INFLUÊNCIA DA BRACHIARIA NO CONSÓRCIO DO MILHO

INFLUENCE OF BHACHIARIA IN MAIZE INTERCROPPING

INFLUENCIA DE LA BRACHIARIA EM EL CONSOCIO DEL MAÍZ

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511061740


João Paulo Mendes Galafassi1
José Fernando de Oliveira Delgado2


RESUMO: 

A integração do sistema de consorciamento do milho braquiária teria influência na produtividade do milho, e na formação de palhada no Sistema Plantio Direto (SPD)? Nessas circunstâncias, a função desse estudo será por meio de revisão bibliográfica, como por meio do consórcio milho braquiária, podemos melhorar os aspectos do solo, e aumentar a produção de palhada. Por meio desta utilizei a ajuda do SciELO, Google Acadêmico, Teses e Dissertações sobre o tema, procurando sempre utilizar apenas as bases necessárias para preencher as lacunas literárias. Concluímos que, ao final dos estudos bibliográficos, a integração do consórcio milho braquiária possui uma melhora significativa, pois além de ser um dos melhores tipos de consórcio, pois não ocorre a disputa por nutrientes na mesma época entre as duas culturas, a braquiária ainda ajuda na descompactação do solo, o aumento da CTC, tem capacidade de absorção dos nutrientes em camadas profundas, aumentar a produção de biomassa e não interferir significativamente na produção do milho, e ainda serve de pastagem para o gado no inverno pois é uma cultura mais rústica.

Palavras-chave: Milho e braquiária em consórcio 1; Sistema plantio direto 2; Integração lavoura-pecuária 3.

ABSTRACT: 

The integration of the corn–Brachiaria intercropping system could influence corn productivity and straw formation in the No-Tillage System (NTS). In this context, the purpose of this study, through a literature review, is to analyze how the corn–Brachiaria intercropping can improve soil properties and increase straw production. For this purpose, I used SciELO, Google Scholar, theses, and dissertations related to the topic, always seeking to use only the necessary sources to fill the existing literature gaps. Based on the bibliographic studies, we concluded that the integration of corn– Brachiaria intercropping shows significant improvements, as it is one of the best types of intercropping systems. This is because there is no competition for nutrients at the same time between the two crops. Moreover, Brachiaria helps in soil decompaction, increases cation exchange capacity (CEC), absorbs nutrients from deeper soil layers, increases biomass production, does not significantly interfere with corn yield, and can still serve as pasture for cattle during the winter due to its rustic nature.. 

Keywords: Corn and Brachiaria intercropping 1; No-tillage system 2; Crop-livestock integration 3.

RESUMEN: 

La integración del sistema de consorcio maíz–braquiaria podría influir en la productividad del maíz y en la formación de rastrojo en el Sistema de Siembra Directa (SSD). En este contexto, la función de este estudio, a través de una revisión bibliográfica, es analizar cómo el consorcio maíz–braquiaria puede mejorar las propiedades del suelo y aumentar la producción de rastrojo. Para ello, se utilizaron fuentes como SciELO, Google Académico, tesis y disertaciones sobre el tema, buscando siempre emplear únicamente las bases necesarias para llenar los vacíos existentes en la literatura. Se concluyó, al final de los estudios bibliográficos, que la integración del consorcio maíz–braquiaria presenta una mejora significativa, ya que es uno de los mejores tipos de consorcio. Esto se debe a que no hay competencia por nutrientes en el mismo período entre los dos cultivos. Además, la braquiaria contribuye a la descompactación del suelo, al aumento de la capacidad de intercambio catiónico (CIC), a la absorción de nutrientes en capas profundas, al incremento de la producción de biomasa, no interfiere significativamente en la producción de maíz y puede servir como pastura para el ganado durante el invierno debido a su rusticidad.

Palabras clave: Consorcio maíz y braquiaria 1; Sistema de siembra directa 2; Integración agricultura-ganadería 3.

1 INTRODUÇÃO  

Este trabalho tem como tema a Integração Lavoura-Pecuária (ILP), com foco no consórcio de milho e Brachiaria ruziziensis. Estou atrás dos efeitos dessa prática na produtividade do milho e na formação de palhada dentro do Sistema Plantio Direto (SPD). A escolha do tema é importante no cenário atual porque se relaciona com a busca por alternativas mais sustentáveis de produção agrícola, especialmente em regiões que sofrem com a falta de chuva e a instabilidade do clima.

O foco para estudo está na importância que o consórcio pode ter na vida do agricultor, trazendo ganhos econômicos e ambientais. Por tanto, trata-se de um tema viável de ser pesquisado, uma vez que já existem outras informações disponíveis em trabalhos acadêmicos, revistas técnicas e documentos acessíveis em bases digitais. Portanto espero que este trabalho contribua para reunir conhecimentos relevantes que ajudem a ensinar práticas mais sustentáveis e eficientes no campo.

Utilmente o consórcio de culturas tem ganhado mais atenção, contudo a associação entre milho e braquiária. Essa prática vem mostrando melhorias como melhor aproveitamento da área, crescimento da biomassa e melhor cobertura do solo. Também permite integrar de diferentes formas, como a produção de grãos, silagem e forragem, melhorando a produtividade da propriedade.

Apesar disso, os resultados obtidos com o consórcio não são uniformes, pois variam conforme o momento do plantio da braquiária, a densidade de semeadura utilizada e as condições edafoclimáticas de cada região. Esses fatores tornam necessário entender de forma mais detalhada como a prática pode ser ajustada para garantir melhores resultados sem prejudicar a produtividade do milho.

A agricultura no Brasil foi marcada por modelos convencionais que usavam o cultivo isolado de culturas, geralmente sem pensar na conservação do solo e do meio ambiente. Com o tempo, a degradação das áreas e a baixa eficiência de manejo levaram à procura por novos manejos. Sendo assim o Sistema Plantio Direto e a Integração Lavoura-Pecuária começaram a ser usadas, revolucionando com a diversificação produtiva como estratégia fundamental para unir produtividade e preservação.

Mesmo com as melhoras significativas nesta área, ainda temos uma lacuna importante: são poucos os trabalhos que organizam de forma sistemática os efeitos do consórcio entre milho e Brachiaria em diferentes quantidades de semeadura. Essa falta de informações dificulta comparações entre pesquisas e deixa os agricultores sem informações confiáveis para o planejamento do manejo.

Então a pergunta que orienta esta pesquisa é: quais são os efeitos do consórcio entre milho e Brachiaria, sobre a produtividade do milho e a formação de palhada no Sistema Plantio Direto? O objetivo geral é avaliar a viabilidade desse consórcio, buscando compreender se ele pode realmente ajudar na boa produtividade com sustentabilidade no manejo agrícola.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 MILHO

A cultura do milho (Zea mays) teve sua origem no México, é uma cultura que vem sido produzida a milhares de anos, pois é uma planta que se adapta muito bem a qualquer tipo de solo e clima. É muito utilizada na alimentação animal, mas também é utilizada em muitos alimentos humanos, por seu alto valor nutricional (BARROS E CALADO, 2014).

O milho é o maior cultivar do mundo, ultrapassando todos os outros em questão de volume nas produções. Isso se dá pelo fato de ter muita utilidade em vários aspectos, tanto para afazer combustível, bebidas, alimentação tanto animal quanto humana. O milho é um dos maiores pilares na agricultura brasileira (CONTINI et al., 2018).

A vasta procura pelo produto teve aumento, por motivação do crescimento na criação de animais, pois pode ser utilizado para todos os tipos de raçoes disponíveis no mercado atualmente, no entanto, a produção excedeu a demanda do país, fazendo necessário entrarmos no comércio exterior, para que atingíssemos novos consumidores (CONTINI et al., 2018). O milho produzido no Brasil nos últimos anos passou a ser mais introduzido na safrinha (semeado no verão/outono) pois a produção da soja se fez mais rentável na primeira safra (semeado na primavera/verão). Definimos as áreas que serão introduzidas o milho safrinha, com base onde foi colhido a soja na safra anterior, devido o valor da soja ser mais lucrativo em cima do preço do milho (MIRANDA et al., 2011).

O milho é uma cultura muito adaptável ao ambiente implantado, mas a ambientação tem ligação direta com o manejo introduzido na planta (PALHARES, 2003). Observamos que o tempo de exposição da cultura a radiação solar e a temperatura adequada tem interferência significativa na produção (MUCHOW et al., 1990).

A temperatura é uma das principais características para o rendimento do grão, estudos apontam que temperaturas excessivas interferem no crescimento do milho, mas devido a radiação solar aumentar paralelamente com a temperatura, podendo não ter interferência no resultado final (MUCHOW et al., 1990). 

O milho tem uma função muito importante na produção de carne e leite no nosso país, um dos seus derivados é a silagem produzida e utilizada como o melhor e principal volumoso no sistema de alimentação animal, devido ao seu alto valor nutritivo, e por ser de fácil produção em larga escala, fazendo com que a produção da silagem seja mais propícia ao produtor (PASA e PASA, 2015)

A origem da silagem veio por meio da procura por massa verde na alimentação, mas com os eventuais propósitos de melhorar a produção vimos que, seria necessário a introdução do grão em meio a forragem, por ser melhor aproveitado que as outras partes da planta, pois o milho possui muita matéria seca, cerca de 30 a 35%, devido suas folhas e colmo (PASA e PASA, 2015)

2.2 BRAQUIÁRIA

No início da década de 60, começamos a utilizar essa nova gramínea nas pastagens do Brasil, tendo no início três espécies diferentes a decumbens, humidicola e brizantha. Com a implantação dessa nova gramínea no cenário da pecuária brasileira, a produção de carne tem um crescimento exponencial, mais de 75% das pastagens sendo de braquiária, devido a sua alta resistência aos mais diferentes e prejudicados solos do nosso país, e a potencial capacidade de se sobrepor na competição interespecífica com outros capins nativos (CECCON, et al. 2013).

 Mas a braquiária vem sendo introduzida em um novo cenário na agricultura brasileira, como planta de cobertura, devido a sua resistência elevada, suas raízes profundas capazes de proporcionar a descompactação do solo, e como proteção com sua cobertura verde. Sua capacidade de absorver nutrientes em camadas mais profundas que as outras culturas, a torna uma ótima captadora e fonte gradual de nutrientes. Com o potássio, a braquiária disponibiliza cerca de 40 kg há de K2O, somente na primeira camada (RESENDE, A. V. et al. 2021).

A braquiária mais comum nos dias de hoje é a brizantha. Tendo dois principais cultivares implantados ultimamente que são a Piatã e o Marandu. A Piatã tem, alta produção de forragem, boa capacidade de rebrota, persistência, resistência a cigarrinha, tolerância à seca, frio e fogo, resistência a solos com acúmulo de umidade e com fertilidade correta produz de oito a vinte toneladas de matéria seca por ano. Possui um crescimento ereto, e sua principal característica é sua inflorescência, é requisitada para todos os ruminantes e também para feno e silagem (DE ANDRADE e DE ASSIS. 2010)

A Marandu tem quase todas as características da Piatã, com exceção, de precisar de um solo bem drenado para seu cultivo. Dos 115 milhões de hectares de pastagem produzidos no Brasil, cerca de aproximadamente 51,6 milhões são de Marandu, enfatizando a afirmação da adesão desse cultivar no solo brasileiro (Embrapa Gado de Corte, 2015)

2.3 CONSÓRCIO MILHO BRAQUIÁRIA

O consórcio entre espécies foi criado para melhor aproveitar a área, dando início com o milho e o feijão, o consórcio seria a introdução de duas ou mais espécies em uma área ao mesmo tempo, fazendo-as conviverem juntas durante todo o ciclo, ou parte dele. Devido a necessidade de acelerar o trabalho e gastar menos, começaram a estudar a possibilidade de utilizar o mesmo implemento para implantar as duas culturas ao mesmo tempo, isso se deu origem na região Centro-oeste, com o milho safrinha (CECCON, 2008)

Nos dias atuais o consórcio tem sido utilizado para forragem de pastejo a formação de cobertura de solo, no entanto se for utilizar para pastagem, o aumento da população de braquiária deve ser elevado. No momento da implantação, pode ser feita de três formas diferentes, antes, durante ou depois da implantação do milho, mas o recomendado seria fazer a introdução simultânea das culturas, para reduzir o custo operacional. No entanto a incorporação da braquiária após o plantio do milho, deve ser feita em média duas semanas após a emergência do milho, fazendo com que a competição interespecífica seja reduzida. Mas se acaso quiser implantar a braquiária anterior ao milho deve ser feito o controle de crescimento com herbicidas, pois com ela tem uma emergência rápida que irá interferir na produção final do milho (CECCON et al., 2013).

A formação de palhada adequada é um dos principais desafios para a sustentabilidade do Sistema Plantio Direto (SPD). Para que o fornecimento de cobertura ao solo seja suficiente, é necessário o uso de gramíneas de grande porte em quantidades adequadas, além de manejos que atrasem a decomposição da palha, garantindo uma cobertura de solo por mais tempo (CECCON, 2013). Nesse contexto, o consórcio de culturas aparece como uma alternativa funcional, permitindo variações tanto na forma de plantio quanto na densidade populacional, o que pode influenciar diretamente na produtividade da cultura principal (FREITAS, 2013).

O cultivo consorciado exige atenção com à competição entre espécies. Quando são utilizadas plantas de diferentes aspectos, podemos ter inviabilidade produtiva por conta da disputa de recursos como água, luz e nutrientes, fenômeno conhecido como interferência ou competição interespecífica (VIDAL, 2010). Essa disputa acontece tanto entre plantas cultivadas quanto em plantas daninhas, representando um desafio adicional ao manejo agrícola (SILVA et al., 2007).

No caso específico do consórcio milho-braquiária a viabilidade favorece, pois, as duas espécies apresentarem necessidades nutricionais em períodos diferentes, diminuindo a procura por nutrientes (PORTES et al., 2000; JAKELAITIS et al., 2005). Mas as forrageiras podem interferir no estado nutricional da cultura de grãos ou de silagem, dependendo das condições edafoclimáticas, da fertilidade do solo e das práticas de manejo (VOLPE et al., 2008). Práticas como o revolvimento periódico do solo, por exemplo, podem prejudicar a matéria orgânica, a capacidade de troca catiônica e a disponibilidade de nutrientes, além de alterar a acidez do solo (DEMARIA et al., 1999).

Depois da colheita do milho a braquiária assume dupla função: pode servir como pastagem para o gado ou ser usada como formadora de palhada, protegendo o solo, melhorando a descompactação e aumentando a infiltração de água — aspectos fundamentais para o sucesso do SPD (ZANINE, 2006). Entre as espécies disponíveis, a Brachiaria ruziziensis tem se destacado em sistemas de Integração Lavoura Pecuária (ILP), por ter um rápido crescimento logo no início, à boa qualidade da forragem, à eficiência da cobertura do solo e à facilidade de manejo na sucessão com culturas como a soja (CECCON, 2007). Por sua produção de sementes mais uniforme favorece a dessecação, reduzindo a necessidade de herbicidas (TRECENTI, 2005).

Entretanto, para que os benefícios do consórcio sejam alcançados, é necessário que sejam seguidas recomendações técnicas de manejo e que tenha acompanhamento por um especialista (CECCON, 2011a). A compreensão da interação entre espécies no mesmo ambiente é importante para evitar que a competição por recursos prejudique o sistema (KLUTHCOUSKI; YOKOYAMA, 2003). A redução na produtividade do milho em sistemas consorciados está relacionada, sobretudo, ao grau de competição durante as fases cruciais do desenvolvimento da cultura, especialmente quanto à interceptação da luz solar e sua conversão em fotoassimilados (BRAMBILLA et al., 2009). Além dos raios solares, fatores como disponibilidade de água e nutrientes também podem diminuir o desenvolvimento, dependendo do espaçamento, da densidade populacional e do manejo utilizado (STRIEDER et al., 2008).

As possibilidades de plantio no consórcio milho-braquiária são muitas e devem ser escolhidas de acordo com os objetivos do produtor. Entre as opções estão o plantio em linhas alternadas, que diminui a competição e mantém a produtividade das duas culturas; a semeadura da forrageira junto à linha do fertilizante; o plantio em área total antes do milho; ou ainda a introdução da forrageira quando o milho está nos estágios V3-V4. Cada possibilidade apresenta vantagens e desvantagens, mas todas buscam juntar a produtividade do milho com a formação de palhada e a sobra de forragem (CECCON et al., 2013).

A fundamentação teórica indica que o consórcio milho-braquiária é uma prática para aumentar a produção de biomassa, manter a cobertura do solo e contribuir para a sustentabilidade do SPD. Mas seus efeitos sobre a produtividade do milho variam de acordo com o manejo e as condições ambientais. Assim, este estudo adota como categorias de análise três indicadores principais: produtividade do milho, quantidade e qualidade da biomassa gerada e melhorias nas propriedades do solo.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

A metodologia de estudo para este trabalho foi por meio de uma revisão bibliográfica, com o propósito de identificar e interpretar evidências científicas sobre o consórcio entre milho e Brachiaria ruziziensis no contexto do Sistema Plantio Direto (SPD). Para esta pesquisa foram consultadas as bases SciELO, Google Acadêmico, Teses e Dissertações sobre o tema, adotando como palavras-chave “milho e braquiária em consórcio”, “sistema plantio direto” e “integração lavoura-pecuária”, considerando publicações entre 2005 e 2025. Os materiais selecionados (artigos científicos, dissertações, teses e documentos técnicos) foram analisados de forma descritiva-interpretativa e classificados segundo temas de relevância agronômica – produtividade do milho, produção de biomassa, qualidade de palhada, e benefícios ao solo – permitindo avaliar convergências, divergências e lacunas existentes na literatura, com vistas a subsidiar reflexões e direcionar pesquisas futuras nestas áreas.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Em estudos práticos identificamos que o consórcio de milho Brachiaria ruziziensis tem um espaço nos manejos atuais. Como podemos ver na tabela 1, que mostra com a produção do milho não se altera mesmo com a adição da braquiária, convivendo de forma harmônica sem diminuir a produção do milho. Sendo assim podemos afirmar que o produtor não precisa ter preocupação com a produção do milho – pois isso não acontece de forma relevante.

Figura 1: Altura das forrageiras

Fonte: Neumann; Jonas (2022).

Após estudos sobre trabalhos selecionados sobre o consórcio entre milho e forrageiras, vimos que o ponto principal destacado em todos os estudos tinha sido a altura da forrageira. Determinando então que os cultivares de Brachiaria brizantha tem como hábito um desenvolvimento inicial mais elevado levando em consideração o desenvolvimento do Panicum maximum cv. BRS Tamani, tendo em vista que o próprio tende a ser de menor porte, conforme indicado pela Embrapa Gado de Corte (2015). Destacando como assim dito pelos autores Costa (2011) e Macedo e Zimmer (1993), que o cultivar Piatã tem como potencial superar alturas maiores que 0,80 m, sem ser prejudicado pela cultura do milho, afirmando que está propriedade da planta tende a ser mais relacionada ao seu genótipo do que ao sistema de cultivo.

Ao avaliarmos a produtividade de massa seca e massa verde das forrageiras, podemos ver que as análises das densidades de semeadura que foram analisadas separadamente, não acarretam a nenhuma diferença significativa. No entanto, as alterações na forma de plantio podem promover algumas diferenças. Costa (2011) afirmou que semeadura em duas linhas na entrelinha do milho ou a lanço obtiveram resultados diferentes, tendo em vista que a semeadura espacial possui uma resposta melhor do que somente o aumento da população. Paris et al. (2011) apresentou resultados que ultrapassaram a marca de 2.500 kg ha de massa seca, no entanto temos outros estudos com valores de produtividade muito menores, enfatizando assim que o manejo, o ambiente, sistema adotado são fatores cruciais para o desenvolvimento das forrageiras.

Como podemos observar na Tabela 2, a massa seca gerada é significativamente melhor. Para produtores que tem o objetivo de Integração Lavoura Pecuária (ILP), esses valores são de extrema importância, tendo em vista que podemos usar como pastagem para o gado, cobertura de solo e até mesmo para uma base de sistema contínuo de produção. A forma em que a braquiária se desenvolve após a colheita do milho é o que torna o sistema mais eficiente a longo prazo.

Figura 2: Produtividade de massa das forrageiras

 Fonte: Neumann; Jonas (2022).

A maioria dos autores afirmam que o consórcio de milho com braquiária não possui uma queda significativa na produtividade da cultura. Estudos como de Ceccon (2008), Kluthcouski et al. (2000) e Mendonça (2012) mostraram a estabilidade do desempenho produtivo do milho, tanto em massa verde quanto em grãos para silagem, juntamente ao consórcio com a braquiária, afirmando assim que mesmo com as duas culturas disputando espaço, a produtividade do milho não possui redução significativa. Esta colocação é afirmada até mesmo pelos autores Portes et al., (2000); Jakelaitis et al., (2005) que disseram que o milho-braquiária é um dos melhores consórcios pois a disputa por nutrientes não ocorre com frequência, por conta de as duas culturas terem necessidades nutricionais em momentos distintos.

Tendo em vista as duas utilidades da braquiária após a colheita do milho como dito pelos autores Ceccon (2007),  Trecenti (2005) e Zanine (2006), ela serve tanto para pastagem de todos os ruminantes, pois tem um crescimento rápido inicia e uma rusticidade natural, ela também servirá como cobertura de solo por ter uma boa formação de palhada, sendo assim melhorando a descompactação do solo e aumentando a infiltração, facilitando assim a sucessão de cultura como a da soja, por ter uma necessidade de herbicida para controle de crescimento menor.

Quando analisamos a soma da biomassa gerada, estudando a Tabela 3, podemos destacar que o sistema de consórcio produz um maior volume de palhada do que somente o milho solteiro. Sendo fundamental para o Sistema Plantio Direto (SPD). Com a palhada adicional podemos proteger o solo, conservar melhor a umidade, reduzir o crescimento das plantas daninhas e melhorar a microbiota do solo. Sendo assim, nós não apenas aumentamos a produção de massa, mas também seremos mais sustentáveis dentro da mesma área com a cultura principal.

Figura 3: Produção de matéria verde do milho.

Fonte: Neumann; Jonas (2022).

Por tanto como vimos nos estudos analisados, podemos concluir que o consórcio milho-braquiária é sim um manejo funcional e necessário para a agricultura, tendo em vista seu rendimento de biomassa extra sem diminuir a produtividade do milho. E se o objetivo do manejo é aumentar a formação de palhada, a tomada de decisão de qual a cultivar e a forma de semeadura utilizar se torna uma das principais características para melhorar o desempenho do consórcio e fortalecer a base para um sistema conservacionista, como o Sistema Plantio Direto.

E se o seu objetivo for a produção de silagem a brachiária também é uma ótima opção, pois após a colheita do milho, será a única proteção e conservação dos microrganismos e a umidade, conseguindo abafar os raios solares do banco de sementes de plantas daninhas no solo, diminuindo ainda mais a necessidade do uso de herbicidas para a próxima safra, um dos maiores cuidado que devemos nos preocupar é com a quantidade da população das culturas para não afetar a produção de grãos para a silagem.

Depois de todos os estudos, podemos afirmar que o milho braquiária não é somente mais uma forma de manejo, é uma tomada de decisão inteligente para a produção. Com esse método, não perdemos a produção do milho, e sim ganhamos mais biomassa podendo virar pastagem ou palhada, e fortalecendo o SPD, que é a base da cultura conservacionista no Brasil. Com uma boa escolha dos cultivares, o consórcio funciona e ainda melhora todos os outros aspectos do sistema.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após todos esses estudos, podemos afirmar que o consórcio milho braquiária não é somente uma escolha inteligente, mas também sustentável para os sistemas da agricultura atual. Mostrando que a produção do milho não se altera diante da adição da braquiária, e isso é um ponto crucial, pois mostramos aos produtores que não precisamos ficar com medo de perdermos a produção de grãos e nem em ficar sem palhada para a proteção do solo, com o consórcio podemos ter tanto grãos como palhada ao mesmo tempo.

Ainda mais vendo, que o aumento da produção de biomassa nos proporciona benefícios diretos e indiretos. Podendo usar essa massa como pastagem para o gado, podendo servir como cobertura de solo, ou até mesmo contribuindo com o Sistema Plantio Direto (SPD), tendo benefícios como conservação de umidade do solo, menor produção de plantas daninhas e reduzindo a velocidade da água na área para não ocorrer erosão. Sendo assim melhorando a eficiência do sistema como um todo, gerando resultados significativos na mesma área.

Podendo assim, afirmar que o consórcio de milho braquiária é uma alternativa funcional, aplicável e vantajosa para a agricultura moderna. Quando bem estudado e executado com o manejo correto, ele mostra produtividade, sustentabilidade e maior estabilidade para o sistema de produção. Dessa maneira, o consórcio se valida como uma estratégia que atribui valor, melhora o desempenho do solo, fortalece SPD e oferece ao produtor uma forma de integrar a intensificação sustentável na sua área.

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1Dicente do curso de Agronomia na Faculdade Cristo Rei de Cornélio Procópio – PR
2Docente do curso de Agronomia na Faculdade Cristo Rei de Cornélio Procópio – PR