REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202512061136
Mayara Costa1
Resumo
Este artigo examina a incorporação dos critérios ESG (Ambiental, Social e de Governança) na gestão empresarial, focando nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil até o ano de 2022. Através de uma abordagem fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental, discute-se como regulamentações, demandas dos investidores e a adesão a padrões internacionais de reporte têm favorecido a transformação do ESG de uma questão secundária para um aspecto fundamental na avaliação de riscos e no desempenho organizacional. Os resultados mostram que a Europa se destaca pela rigidez regulatória e pela padronização das informações divulgadas. Nos Estados Unidos, registra-se progresso, principalmente devido às pressões do mercado financeiro e dos investidores, juntamente com um gradual aumento na regulamentação. No que diz respeito ao Brasil, há avanços significativos — como demonstrado pelo Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3), pelo modelo “pratique ou explique” da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelos regulamentos socioambientais do sistema financeiro — embora permaneçam desafios estruturais, especialmente em relação ao desmatamento, à desigualdade social e à governança. A conclusão é que os critérios ESG tendem a se afirmar como fatores cruciais de competitividade e acesso ao capital, sendo essencial o aprofundamento e o desenvolvimento institucional no contexto brasileiro.
Palavras-chave: ESG; sustentabilidade corporativa; investimentos sustentáveis; governança corporativa; mercado de capitais; Brasil.
Abstract
This article examines how Environmental, Social and Governance (ESG) criteria have been integrated into corporate management, focusing on the United States, Europe and Brazil up to 2022. Based on a literature and document review, it discusses how regulation, investors and international reporting standards have turned ESG from a peripheral concern into a core dimension of risk and performance assessment. The findings show that Europe leads in mandatory disclosure and standardization, while the United States has progressed mainly through investor and market pressure, with regulation catching up. In Brazil, important steps—such as the B3 Corporate Sustainability Index, the securities regulator’s “comply or explain” approach and socio-environmental rules for financial institutions—coexist with structural challenges related to deforestation, inequality and governance. The article concludes that ESG is becoming a key driver of competitiveness and access to capital, and that further diffusion and institutional strengthening are needed in the Brazilian context.
Keywords: ESG; corporate sustainability; sustainable investing; corporate governance;
1. Introdução
A sigla ESG refere-se aos critérios Ambientais, Sociais e de Governança (do inglês Environmental, Social and Governance), que passaram a ocupar lugar central na agenda corporativa nas últimas décadas. Esses critérios emergem como desdobramento da evolução das práticas de responsabilidade socioambiental nas empresas e de uma transformação cultural mais ampla, impulsionada por uma nova geração de consumidores e investidores com forte consciência ambiental e social. Um marco desse movimento foi o relatório da Organização das Nações Unidas “Who Cares Wins”, publicado em 2004, que conectou explicitamente mercados financeiros e questões ambientais, sociais e de governança, inaugurando o uso sistemático do termo ESG no contexto dos investimentos.
Na era atual, a incorporação desses critérios à gestão deixou de ser opcional e se tornou requisito para a sustentabilidade e a continuidade das organizações. Como aponta Molnar (2022), as empresas que desejam se manter competitivas precisam responder às expectativas da sociedade e às novas práticas de consumo e prioridades, o que sugere uma expansão do ESG para além de programas pontuais, alcançando a forma como o negócio é financiado, governado e avaliado. Em outras palavras, o desempenho financeiro de longo prazo passou a ser entendido em conjunto com a capacidade de gerar valor sustentável para diferentes stakeholders – acionistas, credores, clientes, colaboradores e comunidades afetadas pela atuação corporativa.
A transformação observada no setor financeiro é um dos sinais mais visíveis dessa mudança. Estimativas recentes indicam que os ativos globais sob gestão classificados como sustentáveis alcançaram cerca de US$ 37,8 trilhões ao final de 2021, com projeções de ultrapassar US$ 50 trilhões até 2025, o que representaria mais de um terço do total de ativos administrados mundialmente (BLOOMBERG INTELLIGENCE, 2021). Esses números mostram que a integração de fatores ESG deixou de ser apenas uma questão de ética ou filantropia corporativa e passou a influenciar diretamente acesso a capital, custo de financiamento e posicionamento competitivo. Investidores institucionais de grande porte vêm pressionando por maior transparência e desempenho em ESG, estimulando empresas a estabelecer metas claras em temas como clima, direitos humanos, diversidade e integridade nas relações com a cadeia de valor.
Apesar desse avanço, persistem desafios importantes quanto à consistência, comparabilidade e qualidade das informações divulgadas. A natureza relativamente recente e em contínua evolução das métricas e práticas ESG gera lacunas e incertezas entre investidores sobre riscos efetivos e impacto real das ações corporativas. Em resposta, observa-se um esforço regulatório e institucional para aprimorar as divulgações: diversas jurisdições, especialmente na Europa, avançaram para modelos de reporte obrigatório, enquanto debates internacionais buscam convergir padrões de referência. Uma pesquisa global da PwC com investidores institucionais, por exemplo, indicou que quase três quartos dos respondentes consideram que suas decisões seriam melhor informadas se as empresas adotassem um conjunto único de padrões para relatórios de sustentabilidade (PWC, 2021), sinalizando a relevância da padronização como condição para a credibilidade do ESG.
Diante desse cenário, o objetivo deste artigo é analisar de forma abrangente a integração dos critérios ESG nas empresas, comparando o panorama internacional – com foco nos Estados Unidos e na Europa – com o contexto e os avanços observados no Brasil até 2022. Busca-se discutir como diferentes jurisdições e mercados têm abordado as questões relacionadas ao ESG, quais iniciativas regulatórias e práticas corporativas foram adotadas e de que modo o caso brasileiro dialoga com as tendências globais. Além disso, procura-se sintetizar evidências científicas sobre os impactos dessas práticas no desempenho empresarial e na atração de investimentos, bem como os principais desafios e oportunidades associados a essa agenda. Em síntese, pretende-se contribuir para uma compreensão crítica de como o ESG está remodelando a gestão empresarial contemporânea em níveis global e nacional, oferecendo base teórica e empírica para investigações futuras e para a tomada de decisão no setor corporativo.
2. Fundamentação Teórica e Panorama Internacional
O conceito de ESG parte da premissa de que as empresas devem olhar para além das métricas financeiras tradicionais, incorporando indicadores de sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e boas práticas de governança em suas estratégias e operações. Essa visão dialoga com a Teoria dos Stakeholders, segundo a qual a viabilidade de longo prazo de uma organização depende da forma como ela equilibra os interesses dos diferentes grupos com os quais se relaciona – funcionários, clientes, comunidades, governos, fornecedores, investidores e o próprio meio ambiente. Na prática, os critérios ESG abrangem dimensões como desempenho ambiental (emissões de carbono, gestão de resíduos, uso de recursos naturais), responsabilidade social (condições de trabalho, direitos humanos na cadeia produtiva, diversidade e inclusão) e governança corporativa (composição e independência do conselho, ética empresarial, transparência e prestação de contas).
Nos mercados desenvolvidos, a adoção desses critérios avançou de forma significativa na última década, impulsionada tanto por demandas de investidores quanto por mudanças regulatórias e acordos internacionais. A Europa costuma ser apontada como vanguarda desse movimento. A Diretiva de Relato Não Financeiro (Non-Financial Reporting Directive – NFRD), aprovada em 2014, passou a exigir, a partir de 2018, que grandes empresas europeias divulguem informações sobre temas ambientais, sociais, de direitos humanos, anticorrupção e diversidade em seus relatórios anuais. Em 2022, a aprovação da Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) ampliou ainda mais esse arcabouço, expandindo o número de companhias abrangidas, detalhando os requisitos de reporte e alinhando-os às metas climáticas do Acordo de Paris. Esses instrumentos, combinados a padrões internacionais como as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) e as recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD), buscaram tornar o desempenho ESG mais transparente e comparável, facilitando a alocação de capital em projetos sustentáveis e reduzindo a margem para práticas de greenwashing.
Nos Estados Unidos, a trajetória foi mais marcada por mecanismos de mercado do que por imposições regulatórias diretas. A partir de meados da década de 2010, tornou-se comum que empresas listadas em bolsa publicassem relatórios de sustentabilidade ou relatórios anuais integrados, abordando questões como mudança climática, diversidade, gestão de riscos e ética corporativa. Estudos mostram que, em 2020, mais de 90% das empresas que compõem o índice S&P 500 divulgaram algum tipo de relatório de sustentabilidade, evidenciando o peso crescente do tema na comunicação corporativa com investidores. Estruturas como os padrões da Sustainability Accounting Standards Board (SASB) e as recomendações da TCFD ganharam forte adesão de companhias e investidores institucionais, oferecendo parâmetros para identificar e divulgar informações ESG consideradas financeiramente relevantes. Do ponto de vista regulatório, um marco importante foi a proposta apresentada pela Securities and Exchange Commission (SEC) em março de 2022 para tornar obrigatória a divulgação de riscos e emissões climáticas por empresas listadas, refletindo um reconhecimento explícito de que essas questões têm materialidade financeira. Ao mesmo tempo, o país se tornou palco de debates intensos – e, por vezes, polarizados – sobre o papel do ESG nas decisões de investimento, evidenciando tensões entre o paradigma da shareholder primacy e abordagens mais próximas do stakeholder capitalism.
O fortalecimento dos investimentos socialmente responsáveis (ISR) e de estratégias de investimento sustentável oferece uma evidência concreta da incorporação do ESG ao mainstream financeiro. Segundo a Global Sustainable Investment Alliance, os ativos classificados como sustentabilidade ou investimento responsável somaram aproximadamente US$ 35,3 trilhões em 2020, o que representava cerca de 36% dos ativos sob gestão nos principais mercados analisados (Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália/Nova Zelândia e Japão). Embora existam diferenças metodológicas entre regiões, a tendência geral é de expansão da integração de fatores ESG em estratégias de investimento, seja por meio de exclusão de setores, engajamento acionário, integração de riscos socioambientais na análise de crédito ou alocação em projetos de impacto. Grandes gestoras globais, como BlackRock, State Street e Vanguard, passaram a explicitar em suas cartas anuais e diretrizes de voto em assembleias que consideram temas ambientais e sociais ao avaliar riscos de longo prazo, pressionando empresas a aprimorar práticas e divulgações ESG.
Em paralelo, consolidou-se a percepção de que uma gestão deficiente das questões ambientais, sociais e de governança pode gerar riscos relevantes de natureza operacional, jurídica e reputacional. Desastres ambientais, acidentes industriais, escândalos de corrupção ou violações de direitos trabalhistas têm impacto direto sobre valor de mercado, custo de capital e acesso a determinados mercados. Pesquisas acadêmicas vêm examinando essa relação há pelo menos duas décadas, e metanálises que agregam centenas de estudos sugerem que, na maioria dos casos, a relação entre desempenho em ESG e desempenho financeiro é positiva ou, no mínimo, neutra. Ou seja, a adoção de práticas de sustentabilidade tende a não prejudicar – e muitas vezes a favorecer – indicadores financeiros, seja pela redução de custos e ineficiências, pela melhoria no gerenciamento de riscos ou pelo fortalecimento de reputação e marca. Estudos comparativos com índices de ações ESG, incluindo o trabalho de Pinheiro et al. (2022) para Brasil, Estados Unidos, Europa e Ásia, indicam que carteiras com critérios ESG costumam apresentar retornos semelhantes aos de índices tradicionais, reforçando a ideia de que não há, em regra, trade-off permanente entre responsabilidade socioambiental e performance financeira.
Ainda assim, seria incorreto supor que a evolução do ESG ocorre de forma homogênea entre países e regiões. Na Europa, a combinação de regulação mais avançada, pressão de investidores institucionais – como fundos de pensão com mandatos explícitos de investimento responsável – e um consumidor mais sensível a temas socioambientais contribuiu para acelerar o movimento. Nos Estados Unidos, embora o mercado tenha se mobilizado de maneira significativa, há resistência em determinados estados e esferas políticas ao que é percebido como “ativismo ESG”, com iniciativas legislativas que buscam limitar o uso de critérios ambientais e sociais por fundos de pensão públicos. Mesmo assim, a integração financeira global e a atuação de empresas multinacionais expostas a investidores de diferentes jurisdições acabam induzindo certo grau de convergência, na medida em que companhias que competem por capital internacional tendem a alinhar suas práticas a padrões de reporte mais exigentes.
Nos mercados emergentes, a adoção de práticas ESG encontra desafios específicos, como menor pressão regulatória histórica, limitações de recursos para investimentos em sustentabilidade e prioridades socioeconômicas imediatas que competem com a agenda ambiental. Nesses contextos, a influência de investidores estrangeiros e de cadeias globais de suprimentos torna-se particularmente relevante. Empresas de países em desenvolvimento que fornecem para grandes marcas internacionais vêm enfrentando requisitos crescentes de certificações socioambientais e due diligence em direitos humanos, sob pena de exclusão de determinados mercados. Concomitantemente, episódios de grande visibilidade – como rompimentos de barragens, desastres ambientais e escândalos de corrupção empresarial – reforçam a percepção de que falhas em governança e gestão de riscos ESG podem gerar custos econômicos substanciais, inclusive em termos de sanções regulatórias, ações judiciais e perda de confiança de investidores.
Na sequência, este artigo volta-se especificamente ao contexto brasileiro, examinando como o conceito de ESG foi incorporado ao ambiente corporativo nacional, quais iniciativas e resultados concretos podem ser observados até 2022 e de que forma o Brasil se posiciona em relação aos cenários europeu e norte-americano. Para isso, são apresentadas a metodologia utilizada neste estudo e, em seguida, as principais evidências e análises.
3. Metodologia da Pesquisa
A presente pesquisa tem caráter qualitativo e exploratório e fundamenta-se em revisão de literatura e análise comparativa de fontes secundárias. Foi realizada uma busca sistemática por artigos acadêmicos, relatórios institucionais e bases de dados públicas que tratassem da adoção de critérios ESG no ambiente empresarial, com recorte temporal até o ano de 2022. Foram consultadas bases nacionais e internacionais (como Web of Science, Scopus, SciELO, SSRN e repositórios institucionais), além de documentos produzidos por organismos multilaterais (ONU, OECD), reguladores, bancos de investimento, consultorias especializadas e centros de pesquisa. A seleção do material privilegiou estudos e relatórios que abordassem, de forma explícita, a integração de fatores ambientais, sociais e de governança às práticas corporativas e ao processo decisório de investidores, contemplando diferentes perspectivas – de pesquisadores, reguladores, investidores e praticantes de mercado – de modo a construir uma visão abrangente do tema.
No plano internacional, optou-se por concentrar a análise nos casos da Europa e dos Estados Unidos. A Europa foi considerada referência em virtude do seu arcabouço regulatório mais robusto em sustentabilidade empresarial, marcado pela evolução de diretivas de relato não financeiro para normas mais detalhadas de reporte de sustentabilidade. Os Estados Unidos, por sua vez, foram incluídos como principal centro financeiro global, em que a agenda ESG se expandiu com forte protagonismo de investidores institucionais e de estruturas voluntárias de reporte. O Brasil foi analisado tanto isoladamente quanto em contraste com esses contextos, a fim de identificar convergências, particularidades e lacunas no processo de incorporação do ESG pelas empresas brasileiras. A revisão evidenciou que boa parte da literatura empírica se concentra em Estados Unidos e Europa, enquanto o caso brasileiro recebeu atenção mais intensa apenas na última década; por isso, o estudo buscou sistematizar os trabalhos existentes sobre o país para mitigar essa lacuna.
Como estratégia metodológica, adotou-se uma abordagem qualitativo-descritiva na apresentação dos resultados, ancorada em categorias analíticas derivadas do referencial teórico e da leitura do material coletado. Dados quantitativos provenientes de relatórios – tais como volume de ativos sob gestão com estratégias ESG, proporção de empresas que publicam relatórios de sustentabilidade e desempenho comparativo de índices de mercado – foram utilizados de forma complementar, sempre articulados a interpretações qualitativas e implicações práticas. Não houve coleta de dados primários; toda a análise se apoia em informações secundárias consolidadas, o que reforça a confiabilidade por meio do uso de fontes acadêmicas e institucionais reconhecidas.
A comparação entre realidades distintas levou em conta, entre outros aspectos: a existência de políticas públicas e regulações específicas; a adesão voluntária das empresas a iniciativas internacionais (como o Pacto Global da ONU, índices de sustentabilidade e compromissos setoriais); a pressão exercida pelo mercado financeiro local e global; e elementos culturais e econômicos que influenciam a priorização da agenda ESG. A partir desse material, os resultados foram organizados em eixos temáticos – evolução regulatória, engajamento de investidores, práticas empresariais, desenvolvimento de instrumentos de mercado e desafios persistentes – que servem como fio condutor para a análise nas seções seguintes.
Essa opção metodológica permite estabelecer um encadeamento lógico entre referencial teórico, evidências empíricas e discussão dos achados, favorecendo a triangulação de informações provenientes de diferentes tipos de fonte. Com isso, busca-se combinar rigor analítico e clareza expositiva, situando o leitor nas principais discussões contemporâneas sobre ESG no Brasil e no exterior e oferecendo bases para interpretações críticas da evolução recente do tema. Na sequência, apresentam-se os resultados e análises derivados desse percurso investigativo.
4. Resultados e Análise
4.1 Cenário Internacional: Tendências e Lições em ESG
Os resultados da revisão indicam que, no cenário internacional, a inclusão de critérios ESG deixou de ocupar um lugar periférico e passou a compor o mainstream das decisões corporativas e financeiras. Em linhas gerais, Europa e Estados Unidos convergem na direção de uma maior integração da sustentabilidade à gestão dos negócios, embora sigam trajetórias distintas.
Na Europa, o avanço regulatório teve papel decisivo. A exigência de divulgação de informações não financeiras por grandes empresas, inicialmente sob a égide da NFRD e posteriormente aprofundada com a CSRD, contribuiu para elevar o nível de transparência e de responsabilização das companhias. Grandes grupos europeus passaram a detalhar, em relatórios anuais e relatórios de sustentabilidade, emissões de gases de efeito estufa, políticas anticorrupção, programas de diversidade, práticas de direitos humanos na cadeia de valor e mecanismos de governança. Em muitos casos, essas informações passaram a ser objeto de asseguração limitada ou razoável por firmas independentes, aproximando o reporte ESG do padrão de confiabilidade esperado das demonstrações financeiras. Essa combinação de normas, supervisão e padronização elevou a qualidade das informações disponíveis para investidores interessados em comparar empresas com base em critérios de sustentabilidade.
Nos Estados Unidos, o movimento ocorreu de forma mais fragmentada e, por muito tempo, predominantemente voluntária, mas não menos significativa. Investidores institucionais de grande porte intensificaram o uso do voto em assembleias e do engajamento com companhias para pressionar por metas de redução de emissões, melhorias em políticas de diversidade e maior transparência em riscos climáticos e de governança. Iniciativas de engajamento coletivo, como o Climate Action 100+, passaram a reunir centenas de investidores para dialogar com as maiores emissoras globais de gases de efeito estufa, solicitando planos robustos de transição energética e aprimoramento de divulgações. Em paralelo, cartas anuais de lideranças de grandes gestoras – como as comunicações do CEO da BlackRock a conselhos e executivos – enfatizaram a importância da sustentabilidade para o valor de longo prazo, legitimando o tema no vocabulário do boardroom. Casos emblemáticos, como a eleição de conselheiros ativistas na ExxonMobil em 2021 com base em uma tese de transição climática, ilustram como o ativismo acionário passou a influenciar, ainda que pontualmente, a agenda de grandes empresas em setores intensivos em carbono.
Outra tendência clara é a expansão de índices de mercado e produtos financeiros vinculados a critérios ESG. Além de referências pioneiras, como o Dow Jones Sustainability Index (DJSI) e o FTSE4Good, consolidou-se uma ampla oferta de fundos ESG, exchange-traded funds temáticos, títulos verdes e instrumentos rotulados como sustentáveis. Estudos empíricos, como o de Pinheiro et al. (2022), que compararam o desempenho de índices de ações ESG e tradicionais em diferentes regiões (Brasil, Estados Unidos, Europa e Ásia), indicam que, em geral, essas carteiras apresentam retornos médios semelhantes aos dos índices de referência convencionais. Esses achados reforçam a ideia de que a adoção de critérios ESG não implica, necessariamente, renunciar à rentabilidade, e que a integração de fatores socioambientais pode conviver com retornos competitivos, contribuindo, adicionalmente, para um perfil de risco mais equilibrado ao evitar empresas expostas a litígios, multas ambientais ou crises reputacionais.
Paralelamente, o panorama internacional revela debates intensos sobre padronização e confiabilidade das informações ESG. A heterogeneidade de métricas e metodologias dificultou, por muitos anos, a comparação entre empresas e regiões, alimentando críticas de greenwashing. Em resposta, surgiram iniciativas de harmonização, como a criação do International Sustainability Standards Board (ISSB) pela IFRS Foundation em 2021, com o mandato de desenvolver uma base global de normas de divulgação de sustentabilidade focadas nas necessidades dos investidores ifrs.org+1. Na União Europeia, estudos encomendados pela Comissão, incluindo análise conduzida pela BlackRock, evidenciaram que instituições financeiras utilizavam critérios divergentes para definir o que é um ativo “verde” ou “sustentável”, o que reforçou a necessidade de uma taxonomia comum para orientar fluxos de capital e coibir alegações indevidas de sustentabilidade Finance+1. Esse processo culminou na construção da Taxonomia Europeia de Finanças Sustentáveis, que procura classificar atividades econômicas alinhadas a objetivos ambientais específicos.
Nos Estados Unidos, a SEC passou a sinalizar maior escrutínio sobre fundos e produtos que utilizam o rótulo ESG, discutindo regras para assegurar coerência entre a estratégia declarada e as posições efetivamente mantidas em carteira, bem como propostas para exigir divulgação mais detalhada de riscos e emissões climáticas por companhias abertas. Essas iniciativas indicam que, mesmo em mercados com tradição de autorregulação, há uma tendência de reforço do componente regulatório como resposta a preocupações de investidores e do público com a veracidade das alegações ESG.
Uma lição importante que emerge desse conjunto de experiências é a centralidade da materialidade setorial. Nem todos os fatores ESG têm o mesmo peso para todas as indústrias: em setores de energia, mineração e transporte, questões ambientais – sobretudo emissões e uso de recursos naturais – tendem a ser críticas; em serviços financeiros, por sua vez, temas de governança (gestão de riscos, prevenção à lavagem de dinheiro, integridade nas operações) e impactos sociais (financiamento responsável, inclusão financeira) costumam ocupar lugar mais destacado. Normas e estruturas como o SASB e a TCFD insistem na necessidade de focar em temas materialmente relevantes para o modelo de negócio, afastando a ideia de que relatórios de sustentabilidade devam ser catálogos exaustivos de boas intenções. De modo convergente, as diretrizes da GRI enfatizam a análise de materialidade como ponto de partida para definir o conteúdo dos relatórios, e reguladores europeus e norte-americanos passaram a exigir que as empresas explicitem como determinaram os tópicos ESG considerados materiais em suas divulgações.
Em síntese, o quadro internacional em 2022 mostra uma agenda ESG em franca expansão, com mercados desenvolvidos combinando pressão de investidores, inovação financeira e, em vários casos, reforço regulatório. Grandes empresas globais de setores diversos – como Unilever, Microsoft e IKEA – estabeleceram metas ambiciosas em temas como neutralidade de carbono, diversidade e inclusão, gestão responsável da cadeia de suprimentos e circularidade de recursos, reportando avanços e dificuldades em relatórios amplamente divulgados. Rankings e listas, como o Global 100 das empresas mais sustentáveis do mundo, passaram a funcionar como vitrines e mecanismos de reputação, estimulando organizações a aperfeiçoar continuamente suas práticas. Esse ambiente competitivo, combinado com a integração dos mercados de capitais, ajuda a explicar por que empresas de diferentes regiões, inclusive de economias emergentes, vêm se alinhando – ainda que em ritmos distintos – a padrões globais de governança e transparência em ESG.
4.2 O Contexto Brasileiro: Avanços, Desafios e Prioridades
No Brasil, a incorporação de critérios ESG pelas empresas ganhou força sobretudo a partir da segunda metade da década de 2010, ainda que existam iniciativas pioneiras anteriores. Um marco simbólico foi a criação, em 2005, do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) pela então BM&FBovespa, hoje B3. Desenvolvido em parceria com a IFC, braço privado do Banco Mundial, o ISE foi o primeiro índice de sustentabilidade da América Latina e um dos primeiros do mundo, servindo como referência para investidores interessados em companhias com melhor desempenho socioambiental e de governança. Ao longo do tempo, o índice contribuiu para difundir no mercado conceitos como análise de materialidade, engajamento com stakeholders e gestão estruturada de riscos socioambientais, além de evidenciar que carteiras com viés de sustentabilidade podem apresentar desempenho competitivo – entre 2005 e 2021, o ISE acumulou valorização superior à do Ibovespa no mesmo período.
No plano regulatório, o país também avançou. Em 2014, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou a Instrução CVM 552, que alterou o Formulário de Referência previsto na Instrução 480/09 e incluiu, no item 7.8, a lógica “relate ou explique” para relatórios socioambientais. Desde então, companhias abertas passaram a indicar se publicam relatórios de sustentabilidade ou integrados e, em caso negativo, justificar a ausência. Essa exigência estimulou a adoção de padrões internacionais de reporte, como as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) e, mais recentemente, relatórios integrados, ainda que a adesão inicial tenha se concentrado em empresas de maior porte e com forte exposição a investidores estrangeiros.
O setor financeiro regulado desempenhou papel importante na disseminação da agenda ESG. A Resolução CMN 4.327/2014 determinou que instituições financeiras estabelecessem políticas de responsabilidade socioambiental e integrassem esses riscos em seus sistemas de gestão, orientação que foi reforçada e detalhada em normas posteriores do Banco Central. Mais recentemente, a autoridade monetária brasileira passou a tratar explicitamente de riscos climáticos e aderiu à Network for Greening the Financial System (NGFS), sinalizando alinhamento crescente às discussões internacionais sobre estabilidade financeira e transição para uma economia de baixo carbono.
Nas empresas não financeiras, a incorporação prática de ESG é heterogênea, mas alguns casos ilustram o potencial de liderança. A Natura tornou-se referência global ao articular estratégia de negócio, Amazônia e inovação em modelos de cadeia produtiva, combinando pagamento a comunidades locais, conservação de floresta e desenvolvimento de ingredientes bioativos. A companhia foi a primeira de capital aberto no Brasil a obter certificação B Corp e vem reportando, há anos, metas quantitativas de impacto socioambiental, incluindo compromissos de investimento robustos em conservação florestal e cadeias sustentáveis na Amazônia.
Outras empresas também se destacam em diferentes dimensões da agenda: o Grupo Boticário, com projetos de conservação e inclusão social; a Ambev, com metas de redução de uso de água, energia e emissões em toda a cadeia; e grandes bancos como Itaú Unibanco e Banco do Brasil, com estruturas dedicadas a finanças sustentáveis, adesão a frameworks como os Princípios do Equador e emissão de títulos rotulados (green, social e sustainability-linked). Em setores intensivos em recursos naturais, como mineração e petróleo, empresas como Vale e Petrobras, pressionadas por tragédias ambientais e escândalos de corrupção, foram obrigadas a reforçar seus sistemas de governança, gestão de riscos e transparência, inclusive em resposta a investigações regulatórias e judiciais.
Apesar desses casos de liderança, o contexto brasileiro apresenta desafios específicos que amplificam a relevância do “E” e do “S” em ESG. A combinação de desmatamento na Amazônia, queimadas recorrentes e conflitos fundiários projetou o país como foco de preocupação em fóruns internacionais. Relatórios de organizações como a Rainforest Foundation Norway evidenciaram vínculos entre cadeias de commodities – especialmente carne e soja – e a degradação florestal, levando grupos de investidores a cogitar restrições ou desinvestimentos em empresas com exposição a esses riscos. Entre 2020 e 2022, cartas públicas assinadas por grandes gestores globais pediram ações mais firmes contra o desmatamento, reforçando que a perda de floresta não é apenas um problema ambiental, mas também um risco reputacional, regulatório e financeiro para empresas e para o país.
No eixo social, o Brasil carrega um histórico de desigualdade, informalidade e violações de direitos trabalhistas que se reflete na agenda empresarial: ainda há baixa representação de mulheres e pessoas negras em cargos de liderança, persistem casos de trabalho análogo à escravidão em cadeias de suprimentos e comunidades tradicionais enfrentam riscos associados a grandes projetos de infraestrutura e agronegócio. A pressão de investidores, consumidores e organismos internacionais fez com que várias empresas assumissem compromissos públicos com diversidade e direitos humanos – por exemplo, adesão aos Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU, programas de trainees exclusivos para grupos sub-representados e metas de inclusão associadas a indicadores de remuneração variável. No sistema financeiro, bancos brasileiros aderiram aos Princípios para uma Banca Responsável da UNEP-FI e passaram a incorporar objetivos sociais em suas diretrizes de negócios.
A dimensão da governança, por sua vez, foi fortemente impactada pelos desdobramentos da operação Lava Jato e de outros escândalos. A criação dos segmentos diferenciados da B3, como o Novo Mercado, já havia incentivado estruturas mais robustas de governança a partir dos anos 2000; entretanto, a sucessão de casos de corrupção e fraudes contábeis levou muitas companhias a revisarem seus programas de compliance, fortalecerem comitês de auditoria e aprimorarem canais de denúncia. A Lei Anticorrupção (12.846/2013) e a Lei das Estatais (13.303/2016) reforçaram o arcabouço regulatório voltado a integridade, controles internos e transparência nas relações público-privadas, aproximando o debate de governança tradicional da agenda ESG contemporânea.
Do ponto de vista de mercado, o Brasil passou a contar com novos instrumentos que reforçam a integração entre ESG e decisões de investimento. Em 2020, a B3, em parceria com a S&P Dow Jones Indices, lançou o índice S&P/B3 Brasil ESG, construído a partir de metodologias globais de avaliação socioambiental e de governança. O desempenho histórico tanto do ISE quanto de índices ESG globais sugere que estratégias de investimento responsável não implicam, em média, perda de retorno financeiro; em algumas janelas de tempo, inclusive, esses índices superaram benchmarks tradicionais, reforçando a tese de que fatores ESG podem melhorar o perfil de risco-retorno das carteiras.
Mesmo assim, a adoção de ESG no Brasil permanece concentrada nas grandes empresas listadas e em setores mais expostos a cadeias globais de suprimentos ou a investidores estrangeiros. Muitas companhias de médio porte e grupos empresariais familiares ainda se encontram em estágios iniciais, tratando ESG como um conjunto de iniciativas pontuais – filantropia, projetos isolados ou relatórios de marketing – sem integração plena à estratégia, ao orçamento e à governança.
As evidências disponíveis apontam que empresas brasileiras com melhor avaliação em ESG tendem a usufruir vantagens concretas, embora difíceis de isolar estatisticamente: acesso a capital mais barato por meio de títulos sustainability-linked, linhas de crédito com metas socioambientais atreladas, maior interesse de investidores institucionais de longo prazo e, em alguns casos, resiliência superior em períodos de crise – como ilustra a performance relativa de índices de sustentabilidade, a exemplo do ISE, em determinadas janelas turbulentas. Simultaneamente, episódios recorrentes de corrupção, desmatamento e violações de direitos expõem fragilidades estruturais que, se não forem tratadas, podem corroer parte desses ganhos.
Pesquisas realizadas pela OCDE com empresas abertas brasileiras e gestores de recursos indicam, por outro lado, uma janela de oportunidade para aperfeiçoar o marco regulatório. A grande maioria dos participantes dessas pesquisas manifestou apoio à adoção de um padrão obrigatório de divulgação de informações de sustentabilidade para companhias listadas e à convergência com padrões internacionais de reporte. OECD+1 Em linha com recomendações da própria OCDE, isso sugere que a próxima etapa do desenvolvimento da agenda ESG no Brasil passa por consolidar regras claras de disclosure, elevar a qualidade e a comparabilidade das informações e alinhar incentivos econômicos – por exemplo, por meio de instrumentos de mercado de carbono, compras públicas sustentáveis e critérios ESG em políticas de desenvolvimento.
Em síntese, até 2022 o Brasil apresenta um quadro ambivalente: de um lado, casos emblemáticos de liderança corporativa, instrumentos de mercado sofisticados e um arcabouço regulatório em evolução; de outro, desafios ambientais, sociais e institucionais profundos que testam a consistência dessas iniciativas. A trajetória futura dependerá da capacidade de integrar a agenda ESG a uma estratégia mais ampla de desenvolvimento sustentável – que envolva governos, empresas, investidores e sociedade civil – e de transformar compromissos voluntários em resultados mensuráveis em clima, inclusão social e governança pública e privada.
5. Considerações Finais
O ESG deixou de ser uma ideia restrita a nichos e passou a ocupar um lugar central na avaliação do desempenho das corporações, influenciando decisões de investidores, reguladores, consumidores e demais stakeholders. Embora Estados Unidos e Europa tenham seguido trajetórias regulatórias distintas, ambos convergem na valorização de empresas comprometidas com sustentabilidade e ética. De um lado, o arcabouço europeu tornou o reporte mais obrigatório e padronizado; de outro, o mercado e os grandes investidores norte-americanos mostraram como pressões financeiras e reputacionais podem acelerar mudanças mesmo em ambientes regulatórios mais fragmentados. Em conjunto, essas experiências apontam para um cenário internacional em que transparência e responsabilidade em ESG tendem a ser vistas com importância semelhante à das demonstrações financeiras, permitindo comparações mais robustas entre empresas e países.
No Brasil, os avanços da última década reduziram parte da distância em relação às práticas internacionais. Instrumentos como o Índice de Sustentabilidade Empresarial, a lógica de “relate ou explique” da CVM e normas setoriais voltadas à responsabilidade socioambiental contribuíram para consolidar o tema na agenda de grandes companhias. Casos de empresas que conciliam desempenho financeiro consistente com metas ambientais, sociais e de governança demonstram que objetivos de lucro e de impacto positivo podem ser complementares, em linha com a noção de valor compartilhado: incorporar ESG à estratégia abre espaço para novas fontes de vantagem competitiva, inovação em modelos de negócio e fortalecimento de reputação.
Persistem, contudo, desafios relevantes. A diferença de maturidade entre setores e entre empresas de portes distintos revela que a agenda ESG ainda está concentrada em uma parcela da elite corporativa, enquanto muitas organizações seguem em estágios iniciais ou reativos. Políticas públicas mais claras, aplicação regulatória consistente e mecanismos de fiscalização eficazes podem reduzir assimetrias, evitando que práticas socioambientais frágeis gerem vantagens de curto prazo para alguns atores às custas de danos coletivos. Questões estruturais, como o controle do desmatamento e a redução das desigualdades, extrapolam a capacidade de ação isolada das empresas e exigem coordenação com o poder público; ainda assim, o setor privado tem papel relevante em acordos setoriais, investimentos sociais e metas voluntárias que antecipem padrões mais exigentes.
No campo acadêmico, observa-se um movimento de aproximação entre a literatura internacional e a realidade brasileira. À medida que se ampliam as bases de dados sobre ratings ESG, relatórios de sustentabilidade e desempenho financeiro, torna-se possível testar de forma mais rigorosa como fatores ambientais, sociais e de governança se relacionam com indicadores como custo de capital, risco de crédito, resiliência em crises e criação de valor no mercado nacional. Estudos futuros podem explorar a importância relativa de cada dimensão (E, S e G) em diferentes setores, comparar a eficácia de iniciativas voluntárias e obrigatórias e avaliar em que medida padrões internacionais de reporte são apropriados ao contexto institucional brasileiro.
Em síntese, a difusão dos critérios ESG expressa uma mudança na forma de medir o sucesso empresarial. Mais do que uma tendência passageira, trata-se de uma resposta a riscos concretos – climáticos, sociais, regulatórios, reputacionais – e a transformações profundas nas expectativas da sociedade. Organizações que incorporam esse movimento de forma estratégica tendem a desenvolver modelos de negócio mais resilientes, inovadores e alinhados a expectativas crescentes de transparência e responsabilidade. Países que fomentam essas práticas colhem ganhos em reputação internacional, atração de investimentos e capacidade de articular projetos de desenvolvimento sustentável.
O Brasil vive um momento decisivo: ao fortalecer a agenda ESG, pode aproveitar vantagens comparativas, como a matriz energética relativamente limpa e a biodiversidade, ao mesmo tempo em que enfrenta vulnerabilidades históricas ligadas à desigualdade, à degradação ambiental e à fragilidade institucional. Como enfatiza Molnar (2022), é fundamental que empresas, reguladores e formuladores de políticas atuem de forma coordenada sobre o “E”, o “S” e o “G”, buscando uma melhoria efetiva das condições ambientais e sociais. Somente por meio de esforços colaborativos e de uma elevação gradual do padrão de práticas será possível transformar o discurso em resultados concretos, aproximando interesses empresariais das demandas da sociedade por um futuro mais equilibrado e inclusivo.
Referências Bibliográficas
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1Florida Atlantic University (FAU)
