USE OF ETHREL 720® IN UNIFORM MATURATION AND ITS IMPLICATIONS FOR POST-HARVEST CONSER-VATION OF ARABICA COFFEE PLANTS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511262345
Aramis Benedito Almeida Costa1
Humberto Corrêa Bonfim Ribeiro2
Joildo Fernandes Costa Junior3
Douglas Silva Parreira4
RESUMO
A maturação desuniforme do café é um desafio significativo, comprometendo a eficiência da colheita e a qualidade final do produto. O Ethrel 720® atua liberando etileno, um hormônio vegetal que acelera a maturação, degradando a clorofila e acumulando açúcares nos frutos. Este trabalho de pesquisa investigou o uso do Ethrel 720® (ethephon) para promover a maturação uniforme de frutos de cafeeiros arábica e suas implicações na conservação pós-colheita. O estudo foi realizado na Fazenda Mirandópolis, Rio Paranaíba, MG, utilizou Coffea arabica cv. Mundo Novo em um delineamento experimental com três tratamentos: sem aplicação de Ethrel, aplicação com vazão de 200 L/ha e aplicação com vazão de 800 L/ha. A dose de Ethrel foi de 0,450 mL/ha, aplicada quando mais de 90% dos frutos estavam granados. As avaliações incluíram fitotoxicidade, uniformidade de maturação (proporção de grãos maduros, verdes e secos) e tempo para atingir a umidade ideal de armazenamento, e os parâmetros de qualidade sensorial de bebida. Os resultados indicaram que a aplicação de Ethrel 720® a 200 L/ha foi a estratégia mais eficaz, promovendo maior uniformidade de maturação (66,3% de frutos cereja) sem causar fitotoxicidade ou comprometer a qualidade da bebida. A vazão de 800 L/ha mostrou-se menos eficiente, com resultados semelhantes ao controle, sugerindo que volumes excessivos podem diluir o produto e aumentar custos desnecessariamente. O estudo conclui que a aplicação otimizada de Ethrel 720® pode melhorar a eficiência da colheita e a qualidade do café, preenchendo uma lacuna na compreensão de seus efeitos pós-colheita.
Palavras-chave: Fisiologia pós-colheita; Ethephon; Qualidade do café; Maturação sincronizada
ABSTRACT
Uneven coffee ripening is a major challenge, compromising harvest efficiency and final product quality. Ethrel 720® releases ethylene, a plant hormone that accelerates ripening by degrading chlorophyll and promoting sugar accumulation in the fruits. This study investigated the use of Ethrel 720® (ethephon) to promote uniform ripening in Arabica coffee and its implications for post-harvest preservation. The experiment was conducted at Mirandópolis Farm, Rio Paranaíba, MG, using Coffea arabica cv. Mundo Novo in a randomized design with three treatments: no Ethrel application, application at 200 L/ha, and application at 800 L/ha. The Ethrel dose was 0.450 mL/ha, applied when more than 90% of the fruits were at the cherry stage. Evaluations included phytotoxicity, ripening uniformity (proportion of ripe, green, and dry fruits), time to reach ideal storage moisture, and sensory quality parameters. The results indicated that Ethrel 720® application at 200 L/ha was the most effective strategy, promoting greater ripening uniformity (66.3% ripe fruits) without causing phytotoxicity or affecting beverage quality. The 800 L/ha rate was less effective, showing results similar to the control, suggesting that excessive volumes may dilute the product and unnecessarily increase costs. The study concludes that optimized Ethrel 720® application can improve harvest efficiency and coffee quality, addressing a gap in the understanding of its post-harvest effects.
Keywords: Post-harvest physiology; Ethephon; Coffee quality; Synchronized maturation
1. INTRODUÇÃO
O café, especialmente Coffea arabica L., é uma das commodities agrícolas mais importantes do mundo, desempenhando um papel fundamental na economia de diversos países, sobretudo no Brasil, que se destaca como o maior produtor e exportador global (Pancsira, 2022; Freitas et al., 2024). A relevância econômica e social da cafeicultura impulsiona a constante busca por melhorias na produção e na qualidade do produto final. A qualidade do café está intrinsecamente ligada ao processo de maturação dos frutos, que, quando ocorre de forma desuniforme, pode comprometer não apenas a eficiência da colheita, mas também a qualidade final do produto (Pereira et al., 2021; Osorio Pérez et al., 2023). Nesse contexto, a busca por técnicas que promovam a maturação uniforme dos frutos tem sido uma prioridade na cafeicultura moderna, visando otimizar a produção e atender às exigências de um mercado cada vez mais competitivo e exigente (Matiello et al., 2015; Silva et al., 2022).
A maturação do café é um processo fisiológico complexo, influenciado por uma série de fatores ambientais e de manejo, como clima, altitude, nutrição do solo e práticas culturais (Rodrigues et al., 2017). Durante essa fase crucial, os frutos passam por transformações bioquímicas essenciais que são determinantes para as características sensoriais da bebida. Essas transformações incluem a degradação da clorofila, que altera a coloração dos frutos de verde para vermelho ou amarelo, o acúmulo de açúcares, que contribui para o corpo e doçura do café, e a síntese de compostos aromáticos voláteis, que definem o sabor e o aroma característicos da bebida (Bastian et al., 2021). A desuniformidade na maturação, no entanto, ainda é um desafio significativo em muitas regiões produtoras, levando à colheita de frutos em diferentes estágios de desenvolvimento – verdes, cerejas e secos – e, consequentemente, à redução da qualidade e valor comercial do café (Silva et al., 2022).
Para superar esse desafio e promover uma maturação mais homogênea, o uso de reguladores vegetais tem sido uma estratégia estudada e adotada na cafeicultura. Entre esses reguladores, o Ethrel 720® (ethephon) destaca-se por sua capacidade de liberar etileno, um hormônio vegetal natural conhecido por seu papel fundamental na regulação de diversos processos fisiológicos, incluindo a maturação de frutos, a abscisão foliar e a senescência (Carvalho et al., 2003; Rodrigues et al., 2019; Silva et al., 2022; Ashraf et al., 2023; Kowsalya et al., 2025). A aplicação do Ethrel 720® na cafeicultura tem como objetivo principal promover a maturação uniforme dos frutos, o que não só facilita a colheita, seja ela manual ou mecanizada, mas também melhora a qualidade dos grãos, resultando em um produto final mais valorizado (Carvalho et al., 2003; Chingwara et al., 2009).
O mecanismo de ação do Ethrel 720® está diretamente relacionado à liberação controlada de etileno. Quando aplicado nas plantas, o ethephon é absorvido pelos tecidos vegetais e, em contato com o pH celular, decompõe-se em etileno, fosfato e íons cloreto (Kowsalya et al., 2025). O etileno, por sua vez, atua como um potente sinalizador químico, desencadeando uma série de respostas fisiológicas nas plantas (Bhatla e Lal, 2023; Igiebor et al., 2023). Ele regula a expressão de genes envolvidos na síntese de enzimas como poligalacturonase e celulase, que são responsáveis pela degradação das paredes celulares dos frutos, acelerando o processo de amadurecimento (Kowsalya et al., 2025). Além disso, o etileno estimula a degradação da clorofila, o pigmento verde, e a síntese de pigmentos como carotenoides e antocianinas, que são responsáveis pela mudança de coloração dos frutos durante a maturação (Tipu e Sherif, 2024).
Adicionalmente, o etileno influencia o metabolismo de carboidratos, promovendo a acumulação de açúcares nos frutos (Chen et al., 2021), um fator crucial para a qualidade sensorial do café (Osorio Pérez et al., 2023). Este hormônio também desempenha um papel na regulação da produção de compostos voláteis, que contribuem significativamente para o aroma e o sabor da bebida (Li et al., 2021; Prates Júnior et al., 2021). Portanto, a ação do Ethrel 720®, ao liberar etileno, pode atuar em múltiplos aspectos do processo de maturação, tornando-o uma ferramenta potencialmente eficaz para a uniformização da colheita e a melhoria da qualidade do café. No entanto, é fundamental compreender as implicações dessa prática na conservação pós-colheita dos frutos, uma vez que o etileno pode influenciar processos fisiológicos como a respiração, a degradação de compostos bioativos e a susceptibilidade a pragas (Rodrigues et al., 2019; Silva et al., 2022; Ashraf et al., 2023; Kowsalya et al., 2025).
A relevância desse estudo reside na necessidade premente de equilibrar a eficiência produtiva com a manutenção da qualidade do café, especialmente em um mercado global que valoriza cada vez mais a sustentabilidade e a excelência do produto final. A escassez de estudos detalhados sobre os efeitos do Ethrel 720® na conservação pós-colheita de cafeeiros arábica representa uma lacuna científica que precisa ser preenchida para fornecer subsídios para o desenvolvimento de técnicas de manejo mais eficientes e sustentáveis. Compreender como essa prática afeta a fisiologia dos frutos após a colheita pode orientar produtores e técnicos agrícolas na tomada de decisões, garantindo não apenas a produtividade, mas também a qualidade e a sustentabilidade da cadeia produtiva do café.
Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo avaliar o efeito da aplicação do Ethrel 720® na maturação dos frutos de café (Coffea arabica) e suas implicações na pós colheita.
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Caracterização do local de estudo
O trabalho foi conduzido na Fazenda Mirandópolis, no Lote 10, nas coordenadas 19°04’23.2″S e 46°12’42.1″O (Figura 1), no município de Rio Paranaíba, MG. A cultivar utilizada será Coffea arabica cv. Mundo Novo.
Figura 1. Localização da área experimental na Fazenda Mirandópolis, Lote 10, Rio Paranaíba, MG, Brasil. As regiões demarcadas em vermelho indicam os locais de implementação do estudo sobre a aplicação de Ethrel na colheita do cafeeiro (Coffea arabica cv. Mundo Novo).

2.2 Delineamento do estudo
O experimento foi instalado em delineamento experimental inteiramente casualizado, com três tratamentos e oito repetições.
2.3 Tratamentos e implementação
Os tratamentos foram divididos em três manejos distintos, sendo: T1: Sem aplicação de Ethrel, maturação natural; T2: Aplicação de Ethrel com vazão de 200 L/ha; T3: Aplicação de Ethrel com vazão de 800 L/ha.
A dose do Ethrel foi de 0,450 mL/ha nos tratamentos que receberem o regulador. Antes da aplicação, foi realizada uma avaliação da uniformidade de granação dos frutos, e o produto foi aplicado somente quando mais de 90% dos frutos apresentou-se granados, seguindo as recomendações do fabricante.
A aplicação foi realizada no dia 08/05/2024, utilizando um pulverizador Arbus 2000, operando a uma velocidade de 6,4 km/h. A velocidade do vento no momento da pulverização foi registrada, sendo computado um vento de 3,4 km/h.
2.4 Avaliações
2.4.1 Fitotoxicidade
Para avaliação da fitotoxicidade, foram analisados 50 ramos por ponto de amostragem, verificando-se a presença de folhas queimadas no primeiro ou segundo par de folhas.
2.4.2 Colheita e avaliações pós-colheita
A colheita ocorreu dia 30/05/2024, com aproximadamente 20 dias após a aplicação, conforme recomendado pelo fabricante. Foram retirados 2 litros de amostra de cada repetição para a realização das análises de pós-colheita e colocados em telas que permitem a passagem e ar para a secagem ocorra sem interferências.
A uniformidade da colheita foi avaliada por meio da contagem da porcentagem de grãos maduros, grãos verdes e grãos secos presentes na amostra. No pós-colheita, foi feito o monitorado do tempo necessário para que os grãos atinjam a umidade ideal para armazenamento (12%). Após essa etapa, foi avaliada a qualidade da bebida, sendo determinada a classificação do café quanto ao tipo de bebida, pontuação e descrição sensorial.
2.5 Análise Estatística
Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) utilizando o R Core Team (2024), R: A language and environment for statistical computing, versão 4.3.1. Quando foram detectadas diferenças significativas entre os tratamentos, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
3. RESULTADOS
A aplicação do regulador vegetal Ethrel 720® influenciou significativamente a uniformidade de maturação dos frutos de Coffea arabica cv. Mundo Novo (Tabela 1). O tratamento com vazão de 200 L ha-1apresentou a maior porcentagem de grãos cereja (66,3%), diferindo estatisticamente dos demais tratamentos. A testemunha (sem aplicação) e a vazão de 800 L ha-1apresentaram percentuais semelhantes de grãos cereja, com médias de 54,9% e 57,5%, respectivamente. Em relação aos grãos verdes, o tratamento de 200 L ha-1apresentou o menor percentual (10,5%), enquanto os tratamentos controle e 800 L ha-1 mantiveram proporções mais elevadas, de 29,5% e 25,5%, respectivamente. Para grãos passa/seco, não foram observadas diferenças significativas entre os tratamentos, variando de 17,9% a 25,8%.
Tabela 1. Porcentagem de grãos cereja, verdes e passa/seco em função dos tratamentos estudados, Rio Paranaíba, MG, 2024.

Na avaliação da qualidade da bebida (Tabela 2), observou-se que a aplicação de Ethrel também afetou a pontuação média sensorial. As amostras provenientes do tratamento de 800 L ha⁻¹ apresentaram menor pontuação média (78,4 pontos), diferindo estatisticamente dos demais. Já as amostras do tratamento de 200 L ha-1e da testemunha apresentaram médias de 80,1 e 80,9 pontos, respectivamente, sem diferenças significativas entre si. O coeficiente de variação observado (1,49%) indica boa homogeneidade entre as repetições, evidenciando consistência nas avaliações sensoriais.
Tabela 2. Pontuação média de bebida de oito repetições em função dos tratamentos estudados, Rio Paranaíba, MG, 2024.

A classificação da bebida e as descrições sensoriais detalhadas (Tabela 3) corroboram os resultados da pontuação média. As amostras da testemunha e da vazão de 200 L ha-1 foram predominantemente classificadas como “mole”, com notas entre 80 e 83 pontos, apresentando descritores característicos de cafés de boa qualidade, como chocolate, caramelo, nozes e amêndoas. O tratamento com 800 L ha-1, por outro lado, apresentou predominância de bebidas classificadas como “duras” e “duras verdes”, com notas entre 77 e 80 pontos, refletindo menor qualidade sensorial.
Tabela 3. Classificação sensorial de qualidade de bebida em função dos tratamentos estudados, Rio Paranaíba, MG, 2024.

Não foram observados sintomas de fitotoxicidade em nenhum dos tratamentos avaliados (Figura 2). As plantas tratadas com Ethrel, independentemente da vazão, mantiveram coloração foliar e integridade fisiológica semelhantes às plantas não tratadas, sem ocorrência de queima foliar, desfolha ou alteração morfológica perceptível.
Figura 2. Detalhamento visual da avaliação de fitotoxidade em relação à aplicação de Ethrel em diferentes vazões. A: Sem aplicação de Ethrel; B: Aplicação de Ethrel à 200 L/ha de vazão; C: Aplicação de Ethrel à 800 L/ha de vazão.

4. DISCUSSÃO
Os resultados obtidos demonstram que a aplicação de Ethrel 720® influencia significativamente a uniformidade de maturação dos frutos de C. arabica cv. Mundo Novo, com destaque para a vazão de 200 L/ha, que apresentou maior proporção de frutos cereja em comparação à testemunha e à aplicação de 800 L/ha.
Esse efeito está alinhado com o mecanismo de ação do ethephon, que libera etileno, acelerando a degradação da clorofila e promovendo o acúmulo de açúcares, processos essenciais para o amadurecimento e a qualidade sensorial dos grãos (Chen et al., 2021; Tipu & Sherif, 2024). Estudos anteriores mostraram que a aplicação de ethephon pode promover a antecipação e a uniformização da maturação dos frutos, reduzindo significativamente a proporção de frutos verdes sem prejuízo à qualidade da bebida (Carvalho et al., 2003; Ferrari et al., 2005; Negreiros et al., 2019). Segundo Santinato et al. (2017), essa prática favorece a colheita mais homogênea e melhora o padrão de peneira, refletindo em bebidas de melhor uniformidade sensorial e valor comercial.
Carvalho et al. (2022) e Monteiro & Reis (2024), observaram uma maior proporção de frutos cereja em cafeeiros C. arabica cv. Catuaí Vermelho tratados com Ethrel®, reforçando a eficiência do ethephon na maturação. Esses resultados mostraram que a aplicação de Ethrel® (ethephon) antecipou a colheita em aproximadamente 21 dias e aumentou significativamente a proporção de frutos cereja, sem comprometer a qualidade sensorial da bebida. Em termos de qualidade de bebida, os resultados indicaram que a aplicação adequada de Ethrel não comprometeu a pontuação sensorial, mantendo descritores aromáticos valorizados como chocolate, caramelo e nozes. Entretanto, a aplicação, associada à maior vazão, resultou em pontuação inferior e maior frequência de bebidas classificadas como “duras”, possivelmente devido a alterações fisiológicas nos frutos que afetam a preservação de compostos aromáticos (Rodrigues et al., 2019; Silva et al., 2022). Esses achados reforçam a necessidade de balancear a uniformização da maturação com a manutenção da qualidade sensorial do café.
A melhoria da qualidade da bebida observada nas áreas tratadas com Ethrel 720® está diretamente associada à redução da proporção de frutos verdes no momento da colheita. De acordo com Carvalho et al. (2022), o uso de reguladores de maturação como o ethephon promove a uniformização e a antecipação da maturação dos frutos, resultando em maior proporção de frutos cereja e, consequentemente, em cafés de melhor classificação sensorial. Essa resposta fisiológica está relacionada à liberação controlada de etileno, que acelera a degradação da clorofila e o acúmulo de açúcares nos grãos, favorecendo o desenvolvimento completo de compostos precursores de aroma e sabor. A presença de frutos imaturos na colheita está negativamente correlacionada com a pontuação da bebida, pois grãos verdes apresentam menor conteúdo de açúcares e maiores teores de compostos fenólicos amargos, comprometendo o equilíbrio sensorial (Farah et al., 2006). Assim, a aplicação de Ethrel 720® a 200 L ha-1 contribui para a padronização do estádio de maturação dos frutos e, por consequência, para a manutenção da qualidade da bebida, minimizando o impacto negativo de frutos verdes no lote final.
O desempenho inferior observado na vazão de 800 L/ha sugere que volumes excessivos podem reduzir a concentração efetiva de ethephon sobre os frutos, corroborando relatos de Kowsalya et al. (2025), que apontam a resposta ao etileno como dependente da dose e da absorção pelo tecido vegetal. A diluição do produto em maior volume de calda pode comprometer a eficiência da aplicação, indicando a importância de otimizar tanto a dose quanto a tecnologia de pulverização para alcançar resultados ideais.
Embora Scudeler et al. (2004) não tenham avaliado vazões inferiores a 400 L ha-1, os autores observaram que volumes excessivamente elevados não resultaram em ganhos adicionais de uniformidade de maturação. As melhores respostas foram obtidas entre 540 e 620 L ha-1, enquanto volumes mais altos não proporcionaram redução significativa na proporção de frutos verdes, possivelmente devido à diluição e ao escorrimento da calda sobre os frutos. Esses resultados assimilam com do presente estudo, em que a vazão baixa (200 L ha-1) mostrou-se mais eficiente que a aplicação de 800 L ha-1, indicando que o aumento do volume de calda pode comprometer a absorção efetiva do ethephon e, consequentemente, sua ação fisiológica sobre os frutos.
Comparando com estudos prévios, o uso de ethephon para sincronização da maturação tem se mostrado eficaz em diferentes cultivares e regiões (Carvalho et al., 2003; Chingwara et al., 2009; Ashraf et al., 2023). Pesquisas com outras doses e cultivares indicam que a resposta varia conforme o genótipo, estágio de maturação inicial e condições ambientais, sugerindo que protocolos otimizados devem ser específicos para cada situação produtiva (Oliveira Aparecido et al., 2018; Silva et al., 2022). Assim, a escolha do volume de aplicação e do momento adequado é crucial para maximizar os benefícios do Ethrel 720®, tanto em eficiência de colheita quanto em qualidade pós-colheita.
A ausência de fitotoxicidade em todas as vazões testadas demonstra a seletividade do regulador para C. arabica, corroborando estudos anteriores (Carvalho et al., 2003). Esse resultado indica que, quando aplicado corretamente, o Ethrel 720® pode ser incorporado como uma ferramenta segura e eficaz para promover maturação uniforme sem prejuízos à saúde das plantas ou à qualidade final do produto.
5. CONCLUSÃO
Os resultados demonstram que a aplicação de Ethrel 720® a 200 L/ha, nas condições avaliadas, constitui a melhor estratégia entre os tratamentos avaliados, proporcionando maior uniformidade de maturação sem comprometer a qualidade de bebida. Já a utilização de 800 L/ha mostrou-se menos eficiente, devido à alta diluição do produto, indicando que volumes excessivos podem não trazer benefícios adicionais, além de acarretar maiores custos operacionais e consumo de água.
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1Discente do Curso Superior de Agronomia do Instituto UNEC Campus Caratinga e-mail: aramis_almeida@hotmail.com
2Docente do Curso Superior de Agronomia do Instituto UNEC Campus Caratinga. Especialista em Desenvolvimento Regional, Saneamento e Meio Ambiente. e-mail: hcbrmary@gmail.com
3Docente do Curso Superior de Agronomia do Instituto UNEC Campus Caratinga. Doutorando em Ciências Contábeis. e-mail: joildofernandescostajunior@gmail.com
4Docente do Curso Superior de Agronomia do Instituto UNEC Campus Caratinga. Doutor em Fitotecnia. e-mail: douglasparreira30@gmail.com
