AN ANTI-RACIST EDUCATION THROUGH THE LENS OF DJAMILA RIBEIRO
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510261231
Sara Ferreira Nunes1
Resumo
O Pequeno Manual Antirracista, da filósofa brasileira Djamila Ribeiro, é um ensaio direto e acessível que aborda o racismo estrutural no Brasil e convida à reflexão e à ação antirracista. A obra é composta por 10 capítulos que discutem temas como a negritude, branquitude, privilégios raciais, representatividade, educação, mídia e afetividade. Ribeiro destaca a importância do autoconhecimento, da leitura de autores negros e do combate à violência racial. Ao denunciar a falsa ideia de democracia racial, o livro propõe uma transformação social profunda, reforçando que o racismo é um problema coletivo e exige compromisso de toda a sociedade para ser superado.
Palavras-chave: Racismo estrutural; Branquitude; Privilégios
Abstract
Pequeno Manual Antirracista, by Brazilian philosopher Djamila Ribeiro, is a concise and accessible essay that addresses structural racism in Brazil while advocating for critical reflection and anti-racist praxis. Structured across ten chapters, the work engages with themes such as Black identity, whiteness, racial privileges, representation, education, media, and affectivity. Ribeiro underscores the imperative of self-reflection, the centering of Black intellectual production, and the active dismantling of racial violence. By deconstructing the false notion of racial democracy, the book calls for radical social transformation. It posits racism as a collective issue necessitating systemic accountability, arguing that its eradication demands sustained commitment across all spheres of society.
Keywords: Structural racism; Whiteness; Privileges.
Introdução
O livro Pequeno Manual Antirracista é um ensaio da filósofa, professora e militante feminista e antirracista brasileira Djamila Ribeiro, lançado em 2019, pela editora Companhia das Letras. Em 2020, seu livro foi um dos mais vendidos na plataforma de vendas online Amazon, além de receber o Prêmio Jabuti, principal prêmio literário em solo brasileiro, na categoria de melhor livro na área de Ciências Humanas. O ensaio conta com 10 capítulos, nos quais a autora explora temas como racismo estrutural, branquitude, negritude, violência cultural, entre outras questões levantadas a partir das discussões sobre o racismo.
Djamila Ribeiro nasceu em Santos, em 1980. É mestre em filosofia política pela Unifesp, colunista do jornal Folha de S. Paulo e foi secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania do município de São Paulo. Coordena a coleção Feminismos Plurais, da editora Pólen, e é autora de O que é lugar de fala? (2017) e Quem tem medo do feminismo negro? (Companhia das Letras, 2018). Seus livros também foram publicados na França e atualmente são preparadas edições em espanhol e em italiano. A autora também atua no grupo Promotoras Legais Populares (PLPS), que forma lideranças femininas em periferias do Estado de São Paulo, e participa da formação de juízas e juízes visando mudar o olhar judicial sobre a população negra.
Capítulo 1: Informe-se sobre o racismo
A filósofa destaca a importância de reconhecer que o Brasil é um país racista, bem como cita a democracia racial como um dos mais conhecidos sistemas de opressão operado no país, no qual foi concebido e propagado por sociólogos pertencentes à elite econômica na metade do século XX. Esse sistema afirma que, no Brasil, os conflitos raciais foram superados pela harmonia entre negros e brancos causada pela miscigenação e a ausência de leis segregadoras. Segundo Ribeiro, o livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre, é uma das obras que afirmam a não existência do racismo no Brasil, fundamentada nessa ideia mítica de democracia racial. Dessa forma, a autora afirma que essa visão “romantiza as violências sofridas pela população negra ao escamotear a hierarquia racial com uma falsa ideia de harmonia” (Ribeiro, 2019, p. 8)
Capítulo 2: Enxergue a negritude
Djamila Ribeiro traz sua experiência pessoal ao mostrar como os negros precisam lidar com a questão do preconceito de forma muito precoce durante a vida, trazendo relatos da sua vida no ambiente escolar, onde percebeu que era diferente em um mundo protagonizado por brancos. Ademais, relata como foi um período marcado pela falta de discussões sobre esse tema entre as pessoas, por existir uma visão estereotipada em que os negros são vistos, ao serem questionados por seus potenciais e por terem capacidades limitadas.
Capítulo 3: Reconheça os privilégios da branquitude
Ribeiro aborda a questão da importância das pessoas brancas reconhecerem seus privilégios que acompanham sua cor, algo que dificilmente acontece por razão da naturalização dos privilégios que foram construídos a partir da opressão de outros grupos, principalmente da população negra. A autora afirma que “ter consciência da prevalência branca nos espaços de poder permite que as pessoas se responsabilizem e tomem atitudes para combater e transformar o perverso sistema racial que estrutura a sociedade brasileira” (Ribeiro, 2019, p. 13). Nesse sentido, ela ressalta que muitos brasileiros não se consideram racistas, mesmo vivendo em um país onde o racismo estrutural é predominante.
Capítulo 4: Perceba o racismo internalizado em você
A pesquisadora problematiza o racismo estrutural no Brasil, destacando como ele está enraizado na sociedade e é perpetuado mesmo por quem não se considera racista. Muitas pessoas recusam essa identificação com base em justificativas frágeis, como ter amigos negros. No entanto, o racismo vai além de atitudes explícitas: ele se manifesta em omissões, silêncios e padrões sociais aparentemente normais, como a ausência de negros na mídia ou o uso de expressões linguísticas preconceituosas. Ser antirracista exige autocrítica, vigilância constante sobre os próprios privilégios e o compromisso com mudanças concretas, mesmo que isso cause desconforto. A autora defende que essa responsabilidade não é apenas das pessoas negras, mas também — e principalmente — das pessoas brancas, que devem se educar, agir e cobrar transformações. Envolver a família, especialmente às crianças, e valorizar o ensino da história afro-brasileira são passos essenciais
Capítulo 5: Apoie políticas educacionais afirmativas
A educadora menciona as desigualdades existentes para o acesso à educação básica, abordando a questão da vulnerabilidade social da população negra e o impacto que essa inacessibilidade pode causar, principalmente no ingresso ao ensino superior. Também é discutida a importância da implementação das políticas públicas que proporcionem acesso de estudantes nas universidades, sobretudo estudantes provenientes de famílias com situação financeira instável.
Capítulo 6: Transforme seu ambiente de trabalho
É trazida a representatividade no âmbito profissional, em que é abordado que o racismo faz se presente no âmbito do trabalho, em que negros ocupam poucos cargos em empresas, bem como o próprio sistema de contratação desfavorece a contratação de outros grupos, sempre favorecendo os brancos. No entanto, outros países já estavam bem evoluídos em diversificar seus funcionários, e no Brasil começa a existir movimentações de algumas empresas em tornar plurais e diversificadas as vagas de trabalho.
Capitulo 7: Leia autores negros
É debatida a questão da literatura produzida por negros relacionada na disseminação desses trabalhos no âmbito do conhecimento, como nas escolas e nas universidades em que é pouco difundida. É importante destacar a existência de uma vasta produção de autores negros que, em razão do racismo dominante nos meios acadêmicos, acabam que por ter seus trabalhos ignorados e esquecidos.
Capítulo 8: Questione a cultura que você consome
A autora nos faz pensar criticamente sobre os conteúdos que consumimos, principalmente aqueles que romantizam, camuflam e representam de forma caricata um viés opressor. Também é discutido sobre a forma equivocada com que os negros são representados em programas televisivos, sendo a maioria interpretado por brancos, assim como a forma estereotipada em que estão representados, alcoólatras e homossexuais, isto é, totalmente marginalizados.
Capítulo 9: Conheça seus desejos e afetos
Ribeiro ressalta sobre a objetificação da mulher negra, sendo algo já visto desde a escravidão, visto que as mulheres negras eram consideradas promíscuas, fáceis, obedientes e muito sensuais. Essa sexualização atribuída às mulheres negras as deixam marcadas e fadadas a constrangimentos e até situações de violência, levando o racismo como um dos principais fatores que afetam a vida dessas mulheres. De tal modo, principalmente no que se refere às questões amorosas, mulheres negras são vistas para diversão e as mulheres brancas para o casamento.
Capítulo 10: Combata a violência racial
No final do livro, a filósofa nos apresenta um assunto muito delicado que é o número de assassinatos no país, sendo a maioria de pessoas negras. Discute também a violência policial dentro e fora das prisões, principalmente nos presídios femininos, onde é maior o número de detentas negras. Com isso, mostra que o negro ainda é visto de forma marginalizada, sendo estigmatizado agora como criminoso negro e não mais como só um negro.
Conclusão:
A obra é de extrema importância, uma vez que colabora para que possamos compreender o racismo existente em nosso país. De forma simples, direta e didática, a filósofa nos faz refletir e repensar sobre o racismo, instigando sempre a mudança em nossos comportamentos, e nos indagando: de que forma somos racistas e antirracistas no dia a dia?
Ela também problematiza o ato das pessoas de não questionarem-se sobre o sistema de opressão racial presente na nossa sociedade, sobre certos privilégios históricos que alguns grupos têm. Além disso, Ribeiro finaliza lembrando que o racismo é um problema social, não individual, e que o combate a ele é responsabilidade de todos. O livro é, portanto, um convite ao aprendizado constante, à escuta ativa e ao engajamento ético e político.
Referências
RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
1Graduanda em Licenciatura Plena em Pedagogia na UFDPar – Parnaíba/Piauí. E-mail: saraferreiranunes2020@gmail.com. ORCID ID: https://orcid.org/0009-0006-6205-4540. Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) – Parnaíba/PI – Brasil.
