INFLUENCE OF CORN-BRACHIARIA INTERCROPPING ON SOIL PRODUCTIVITY AND QUALITY
INFLUENCIA DEL CULTIVO INTERCALADO DE MAÍZ Y BRACHIARIA EN LA PRODUCTIVIDAD Y CALIDAD DEL SUELO
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511201447
Luiz Gabriel Macedo Rabelo1
Eduardo Henrique Baltrusch De Gois2
RESUMO
O consórcio milho-braquiária, nada mais é que um sistema onde as duas espécies compartilham do mesmo espaço de cultivo. O objetivo do uso deste consórcio é a produção de grãos e de pastagem simultaneamente, gerando diversos benefícios ao produtor rural, devido principalmente a implantação de duas culturas na mesma área. Em relação aos questionamentos levantados foram destacados os seguintes: 1 – Qual a influência deste consorciamento na produção de grãos de milho? 2 – Até aonde este consorciamento influência na produtividade da braquiária? 3 – Este consorciamento é benéfico ao solo a ponto de ser utilizado sempre? Esta pesquisa foi realizada com bases em artigos científicos, de estudos recentes e estratégias inovadoras. Assim, este trabalho abordou as seguintes temáticas: cultivo de capim braquiária, cultivo de milho, melhorias do solo com a adoção do consórcio milho-braquiária, dentre outros. Na pesquisa, como resultado temos que, o consórcio milho-braquiária, não é somente uma escolha inteligente, mas também sustentável para os sistemas agrícolas atuais. Pois, com a adoção desse consórcio, a produtividade do milho não é alterada, ou seja, com sua adoção, podemos ter tanto produção de grãos como de pastagem, sem que uma cultura prejudique a outra.
PALAVRAS-CHAVE: Milho (Zea mays); Braquiária; Melhoramento do solo; Consórcio Milho-Braquiária; Rotação de Culturas.
ABSTRACT
The corn-brachiaria intercropping system is simply a system where the two species share the same cultivation space. The objective of using this intercropping system is the simultaneous production of grains and pasture, generating several benefits for the rural producer, mainly due to the implementation of two crops in the same area. Regarding the questions raised, the following were highlighted: 1- What is the influence of this intercropping on corn grain production? 2- To what extent does this intercropping system influence brachiaria productivity? 3- Is this intercropping system beneficial to the soil to the point of being used consistently? This research was conducted based on scientific articles, recent studies, and innovative strategies. Thus, this work addressed the following themes: brachiaria grass cultivation, corn cultivation, soil improvements with the adoption of corn-brachiaria intercropping, among others. The research results show that corn-brachiaria intercropping is not only an intelligent choice but also a sustainable one for current agricultural systems. Because, with the adoption of this intercropping system, corn productivity is not altered, that is, with its adoption, we can have both grain and pasture production without one crop harming the other.
KEYWORDS: Corn (Zea mays); Brachiaria; Soil improvement; Corn-Brachiaria intercropping; Crop rotation.
RESUMEN
El sistema de cultivo intercalado de maíz y brachiaria consiste en que ambas especies comparten el mismo espacio de cultivo. El objetivo de este sistema es la producción simultánea de granos y pasto, lo que genera diversos beneficios para el productor rural, principalmente gracias a la implementación de dos cultivos en la misma área. En relación con las preguntas planteadas, se destacaron las siguientes: 1- ¿Cuál es la influencia de este cultivo intercalado en la producción de grano de maíz? 2- ¿En qué medida influye este sistema de cultivo intercalado en la productividad de la brachiaria? 3- ¿Es este sistema de cultivo intercalado beneficioso para el suelo hasta el punto de justificar su uso constante? Esta investigación se realizó con base en artículos científicos, estudios recientes y estrategias innovadoras. Por lo tanto, este trabajo abordó los siguientes temas: cultivo de brachiaria, cultivo de maíz, mejora del suelo mediante la adopción del cultivo intercalado de maíz y brachiaria, entre otros. Los resultados de la investigación demuestran que el cultivo intercalado de maíz y brachiaria no solo es una opción inteligente, sino también sostenible para los sistemas agrícolas actuales. Porque, con la adopción de este sistema de cultivo intercalado, la productividad del maíz no se ve afectada; es decir, con su adopción, podemos obtener tanto grano como pasto sin que un cultivo perjudique al otro.
PALABRAS CLAVE: Maíz (Zea mays); Brachiaria; Mejoramiento del suelo; Cultivo intercalado de maíz y brachiaria; Rotación de cultivos.
1 INTRODUÇÃO
O mundo moderno, onde as produções devem atender às demandas cada vez mais exigentes, seja em qual foi o setor, vem se mostrando promissor no que se refere a elaboração de tecnologias, pesquisas, testes, desenvolvimento e métodos que facilitem e/ou inovem as produções de maneira a aumentar a quantidade, competitividade, rentabilidade e qualidade da matéria prima, como no caso da agricultura e pecuária.
Neste contexto, nos deparamos com a tecnologia e método do milhobraquiária, que nada mais é que um sistema onde as duas espécies compartilham do mesmo espaço de plantio. O objetivo desta tecnologia é produzir o grão e a palha do milho, bem como a extração da palha e elaboração de pastos por parte da braquiária, ganhando tempo, espaço e reaproveitando as possibilidades de uma cultura para ser utilizada pela outra, atingindo assim, um nível de sustentabilidade satisfatório (Ceccon, 2013).
Este método faz parte de sistemas de integração conhecido como Integração Lavoura Pecuária (ILP) e teve o início de testes, estudos e pesquisas no advento dos anos 90, onde o desenvolvimento de culturas anuais consorciadas com forrageiras perenes se mostraram promissores nos resultados obtidos (Biomatrix, 2021). Despois do início, os estudos aprofundaram os testes onde se considerava o clima, nível de pluvial, tipo de solo, dentre outros. Em determinados estudos, os resultados positivos foram acima do esperado, pois este sistema melhorava a qualidade do solo da região, o que, até então, não se tinha como objeto de análise, mas que ganhou espaço nas pesquisas vindouras (Calonego, et. al., 2012).
Neste trabalho, buscar-se-á abordar o tema de forma geral, seguindo para um afunilamento e aprofundamento sobre como este sistema se dá e como sua produtividade se manifesta na qualidade do solo onde está inserido. Para isto, questionamentos serão elencados e irão nortear esta pesquisa, juntamente com os objetivos específicos e geral, e com uma metodologia voltada para a revisão literária que irá contribuir na obtenção de informações relevantes para a temática.
No que se refere aos questionamentos que guiarão este estudo, a problemática visará responder questões como: a) qual a influência deste sistema na produção de milho; b) até onde este sistema influencia a produtividade da braquiária? Tal sistema é benéfico ao solo a ponto de ser utilizado sempre?
Sabe-se que o tema se mostra de relevância e atual, uma vez que o Brasil, os solos onde se utiliza o plantio direto precisam de, pelo menos 12 toneladas de palha por ano e o consórcio de milho com braquiária pode ser a resposta e alternativa para que os resultados sejam alcançados.
Outro pressuposto que deve-se levar em conta, é que quanto mais culturas em um determinado terreno, maior que o nível de produtividade deste solo, ao mesmo tempo que se deve tomar cuidado e haver orientação para que o desgaste deste mesmo solo. Então, até onde a prática do consórcio milho-braquiária desgasta ou aumenta o nível de produtividade?
Assim esta pesquisa se torna viável, não apenas para futuros agrônomos, mas também para complementar outros estudos, sendo de interesse geral. Por todos estes cuidados a serem tomados, por todos os benefícios apresentados e por todas as questões elencadas sobre a temática é que esta pesquisa se justifica, podendo elucidar dúvidas e nos mostrar que o tem apode e deve ser aprofundados, inclusive pela sua propagação em solos brasileiros.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
Nesta pesquisa, a metodologia que norteará os estudos em busca de discussões e resultados será a revisão literária. Após a definição da metodologia, será definido o tema que serás abordado com vista a sanar ou minimizar problemas que se configuram como desafios na agricultura atual.
Com a temática definida, terá início a pesquisa e seleção de autores e obras que poderão contribuir na elaboração deste trabalho, assim, a ideia é levantar o máximo de informações, de preferência em livros ou artigos científicos a fim de evitar fontes não confiáveis.
Após a escolha das obras e autores, será analisado as informações contidas nestas obras e, em seguida, começará a fase de elaboração textual com as discussões e resultado obtidos após as pesquisas.
Seguindo um cronograma, temos:
1 – Escolha da metodologia;
2 – Escolha do tema;
3 – Escolha dos autores;
4 – Escolha das obras;
5 – Elaboração textual;
6 – Entrega do projeto;
7 – Retomada da produção textual (artigo);
8 – Análise e comparação de informações e ideias;
9 – Elaboração textual;
10 – Entrega do Artigo.
3 REFERENCIAL TEÓRICO
3.1 A Braquiária
A braquiária, também chamada de capim-braquiária (Brachiaria decumbens) se trata de uma planta perene, entouceirada, ereta ou decumbente, rizomatosa. Tendo como origem a África do Sul, esta planta se caracteriza por enraizamento nos nós inferiores quando em contato com o solo, além de ser densa-pubescente, possuir coloração verde-escura e medir entre 30 e 90 cm de altura (Caldas, 2018).
Segundo Kluthcouski et al. (2013, p. 131) “na pecuária, a Brachiaria foi introduzida na região Centro-Oeste a partir da década de 1960; em anos subsequentes outras espécies foram introduzidas, tais como a B. humidicola e a B. Brizantha”. Isso fez com que a pecuária nacional evoluísse rapidamente, alcançando o expressivo número de 80% das pastagens com a presença da braquiária, levando à profissionalização do setor e impulsionando a produção de proteína animal daquele que, até então, se mostrava como o maior rebanho comercial pastoril mundial (Kluthcouski et al., 2013).
Fechando, os autores complementam afirmando que
O grande diferencial da braquiária é o de persistir em condições de solos ácidos e com baixa fertilidade, dando a impressão de que, uma vez implantada, duraria “eternamente produtiva”, o que passou a fazer parte da cultura da maioria dos pecuaristas brasileiros. Outro ponto importante das braquiárias foi a convivência com espécies nativas perenes e com os cupins de monte, e não ser atacada por doenças ou pragas, exceto a cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta Stal) e percevejo-castanho (Scaptocoris castanea) (Kluthcouski et al., 2013, p. 132).
Com distribuição pontualmente tropical, esta forrageira é conhecida desde a década de 1950. Esta gramínea é fortemente em pastagens na América Tropical, sendo muito explorados na fase de cria, de recria e de engorda. De fácil adaptação a solos e climas, ocupa espaço cada vez mais relevante em todo o território nacional, uma vez que proporciona produções que atingem bons níveis de satisfação (Crispim; Branco, 2002).
A braquiária também tem como característica ser uma planta de ciclo curto e perene, podendo ser plantada em entrelinhas de 50 cm ou na técnica de lanço, e sua profundidade perfeita máxima é de 2 cm. O melhor período para plantação é na primavera e verão, estações chuvosas, mesmo possuindo fertilidade do solo média a alta. Pode chegar à 1,5m, crescendo em forma de touceira, com colmos de densa pilosidade, palatabilidade e boa digestibilidade e, assim, é muito empregada no pastoreio bovinos e produção de feno, auxiliando na desmama, na cria, na recria e na engorda (Crispim; Branco, 2002).
3.2 Benefícios gerais da Braquiária
A braquiária se mostra um agente rico em benefícios na pecuária e agricultura sustentável, com impactos positivos significativos também no solo e na produtividade geral (Maia; Severino, 2013). No que se refere a alimentação animal a braquiária é a principal pastagem do Brasil, uma vez que oferece forragem em grande quantidade e qualidade, inclusive em períodos de seca, além de possuir excelente valor nutricional. Outra vantagem é que muitas cultivares são resistentes ao pisoteio, sendo também adaptáveis a diferentes condições climáticas. Por fim, é importante ressaltar o fácil manejo e, em cultivares como a Marandu, resistência a pragas comuns, como a cigarrinha-das-pastagens (Maia; Severino, 2013).
No contexto do meio ambiente, a gramínea é condicionadora de solos, controla a erosão e melhora a estrutura do solo, além de atuar como reciclador de nutrientes e no aumento da matéria orgânica (Machado e Valle, 2011). Neste sentido, França Filho, Alves e Cabral Neto (2023, p. 12) compreendem que “a cobertura vegetal permanente proporcionada pela Braquiária também auxilia na redução do uso de insumos agrícolas, como herbicidas, ao suprimir o crescimento de plantas daninhas”.
Resumidamente, na agricultura as vantagens da braquiária passam por supressão de plantas daninhas, pode ser muito utilizada no plantio direto, possibilidade de integrar o ILP (Integração Lavoura-Pecuária) e auxiliar no controle de pragas e doenças sendo uma forrageira versátil que promove a sustentabilidade, aumenta a rentabilidade (Machado; Valle, 2011). Além disto, a braquiária se caracteriza por um sistema radicular profundo e agressivo que descompacta o solo e melhora sua estrutura física, favorecendo a infiltração de água e aumentando a retenção de umidade (Crusciol et al., 2022).
França Filho, Alves e Cabral Neto (2023) afirmam que, com relação à supressão de plantas daninhas
A Braquiária, ao competir por luz, água e nutrientes, inibe o crescimento de plantas daninhas, reduzindo a necessidade de herbicidas. Isso não apenas diminui os custos de produção, mas também contribui para a sustentabilidade do sistema, evitando a contaminação ambiental e a seleção de plantas daninhas resistentes (Alvarenga et al., 2023, p. 8 apud França Filho, Alves e Cabral Neto, 2023, p. 1).
A prática do consórcio entre milho e braquiária, especialmente no período de outono-inverno com a espécie Brachiaria ruziziensis, tem sido amplamente estudada devido aos seus benefícios dentro do Sistema de Plantio Direto. Essa técnica promove a cobertura contínua do solo, o que contribui significativamente para a conservação dos recursos naturais e o controle da erosão. Além disso, esse modelo de consorciação tem mostrado impactos positivos no desenvolvimento das culturas de soja e milho safrinha em sucessão, demonstrando ser uma estratégia eficaz para a sustentabilidade dos sistemas produtivos (Ceccon, 2013).
Sobre o pronto relevante que se trata do momento da implementação/semeadura do consórcio, Ceccon (2013) destaca que
A semeadura da braquiária pode ser realizada antes, durante ou depois da semeadura do milho. Quando antecipada e sem a supressão com herbicidas, a forrageira pode causar reduções significativas na produtividade do milho (…) Mesmo com menor produção de massa, quando comparado ao cultivo simultâneo, esta modalidade de consórcio é viável para a formação de cobertura do solo em SPD e, dependendo da região e das condições pluviométricas, é uma opção para produção de forragem como estratégia de suplementação animal no período de outonoprimavera (Ceccon et. al., 2013, p. 5).
Até aqui se vê autores contribuindo entre si para a pesquisa e seguindo a mesma linha de raciocínio, porém Freitas (2013) destaca que a plantação deste consórcio milho-braquiária, muitos outros arranjos no que se refere a semeadura podem ser adotados, para que influenciem de maneira positiva a fim de alcançar o sucesso desse sistema. É importante lembrar que quando a semeadura da braquiária se dá concomitantemente à do milho, a forrageira interfere podendo reduzir a produtividade de grãos, comprometendo receita utilizada pelo produtor para abater o custo do implante da pastagem (Garcia et al., 2012).
Nesta linha, Pereira et. al. (2015), em sua pesquisa, conclui que
O aumento da população de braquiária afeta negativamente os teores de nutrientes da folha de milho. O consórcio é viável, pois a redução da produtividade não foi superior a 8%, mesmo em maiores densidades de plantio e pode ser compensada pela maior produção da forrageira (Pereira et. al., 2015, p. 15).
Mesmo com tantas vantagens, há ainda preocupações em relação às pastagens de Braquiária como é o caso da degradação do solo, uma vez que esta pode ocorrer devido ao manejo inadequado. Para amenizar tais impactos, lança-se mão de novas práticas de manejo sustentável, como é o caso da integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e a adubação de pastagens, assim, se amplia a longevidade das pastagens, melhora a produtividade e reduz as emissões de gases de efeito estufa (Dias-Filho, 2023).
3.3 O Consórcio Milho / Braquiária
Mesmo com autores obtendo resultados negativos sobre o consórcio milhobraquiária, podemos citar Bovino, Gai e Piovesan (2022) que defende o sistema alegando que em seus estudos, concluiu que a produtividade de milho não foi afetada negativamente com o consórcio de diferentes populações, e destacou que houve certa diminuição na compactação do solo em todos os tratamentos experimentados.
Galafassi e Delgado (2025) afirmam que, após sua pesquisa, concluiu-se que
a integração do consórcio milho braquiária possui uma melhora significativa, pois além de ser um dos melhores tipos de consórcio, pois não ocorre a disputa por nutrientes na mesma época entre as duas culturas, a braquiária ainda ajuda na descompactação do solo, o aumento da CTC, tem capacidade de absorção dos nutrientes em camadas profundas, aumentar a produção de biomassa e não interferir significativamente na produção do milho, e ainda serve de pastagem para o gado no inverno pois é uma cultura mais rústica (Galafassi; Delgado, 2025, p. 3).
Os autores continuam, ao destacar que, nos últimos tempos o consórcio de culturas tem se mostrado mais forte e emergente, ganhando a atenção, porém a associação entre milho e braquiária vem se destacando pelo aproveitamento da área, desenvolvimento da biomassa e melhoramento da cobertura do solo. Esta técnica também é capaz de integrar diferentes formas, como produção de grãos, silagem e forragem, além de potencializar a produtividade da propriedade (Galafassi; Delgado, 2025).
Como encerramento, Galafassi e Delgado (2025, p. 9) apesar de todo cenário ser positivo, ainda há o que melhorar, uma vez que “os resultados obtidos com o consórcio não são uniformes, pois variam conforme o momento do plantio da braquiária, a densidade de semeadura utilizada e as condições edafoclimáticas de cada região”.
Neste sentido, podemos entender que apesar dos benefícios, o consórcio se depara com desafios para se tornar estratégico. O primeiro desafio é a própria produção de milho na presença da braquiária e possibilitar o maior crescimento dela após a colheita do milho (Villar, 2021). Como alternativa de enfrentamento, deve-se ajustar a população de braquiária com relação à população do milho (Villar, 2021).
Outro desafio deste consórcio envolve condições climáticas da região e a quantidade de palha que se produz pelo consórcio e também o período de tempo entre a dessecação e a semeadura da soja (Neumann e Santi, 2022).
Vilar (pág. 2, 2021) afirma que
O consórcio milho-braquiária muitas vezes é implantada de maneira inadequada, o que pode ocasionar perdas excessivas de rendimento na cultura do milho ou formação deficiente da pastagem. Perdas de produtividade da cultura podem ser observadas quando o estabelecimento da forrageira consorciada com o milho ocorre sob condições de competição entre elas, principalmente quando em semeadura simultânea (Vilar, 2021, p. 2).
Por outro lado, os benefícios superam toda e qualquer possibilidade de desafios e de pontos negativos envolvendo este consórcio. Assim, Bovino, Gai e Piovesan (2022, p.19) defendem que
A braquiária oferece vários benefícios para o solo além de fornecer alimento para animais. A Brachiaria ruziziensis é uma cultivar utilizada no consórcio com o milho, está cultivar tem se mostrado promissora em sua capacidade de descompactar o solo, aumentar níveis de matéria orgânica e produzir massa verde sem prejudicar a produtividade do milho (Bovino; Gai; Piovesan, 2022, p. 19).
Se tais benefícios se mostram relevantes, é porque se pode usar essa massa como pastagem para o gado, trazendo a intervenção como como cobertura de solo, ou até mesmo contribuindo com o Sistema Plantio Direto (SPD). Desta maneira, este consórcio de mostra benéfico na conservação de umidade do solo, auxilia na escassez das plantas daninhas e reduz a velocidade da água, minimizando a erosão (Galafassi; Delgado, 2025).
3.4 Pontos negativos
Se por um lado, temos o consórcio entre as gramíneas visto do ponto de vista positivo em tantas esferas, faz-se necessário dissertar também sobre seus riscos e pontos negativos, mesmo que não sejam tantos (Ceccon, pág. 6, 2011). O Autor alerta que
O primeiro desafio do consórcio é produzir grãos de milho na presença da braquiária e possibilitar o maior crescimento dela após a colheita do milho. Neste sentido, é necessário ajustar a população de braquiária à população do milho; porém se isso não for conseguido, a utilização de herbicidas específicos pode ser uma opção importante, a fim de evitar o crescimento excessivo da forrageira durante o desenvolvimento do milho safrinha (Ceccon, 2011, p. 6).
Ceccon, (2011, p. 7) ainda afirma que o “segundo desafio é mais complexo, pois envolve condições climáticas da região e operacionais na propriedade agrícola, de modo que para a dessecação da braquiária deve-se levar em conta a época de semeadura da soja, a quantidade de palha produzida pelo consórcio e o período de tempo entre a dessecação e a semeadura da soja”.
Nesta mesma linha, Richetti et al. (2018) já destacava os principais pontos negativos a serem gerenciados com maior atenção. O primeiro deles é o risco de competição por recursos, onde o milho e a braquiária travam uma disputa água, luz e nutrientes, especialmente nos primeiros 50 dias de desenvolvimento da cultura principal. Este cenário é mais intenso se as condições de deficiência hídrica (seca) se apresentarem, pois, a braquiária tem potencial para se desenvolver mais rapidamente que o milho e prejudicar o rendimento desta última (Richetti et al., 2018).
De acordo com Galafassi e Delgado (2025, p. 15) o produtor deve se preocupar também com a redução do potencial na produtividade do milho, pois, “se o manejo não for adequado (como o uso de densidades de semeadura da forrageira muito altas), pode ocorrer uma redução no rendimento de grãos do milho”. Os autores também descrevem que
O custo de implantação do sistema consorciado é maior do que o do cultivo solteiro de milho devido à necessidade de aquisição de sementes de braquiária e insumos adicionais, como herbicidas específicos. O sistema exige um manejo mais aprimorado e decisões operacionais precisas. O ajuste do momento correto da semeadura da braquiária e, posteriormente, da dessecação para a cultura sucessória (como a soja), é crucial e pode ser um desafio logístico, dependendo das condições climáticas (Galafassi; Delgado, 2025, p.15-16).
Embora o consórcio auxilie no controle de plantas daninhas quando falamos de longo prazo, é preciso dar atenção à fase inicial e, em determinados casos pode ser necessário uma segunda dose de aplicação de herbicida na braquiária a fim de evitar a competição excessiva e o custo mais elevado (Bovino; Gai; Piovesan, (2022).
Por fim, mas muito relevante, é preciso lembrar que o sucesso do consórcio depende muito de conhecimento técnico apurado, tanto por parte do agrônomo, quanto do produtor, principalmente no momento da escolha da cultivar de braquiária, sobre a taxa correta de semeadura, no método de implantação e no manejo fitossanitário (Bovino; Gai; Piovesan, 2022).
3.5 Benefícios do Consórcio para o Solo
Sobre os benefícios que este consórcio pode oferecer para o solo, França Filho, Alves e Braga Neto (2023, p. 18) discorrem que
O consórcio entre milho (Zea mays L.) e Braquiária (Brachiaria spp.) é uma prática agrícola sustentável que melhora a qualidade do solo, promove a retenção de umidade, e reduz a erosão. Além de auxiliar no controle de plantas daninhas e na redução de insumos, oferece vantagens econômicas, como menor custo de produção e maior rentabilidade com pastagens após a colheita do milho. Essa prática também contribui para a captura de carbono e a conservação da biodiversidade, alinhando-se aos princípios da agricultura sustentável (França Filho; Alves; Braga Neto, 2023, p. 18).
Neste mesmo contexto, a braquiária vem sendo estudada também pelo seu papel no sequestro de carbono no solo muito pela sua capacidade de acumular matéria orgânica, especialmente em sistemas integrados, já que a rotação de culturas e a incidência de árvores promovem um ambiente mais, equilibradamente, sustentável (Carvalho et al., 2023, p. 2). O autor ainda complementa afirmando que “esse fator tem sido destacado em estudos recentes como uma forma de mitigação das mudanças climáticas, aliando a produção agropecuária à preservação ambiental”.
Desta maneira, corroboram com tal análise França Filho, Alves e Braga Neto (2023, p. 3), ao firmarem que “o consórcio entre milho e Braquiária é uma prática agrícola que proporciona múltiplos benefícios para a sustentabilidade e eficiência na produção agrícola. Ao combinar essas culturas, melhora-se a qualidade do solo, aumenta-se a retenção de umidade e reduz-se a erosão”.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Quando confrontamos as ideias e pontos de vista dos autores aqui utilizados, vemos que pouco se discorda a respeito de como o consórcio milhobraquiária. Segundo Kluthcouski et al. (2013, p. 8) “na pecuária, a Brachiaria foi introduzida na região Centro-Oeste a partir da década de 1960; em anos subsequentes outras espécies foram introduzidas, tais como a B. humidicola e a B. Brizantha”. Complementando esta informação, é necessário destacar que, com distribuição pontualmente tropical, esta forrageira é conhecida desde a década de 1950. Esta gramínea é fortemente em pastagens na América Tropical, sendo muito explorados na fase de cria, de recria e de engorda. De fácil adaptação a solos e climas, ocupa espaço cada vez mais relevante em todo o território nacional, uma vez que proporciona produções que atingem bons níveis de satisfação (Crispim; Branco, 2002).
Uma vez presente na pecuária, agricultura e também no meio ambiente, esta gramínea presente na alimentação animal é a principal pastagem do Brasil, uma vez que oferece forragem em grande quantidade e qualidade tem cultivares resistentes ao pisoteio, sendo também adaptáveis a diferentes condições climáticas (Maia; Severino, 2013).
Aqui, o complemento vem de França Filho, Alves e Cabral Neto ( 2023, p. 5) compreendem que “a cobertura vegetal permanente proporcionada pela Braquiária também auxilia na redução do uso de insumos agrícolas, como herbicidas, ao suprimir o crescimento de plantas daninhas”.
Crusciol, et al. (2022) coloca o citado por França Filho, Alves e Cabral Neto (2023) como parâmetro, pois, na agricultura as vantagens da braquiária passam por supressão de plantas daninhas, além de poder ser muito utilizada no plantio direto, possibilidade de integrar o ILP (Integração Lavoura-Pecuária) e auxiliar no controle de pragas e doenças sendo uma forrageira versátil que promove a sustentabilidade, aumenta a rentabilidade, uma vez que possui um sistema radicular profundo e agressivo que descompacta o sol (Crusciol et al., 2022). Mesmo com desafios e pontos negativos como, por exemplo, a busca por produzir grãos de milho na presença da braquiária e o aumento utilização de herbicidas, caso não se consiga conter a forrageira (França Filho, Alves; Braga Neto, 2023).
Conforte explana Galafassi e Delgado (2025, p. 21), outro ponto interessante a ser observado é que o risco de competição por recursos, “o milho e a braquiária travam uma disputa água, luz e nutrientes, levando à potencial redução do potencial na produtividade do milho, é necessário atenção também com o manejo que, quando não adequado “pode ocorrer uma redução no rendimento de grãos do milho”
Mesmo com tantos pontos negativos, autores fazem questão de mostrar que o consórcio tem mais vantagens que desvantagens, como exposto por Caldas (pág. 10, 2018) apud Kluthcouski et al. (2013, p. 13) destacam que
Além de oferecer forragem aos rebanhos, os capins do gênero Brachiaria também contribuem para a estruturação do solo e, em consórcio com culturas agrícolas como milho e café, proporcionam mais sanidade ao solo e ganhos de produtividade das culturas. Mas, até a algum tempo atrás, era comum pensar que braquiária servia apenas para alimentar o gado. “O papel dela vai muito além desse. Ela proporciona um sinergismo na produção de grãos. O fato de o agricultor contar com a braquiária no sistema aumenta a sua produtividade de 5 a 10 sacos de grãos por hectare”. (Caldas, 2018, p. 10, apud Kluthcouski et al., 2013, p. 13).
Para fechar, destaca-se a análise França Filho, Alves e Braga Neto (2023, p. 7), ao firmarem que “o consórcio entre milho e Braquiária é uma prática agrícola que proporciona múltiplos benefícios para a sustentabilidade e eficiência na produção agrícola. Ao combinar essas culturas, melhora-se a qualidade do solo, aumenta-se a retenção de umidade e reduz-se a erosão”.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com este estudo, conclui-se que a adoção do consórcio milho-bráquiaria é vantajosa ao agricultor brasileiro, pois, traz diversos benefícios que superam os possíveis malefícios. Dessa forma, o cultivo do consórcio milho-bráquiaria proporciona a produção de grãos, silagem e forragem na mesma área, promovendo uma maior produtividade e lucratividade para o produtor rural.
Este sistema de consorciamento também proporciona a melhoria na qualidade, estruturação, sanidade e retenção de umidade do solo, redução nos processos erosivos, redução no uso de insumos agrícolas (principalmente herbicidas), gerando assim, uma redução nos custos de produção. Além de todos estes benefícios, temos ainda, uma maior fixação de gás carbônico por área e a conservação da biodiversidade, que são fatores primordiais para uma agricultura mais sustentável.
REFERÊNCIAS
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CALDAS, Juliana. Braquiária muito além da alimentação animal. 2018. Disponível em https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/31795514/braquiaria-muito-alem-da-alimentacao-animal. Acesso em 19 out. 2025.
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1Autor: Discente do Curso de Bacharelado em Agronomia da Faculdade Cristo Rei – FACCREI, de Cornélio Procópio. luizgabrielrabelo2@gmail.com
2Docente graduado em Agronomia pela UENP – Mestre em Engenharia Ambiental pela UTFPR e Doutor em Biotecnologia Aplicada a Agricultura, pela Universidade Paranaense. Atualmente é professor universitário na Faculdade Cristo Reis – FACCREI. E-mail: eduardo.gois@faccrei.edu.br
