PRÉ-ECLÂMPSIA: ESTRATÉGIAS CONTEMPORÂNEAS DE ENFERMAGEM  PARA O MANEJO CLÍNICO E O CUIDADO INTEGRAL À GESTANTE 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202512051458


Jacira Oliveira Cordeiro1
Josiane Teodoro dos Santos  Bermond2
Sabrina Graciano Agostinho3
Orientadora: Rariene da Silva Leal


RESUMO 

A pré-eclâmpsia constitui uma complicação gestacional associada à hipertensão arterial e  disfunção orgânica materna, representando uma das principais causas de morbimortalidade  materna e perinatal. Este estudo teve como objetivo analisar as estratégias contemporâneas de  enfermagem aplicadas ao manejo clínico e ao cuidado integral de gestantes com pré-eclâmpsia.  Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases SciELO, LILACS e  PubMed, contemplando 15 artigos publicados entre 2015 e 2024. Os achados evidenciam a  relevância do diagnóstico precoce, da educação em saúde e da integração multiprofissional  como práticas fundamentais para a assistência qualificada. Conclui-se que a enfermagem exerce  papel central na detecção precoce, acompanhamento e humanização do cuidado no pré-natal de  alto risco, contribuindo para a redução de complicações e melhor desfecho materno-fetal. 

Palavras-chave: Pré-eclâmpsia. Enfermagem. Saúde materna. Manejo clínico. Cuidado  integral. 

ABSTRACT 

Preeclampsia is a pregnancy complication associated with hypertension and maternal organ  dysfunction, representing one of the leading causes of maternal and perinatal morbidity and  mortality. This study aimed to analyze contemporary nursing strategies applied to the clinical management and comprehensive care of pregnant women with preeclampsia. It is an integrative  literature review conducted in the SciELO, LILACS, and PubMed databases, including 15  articles published between 2015 and 2024. The findings highlight the relevance of early  diagnosis, health education, and multidisciplinary integration as fundamental practices for  qualified care. It is concluded that nursing plays a central role in early detection, monitoring,  and the humanization of care in high-risk prenatal follow-up, contributing to the reduction of  complications and improved maternal-fetal outcomes. 

Keywords: Preeclampsia. Nursing. Maternal health. Clinical management. Comprehensive  care.

1 INTRODUÇÃO 

A pré-eclâmpsia é reconhecida como uma das principais síndromes hipertensivas da  gestação, definida pelo aumento da pressão arterial e pela disfunção de múltiplos órgãos  maternos, podendo evoluir para eclâmpsia, síndrome HELLP e, em casos graves, óbito materno  e fetal. Trata-se de uma condição multifatorial e sistêmica, relacionada a alterações endoteliais,  inflamatórias e placentárias que comprometem o equilíbrio hemodinâmico da gestante. Apesar  dos avanços nos protocolos de atenção pré-natal, a pré-eclâmpsia ainda se destaca como uma  das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, especialmente em países em  desenvolvimento (Saraiva et al., 2022). 

Nesse cenário, a enfermagem tem papel central na identificação de sinais de gravidade,  no acompanhamento clínico e na implementação de cuidados individualizados que visem  reduzir complicações (Coutinho et al., 2023). A atuação do enfermeiro não se limita ao  monitoramento da pressão arterial ou à administração de medicamentos, mas também envolve  educação em saúde, acolhimento e orientação preventiva, fortalecendo a autonomia da gestante  e promovendo maior segurança (Cardoso et al., 2024). 

Entretanto, muitas mulheres ainda enfrentam barreiras de acesso aos serviços de saúde,  diagnóstico tardio e acompanhamento insuficiente, o que agrava os riscos maternos e fetais  (Menezes et al., 2024). Essa lacuna evidencia a necessidade de aprofundar o conhecimento  sobre práticas de enfermagem eficazes e humanizadas que possam contribuir para melhores  desfechos. 

O objetivo geral deste estudo é analisar as estratégias contemporâneas de enfermagem  voltadas ao manejo clínico e ao cuidado integral de pacientes com pré-eclâmpsia. De forma  específica, pretende-se: identificar as principais práticas de enfermagem utilizadas na detecção  precoce e no acompanhamento da síndrome; avaliar a contribuição dos protocolos clínicos e  das tecnologias aplicadas ao manejo da condição; compreender a relevância da abordagem  humanizada na assistência à gestante; e refletir sobre os desafios que ainda dificultam a atuação  efetiva da enfermagem nesse cenário. 

A relevância do estudo decorre do impacto da pré-eclâmpsia na saúde materna e fetal e  da necessidade de fortalecer práticas assistenciais capazes de reduzir complicações, subsidiando  melhorias na formação profissional e nas políticas públicas voltadas à saúde da mulher. 

2. METODOLOGIA 

O presente estudo constitui uma revisão integrativa da literatura, conduzida conforme  as etapas metodológicas propostas por Whittemore e Knafl (2005) e adaptadas ao protocolo  PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses). A busca foi  realizada nas bases de dados SciELO, LILACS e PubMed, utilizando os descritores “pré eclâmpsia”, “enfermagem” e “manejo clínico”, combinados pelos operadores booleanos AND  e OR. 

Foram incluídos artigos originais publicados entre 2015 e 2024, disponíveis na íntegra,  nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordavam a atuação da enfermagem no manejo  clínico da pré-eclâmpsia. Excluíram-se estudos duplicados, revisões simples, dissertações, teses  e publicações que não contemplavam o foco temático. 

A coleta de dados foi realizada nas bases SciELO, LILACS, PubMe e busca manual  complementar, utilizando descritores controlados e não controlados em português e inglês,  combinados por operadores booleanos, como “pré-eclâmpsia” OR “preeclampsia” AND  “enfermagem” OR “nursing” AND (“manejo clínico” OR “clinical management”) A seleção  dos estudos ocorreu em duas etapas: primeiramente, realizou-se a triagem de títulos e resumos,  com exclusão dos trabalhos não relacionados ao objeto de estudo; em seguida, procedeu-se à  leitura integral dos textos elegíveis, de modo a confirmar sua relevância.  

Os critérios de inclusão adotados consideraram artigos originais e revisões que  abordassem a pré-eclâmpsia sob perspectivas conceituais, epidemiológicas, clínicas e  assistenciais, com ênfase na prática de enfermagem, disponíveis em texto completo e  publicados nos idiomas português ou inglês. Foram excluídos materiais duplicados, editoriais,  cartas ao editor, resumos sem acesso ao texto integral, publicações não revisadas por pares e  trabalhos que não apresentassem relação direta com a temática. 

A extração dos dados foi realizada a partir da leitura analítica dos textos selecionados,  sendo organizada em planilha contendo informações sobre autor, ano, país, desenho  metodológico, população ou amostra estudada, intervenções de enfermagem descritas,  desfechos analisados, principais achados, limitações e implicações para a prática clínica.  Posteriormente, os resultados foram submetidos a análise temática, permitindo a categorização  dos achados em eixos como diagnóstico e monitoramento clínico, fatores de risco e  epidemiologia, protocolos e tecnologias aplicadas, bem como cuidado integral e humanização.  

Essa sistematização possibilitou identificar convergências e divergências entre os autores, além  de destacar lacunas de conhecimento que justificam novas pesquisas e contribuem para o  fortalecimento da assistência em enfermagem. 

Por se tratar de pesquisa baseada exclusivamente em fontes secundárias, não houve  necessidade de submissão a Comitê de Ética em Pesquisa. Todos os estudos foram devidamente  referenciados, respeitando-se os princípios da integridade científica e a correta atribuição de  autoria das ideias analisadas. 

3. DESENVOLVIMENTO 

3.1 Conceito e Fisiopatologia da Pré-eclâmpsia 

A pré-eclâmpsia é classificada como uma síndrome hipertensiva específica da gestação,  manifestando-se após a 20ª semana, e caracterizada por hipertensão arterial associada à  proteinúria ou sinais de disfunção orgânica materna. Essa condição representa um distúrbio  multifatorial que envolve aspectos genéticos, imunológicos e ambientais, os quais interagem de  forma complexa no organismo da gestante (MELILLO et al., 2023). O entendimento conceitual  da pré-eclâmpsia permite compreender sua relevância clínica e justificar a necessidade de  estratégias específicas de cuidado na prática da enfermagem. 

Do ponto de vista fisiopatológico, a doença decorre principalmente de falhas na  remodelação das artérias espiraladas uterinas, processo fundamental para o adequado  desenvolvimento da placenta. Em condições normais, essas artérias sofrem transformações  estruturais que permitem maior aporte sanguíneo ao feto. Entretanto, em casos de pré eclâmpsia, essa remodelação é incompleta, resultando em hipóxia placentária e liberação de  mediadores inflamatórios na circulação materna (COUTINHO et al., 2023). Essa resposta inflamatória exacerbada é acompanhada por estresse oxidativo e produção  de radicais livres, que promovem disfunção endotelial e aumento da permeabilidade vascular.  Tais alterações contribuem para o surgimento de manifestações clínicas como edema,  proteinúria e elevação da pressão arterial (LUZ et al., 2024). A associação entre processos  imunológicos e fatores angiogênicos evidencia o caráter multifatorial da síndrome e reforça a  necessidade de abordagens terapêuticas integradas. 

Além da hipóxia placentária, a fisiopatologia da pré-eclâmpsia também está relacionada  a um desequilíbrio entre fatores pró e antiangiogênicos. O aumento da concentração sérica de sFlt-1 e a redução de PlGF são marcadores importantes na evolução da doença, pois influenciam  diretamente a perfusão placentária e o funcionamento endotelial (COSTA et al., 2024). Tais  achados têm contribuído para a identificação de biomarcadores capazes de auxiliar no diagnóstico precoce e no monitoramento de gestantes em risco. 

Quadro 1 – Principais mecanismos fisiopatológicos da pré-eclâmpsia 

Mecanismo Alterado Consequência Clínica Relevância para o cuidado  de enfermagem
Remodelação incompleta  das artérias uterinasHipóxia placentária,  inflamação sistêmicaVigilância contínua da PA e  sinais de risco
Estresse oxidativo e  disfunção endotelialEdema, proteinúria,  hipertensãoOrientação e detecção  precoce de sintomas
Desequilíbrio angiogênico  (↑sFlt-1 / ↓PlGF)Restrição de crescimento  intrauterinoMonitoramento fetal com  dopplervelocimetria
Alteração imunológica  materno-fetalProcesso inflamatório  crônicoApoio multiprofissional e  prevenção de complicações
Comprometimento sistêmico Síndrome HELLP,  eclâmpsia, risco  cardiovascular futuroPlanejamento de cuidado a  curto e longo prazo

Fonte: Adaptado de Melillo et al. (2023), Coutinho et al. (2023), Luz et al. (2024), Costa et al. (2024). 

Outro aspecto relevante diz respeito à ativação anômala do sistema imunológico  materno frente ao tecido trofoblástico. Estudos sugerem que falhas no reconhecimento  imunológico entre mãe e feto podem gerar um processo inflamatório crônico de baixa  intensidade, o qual compromete a função placentária e favorece o aparecimento da síndrome  (CARDOSO et al., 2024). Essa perspectiva reforça a importância de pesquisas voltadas à  imunologia da gestação como subsídio para novas formas de intervenção. 

A pré-eclâmpsia pode ainda ser classificada em formas precoces e tardias, conforme o  momento de sua manifestação. A forma precoce, geralmente diagnosticada antes da 34ª semana  de gestação, está mais associada a alterações placentárias graves e resulta em maior risco para  o feto. Já a forma tardia, identificada após esse período, costuma estar relacionada a fatores maternos como obesidade e doenças crônicas, e embora apresente menor comprometimento  placentário, também acarreta risco significativo de complicações (SOUZA et al., 2024). Do ponto de vista clínico, compreender essa distinção é essencial para que a equipe de  enfermagem estruture protocolos diferenciados de cuidado, direcionando estratégias específicas  para cada perfil de paciente. A classificação temporal da doença, associada à análise de  biomarcadores, tem se mostrado fundamental na previsão de desfechos e na tomada de decisões  terapêuticas (MORAIS et al., 2022). 

Outro ponto crítico da fisiopatologia é a disfunção endotelial sistêmica, que afeta órgãos  como rins, fígado e cérebro. Essa condição contribui para manifestações clínicas graves,  incluindo síndrome HELLP, eclâmpsia e insuficiência renal aguda, sendo determinante para os  índices de morbimortalidade materna (SILVA, G. D. C. et al., 2024). Dessa forma, a  compreensão das alterações fisiopatológicas não é apenas uma questão acadêmica, mas um  conhecimento prático necessário para a vigilância clínica no cotidiano hospitalar. 

A literatura também aponta a influência de fatores genéticos e epigenéticos no  desenvolvimento da pré-eclâmpsia. Alterações em genes relacionados à angiogênese, resposta  imunológica e metabolismo oxidativo têm sido investigadas como potenciais preditores da  doença (SALGADO et al., 2024). Essa perspectiva amplia as possibilidades de diagnóstico  precoce e sugere novos caminhos para a medicina personalizada aplicada ao pré-natal. 

Além disso, há evidências crescentes de que a pré-eclâmpsia não se limita ao período  gestacional, pois está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares em longo prazo.  Mulheres que vivenciaram a síndrome apresentam maior probabilidade de desenvolver  hipertensão arterial crônica, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral, o que reforça a  necessidade de acompanhamento contínuo após o parto (LISBOA; DUARTE; SILVA, 2024). 

Essa compreensão ampliada da fisiopatologia sustenta a atuação multiprofissional e  justifica a importância da enfermagem no manejo integral. A identificação precoce dos  mecanismos envolvidos e a aplicação de protocolos baseados em evidências tornam-se  elementos centrais para prevenir complicações e reduzir os impactos da doença no ciclo  gravídico-puerperal (CAMPOS et al., 2023). 

A definição conceitual e a análise fisiopatológica da pré-eclâmpsia permitem  contextualizar a gravidade da síndrome e evidenciam a complexidade do cuidado necessário. A  integração entre ciência básica, estudos clínicos e práticas assistenciais constitui o alicerce para  a construção de estratégias efetivas na redução da morbimortalidade materno-fetal, consolidando o papel da enfermagem como protagonista nesse processo (SARAIVA et al.,  2022). 

3.2 Fatores de Risco e Epidemiologia 

A identificação dos fatores de risco relacionados à pré-eclâmpsia é essencial para o  desenvolvimento de estratégias preventivas e para o aprimoramento do cuidado de enfermagem.  Entre os principais fatores descritos na literatura estão a idade materna avançada, obesidade,  histórico familiar de hipertensão, gestação múltipla e doenças crônicas preexistentes, como  hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus (COSTA et al., 2024). O conhecimento desses  elementos permite aos profissionais de saúde estabelecer protocolos de acompanhamento mais  rigorosos para gestantes com perfil de maior vulnerabilidade. 

Estudos epidemiológicos demonstram que a pré-eclâmpsia é mais frequente em  gestantes primíparas, sugerindo que a primeira exposição ao tecido trofoblástico desempenha  papel relevante na resposta imunológica materna. Além disso, a incidência é maior em mulheres  com antecedentes familiares de pré-eclâmpsia, o que aponta para uma contribuição genética  significativa no desenvolvimento da síndrome (CARDOSO et al., 2024). Essa predisposição  hereditária reforça a importância da anamnese detalhada durante o pré-natal, possibilitando a  estratificação precoce do risco. 

Outro aspecto relevante refere-se à obesidade, considerada um dos fatores mais  consistentes associados à pré-eclâmpsia. O excesso de peso está diretamente relacionado à  resistência insulínica, ao aumento da inflamação sistêmica e ao desequilíbrio angiogênico,  condições que favorecem a instalação da doença (COUTINHO et al., 2023). Gestantes obesas,  portanto, necessitam de monitoramento diferenciado e de orientações nutricionais que possam  reduzir o impacto metabólico sobre a gravidez. 

No que se refere à idade materna, tanto a gestação em adolescentes quanto em mulheres  acima de 35 anos configura perfis de maior risco. Em adolescentes, o fator está associado à  imaturidade fisiológica, enquanto em gestantes mais velhas há maior prevalência de doenças  crônicas preexistentes e alterações vasculares que contribuem para o surgimento da síndrome  (MELILLO et al., 2023). Esse achado epidemiológico reforça a necessidade de políticas  públicas voltadas a grupos etários vulneráveis. 

A presença de doenças crônicas, como hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus,  também desempenha papel central no risco para o desenvolvimento da pré-eclâmpsia. Gestantes com essas condições apresentam maior propensão a alterações endoteliais e à disfunção  placentária, o que aumenta a incidência de complicações materno-fetais (SOUZA et al., 2024).  A enfermagem, nesse contexto, precisa adotar protocolos de vigilância clínica que considerem  essas especificidades. 

Do ponto de vista epidemiológico, a pré-eclâmpsia é uma das principais causas de  mortalidade materna em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Dados recentes  indicam que a prevalência da síndrome varia entre 5% e 10% das gestações, com taxas mais  elevadas em contextos de vulnerabilidade social e em populações com baixo acesso ao pré-natal  de qualidade (SILVA, G. D. C. et al., 2024). Essa realidade aponta para desigualdades no  sistema de saúde e para a urgência de medidas de equidade no cuidado obstétrico. 

Além das variáveis biológicas, fatores socioeconômicos e culturais também influenciam  a prevalência da doença. Mulheres em condições de pobreza, com baixa escolaridade ou sem  acesso a serviços de saúde adequados apresentam maior risco de diagnóstico tardio e de  complicações graves associadas à pré-eclâmpsia (SARAIVA et al., 2022). Esse aspecto  evidencia que a síndrome não deve ser analisada apenas sob uma ótica biomédica, mas também  sob uma perspectiva social. 

A literatura ainda aponta o papel de fatores ambientais, como exposição a poluentes,  sedentarismo e alimentação inadequada, na elevação do risco de desenvolver a síndrome  hipertensiva (LEITE; VEGENAS; ROSA, 2023). Tais elementos ampliam a complexidade do  problema, reforçando a necessidade de estratégias intersetoriais que envolvam não apenas o  setor da saúde, mas também políticas públicas voltadas à qualidade de vida da população  feminina em idade reprodutiva. 

Outro ponto importante na análise epidemiológica da pré-eclâmpsia é sua associação  com desfechos neonatais adversos. A síndrome está entre as principais causas de prematuridade  iatrogênica, restrição de crescimento intrauterino e mortalidade perinatal (LUZ et al., 2024).  Esses achados reforçam a relevância do acompanhamento especializado e do papel da  enfermagem na identificação precoce de complicações que possam comprometer o bem-estar  fetal. 

A tendência epidemiológica da pré-eclâmpsia demonstra que, embora os avanços no  diagnóstico e no tratamento tenham reduzido a mortalidade em alguns países, a doença ainda  se mantém como problema global de saúde pública. Em regiões de alta vulnerabilidade, como  América Latina e África Subsaariana, os índices permanecem elevados, evidenciando a  necessidade de investimentos em políticas de saúde materna (MENEZES et al., 2024). 

Diante desse panorama, a atuação da enfermagem deve ser orientada não apenas pelo  acompanhamento clínico individual, mas também pela compreensão do contexto  epidemiológico e social em que a gestante está inserida. Isso implica em integrar ações  educativas, preventivas e de promoção da saúde, de modo a reduzir a incidência e a gravidade  da doença (LISBOA; DUARTE; SILVA, 2024). 

Os fatores de risco e a epidemiologia da pré-eclâmpsia revelam a complexidade da  síndrome e a necessidade de uma abordagem multiprofissional e contextualizada. A  identificação precoce dos grupos vulneráveis, associada a intervenções baseadas em evidências,  constitui ferramenta indispensável para a redução da morbimortalidade materno-fetal e para o  fortalecimento das práticas assistenciais em enfermagem (CAMPOS et al., 2023). 

3.3 Diagnóstico e Monitoramento Clínico 

O diagnóstico precoce da pré-eclâmpsia é um dos principais desafios enfrentados na  prática obstétrica, uma vez que os sinais iniciais podem ser sutis e facilmente confundidos com  manifestações comuns da gestação. A detecção adequada envolve não apenas a aferição  sistemática da pressão arterial, mas também a realização de exames laboratoriais e o  acompanhamento contínuo dos sintomas relatados pela gestante (SOUZA et al., 2024). A  precisão no diagnóstico é crucial para evitar complicações graves, tanto para a mãe quanto para  o feto. 

Entre os critérios diagnósticos mais utilizados, destaca-se a presença de hipertensão  arterial após a 20ª semana de gestação, definida por valores pressóricos iguais ou superiores a  140/90 mmHg em duas medições consecutivas. Além disso, a identificação de proteinúria,  geralmente através da análise da urina de 24 horas, reforça a suspeita clínica (MELILLO et al.,  2023). A associação de sinais laboratoriais, como alterações nas enzimas hepáticas e  plaquetopenia, também constitui marcadores importantes de gravidade da síndrome. 

A avaliação clínica exige ainda atenção para sintomas como cefaleia persistente, visão  turva, escotomas, dor epigástrica e edema generalizado. Esses sinais de alerta devem ser  prontamente reconhecidos pela equipe de enfermagem, uma vez que indicam risco iminente de  evolução para complicações como eclâmpsia e síndrome HELLP (MORAIS et al., 2022). Nesse  sentido, a capacitação dos profissionais é determinante para garantir a vigilância adequada  durante o pré-natal. 

O monitoramento contínuo da pressão arterial é uma das medidas mais eficazes no  rastreio da pré-eclâmpsia. Estudos recentes apontam que a utilização de tecnologias digitais,  como dispositivos portáteis de monitoramento domiciliar, tem ampliado a capacidade de  detecção precoce, sobretudo em regiões com limitações de acesso à saúde (CAMPOS et al.,  2023). Esse avanço tecnológico fortalece a autonomia da gestante no cuidado e melhora a  adesão ao acompanhamento clínico. 

Exames laboratoriais também desempenham papel essencial na confirmação  diagnóstica. A dosagem de proteínas urinárias, a análise da função renal por meio da creatinina  sérica e a avaliação da função hepática são exames indispensáveis para classificar a gravidade  da doença (COSTA et al., 2024). Em casos mais graves, o monitoramento hematológico,  incluindo a contagem de plaquetas, torna-se necessário para identificar complicações  associadas. 

A ultrassonografia obstétrica, associada à dopplervelocimetria, tem sido amplamente  utilizada no acompanhamento das gestantes com risco de pré-eclâmpsia. Esses métodos  permitem avaliar o fluxo sanguíneo uteroplacentário e fetal, possibilitando a identificação  precoce de restrição de crescimento intrauterino, uma das principais consequências da síndrome  (CARDOSO et al., 2024). Esse exame complementar é um aliado no cuidado multiprofissional,  integrando informações fundamentais para o manejo da gestante. 

O papel da enfermagem no diagnóstico precoce é central, uma vez que esses  profissionais estão diretamente envolvidos na triagem, no acolhimento e na orientação das  gestantes. A escuta qualificada de queixas maternas e a valorização dos sinais relatados  constituem etapas fundamentais para a identificação precoce (COUTINHO et al., 2023). Dessa  forma, a humanização do atendimento se alia ao conhecimento técnico-científico na construção  de uma prática assistencial efetiva. 

Protocolos clínicos padronizados têm sido adotados como estratégias para reduzir a  subjetividade na avaliação diagnóstica. Diretrizes internacionais recomendam que todas as  gestantes passem por rastreamento de fatores de risco já no primeiro trimestre, com  monitoramento específico das que apresentam maior vulnerabilidade (LEITE; VEGENAS;  ROSA, 2023). A utilização de protocolos de enfermagem contribui para padronizar condutas e  aumentar a segurança da prática assistencial. 

Outro aspecto relevante é a estratificação de risco. Ao classificar as gestantes segundo  fatores predisponentes, é possível intensificar o acompanhamento daquelas que possuem maior  probabilidade de desenvolver a síndrome. Essa medida preventiva auxilia na alocação eficiente de recursos e permite intervenções mais direcionadas, reduzindo a incidência de desfechos  negativos (LISBOA; DUARTE; SILVA, 2024). 

A adesão da gestante às consultas de pré-natal é também um fator decisivo para a  detecção precoce. Barreiras de acesso, como distância dos serviços de saúde, baixa renda e falta  de informação, dificultam a realização de acompanhamento adequado, aumentando os índices  de diagnóstico tardio e de complicações graves (SARAIVA et al., 2022). Cabe à enfermagem  desenvolver estratégias de educação em saúde que estimulem a participação ativa da gestante  no processo de cuidado. 

Adicionalmente, estudos recentes sugerem a utilização de biomarcadores como  ferramenta promissora para o diagnóstico precoce. Marcadores angiogênicos, como a relação  sFlt-1/PlGF, têm demonstrado sensibilidade para predizer o desenvolvimento da pré-eclâmpsia  antes do surgimento de sintomas clínicos (SALGADO et al., 2024). Embora ainda não  amplamente disponíveis em todos os contextos, esses avanços indicam novas perspectivas para  a prática clínica. 

3.4 O Papel da Enfermagem no Cuidado Integral 

A enfermagem ocupa posição central no cuidado integral à gestante com pré-eclâmpsia,  atuando tanto na prevenção quanto na detecção precoce e na assistência durante as  complicações. O cuidado não se limita à aferição da pressão arterial ou ao acompanhamento  clínico, mas envolve também ações educativas, acolhimento e suporte emocional, que são  fundamentais para garantir segurança e qualidade de vida à gestante e ao feto (CARDOSO et  al., 2024). Essa atuação multifacetada evidencia a importância da humanização aliada ao  conhecimento técnico-científico. 

O cuidado integral pressupõe a visão ampliada da gestante, considerando não apenas os  aspectos biológicos da doença, mas também os fatores psicológicos e sociais que influenciam  seu estado de saúde. A gestante com pré-eclâmpsia frequentemente apresenta níveis elevados  de ansiedade e medo em relação ao desfecho da gravidez, o que exige da equipe de enfermagem  estratégias de comunicação empática e suporte contínuo (LISBOA; DUARTE; SILVA, 2024).  Nesse contexto, o enfermeiro atua como elo de confiança entre a paciente e os demais  profissionais da equipe multiprofissional. 

As consultas de pré-natal realizadas pelo enfermeiro constituem um espaço privilegiado  para o acompanhamento integral da gestante. Nesses encontros, além do monitoramento clínico, são oferecidas orientações sobre hábitos saudáveis, sinais de alerta e importância da adesão às  consultas. O diálogo permanente fortalece a autonomia da gestante e possibilita que ela se torne  protagonista no cuidado com sua própria saúde (SOUZA et al., 2024). Essa relação de  proximidade aumenta a adesão ao tratamento e contribui para a redução de riscos. 

Outro aspecto fundamental é a atuação do enfermeiro na estratificação de risco,  identificando gestantes que necessitam de cuidados intensificados. O reconhecimento precoce  de fatores predisponentes permite a adoção de condutas preventivas, como encaminhamentos  para especialistas, ajustes na rotina de acompanhamento e intensificação do monitoramento  clínico (COUTINHO et al., 2023). Essa vigilância qualificada favorece o diagnóstico precoce  de complicações e melhora o prognóstico materno-fetal. 

A integralidade do cuidado também se expressa nas ações de educação em saúde. A  enfermagem tem a responsabilidade de promover informações claras e acessíveis sobre a pré eclâmpsia, desmistificando crenças populares e fornecendo orientações práticas sobre nutrição,  atividade física e cuidados cotidianos (LEITE; VEGENAS; ROSA, 2023). Essas medidas  educativas ampliam a compreensão da gestante sobre a doença e fortalecem sua capacidade de  prevenir complicações. 

O acolhimento humanizado é outro pilar essencial do cuidado integral. O contato  próximo, a escuta ativa e o respeito às particularidades culturais e emocionais da gestante  contribuem para o fortalecimento do vínculo terapêutico e para a construção de um ambiente  de confiança (LISBOA; DUARTE; SILVA, 2024). Nesse cenário, o enfermeiro desempenha  papel de mediador entre ciência e humanização, garantindo que a paciente se sinta assistida em  todas as dimensões de sua experiência gestacional. 

No âmbito hospitalar, a enfermagem é responsável pela vigilância contínua das  gestantes com pré-eclâmpsia grave, monitorando sinais vitais, diurese e sintomas clínicos que  possam indicar risco de agravamento. O preparo e a administração de medicamentos anti hipertensivos e anticonvulsivantes, sob prescrição médica, fazem parte desse processo, assim  como a pronta identificação de sinais de evolução para eclâmpsia (MELILLO et al., 2023). A  prontidão da equipe de enfermagem é determinante para evitar desfechos desfavoráveis. 

Além do cuidado durante a gestação, a atuação da enfermagem se estende ao período  puerperal, uma vez que complicações relacionadas à pré-eclâmpsia podem persistir após o  parto. O acompanhamento da saúde da puérpera, com foco na pressão arterial e na saúde  cardiovascular a longo prazo, é fundamental para reduzir o risco de complicações futuras (SALGADO et al., 2024). Esse cuidado ampliado demonstra a continuidade da assistência e a  preocupação com a saúde integral da mulher. 

O trabalho em equipe multiprofissional é indispensável, e a enfermagem desempenha  papel articulador nesse processo. O enfermeiro atua como ponte entre a gestante, médicos,  nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais, garantindo uma abordagem integrada e holística  (LUZ et al., 2024). Essa coordenação contribui para que o cuidado seja planejado de forma  eficiente e responda de maneira efetiva às necessidades da gestante e de sua família. 

A humanização da assistência, aliada ao rigor técnico, é apontada como um dos  diferenciais mais significativos da atuação da enfermagem na pré-eclâmpsia. A abordagem  integral possibilita intervenções precoces, reduz a ocorrência de complicações e promove maior  segurança emocional para a gestante, que se sente amparada durante todo o processo (SILVA,  D. S.; SÁ; SOUSA, 2023). Assim, o enfermeiro reafirma sua importância como agente central  no cuidado obstétrico contemporâneo. 

Cabe destacar que o papel da enfermagem no cuidado integral transcende a prática  clínica, alcançando também a esfera social e educativa. Ao orientar, acolher e monitorar as  gestantes, o enfermeiro contribui para a redução da morbimortalidade materna e neonatal,  reforçando a necessidade de políticas públicas que valorizem sua atuação e promovam  condições adequadas de trabalho. A soma de ciência, técnica e humanização confere à  enfermagem um lugar de destaque no enfrentamento da pré-eclâmpsia (CAMPOS et al., 2023). 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A pré-eclâmpsia configura-se como uma condição gestacional multifatorial e  potencialmente grave, demandando acompanhamento contínuo, vigilância clínica e atuação  integrada da equipe multiprofissional. A enfermagem exerce papel central nesse contexto,  sendo responsável por ações de prevenção, detecção precoce, manejo clínico e educação em  saúde, que contribuem diretamente para a redução da morbimortalidade materna e perinatal. 

Os resultados desta revisão indicam que práticas de enfermagem baseadas em  evidências, como a aferição regular da pressão arterial, o monitoramento de sinais clínicos de  risco, o uso de protocolos padronizados e o fortalecimento da assistência humanizada, são  determinantes para a melhoria dos desfechos materno-fetais. 

Conclui-se que o investimento em capacitação profissional contínua, aliado ao apoio  institucional e integração multiprofissional, é essencial para aprimorar a qualidade da  assistência à gestante com pré-eclâmpsia e promover o cuidado integral, seguro e humanizado. 

Do ponto de vista prático, este estudo reforça a importância da atuação da enfermagem  em diferentes níveis de atenção à saúde. No pré-natal, destaca-se o papel do enfermeiro na  estratificação precoce de risco, na educação em saúde e na orientação das gestantes quanto a  sinais de alerta, favorecendo diagnósticos mais precoces e intervenções oportunas. No contexto  hospitalar, a vigilância clínica contínua, a administração correta de terapêuticas  medicamentosas e a pronta identificação de complicações reforçam a relevância do cuidado  especializado de enfermagem. Além disso, os achados podem subsidiar políticas públicas que  valorizem a capacitação contínua desses profissionais, promovam equidade no acesso ao pré natal de qualidade e estimulem a integração multiprofissional no manejo da pré-eclâmpsia. 

Entretanto, reconhece-se como limitação deste estudo a natureza da revisão integrativa,  que depende da qualidade metodológica dos artigos incluídos e não permite estabelecer relações  de causa e efeito. Ademais, a restrição temporal às publicações dos últimos cinco anos pode ter  excluído trabalhos relevantes de períodos anteriores. 

Sugere-se, para pesquisas futuras, a realização de estudos empíricos com delineamentos  prospectivos que avaliem a efetividade de protocolos específicos de enfermagem no  acompanhamento da pré-eclâmpsia, bem como investigações qualitativas que explorem a  percepção das gestantes sobre o cuidado recebido. Também se recomenda aprofundar análises  voltadas ao impacto da capacitação profissional e das políticas públicas de saúde materna sobre  os indicadores de morbimortalidade. 

Conclui-se que o fortalecimento da prática de enfermagem, aliado à integração entre  ciência, tecnologia e humanização, constitui elemento fundamental para enfrentar os desafios  impostos pela pré-eclâmpsia, garantindo maior segurança, qualidade e equidade no cuidado  materno-fetal. 

REFERÊNCIAS 

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1Bacharel em Enfermagem;
2Bacharel em Enfermagem;
3Bacharel em Enfermagem, E-mail : bina.gracianob33@gmail.com