DIETA MEDITERRÂNEA NA PREVENÇÃO E CONTROLE DO DIABETES MELLITUS TIPO 2 

MEDITERRANEAN DIET IN THE PREVENTION AND MANAGEMENT OF TYPE 2 DIABETES MELLITUS 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202510261210


Ana Vitória Almeida Souza¹  
Isabelle Carvalho de Silva Asensi¹ 
Samya Cristina de Lucena Almeida¹ 
Francisca Marta Nascimento de Oliveira Freitas² 
David Silva dos Reis³ 


RESUMO   

O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) representa um dos maiores desafios de saúde pública na atualidade, com prevalência crescente em todas as faixas etárias, sobretudo em decorrência de hábitos alimentares inadequados e sedentarismo. Nesse contexto, a dieta mediterrânea tem sido amplamente estudada como uma estratégia eficaz para prevenção e controle do DM2, devido ao seu padrão alimentar rico em frutas, vegetais, cereais integrais, azeite de oliva, oleaginosas e peixes. Este trabalho teve como objetivo avaliar, por meio de revisão bibliográfica, os efeitos positivos da dieta mediterrânea na regulação glicêmica, na sensibilidade à insulina e na prevenção de complicações associadas ao diabetes tipo 2. Os resultados apontam que a adesão à dieta mediterrânea está associada à melhora dos marcadores metabólicos, à redução da resistência insulínica e à menor incidência de DM2. Além disso, estudos evidenciam benefícios complementares, como impacto positivo na saúde cardiovascular, modulação da microbiota intestinal e redução de processos inflamatórios. A combinação entre dieta mediterrânea e prática regular de exercícios físicos potencializa os efeitos benéficos, contribuindo para melhor qualidade de vida e prevenção de complicações. Conclui-se que a dieta mediterrânea se apresenta como uma abordagem nutricional segura, eficaz e sustentável para o manejo do diabetes mellitus tipo 2, reforçando a importância de estratégias integradas de estilo de vida saudável. 

Palavras-chave: Dieta Mediterrânea, Diabetes Mellitus tipo 2, Prevenção, Controle glicêmico, Saúde metabólica. 

ABSTRACT 

Type 2 Diabetes Mellitus (T2DM) represents one of the greatest public health challenges today, with increasing prevalence across all age groups, mainly due to unhealthy eating habits and sedentary lifestyles. In this context, the Mediterranean diet has been widely studied as an effective strategy for the prevention and management of T2DM, due to its dietary pattern rich in fruits, vegetables, whole grains, olive oil, nuts, and fish. This study aimed to evaluate, through a literature review, the positive effects of the Mediterranean diet on glycemic regulation, insulin sensitivity, and the prevention of complications associated with type 2 diabetes. The results show that adherence to the Mediterranean diet is associated with improvements in metabolic markers, reduced insulin resistance, and a lower incidence of T2DM. Furthermore, studies highlight complementary benefits such as positive impact on cardiovascular health, modulation of the gut microbiota, and reduction of inflammatory processes. The combination of the Mediterranean diet with regular physical activity enhances its beneficial effects, contributing to improved quality of life and prevention of complications. It is concluded that the Mediterranean diet is a safe, effective, and sustainable nutritional approach for the management of type 2 diabetes mellitus, reinforcing the importance of integrated strategies for a healthy lifestyle. 

Keyword: Mediterranean Diet,Type 2 Diabetes Mellitus, Prevention, Glycemic control, Metabolic health. 

1. INTRODUÇÃO  

Conforme Galicia-Garcia et al. (2020) e a American Diabetes Association (2023), o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) representa aproximadamente 90% dos casos de diabetes e caracteriza-se pela resistência à insulina, inicialmente compensada pelo aumento da sua produção, mas que, ao longo do tempo, tende a reduzir, resultando em hiperglicemia crônica. Embora seja mais comum em indivíduos acima de 45 anos, estudos recentes apontam crescimento da doença em crianças, adolescentes e jovens adultos, impulsionado pelo sedentarismo, pela obesidade e por dietas hipercalóricas (Antunes et al., 2022; Almeida et al., 2019). 

De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (2019), cerca de 16,8 milhões de adultos brasileiros entre 20 e 79 anos convivem com o DM2. A Sociedade Brasileira de Diabetes (2024) ressalta que esse número está em constante crescimento e que aproximadamente 46% dos indivíduos desconhecem o diagnóstico até o surgimento de complicações. Esse cenário evidencia a relevância de estratégias de prevenção e controle fundamentadas em mudanças de estilo de vida, entre as quais se destaca a adoção da dieta mediterrânea como abordagem eficaz para redução de riscos e manejo da doença. (Brasil, 2024; Abade; Amaro, 2019). 

Dentre as estratégias de manejo do DM2, destacam-se as intervenções nutricionais e a prática regular de exercícios físicos, que desempenham papéis fundamentais no controle glicêmico, na redução de fatores de risco e na prevenção de complicações relacionadas à doença  (Brasil, 2024; Cortez et al., 2015; Maeyama et al., 2020). 

Nesse contexto, a dieta mediterrânea tem ganhado destaque como uma abordagem nutricional promissora, capaz de atuar positivamente na regulação da glicemia, na melhora da sensibilidade à insulina e na prevenção de comorbidades, além de promover benefícios à saúde mental e à qualidade de vida (Sousa et al., 2024; Esposito et al., 2015). 

A dieta mediterrânea destaca-se por sua composição rica em nutrientes bioativos, incluindo antioxidantes e ácidos graxos mono e poli-insaturados, que contribuem para a regulação de processos inflamatórios e metabólicos (Barbosa; Pimenta; Real, 2017; Real; Graça, 2019; Merra et al., 2021; Santos; Huguenin, 2024). 

A dieta mediterrânea é amplamente reconhecida como um dos padrões alimentares mais saudáveis e sustentáveis globalmente. Típica das regiões próximas ao Mar Mediterrâneo, essa dieta se destaca pelo consumo elevado de frutas, vegetais, cereais integrais, azeite de oliva, peixes e oleaginosas. Além disso, é caracterizada pela ingestão moderada de vinho e pelo baixo consumo de carnes vermelhas e alimentos processados. Estudos científicos comprovam seus efeitos positivos na prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade e alguns tipos de câncer, contribuindo também para a longevidade e uma melhor qualidade de vida (Real; Graça, 2019; Pereira; Costas; Alfenas, 2015; Schwab et al., 2021). 

Além dos benefícios metabólicos, a dieta mediterrânea apresenta relevância ambiental e cultural, sendo reconhecida como um modelo de alimentação sustentável e de promoção da saúde, ao integrar aspectos sociais e culturais ao hábito alimentar (Zielinska et al., 2022; Lorca- Camara et al., 2024). Nesse sentido, Huo et al. (2015) evidenciaram que a adesão ao padrão mediterrâneo promoveu melhora significativa no controle glicêmico, redução do peso corporal e menor risco de complicações cardiovasculares em indivíduos com DM2, reforçando a relevância desse modelo alimentar na prevenção e no manejo da doença. 

Esta pesquisa tem por objetivo avaliar os efeitos positivos da dieta mediterrânea na regulação e prevenção do diabetes mellitus tipo 2, tendo por objetivos específicos investigar os principais elementos da alimentação mediterrânea que favorecem a melhora dos indicadores metabólicos em indivíduos com resistência à insulina, examinar de que forma esse padrão alimentar atua na estabilização da glicemia e escrever a relevância da prática constante de atividades físicas como aliada à dieta mediterrânea na prevenção e no controle do diabetes tipo 2. 

2. METODOLOGIA 
2.1 Tipo de estudo  

Este estudo consiste em uma revisão integrativa da literatura, sendo um método que possibilita o resumo do conhecimento e a incorporação da aplicabilidade de resultados relevantes. Trata-se da modalidade mais ampla de revisão, pois permite a inclusão de estudos experimentais e não experimentais, favorecendo uma compreensão abrangente do fenômeno investigado. Além disso, integra dados teóricos e empíricos, sendo útil para diferentes propósitos, como a definição de conceitos, a sistematização de teorias e evidências já existentes, bem como a análise de aspectos metodológicos relacionados a um tema específico (Cavalcante; Oliveira, 2020). 

2.2 Coleta de dados 

A busca de artigos foi realizada nas bases de dados Scielo, Pubmed e BVS para a coleta foram utilizados os descritores: “Dieta mediterrânea”; “Diabetes mellitus tipo 2”, “Diabetes” e seus correlatos na língua inglesa, utilizando os operadores booleanos (AND/OR).  Os critérios de elegibilidade foram considerados publicações a partir de 2015, redigidas em português ou inglês, que apresentavam achados significativos e metodologicamente confiáveis acerca da dieta mediterrânea e diabetes mellitus tipo 2. Os critérios de inelegibilidade utilizados foram: estudos que não apresentavam dados primários ou que utilizavam metodologias inadequadas ao objetivo da pesquisa, além de estudos incompletos, carta aos editores, editoriais, monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado. 

2.3 Análise de dados 

Os dados coletados foram organizados e avaliados de forma sistemática, considerando critérios previamente estabelecidos para a seleção e análise das informações. Inicialmente, os estudos selecionados foram categorizados de acordo com sua relevância para os objetivos da pesquisa e a qualidade metodológica. Foi incluída na análise, a extração de informações-chave, como os principais componentes da dieta mediterrânea analisados, resultados relacionados ao controle glicêmico e outros parâmetros metabólicos.  

Posteriormente, os dados extraídos foram sintetizados, priorizando uma abordagem comparativa entre diferentes estudos para identificar padrões consistentes e lacunas na literatura. Além disso, foi conduzida uma avaliação crítica para verificar a aplicabilidade e as limitações dos achados, visando garantir uma interpretação científica robusta e alinhada aos objetivos do trabalho. 

O processo de busca, triagem e seleção dos artigos incluídos nesta revisão é apresentado a seguir no Fluxograma da Figura 1. 

Figura 1. Fluxograma de artigos selecionados para a revisão. 
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

O conceito “Dieta Mediterrânea” foi popularizado por Ancel Keys, um pesquisador que teve um papel fundamental na divulgação dos benefícios dessa abordagem nutricional. Desde sua proposta, a dieta tem sido amplamente estudada e aplicada, com avanços significativos tanto do ponto de vista cultural quanto científico. A compreensão desses marcos históricos é essencial para entender como o conceito de Dieta Mediterrânea se desenvolveu ao longo dos anos. Em 2010, um dos momentos mais relevantes foi quando a dieta foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade (Real; Graça, 2019). 

A Dieta Mediterrânea é baseada em práticas alimentares tradicionais de países situados ao redor do Mar Mediterrâneo, na Europa, sendo reconhecida entre as décadas de 1950 e 1960 entre os povos que viviam nessa região. Observou-se que essas populações apresentavam menores taxas de mortalidade e incidência de diversas doenças (Zielinska et al., 2022; Dayi et al., 2022).  

Esse modelo alimentar destaca-se pelo alto consumo de alimentos de origem vegetal, como cereais, hortaliças, frutas, leguminosas, oleaginosas, azeitonas e sementes, dando preferência ao azeite como principal fonte de gordura e sugerindo um consumo moderado de peixe, carnes brancas, ovos e laticínios, especialmente queijo e iogurte. Por outro lado, recomenda-se a redução 10 do consumo de carnes vermelhas e processadas, além da ingestão moderada de vinho durante as refeições principais (Kotzakioulafi et al., 2023). 

Nas análises dos estudos evidencia de forma consistente que a Dieta Mediterrânea apresenta efeitos positivos tanto na prevenção quanto no controle do diabetes mellitus tipo 2 (Martin-Peleumé, 2020). Estudos observacionais demonstram que a adesão ao padrão mediterrâneo está associada a melhor qualidade de vida em indivíduos com DM2, com redução significativa das complicações relacionadas à doença, incluindo dislipidemias e hipertensão (Abade; Amaro, 2019; Yubero-Serrano et al., 2020; Castro et al., 2021; Fonseca; Abi, 2019). Em âmbito populacional, pesquisas nacionais apontam que programas de acesso a medicamentos, como o Farmácia Popular, têm contribuído para a melhoria do cuidado de pacientes crônicos, fortalecendo o controle do diabetes no Brasil (Almeida et al., 2019; Brasil, 2022). 

No campo fisiopatológico, a Federação Internacional de Diabetes (2019) estima que o DM2 atinge cerca de 16,8 milhões de adultos no Brasil, com tendência crescente de prevalência (SBD, 2024). Esse dado revela a relevância de estratégias alimentares e comportamentais sustentáveis. Entre elas, a Dieta Mediterrânea destaca-se por reduzir fatores de risco cardiovasculares e metabólicos (Yubero-Serrano et al., 2020; Zielinska et al., 2022). 

A literatura também evidencia a contribuição da Dieta Mediterrânea no controle glicêmico. Huo et al. (2015) identificaram que a adesão ao padrão mediterrâneo favorece a redução do peso corporal, melhora a sensibilidade à insulina e diminui o risco de complicações cardiovasculares. De forma semelhante, Estruch et al. (2018) demonstraram que a associação da DM a práticas de exercícios físicos reduz a inflamação sistêmica, melhora a composição corporal e diminui a adiposidade visceral. Esses achados são reforçados por Kanaley et al. (2022), que destacam que a combinação entre alimentação adequada e atividade física regular potencializa o controle glicêmico e previne complicações micro e macrovasculares. 

Outro aspecto relevante é a prevenção de comorbidades e complicações. Fernandes (2017) ressalta que hábitos alimentares inadequados e sedentarismo aumentam a predisposição ao DM2, enquanto Guasch-Ferré et al. (2019) evidenciam que o consumo de compostos bioativos, aliado à atividade física, reduz marcadores inflamatórios como PCR e IL-6. Malta et al. (2019) acrescentam que a adesão à DM melhora a qualidade de vida, com impacto positivo sobre a hemoglobina glicada. 

No Brasil, Muzy et al. (2021) destacam lacunas no acesso à saúde de pacientes diabéticos, reforçando a necessidade de políticas públicas e acompanhamento contínuo com nutricionistas, como apontam as diretrizes do Ministério da Saúde (Brasil, 2023). Nesse sentido, Ramos et al. (2024) recomendam que a dieta deve ser individualizada, priorizando o controle glicêmico, a pressão arterial e os níveis de lipídios. Complementarmente, Figueira et al. (2017) enfatizam que as intervenções educativas aumentam a adesão e a eficácia terapêutica, reforçando a importância da personalização do cuidado. 

O papel do exercício físico como aliado é amplamente reconhecido. Miranda et al. (2015) evidenciam que a prática regular auxilia no controle glicêmico e reduz custos relacionados às complicações da doença. Além disso, Schlickmann et al. (2022) reforçam que a adequação da ingestão de proteínas e gorduras saudáveis potencializa o equilíbrio metabólico e contribui para a prevenção de riscos cardiovasculares associados ao DM2. 

Dessa forma, os resultados convergem para a compreensão de que a Dieta Mediterrânea, quando associada a mudanças no estilo de vida, promove redução de marcadores inflamatórios, melhora do perfil metabólico, prevenção de complicações e aumento da qualidade de vida. A efetividade dessa abordagem é sustentada tanto por estudos observacionais (Abade; Amaro, 2019; Malta et al., 2019), quanto por ensaios clínicos e metanálises robustas (Huo et al., 2015; Estruch et al., 2018; Kanaley et al., 2022), demonstrando que esse padrão alimentar é uma das estratégias mais consistentes e sustentáveis para o manejo do DM2, como mostra a tabela 1: 

Tabela 1 – Efeitos da dieta mediterrânea na prevenção e controle do DM2 

Na análise das evidências científicas, a atuação da dieta mediterrânea desempenhou um papel determinante na prevenção e controle do diabetes mellitus tipo 2 demonstram de forma consistente, que a adesão a esse padrão alimentar está associada à melhora do controle glicêmico e da sensibilidade à insulina. Salas-Salvadó et al. (2023) e Lopes et al. (2019) mostraram em suas análises reduções significativas nos níveis de glicemia, no perfil lipídico e na redução do risco de doenças cardiovascular em indivíduos com maior adesão à dieta mediterrânea resultados reforçados por Bonekamp et al. (2023).  

Em convergência, Garza et al. (2024) ressalta que esse padrão alimentar está associado a redução significativa dos níveis de colesterol LDL e triglicerídeos favorecendo o aumento do HDL, contribuindo para um perfil lipídico equilibrado. 

Real e Graça (2019), Zielinska et al. (2022) e Lassale et al. (2019) apontam o impacto positivo na saúde mental e na qualidade de vida, ampliando a relevância desse modelo alimentar. Dominguez et al. (2021) reafirma que a dieta mediterrânea estimula o bem-estar social e psicológico ao valorizar o momento do preparo e consumo das refeições como um ato de partilha, reforçando os laços sociais. 

No contexto brasileiro, Almeida et al. (2019) e Malta et al. (2019) destacam a importância de políticas públicas, como o Programa Farmácia Popular, na melhoria do cuidado de pacientes com diabetes. Borges e Lacerda (2018) ressaltam que a diabetes mellitus é considerado umas das linhas de cuidado do Sistema Único de Saúde e que quando necessário o seguimento clínico e nutricional deve ser realizado a nível de atenção primária, secundária e terciária. Apesar dos avanços, o Brasil enfrenta desafios persistentes que dificultam a garantia dos direitos dos pacientes.  A desigualdade regional no acesso aos serviços de saúde, marcada pela concentração de recursos em áreas urbanas e desenvolvidas, é um dos principais problemas identificados (Cruz; Almeida, 2021). 

O Ministério da Saúde (2023; 2024) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (2024) reforçam essas evidências em suas diretrizes, recomendando a alimentação saudável como parte essencial do tratamento nutricional. Ramos et al. (2024) ressalta que a dieta deve ser adaptada às condições individuais e culturais do paciente. 

A prática regular de atividade física e a reeducação alimentar são fatores complementares à dieta mediterrânea. Miranda et al. (2015) e Figueira et al. (2017) evidenciam que essas estratégias aumentam a adesão e o controle metabólico, enquanto Schlickmann et al. (2022) destacam o papel do equilíbrio nutricional na prevenção de complicações. Fernandes (2017) e Kanaley et al. (2022), destacam o efeito positivo da associação entre alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos. Estudos indicam que uma maior adesão à dieta mediterrânea está vinculada a melhores indicadores de composição corporal incluindo menor percentual de gordura e maior massa magra (Romero-García et al., 2022; Miralles-Amorós et al., 2023). 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS  

A adesão à dieta mediterrânea está consistentemente associada a benefícios significativos no manejo e prevenção do Diabetes Mellitus tipo 2, seja por meio da melhora no controle glicêmico, da redução de complicações ou do aumento da qualidade de vida dos pacientes. Esses achados reforçam a importância de compreender não apenas os resultados clínicos, mas também o contexto histórico e cultural dessa prática alimentar. 

A dieta mediterrânea representa uma estratégia nutricional eficaz e segura na prevenção e no controle do diabetes mellitus tipo 2. Sua composição rica em frutas, verduras, legumes, cereais integrais, azeite de oliva e oleaginosas contribui para a melhora do perfil metabólico, redução da resistência insulínica e estabilização da glicemia. Além disso, a literatura aponta efeitos complementares importantes, como benefícios cardiovasculares, modulação da microbiota intestinal, ação anti-inflamatória e promoção do bem-estar mental.  

A dieta quando associada à prática regular de exercícios físicos, a adesão à dieta mediterrânea potencializa seus efeitos positivos, reduzindo complicações e melhorando a qualidade de vida dos indivíduos com DM2. Considerando o aumento da prevalência dessa condição e o impacto sobre os sistemas de saúde, recomenda-se a difusão e incentivo à adesão desse padrão alimentar como medida preventiva e terapêutica, associada a políticas públicas de promoção da saúde. Futuras pesquisas devem aprofundar a aplicação da dieta mediterrânea no contexto brasileiro, explorando adaptações culturais e regionais que facilitem sua adesão de forma sustentável e acessível. 

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ZIELIŃSKA, M. et al. A dieta mediterrânica e a dieta ocidental na depressão adolescente – relatórios atuais. Nutrientes, v. 14, n. 4390, 2022. 


1Graduanda do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: anavitoriaz2003@gmail.com; asensiisabelle@gmail.com; samylucena2013@outlook.com. 

2Orientadora do TCC, Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: francisca.freitas@fametro.edu.br 

3Co-orientador(a) do TCC, Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Católica de Santos. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: david.reis@fametro.edu.br