desempenham um papel complementar essencial, favorecendo a comunicação presencial, o diálogo face a face e o reforço visual das mensagens.

A combinação equilibrada desses meios cria um ecossistema comunicativo diversificado que, quando bem articulado, contribui para o fortalecimento da alfabetização como prática social, comprometida com a valorização da cultura local e a construção coletiva do conhecimento.

Gráfico 3 Principais canais de comunicação usados nas campanhas de alfabetização

Fonte: Autor (2025)

Essa distribuição evidencia uma preferência marcante pela rádio comunitária, consolidando-a como o meio mais acessível e eficaz na difusão de mensagens educativas em contextos de baixa literacia digital e de infraestrutura limitada, como é o caso de Pemba.

A rádio comunitária destaca-se como um canal de comunicação acessível, inclusivo e culturalmente sensível, especialmente em comunidades com baixos níveis de literacia. Dessa forma, os resultados reforçam a importância de integrar estratégias tradicionais e digitais nas campanhas de alfabetização, respeitando as especificidades linguísticas e culturais das comunidades enfatizando o papel das rádios comunitárias em campanhas de alfabetização. (Mangue, 2023).

A adopção de rádios comunitárias como aliada principal reflete a valorização das identidades culturais e linguísticas locais. Como observa Chimbutane (2023), esse meio torna-se crucial em cenários de vulnerabilidade, pois veicula mensagens educativas em línguas maternas, assegurando compreensão e engajamento de públicos tradicionalmente excluídos das plataformas digitais por barreiras de acesso ou alfabetização tecnológica.

Além disso, as rádios comunitárias fortalecem o sentimento de pertencimento e mobilização social, processo essencial em territórios marcados por conflitos, deslocamentos ou baixa confiança nas instituições formais.​ Essa abordagem é fortalecida quando combinada com reuniões presenciais, cartazes e teatros populares, que promovem interação direta, escuta ativa e construção colectiva do conhecimento.

Segundo Da Silva (2024) salienta que esses momentos favorecem a partilha de experiências e contribuem decisivamente para a contextualização cultural das mensagens, tornando o processo de alfabetização mais significativo para comunidades diversas.​

Por outro lado, as plataformas digitais, ainda que restritas em alcance devido à limitação de infraestrutura em regiões periféricas, oferecem oportunidades inéditas de mobilização e visibilidade pública.

De acordo com Sefane (2018), Cardey et al (2024) e estudos recentes mostram que as redes sociais, principalmente entre jovens urbanos e facilitadores, ampliam a circulação das mensagens, promovem o intercâmbio de experiências e estimulam campanhas de sensibilização de forma viral, complementando o impacto dos canais tradicionais.

A força do modelo híbrido que une rádio, cartazes, encontros presenciais e plataformas digitais reside não apenas na diversidade dos canais, mas na possibilidade de redundância comunicacional: diferentes públicos podem ser atingidos por meios distintos, diminuindo exclusão informacional, como defendem Aker, Sawyer & Berry (2024).

Esse sistema garante que mensagens educativas permaneçam acessíveis e relevantes mesmo diante de oscilações sociais, tecnológicas ou logísticas.​ Outro ponto crucial é o design dos materiais visuais e conteúdos radiofônicos, que, segundo Agunga (2022), devem necessariamente incorporar símbolos culturais familiares, linguagem simples e elementos da vida cotidiana local, aumentando assim o poder de penetração das campanhas e favorecendo a aceitação das mensagens educativas.

No contexto da alfabetização multilíngue em Moçambique, a UNESCO (2023) destaca que abordagens bilíngues baseadas nas línguas maternas elevam o desempenho e reduzem a evasão escolar. Ao adaptar estratégias comunicacionais conforme a realidade etnolinguística, as campanhas tornam-se mais eficazes, inclusivas e sustentáveis.​

Portanto, a combinação intencional de rádios comunitárias, encontros físicos e plataformas digitais deve ser vista como boa prática em cenários de vulnerabilidade, ampliando o alcance, a pertinência e a flexibilidade das campanhas. Isso contribui para consolidar aprendizagens, mobilizar diferentes segmentos da comunidade e construir processos de alfabetização enraizados na cultura local, fortalecendo vínculos sociais e promovendo inclusão de forma estratégica.

4.3 Meios e linguagens de comunicação usados nas campanhas de alfabetização

4.3.1 Meios predominantes e sua articulação com as práticas culturais locais

A análise dos dados, observa-se que os gestores e alfabetizadores atribuem grande relevância às redes sociais, identificando-as como o principal meio de divulgação das atividades de alfabetização, com uma preferência de 30%, conforme indicado na Tabela 10. Essa tendência reflete a crescente inserção das tecnologias digitais nos processos educativos e comunicacionais, especialmente nas zonas urbanas e semiurbanas, onde o acesso à internet e a dispositivos móveis tem se intensificado nas últimas décadas.

O uso das redes sociais, como Facebook e WhatsApp, aponta para uma transformação progressiva nas dinâmicas de comunicação entre educadores, alunos e comunidades. Esses meios digitais permitem maior rapidez na circulação de informações, estímulo à interação imediata e possibilidades ampliadas de mobilização social.

Além de transmitirem conteúdos formativos, as plataformas digitais também se tornam espaços de construção coletiva de sentidos, promoção de boas práticas e fortalecimento de redes de cooperação entre alfabetizadores e beneficiários diretos das campanhas.

Tal cenário está em consonância com abordagens contemporâneas da comunicação para o desenvolvimento, que enfatizam a importância da horizontalidade, da participação e do uso de linguagens multimodais (Kaplan & Haenlein, 2020).

Entretanto, a preferência pelas redes sociais não deve ser compreendida de forma isolada, mas sim articulada às práticas culturais locais e às formas tradicionais de comunicação comunitária. Em muitos contextos estudados, a oralidade, as reuniões comunitárias e os espaços de convívio coletivo continuam desempenhando papéis fundamentais na transmissão de conhecimento e na socialização das mensagens educativas.

Assim, a convergência entre meios digitais e formas culturais tradicionais representa um ponto-chave para o sucesso das campanhas de alfabetização. Essa articulação contribui para garantir que as mensagens compartilhem legitimidade social e consistência simbólica, dialogando com os hábitos comunicativos e as identidades culturais das comunidades envolvidas.

Além disso, é importante reconhecer que o uso das redes sociais enfrenta limitações estruturais, como o acesso desigual à internet, o custo dos pacotes de dados e os diferentes níveis de literacia digital.

Por esse motivo, a adoção de estratégias híbridas, combinando ferramentas digitais com meios acessíveis, como rádios comunitárias, teatro participativo e cartazes em línguas locais, mostra-se essencial para promover uma comunicação verdadeiramente inclusiva e eficaz. Essa integração amplia o alcance das mensagens educativas e fortalece o vínculo entre tecnologia, cultura e aprendizagem, assegurando que os processos de alfabetização mantenham relevância social e legitimidade cultural.

Dessa forma, os resultados evidenciam que os meios predominantes de comunicação, especialmente as redes sociais, só alcançam seu pleno potencial quando articulados a práticas culturais locais, dialógicas e participativas. Essa combinação reflete um caminho promissor para o fortalecimento da alfabetização como prática social contextualizada, sustentada pela sinergia entre inovação tecnológica e tradição comunitária.

Tabela 3 Principal meio para divulgação de atividades de alfabetização

Fonte: (Autor, 2025)

Esse resultado sinaliza um processo crescente de digitalização das estratégias de comunicação, evidenciando que as ferramentas digitais não apenas aceleram o compartilhamento de informações, mas também promovem maior integração entre membros da equipe e facilitam o acompanhamento contínuo das campanhas.​

Esse fenômeno está alinhado com tendências observadas em outras regiões de Moçambique, onde plataformas digitais vêm sendo cada vez mais utilizadas para mobilização comunitária, formação de grupos de discussão, divulgação de eventos e acompanhamento da participação.

Estudos como o de (Campos et al., 2023) apontam que as redes sociais contribuem de forma significativa para a promoção do empoderamento dos gestores, especialmente jovens, ampliando a participação ativa na construção de processos educativos e na fiscalização das atividades.​

Enquanto os alfabetizandos demonstram maior afinidade com meios acessíveis e culturalmente próximos, como a rádio comunitária (39%), os gestores e alfabetizadores privilegiam meios mais formais e tecnológicos (30%), voltados à organização e coordenação das actividades. Essa diferença revela um desencontro parcial entre as estratégias de comunicação e os canais realmente eficazes para o público-alvo.

Há um ponto de convergência promissor, dada a possibilidade de integrar estratégias complementares que combinem a rádio comunitária para alcance e inclusão com as plataformas digitais para interação e gestão da informação.

Assim, a leitura geral sugere que o fortalecimento de uma comunicação multicanal, culturalmente sensível e tecnologicamente integrada pode aumentar a eficácia das campanhas de alfabetização e a adesão dos beneficiários (Campos et al., 2023).

A preferência pelas redes sociais (30%) confirma um padrão identificado em diversas iniciativas de alfabetização e educação comunitária na África Subsaariana, onde o WhatsApp e o Facebook se consolidaram como ferramentas de comunicação organizacional (Faustino & Gonçalves, 2024).

Esses canais permitem coordenação em tempo real, compartilhamento rápido de materiais e maior eficiência operacional, reduzindo os custos de deslocamento e aumentando a transparência entre os níveis de gestão do programa. As reuniões presenciais (29%) permanecem essenciais no contexto moçambicano por representarem um espaço de interação social e construção coletiva do conhecimento.

Cardey, Fraser & Garcia (2024) defendem que a comunicação participativa é mais eficaz quando ocorre em ambientes presenciais, pois favorece o diálogo intercultural, a negociação simbólica e o fortalecimento da confiança comunitária. Esses encontros permitem também o reforço do engajamento dos alfabetizadores, que se tornam mediadores não apenas de conteúdos, mas também de relações sociais e identidades locais (Agunga, 2022).

Isso revela um descompasso entre as estratégias de comunicação institucional e as preferências do público-alvo, o que compromete a eficácia de determinadas mensagens. Para superar essa lacuna, recomenda-se a integração funcional entre rádio e redes sociais, permitindo que as mensagens transmitidas nas transmissões radiofónicas em línguas locais, sejam reforçadas nos canais digitais, criando sinergia entre meios tradicionais e modernos.

4.3.2 Clareza nas mensagens e respeito pelas culturas locais

A clareza das mensagens e o respeito pelas culturas locais são elementos fundamentais para o sucesso das campanhas de alfabetização em contextos diversos como Pemba, Cabo Delgado. Em regiões caracterizadas por uma expressiva diversidade de línguas e tradições, comunicar de forma transparente e sensível aos códigos culturais e linguísticos das comunidades é determinante para promover inclusão e engajamento dos participantes.

A literatura sobre alfabetização intercultural evidência que, sem adequação da linguagem, dos exemplos didáticos e do material educativo, barreiras significativas se impõem ao aprendizado, dificultando tanto a compreensão quanto a motivação dos alfabetizandos (Araújo & Lima, 2018; Bavo & Coelho, 2022; UNESCO, 2015).​ Portanto, este subcapítulo explora como campanhas bem-sucedidas conciliam a simplicidade e objetividade das mensagens educativas com o reconhecimento e respeito pelos valores, línguas e práticas culturais locais, tornando o processo de alfabetização mais acessível, significativo e sustentável para toda a comunidade.

Observou-se que a maior parte dos participantes (48%) afirmou não receber informações regularmente, o que sugere falhas nos mecanismos de comunicação das campanhas. Apenas 41% afirmaram que a informação chega de forma contínua e 11% afirmam que ocorre parcialmente. Essa irregularidade na comunicação parece refletir-se na percepção de clareza e respeito cultural das mensagens de acordo com os dados tabelados.

Tabela 4 Comunicação efectiva

Fonte: Autor (2025)

Os dados obtidos na investigação sobre as campanhas de alfabetização em Pemba evidenciam oportunidades e desafios estruturais no que diz respeito à comunicação educativa. A declaração de 48% dos participantes de que não recebem informações regularmente, somada ao relato de apenas 41% de acesso contínuo, revela falhas nos fluxos comunicacionais que sustentam essas iniciativas.

Essa irregularidade impacta diretamente a percepção de clareza das mensagens, uma vez que apenas 33% dos entrevistados consideram a linguagem totalmente clara, enquanto a maioria (54%) reporta compreensão parcial e 13% indicam total incompreensão dos conteúdos veiculados.

A literatura especializada sustenta que a clareza linguística e a frequência da comunicação são fatores determinantes para o engajamento e a efectiva compreensão dos alfabetizandos. A prevalência do uso do português nas campanhas nacionais configura uma barreira significativa, sobretudo em contextos onde as línguas bantu são predominantes, o que compromete a acessibilidade e a pertinência das mensagens.

A ausência de estratégias multilíngues e materiais traduzidos limita a motivação dos participantes e restringe o sentimento de pertença, dificultando a consolidação dos indicadores de aprendizagem. Campanhas que não incorporam códigos culturais e formatos de oralidade habituais aos grupos-alvo tendem a gerar resistência simbólica e baixa adesão, conforme apontado por análises recentes sobre práticas educativas em contextos multilíngues.

A análise cruzada das variáveis revela uma associação positiva entre a regularidade na oferta de informações e a percepção de clareza das mensagens. Participantes com acesso frequente à comunicação avaliam a linguagem como mais compreensível, enquanto aqueles que recebem informações de forma irregular ou esporádica reportam maior confusão e desencontro nos conteúdos. Isso reforça a importância de fluxos comunicacionais estáveis e adaptados às especificidades socioculturais dos públicos-alvo.

Esses achados reforçam a necessidade de abordagens comunicativas participativas, multilíngues e tecnológicas, que integrem meios tradicionais e digitais, valorizem os saberes locais e sistematizem estratégias adaptadas. A adopção de plataformas como rádio comunitária, teatro local, encontros presenciais e aplicativos digitais pode ampliar a inclusão e a sustentabilidade das campanhas, promovendo maior equidade na disseminação das mensagens educativas.

Apesar dos avanços registrados, persistem lacunas em termos de adequação linguística, sensibilidade cultural e consistência no alcance, o que exige uma reflexão crítica e a implementação de práticas comunicativas mais inclusivas e contextualizadas.

4.4 Nível de escolaridade dos gestores e implicações para a comunicação institucional

O estudo dos dados referentes ao nível de escolaridade dos gestores e alfabetizadores revela-se de extrema relevância, pois oferece subsídios fundamentais para compreender de que maneira o perfil educacional influencia diretamente a eficácia da comunicação institucional, o desempenho pedagógico e a qualidade das interações no ambiente de trabalho (Aker et al., 2023).

Em programas de alfabetização, especialmente em contextos multiculturais e plurilíngues, a formação acadêmica dos profissionais atua como um eixo estruturante para a implementação de estratégias pedagógicas consistentes e para a consolidação de uma cultura organizacional voltada à cooperação e ao aprendizado contínuo.

A formação acadêmica e o domínio de competências comunicacionais por parte dos gestores exercem papel decisivo na qualidade da coordenação e na capacidade de liderança das equipes. A comunicação, quando orientada por princípios de clareza, empatia e participação, favorece o alinhamento de objetivos e o comprometimento coletivo, aspectos indispensáveis para a sustentabilidade das campanhas de alfabetização.

Gestores com sólida formação tendem a compreender melhor as dinâmicas socioculturais e a importância de adotar estratégias comunicativas inclusivas, respeitando os diferentes níveis de literacia e as especificidades linguísticas dos alfabetizandos e facilitadores locais.

De acordo com Soares et al. (2022), gestores com níveis mais elevados de escolarização demonstram maior capacidade de adotar práticas comunicacionais transparentes e participativas, o que contribui significativamente para fortalecer a coesão organizacional e aprimorar o clima institucional.

Esse tipo de liderança estimula o diálogo intersetorial, potencializa a sinergia entre coordenação, alfabetizadores e comunidade, além de favorecer a tomada de decisões baseadas em evidências e no consenso. Em consequência, há uma melhoria substancial na congruência entre as metas estratégicas das campanhas e as ações concretamente executadas em campo, garantindo maior eficiência na utilização dos recursos humanos e materiais disponíveis.

A capacidade de comunicação eficaz também se manifesta como um elemento mediador na gestão de conflitos e na motivação das equipes. Profissionais com formação mais robusta tendem a empregar metodologias de comunicação assertiva e técnicas de escuta ativa, o que facilita a resolução de divergências, minimiza ruídos organizacionais e promove um ambiente de convivência saudável.

Esses factores criam condições propícias à aprendizagem colaborativa, incentivam o intercâmbio de experiências e fortalecem a confiança mútua entre os membros das equipas pedagógicas e gestoras. Dessa forma, o nível de escolaridade não deve ser considerado apenas um indicador formal de qualificação profissional, mas sim um fator estratégico que potencializa a qualidade da gestão e a eficácia comunicativa nas campanhas de alfabetização.

A consolidação de um corpo técnico bem preparado, com domínio teórico e prático das dimensões comunicacionais, pedagógicas e administrativas, representa uma condição indispensável para o sucesso das políticas públicas voltadas à educação de jovens e adultos em contextos como o de Pemba.

A Tabela 4 apresenta a distribuição dos gestores e facilitadores participantes das campanhas de alfabetização na cidade, evidenciando a forma como esses profissionais se encontram alocados em atividades de planificação, gestão e lecionação. Essa visualização permite compreender melhor a estrutura funcional das campanhas, revelando eventuais desequilíbrios entre funções administrativas e pedagógicas.

A leitura analítica desses dados contribui para identificar necessidades de formação complementar, ajustar a carga de trabalho e promover uma melhor integração entre os diferentes níveis de atuação factores que, em conjunto, determinam a consistência e a efetividade dos resultados alcançados pelas iniciativas de alfabetização.

Gráfico 4 Nível de escolaridade

Fonte: Autor (2025)

A análise desses dados oferece subsídios para o desenvolvimento de estratégias de comunicação O gráfico indica que 41% dos gestores-facilitadores possuem nível médio, 44% ensino superior e 15% pós-graduação.

Este perfil educacional evidencia que a maioria dispõe de uma formação de nível superior, condição que tende a favorecer a estruturação de práticas comunicativas mais eficientes, estratégicas e participativas, conforme apontam Soares et al., 2022).

A formação académica dos gestores/facilitadores influencia decisivamente a qualidade da comunicação institucional, já que níveis mais elevados de escolarização se associam a maior domínio de instrumentos de planificação, maior capacidade de mediação de conflitos e melhor integração de equipas (Araújo & Lima, 2018).

Tais dados adquirem relevância particular no contexto das campanhas de alfabetização comunitária em Pemba, nas quais o perfil educacional dos gestores e facilitadores impacta directamente a eficiência dos processos comunicativos e pedagógicos.

Em cenários marcados por desigualdades estruturais, limitações logísticas e diversidade linguística, a qualificação dos gestores contribui para reduzir assimetrias de informação e promover maior equidade territorial (Faustino & Gonçalves, 2024). Gestores bem formados são capazes de interpretar as dinâmicas sociais e adaptar estratégias de alfabetização às especificidades culturais, reforçando a sustentabilidade educativa.

Segundo Araújo e Lima (2018) sublinham que, em contextos vulneráveis, o capital educativo dos gestores atua como mediador entre o planejamento institucional e a prática pedagógica, influenciando a clareza das mensagens e o grau de envolvimento dos alfabetizadores e beneficiários.

Essa relação entre escolaridade e desempenho comunicacional é determinante para o sucesso das campanhas, especialmente quando se considera a necessidade de coordenação entre planejamento, monitoria e execução.

Silva & Ribeiro (2019) acrescentam que discrepâncias no nível de formação entre gestores e educadores podem gerar falhas na compreensão das metas institucionais e provocar desarticulação nas equipas, sobretudo quando não existem políticas de capacitação contínua.

Paiva, Souza e Almeida (2021) e Bavo & Coelho (2022) reforçam essa visão ao demonstrar que, tanto em países africanos quanto latino-americanos, o nível educacional dos gestores influencia significativamente a capacidade de adaptação das políticas educativas às realidades locais.

Em regiões periféricas, como Pemba, gestores com formação mais sólida conseguem promover estratégias comunicacionais mais inclusivas e sensíveis ao contexto, garantindo maior adesão comunitária.

Ferreira (2024) complementa essa análise ao discutir as fragilidades institucionais e os desafios de governança em Moçambique, destacando que a eficácia das políticas públicas depende de gestores com formação técnica capaz de traduzir o planejamento em acções concretas e transparentes.

Essa visão converge com Florêncio & Gonçalves (2024), que defendem a alfabetização inclusive digital como instrumento de empoderamento e desenvolvimento educativo sustentável, sendo fundamental que os líderes das campanhas dominem competências tecnológicas e comunicacionais.

Nesse mesmo horizonte, Ferro (2021) salienta que o acesso desigual à formação e às oportunidades educacionais também se expressa em disparidades de género, o que pode limitar a representatividade feminina nos processos decisórios e comprometer a inclusão comunicacional nas campanhas de alfabetização. Tais desigualdades reforçam a importância de políticas de capacitação equitativa que contemplem não apenas o desenvolvimento técnico, mas também a diversidade social e cultural.

Agunga (2022) argumenta que o desenvolvimento sustentável das campanhas educativas em África requer uma comunicação para o desenvolvimento baseada em conhecimento técnico e culturalmente sensível, o que só é possível quando os gestores possuem formação suficiente para traduzir princípios teóricos em práticas participativas.

Fischer, Lundin e Lindberg (2020) acrescentam que a adoção de modelos de aprendizagem colaborativa e digital fortalece a comunicação institucional e amplia o alcance das práticas alfabetizadoras.

De modo complementar, Asongu, Odhiambo e Rahman (2024) enfatizam que o investimento em formação contínua de gestores e facilitadores especialmente nas áreas de literacia digital e gestão é determinante para a eficácia e sustentabilidade das campanhas de alfabetização de adultos.

A integração de tecnologias e o domínio de metodologias comunicacionais contemporâneas fortalecem o engajamento comunitário e reduzem as desigualdades educativas. Dessa forma, os dados empíricos e as evidências teóricas convergem para a compreensão de que o nível de escolaridade dos gestores e facilitadores das campanhas de alfabetização em Pemba é um factor determinante para a eficácia comunicacional, a qualidade da gestão participativa e a sustentabilidade das ações educativas. Investir na qualificação desses profissionais significa não apenas aprimorar as dimensões técnicas e pedagógicas das campanhas, mas também consolidar uma cultura institucional orientada ao diálogo, à inclusão e à transformação social duradoura.

4.5 Análise correlacional entre estratégias comunicacionais e impacto na alfabetização

A análise detalhada dos dados revela que a predominância do uso da rádio comunitária, responsável por 39% das acções, está fortemente associada à maior retenção dos participantes e ao engajamento contínuo nas campanhas de alfabetização em Pemba.

Esse canal, por sua acessibilidade e caráter enraizado nas práticas culturais locais, atua não apenas como difusor de conteúdos, mas também como agente de mobilização social, ampliando o alcance das mensagem educativas em contextos de baixa literacia digital. Tal resultado se alinha à literatura, que destaca o papel da comunicação culturalmente situada para o sucesso das intervenções educativas em ambientes diversos e desafiadores.​

Simultaneamente, o crescimento do uso de plataformas digitais, como WhatsApp e Facebook, reforçou a capacidade de coordenação dos gestores e facilitadores no monitoramento, rápida divulgação e actualização das atividades de alfabetização.

Ao considerar o perfil mais jovem e urbanizado de parte do público, esses meios digitais mostraram-se complementares à rádio, compondo assim um ecossistema comunicativo híbrido, sensível às demandas tecnológicas e sociais do território. A relação positiva entre escolha do canal e perfil do público evidencia a importância do alinhamento estratégico das práticas comunicacionais.​

Destaca-se ainda que a obtenção de nota máxima na clareza das instruções e no estímulo à participação/autonomia dos alfabetizandos revela uma relação direta entre práticas comunicacionais inclusivas e melhoria nos indicadores de aprendizagem e engajamento. Práticas que exploram linguagem simples, diversidade de mídias e diálogo com saberes locais favorecem a compreensão, a motivação dos estudantes e a formação de ambientes educacionais participativos.​

A estratificação dos alfabetizandos por níveis de literacia evidenciou, por sua vez, que estratégias comunicacionais bilíngues ou trilíngues, integrando o português e línguas nativas como Emakhuwa e Kimwani correlacionam-se com melhores taxas de retenção e avanço escolar, sobretudo entre diferentes faixas etárias e grupos culturais.

Essa adequação linguística contribui para a valorização do pertencimento, legitimação do processo educativo e maior apropriação dos conteúdos, fatores reconhecidos internacionalmente como determinantes para o sucesso de políticas educativas interculturais.​

Adicionalmente, a existência dessa correlação foi confirmada tanto em dados quantitativos (tabelas e gráficos relacionados à taxa de engajamento, níveis de avanço e retenção) quanto por análises qualitativas, que ressaltaram a pertinência das mensagens, o papel dos mediadores culturais e a efetiva cooperação entre facilitadores, líderes comunitários e gestores, garantindo um processo contínuo de retroalimentação e aperfeiçoamento das estratégias metodológicas.​

Portanto, a evidência empírica demonstra que a diversificação de canais, o respeito à sensibilidade cultural e linguística e a aposta em métodos comunicacionais interativos são elementos diretamente relacionados com o desempenho dos alfabetizandos e o impacto positivo das campanhas.

Esses resultados validam, de modo robusto, as hipóteses presentes na literatura científica sobre o papel central da comunicação acessível, dialógica e contextualizada nos processos bem-sucedidos de alfabetização em ambientes multiculturais e desafiadores.​

Conclusões

A análise das campanhas de alfabetização desenvolvidas no município de Pemba evidencia que a eficácia das iniciativas não depende somente da oferta de conteúdos programáticos, mas sobretudo da sua capacidade de dialogar com o contexto sociocultural e linguístico das comunidades participantes. Os resultados demonstraram que as estratégias de comunicação são o elemento central de sucesso, na medida em que influenciam as fases de mobilização, participação e retenção dos alfabetizandos ao longo do processo educativo.

Os dados confirmaram que 41% dos beneficiários recebem informações de forma regular, sendo a rádio comunitária o canal de maior impacto, seguida pelas reuniões presenciais e, numa proporção mais restrita e desigual, pela utilização do WhatsApp. As entrevistas e grupos focais revelaram que os canais comunicacionais que utilizam línguas locais e códigos culturais reconhecidos conseguem despertar interesse, gerar confiança e fortalecer o sentimento de pertença. Em contrapartida, o predomínio do português como língua principal das mensagens mostrou-se um fator de exclusão significativa, dado que apenas 33% dos alfabetizandos referem compreender plenamente os conteúdos, enquanto 54% indicam compreensão parcial e 13% afirmam incompreensão frequente, o que confirma a existência de barreiras linguísticas estruturantes.

Para além das questões comunicacionais, persistem entraves de natureza operacional, com destaque para a incompatibilidade de horários (52%), falta de transporte adequado (21%) e distância entre residências e centros de alfabetização (19%), fatores que provocam fraca frequência e abandono do processo educativo. Em zonas de maior vulnerabilidade política e social, a insegurança pública e os episódios de violência contribuem adicionalmente para a interrupção das campanhas, afectando a motivação dos facilitadores e a assiduidade dos alfabetizandos.

Contudo, mesmo perante esses desafios, observou-se que a comunicação adequada tem capacidade de mitigar parte desses constrangimentos, sobretudo quando se assenta na utilização de línguas maternas, conteúdos contextualizados e envolvimento directo das lideranças comunitárias. Os participantes mostraram maior motivação quando as mensagens evidenciaram benefícios práticos da alfabetização ligados ao quotidiano, como a leitura funcional, o manejo de actividades económicas domésticas e o apoio escolar aos filhos, confirmando a importância da relevância social dos conteúdos para a permanência dos adultos.

O estudo revelou também assimetria perceptiva entre gestores, facilitadores e alfabetizandos quanto à avaliação da eficácia das campanhas. Enquanto gestores reforçam indicadores administrativos e cumprimento de metas, alfabetizadores e alfabetizandos destacam dificuldades práticas, fragilidades linguísticas e ausência de acompanhamento motivacional. Assim, o alinhamento entre os níveis institucional e comunitário emerge como condição essencial para garantir coerência estratégica, confiança social e continuidade das acções.

Desta forma, conclui-se que a eficácia das campanhas de alfabetização em Pemba depende da articulação de quatro pilares estruturantes:

  • Adequação sociocultural e linguística das mensagens educativas, com valorização das línguas maternas e dos saberes locais.
  • Articulação multicanal das estratégias comunicacionais, combinando rádio, redes sociais, encontros comunitários e materiais impressos.
  • Participação activa da comunidade no planeamento, execução e avaliação das campanhas.
  • Gestão colaborativa e flexível, capaz de responder a contextos de crise, deslocamento e instabilidade social.

Estes resultados confirmam que a comunicação é mais do que instrumento de divulgação: constitui o eixo organizador que sustenta a motivação, o envolvimento e a permanência dos alfabetizandos. Assim, as campanhas que incorporam inclusão linguística, participação comunitária, descentralização das decisões e mecanismos permanentes de escuta são as que apresentam maior potencial para produzir impacto educativo duradouro e promover justiça social na alfabetização de adultos em Cabo Delgado.

Em termos de contributo científico, o estudo reforça a necessidade de abordagens comunicacionais culturalmente situadas em contextos de alfabetização, defendendo que a adopção de práticas bilíngues e multicanal, aliada à participação comunitária, pode funcionar como modelo nacional para programas em territórios sociolinguisticamente plurais. As conclusões aqui apresentadas oferecem também base empírica para o aperfeiçoamento de políticas públicas e para o desenho de programas municipais de alfabetização mais inclusivos, resilientes e sustentáveis.

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1Catholic University of Mozambique, Faculty of Education and Communication (FEC) – Nampula Campus
*Correspondence: achegartiomatias989@gmail.com; https://orcid.org/0000-0002-5796-2783
Doutorando em Ciências da Comunicação, na faculdade de Educação e comunicação com especialização em Comunicação Organizacional, pela Universidade Católica de Moçambique, em parceria com a Universidade Católica Portuguesa. Licenciado em Direito e Mestre em Sociologia do Trabalho e das Organizações pela Universidade Aberta de Moçambique. Atua como consultor jurídico, de comunicação e auditor social. É docente universitário, escritor e investigador.
2CIEB, Instituto Politécnico de Bragança
*Correspondence: Bruno.goncalves@ipb.pt
É Doutor em Ciências da Educação com Especialidade em Tecnologia Educativa e exerce funções de professor no departamento de Tecnologia Educativa e Gestão de Informação Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança. Orienta e co-orienta trabalhos investigativos dos ciclos de estudo de mestrado e doutoramento. É membro integrado do Centro de Investigação em Educação Básica (CIEB) do Instituto Politécnico de Bragança e membro colaborador do Centro de Investigação do Instituto Superior de Lisboa e Vale do Tejo (CI-ISCE). É membro de vários conselhos editoriais de revistas e jornais e de diversas comissões científicas de conferências internacionais.
3Catholic University of Mozambique-Maputo
*Correspondence: amatangue@ucm.ac.mz
Conselhos é uma profissional altamente qualificada com mais de 15 anos de experiência e uma sólida formação em Ciência de Comunicação, Marketing e Relações Públicas, focalizada nas seguintes áreas: Comunicação e marketing orientado para o desenvolvimento institucional e mercado; desenvolvimento de estratégias de comunicação, planos e programas sociais; condução de pesquisas de marketing (audiência, satisfação de clientes, clima organizacional, comportamento do consumidor, adopção de tecnologias); estudos de impacto; organização e gestão de eventos; e mobilização social e comunitária. Ao longo de sua carreira, acumulou um amplo conjunto de habilidades e conhecimentos na área de comunicação e marketing e na docência.