EXAME ANDROLÓGICO EM UM EQUINO SENIL DA RAÇA MANGALARGA MARCHADOR

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512051530


Maria Eduarda Capela Masello1
Lais Siqueira Barboza da Silva1
Bernardo da Silva Cantizani2
Marina Jorge Lemos3
Paula Fernanda Chaves Soares3
Eliene Porto Sad Pina3
Dala Kezen Vieira Hardman Leite3


RESUMO

A reprodução equina é fundamental na equinocultura e a avaliação da fertilidade de garanhões é essencial para garantir sucesso reprodutivo, otimizar programas de reprodução assistida e reduzir prejuízos econômicos. O exame andrológico em equinos envolve procedimentos clínicos e laboratoriais que determinam a capacidade reprodutiva do reprodutor. Este trabalho tem como objetivo relatar o exame andrológico realizado em um equino da raça Mangalarga Marchador. O animal, com 25 anos de idade, foi atendido na Fazenda Escola do curso de Medicina Veterinária da Universidade Iguaçu (UNIG), campus Nova Iguaçu. Foram realizados dois exames andrológicos completos, a fim de comparar em duas datas distintas, a avaliação da fertilidade, de acordo com o manual de exame andrológico CBRA (2013). O garanhão apresentava histórico reprodutivo satisfatório, com registros confirmados de prenhez. As avaliações realizadas incluíram exame clínico geral e específico do sistema reprodutor e espermograma (com avaliações macroscópica e microscópica). A coleta de sêmen foi realizada por meio de vagina artificial, utilizando-se uma fêmea em estro. Nos dois exames clínicos gerais, o animal apresentou escore de condição corporal (ECC) igual a 6, conforme a escala de Henneke, a qual varia de 1 (muito magro) a 9 (obeso). Durante a avaliação do comportamento sexual, o garanhão demonstrou boa libido. No exame clínico do sistema reprodutor, observou-se que a bolsa escrotal se encontrava íntegra, sem lesões ou presença de ectoparasitas. Os testículos estavam adequadamente posicionados na bolsa escrotal, apresentando conformação, tamanho, mobilidade e consistência compatíveis com os padrões de normalidade. Os epidídimos, pênis e prepúcio não apresentaram alterações. No primeiro espermograma, o sêmen apresentou pH 7, volume de 45 mL, coloração branco-amarelada e odor característico, “sui generis”. Na avaliação microscópica, observou-se motilidade espermática de 60,0% (0-100%), com vigor classificado em 3 (0-5). Quanto à morfologia espermática, foram identificados 73,0% de espermatozoides normais, com 5,0% de defeitos abaxiais, (considerando-se que a inserção abaxial é fisiológica em equídeos). Além disso, foram observados 14,5% de defeitos maiores e 7,5% de defeitos menores, resultando 22,0% de defeitos totais. Na segunda coleta, os parâmetros macroscópicos do sêmen foram semelhantes aos da primeira, diferindo apenas quanto ao volume, que passou de 45 mL para 90 mL. Na avaliação microscópica, observou-se motilidade espermática de 70,0%, com vigor classificado em 3. Quanto à morfologia espermática, foram encontrados 67,5% de espermatozoides normais, 2,5% de defeitos abaxiais, 14,5% de defeitos maiores e 15,0% de defeitos menores, representando 30,0% de defeitos totais. Conclui-se que, mesmo em idade avançada, o garanhão avaliado demonstrou estar apto para a reprodução. Ressaltando, a importância de avaliações andrológicas periódicas em equinos para monitoramento da fertilidade e detecção precoce de alterações reprodutivas.

Palavras-chave:  Espermograma; Fertilidade; Morfologia Espermática; Senilidade.

ABSTRACT

Equine reproduction is fundamental in horse breeding, and the evaluation of stallion fertility is essential to ensure reproductive success, optimize assisted reproduction programs, and reduce economic losses. The andrological examination in horses involves clinical and laboratory procedures that determine the reproductive capacity of the sire. This study aims to report the andrological examination performed on a Mangalarga Marchador stallion. The animal, 25 years old, was attended at the School Farm of the Veterinary Medicine program at Iguaçu University (UNIG), Nova Iguaçu campus. Two complete andrological examinations were performed in order to compare fertility assessment on two different dates, according to the CBRA (2013) andrological examination manual. The stallion had a satisfactory reproductive history, with confirmed pregnancy records. The evaluations included a general clinical examination, a specific examination of the reproductive system, and a spermiogram (with macroscopic and microscopic evaluations). Semen collection was performed using an artificial vagina with the aid of a mare in estrus. In both general clinical examinations, the animal presented a body condition score (BCS) of 6, according to the Henneke scale, which ranges from 1 (very thin) to 9 (obese). During the evaluation of sexual behavior, the stallion demonstrated good libido. In the clinical examination of the reproductive system, the scrotal sac was observed to be intact, with no lesions or presence of ectoparasites. The testes were properly positioned within the scrotal sac, presenting conformation, size, mobility, and consistency compatible with normal standards. The epididymides, penis, and prepuce showed no alterations. In the first spermiogram, the semen presented a pH of 7, volume of 45 mL, whitish-yellow coloration, and a characteristic “sui generis” odor. Microscopic evaluation showed sperm motility of 60.0% (0–100%), with vigor classified as 3 (0–5). Regarding sperm morphology, 73.0% normal spermatozoa were identified, with 5.0% abaxial defects (considering that abaxial insertion is physiological in equids). Additionally, 14.5% major defects and 7.5% minor defects were observed, totaling 22.0% defects. In the second collection, the macroscopic semen parameters were similar to the first, differing only in volume, which increased from 45 mL to 90 mL. In the microscopic evaluation, sperm motility was 70.0%, with vigor classified as 3. Regarding sperm morphology, 67.5% normal spermatozoa were observed, along with 2.5% abaxial defects, 14.5% major defects, and 15.0% minor defects, representing 30.0% total defects. It is concluded that, even at an advanced age, the evaluated stallion was shown to be fit for reproduction. This highlights the importance of periodic andrological evaluations in horses for fertility monitoring and the early detection of reproductive alterations.

Keywords: Fertility; Spermogram; Sperm Morphology; Senility

INTRODUÇÃO

A equinocultura constitui um dos segmentos mais expressivos da agropecuária brasileira, movimentando a economia nacional por meio da comercialização de animais de elite, competições esportivas, serviços e lazer. Estima-se que o setor movimente 16,5 bilhões de reais anualmente, evidenciando sua relevância socioeconômica (Pinheiro et al., 2019; Almeida; Costa, 2021). A raça Mangalarga Marchador, além de sua relevância histórica e cultural, tem grande importância no contexto reprodutivo nacional devido ao número expressivo de animais registrados e à valorização genética no mercado (ABCCMM, 2024). Nesse contexto, a reprodução equina assume papel estratégico, uma vez que assegura a manutenção de linhagens genéticas, o aprimoramento do desempenho atlético e a sustentabilidade dos criatórios (Gonçalveset al., 2020).

Para atender às demandas do mercado, diversas biotecnologias reprodutivas vêm sendo aplicadas à espécie equina, com destaque para a inseminação artificial, transferência de embriões, criopreservação de sêmen e técnicas, como a maturação e fertilização in vitro de oócitos (Aurich, 2020; Ferreira et al., 2022). Esses avanços possibilitam ampliar o aproveitamento do potencial genético de garanhões superiores e promover o intercâmbio de material genético em escala global (Monteiro et al., 2021).

          Dentro desse processo, os garanhões têm papel central, uma vez que podem gerar dezenas de descendentes por estação reprodutiva, diferentemente das fêmeas, cujo número de potros é limitado por gestação (Silva et al., 2021). Assim, a seleção e avaliação criteriosa dos machos reprodutores tornam-se indispensáveis para garantir altos índices de fertilidade e bons resultados zootécnicos (Martins et al., 2019).

A realização do exame andrológico em equinos representa não apenas um instrumento de avaliação de fertilidade, mas também uma estratégia para a redução de perdas econômicas, a otimização de programas de reprodução assistida e a consolidação de investimentos na equinocultura moderna (Ferreira et al., 2022; Silva et al., 2021;).

O exame andrológico em garanhões constitui ferramenta indispensável na avaliação da aptidão reprodutiva, permitindo a identificação de alterações clínicas, morfofuncionais e seminais que possam comprometer a fertilidade. O procedimento compreende etapas como a anamnese, exame físico geral e específico do aparelho reprodutor, coleta e análise seminal, além de testes complementares de microbiologia e bioquímica do plasma seminal. O objetivo principal é fornecer subsídios diagnósticos para classificar o garanhão quanto à sua capacidade de desempenhar a função reprodutiva, seja por monta natural, seja por biotécnicas reprodutivas (Johannisson et al., 2020 Medeiros et al., 2018).

Garanhões da raça Manga Larga apresentaram perfil termoescrotal adequado ao clima tropical, garantindo a manutenção da espermatogênese mesmo sob temperaturas elevadas. Essa característica possui implicações práticas, uma vez que a termorregulação testicular é fator determinante para a viabilidade espermática em condições ambientais adversas (Machado et al., 2021).

A influência da idade sobre a fertilidade de garanhões tem sido amplamente estudada. Animais muito jovens (menores de três anos) frequentemente apresentam produção seminal inferior devido à imaturidade gonadal, enquanto animais em idade intermediária (entre quatro e dez anos) alcançam os melhores índices de qualidade espermática. A partir da maturidade tardia, pode ocorrer declínio progressivo nos parâmetros seminais, relacionado à senescência testicular, alterações hormonais e acúmulo de lesões celulares (Abah et al., 2023; Martins-Bessa et al., 2021).

No caso do Mangalarga Marchador, estudos indicam que, sob manejo adequado, a qualidade seminal pode ser mantida em idades reprodutivas mais avançadas, reforçando a importância de avaliações periódicas para detectar precocemente alterações de fertilidade. Além disso, aspectos como suplementação nutricional e ambiente de criação têm sido apontados como fatores que modulam a qualidade do sêmen em garanhões de raças brasileiras, com potencial aplicação também no Mangalarga Marchador (Rojas et al., 2023).

Portanto, a literatura evidencia que o exame andrológico é uma ferramenta multifacetada, que deve ser aplicada de forma criteriosa e adaptada à realidade de cada reprodutor (Morais, 2017; Silva; Monteiro et al., 2021; Samir et al., 2023). Na raça Mangalarga Marchador, os avanços em criopreservação (Fagundes et al., 2010; Morais, 2017) e a capacidade de manter perfil termoescrotal adequado são pontos positivos, mas a influência da idade reforça a necessidade de acompanhamento contínuo (Neves, 2011). A incorporação de técnicas modernas, como Doppler testicular e proteômica seminal desponta como tendência para tornar o exame andrológico mais preciso e preditivo, ampliando a eficiência dos programas de reprodução equina (Bezerra, 2015, Morais, 2017; Silva e Monteiro, 2020).

O exame clínico geral visa identificar alterações sistêmicas que possam indicar alterações em outros sistemas, dentre eles o desempenho reprodutivo. São avaliados parâmetros fisiológicos básicos, como frequência cardíaca, respiratória e temperatura corporal, bem como a integridade locomotora e o estado dos aprumos, já que afecções ortopédicas podem dificultar a monta (Henry; Neves, 2013; Turner; McConaghy, 2018; Martins-Bessa et al., 2021). A inspeção deve incluir observação do comportamento, estado de hidratação, coloração de mucosas, linfonodos e condição dermatológica (Feitosa, 2020).

Devem ser registrados dados como idade, raça, desempenho reprodutivo anterior, intervalo entre montas, histórico de prenhez das fêmeas cobertas, presença de patologias pregressas, uso de medicamentos e condições de manejo (Morais, 2017; Silva; Monteiro, 2020).

A avaliação do manejo alimentar é essencial, pois a nutrição influencia diretamente a função testicular, a qualidade seminal e a libido. A deficiência de nutrientes, especialmente energia, proteínas, vitaminas e minerais, pode comprometer a espermatogênese e reduzir a fertilidade (Rojas et al., 2023).

O exame clínico geral visa identificar alterações sistêmicas que possam comprometer o desempenho reprodutivo. São avaliados parâmetros fisiológicos básicos, como frequência cardíaca, respiratória e temperatura corporal, bem como a integridade locomotora e o estado dos aprumos, já que afecções ortopédicas podem dificultar a monta (Henry; Neves, 2013; Turner e McConaghy, 2018). A inspeção deve incluir observação do comportamento, estado de hidratação, coloração de mucosas, linfonodos e condição dermatológica (Martins-Bessa et al., 2021).

Durante essa etapa, o escore de condição corporal (ECC) é determinado conforme a escala de Henneke, que varia de 1 (muito magro) a 9 (obeso), sendo o ideal entre 5 e 6 para reprodutores em atividade, pois reflete equilíbrio entre reservas energéticas e aptidão reprodutiva (CBRA, 2013). O ECC é indicador prático do estado nutricional e influencia diretamente a libido e a qualidade seminal (Machado et al., 2021; Rojas et al., 2023).

A avaliação integrada de todas essas estruturas é essencial, pois alterações anatômicas ou funcionais em qualquer segmento do sistema reprodutor masculino repercutem diretamente na qualidade seminal. Segundo Johannisson et al. (2024), a análise morfofuncional deve ser correlacionada com a avaliação do ejaculado, já que a saúde do trato genital está intrinsecamente ligada à qualidade dos espermatozoides (Ellerbrock et al., 2021).

A avaliação macroscópica do sêmen equino constitui a primeira etapa do espermograma e fornece informações importantes sobre a qualidade seminal e possíveis alterações reprodutivas. O volume da ejaculação é um parâmetro fundamental, variando entre 30 e 150 mL em garanhões, dependendo da frequência de coletas e do estado fisiológico do animal. A coloração normal do ejaculado equino é branca leitosa, e alterações para tonalidades amareladas, avermelhadas ou esverdeadas podem indicar contaminação com urina, sangue ou pus, respectivamente. O odor deve ser característico (“sui generis”) e suave; odores fortes ou desagradáveis sugerem contaminação ou infecção do trato genital. O pH seminal apresenta-se normalmente entre 7,2 e 7,7, sendo valores mais elevados indicativos de contaminação urinária ou inflamatória. A densidade óptica ou aspecto da turbidez está relacionada à concentração espermática: ejaculados mais turvos tendem a refletir maior concentração de espermatozóides, enquanto ejaculados translúcidos sugerem baixa contagem celular (Jasko; Pickett, 2020; Ferreira et al., 2021; Mickelson et al. 2024; Neves; Henry, 2021).

A análise microscópica, inclui a determinação da concentração espermática em câmara de Neubauer ou por sistemas automatizados, a avaliação subjetiva da motilidade e do vigor, bem como o exame morfológico por microscopia de contraste de fase ou colorações específicas (Chenoweth, 2024). De acordo com os valores de referência descritos pelos autores, a motilidade total considerada normal para garanhões deve ser superior a 60%, enquanto o vigor espermático geralmente varia entre 3 e 5, em uma escala de 0 a 5, indicando adequado desempenho cinético. Valores abaixo dos limites de referência podem indicar hipospermia ou alterações testiculares, enquanto concentrações muito elevadas podem estar associadas à redução de volume seminal (Egyptien et al., 2023). A motilidade é tradicionalmente avaliada de forma subjetiva em microscópio de contraste de fase aquecido, mas os sistemas CASA (Computer Assisted Sperm Analysis) têm se destacado por fornecerem parâmetros objetivos e reprodutíveis, como motilidade progressiva, velocidade curvilínea e linearidade (Johannisson et al., 2024).

A morfologia dos espermatozoides envolve a classificação dos defeitos em maiores e menores, conforme impacto sobre a fertilidade. Entre os defeitos maiores mais frequentemente observados em garanhões estão alterações de cabeça (macrocefalia, microcefalia, assimetrias), acrossoma ausente ou defeituoso, peça intermediária lesionada, cauda enrolada e presença de gota citoplasmática proximal, que reflete imaturidade espermática. Já os defeitos menores incluem gota distal, cauda dobrada simples, cabeça delgada ou alongada e cabeça isolada normal (Silva et al., 2023). A fixação abaxial da peça intermediária à cabeça do espermatozóide é um achado que, na espécie equina, é considerado fisiológico e não um defeito propriamente dito, sendo inclusive responsável por um movimento celular circular específico (Paula Junior et al., 2023).

A morfologia espermática é examinada em lâminas coradas, geralmente com eosina-nigrosina, Panótico Rápido (Diff-Quik), Giemsa ou Sperm Blue. Os defeitos são classificados em maiores (cabeça anormal, peça intermediária dobrada, cauda enrolada) e menores (gota citoplasmática distal, cauda enrolada simples). A presença de mais de 40% de alterações morfológicas é associada à subfertilidade (Wysokińska et al., 2023). 

Este trabalho tem como objetivo avaliar a fertilidade de um equino senil da raça Mangalarga Marchador por meio de exame andrológico.

RELATO DE CASO 

Um animal da espécie equina, da raça Mangalarga Marchador, com 25 anos de idade, foi atendido na Fazenda Escola do curso de Medicina Veterinária da Universidade Iguaçu (UNIG), campus Nova Iguaçu, para a avaliação reprodutiva. O animal era mantido sob manejo alimentar composto por ração, feno e suplementação. O animal foi identificado por meio de uma ficha individual, por onde foi realizado uma anamnese completa com avaliação do histórico do mesmo de acordo com sua vida reprodutiva e manejo sanitário. O animal se encontrava com protocolo vacinal completo e vermifugação em dia.

Em seguida, o garanhão foi contido com cabresto de corda e submetido ao exame andrológico completo. Quanto ao histórico, o colaborador relatou que o animal já havia realizado diversas montas naturais, com vários descendentes registrados, porém encontrava-se temporariamente inativo sexualmente devido ao término da estação de monta.

No exame físico, foram avaliados o escore de condição corporal (ECC), utilizando-se a escala de Henneke (1 a 9), e a conformação dos aprumos (Figura 1). Em seguida, o garanhão foi contido e submetido ao exame físico específico do sistema reprodutor masculino. Durante a inspeção da bolsa escrotal, foram observadas as características da pele, avaliado se havia lesões ou presença de ectoparasitas, além do tamanho e conformação da bolsa. 

Para análise dos testículos e epidídimos, foram realizadas a palpação e inspeção, tendo objetivo de identificar sua presença, bem como presença, tamanho, forma, consistência e mobilidade. Foram inspecionados prepúcio e pênis, observando se havia presença de secreções, hematomas, feridas ou sujidades (Figura 2 A e B).

Figura 1 – Exame físico do garanhão senil da raça Mangalarga Marchador.

Fonte: Arquivo pessoal, 2025

Figura 2 – Inspeção e palpação da bolsa escrotal, testículos e epidídimos (A), inspeção de prepúcio e pênis (B).

Fonte: Arquivo pessoal, 2025

A coleta de sêmen foi realizada por meio do método da vagina artificial com a presença de uma fêmea no estro. Foram realizadas duas coletas, sendo a primeira realizada no dia 04/06/2025 e a segunda dia 10/09/2025 (Figura 3 A e B). O exame microscópico iniciou pela análise da motilidade e vigor que foi avaliado imediatamente após a colheita do sêmen. Uma lâmina e uma lamínula foram pré-aquecidas para a avaliação da motilidade e do vigor espermático. Posteriormente, foram avaliadas as características macroscópicas do sêmen como volume, coloração, odor e pH. 

Para análise da morfologia espermática foi realizada esfregaços do sêmen nas lâminas histológicas de vidros e coradas pelo Panótico Rápido. Essas lâminas foram levadas para o laboratório de Patologia Clínica do curso de Medicina Veterinária da UNIG para avaliação e contagem de 200 espermatozoides para avaliação da morfologia espermática. As alterações estruturais dos espermatozoides foram classificadas em defeitos maiores e menores.  Todas as avaliações foram seguindo o protocolo do manual de exame andrológico do CBRA (2013). 

Figura 3 – Fêmea no estro (A) Coleta de sêmen por meio do método de vagina artificial (B).

Fonte: Arquivo pessoal, 2025

Nos resultados das duas avalições quanto ao exame clínico geral, o garanhão foi classificado em 6 no índice de escore de condição corporal (ECC), em uma escala de 1 a 9. Em relação aos aprumos, o animal apresenta desvio anterior de ambos os membros toráxicos, e durante a avaliação do comportamento sexual demonstrou boa libido.

No exame clínico do sistema reprodutor masculino, a bolsa escrotal se apresentou íntegra.  Os testículos estavam presentes, apresentando tamanho, mobilidade e consistência compatíveis com os padrões de normalidade. Quanto aos epidídimos, pênis e prepúcio, não foram observadas alterações durante as duas avaliações.

No primeiro espermograma da primeira coleta, o sêmen apresentou pH 7, volume de 45 mL, coloração branco-amarelada e odor característico, “sui generis”. No Na avaliação microscópica, observou-se motilidade espermática de 60,0% (0-100%), com vigor classificado em 3 (0-5) com objetiva de 40x. Quanto à morfologia espermática, foram identificados 73,0% de espermatozoides normais, com 5,0% de defeitos abaxiais, (considerando-se que a inserção abaxial é fisiológica em equídeos).    Além disso, foram observados 14,5% de defeitos maiores (cauda fortemente enrolada, peça intermediária, gota protoplasmática proximal e cauda na cabeça) e 7,5% de defeitos menores (cauda dobrada e cabeça isolada normal e gota protoplasmática distal) resultando 22,0% de defeitos totais. Na segunda coleta, o sêmen apresentou pH igual a 7, com volume de 90 mL, coloração branco-amarelada e odor “sui generis”, conforme os parâmetros macroscópicos avaliados. Na avaliação microscópica, observou-se motilidade espermática de 70,0%, com vigor classificado em 3. Quanto à morfologia espermática, foram encontrados 67,5% de espermatozoides normais, 2,5% de defeitos abaxiais, 14,5% de defeitos maiores (cauda fortemente enrolada e peça intermediária) e 15,0% de defeitos menores (cauda dobrada, cabeça isolada normal, gota protoplasmática distal e cauda na cabeça), representando 30,0% de defeitos totais (Figura 4 A e B).

Figura 4 – Avaliação da morfologia espermática; Seta rosa – defeito de peça intermediária; Seta amarela – defeito abaxial; Seta vermelha – defeito da cauda na cabeça (A); Seta verde – espermatozóide normal (B).

Fonte: Arquivo pessoal, 2025

O resultado das duas coletas indica que o animal é considerado apto para reprodução, pois os parâmetros avaliados encontram-se dentro da normalidade estabelecida pelo manual do CBRA (2013). Recomenda-se, entretanto, a realização de monitoramento periódico para acompanhar a manutenção da fertilidade.

DISCUSSÃO

Os resultados obtidos neste estudo demonstram que, mesmo em idade avançada, o garanhão da raça Mangalarga Marchador apresenta plena capacidade reprodutiva. O exame andrológico e comportamental está dentro dos parâmetros clínicos de aptidão reprodutiva. A literatura descreve amplamente a influência da idade sobre a fertilidade de garanhões. Abah et al. (2023) destacam que ocorre redução progressiva da qualidade seminal em função da senescência testicular e de alterações hormonais, o que reforça a necessidade de acompanhamento periódico dos parâmetros reprodutivos. No presente relato, apesar dos 25 anos de idade, não foram observadas alterações significativas, o que corrobora as observações de Martins-Bessa et al. (2021), para quem a manutenção da função espermatogênica depende mais do manejo do que da idade cronológica isolada. Martins-Bessa et al. (2021) ainda afirmam que, sob boas condições de manejo, é possível manter qualidade espermática satisfatória em animais senis, observação reforçada também por Rojas et al. (2023). 

Em relação aos aprumos, apesar do desvio anterior dos membros torácicos, o garanhão não apresentou prejuízo à função reprodutiva, o que está de acordo com Henry e Neves (2013), que afirmam que afecções ortopédicas podem dificultar a monta quando associadas à dor ou limitação de movimento, condição não observada neste caso. Da mesma forma, Turner e McConaghy (2018) destacam que a eficiência na cópula depende da integridade funcional, não apenas da conformação anatômica, indicando que alterações leves de aprumo não impedem a monta natural. Além disso, o CBRA (2013) reforça que a libido preservada é indicador direto da capacidade reprodutiva, o que foi constatado no animal avaliado. Assim, mesmo senil e com desvio de aprumos, o garanhão demonstrou virilidade e comportamento sexual adequados, mantendo eficiência reprodutiva.

O exame clínico do sistema reprodutor revelou ausência de alterações anatômicas nos testículos, epidídimos, pênis e prepúcio, além de boa condição corporal e libido preservada. Henry e Neves (2013) descrevem que a integridade anatômica e o comportamento sexual estão diretamente relacionados à qualidade seminal e à fertilidade, entendimento compartilhado por Turner e McConaghy (2018). Assim como descrito por Samir et al. (2023), que destacam que a integridade da bolsa escrotal e a simetria testicular são fundamentais para a termorregulação e para a manutenção da espermatogênese, os achados deste relato de caso estão em concordância com essa afirmação. No animal avaliado, observou-se bolsa escrotal íntegra e simetria testicular.

Os parâmetros macroscópicos observados nas duas coletas demonstram conformidade com a literatura. Jasko e Pickett (2020) afirmam que volumes entre 45 e 90 mL e pH aproximado de 7,0 representam valores fisiológicos para garanhões, o que coincide com os achados deste estudo, visto que o primeiro ejaculado apresentou 45 mL e o segundo 90 mL, ambos com pH 7, coloração branco-amarelada e odor característico. Neves e Henry (2021) também descrevem que os parâmetros macroscópicos do sêmen equino mantêm relativa estabilidade dentro dessa faixa, reforçando a adequação dos resultados. Além disso, Ellerbrock et al. (2021) e Mickelson et al. (2024) destacam que a normalidade do volume e do pH indica funcionalidade preservada das glândulas acessórias, o que se confirma nas duas coletas avaliadas.

A motilidade espermática variou entre 60% e 70; o vigor de 3 e a porcentagem de espermatozóides normais acima de 67%, enquadram-se nos valores de normalidade descritos pelo CBRA (2013), confirmando a aptidão reprodutiva do animal avaliado conforme relatam Egyptien et al., 2023. 

Machado et al. (2021) descrevem que a raça Mangalarga Marchador apresenta excelente adaptação ao clima tropical, condição reforçada por Tanga et al. (2021), que demonstram que o perfil termoescrotal da raça favorece a manutenção da espermatogênese mesmo sob temperaturas elevadas. Os achados deste estudo estão de acordo com esses autores, pois o animal avaliado também apresentou morfofisiologia escrotal compatível com uma espermatogênese preservada em ambiente quente, caracterizada com uma boa motilidade e vigor do sêmen.

Quanto à avaliação da morfologia espermática, os resultados também se mantiveram dentro do esperado para a espécie de acordo com (Wysokińska et al., 2023). Silva et al. (2023) afirmam que percentuais de defeitos totais inferiores a 30% são compatíveis com fertilidade satisfatória, o que corresponde ao primeiro ejaculado (22,0%). Já a segunda coleta apresentou exatamente 30,0%, ainda dentro do limite descrito pelos autores. A presença de inserção abaxial, observada em 5,0% dos espermatozoides na primeira coleta e 2,5% na segunda, condiz com Paula Júnior et al. (2023), que relatam que a inserção abaxial da peça intermediária constitui variação fisiológica em equinos. Os demais achados morfológicos como a predominância de células normais (73,0% e 67,5%) com distribuição típica de defeitos maiores e menores reforçam a interpretação de normalidade. Medeiros et al. (2018) alertam que a análise morfológica deve ser interpretada com cautela para evitar diagnósticos precipitados de subfertilidade, o que se evidencia neste caso, uma vez que os valores obtidos se mantêm dentro dos limites fisiológicos da espécie.

Dessa forma, os resultados obtidos reforçam que o desempenho reprodutivo de garanhões idosos pode ser preservado quando associado a manejo nutricional, sanitário e reprodutivo adequados, além de um acompanhamento andrológico contínuo estando de acordo com Paula Junior et al., 2023; Jasko e Pickett, 2020. A manutenção de parâmetros seminais dentro da normalidade mesmo em animais mais velhos sugere que a idade, isoladamente, não é determinante para a queda da fertilidade, sobretudo quando o manejo é conduzido de forma estratégica. Esses achados estão em consonância com a literatura, a qual destaca que fatores ambientais e de manejo podem atenuar os efeitos fisiológicos do envelhecimento sobre o aparelho reprodutor. Ferreira et al. (2021) e o CBRA (2013) ressaltam que a integração entre parâmetros clínicos, morfológicos e seminais constitui a abordagem mais eficaz para a avaliação da fertilidade, permitindo identificar precocemente alterações que possam comprometer o desempenho reprodutivo. 

Os resultados deste estudo corroboram essa perspectiva, uma vez que a combinação de exame clínico reprodutivo, avaliação do sistema reprodutor masculino e análise seminal permitiu confirmar a aptidão reprodutiva do garanhão idoso avaliado. Assim, evidencia-se que a adoção de protocolos andrológicos completos contribui significativamente para a eficiência reprodutiva dos plantéis de Mangalarga Marchador, alinhando-se às recomendações propostas pelos autores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Conclui-se que, mesmo em idade avançada, o garanhão avaliado demonstrou estar apto para a reprodução. O estudo evidencia a importância da realização periódica do exame andrológico em equinos, visto que este procedimento possibilita o monitoramento da fertilidade e a detecção precoce de alterações reprodutivas.

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1Discente do Curso Superior de Medicina Veterinária da Universidade Iguaçu Campus Nova Iguaçu
2Médico Veterinário Autônomo
3Docente do Curso Superior de Medicina Veterinária da Universidade Iguaçu Campus Nova Iguaçu.