REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511110701
Autor: Tatiane Matos Alexandre
Orientador: Prof. João Roberto Maiellaro
RESUMO
Este artigo fala sobre como a tecnologia mudou a logística. Hoje, as empresas usam mais ferramentas digitais. Aqui, vamos falar de um caso em que automação ajudou na solicitação de seguros numa empresa de transporte ferroviário. Antes, eles mandavam e-mails, e isso causava atrasos. Com o Power Automate, eles conseguiram fazer tudo mais rápido. As informações ficaram mais confiáveis e os riscos menores. Para entender isso, usamos autores clássicos da logística, como Bowersox, Ballou e Christopher, além de estudiosos de automação, como Groover, Schwab e Sheffi. Assim, mostramos como tecnologia e logística estão conectadas na Logística 4.0.
Palavras-chave: Logística; Automação; Power Automate; Fluxos Digitais; Logística 4.0.
ABSTRACT
This article discusses how technology has transformed logistics. Nowadays, companies increasingly rely on digital tools to optimize their operations. This study presents a case in which automation improved the insurance request process in a railway logistics company. Previously, requests were made via email, causing delays and information loss. With the implementation of Microsoft Power Automate, processes became faster, data more reliable, and operational risks were reduced. The theoretical framework draws on classical logistics authors such as Bowersox, Ballou, and Christopher, as well as automation scholars such as Groover, Schwab, and Sheffi. The study highlights the connection between technology and logistics within the context of Logistics 4.0.
Keywords: Logistics; Automation; Power Automate; Digital Workflows; Logistics 4.0.
1. INTRODUÇÃO
A logística, tradicionalmente associada à movimentação e ao armazenamento de bens, evoluiu ao longo das últimas décadas para se tornar um processo integrado de gestão da cadeia de suprimentos. De acordo com Bowersox e Closs (2001), logística é sobre coordenar materiais, informações e dinheiro para ser eficiente e oferecer um bom serviço.
No contexto da transformação digital, a automação de processos vem desempenhando papel central. Schwab (2016) denomina este fenômeno de Quarta Revolução Industrial, em que tecnologias como inteligência artificial, automação e sistemas digitais remodelam os modelos de negócio. Nesse cenário, o uso de ferramentas como o Microsoft Power Automate permite a integração entre diferentes plataformas e a digitalização de fluxos organizacionais.
O presente artigo busca analisar a implementação do Power Automate na automação de um fluxo jurídico-logístico relacionado à solicitação de seguros, que antes era conduzido integralmente por e-mails, gerando atrasos e riscos de perda de informações.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Logística e Fluxos de Informação
Segundo Ballou (2006), a logística moderna não se restringe a transporte e armazenagem, mas envolve o gerenciamento eficiente de fluxos de informação. Christopher (2013) complementa ao destacar que o cliente é o centro da cadeia de suprimentos, e que a informação deve fluir de forma precisa e ágil para sustentar decisões. Nesse sentido, a confiabilidade do fluxo de dados é tão importante quanto a movimentação física de mercadorias.
2.2 Automação de Sistemas
Groover (2014) define automação como a utilização de sistemas tecnológicos para controlar processos com mínima intervenção humana. No contexto organizacional, a automação de fluxos reduz erros, elimina redundâncias e garante padronização. Para Schwab (2016), a automação não é apenas um recurso operacional, mas um eixo estratégico para a competitividade empresarial.
2.3 Logística 4.0
A chamada Logística 4.0, segundo Wilding (2020), representa a maturidade digital da cadeia de suprimentos, baseada em tecnologias como big data, inteligência artificial e integração digital. Sheffi (2007) acrescenta que a automação também contribui para a resiliência das operações, reduzindo vulnerabilidades. Assim, o uso do Power Automate insere-se como um exemplo prático da aplicação desses conceitos.
3. METODOLOGIA
Este estudo adota o método de estudo de caso exploratório, conforme Yin (2015), focado na análise da automação do processo de solicitação de seguros em uma empresa ferroviária de grande porte. A coleta de dados envolveu a observação participante, registros do fluxo manual e digital, e entrevistas com os colaboradores envolvidos.
O fluxo inicial era realizado por e-mail, no qual áreas solicitantes enviavam mensagens ao setor jurídico com informações incompletas ou fora do padrão, exigindo retrabalhos. A solução adotada foi a criação de formulários integrados ao Power Automate, que alimentam automaticamente listas no SharePoint e notificam as áreas responsáveis.
4. ESTUDO DE CASO: AUTOMAÇÃO DA SOLICITAÇÃO DE SEGUROS
4.1 Situação Anterior
O processo era conduzido manualmente por e-mails trocados entre áreas, o que gerava problemas como:
– Perda de prazos por falta de rastreabilidade.
– Dificuldade em consolidar informações para relatórios.
– Retrabalho devido a dados incorretos ou incompletos.
– Risco de inconsistências jurídicas.
4.2 Implementação do Power Automate
A automação consistiu em:
– Criação de formulário padronizado no Microsoft Forms.
– Integração com o Power Automate para captar as respostas.
– Registro automático das informações no SharePoint.
– Geração de notificações e tarefas automáticas para o setor jurídico.
– Relatórios dinâmicos com Power BI, permitindo análise em tempo real.
4.3 Resultados Obtidos
Com a automação, verificou-se:
– Redução de 60% no tempo de tramitação.
– Eliminação de erros de preenchimento por meio de campos obrigatórios.
– Maior transparência, com rastreabilidade do processo.
– Melhoria na comunicação interdepartamental.
– Base de dados estruturada para análise estatística e tomada de decisão.
5. DISCUSSÃO
Os resultados obtidos corroboram os argumentos de Lambert (2014), destacando a importância e vantagens da integração de processos na gestão da cadeia de suprimentos. Usar o Power Automate para automatizar pedidos de seguro conectou áreas que antes trabalhavam separadas, como operações, jurídico e controladoria. Antes, essas áreas usavam e-mails diferentes, o que dificultava ver a demanda por completo.
A padronização obtida com o uso do Microsoft Forms permite a conexão por meio de formulários a uma base central, para que todos vejam as mesmas informações ao mesmo tempo. Isso elimina retrabalhos e evita ruídos na comunicação. Antes, era comum que solicitações chegassem incompletas, exigindo retorno por e-mail e atrasando o processo.
Com a automação, os dados só são aceitos se estiverem completos e corretos, o que garante uniformidade e acelera a tramitação. Essa medida eliminou erros humanos recorrentes, diminuiu gargalos e reduziu o tempo médio de resposta em cerca de 60%.
No tema de resiliência, que é a capacidade de suportar riscos, por Sheffi (2007), a automação aumentou a capacidade da empresa de se manter firme em problemas. Os dados ficam armazenados automaticamente no SharePoint, então nada se perde, mesmo se algum e-mail falhar ou um funcionário faltar. Além disso, o sistema envia alertas e notificações, ajudando a cumprir prazos e acompanhar tudo de perto. Assim, a empresa fica mais resistente a erros humanos e consegue continuar operando normalmente.
A experiência também mostra como a Logística 4.0 funciona, com ferramentas digitais que aumentam a visibilidade e a rapidez. Criar dashboards no Power BI, que se atualizam automaticamente com o Power Automate, deu uma visão ao vivo de pedidos de seguro, volumes, valores e status. Isso aumenta a transparência e ajuda os gestores a identificar problemas e agir antes que fiquem maiores.
Por fim, a automação também ajuda a reduzir riscos jurídicos e operacionais, como diz Schwab (2016). Usar sistemas digitais evita que informações se percam em e-mails, o que é importante para auditorias ou processos legais. Além disso, o sistema armazena tudo de forma rastreável e dentro das regras, fortalecendo a governança e ajudando na tomada de decisões de forma mais segura e mais inteligente.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Automatizar tarefas internas com o Power Automate é uma grande mudança na gestão da empresa. Isso é especialmente verdadeiro em áreas que antes dependiam de mensagens manuais por e-mail. O estudo mostrou que essa transformação digital é barata, porque usa ferramentas do próprio Microsoft, e traz ganhos claros em eficiência, transparência e segurança.
Este artigo reforça que juntar conceitos de logística e automação faz sentido, tanto na teoria quanto na prática. Como sugestão, pode-se ampliar a automação para outras tarefas internas. Também é possível usar inteligência artificial para fazer análises preditivas e melhorar ainda mais os processos.
REFERÊNCIAS
BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: transporte, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, 2006.
BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J. Logística Empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001.
CHRISTOPHER, Martin. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. São Paulo: Cengage Learning, 2013.
GROOVER, Mikell P. Automation, Production Systems, and Computer-Integrated Manufacturing. 4. ed. Boston: Pearson, 2014.
LAMBERT, Douglas M. Supply Chain Management: Processes, Partnerships, Performance. 4. ed. Sarasota: Supply Chain Management Institute, 2014.
LEE, Jay. Industrial AI: Applications with Sustainable Performance. New York: Springer, 2020.
SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução Industrial. São Paulo: Edipro, 2016.
SHEFFI, Yossi. The Resilient Enterprise: Overcoming Vulnerability for Competitive Advantage. Cambridge: MIT Press, 2007.
TANG, Christopher S. Supply Chain Risk Management. London: Springer, 2006.
WILDING, Richard. Supply Chain 4.0: concepts, maturity and implementation. International Journal of Logistics Management, v. 31, n. 4, 2020.
YIN, Robert K. Estudo de Caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman, 2015.
