RECONSTRUÇÃO PALPEBRAL EM PACIENTE COM ECTRÓPIO PARALÍTICO APÓS LESÃO DE NERVO FACIAL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ma10202511110653


Leandro Balestrin
João Guilherme Novis de Souza Avellar
Gustavo Brugnera Borin
Igor Oliveira Ferreira
Rogério Augusto Gomes Silveira


Abstract 

Introduction: 

Ectropion is defined as an outward rotation of the eyelid margin. Trauma is a common etiology of paralytic ectropion, which occurs when the orbicularis oculi muscle becomes paralyzed. Treatment is conservative in mild cases and surgical in more severe ones. 

Case Report: 

We present a case of paralytic ectropion in a 59-year-old man treated surgically at the Federal Hospital of Rio de Janeiro in 2025. The chosen surgical technique was a lateral tarsal strip combined with a skin graft to reconstruct the anterior lamella. The patient showed both functional and aesthetic improvement postoperatively. 

Discussion: 

Paralysis of the orbicularis oculi muscle leads to a type of ectropion known as paralytic ectropion. Common etiologies include trauma, Bell’s palsy, surgery, and stroke. This condition results in epiphora, ocular irritation, and, in severe cases, corneal exposure and damage. Management is conservative in mild cases but typically requires surgical correction in advanced cases. 

Conclusion: 

The management of paralytic ectropion should be individualized, focusing on ocular surface protection and functional as well as aesthetic eyelid rehabilitation. The lateral tarsal strip technique, as described, is an effective surgical method for repairing paralytic ectropion. 

Keywords: Paralytic ectropion; lagoftalm; tarsal strip 

Introdução 

Ectrópio é definido como a rotação para fora da margem palpebral e pode ser classificado nas seguintes categorias: congênito, involucional, paralítico e cicatricial. O ectrópio paralítico pode ocorrer em decorrência de paralisia de Bell, tumores do sistema nervoso central ou traumas — sendo este último uma causa comum no contexto cirúrgico, quando há lesão do nervo facial. O tratamento costuma ser conservador nos casos leves e cirúrgico nos casos mais severos. 

Relato de caso 

Paciente do sexo masculino, 59 anos, com histórico de carcinoma espinocelular em orelha esquerda. Foi submetido a diversas cirurgias pela equipe de Cirurgia de Cabeça e Pescoço devido a múltiplas recidivas, sendo necessária, pela extensão da lesão, a realização de parotidectomia, na qual ocorreu lesão do nervo facial. O paciente evoluiu, então, com ectrópio paralítico. 

Em 2024, apresentou nova recidiva da lesão auricular, sendo necessária a reconstrução com retalho músculo-cutâneo de peitoral maior. Após o procedimento, houve piora do ectrópio por componente cicatricial. Além disso, o paciente apresentava pequena lesão na margem palpebral, suspeita de neoplasia. Optou-se por abordagem cirúrgica sob anestesia local. Foi realizada biópsia excisional da lesão, seguida de cantotomia e cantólise. Em seguida, realizou-se tarsal strip lateral, fixado ao periósteo do rebordo ósseo com fio de nylon 5-0. O defeito cutâneo resultante da biópsia e do tarsal strip foi reconstruído com enxerto de pele total proveniente da pálpebra superior contralateral, fixado com fio de nylon 6-0. Ao término, foi confeccionada sutura de Frost modificada. O paciente evoluiu bem no pós-operatório, apresentando melhora funcional e estética significativa. O paciente segue em acompanhamento na instituição devido ao lagoftalmo e mantém tratamento clínico por ora.

Discussão 

A paralisia do músculo orbicular leva a um tipo de ectrópio conhecido como ectrópio paralítico. Entre as principais etiologias está o trauma, sendo a lesão iatrogênica do nervo facial uma causa relevante. Essa condição pode resultar em epífora, irritação ocular e comprometimento da proteção corneana. 

O diagnóstico é essencialmente clínico, realizado por meio do exame físico. O principal objetivo do tratamento é manter a córnea úmida, utilizando lubrificação intensa e proteção mecânica. Casos leves podem ser manejados clinicamente, enquanto o tratamento cirúrgico é indicado diante de ceratite de exposição ou por razões estéticas. 

A técnica cirúrgica mais comumente empregada é o tarsal strip lateral, cujo objetivo é o encurtamento horizontal do tarso e a elevação do canto lateral. Em casos mais graves, pode ser necessária a realização de tarsorrafia. 

Conclusão 

Além do risco de lesão grave ao globo ocular e à córnea, o ectrópio pode causar significativo impacto psicológico. O cirurgião deve estar apto a realizar o diagnóstico correto e instituir as medidas clínicas e cirúrgicas adequadas para o melhor manejo. De modo geral, o objetivo é restaurar o alinhamento natural da pálpebra e reduzir os riscos de danos oculares. 

Declarações 

  • Consentimento informado: obtido da paciente para publicação do caso e das imagens. 
  • Conflitos de interesse: os autores declaram não haver. 
  • Financiamento: não houve suporte financeiro externo. 

Referências  

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