O PAPEL DO ENFERMEIRO NO SAMU: DESAFIOS E COMPETÊNCIAS NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR

THE ROLE OF THE NURSE IN SAMU: CHALLENGES AND COMPETENCIES IN PRE-HOSPITAL CARE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202510222152


Guilherme Assis Paganini Pereira1
Heveraldo Junior Santana Buffon2
Luan dos Santos Nonato3


RESUMO

O presente estudo abordou o papel do enfermeiro no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), destacando suas competências, desafios e contribuições no atendimento pré-hospitalar. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura com abordagem qualitativa, que analisou publicações entre 2017 e 2022 nas bases BVS, LILACS, MEDLINE e BDENF. Os resultados evidenciaram que o enfermeiro exerce funções assistenciais, gerenciais, educativas e humanizadas, sendo responsável pela supervisão da equipe, administração de medicamentos, aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e liderança em situações de urgência e emergência. Entre os principais desafios encontrados estão a sobrecarga de trabalho, estresse ocupacional, falta de capacitação contínua, limitações estruturais e deficiências ergonômicas. Destaca-se também a importância da humanização e da ética na prática profissional, assegurando cuidado seguro e de qualidade. Conclui-se que o enfermeiro é essencial para a eficiência do SAMU, devendo possuir preparo técnico, equilíbrio emocional e constante atualização para garantir atendimento eficaz e humanizado às vítimas em situações críticas.

Palavras-chave: Enfermagem de Urgência. Atendimento Pré-Hospitalar. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

ABSTRACT

Study addressed the role of the nurse in the Mobile Emergency Care Service (SAMU), highlighting their skills, challenges, and contributions to pre-hospital care. It is an integrative literature review with a qualitative approach, analyzing publications from 2017 to 2022 in the BVS, LILACS, MEDLINE, and BDENF databases. The results showed that the nurse performs care, management, educational, and humanized functions, being responsible for team supervision, medication administration, implementation of the Nursing Care Systematization (SAE), and leadership in urgent and emergency situations. Among the main challenges found are work overload, occupational stress, lack of continuous training, structural limitations, and ergonomic deficiencies. The importance of humanization and ethics in professional practice is also emphasized, ensuring safe and quality care. It is concluded that the nurse is essential for the efficiency of SAMU, requiring technical preparation, emotional balance, and constant updating to ensure effective and humane care for victims in critical situations.

Keywords: Emergency Nursing. Pre-Hospital Care. Mobile Emergency Care Service (SAMU).

1.0 INTRODUÇÃO

A pesquisa não se estenderá a outros sistemas de atendimento pré-hospitalar, como o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) ou outras modalidades privadas de atendimento emergencial, nem abordará o atendimento hospitalar. Também serão excluídos aspectos relacionados exclusivamente à formação acadêmica do enfermeiro, focando-se apenas na prática profissional no cenário do SAMU-192. A análise se concentrará em contextos urbanos, onde o SAMU está estruturado e em operação, considerando as realidades de grandes centros urbanos e suas especificidades. A delimitação temporal será a atualidade, com ênfase nas mudanças recentes nas normativas e no fortalecimento das funções do enfermeiro no APH, de modo a compreender os avanços e os desafios mais recentes enfrentados por esses profissionais no Brasil.

Apesar da importância do enfermeiro como membro essencial da equipe no Atendimento Pré-Hospitalar (APH) móvel de urgência e emergência, a atuação desse profissional no Brasil ainda enfrenta desafios significativos, incluindo a limitação de sua autonomia e a falta de uma legislação unificada. Dessa forma, o problema de pesquisa deste estudo é: Quais são as atribuições do enfermeiro no Atendimento Pré-Hospitalar Móvel de urgência e emergência, e como sua atuação, considerando os desafios enfrentados e a autonomia limitada, contribui para a eficácia e qualidade do atendimento?

O objetivo deste estudo é analisar os aspectos organizacionais do Atendimento Pré-Hospitalar Móvel (APH móvel) e da Política Nacional de Atenção às Urgências, destacando a importância da estruturação da Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE) para garantir um atendimento eficaz, humanizado e integrado às vítimas de situações de urgência e emergência no Brasil. 

Para tanto, os objetivos específicos são: Identificar as principais competências técnicas e emocionais exigidas para o enfermeiro no contexto do SAMU; Analisar os desafios enfrentados pelos enfermeiros no atendimento pré-hospitalar, incluindo a gestão de recursos, a interação com a equipe e a pressão de tempo; Avaliar o impacto da atuação do enfermeiro no SAMU na qualidade do atendimento ao paciente e na eficiência do serviço; Investigar a formação e o preparo dos enfermeiros para lidar com situações de emergência e trauma no atendimento pré-hospitalar; Propor estratégias para melhorar a atuação do enfermeiro no SAMU, considerando aspectos técnicos, organizacionais e emocionais.

2.0 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 História do aph móvel

Hipócrates (400 a.C.) afirmou que o momento propício para a intervenção em situações críticas de saúde é fugaz, e qualquer atraso pode resultar em morte. Esse princípio destaca a importância do atendimento imediato como um fundamento essencial da medicina. De forma complementar, Galeno (129 d.C.) enfatizou que os médicos devem estar devidamente preparados, com equipamentos adequados, para lidar com situações de emergência (GRAU, 2015).

Farrington dedicou-se ao estudo da assistência em ambulâncias e colaborou no comitê que desenvolveu as bases dos SEM, incluindo a definição de equipamentos essenciais. Em 1957, ele também organizou o primeiro curso de treinamento pré-hospitalar em Chicago, voltado para o Corpo de Bombeiros, com foco no atendimento a vítimas de trauma. Este comitê identificou que as lesões resultantes de acidentes podem afetar todas as partes do corpo, variando de escoriações e contusões simples a lesões mais complexas, e que é fundamental realizar uma avaliação e abordagem primária eficaz antes do transporte (FRAGA, 2021).

No Brasil, a ideia de atender as vítimas no local do acidente remonta a 1893, quando o Senado da República aprovou uma lei que visava implementar o atendimento médico de urgência nas vias públicas da cidade do Rio de Janeiro, então capital do país. Em 1899, o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro passou a realizar esse atendimento, introduzindo a primeira ambulância no Brasil, com tração animal. No estado de São Paulo, o Decreto nº 395, de 7 de outubro de 1893, estabeleceu a responsabilidade de uma equipe médica para o atendimento de emergências. Em 1910, o Decreto nº 1392 determinou que a presença de médicos no local de acidentes ou incêndios fosse obrigatória (DIAS, 2016).

Em 1989, foi firmado um acordo entre o Brasil e a França, por meio do qual o Ministério da Saúde (MS) solicitou a implementação do SAMU no Brasil. A partir disso, diversas cidades brasileiras passaram a adotar esse serviço, incorporando o Suporte Avançado de Vida (SAV). Embora o SAMU brasileiro tenha sido estruturado com base nos protocolos franceses, a realidade do país, marcada pela escassez de recursos, impediu a adesão integral ao modelo francês. Dessa forma, o Brasil adotou uma combinação dos modelos francês e norte-americano, estabelecendo sistemas de APH em diversas regiões do país (BRANCO, 2019).

2.2 Política Nacional De Atenção Às Urgências E A Rede De Atenção Às Urgências E Emergências

O aumento da violência urbana, o crescente número de acidentes automobilísticos e as lacunas na assistência oferecida pela atenção básica têm intensificado a demanda pelos serviços de média e alta complexidade. A globalização e a urbanização resultaram em uma frequência crescente de acidentes de trânsito e lesões relacionadas à violência, o que tem gerado um aumento significativo de vítimas, muitas delas com condições graves. Além disso, observa-se um aumento de doenças crônicas, especialmente infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e doenças do sistema circulatório, que necessitam da intervenção do SAMU (DUARTE, 2020).

Em 2011, a Portaria nº 1.863/2003 foi reformulada pela Portaria nº 1.600, de 7 de junho, que estabelece a Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE), com o objetivo de proporcionar atendimento integral e humanizado aos indivíduos com condições de saúde em caráter urgente ou emergencial, seja agudo ou crônico. Esta rede é composta por vários componentes, incluindo: promoção, prevenção e vigilância em saúde; sala de estabilização nas unidades de saúde; UPAs 24 horas; Atenção Básica (AB); SAMU e central de regulação médica das urgências; área hospitalar; Atenção Domiciliar; e a Força Nacional de Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Esses componentes devem estar interconectados e regulados para garantir um atendimento eficaz às necessidades da população (TOBASE, 2017).

As condições agudas e crônicas devem ser atendidas por todas as unidades de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) e, conforme a gravidade do caso, encaminhadas para serviços de maior complexidade. Nesse sentido, a Rede de Atenção à Saúde (RAS) abrange não apenas a atenção básica, mas também a assistência às urgências, estruturando um sistema hierárquico de serviços que possibilita um atendimento integral às diferentes demandas da população. No âmbito da Rede de Urgência e Emergência (RUE), é adotado um modelo assistencial voltado às condições agudas, contemplando tanto os episódios súbitos quanto os eventos agudos decorrentes de doenças crônicas. Esse modelo busca garantir um atendimento ágil e eficaz, permitindo a identificação precoce da gravidade dos pacientes e proporcionando um cuidado direcionado e resolutivo (FREITAS et al., 2018).

Conforme estabelece a Portaria nº 2.048/2002, a Classificação de Risco deve ser conduzida por profissionais de nível superior, sendo médicos ou enfermeiros devidamente qualificados para essa atividade. Na prática, essa função tem sido desempenhada majoritariamente por enfermeiros, respaldados pela Resolução nº 423, de 11 de abril de 2012, do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). 

Adicionalmente, a estratificação dos casos por cores, conforme o Sistema de Triagem de Manchester, estabelece condutas específicas para determinadas condições clínicas, visando à estabilização dos pacientes. Entre essas condições estão cefaléia intensa, dor torácica, dor abdominal, hipertensão arterial, dispneia e dengue, que podem ser classificadas nas categorias vermelho, amarelo, verde e azul, conforme a gravidade do quadro clínico. Além disso, o protocolo inclui diretrizes para a abordagem de urgências odontológicas. A implantação da RUE em todo o território nacional é essencial para assegurar que os serviços estejam integrados, promovendo um atendimento rápido, equitativo e qualificado. Para isso, é fundamental conhecer a epidemiologia local e a densidade populacional, permitindo que os serviços sejam organizados de acordo com os perfis de morbidade predominantes, otimizando a alocação de recursos para as condições mais frequentes e de maior gravidade (FREITAS, 2018).

2.3 Organização Das Viaturas E O Serviço Do Samu 192

Segundo as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2002), as ambulâncias utilizadas no atendimento pré-hospitalar são designadas conforme a gravidade do caso e a necessidade específica de cada paciente. Esses veículos, empregados exclusivamente para o transporte de indivíduos em diferentes condições clínicas, podem ser terrestres, aquáticos ou aéreos. A normatização para o funcionamento dessas unidades móveis foi definida pela Portaria nº 814/GM, de 1º de junho de 2001, a qual estabelece os requisitos técnicos para o transporte seguro de pacientes. Conforme essa regulamentação, as ambulâncias são classificadas em seis categorias distintas: A, B, C, D, E e F.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) é acionado gratuitamente pelo telefone “192”, funcionando ininterruptamente, 24 horas por dia, em todos os dias da semana. O atendimento inicial ocorre via telefone, sendo essa modalidade caracterizada como telemedicina. Esse serviço é conduzido por uma equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, condutores e telefonistas auxiliares de regulação médica. Assim, ao realizar a chamada, o solicitante é primeiramente atendido por técnicos da Central de Regulação, que realizam uma triagem inicial, e posteriormente pelo médico regulador, responsável pelo diagnóstico situacional e pela classificação da demanda em diferentes níveis de gravidade: urgência, emergência ou não urgência. Com base nessa avaliação, o médico regulador determina a mobilização da unidade móvel mais adequada para a ocorrência, podendo ser uma Unidade de Suporte Básico (USB) ou uma Unidade de Suporte Avançado de Vida (SAV) (MARQUES et al., 2021).

A higienização das viaturas utilizadas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) representa um aspecto fundamental no controle de infecções, sendo um tema de relevância dentro da assistência pré-hospitalar. 

A pandemia da COVID-19, iniciada em 2019, reforçou a necessidade de intensificação dos protocolos de higienização das viaturas do SAMU. Segundo Guimarães et al. (2020), quando a Central de Regulação recebe um chamado referente a um caso suspeito ou confirmado de COVID-19, as equipes do atendimento pré-hospitalar devem ser informadas antes do deslocamento, possibilitando a adoção prévia de medidas de biossegurança e o uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPIs). Independentemente da confirmação do diagnóstico, todas as ocorrências devem ser abordadas com precauções rigorosas. Além disso, durante o transporte, recomenda-se manter as janelas da viatura abertas para favorecer a circulação do ar. Após o transporte de um paciente suspeito ou confirmado para COVID-19, a viatura deve passar por um processo de desinfecção, que varia de acordo com o tipo de procedimento realizado:

  • Limpeza concorrente: aplicada quando não há a geração de aerossóis durante o atendimento, utilizando desinfetantes como álcool 70%, hipoclorito de sódio ou outras soluções aprovadas pelas normas sanitárias.
  • Limpeza terminal: necessária quando há a produção de aerossóis, devendo ser utilizada uma solução desinfetante de alto nível, além da descontaminação do piso com detergente seguido de solução de cloro a 1%. Após a higienização, recomenda-se manter as janelas abertas para ventilação do ambiente.

Em hospitais de referência, pode ser estabelecida uma área exclusiva para a desinfecção terminal das viaturas, reduzindo a exposição dos profissionais aos agentes infecciosos. Cabe ressaltar que a responsabilidade pela limpeza e desinfecção dos veículos não deve ser atribuída exclusivamente ao enfermeiro, mas sim compartilhada entre todos os membros da equipe, garantindo um ambiente seguro para os profissionais e pacientes atendidos (GUIMARÃES et al., 2020).

2.4 Atuação E Competências Do Enfermeiro

A Resolução nº 375/2011 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) estabelece a obrigatoriedade da presença do enfermeiro no Atendimento Pré-Hospitalar (APH) e no transporte inter-hospitalar, independentemente do tipo de unidade móvel utilizada. Essa normativa determina que a assistência prestada por técnicos e auxiliares de enfermagem deve ser realizada sob a supervisão direta de um enfermeiro, garantindo a qualidade e a segurança do atendimento (DE MATTOS et al., 2018).

As competências do enfermeiro no contexto do APH deveriam ser amplamente abordadas durante a formação acadêmica. No entanto, os cursos de graduação em enfermagem geralmente priorizam uma formação generalista, não contemplando, de maneira aprofundada, os conhecimentos específicos necessários para cada área de atuação. Diante desse cenário, a inserção de acadêmicos de enfermagem em Estágios Supervisionados no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) poderia contribuir significativamente para a aquisição de conhecimentos técnico-científicos e para o desenvolvimento de habilidades práticas voltadas à assistência pré-hospitalar.

De acordo com a legislação vigente, cabe ao enfermeiro prestar assistência de forma sistematizada e estruturada, por meio da aplicação do Processo de Enfermagem, conforme disposto na Resolução COFEN nº 358/2009. Esse processo engloba etapas fundamentais para a organização do cuidado, permitindo uma abordagem individualizada e resolutiva no atendimento ao paciente (BRASIL, 2009).

ETAPASOBJETIVOS
COLETA DE DADOS DE ENFERMAGEMTrata-se de um procedimento estruturado, metódico e ininterrupto, baseado na aplicação de diferentes métodos e técnicas, com a finalidade de coletar e analisar informações acerca de indivíduos, grupos familiares ou comunidades, no contexto da dinâmica saúde-doença.
DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEMAnálise e organização dos dados obtidos, visando a tomada de decisão fundamentada e a escolha de estratégias ou intervenções apropriadas, com o propósito de solucionar os problemas identificados de maneira eficaz.
PLANEJAMENTO DE ENFERMAGEMEstabelecimento dos objetivos e das estratégias ou intervenções de enfermagem a serem implementadas, com base nas respostas apresentadas por indivíduos, famílias ou grupos sociais, conforme identificadas na etapa de Diagnóstico de Enfermagem.
IMPLEMENTAÇÃOExecução das estratégias ou intervenções previamente definidas na fase de Planejamento de Enfermagem, visando a implementação das condutas estabelecidas para a assistência ao paciente.
AVALIAÇÃO DE ENFERMAGEMAvaliação contínua e sistemática do impacto das ações ou intervenções de enfermagem, com o intuito de verificar se os objetivos estabelecidos foram alcançados. Esse processo também envolve a análise da necessidade de ajustes ou modificações nas fases do Processo de Enfermagem, garantindo a eficácia da assistência prestada.

Quadro 1: Etapas da Consulta/Processo de enfermagem no Atendimento Pré-hospitalar.
Fonte: DE ALMEIDA e ÁLVARES, 2019.

A Resolução nº 375/2011 do Conselho Federal de Enfermagem aborda a presença obrigatória do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar (APH) e inter-hospitalar em qualquer tipo de unidade móvel. De acordo com esta resolução, a assistência prestada por técnicos ou auxiliares de enfermagem deve ser supervisionada diretamente pelo enfermeiro, que é responsável pelo registro completo de todas as informações relevantes, incluindo os protocolos e as técnicas utilizadas pela equipe interdisciplinar. Esses dados devem ser devidamente anotados nas Fichas de Atendimento Sistematizado (FAS), que devem ser preenchidas de forma legível e sem erros, garantindo clareza e compreensão.

Além disso, a Portaria nº 2048/GM/2002 determina que o enfermeiro atuante no APH móvel tenha responsabilidades tanto técnicas quanto assistenciais, incluindo a supervisão e avaliação da equipe de enfermagem, a prestação de cuidados de enfermagem a pacientes em risco de vida e a oferta de treinamento contínuo para os profissionais da equipe no contexto de urgências e emergências. De acordo com Da Silva Calans e Pinheiro (2016), o enfermeiro também é encarregado de organizar e verificar o checklist, que contém informações sobre a checagem e reposição dos materiais essenciais na viatura, como kits de acesso venoso, equipamentos para vias aéreas e substâncias para infusão venosa.

A cadeia de sobrevivência segue um fluxo unidirecional que começa com o reconhecimento precoce da PCR e a prevenção das condições que possam levar à parada. O segundo elo envolve o acionamento imediato do SAMU. O terceiro elo é a realização de compressões torácicas de alta qualidade, que devem ser realizadas tanto por socorristas leigos quanto por profissionais do SAMU no local do evento. Quando a equipe de Suporte Avançado de Vida (SAV) chega, o enfermeiro desempenha diversas funções, como a administração de medicamentos por via venosa ou intra óssea, assistência nas compressões torácicas, aplicação de oxigenoterapia e, quando indicado, a realização de desfibrilação (quarto elo). A intubação endotraqueal é realizada pelo médico (AHA, 2020).

Além das intervenções clínicas, o enfermeiro também tem a responsabilidade de realizar a verificação e manutenção dos equipamentos essenciais, como monitores, desfibriladores, ventiladores mecânicos e oxímetros de pulso. A checagem do cilindro de oxigênio, verificando o volume disponível, assim como a inspeção e reposição de medicamentos e insumos na caixa organizadora (tipo “multi-box”), também faz parte de suas atribuições (DA SILVA CALANS e PINHEIRO, 2016).  Conforme especificado na Portaria nº 2048/02, as viaturas de suporte avançado devem estar equipadas com uma lista padronizada de materiais, conforme apresentado no Quadro anexo.

MATERIALCOMPONENTES
Materiais de comunicaçãoDispositivo de sinalização visual e sonora, bem como sistemas de comunicação via rádio, tanto em versões fixas quanto móveis.
MaquinárioVentilador mecânico portátil para transporte; oxímetro de pulso portátil, não invasivo; monitor cardioversor com autonomia de bateria e opção de alimentação elétrica; bomba de infusão com bateria e conjunto de tubos apropriado; incubadora para transporte neonatal com bateria e conexão à tomada do veículo (12 volts); conjunto de circuitos estéreis de respirador de reserva.
SuporteCama articulada com rodas; dois suportes para infusão intravenosa; cadeira de rodas compacta e dobrável; sistema portátil de fornecimento de oxigênio.
DispositivosCateteres vesicais; dispositivos coletores de urina; curativos para feridas e lesões, como eviscerações ou queimaduras; espátulas de madeira para exames clínicos; cateteres nasogástricos; eletrodos de uso único.
Equipamentos de proteção da equipeÓculos de proteção, máscaras de segurança, aventais descartáveis e luvas de uso médico.
Materiais cirúrgicosCampo cirúrgico estéril com abertura; frascos contendo antisséptico; pinças cirúrgicas; luvas estéreis; lâminas de bisturi para corte; tesouras cirúrgicas; pinças de Kocher.
ImobilizadoresKit de colares cervicais; prancha rígida para imobilização da coluna vertebral; dispositivos de imobilização (talas).
CobertorManta térmica ou filme reflexivo para manutenção da temperatura corporal.
Maleta de vias aéreasMáscaras laríngeas e cânulas endotraqueais em diferentes dimensões; cateteres para aspiração; adaptadores para cânulas; cateteres nasais; seringa de 20 ml; ressuscitador manual para adultos e crianças com reservatório; sondas para aspiração traqueal em variados tamanhos; luvas estéreis para procedimentos; máscara para ressuscitação manual (adulto e infantil); lidocaína em forma de gel e spray; cadarços para fixação de cânulas; laringoscópio para adultos e crianças, acompanhado de lâminas adequadas; estetoscópio; esfigmomanômetro para adultos e crianças; cânulas orofaríngeas para adultos e crianças; fios-guia para intubação; pinça de Magill; bisturi descartável; cânulas para traqueostomia; materiais para cricotireoidostomia; e conjunto para drenagem torácica.
Maleta de acesso venosoTala para imobilização do braço; luvas estéreis; recipiente com algodão embebido em antisséptico; pacotes de gaze estéril; esparadrapo; materiais para punção, incluindo agulhas metálicas, plásticas e específicas para punção óssea, em diferentes calibres; garrote; equipos de infusão para macro e microgotas; cateteres especializados para dissecção venosa, nos tamanhos adulto e infantil; cortadores de soro; equipos destinados a drogas fotossensíveis; equipo para administração em bombas de infusão com seringas de variados volumes; torneiras de três vias; equipo de infusão com conexão de três vias; frascos de solução salina (soro fisiológico), Ringer lactato e solução glicosada.
MedicamentosLidocaína sem adição de vasoconstritor; adrenalina, epinefrina, atropina; dopamina; aminofilina; dobutamina; hidrocortisona; solução de glicose a 50%; metoclopramida; dipirona; hioscina; dinitrato de isossorbitol; furosemida; amiodarona; lanatosídeo C; água destilada; soluções intravenosas (glicosada a 5%, salina a 0,9%, Ringer lactato); medicamentos psicotrópicos (hidantoína, meperidina, diazepam, midazolam); analgésicos e anestésicos (fentanil, ketamina, quelato de cálcio).

Quadro 2: Materiais essenciais na ambulância tipo D (Suporte Avançado de Vida).
Fonte: Adaptado de: BRASIL, 2002.

O enfermeiro, no contexto do Atendimento Pré-Hospitalar (APH), exerce funções gerenciais essenciais, incluindo a previsão, provisão, organização e controle de todos os recursos materiais necessários. Além disso, conforme Sousa et al (2020), o enfermeiro deve ser capacitado para desempenhar suas funções de forma eficaz, não apenas com conhecimento técnico-científico, mas também com habilidades práticas, agilidade e equilíbrio emocional. Isso se deve ao fato de que o APH envolve situações de alto risco e pacientes com condições graves, que exigem uma resposta rápida e eficiente, tanto do enfermeiro quanto de toda a equipe de saúde, garantindo um atendimento de qualidade e eficaz.

A equipe de APH deve participar regularmente de programas de capacitação, visando aprimorar a qualidade da gestão e dos cuidados prestados. Esses programas têm como objetivo aumentar a produtividade da equipe, atingir metas organizacionais e promover um bom relacionamento entre os profissionais de saúde e os pacientes. Portanto, as atividades de capacitação não apenas abordam questões técnicas, mas também são fundamentais para o desenvolvimento de competências em humanização, promovendo a formação de profissionais com habilidades de comunicação respeitosa, pensamento crítico e reflexivo (SOUSA et al., 2020).

2.5 Desafios Do Enfermeiro

Embora o Brasil tenha adotado o modelo francês de atendimento pré-hospitalar, focado na medicalização e nos procedimentos médicos para casos de maior complexidade, muitas vezes os serviços prestados pelo SAMU acontecem de maneira improvisada. Além disso, a formação dos profissionais que atuam nesse contexto frequentemente apresenta lacunas, segmentando o conhecimento essencial para a atuação no APH. Isso evidencia a necessidade de especialização na área de urgência e emergência, uma área que, na maioria das vezes, oferece um ensino predominantemente teórico, resultando em um simples certificado e escasso conhecimento prático (OLIVEIRA, 2020).

Nesse contexto, um dos principais desafios enfrentados pelo enfermeiro no APH está relacionado à insuficiência de programas de educação permanente. Segundo Oliveira e colaboradores (2020), a falta de capacitação para situações psiquiátricas é uma das lacunas existentes, visto que a equipe ainda tende a tratar esses casos como trauma ou distúrbio clínico, utilizando contenção física ou medicação como abordagens. Nesse cenário, o enfermeiro pode desenvolver receios devido ao comportamento agressivo de pacientes psiquiátricos em surtos, sentindo-se despreparado para lidar com essas situações. Outro problema identificado é a negligência no uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o que resulta em acidentes de trabalho. A principal causa desse erro é a formação inadequada, com uma falta de sensibilização sobre a importância do uso desses equipamentos durante as atividades assistenciais.

Além disso, diversas situações no ambiente de trabalho expõem o enfermeiro ao estresse ocupacional, especialmente devido à jornada de trabalho exaustiva, que pode variar de 44 a 60 horas semanais. Esse excesso de carga horária pode acarretar diversas consequências para a saúde do profissional, como alimentação desequilibrada, distúrbios do sono, sedentarismo, que contribui para doenças cardiovasculares, hipertensão e obesidade, além de distúrbios nervosos e digestivos. Todos esses fatores impactam diretamente nas relações familiares e sociais do profissional (DE ALMEIDA e ÁLVARES, 2019).

Em relação à ergonomia, a falta de adequação pode acarretar sérios prejuízos à saúde dos profissionais de enfermagem, especialmente no atendimento móvel. Esse problema pode levar ao afastamento do trabalho devido à incapacidade física, resultante de sobrecarga física, especialmente em situações de risco. A limitação de espaço físico nos ambientes de trabalho dificulta a realização de procedimentos, assim como o peso dos pacientes e dos cilindros de oxigênio, que podem ser fatores adicionais de risco. A ausência de treinamento adequado, combinado com essas condições, agrava ainda mais os riscos para a saúde dos profissionais, incluindo a possibilidade de lesões músculoesqueléticas (DE LIMA et al., 2021).

Os trotes telefônicos representam um desafio significativo, não apenas para os enfermeiros, mas para toda a equipe de atendimento pré-hospitalar (APH). Essas chamadas falsas acabam desviando recursos e profissionais que se preparam para um atendimento inexistente, comprometendo a disponibilidade da viatura e da equipe para atender a pacientes realmente necessitados. Esse tipo de ocorrência prejudica a resposta rápida em situações de emergência e gera um aumento do estresse entre os profissionais, além de causar danos à população que depende dos serviços de emergência (DA COSTA, 2020).

De acordo com Nascimento e Araújo (2017), os acidentes de trabalho são outro problema relevante para os profissionais de APH, dada a constante exposição a diversos riscos, como físicos (temperaturas extremas, radiações, ruído, iluminação inadequada), biológicos (contato com microrganismos), químicos (manipulação de medicamentos), psicossociais (fadiga, estresse, pressão por parte da chefia, turnos irregulares e necessidade de atenção constante) e ergonômicos (posturas inadequadas e sobrecarga física devido ao peso excessivo dos pacientes). A Norma Regulamentadora (NR)-09 também aborda esses riscos acidentais, como a falta de proteção em máquinas e equipamentos, a possibilidade de explosões ou incêndios, o uso de ferramentas inadequadas e a presença de animais peçonhentos, entre outros fatores de risco.

A Portaria SIT nº 194/2010, em conjunto com a Norma Regulamentadora NR-6, estabelece que é responsabilidade da instituição fornecer os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) aos profissionais, sem custos, e garantir que eles os utilizem corretamente, atendendo às exigências de conservação e uso adequado. No entanto, muitos profissionais demonstram resistência ao uso dos EPIs ou os utilizam de maneira inadequada, frequentemente alegando que o uso dos dispositivos dificulta a realização de alguns procedimentos, especialmente aqueles que exigem agilidade. A não utilização de óculos de proteção é uma das principais falhas observadas, expondo os profissionais a riscos de contaminação por fluidos nas mucosas ocular, nasal e oral (NASCIMENTO e ARAÚJO, 2017).

2.6 Ética E Humanização

Em 2003, foi estabelecida a Política Nacional de Humanização (PNH), também conhecida como Humaniza SUS, com o propósito de aprimorar a qualidade dos serviços de saúde, alinhando-se aos princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS), que são a universalidade, integralidade e equidade. A humanização, nesse contexto, consiste no respeito ao ser humano em todas as suas dimensões, reconhecendo e preservando sua individualidade. No entanto, no âmbito do atendimento de urgência e emergência, a aplicação efetiva desses princípios de humanização tem se mostrado insuficiente. Fatores como a alta demanda de serviços, a falta de comunicação eficiente, as deficiências estruturais e o comprometimento profissional têm sido apontados como obstáculos para a implementação plena da humanização nesse contexto (GUIDÃO e DE SOUZA, 2020).

O enfermeiro desempenha um papel crucial na promoção da humanização no atendimento de saúde, sendo o primeiro profissional a estabelecer contato com o paciente. Sua função envolve a escuta das queixas do paciente, proporcionando um atendimento digno e personalizado. Além disso, por meio de capacitações contínuas, o enfermeiro, em conjunto com a equipe multiprofissional, pode oferecer práticas educativas à comunidade, bem como às vítimas de acidentes, tanto aqueles ocorridos em ambientes externos quanto domiciliares (DE ANDRADE et al., 2021).

Além disso, existem lacunas significativas na formação acadêmica e nas especializações. A formação de nível superior, em muitas instituições, não oferece um ensino robusto sobre Saúde Mental, tratando o tema de forma fragmentada e restrita a uma única disciplina. Tal deficiência impacta negativamente a qualidade da assistência prestada pelos profissionais do SAMU. Uma solução potencial seria fortalecer a colaboração entre as Residências Terapêuticas (RT), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e a Atenção Primária à Saúde (APS), criando um modelo de Apoio Matricial que capacite profissionais generalistas e contribua para a redução da institucionalização dos pacientes (OLIVEIRA et al., 2020).

A humanização também está profundamente ligada à ética, que, quando combinada com o respeito, facilita a troca mútua e a liberdade de expressão dos sentimentos. De Araújo, De Araújo e De Carvalho (2011) afirmam que, ao prestar assistência, a equipe de saúde deve estar preparada para lidar com as crenças e valores diversos dos pacientes, sempre agindo com ética. O conceito de ética, originado do termo grego “ethos”, refere-se aos hábitos, modos de pensar e caráter. Nesse sentido, todas as profissões estabelecem códigos de ética que devem ser seguidos de forma consistente, orientando as condutas dos profissionais e assegurando a segurança tanto para os pacientes quanto para os próprios profissionais.

Outras disposições incluem o Art. 29, que proíbe a atuação com o intuito de antecipar a morte do paciente ou realizar eutanásia; o Art. 30, que trata da administração de medicamentos sem conhecimento adequado sobre seus efeitos e riscos; o Art. 31, que proíbe a prescrição de medicamentos ou a execução de atos cirúrgicos, exceto em casos de emergência; o Art. 33, que veda a execução de atividades fora da competência do profissional, salvo em situações de emergência; o Art. 34, que proíbe a cooperação, cumplicidade ou omissão em relação a qualquer tipo de violência; e o Art. 35, que proíbe a realização de registros de informações falsas ou incompletas sobre os atendimentos prestados (COFEN, 2017). O Código de Ética da Enfermagem fornece diretrizes essenciais para o exercício profissional, abordando tanto os direitos quanto às infrações e as penalidades correspondentes. Assim, é fundamental que os enfermeiros se familiarizem com as leis vigentes para garantir uma prática segura e ética, assegurando a qualidade da assistência prestada e a proteção da saúde pública (COFEN, 2017).

3.0 METODOLOGIA

O presente trabalho caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, de abordagem descritiva, cujo propósito consiste em reunir, organizar e analisar criticamente os achados de diferentes pesquisas voltadas a um tema específico. A revisão integrativa constitui-se em um método de investigação científica que possibilita a integração de múltiplos parâmetros na prática clínica, fundamentando-se em evidências consolidadas. Esse delineamento metodológico segue um percurso sistematizado, composto pelas seguintes etapas: delimitação do tema e elaboração da questão norteadora, definição de critérios de inclusão e exclusão para a seleção dos estudos, realização da busca em bases de dados, categorização e organização das produções encontradas, avaliação crítica do material selecionado, interpretação aprofundada dos resultados obtidos e, por fim, síntese e apresentação das evidências reunidas (DE SOUZA et al., 2017). Dessa maneira, essa modalidade de pesquisa contribui para o aperfeiçoamento das práticas em saúde, ao oferecer suporte à tomada de decisão fundamentada em conhecimento científico atualizado.

Para a construção do levantamento bibliográfico, foram consultadas diferentes bases de dados, dentre as quais a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), a Base de Dados de Enfermagem (BDENF), a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e o Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE). Os descritores utilizados foram obtidos na plataforma DeCS (http://decs.bvs.br/), selecionando-se os termos: “Socorro de urgência”, “Assistência pré-hospitalar” e “Enfermagem em emergência”, combinados por meio do operador booleano “AND”. Como critérios de inclusão, consideraram-se artigos publicados entre 2017 e junho de 2022, disponíveis integralmente e de forma gratuita, nos idiomas português, inglês e espanhol. Por outro lado, foram excluídos estudos incompletos ou restritos ao acesso pago, trabalhos em línguas diferentes das estabelecidas, publicações anteriores a 2017 e materiais de origem não científica, como blogs e sites pessoais de profissionais de saúde.

A busca inicial com os descritores definidos resultou em 1.011 publicações indexadas na BVS. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, o número foi reduzido para 175 artigos, distribuídos da seguinte forma: 82 na BDENF, 77 na MEDLINE, 67 na LILACS, 06 no IBECS, 01 na Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e 01 no Coleciona SUS. Todos os estudos foram submetidos a uma análise preliminar, com o intuito de identificar duplicidades entre as bases, o que resultou na eliminação de 59 registros repetidos. Os 175 artigos remanescentes foram então submetidos a uma triagem dos títulos, o que permitiu selecionar 89 publicações consideradas potencialmente relevantes para a temática investigada. Na sequência, procedeu-se à leitura e avaliação dos resumos, etapa que levou à exclusão de 41 estudos por não atenderem aos objetivos estabelecidos, restando, portanto, 48 publicações. A leitura integral desses trabalhos possibilitou verificar a adequação de cada um aos critérios da pesquisa, culminando na seleção final de 19 artigos, os quais foram utilizados para compor a presente revisão integrativa.

O processo de constituição do corpus deste estudo seguiu rigorosamente uma sequência metodológica estruturada, a fim de garantir consistência, qualidade e pertinência científica dos dados. A etapa inicial consistiu na busca bibliográfica em bases amplas e especializadas, como BVS, LILACS, MEDLINE, IBECS, BDENF, Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e Coleciona SUS, o que resultou em 1.011 estudos identificados. Posteriormente, realizou-se a etapa de triagem, com a remoção de artigos duplicados, reduzindo o número total para 175 publicações.

Na fase de seleção, foram analisados os títulos, o que possibilitou identificar 89 trabalhos com maior potencial de relevância. Em seguida, procedeu-se à etapa de elegibilidade, caracterizada pela leitura criteriosa dos resumos, que levou à exclusão de 41 publicações por não atenderem ao escopo do estudo. Com isso, restaram 48 artigos para análise completa. Por fim, a leitura integral das produções revelou que apenas 19 se encontravam alinhadas de forma consistente com a problemática e os objetivos desta pesquisa, sendo, portanto, considerados adequados para compor a base de discussão e a síntese de resultados apresentados neste estudo.

4.0 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Nesta seção são apresentados os resultados obtidos a partir da análise dos estudos incluídos na revisão. Para sistematizar as informações, elaborou-se a Quadro 1, que organiza os dados de acordo com autor e ano de publicação, título do artigo, objetivos, delineamento metodológico e periódico de veiculação. Esse procedimento tem como finalidade sintetizar as principais características metodológicas das produções científicas selecionadas, possibilitando uma compreensão mais ampla e comparativa do material analisado.

Autor e anoTítuloObjetivoMétodoRevista
01(MOREIRAet al.,2022).Entraves e desafios na atuação do enfermeiro nos serviços de urgência e emergência.Identificar os principais entraves e desafios enfrentados pelo enfermeiro atuante nos serviços de urgência e emergênciaRevisão NarrativaRevista de Pesquisa Cuidado é Fundamental.
02(FRANCKet al., 2021)Trauma em idosos socorridos pelo serviço de atendimento móvel de urgência.Descrever as ocorrências e os mecanismos de trauma em idosos socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.Estudo transversal.Acta Paulista de Enfermagem.
03(ZUCATTIet al.,2021).Característica s do atendimento prestado pelo serviço de atendimento móvel de urgência em diferentes regiões brasileiras.Caracterizar o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência às demandas dos usuários em diferentes municípios brasileiros.Estudo transversal com observação sistemática.Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental.
04(DA ROSA, et al., 2020).Percepções de enfermeiros acerca da atuação profissional no contexto do atendimento pré-hospitalar móvel.Conhecer a percepção do enfermeiro sobre a atuação da categoria profissional no serviço de atendimento pré-hospitalar móvel.Estudo exploratório- descritivo de caráter qualitativo.Revista Enfermagem em Foco.
05(DA SILVAet al.,2020).Concepções dos enfermeiros frente à utilização de protocolos de urgência psiquiátrica no atendimento pré-hospitalar móvel.Conhecer as concepções do enfermeiro frente à utilização de protocolos de urgência psiquiátrica no atendimento pré-hospitalar móvel.Estudo qualitativo, descritivo exploratório.Revista Enfermagem Uerj.
06(RIBEIRO, 2020).Assistência à Pessoa com Síndrome Coronário Agudo no Pré- Hospitalar.Analisar o tempo que decorre desde o primeiro pedido de socorro da pessoa com dor torácica até à chegada ao serviço de urgência.Estudo de investigação quantitativa, retrospectiva, descritiva e correlaciona l.Fundação Portuguesa de Cardiologia.
07(WENNBER et al., 2020).Avaliação da intensidade e manejo da dor antes da chegada ao hospital em pacientes com suspeita de fratura de quadril.Descrevera dor relatada em pacientes com suspeita de fratura de quadril em um ambiente pré- hospitalar.Estudo observacional.International Emergency Nursing.
08(DOS SANTOSet al.,2020).Acidentes com motocicletas: a ótica de enfermeiros do serviço de atendimento móvel de urgênciaConhecer a percepção dos enfermeiros sobre os acidentes motociclísticos atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Sobral.Estudo exploratório descritivo com abordagem qualitativaRevista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental
09(SOUSA et al., 2019).Humanização nos serviços de urgência e emergência: contribuições para o cuidado de enfermagem.Analisar as evidências das pesquisas realizadas sobre a humanização do atendimento de urgência e emergência, levando em consideração suas contribuições para a assistência de enfermagem.Revisão integrativa da literatura.Revista Gaúcha de Enfermagem.
10(HORA et al., 2019).Caracterização do atendimento do serviço de atendimento móvel de urgência (Samu) às emergências clínicas.Caracterizar os atendimentos clínicos realizados pelo SAMU de Salvador.Estudo descritivo, exploratório e transversal.Revista Mineira de Enfermagem.
11(NICOLAUet al.,2019).Implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência(SAMU).Identificar as limitações na implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência em RecifeEstudo descritivo, quantitativo, transversal, observacionalRevista de Pesquisa Cuidado é Fundamental.
12(MALVESTIO et al., 2019)Enfermagem em Práticas Avançadas no atendimento pré-hospitalar: Oportunidade de ampliação do acesso no Brasil.Analisar o cenário de implementação da EPA no atendimento pré-hospitalar (APH) como ferramenta de acesso ao cuidado de urgência no Brasil.Estudo exploratório, analítico, de revisão narrativa.Revista Enfermagem em Foco.
13(DEGANIet al.,2019).Atendimento pré-hospitalar móvel avançado de enfermagem para idosos pós-trauma: revisão integrativa.Identificar as evidências científicas disponíveis na literatura acerca das intervenções de enfermagem no atendimento pré-hospitalar móvel avançado para idosos pós- trauma.Revisão Integrativa da literatura.Revista Brasileira de Enfermagem.
14(DE OLIVEIRAet al.,2018).Dificuldades no atendimento às urgências e emergências psiquiátricas no serviço de atendimento móvel de urgência.Identificar as dificuldades existentes na implementação de uma assistência de emergência ao usuário em sofrimento psíquico no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).Pesquisa descritiva, exploratória e qualitativa.Revista Enfermagem em Foco.
15(SILVA et al., 2018).Ocorrências obstétricas atendidas pelo serviço de atendimento móvel de urgência.Descrever o perfil das ocorrências obstétricas atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.Estudo quantitativo, descritivo, exploratório, com dados retrospectivos.Revista de Enfermagem UFPE OnLine.
16(ARAÚJOet al.,2018).Avaliação da qualidade de vida dos profissionais de enfermagem do atendimento pré-hospitalarAvaliar a qualidade de vida da equipe de Enfermagem do atendimento pré-hospitalar.Estudo descritivo e transversal com abordagem quantitativaRevista Brasileira de Medicina do Trabalho
17(PIZZOLATO et al., 2018).Indicadores empíricos das necessidades humanas afetadas no atendimento pré-hospitalar móvel: pesquisa metodológica.Identificar e selecionar coletivamente os indicadores empíricos das Necessidades Humanas Básicas (NHB) no contexto do Atendimento Pré-Hospitalar Móvel (APHM).Pesquisa descritiva do tipo metodológica, com abordagem quantitativa.Revista Online Brazilian Journal of Nursing.
18(OLIVEIRA; DA SILVA, 2017).Saberes e práticas em urgências e emergências psiquiátricas.Identificar as dificuldades existentes na implementação de uma assistência de emergência ao usuário em sofrimento psiquiátrico no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).Estudo descritivo com abordagem qualitativa.Revista Enfermagem Uerj.
19TAVARESet al, 2017.O cotidiano dos enfermeiros que atuam no serviço de atendimento móvel de urgênciacompreender o cotidiano de trabalho dos enfermeiros que atuam no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.estudo de caso de abordagem qualitativaRevista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro

Quadro 3: Caracterização dos 19 artigos selecionados quanto ao autor e ano, título, objetivo, método e revista.
Fonte: Autor (2025).

Na análise da distribuição das publicações por periódicos, observou-se que a Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental concentrou 21% dos artigos incluídos, seguida pela Revista Enfermagem em Foco, com 15,7%. Quanto ao recorte temporal, os anos de 2019 e 2020 representaram conjuntamente 52,6% das produções selecionadas. No que se refere ao delineamento metodológico, verificou-se predominância dos estudos qualitativos de caráter descritivo-exploratório, que corresponderam a 31,5% do total. Os estudos quantitativos alcançaram 21%, enquanto as revisões integrativas da literatura representaram apenas 10,5%. Em relação ao local de desenvolvimento das pesquisas, 14 artigos abordaram realidades de diferentes regiões do Brasil, enquanto cinco estudos foram realizados em outros países, entre eles Estados Unidos, China, Portugal, Suécia e Holanda.

No estudo de Malvestio et al. (2019), foi evidenciado que a integração do enfermeiro à equipe médica resulta em melhores desfechos assistenciais quando comparada à atuação exclusiva do médico. No contexto de agravos agudos, a participação do enfermeiro demonstrou-se associada à redução do tempo de hospitalização e, consequentemente, à diminuição dos custos tanto para o sistema público quanto para os pacientes. No âmbito do atendimento pré-hospitalar móvel, destaca-se a necessidade de que o enfermeiro detenha competências técnico-científicas ampliadas. Experiências internacionais reforçam esse achado: na Suécia, a inclusão do enfermeiro nas equipes de APH promoveu avanços significativos na abordagem inicial do paciente, na avaliação clínica e na execução de procedimentos em campo. Na Holanda, a prática profissional é fortalecida por treinamentos contínuos e atuação guiada por protocolos desenvolvidos em conjunto com associações médicas e de enfermagem. Já em Los Angeles, nos Estados Unidos, o Corpo de Bombeiros conta com equipes formadas por enfermeiros, paramédicos ou bombeiros para atendimentos de menor complexidade, estratégia que otimizou a resolutividade, reduziu a sobrecarga dos serviços de emergência e aprimorou a qualidade assistencial. No Brasil, embora a atuação do enfermeiro esteja, em grande parte, restrita ao Suporte Avançado de Vida (SAV), Malvestio et al. (2019) destacam que a ampliação de sua participação também no Suporte Básico de Vida (SBV) poderia elevar a qualidade da assistência.

Moreira et al. (2022) reforçam que o enfermeiro emergencista, especialmente em serviços como o SAMU, assume atribuições diversificadas, atuando como líder em situações de baixa, média e alta complexidade, função viabilizada por sua formação acadêmica abrangente. O modelo de inserção do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar tem sido consolidado em diversos países desenvolvidos, como Estados Unidos e China, uma vez que contribui para reduzir a superlotação hospitalar, diminuir o tempo de espera e elevar a qualidade do cuidado por meio da aplicação de protocolos baseados em evidências.

Entretanto, os autores também apontam fatores que comprometem a atuação desse profissional, tais como baixa remuneração, desgaste físico e mental, distúrbios do sono e sobrecarga de trabalho. Tais condições favorecem a desmotivação, a queda de produtividade e até mesmo a ocorrência de erros relacionados à assistência, incluindo falhas em prescrições medicamentosas. Além disso, os estudos destacam limitações estruturais e logísticas no contexto norte-americano, como estradas em más condições, ausência de sinalização, escassez de equipamentos e insumos, bem como dificuldades relacionadas ao abastecimento de combustível. Esses entraves impactam negativamente não apenas o desempenho do enfermeiro, mas de toda a equipe de atendimento pré-hospitalar, que acaba por atuar em condições precárias (MOREIRA et al., 2022).

Ribeiro (2020), ao investigar o contexto português, descreve três funções centrais desempenhadas pelo enfermeiro no atendimento pré-hospitalar: (1) cuidado à pessoa e à família diante de condições clínicas complexas; (2) resposta imediata em situações emergenciais; e (3) prevenção, intervenção e manejo de infecções em cenários de urgência e emergência. O autor ressalta ainda que o enfermeiro deve reunir competências técnico-assistenciais, educativas, gerenciais, cognitivas e relacionais. A atuação desse profissional no APH deve estar fundamentada em evidências científicas, princípios éticos e legais, além de ser pautada por uma visão holística e humanizada, voltada tanto para a vítima quanto para sua família. Nesse sentido, o enfermeiro emerge como figura essencial para a qualificação do atendimento pré-hospitalar.

No estudo conduzido por Tavares et al. (2017), evidencia-se que o enfermeiro no contexto do atendimento pré-hospitalar atua de forma integrada tanto na assistência direta ao paciente quanto na gestão do serviço. Suas atribuições abrangem atividades administrativas, elaboração de protocolos internos, desenvolvimento de ações de ensino e pesquisa, liderança da equipe de enfermagem e de outros profissionais, mediação de conflitos e supervisão das práticas assistenciais. No campo gerencial, cabe ao enfermeiro o controle de insumos e medicamentos por meio de previsão e provisão, a gestão de recursos humanos, bem como o planejamento e a organização do fluxo de atendimento. Essas funções demandam sólida base técnico-científica e capacidade de liderança.

Na dimensão assistencial, o enfermeiro atua em conjunto com a equipe multiprofissional em procedimentos de reanimação e estabilização de pacientes em estado crítico. Contudo, para que essas intervenções sejam efetivas, faz-se necessário investimento contínuo em capacitações, treinamentos realísticos e atualização profissional, além de incentivo e valorização por parte da gestão. O fortalecimento da ergonomia no ambiente de trabalho, o estabelecimento de relações pautadas na confiança e no respeito entre a equipe e o reconhecimento profissional são elementos que favorecem a satisfação no trabalho, contribuem para o equilíbrio emocional e repercutem diretamente na qualidade da assistência prestada (TAVARES et al., 2017).

O estudo conduzido por Hora et al. (2019), desenvolvido em Salvador/BA, identificou que a maioria das ocorrências atendidas foi realizada por Unidades de Suporte Básico (USB), uma vez que essas são numericamente mais numerosas e, portanto, concentram o primeiro atendimento às vítimas. Observou-se, contudo, que as Unidades de Suporte Avançado (USA) utilizaram de forma restrita os recursos disponíveis, como oxigenoterapia, intubação orotraqueal, administração de fármacos e acesso venoso periférico. Tal situação pode ser explicada por diferentes fatores, entre eles: a baixa demanda de pacientes em condições críticas que necessitariam de procedimentos invasivos; a possibilidade de que as vítimas com maior gravidade não estivessem sendo direcionadas às USAs; ou ainda limitações na capacitação da equipe para execução de procedimentos de maior complexidade. Dessa forma, os chamados mais recorrentes estavam relacionados a intervenções iniciais, como a imobilização da vítima e o encaminhamento ao serviço de referência conforme a regulação médica, o que restringia a participação do enfermeiro da USA. Em contrapartida, às USB, compostas por técnico de enfermagem e condutor socorrista, apresentaram maior frequência de acionamentos.

Frank et al. (2021) corroboram essas observações ao abordar a atuação do enfermeiro no atendimento a situações traumáticas em idosos no contexto do APH, destacando o papel desse profissional na educação em saúde, no planejamento de estratégias de prevenção e na formulação de políticas públicas voltadas à redução de complicações e sequelas. Apesar disso, os autores não detalham especificamente a atuação do enfermeiro frente a traumas em idosos, embora ressaltem que a incidência de óbitos e internações desse grupo etário em decorrência de traumas tem crescido de forma significativa, chegando a 200% em capitais brasileiras de regiões centrais, evidenciando a necessidade de intervenções preventivas rápidas e programas voltados à saúde do idoso.

Complementando essa perspectiva, Degani et al. (2019) apontam que o enfermeiro desempenha múltiplas funções no atendimento pré-hospitalar, incluindo monitoramento de sinais vitais, administração de oxigênio e medicamentos, coleta de informações relacionadas ao mecanismo do trauma, controle de hemorragias, proteção da coluna cervical, avaliação neurológica, ventilatória e respiratória, além da inserção de dispositivos intravenosos. Os autores ressaltam ainda que, nesse contexto, a prioridade deve ser a manutenção da técnica asséptica, mesmo em situações que demandem celeridade. Assim, evidencia-se que a atuação do enfermeiro no APH é ampla e requer sólido conhecimento técnico-científico, com vistas à minimização de agravos à saúde e maximização da qualidade assistencial.

No que se refere às emergências psiquiátricas, Da Silva et al. (2020) relatam que o enfermeiro enfrenta limitações em sua prática, estando muitas vezes restrito à observação da cena, à abordagem verbal do paciente em crise, à realização de contenção mecânica ou farmacológica e à aferição de sinais vitais, quando autorizada por prescrição médica ou quando a situação clínica permite. Em diversos casos, os pacientes acabam sendo encaminhados diretamente a hospitais psiquiátricos. O estudo também aponta que os enfermeiros frequentemente se sentem despreparados e inseguros para manejar surtos psicóticos, sobretudo em função da imprevisibilidade, da agressividade e da violência potencial presentes nesses episódios. Ressalta-se, ainda, a importância de desenvolver habilidades comunicativas eficazes, capazes de promover vínculo, reduzir a ansiedade do paciente e evitar, sempre que possível, o uso da contenção física. Todavia, há carência de capacitação teórico-prática voltada especificamente à saúde mental no âmbito do atendimento pré-hospitalar.

De Oliveira et al. (2018), ao analisar a realidade do SAMU em Mossoró/RN, reforçam as dificuldades enfrentadas pelos enfermeiros, principalmente relacionadas à gestão, diante da ausência de integração da rede assistencial e da inexistência de fluxos de referência adequados. Além disso, os profissionais destacam a limitação de serviços especializados, como a ausência de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em funcionamento contínuo (24 horas). Tais lacunas estruturais resultam em uma assistência pouco resolutiva e de baixa efetividade. Os autores enfatizam que, diante dessas fragilidades, a prática do enfermeiro deve estar sustentada em conhecimento técnico-científico sólido, pensamento crítico, agilidade na tomada de decisão e abordagem humanizada, garantindo respeito e cuidado ao paciente em crise. Contudo, a ausência de políticas públicas eficazes e de integração da Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE) permanece como entrave relevante para a consolidação de uma assistência em saúde mental de qualidade no contexto do APH.

Oliveira (2017) destaca que os enfermeiros e demais profissionais de enfermagem atuantes no SAMU necessitam de capacitação contínua para o atendimento de urgências psiquiátricas, uma vez que a assistência não deve se restringir à contenção, mas também contemplar acolhimento humanizado e intervenções específicas. Para a efetividade dessas ações, é fundamental que os demais serviços integrados à Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE) atuem de maneira coordenada, de modo que a responsabilidade pelo atendimento não recaia exclusivamente sobre o SAMU. A adoção de estratégias preventivas, voltadas à antecipação e controle de crises psicóticas, constitui a abordagem mais adequada para reduzir acionamentos desnecessários e evitar a sobrecarga hospitalar. Ademais, a criação de protocolos claros e contextualizados é imprescindível para orientar os profissionais a atuarem de forma segura, consistente e alinhada à realidade do serviço.

Outro contexto de intervenção relevante no atendimento pré-hospitalar refere-se às ocorrências obstétricas. Silva et al. (2018) ressaltam que gestantes podem apresentar diversas intercorrências, como hemorragias, abortos, alterações pressóricas, hipoglicemia e condições de risco associadas à idade avançada, histórico de cesarianas e comorbidades crônicas. O estudo identificou que a maioria dos atendimentos realizados pelo SAMU às gestantes envolve sinais de trabalho de parto, incluindo perda de líquido amniótico, eliminação do tampão mucoso, sangramento vaginal, queixas de contrações uterinas e dor abdominal em região inferior. Diante disso, torna-se essencial que a equipe execute o transporte de forma ágil, assegurando atendimento qualificado, e que o enfermeiro possua conhecimento aprofundado sobre saúde materna, capacidade de identificar sinais e sintomas do trabalho de parto e domínio das práticas obstétricas pertinentes.

No estudo conduzido por Pizollato et al. (2018) na Unidade de Suporte Avançado (USA) do SAMU em Curitiba/PR, observou-se que a atuação do enfermeiro deve estar pautada em protocolos internacionais, com tomada de decisão estruturada conforme a avaliação criteriosa dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente, utilizando raciocínio clínico lógico e fundamentado. Complementarmente, Nicolau et al. (2019), em pesquisa realizada com enfermeiros da USA em Recife/PE, evidenciaram que a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é considerada por esses profissionais como uma ferramenta que facilita a organização e execução do cuidado. Entretanto, constatou-se que mais da metade dos enfermeiros não possui conhecimento integral da Resolução COFEN nº 358/2009, que regulamenta a SAE, evidenciando uma lacuna entre o conhecimento teórico e a prática profissional.

A Resolução COFEN nº 358/2009 estabelece que o enfermeiro deve implementar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) em todos os serviços de saúde, incluindo o contexto pré-hospitalar, como o SAMU. No estudo de Pizollato et al. (2018), observou-se que, entre as cinco fases do Processo de Enfermagem (PE), as etapas de “implementação” e “coleta de dados” foram as menos executadas pelos profissionais, enquanto a fase de “avaliação” predominou na prática assistencial. Essa discrepância evidencia lacunas no conhecimento teórico dos enfermeiros sobre a aplicação completa da SAE. Entre os fatores que limitam a execução do PE, destacam-se condições ambientais insalubres, que colocam a equipe em risco, e a falta de tempo, dificultando a realização sistemática das etapas.

O estudo reforça ainda que o enfermeiro desempenha funções tanto na gestão do serviço quanto na assistência direta ao paciente. A não aplicação da SAE compromete a atuação do profissional, uma vez que esse instrumento orienta a conduta clínica, aumenta a autonomia do enfermeiro e promove segurança e resolutividade no cuidado ao paciente (PIZOLLATO et al., 2018). Corroborando essa perspectiva, Dos Santos Júnior (2020) ressalta que a SAE é ferramenta essencial no atendimento pré-hospitalar, pois organiza a assistência, facilita a comunicação entre os membros da equipe e contribui para a redução de erros assistenciais. Dessa forma, o enfermeiro deve desenvolver suas atividades de forma estruturada, lógica e organizada, garantindo a efetividade do cuidado.

Araújo et al. (2018) discutem que os profissionais de enfermagem que atuam no SAMU do noroeste do Ceará frequentemente trabalham em setores críticos e jornadas prolongadas, o que resulta em estresse, desgaste físico e emocional, ansiedade e, em casos mais graves, depressão. Esses fatores impactam negativamente as relações interpessoais, a qualidade de vida e, consequentemente, a assistência prestada. O estudo ainda evidencia que turnos de 12 horas, especialmente os noturnos, afetam significativamente o bem-estar dos profissionais, apontando para a necessidade de avaliação contínua por parte da gestão e dos órgãos de saúde, com atenção à carga horária, conforme limites estabelecidos pelo COFEN, para o planejamento de estratégias que reduzam os efeitos negativos sobre os trabalhadores.

Conforme Dos Santos et al. (2020), o enfermeiro do atendimento pré-hospitalar deve atuar com visão holística, transcendente à prática assistencial imediata. Isso inclui participação na revisão de protocolos, elaboração e organização de materiais educativos e integração à equipe multidisciplinar em situações de acidentes e desastres. Nos acidentes de trânsito, as ocorrências mais frequentes envolvem fraturas, trauma craniano e lesões abdominais. O enfermeiro busca inicialmente estabilizar as funções vitais, realizando imobilização adequada, identificação dos fatores causais que provocaram o trauma e intervenções voltadas à preservação da vida. Entre as ações destacam-se o uso de prancha rígida, colar cervical e cintos, inserção de acessos venosos para reposição volêmica e administração de medicamentos, oxigenoterapia, curativos e manobras de reanimação cardiorrespiratória. Para garantir maior segurança e eficácia na assistência, a equipe aplica o protocolo ABCDE do PHTLS, que orienta a avaliação do paciente politraumatizado e organiza a abordagem de forma sistemática (DOS SANTOS et al., 2020).

No que se refere à humanização do atendimento pré-hospitalar, Sousa et al. (2019) ressaltam a relevância do enfermeiro na implementação da Política Nacional de Humanização (PNH) em situações de urgência e emergência, tanto no contexto pré-hospitalar quanto hospitalar. Contudo, a atuação voltada à humanização ainda é limitada devido à sobrecarga de atividades. Apesar dessas restrições, o enfermeiro contribui significativamente para a promoção de um cuidado humanizado, exercendo simultaneamente funções gerenciais e assistenciais, o que eleva a qualidade da assistência. Dessa forma, a abordagem humanizada deve ser incorporada de maneira aprofundada durante a formação profissional do enfermeiro, fortalecendo sua capacidade de oferecer cuidado ético, seguro e centrado no paciente.

5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao iniciar este estudo, observou-se que o enfermeiro inserido no Atendimento Pré-Hospitalar (APH) móvel desempenha múltiplas funções, evidenciando a necessidade de compreender detalhadamente sua atuação no contexto de urgência e emergência. Tal compreensão permite valorizar e fortalecer esta categoria profissional. Nesse sentido, o presente trabalho teve como objetivo geral analisar a atuação do enfermeiro no APH móvel de urgência e emergência. Os resultados indicam que esse objetivo foi plenamente alcançado, identificando-se diversas condutas desenvolvidas pelo enfermeiro nesse cenário.

Quanto aos objetivos específicos, verificou-se êxito na descrição das atribuições do enfermeiro como integrante da equipe de APH móvel, na identificação das dificuldades e desafios enfrentados no exercício profissional e na discussão sobre a relevância de sua atuação nesse contexto. Observou-se que as atividades do enfermeiro englobam assistência direta, gestão, liderança, educação continuada e práticas humanizadas. Contudo, a atuação ainda apresenta fragmentação e limitada autonomia, pois as práticas variam conforme a região do Brasil e o contexto internacional, sugerindo a necessidade de planejamento estratégico e adequação das funções de acordo com as demandas específicas de cada equipe e população atendida.

Além disso, constatou-se que o enfermeiro deve possuir conhecimentos técnico-científicos robustos e participar de treinamentos contínuos e atualizados, garantindo a prestação de cuidados de maior qualidade. Entre os principais desafios enfrentados, destacam-se fatores organizacionais e estruturais, como possível desinteresse da gestão, condições ergonômicas inadequadas, remuneração insuficiente, carga horária elevada e estresse ocupacional, impactando negativamente a saúde física e mental do profissional. Também foi enfatizada a importância da educação permanente, incluindo capacitações teórico-práticas realísticas e atenção especial à abordagem de pacientes em crise psicótica.

No que se refere à relevância do enfermeiro no APH móvel, destaca-se que este profissional deve assegurar assistência sistematizada, pautada em humanização e fundamentada em evidências científicas, contribuindo diretamente para a sobrevida e recuperação dos pacientes atendidos. Assim, evidencia-se a necessidade de ampliar o debate acerca da atuação do enfermeiro no APH, e este estudo contribuiu significativamente para o avanço desse conhecimento, promovendo reflexão crítica entre os profissionais, reorganização e estruturação dos serviços e maior integração com outras categorias da equipe, como técnicos de enfermagem, médicos e socorristas.

Apesar do crescente número de publicações científicas na área de enfermagem, ainda existem lacunas específicas quanto às atividades do enfermeiro no APH móvel, limitando a compreensão detalhada de suas atribuições. Nesse contexto, recomenda-se a continuidade de pesquisas sobre o tema, visando aprofundar a análise das funções legais e práticas do enfermeiro, aprimorar a assistência prestada e fortalecer o sistema de atendimento a urgências e emergências móveis no país, com enfoque particular no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

6.0 REFERÊNCIAS 

AHA. American Heart Association. Destaques das diretrizes de RCP e ACE: de 2020 da American Heart Association. Texas, 2020.

ARAÚJO, F. D. P.; BRITO, O. D.; LIMA, M. M. S.; NETO, N. M. G.; CAETANO, L. A.; BARROS, L.M. Avaliação da qualidade de vida dos profissionais de enfermagem do atendimento pré-hospitalar. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, v. 16, n. 3, p. 312-317, 2018.

BRANCO, Kleber Carneiro Castelo. Operacionalização e organização do sistema de atendimento pré-hospitalar (APH) no Exército Brasileiro: uma revisão da literatura. 2019. 44 f. Monografia – Escola Marechal Castello Branco. Escola De Comando e Estado-Maior Do Exército, Rio de Janeiro.

BRASIL, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do paciente em serviços de saúde: limpeza e desinfecção de superfícies. Brasília, 2012.

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1Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário – UNINASSAU, 2025.
E-mail: paganinig12@gmail.com

2Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário – UNINASSAU, 2025.
E-mail: junior.santana.cawboys@gmail.com

3Especialista em Unidade de Terapia Intensiva do Adulto.
E-mail: luannona81@gmail.com