DISTÚRBIO DO DESENVOLVIMENTO SEXUAL, PSEUDO HERMAFRODITA FEMININO EM UMA CADELA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512051611


Lais Siqueira Barboza da Silva1; Maria Eduarda Capela Masello1; Carolina Resende Costa1; Izabelly Monteiro de Oliveira1; Júlia dos Santos Jasmim1; Laryssa Jardim da Silva Medeiros1; Aline Vieira Pinheiro dos Santos2; Eliene Porto Sad Pina3; Natália Lores Lopes3; Dala Kezen Vieira Hardman Leite3


RESUMO

O pseudo-hermafroditismo feminino em cadelas é uma manifestação dos Distúrbios do Desenvolvimento Sexual (DDS), caracterizada por discordância entre sexo gonadal e fenotípico, genitália ambígua e alterações comportamentais. A avaliação ginecológica completa, assim como os exames complementares, hormonais, ultrassonográficos, histopatológicos e citogenéticos são essenciais para a correta caracterização e compreensão das implicações reprodutivas. As anomalias do desenvolvimento sexual em cadelas, frequentemente denominadas condições intersexuais, consistem em alterações no processo normal de diferenciação do sexo, resultando em discordâncias entre o sexo cromossômico, gonadal e fenotípico. Esses distúrbios são de grande importância para a reprodução animal, visto que impactam diretamente a fertilidade e a função reprodutiva das fêmeas. As etiologias são variadas, incluindo mutações genéticas, distúrbios hormonais intrauterinos e fatores ambientais. Este trabalho visa relatar um caso de Distúrbio do Desenvolvimento Sexual (DDS), suspeita clínica de pseudo-hermafrodita feminino. O animal da espécie canina, raça Cocker Spaniel, castrada, com 14 anos de idade, pesando 7,8 kg foi atendido na Clínica Escola da Universidade Iguaçu, campus Iguaçu. Como queixa principal, a responsável relatou que havia uma secreção na vulva, neoplasia renal e mamas aumentadas. Durante a anamnese, a tutora relatou que a cadela foi submetida à ovariossalpingo-histerectomia há três meses, em decorrência de quadro de piometra. O que diz respeito ao histórico reprodutivo a cadela apresentou apenas dois cios ao longo da vida. Observou-se relato de comportamento de monta quando em contato com outras fêmeas em estro. Durante o exame físico, os parâmetros vitais mantiveram-se dentro da normalidade, sem alterações relevantes. No exame clínico, observou-se secreção vaginal branca-amarelada, vulva edemaciada e hipocorada. Ao exame físico, constatou-se genitália externa ambígua, com presença de estrutura peniana no interior da vulva. O caso reforça a importância da avaliação clínica e laboratorial detalhada e dá atenção aos DDS na prática veterinária para subsidiar manejo reprodutivo eficiente.

Palavras-chave: Anomalias; Espécie canina; Intersexualidade; Reprodução animal. 

ABSTRACT

Female pseudohermaphroditism in bitches is a manifestation of Disorders of Sexual Development (DSD), characterized by a discrepancy between gonadal and phenotypic sex, ambiguous genitalia, and behavioral alterations. Hormonal, histopathological, and genetic examinations are essential for the correct characterization and understanding of reproductive implications. Anomalies of sexual development in bitches, frequently called intersex conditions, consist of alterations in the normal process of sex differentiation, resulting in discrepancies between chromosomal, gonadal, and phenotypic sex. These disorders are of great importance for animal reproduction, as they directly impact fertility and reproductive function in females. The etiologies are varied, including genetic mutations, intrauterine hormonal disorders, and environmental factors. This work aims to report a case of Disorder of Sexual Development (DSD), with clinical suspicion of female pseudohermaphroditism. A 14-year-old, 7.8 kg, spayed Cocker Spaniel was presented to the University Clinic at Iguaçu campus. The owner reported vulvar discharge, renal neoplasia, and enlarged mammary glands as the primary complaint. During the anamnesis, the owner stated that the dog had undergone an ovariohysterectomy three months prior due to pyometra. Regarding reproductive history, the dog had only experienced two estrous cycles in her lifetime. Mounting behavior was noted when in contact with other females in estrus. During the physical examination, vital signs remained within normal limits, without significant alterations. Clinical examination revealed a whitish-yellow vaginal discharge, an edematous and pale vulva. The physical examination also revealed ambiguous external genitalia, with the presence of a penile structure inside the vulva. This case reinforces the importance of detailed clinical and laboratory evaluation and draws attention to DSDs (Diagnostic and Statistical Disorders) in veterinary practice to support responsible reproductive management, preventing the spread of genetic alterations.

Keywords: Animal reproduction Anomalies; Canine species; Intersexuality. 

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, os animais de companhia, especialmente os cães, conquistaram papel de grande relevância social, afetiva e terapêutica, sendo considerados membros da família em muitos lares. Este vínculo estreito ampliou a demanda por cuidados de saúde especializados, incluindo a atenção às alterações reprodutivas, que podem impactar diretamente a qualidade de vida e o bem-estar desses animais.  (Costa; Lopes; Gomes, 2020d; Martins et al., 2021; Oliveira et al., 2020). 

Anomalias no desenvolvimento sexual em cadelas, historicamente abordadas como hermafroditismo ou intersexo, são agora mais bem compreendidas sob o termo mais abrangente de Distúrbio do Desenvolvimento Sexual (DDS). Essa definição é mais precisa por englobar as variadas manifestações clínicas e genéticas dessas condições. O Distúrbios do Desenvolvimento Sexual corresponde a um grupo heterogêneo de condições caracterizadas por discordância entre sexo cromossômico, gonadal e/ou fenotípico, decorrentes de falhas na determinação ou diferenciação sexual (Dos Santos et al., 2021a). Em cães, podem manifestar-se como hermafroditismo verdadeiro, pseudo-hermafroditismo e fenótipos complexos descritos por análises genômicas recentes (Cardilli et al., 2020a). Embora considerados raros na clínica veterinária, sua identificação tem aumentado devido ao avanço dos métodos diagnósticos e à maior atenção a manifestações reprodutivas atípicas (Pessutti; Santos; Miglino, 2020b). A prevalência exata permanece pouco definida, visto que muitos animais são castrados precocemente ou apresentam sinais discretos que podem passar despercebidos. Algumas raças, como o French Bulldog e o Cocker Spaniel, apresentam maior predisposição, possivelmente associada à consanguinidade (De Gennaro et al., 2024). 

A etiologia inclui causas genéticas, como aneuploidias e mutações em genes importantes para a determinação sexual – SRY, SOX9 e RSPO1 (Moura et al., 2022a), além de influências hormonais intrauterinas, produção ou ação da testosterona e do hormônio antimülleriano (AMH), que podem causar virilização ou feminização anormais (Alves; Morais; Silva, 2019b). Fatores ambientais, como disruptores endócrinos, também podem contribuir, embora ainda pouco estudados na espécie canina (Almeida, 2021c; França; Costa; Almeida, 2021c).

A patogenia envolve falhas nos estágios de determinação cromossômica, diferenciação gonadal e diferenciação fenotípica, resultando em mosaicismos XX/XY, gônadas ovotesticulares ou discordância entre sexo gonadal e fenotípico (Ribeiro; Almeida; Pereira, 2019c). As alterações em genes-chave nas mutações em SRY e SOX9 podem levar à reversão sexual e desenvolvimento de tecidos mistos (De Gennaro et al., 2024). Alterações hormonais durante o desenvolvimento fetal também podem gerar genitália ambígua (Meireles; Freitas; Rocha, 2019). No pseudo-hermafroditismo, a patogenia geralmente envolve defeitos na produção, transporte ou ação dos hormônios sexuais durante janelas críticas do desenvolvimento fetal — por exemplo, deficiência na síntese de androgênios pelos testículos fetais, defeitos no receptor de andrógenos ou na conversão periférica de andrógenos, podendo também envolver produção excessiva de andrógenos em fetos XX (por distúrbios maternos, tumores fetais ou exposição a compostos exógenos (França et al., 2021c Pessutti et al., 2020b. 

A diferenciação entre hermafroditismo verdadeiro e pseudo-hermafroditismo é fundamental, pois direciona tanto a investigação diagnóstica quanto a conduta terapêutica. No hermafroditismo verdadeiro, a presença concomitante de tecidos ovariano e testicular requer planejamento cirúrgico específico para remoção e análise histopatológica, além de orientação reprodutiva rigorosa. Entretanto, no pseudo-hermafroditismo, a principal etapa diagnóstica consiste em determinar o sexo cromossômico e a identidade gonadal por meio de cariotipagem, PCR para o gene SRY e, quando disponível, sequenciamento, visto que gônadas funcionais do sexo oposto podem implicar riscos distintos, apresentando uma maior probabilidade de neoplasias em testículos intra-abdominais (Ribeiro et al., 2019a; Szczerbal et al., 2021). Em ambos os contextos, a análise histopatológica das gônadas removidas permanece como o método de referência para confirmar o tipo tecidual e identificar eventuais alterações neoplásicas ou displásicas (Pompeu et al., 2015; Pessutti et al., 2020b; Santos, 2021; Nascimento; Perminov et al., 2018; Venturini et al., 2023).

O pseudo-hermafroditismo caracteriza-se pela discordância entre o tipo gonadal e a genitália externa e/ou ductos reprodutivos que se assemelham ao sexo oposto. No pseudo-hermafroditismo masculino (MPH), indivíduos XY com testículos apresentam feminilização parcial da genitália externa ou dos ductos (Bigliardi et al., 2011; Hendawy et al., 2022). No pseudo-hermafroditismo feminino (FPH), indivíduo tem cromossomos XX com ovários, mas apresenta virilização da genitália externa (Bigliardi et al., 2011; Hendawy et al., 2022). Nos exames de imagem geralmente evidenciam gônadas intra-abdominais ou inguinais, enquanto a histopatologia confirma a natureza gonadal que define o subtipo (Bertoldo et al., 2023Kim et al., 2019;).

Estudos recentes, sobretudo em raças com maior incidência de DDS, como French Bulldog e Cocker Spaniel, têm demonstrado a utilidade de métodos avançados de imagem — como tomografia computadorizada e ressonância magnética —, além de painéis hormonais, incluindo AMH, associados à citogenética, para definição diagnóstica e suporte à decisão cirúrgica (Hendawy et al., 2022; De Gennaro et al., 2024).

Os sinais clínicos variam conforme o tipo de DDS e o grau de discordância sexual. Incluem genitália ambígua, hipertrofia de vulva, presença de estruturas penianas em fêmeas, alterações de ciclo estral, infertilidade e comportamento de monta (Morais; Martins; Oliveira, 2021; Souza; Pereira; Brito, 2019a). Contudo, há predisposição a complicações como a piometra, HEC e neoplasias gonadais (Ferreira; Lima; Souza, 2021a).

O tratamento do pseudo-hermafroditismo em cadelas é predominantemente cirúrgico, visando reduzir riscos patológicos associados às gônadas anômalas e corrigir alterações funcionais e comportamentais (Pessutti et al., 2020b). A correção cirúrgica da genitália externa permanece indicada quando há prejuízos funcionais, como dificuldade de micção, trauma crônico ou acúmulo de secreções associado ao clitóris hipertrofiado). É imprescindível que o médico veterinário esclareça ao criador sobre a exclusão permanente desses indivíduos de quaisquer programas reprodutivos, pois a natureza hereditária de muitos DSDs exige aconselhamento genético para mitigar a disseminação das variantes causadoras dentro da linhagem (Alves; Morais; Silva, 2019b; Ribeiro et al., 2019a; WSAVA, 2020; (Hendawy et al., 2022). Em alguns casos, realiza-se correção cirúrgica da genitália externa com fins funcionais ou estéticos (França; Costa; Almeida, 2021c).

A investigação dessas condições é de suma importância para a medicina veterinária reprodutiva, uma vez que viabiliza o diagnóstico precoce, orienta condutas clínicas mais eficazes, contribui para a preservação da qualidade genética dos plantéis e assegura uma atuação ética e responsável no cuidado e bem-estar dos animais. (Santos et al., 2021c).

Este trabalho tem como objetivo relatar um caso de Distúrbio do Desenvolvimento Sexual em uma cadela, com suspeita de pseudo-hermafrodita feminino.

RELATO DE CASO

Um animal da espécie canina, raça Cocker Spaniel, castrada, com 14 anos de idade, pesando de 7,8 kg foi atendido na Clínica Escola da Universidade Iguaçu, campus Iguaçu (Figura 2). 

Durante a anamnese, a tutora informou que a cadela foi submetida à ovariossalpingo-histerectomia há três meses, em decorrência de um quadro de piometra. No que diz respeito ao histórico reprodutivo, a cadela apresentou apenas dois cios ao longo da vida, mas continuou a manifestar comportamento de monta e libido ao entrar em contato com outras fêmeas em estro. Indicando a manutenção da libido mesmo após o procedimento cirúrgico.

Durante o exame físico, os parâmetros vitais mantiveram-se dentro da normalidade, sem alterações relevantes. No exame clínico, observou-se secreção vaginal branca-amarelada (Figura 3), vulva edemaciada e hipocorada. 

Figura 2 – Cadela, raça Cocker Spaniel, 14 anos de idade.

Fonte: Arquivo pessoal, 2022.

Figura 3 – Exame clínico da vulva: aumentada e secreção esbranquiçada.

Fonte: Arquivo pessoal, 2022.

Durante o exame físico, constatou-se genitália externa ambígua, apresentando estruturas compatíveis com um pênis na região da vulva (Figuras 4A e 4B). Além disso, observou-se um aumento da vulva, com mucosa hipocorada. Também foi identificada hipertrofia das glândulas mamárias e a presença pontos. 

Figura 4 – Genitália externa ambígua, estrutura peniana envolvido por vulva em paciente com suspeita de pseudo-hermafroditismo (A e B).

Fonte: Arquivo pessoal, 2022.

No exame ultrassonográfico realizado previamente, por ocasião do diagnóstico de piometra, foram avaliadas a presença de ovários e de útero. Além da identificação de uma estrutura compatível com neoplasia renal e de nódulos localizados na região perirretal.

Com base nos achados clínicos, o diagnóstico foi definido como suspeita de pseudo-hermafroditismo feminino, não confirmada por exames histopatológicos e citogenéticos, devido à falta de retorno do animal até a clínica.

DISCUSSÃO

Os achados observados no presente caso, apresentaram forte semelhança com os quadros de pseudo-hermafroditismo feminino descritos na literatura, conforme De Gennaro et al. (2024) e Venturini et al. (2023). Eles descrevem que o pseudo-hermafroditismo feminino é caracterizado pela discordância entre o sexo gonadal, definido pela presença de ovários, e a genitália externa masculinizada. 

De acordo com a literatura (Krzeminska et al., 2022; Szczerbal et al., 2021) a raça Cocker Spaniel da cadela como a paciente deste relato, apresenta predisposição genética à desordens do desenvolvimento sexual (DDS). Os autores relacionam essas alterações a fatores hereditários, possivelmente associados a falhas na diferenciação sexual embrionária, conforme discutido por Almeida e Costa (2024) e Ferreira et al. (2023). Assim, a predisposição racial observada mostra-se compatível com o que já foi documentado em estudos anteriores.

O histórico reprodutivo desta cadela, de apenas dois cios e evolução para piometra anterior a ovariossalpingohisterectomia (OSH), já foi descrita em cadelas com desordens do desenvolvimento sexual (DDS) de acordo com Ferreira et al. (2021a), França et al. (2021a) e Nascimento e Santos (2021). Esses autores citam que a presença de disfunção estral predispõe ao desenvolvimento de Hiperplasia Endometrial Cística (HEC) e piometra, o que corrobora com os achados observados neste caso. 

O comportamento de monta e a manifestação de libido frente a outras fêmeas em estro, embora incomuns em cadelas, são compatíveis com relatos de alterações comportamentais associadas às DDS, conforme descrito por Morais et al. (2021), no qual destaca que a masculinização comportamental secundária à exposição androgênica em períodos críticos do desenvolvimento neurológico é comum.

Durante o exame físico, identificou-se hipertrofia das glândulas mamárias, vulva edemaciada, mucosa hipocorada e genitália externa ambígua, marcada pela presença de uma estrutura peniana ectópica em região vulvar. Esses achados são semelhantes aos descritos por Dos Santos et al. (2021a), que destacam a estrutura peniana ectópica como um dos principais marcadores clínicos do pseudo-hermafroditismo feminino (FPH). Pessutti et al. (2020a) e Perminov et al. (2018) descreveram sobre o padrão fenotípico, reforçando que a masculinização parcial da genitália externa é uma característica recorrente nas desordens do desenvolvimento sexual, conforme encontrado no presente relato. 

Com base nos achados clínicos, o diagnóstico foi definido como suspeita de pseudo-hermafroditismo feminino, não confirmada por exames histopatológicos e citogenéticos, devido à falta de retorno do animal até a clínica, discordando com o que Pessutti e colaboradores relataram em 2020b, onde afirmaram que a confirmação diagnóstica exige métodos complementares. Santos et al. (2020a); Hendawy et al. (2022) e Pompeu et al. (2015) descreveram que o diagnóstico deve ser confirmado por meio de exames histopatológicos que identificam a presença de testículos e ovários ou de estruturas gonadais misturadas, denominadas ovotestes, e testes citogenéticos/moleculares (cariótipo, PCR para SRY, painéis direcionados ou NGS em centros com capacidade). Ressaltando, as citações de Costa et al. (2023c) e Szczerbal et al. (2021) que a determinação do sexo cromossômico por cariotipagem ou PCR para o gene SRY constitui o padrão-ouro para a definição etiológica do distúrbio de desenvolvimento sexual, o que não foi realizado nesse relato.

 A caracterização das estruturas reprodutivas internas da cadela, incluindo útero e gônadas, foi realizada através de procedimento ultrassonográfico, que também pode ser utilizada como ferramenta diagnóstica conforme defendido por Silva et al. (2020) e Oliveira et al. (2022a).

A abordagem cirúrgica, como a ovariossalpingohisterectomia realizada nesta descrição, é a base do tratamento para o pseudo-hermafroditismo (DSD) em cadelas, busca a eliminação de riscos patológicos das gônadas anômalas e a correção de disfunções, conforme descrevem Pessutti et al. (2020b).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O pseudo-hermafroditismo feminino em cadelas é uma manifestação dos Distúrbios do Desenvolvimento Sexual (DDS), caracterizada por discordância entre sexo gonadal e fenotípico, genitália ambígua e alterações comportamentais. A avaliação ginecológica completa, assim como exames complementares, hormonais, histopatológicos, ultrassonográfico e citogenéticos são essenciais para o diagnóstico e compreensão das implicações reprodutivas. O caso reforça a importância da avaliação clínica detalhada e da atenção aos DDS na prática veterinária para subsidiar manejo reprodutivo eficiente. 

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1Discente do Curso Superior de Medicina Veterinária da Universidade Iguaçu Campus Nova Iguaçu
2Docente do Curso Superior de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Piauí
3Docente do Curso Superior de Medicina Veterinária da Universidade Iguaçu Campus Nova Iguaçu