REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509231243
Fernanda Caetano Fernandes¹
Fernando Assumpção Mesquita²
Juliana Cavalcante de Oliveira³
Núbia Sampaio Graça⁴
RESUMO
A educação profissional tem assumido um papel estratégico na formação de trabalhadores para um mercado cada vez mais exigente e dinâmico. A tecnologia, nesse contexto, não é apenas um recurso de apoio, mas um elemento estruturante do processo educacional, capaz de impulsionar o desenvolvimento de competências essenciais ao sucesso profissional. Este artigo tem como objetivo analisar o papel da tecnologia na educação profissional, com ênfase em sua função transformadora e impulsionadora da inserção qualificada no mundo do trabalho. Para isso, realizou-se uma pesquisa qualitativa com aplicação de questionário a estudantes de cursos profissionalizantes. Os resultados indicaram que, embora a tecnologia esteja presente no cotidiano educacional, seu uso ainda é limitado quando comparado às potencialidades formativas. Conclui-se que a incorporação efetiva da tecnologia nos currículos da educação profissional é um fator decisivo para o desenvolvimento de habilidades técnicas, cognitivas e socioemocionais exigidas pelo mercado contemporâneo. Como proposta, recomenda-se a adoção de metodologias ativas, formações docentes contínuas e parcerias com o setor produtivo, garantindo uma formação profissional alinhada às demandas da sociedade digital.
Palavras-chave: tecnologia educacional. educação profissional. competências digitais. formação técnica. inserção no mercado.
ABSTRACT
Professional education has assumed a strategic role in training workers for an increasingly demanding and dynamic market. Technology, in this context, is not just a support resource but a structuring element of the educational process, capable of driving the development of essential competencies for professional success. This article aims to analyze the role of technology in professional education, emphasizing its transformative function and its role in promoting qualified insertion into the world of work. To this end, a qualitative research was conducted with the application of a questionnaire to students of technical courses. The results indicated that, although technology is present in the educational daily life, its use is still limited compared to its formative potential. It is concluded that the effective incorporation of technology into professional education curricula is a decisive factor for the development of technical, cognitive, and socio-emotional skills required by the contemporary market. As a proposal, it is recommended the adoption of active methodologies, continuous teacher training, and partnerships with the productive sector, ensuring professional training aligned with the demands of the digital society.
Keywords: educational technology. professional education. digital competencies. technical training. labor market insertion.
1. INTRODUÇÃO
A aceleração tecnológica tem impactado todos os setores da sociedade, em especial o mundo do trabalho. Neste cenário, a educação profissional surge como uma estratégia para promover a formação de trabalhadores aptos a atuar em ambientes complexos, mediados por ferramentas digitais. O uso da tecnologia, mais do que uma inovação pedagógica, é uma exigência formativa diante das transformações impostas pela chamada Quarta Revolução Industrial.
Autores como Kenski (2012) e Moran (2015) afirmam que o ensino mediado por tecnologias potencializa a aprendizagem, estimula a autonomia do estudante e aproxima os conteúdos escolares das práticas profissionais. No entanto, o uso das tecnologias na educação profissional ainda enfrenta desafios relacionados à formação docente, ao acesso digital e à integração com o mercado.
Assim, este artigo tem como objetivo investigar de que forma a tecnologia pode ser uma ferramenta impulsionadora do sucesso na educação profissional, discutindo suas potencialidades, limitações e propondo caminhos para sua aplicação efetiva e estratégica. A pesquisa justifica-se pela urgência de reconfigurar práticas pedagógicas para formar profissionais preparados para atuar com criticidade e competência em um mundo cada vez mais digital.
2. METODOLOGIA
A pesquisa caracteriza-se como qualitativa e descritiva, com abordagem exploratória. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados um questionário estruturado aplicado a 33 alunos de cursos profissionalizante da área administrativa em uma unidade de educação profissional do estado de Alagoas
O questionário foi dividido em quatro blocos: acesso à tecnologia, uso educacional das ferramentas digitais, percepção de preparo para o trabalho e sugestões para melhorar o ensino tecnológico. As respostas foram analisadas por meio de análise de conteúdo categorial, com agrupamento temático das percepções.
A escolha da metodologia qualitativa justifica-se pela natureza interpretativa do estudo, que visa compreender a experiência dos alunos em relação à tecnologia em sua formação profissional, e não generalizar resultados.
3. RESULTADOS
A análise das respostas revelou os seguintes dados principais:
Quais tecnologias você acredita que são mais valorizadas pelo mercado para a função de assistente administrativo ?
33 respostas.
Gráfico 1 – Competências tecnológicas exigidas pelo mercado

O gráfico demonstra que a maioria dos respondentes (57,6%) considera o Pacote Office (Word, Excel e PowerPoint) como a principal competência tecnológica exigida pelo mercado para funções administrativas. Em seguida, aparecem as ferramentas de comunicação (30,3%), como e-mail, Zoom e WhatsApp Business, fundamentais para a interação corporativa. Já as plataformas de gestão (ERP e CRM) foram apontadas por 12,1% dos participantes, revelando que, embora menos frequentes, ainda constituem um diferencial competitivo.
Você acredita que o uso da tecnologia nos cursos profissionalizantes aumenta suas chances de conseguir um bom emprego ?
33 respostas.

O gráfico mostra o consenso absoluto: 100% dos 33 participantes concordam que o uso da tecnologia em cursos profissionalizantes aumenta significativamente as chances de conquistar uma boa colocação no mercado de trabalho. Esse resultado evidencia a tecnologia como um diferencial estratégico e indispensável para a empregabilidade.
Com que frequência você utiliza ferramentas digitais no seu dia a dia (estudo, trabalho, organização)?
33 respostas.

O gráfico revela que 60,6% utilizam ferramentas digitais diariamente, 30,3% algumas vezes por semana e 9,1% raramente. Isso demonstra que a fluência digital faz parte da rotina da maioria dos estudantes e trabalhadores, consolidando-se como uma competência transversal aplicada tanto em atividades profissionais quanto pessoais.
Você já participou de algum processo seletivo que exigia conhecimento em ferramentas digitais ?
32 respostas.

No gráfico entre os 32 respondentes, 62,5% já participaram de processos seletivos que exigiam conhecimentos em ferramentas digitais, enquanto 37,5% não tiveram essa experiência. Esse resultado indica que a maioria das empresas já adota a competência digital como critério formal de seleção, embora ainda exista uma parcela do mercado que não a exige de forma explícita.
4. DISCUSSÃO
Os resultados convergem com os estudos de Kenski (2012) e Lévy (1999), que apontam para o potencial emancipador das tecnologias digitais, quando integradas de forma crítica e significativa ao processo de ensino-aprendizagem. A baixa percepção de aplicabilidade prática, contudo, sinaliza a existência de um gap entre o uso tecnológico na escola e sua real funcionalidade para a formação profissional.
Segundo a BNCC (2018), é papel da educação desenvolver competências digitais e socioemocionais. No entanto, essa missão só se concretiza se o uso das tecnologias estiver articulado aos objetivos formativos dos cursos, de modo a estimular a solução de problemas, o pensamento crítico e a capacidade de se adaptar a diferentes contextos profissionais.
Outro ponto relevante é a formação docente contínua, conforme defende Moran (2015), que possibilite aos professores transformar as práticas pedagógicas, com uso intencional da tecnologia como meio de aprendizagem ativa e significativa.
5. CONCLUSÃO
A tecnologia na educação profissional é mais do que um recurso didático: é um instrumento estratégico de inserção social e profissional, capaz de formar sujeitos preparados para os desafios do século XXI. O estudo demonstrou que, apesar da presença de tecnologias no cotidiano escolar, ainda há limitações em seu uso com foco na empregabilidade e desenvolvimento de competências profissionais.
Conclui-se que a integração efetiva da tecnologia exige uma revisão nos currículos, metodologias participativas, desenvolvimento docente e maior aproximação com o setor produtivo. Para estudos futuros, sugere-se investigar o impacto de metodologias como projetos integradores com base em tecnologias, e o uso de inteligência artificial no ensino técnico.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Brasília: MEC, 2018.
CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2003.
KENSKI, V. M. Tecnologias e ensino presencial e a distância. Campinas: Papirus, 2012.
LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
MORAN, J. M. Metodologias ativas para uma aprendizagem mais significativa. 2015.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996
¹Graduada em Pedagogia- IESFAC Pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior – Faculdade São Bento da Bahia. Mestranda em Educação com especialização em TIC – Universidad Europea Del Atlántico (Espanha).
²Licenciatura plena em Estudos Sociais com habilitação em História – UPIS. Pós-graduado em Docência do Ensino Superior – FACIBRA. Mestrando em Educação com especialização em TIC – Universidad Europea Del Atlántico (Espanha).
³Tecnóloga em Gestão de Pessoas pela Faculdade de Tecnologia de Alagoas. Pós-graduada em Tecnologias para Ensino Híbrido e EAD pela UNCISAL. Mestranda em Educação com especialização em TIC – Universidad Europea Del Atlántico (Espanha).
⁴Graduada em Pedagogia – UERJ. Pós-graduação em Psicopedagogia e Psicomotricidade – Faculdade São Luiz .Mestranda em Educação com especialização em TIC – Universidad Europea Del Atlántico (Espanha).
