REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202512092109
Matheus Henrique Barbosa Martins
Calixto Tadashi Iamaguti
Orientador : Esp. Mateus Fernandes Matos
RESUMO
A cultura do trigo (Triticum spp.) teve grande importância no cenário agrícola brasileiro, embora o país ainda dependesse de importações para suprir sua demanda, enfrentando desafios como estresses abióticos e pragas que comprometiam a produtividade. Este estudo avaliou os efeitos de diferentes doses do bioestimulante à base de Ascophyllum nodosum no desenvolvimento morfológico inicial do trigo, com foco em parâmetros como comprimento da parte aérea, sistema radicular e biomassa fresca e seca das plântulas. O experimento foi conduzido entre janeiro e março de 2025, em São Gotardo, MG, utilizando vasos com solo Latossolo Vermelho Distrófico e delineamento em blocos casualizados com seis tratamentos e quatro repetições. As doses variaram de 0 a 10 mL/kg de semente, aplicadas diretamente nas sementes antes da semeadura. Durante o desenvolvimento, as plântulas foram irrigadas de forma controlada e avaliadas quanto ao crescimento das raízes e hastes, além da biomassa acumulada, medida por peso fresco e seco após secagem em estufa. A análise estatística revelou que a aplicação do extrato promoveu efeitos positivos significativos, com diferenças estatisticamente confiáveis entre as doses para todos os parâmetros avaliados. Os modelos de regressão indicaram que as doses até 6 mL/kg estimularam o crescimento vegetativo de forma mais eficaz, refletindo aumento expressivo no comprimento da parte aérea, desenvolvimento radicular e acúmulo de biomassa. Esses resultados confirmaram o potencial agronômico do Ascophyllum nodosum para melhorar o vigor inicial do trigo, corroborando estudos anteriores que destacaram os benefícios dos bioestimulantes à base de algas marinhas na agricultura sustentável.
Palavras-chave: Doses; Hormônios; Morfológico; Trigo.
ABSTRACT
The wheat crop (Triticum spp.) played a significant role in the Brazilian agricultural scenario, although the country still relied on imports to meet its demand, facing challenges such as abiotic stresses and pests that compromised productivity. This study evaluated the effects of different doses of the bio-stimulant based on Ascophyllum nodosum on the initial morphological development of wheat, focusing on parameters such as aerial part length, root system, and fresh and dry biomass of seedlings. The experiment was conducted between January and March 2025 in São Gotardo, MG, using pots with Dystrophic Red Latosol soil and a randomized block design with six treatments and four replications. The doses ranged from 0 to 10 mL/kg of seed, applied directly to the seeds before sowing. During development, the seedlings were irrigated under controlled conditions and evaluated for root and shoot growth, as well as accumulated biomass, measured by fresh and dry weight after oven drying. Statistical analysis revealed that the extract application promoted significant positive effects, with statistically reliable differences among doses for all evaluated parameters. Regression models indicated that doses up to 6 mL/kg most effectively stimulated vegetative growth, reflecting a marked increase in aerial part length, root development, and biomass accumulation. These results confirmed the agronomic potential of Ascophyllum nodosum to improve the initial vigor of wheat, corroborating previous studies highlighting the benefits of seaweed-based bio-stimulants in sustainable agriculture.
Keywords: Doses; Hormones; Morphological; Wheat.
INTRODUÇÃO
A cultura do trigo (Triticum spp.) possui elevada relevância no cenário agrícola mundial, sendo base alimentar para milhões de pessoas e matéria-prima essencial para diversos produtos industrializados. No contexto brasileiro, a produção de trigo tem buscado avanços tecnológicos para aumentar sua competitividade e reduzir a dependência externa (Coopercampos, 2017). De acordo com dados atualizados da safra de 2024, o país produziu aproximadamente 8,064 milhões de toneladas, representando uma leve retração de 0,40% em comparação ao ano anterior. Apesar do crescimento na área cultivada e dos investimentos em práticas agrícolas modernas, o Brasil ainda não alcança a autossuficiência na produção de trigo, o que o obriga a recorrer a importações significativas para suprir a demanda interna (Sociedade Nacional de Agricultura, 2024).
As limitações enfrentadas pelos triticultores brasileiros envolvem uma série de fatores adversos, como variabilidade climática, ocorrência de estresses abióticos (déficit hídrico, temperaturas extremas e salinidade), além da pressão de pragas e doenças que comprometem o desenvolvimento pleno das lavouras (Marenco; Lopes, 2005). Essas adversidades exigem a adoção de tecnologias inovadoras capazes de mitigar os impactos negativos sobre o desempenho fisiológico e morfológico das plantas (Melo, 2013).
Bioestimulantes são definidos como substâncias ou microrganismos que, quando aplicados em pequenas quantidades, promovem efeitos positivos no crescimento, desenvolvimento e produtividade das plantas, sem que sejam classificados como fertilizantes. Diferentemente dos adubos, seu efeito não está diretamente ligado ao fornecimento de nutrientes, mas sim à ativação de rotas metabólicas que aumentam a resistência das plantas a estresses bióticos e abióticos, melhoram a absorção de água e nutrientes, e favorecem processos morfofisiológicos essenciais para o desenvolvimento vegetal (Taiz; Zeiger, 2013). Os bioestimulantes produzidos a partir de extratos de algas marinhas, como Ascophyllum nodosum, têm se destacado por conterem compostos bioativos complexos – como fitormônios, aminoácidos, polissacarídeos e antioxidantes – que exercem diferentes funções conforme o método de extração e modo de aplicação (Shukla et al., 2019). Estudos têm demonstrado que, mesmo em concentrações reduzidas, esses produtos são capazes de aumentar a biomassa vegetal, estimular a emissão de raízes, flores e frutos, além de melhorar a tolerância das plantas a condições adversas como salinidade, seca e altas temperaturas (Battacharyya et al., 2015).
Entre as fontes mais promissoras de bioestimulantes disponíveis no mercado agrícola destaca-se o extrato da alga marinha Ascophyllum nodosum, amplamente estudada por sua composição rica em substâncias fisiologicamente ativas. Sua aplicação na cultura do trigo pode ocorrer em diferentes momentos do ciclo fenológico, como no tratamento de sementes, no perfilhamento e no florescimento. Quando aplicado no tratamento de sementes, o Ascophyllum nodosum tem a capacidade de estimular a germinação e emergência uniforme das plântulas, favorecendo principalmente o desenvolvimento do sistema radicular. Já nas aplicações via foliar, observa-se continuidade no estímulo ao crescimento radicular e efeitos positivos no aumento do número de espiguetas e grãos por planta, além da intensificação do crescimento do colmo e no desenvolvimento reprodutivo como um todo (Ferreira et al., 2019; Buchelt et al., 2019; Rocha et al., 2022).
Assim, a presente pesquisa justifica-se pela necessidade de se compreender os efeitos do Ascophyllum nodosum sobre o desenvolvimento morfológico inicial do trigo, especialmente na fase de estabelecimento da cultura, etapa crítica para o sucesso das fases posteriores. Neste contexto, a presente investigação parte da seguinte problemática: Quais são os efeitos da aplicação de diferentes doses de Ascophyllum nodosum sobre o desenvolvimento morfológico inicial da cultura do trigo?
Dessa forma, o objetivo geral deste trabalho foi avaliar a influência de diferentes doses do bioestimulante Ascophyllum nodosum no desenvolvimento morfológico inicial do trigo, com ênfase em parâmetros agronômicos que possam refletir na melhoria do estabelecimento e no potencial produtivo da cultura.
2 DESENVOLVIMENTO
2.1 Cultura do trigo
O trigo (Triticum aestivum L.) é uma cultura estratégica para o sistema produtivo brasileiro, especialmente nas regiões Sul, onde seu cultivo é tradicional. A integração do trigo com outras culturas, como a soja, tem promovido benefícios significativos, tanto do ponto de vista agronômico quanto ambiental. A cultura desempenha papel importante na sustentabilidade da agricultura, especialmente no contexto do sistema de plantio direto, sendo uma alternativa eficiente ao pousio e contribuindo para o uso racional da terra nas entressafras (SOUZA; FILHO, 2020).
Mesmo em anos com frustração de safra, os benefícios diretos e indiretos do cultivo de trigo se mostram superiores em comparação com a manutenção das áreas agrícolas sem cobertura vegetal no inverno. A Região Sul do Brasil apresenta condições climáticas favoráveis para o cultivo de cereais de inverno, como o trigo, durante o ano todo, o que representa uma vantagem estratégica sobre outras regiões do país, como o Brasil Central, onde há maiores limitações hídricas (SOARES, 2022).
Contudo, o sucesso do cultivo de trigo depende de planejamento técnico criterioso. Trata-se de uma cultura exigente em manejo, que requer escolha adequada de cultivares, estratégias de adubação e controle fitossanitário ajustados às peculiaridades regionais. O planejamento deve considerar o potencial produtivo, os riscos climáticos e a viabilidade econômica, sendo fundamental para garantir a sustentabilidade do sistema agrícola como um todo (SOUZA; FILHO, 2020).
A diversificação de culturas com o trigo no inverno também é uma estratégia de mitigação de riscos econômicos. Sistemas agrícolas baseados em uma única safra concentram os riscos de perdas climáticas ou de mercado. Ao distribuir o uso de insumos, mão de obra e equipamentos ao longo do ano, aumenta-se a eficiência do uso dos recursos e melhora-se a rentabilidade da propriedade rural (SOARES, 2022).
A agricultura moderna tem desempenhado papel essencial na ampliação da produtividade da cultura do trigo. Práticas como o uso de bioestimulantes vêm ganhando destaque no manejo fisiológico das plantas, promovendo maior tolerância ao estresse, incremento do sistema radicular, melhor aproveitamento de nutrientes e aumento do rendimento de grãos. Essas tecnologias, aliadas ao uso racional de fertilizantes, à escolha de cultivares melhoradas geneticamente e ao manejo integrado de pragas e doenças, estão transformando o cultivo do trigo em uma atividade cada vez mais rentável e sustentável (EMBRAPA, 2017).
2.2 Bioestimulantes
Os bioestimulantes vegetais têm ganhado destaque na agricultura moderna devido à sua capacidade de promover o crescimento e o desenvolvimento das plantas, independentemente do seu conteúdo de nutrientes. Esses produtos são definidos como substâncias ou microrganismos aplicados às plantas com o objetivo de melhorar a eficiência do uso de nutrientes, a tolerância a estresses abióticos, a qualidade do produto e a disponibilidade de nutrientes no solo e na rizosfera (Yakhin et al., 2017).
O uso de bioestimulantes tem sido estudado como uma alternativa para maximizar o potencial produtivo das lavouras, principalmente em ambientes com limitações climáticas ou nutricionais. Em especial, os bioestimulantes contribuem para o aumento da tolerância ao estresse hídrico e térmico, para o melhor enraizamento e para a uniformidade da germinação e emergência das plantas. Os efeitos fisiológicos incluem a intensificação da fotossíntese, a regulação hormonal, o aumento da atividade enzimática e a melhoria da absorção de nutrientes (Santos, 2022).
Os componentes mais comuns nos bioestimulantes utilizados incluem aminoácidos livres, extratos vegetais, ácidos húmicos e fúlvicos, microorganismos benéficos e algas marinhas. Esses componentes atuam em sinergia promovendo o desenvolvimento radicular, a emissão de perfilhos e a formação de grãos mais uniformes. Além disso, os bioestimulantes demonstram efeito positivo sobre a resistência das plantas a doenças, uma vez que estimulam o sistema de defesa vegetal, reduzindo a incidência de patógenos em condições de cultivo (Sharma et al., 2014).
Outro benefício relevante é o potencial de os bioestimulantes contribuírem para a sustentabilidade da agricultura, ao reduzirem a dependência de fertilizantes minerais e defensivos químicos. Em sistemas de produção intensiva, como os observados nas principais regiões produtoras do Brasil, o uso racional de bioestimulantes, aliado às boas práticas agrícolas, pode representar um diferencial competitivo e ambientalmente responsável, integrando-se aos programas de manejo nutricional e fisiológico das lavouras (Yakhin et al., 2017; Santos, 2022).
2.2.1 Ascophyllum nodosum
A alga marinha Ascophyllum nodosum , pertencente à família Fucaceae, é amplamente reconhecida por seu elevado valor agronômico e nutricional. Popularmente chamada de alga parda ou marrom, devido à sua coloração característica, essa espécie é nativa das águas frias do Atlântico Norte, especialmente na costa do Canadá, onde é colhida de forma sustentável (Battacharyya et al., 2015).
Os extratos derivados de Ascophyllum nodosum apresentam uma composição química complexa e altamente benéfica à agricultura, atuando como bioestimulantes naturais. Esses extratos são ricos em macro e micronutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S, B, Fe, Mn, Cu e Zn), aminoácidos (como ácido glutâmico, lisina, triptofano e outros), além de hormônios vegetais como citocininas, auxinas e ácido abscísico (Bontempo et al., 2016).
Tais componentes contribuem para a melhoria do desenvolvimento morfológico e fisiológico das plantas cultivadas, promovendo maior eficiência na absorção de nutrientes, crescimento radicular e resistência a estresses abióticos. Historicamente, o uso de algas na agricultura remonta à Antiguidade, sendo adotado inicialmente por civilizações como a romana, que depositavam algas diretamente sobre o solo como forma de fertilização. Na atualidade, a aplicação de extratos de Ascophyllum nodosum tem ganhado destaque na formulação de bioestimulantes agrícolas, impulsionado por evidências científicas que comprovam seus efeitos antioxidantes, antibacterianos e fotoprotetores (Battacharyya et al., 2015).
MATERIAL E MÉTODOS
Área de Estudo
O experimento foi conduzido entre janeiro e março de 2025, no município de São Gotardo, Minas Gerais, em uma propriedade particular. A região está situada a uma altitude de aproximadamente 1.100 metros e apresenta clima úmido, com vegetação típica do Cerrado Mineiro. São Gotardo é caracterizado por uma variação sazonal expressiva na precipitação, com um período chuvoso que se estende por cerca de 9,9 meses, de 17 de agosto a 14 de junho. Durante esse intervalo, a precipitação mínima registrada em um período contínuo de 31 dias é de 13 milímetros. O mês mais chuvoso é dezembro, com uma média de 236 milímetros de precipitação (INMET, 2025).
Delimitação da Área Experimental
O experimento foi conduzido em vasos plásticos com capacidade de 4 litros, totalizando 24 vasos. Cada vaso foi preenchido com solo proveniente de barranco, classificado como Latossolo Vermelho Distrófico. O solo foi devidamente peneirado para garantir homogeneidade e livre de impurezas, proporcionando condições adequadas para o desenvolvimento inicial das plântulas (Deitos, 2022).
Semeadura
Cada tratamento foi realizado em vasos plásticos com capacidade de 4 litros, totalizando 24 vasos no experimento. Cada vaso foi preenchido com solo proveniente de barranco, classificado como Latossolo Vermelho Distrófico, coletado na região de condução do experimento devido à predominância no Cerrado Mineiro, previamente peneirado para garantir homogeneidade (De Souza, 2023). Em cada vaso, foram semeadas três sementes de trigo, posicionadas a 3 cm de profundidade, e o solo foi irrigado até atingir a capacidade de campo. A irrigação subsequente foi realizada de forma manual e uniforme, assegurando condições adequadas para o desenvolvimento das plântulas durante o experimento, que são livres de qualquer estresse hídrico, o que é um fator limitante do desenvolvimento vegetal. A profundidade de semeadura influencia diretamente a emergência e o estabelecimento das plântulas, sendo recomendada entre 3 e 5 cm, dependendo das características do solo. Em solos mais compactados ou com baixa umidade superficial, a profundidade de 3 cm é frequentemente utilizada para garantir uma emergência uniforme (Igna ; Marchioro, 2010). Além disso, a utilização de múltiplas sementes por cova ou vaso em experimentos é uma estratégia comum para minimizar falhas na germinação e permitir a seleção das plântulas mais vigorosas para o desenvolvimento subsequente (Gehling et al., 2014).
Tratamentos
Os tratamentos consistiram na aplicação de diferentes doses do bioestimulante à base de Ascophyllum nodosum, diluído em água. A aplicação foi realizada diretamente na semente antes do plantio, no momento da semeadura, conforme os tratamentos descritos na Tabela 1.
Tabela 1. Descrição dos tratamentos aplicados no experimento com trigo: São Gotardo, MG, 2025.

O delineamento experimental foi realizado em blocos casualizados (DBC) com seis tratamentos e quatro repetições para cada tratamento. Cada repetição foi composta por um vaso plástico de 4 litros, totalizando 24 vasos no experimento. Após a germinação, foi realizado o desbaste, deixando apenas a planta mais vigorosa em cada vaso, visando assegurar uniformidade no desenvolvimento das plantas e minimizar a competição entre indivíduos.
Manejo e Condições Experimentais
Durante o período de germinação, os vasos foram irrigados diariamente com 5 mL de água. O manejo foi ajustado para manter a umidade ideal do substrato, favorecendo o desenvolvimento inicial das plântulas (Igna; Marchioro, 2010).
Parâmetros Avaliados
Os parâmetros a serem avaliados no experimento foram definidos com o objetivo de determinar os efeitos das diferentes doses de Ascophyllum nodosum no desempenho das sementes e no desenvolvimento inicial do trigo. O desenvolvimento das raízes e da parte aérea foi avaliado com base no comprimento total das raízes e no comprimento das hastes das plântulas. Após a remoção cuidadosa das plântulas dos vasos, com o objetivo de preservar as raízes sem danos, as raízes foram limpas suavemente, retirando o excesso de solo, e então estendidas para medição. Utilizando um paquímetro ou régua, foi medido o comprimento total das raízes de cada plântula, desde a base da planta até a ponta da raiz principal, incluindo as raízes secundárias, se presentes. Esse comprimento total das raízes serviu como um indicador do desenvolvimento e vigor do sistema radicular. Em seguida, a parte aérea foi medida com base no comprimento das hastes das plantas, ou seja, o comprimento do caule desde a base até o ponto mais alto onde se encontram as folhas. As plântulas foram cuidadosamente retiradas e o comprimento do caule será mensurado com a ajuda de uma régua ou paquímetro, refletindo o crescimento da parte aérea da planta. As medições foram realizadas em um número representativo de plântulas por tratamento, e as médias de comprimento das raízes e das hastes foram calculadas para cada tratamento. Esses dados permitiram analisar o impacto das diferentes doses no crescimento das plântulas, proporcionando uma avaliação detalhada tanto do desenvolvimento do sistema radicular quanto do crescimento da parte aérea (Nabti; Jha; e Hatmann, 2016).
A avaliação da biomassa das plântulas foi realizada por meio da determinação do peso de matéria fresca total, que inclui tanto a parte aérea quanto as raízes, e o peso de matéria seca total, após secagem das plântulas em estufa. O procedimento foi conduzido de maneira a garantir a precisão das medições e a correta avaliação do impacto das doses de Ascophyllum nodosum no acúmulo de biomassa.
Primeiramente, as plântulas foram retiradas dos vasos e cuidadosamente separadas em suas partes aérea e radicular. O peso de matéria fresca foi determinado pesando as plântulas logo após a coleta, com a planta ainda úmida, utilizando uma balança analítica de alta precisão. A biomassa fresca foi medida separadamente para a parte aérea e para as raízes, e, em seguida, somadas para obter o peso total de matéria fresca (Nakagawa, 1999).
Para determinar o peso de matéria seca, as plântulas foram levadas a uma estufa para secagem. A estufa utilizada foi uma estufa de circulação de ar forçada, com controle de temperatura entre 60°C e 65°C, a fim de evitar o risco de degradação térmica das amostras. As plântulas foram dispostas em bandejas de papel e mantidas na estufa por um período de 72 horas, ou até que a biomassa atinja peso constante, o que garante que toda a umidade tenha sido eliminada. Após a secagem, as plântulas foram retiradas da estufa e pesadas novamente, utilizando a balança analítica. Esse valor corresponderá ao peso de matéria seca total.
A partir dessas medições, foi possível calcular a quantidade total de biomassa acumulada (tanto fresca quanto seca) e comparar os efeitos das diferentes doses de Ascophyllum nodosum sobre o crescimento das plântulas.
Análise Estatística
Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (ANOVA) a 5% de significância, e as médias dos tratamentos foram comparadas pelo teste de regressão linear. Foi realizada regressão linear para avaliar a relação entre as doses de Ascophyllum nodosum e as variáveis analisadas (Ferreira, 2014).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A seguir, apresenta-se o gráfico 1 com os resultados referente ao comprimento da parte aérea das plantas de trigo, avaliadas em função dos tratamentos aplicados no experimento conduzido em São Gotardo, MG, no ano de 2025. Diante da significância observada, torna-se pertinente avaliar a tendência do comportamento das doses por meio de análise de regressão. Assim, a seguir, é apresentado e discutido a curva de regressão linear.
Gráfico 1 – Comprimento de parte aéreados tratamentos aplicados no experimento com trigo: São Gotardo, MG, 2025.

A análise do gráfico demonstra que a aplicação de doses crescentes de Ascophyllum nodosum resultou em incremento estatisticamente significativo no comprimento da parte aérea das plantas de trigo, cujos valores variaram de 29,88 cm a 41,10 cm nas doses de 0 a 10 mL/kg de semente. Esse comportamento evidencia o potencial bioestimulante do extrato, atuando de forma dose-dependente no desenvolvimento vegetativo da cultura. O aumento progressivo observado reflete a ação fisiológica do A. nodosum na promoção do crescimento vegetal, possivelmente associado à presença de fitohormônios naturais e compostos bioativos capazes de modular processos fisiológicos como divisão celular, expansão e alongamento dos tecidos (Carvalho et al., 2013). Tais resultados corroboram a eficácia do bioestimulante como ferramenta promissora para o manejo nutricional e fisiológico do trigo, favorecendo o estabelecimento inicial e o vigor das plantas.
Os resultados obtidos neste estudo confirmam que a aplicação de Ascophyllum nodosum promove efeitos positivos no crescimento vegetativo do trigo, em concordância com os dados reportados por Carvalho et al. (2013), que observaram incremento de 10,72% na altura das plantas após aplicação do extrato via irrigação. Resultados semelhantes foram relatados por Rezaei et al. (2020) em Satureja hortensis, com aumento significativo na altura e massa seca das plantas, evidenciando o potencial do extrato para estimular o crescimento em diferentes espécies vegetais.
Gráfico 2 – Comprimento total de raízesdos tratamentos aplicados no experimento com trigo: São Gotardo, MG, 2025.

Diversos estudos reforçam o potencial do extrato de Ascophyllum nodosum no estímulo ao desenvolvimento radicular. Borges et al. (2020) observaram incremento significativo no comprimento e no volume de raízes em plantas de milho tratadas com esse bioestimulante, atribuindo tais efeitos à presença de fitohormônios, como citocininas e auxinas, além de compostos fenólicos capazes de modular rotas fisiológicas associadas ao crescimento radicular. Resultados semelhantes foram relatados por Carvalho et al. (2014), que identificaram aumento da massa seca da parte aérea e melhorias nos componentes de rendimento do trigo após aplicação do extrato via irrigação — efeitos que, embora mensurados na parte aérea, podem refletir um sistema radicular mais eficiente, favorecendo a absorção de água e nutrientes. Tais evidências corroboram os resultados observados neste estudo, destacando o extrato de A. nodosum como uma alternativa promissora para o fortalecimento do sistema radicular em diferentes culturas.
Gráfico 3 – Massa fresca de plantas dos tratamentos aplicados no experimento com trigo: São Gotardo, MG, 2025.

Os resultados obtidos indicam que a aplicação de Ascophyllum nodosum favoreceu o acúmulo de massa fresca nas plantas de trigo, com aumento progressivo até determinada dose, seguida por uma redução em doses mais elevadas. Esse comportamento sugere a existência de uma dose ideal do bioestimulante, acima da qual o efeito positivo tende a diminuir, possivelmente devido a um desequilíbrio hormonal ou a efeitos fisiológicos adversos relacionados ao excesso de compostos bioativos.
Esse padrão de resposta é consistente com o efeito estimulador típico de extratos de algas marinhas, como relatado por Carvalho et al. (2013), que observaram incremento na massa fresca da parte aérea do trigo após aplicação do extrato. De modo semelhante, Gaurav e Sahoo (2011) descreveram aumentos significativos na produção de biomassa em trigo tratado com extrato de Sargassum wightii, evidenciando que o uso de macroalgas como bioestimulantes é eficaz no favorecimento do crescimento vegetativo.
Assim, os resultados observados neste estudo reforçam que o extrato de A. nodosum atua como promotor de crescimento, favorecendo o acúmulo de biomassa vegetal em trigo, comportamento que se mostra consistente com evidências disponíveis na literatura e aplicável a diferentes cultivares comerciais.
Gráfico 4 – Massa seca de plantasdos tratamentos aplicados no experimento com trigo: São Gotardo, MG, 2025

A aplicação do extrato de Ascophyllum nodosum favoreceu o acúmulo de massa fresca nas plantas de trigo, evidenciando um efeito promotor de crescimento. Observou-se um padrão de resposta caracterizado pelo aumento da biomassa até determinada dose, seguido de uma redução em doses superiores, o que indica a existência de um intervalo ótimo de aplicação para maximização do efeito bioestimulante. Tal comportamento sugere que doses excessivas podem não proporcionar benefícios adicionais e, em alguns casos, até limitar o desenvolvimento da planta, possivelmente em função de desequilíbrios fisiológicos.
Esses resultados são coerentes com estudos anteriores, como o de Gehling (2014), que verificou aumento da massa fresca, da massa seca de raízes e da parte aérea em plântulas de trigo tratadas com extrato de algas, independentemente da dose utilizada, quando comparadas à testemunha. Isso reforça que o uso de extratos de macroalgas representa uma estratégia eficiente para estimular o desenvolvimento inicial do trigo, promovendo maior vigor e potencial produtivo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados obtidos neste estudo evidenciam que a aplicação do extrato de Ascophyllum nodosum promove efeitos positivos expressivos no crescimento vegetativo do trigo, refletidos no incremento do comprimento da parte aérea e do sistema radicular, bem como no aumento da massa fresca e seca das plantas. A análise dos dados permitiu identificar diferenças significativas entre as doses aplicadas, indicando que o bioestimulante atua diretamente na modulação do desenvolvimento da cultura.
De maneira geral, a resposta positiva foi mais acentuada até a dose de 6 mL/kg de semente, sugerindo a existência de um intervalo ótimo de aplicação capaz de maximizar os benefícios fisiológicos proporcionados pelo extrato. Esse comportamento, associado à consistência dos dados e à boa qualidade dos ajustes obtidos nos modelos de regressão, confirma a confiabilidade dos resultados e reforça o potencial agronômico do produto.
Os achados deste estudo corroboram a literatura existente, que aponta os extratos de macroalgas como uma alternativa sustentável e eficiente para o estímulo ao crescimento e à produtividade de diferentes culturas. Considerando os efeitos positivos observados, o extrato de A. nodosum configura-se como uma ferramenta promissora no manejo fisiológico do trigo, contribuindo para o aumento do vigor inicial e o potencial produtivo da cultura.
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