BETWEEN TOUCH AND DISCOMFORT: EXPLORING TACTILE SENSITIVITY AND EMOTIONAL SELF-REGULATION IN ADULTS WITH ASD
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202512071416
Claudia Brito Ribeiro de Araújo1; Elen Samara da Silva2; Nanda Camila Santos Lira3; Adaías Oliveira de Araújo4; Ângelo Gabriel Tavares Gato5; Débora Layane de Sousa Lima6; Izabela Santiago Lopes7; Leniomar Mota Batista8; Luana Rabelo Silva de Sousa9; Lucélia de Jesus Amaral Jati10
Resumo
O artigo investiga a relação entre sensibilidade tátil e regulação emocional em adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), destacando a imprevisibilidade que interfere nas respostas emocionais e na qualidade de vida. Reconhece déficits na comunicação social, padrões restritos de comportamento e alterações sensoriais 3como hiperresponsividade, hiporresponsividade ou busca atípica por estímulos. A abordagem quantiqualitativa identifica como diferentes tecidos provocam desconforto, estratégias espontâneas de enfrentamento e efeitos como estresse, ansiedade e isolamento. Estratégias tato-sensoriais favorecem adaptação, regulação emocional e autonomia, reforçando a importância de intervenções individualizadas que integrem aspetos sensoriais e emocionais para melhor qualidade de vida.
Palavras-chave: Psicologia. Transtorno do Espectro Autista em Adulto. Recurso terapêutico. Imprevisibilidade. Sensibilidade tátil.
Abstract
The article investigates the relationship between tactile sensitivity and emotional regulation in adults with Autism Spectrum Disorder (ASD), highlighting the unpredictability that interferes with emotional responses and quality of life. It recognizes deficits in social communication, restricted behavior patterns, and sensory alterations such as hyperresponsiveness, hyporesponsiveness, or atypical stimulus seeking. The quanti-qualitative approach identifies how different fabrics provoke discomfort, spontaneous coping strategies, and effects such as stress, anxiety, and isolation. Tactile-sensory strategies support adaptation, emotional regulation, and autonomy, reinforcing the importance of individualized interventions that integrate sensory and emotional aspects to promote better quality of life.
Keywords: Psychology. Autism Spectrum Disorder in Adults. Therapeutic Resource. Unpredictability. Tactile Sensitivity.
1. INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é reconhecido como uma condição do neurodesenvolvimento que envolve alterações persistentes na comunicação social, na reciprocidade interpessoal e na presença de comportamentos restritos e repetitivos (APA, 2022). Contudo, para além desses critérios diagnósticos amplamente descritos, o TEA abrange um conjunto complexo de manifestações, entre as quais as alterações sensoriais têm ganhado destaque nos estudos contemporâneos. Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o autismo é classificado entre os Transtornos Globais do Desenvolvimento (F-84), caracterizados por prejuízos qualitativos nas interações sociais e na comunicação, bem como por interesses e atividades restritos e repetitivos.
Nos últimos anos, pesquisadores têm voltado sua atenção para as experiências sensoriais atípicas que acompanham o espectro autista, especialmente em adultos. Essas experiências podem se manifestar por meio de hiperresponsividade e hiporresponsividade ou busca atípica por estímulos sensoriais, influenciando diretamente a forma como esses indivíduos percebem e interagem com o mundo ao seu redor (Silva & Paula, 2021). Entre os diferentes domínios sensoriais, a sensibilidade tátil destaca-se como uma das mais desafiadoras, por estar intimamente relacionada ao contato físico e às interações cotidianas, podendo comprometer a regulação emocional e a adaptação social (Baranek et al., 2021).
A regulação emocional é entendida como a capacidade de compreender, modular e responder de forma adaptativa às emoções e mostra-se comprometida em pessoas com TEA, em virtude das dificuldades em lidar com estímulos sensoriais imprevisíveis. Pereira e Souza (2024) destacam que respostas emocionais acentuadas diante de toques ou texturas inesperadas podem gerar desconforto, estresse e crises de ansiedade, afetando negativamente a saúde mental e a qualidade de vida. Assim, a imprevisibilidade dos estímulos táteis se revela um fator central, pois interfere na capacidade de antecipar e controlar as experiências sensoriais, gerando insegurança e afetando a autorregulação emocional (Alves et al., 2023).
No cotidiano, essa imprevisibilidade pode se manifestar de formas sutis, mas profundamente impactantes, como na escolha e no uso de roupas. Tecidos sintéticos, ásperos ou com texturas específicas podem provocar reações de angústia, irritabilidade ou recusa, enquanto outros materiais são percebidos como confortáveis ou neutros (Baranek et al., 2021). Essas respostas não se limitam ao estímulo físico em si, mas se associam a experiências emocionais anteriores e à dificuldade de prever o impacto sensorial de diferentes materiais.
Diante disso, observa-se uma lacuna na compreensão de como a sensibilidade tátil imprevisível influencia os processos emocionais em adultos com TEA. Embora existam estudos voltados para a infância, a experiência adulta marcada por maior autonomia, exposição social e exigências adaptativas ainda é pouco explorada.
A presente pesquisa, intitulada “Entre o toque e o desconforto: explorando a sensibilidade tátil e a autorregulação emocional em adultos com TEA”, surgiu desse cenário de incertezas e da necessidade de compreender de forma mais aprofundada a relação entre sensibilidade tátil e regulação emocional. O estudo teve como objetivo investigar como a imprevisibilidade dos estímulos táteis afeta as respostas emocionais e a qualidade de vida desses indivíduos, observando a interação entre diferentes tipos de tecidos e as reações emocionais associadas. Busca-se identificar as principais manifestações afetivas (como ansiedade, angústia e irritabilidade) desencadeadas por estímulos táteis diversos e descrever as estratégias espontâneas de enfrentamento empregadas para lidar com o desconforto sensorial.
Dessa forma, o problema que orientou esta pesquisa pode ser delineado da seguinte maneira: de que forma a imprevisibilidade da sensibilidade tátil interfere na regulação emocional e na qualidade de vida de adultos com TEA?
Compreender essa relação é essencial não apenas para ampliar o conhecimento teórico sobre o autismo, mas também para subsidiar práticas clínicas e intervenções psicológicas que promovam acolhimento, estabilidade emocional e estratégias de enfrentamento adaptadas às singularidades sensoriais de cada indivíduo. Assim, a pesquisa se propõe a contribuir para o desenvolvimento de um olhar mais sensível e individualizado sobre a experiência autista, fortalecendo a aplicabilidade social do conhecimento científico no campo da Psicologia.
2. OS DESAFIOS DA SENSIBILIDADE TÁTIL EM ADULTOS COM TEA
Segundo Paiva et al., (2025) O Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos tem sido cada vez mais reconhecido, especialmente diante dos desafios diagnósticos e das comorbidades frequentemente associadas, visto que muitos indivíduos não foram identificados na infância e desenvolvem estratégias compensatórias. Os sintomas do autismo podem variar significativamente entre os indivíduos, mas alguns padrões são comuns. Dificuldades na comunicação verbal e não verbal, déficits na reciprocidade social, padrões repetitivos de movimentos ou interesses e hiper ou hipossensibilidade sensorial são alguns dos sinais frequentemente observados (APA,2013). Esses sintomas geralmente emergem nos primeiros anos de vida, destacando a importância da observação atenta por parte dos pais e profissionais de saúde.
A vastidão do espectro autista revela-se ainda mais complexa quando volta-se atenção para a população adulta, demandando uma abordagem meticulosa e abrangente. No que concerne ao diagnóstico, o envolver do conhecimento científico reflete uma tendência crescente na compreensão das particularidades do autismo nesta fase da vida. Fabretti (2024, apud Jones et al., 2019). A incorporação de critérios específicos para adultos nas ferramentas diagnósticas, aliada aos avanços em métodos neurobiológicos e neuropsicológicos, têm proporcionado uma identificação mais precisa e contextualizada do TEA.
O autismo acompanha o indivíduo por toda a vida, embora seus efeitos possam se manifestar de maneiras diferentes ao longo do tempo. Com intervenções adequadas, muitas pessoas autistas conseguem avançar em suas habilidades sociais e comunicativas. Ainda assim, algumas continuam enfrentando desafios significativos, sobretudo em ambientes sociais e profissionais. Reconhecer a diversidade no desenvolvimento e na adaptação de indivíduos com TEA é fundamental, assegurando estratégias de suporte contínuas ao longo de todas as fases da vida.
Um importante artigo sobre o tema foi publicado na Nature Reviews Neuroscience, citado por Gikovate (2025, apud, Robertson & Baron-Cohen, 2017), reconhecendo os sintomas sensoriais como algo precoce e específico do autismo, e que poderiam explicar, ao menos em parte, os posteriores déficit nas áreas de comunicação social. O processamento atípico de estímulos sensoriais poderia causar evitação a situações cotidianas, com consequente impacto no desenvolvimento social e de comunicação.
Silva (2025), destaca que essas alterações no processamento sensorial, especialmente tátil, impactam negativamente diversas áreas da vida do indivíduo, dificultando o uso adequado das informações obtidas pelo toque para realizar atividades do dia a dia, o que pode gerar desafios no manejo de estímulos táteis cotidianos e afetar a participação funcional.
Essa dificuldade de adaptação também pode ser relacionada à imprevisibilidade dos estímulos táteis, que tendem a gerar uma desregulação sensorial e emocional. Quando o indivíduo não consegue antecipar ou controlar o tipo e a intensidade do toque, as respostas afetivas e comportamentais se tornam mais intensas, contribuindo para a hipersensibilidade tátil. De fato, estudos recentes, como uma revisão de Collis et al. (2024), sugerem que comportamentos restritos e repetitivos, comuns no autismo, são desenvolvidos como uma resposta para navegar em um mundo frequentemente percebido como imprevisível e avassalador, servindo como uma forma de autorregulação. Assim, a combinação entre memória sensorial negativa, imprevisibilidade do estímulo e desregulação emocional potencializa a evitação de certos tecidos e objetos, reforçando os desafios enfrentados por pessoas com alterações no processamento sensorial, como ocorre no TEA.
Neste sentido, Oliveira e Ribeiro (2022) ressaltam que o contato com certos tecidos pode evocar memórias de desconforto ou dor, intensificando tanto as respostas sensoriais quanto emocionais. Essa interação entre memória sensorial e resposta afetiva torna a adaptação a novos estímulos, como diferentes tipos de tecido, especialmente desafiadora. Dessa forma, a aversão ao toque é frequentemente atribuída a alterações na sensibilidade tátil, o que dificulta a aceitação de roupas e de outros itens do cotidiano que envolvem esse tipo de estímulo.
Tal desconforto não afeta apenas o aspecto físico, mas também tem sérias consequências na autoestima e no bem-estar emocional. O incômodo gerado por certos tecidos pode levar à rejeição do próprio corpo, dificultando a socialização e o engajamento em atividades diárias, aumentando a vulnerabilidade a sentimentos de isolamento e impactando negativamente a qualidade de vida. Como afirma Kyriacou et al. (2021). Usar roupas aversivas também foi descrito pelos participantes como emocionalmente angustiante, pois isso desencadeava sentimentos de irritabilidade, sobrecarga, estresse, sofrimento e ansiedade. Não conseguir usar as roupas que gostariam, devido à essa sensibilidade, também afeta a autoconfiança e insatisfação com a própria aparência.
Portanto, a regulação emocional no TEA deve ser entendida como um processo complexo que envolve não apenas a adaptação a estímulos sensoriais, mas também a habilidade de lidar com sua imprevisibilidade ao longo do tempo. Pois, os autistas enfrentam desafios na autorregulação devido a sensibilidades sensoriais, como a tátil, que podem desencadear reações emocionais intensas e imprevisíveis. Recio et al. (2024), escreve que associações significativas e consistentes foram identificadas entre características do autismo, comportamentos restritos e repetitivos e aspectos sensoriais e níveis elevados de estresse e ansiedade, mediadas pela preocupação e pela intolerância à incerteza.
Deste modo compreender como essas alterações sensoriais afetam a regulação emocional é fundamental para o desenvolvimento de intervenções psicológicas eficazes, promovendo acolhimento e estabilidade emocional, adaptadas às necessidades individuais, são essenciais para melhorar a qualidade de vida de adultos com TEA.
Embora grande parte dos estudos sobre sensibilidade sensorial no TEA se concentre na infância, evidências recentes indicam que essas alterações persistem ao longo da vida, com manifestações específicas na fase adulta (Oliveira e Ribeiro, 2022). A continuidade da hiper ou hipossensibilidade tátil em adultos autistas está associada ao desenvolvimento de estratégias compensatórias para lidar com a sobrecarga sensorial, que nem sempre são eficazes e podem intensificar quadros de ansiedade, estresse e dificuldades de regulação emocional.
A escassez de pesquisas voltadas para essa população, como destaca Silva (2025, apud Aishworiya et al., 2022), limita o avanço de abordagens terapêuticas que contemplem melhorias reais na qualidade de vida, especialmente porque a maior parte das investigações sobre sensorialidade ainda privilegia a fase infantil. A literatura confirma que adultos autistas apresentam qualidade de vida inferior à de adultos neurotípicos, em grande parte devido a comorbidades que afetam bem-estar, autonomia e participação social.
Contudo, esse campo permanece pouco explorado, Ayres et al. (2018) identificaram 827 estudos sobre o tema, mas apenas 14 avaliavam diretamente a qualidade de vida de adultos com TEA, revelando também fragilidades metodológicas, já que apenas um instrumento específico havia sido desenvolvido e nenhum validado de forma abrangente para essa faixa etária. Assim, o uso de medidas gerais compromete a compreensão das particularidades dessa população, reforçando a necessidade de instrumentos mais sensíveis e de maior produção científica que subsidie práticas clínicas e políticas públicas adequadas.
Nesse contexto, o estudo da sensibilidade sensorial atípica torna-se fundamental na Psicologia, pois possibilita compreender com maior profundidade as estratégias de enfrentamento e os processos de autorregulação emocional utilizados por adultos autistas. A abordagem clínica, portanto, deve integrar essas especificidades ao planejamento terapêutico, buscando não apenas reduzir o desconforto sensorial, mas também promover maior autonomia e bem-estar (Pereira & Souza, 2024).
É neste cenário que emerge o presente estudo que procurou investigar como a imprevisibilidade da sensibilidade tátil afeta a regulação emocional e a qualidade de vida em adultos com TEA, com ênfase na interação entre diferentes tipos de tecidos e as respostas emocionais subsequentes. Foram mapeados os padrões de desconforto tátil gerados por seis tipos de tecido (algodão, lã, seda, poliéster, filó e jeans), identificadas as manifestações emocionais associadas a cada estímulo, descritas as estratégias espontâneas de enfrentamento e comparada a eficácia do recurso terapêutico tato-sensorial.
Recurso este, nomeado como “Livro de Texturas”, criado como uma proposta terapêutica inovadora para investigar e auxiliar no manejo da sensibilidade tátil de adultos com TEA, estimulando intervenções individualizadas, atendendo às necessidades sensoriais específicas desse público, promovendo bem-estar e inclusão terapêutica.
3 METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa de campo, de natureza descritiva e exploratória, com abordagem quantiqualitativa. A pesquisa descritiva visa a expor as características de um fenômeno, enquanto a exploratória permite uma familiarização aprofundada do problema (Gil, 2008). De acordo com Machado (2023) por sua vez, mescla elementos mensuráveis com uma compreensão interpretativa, aproveitando os pontos fortes das perspectivas quantitativa e qualitativa.
O estudo teve como objetivo geral investigar como a imprevisibilidade da sensibilidade tátil afeta a regulação emocional e a qualidade de vida de adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), enfatizando a interação entre diferentes tipos de tecidos e nas respostas emocionais subsequentes. Especificamente foi caracterizar o perfil dos participantes; mapear os padrões de imprevisibilidade tátil em diferentes tecidos (algodão, lã, seda, poliéster, filó e jeans); identificar manifestações emocionais associadas aos estímulos táteis e descrever as estratégias espontâneas de enfrentamento utilizadas diante de desconfortos sensoriais.
Tais procedimentos fundamentou-se em autores como Marconi e Lakatos (2017) e Kroeff, Gavillon & Ramm, (2020), que defendem a pesquisa de campo como instrumento de análise contextualizada, e em Creswell, (2021) que ressaltam a relevância da abordagem quantiqualitativa. A amostra foi composta por cinco adultos com diagnóstico de TEA, níveis de suporte 1e 2 e com idades entre 19 e 30 anos, com laudo médico e comunicação funcional. Foram excluídos indivíduos com nível de suporte 3, comorbidades neurológicas ou psiquiátricas e uso de medicamentos que afetassem a sensibilidade tátil, dificuldades de expressão ou recusa em assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). A seleção dos participantes ocorreu por amostragem por conveniência.
A coleta de dados foi realizada em uma Clínica Escola de Psicologia, em ambiente controlado e preparado para o atendimento de pessoas com TEA, mediante agendamento prévio. Utilizaram-se dois instrumentos elaborados pelos pesquisadores: um questionário sociodemográfico, uma entrevista semiestruturada e dois recursos o livro de texturas e uma ficha padronizada de observação intitulada Reatividade Tátil em Adultos com TEA, conforme a Tabela de descrição:

A divulgação do estudo ocorreu por meio de um card digital com a descrição dos objetivos, critérios de participação e contatos da equipe, divulgado em murais institucionais e redes sociais. As inscrições foram efetuadas via formulário online (Google Forms), permitindo a triagem e seleção dos participantes conforme os critérios estabelecidos.
Após o aceite e assinatura do TCLE, os participantes responderam ao questionário sociodemográfico e participaram individualmente da aplicação do recurso sensorial denominado “Livro de Texturas”, seguido da entrevista semiestruturada. Durante a etapa de exposição tátil controlada, cada participante manipulou, em ordem aleatória, amostras de seis tipos de tecidos (algodão, lã, seda, poliéster, jeans e filó) por aproximadamente 30 segundos. As reações faciais, corporais e verbais foram registradas em ficha padronizada de observação, assegurando a triangulação entre dados subjetivos e comportamentais.
As observações foram registradas em diário de campo, contendo anotações descritivas e reflexivas sobre os encontros. Os dados quantitativos foram organizados em planilhas do Excel para caracterização do perfil dos participantes, enquanto os dados qualitativos foram submetidos a análise interpretativa conforme o referencial metodológico de Minayo (2022), buscando compreender os sentidos atribuídos às experiências sensoriais.
O estudo só foi iniciado após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa – CEP/UNAMA Santarém, sob o Parecer nº 7.616.520 do CAAE 88796325.7.0000.0341 e pela banca de qualificação do Centro Universitário da Amazônia, respeitando a Resolução nº 510/2016 e a Lei nº 14.874/2024. Todos os procedimentos foram conduzidos conforme as diretrizes éticas e bioéticas vigentes, garantindo o anonimato, a confidencialidade e o direito de desistência a qualquer momento. Entre os riscos levou-se em consideração possíveis desconforto tátil e a exposição emocional, com possibilidade de acolhimento imediato. Os benefícios incluem o autoconhecimento, a identificação de gatilhos sensoriais e a contribuição para práticas terapêuticas mais eficazes.
Os dados foram organizados no programa Excel (Microsoft for Windows, versão 2021), compondo um banco de dados sistematizado. Realizou-se análise descritiva individual, com cálculo de média aritmética e desvio padrão para variáveis contínuas, apresentando-se as frequências absolutas e relativas. Conforme Ferreira, (2023), a análise de dados qualitativos, por meio de uma abordagem interpretativa, possibilita que o pesquisador identifique temas recorrentes, interprete significados e fundamente decisões a partir do diálogo entre dados e teoria, visando compreender os significados das experiências à luz dos referenciais teóricos sobre TEA, sensorialidade e imprevisibilidade.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com o levantamento das informações de cada participante, fizeram-se as tabulações dos participantes que foram divididos por idade, sexo, escolaridade, profissão, acompanhamento e nível de suporte com as respectivas peculiaridades apresentadas na Tabela 1:
Tabela 1 – Caracterização dos participantes da pesquisa (n=05). Santarém – Pará, 2025.

1:participante 1. M: Masculino. F: Feminino. Pós: Pós-graduação. SI: Superior incompleto. MC: Médio completo. NI: Não informado. TEA: Transtorno do Espectro Autista.
Fonte: As autoras, 2025.
A Tabela 1 apresenta a caracterização sociodemográfica dos participantes do estudo. A média de idade foi de 22,8 ± 3,6 anos, enquanto o tempo médio de acompanhamento psicológico foi de 7,5 ± 3,2 anos. Observou-se predominância do sexo feminino, representando 80% da amostra, enquanto 20% eram do sexo masculino.
Todos os cinco participantes são solteiros e residem com seus familiares. Constatou-se que 60% apresentam ensino superior incompleto e que todos se encontram em processo terapêutico contínuo. Especificamente, os participantes P1 e P5 relataram 11 anos de acompanhamento psicológico, P2 indicou 6 anos, P4 aproximadamente 4 anos e meio, enquanto P3 não soube informar o tempo de intervenção clínica.
Tais dados evidenciam a relevância do acompanhamento adequado após o diagnóstico. Conforme Fuzar-Poli et al. (2020), Menezes (2020) e Silva et al. (2020), o tratamento apropriado contribui para avanços em diversas áreas do desenvolvimento, incluindo percepção, contato visual, imitação, coordenação motora, cognição e verbalização. A pesquisa evidencia a importância da intervenção precoce, iniciada imediatamente após a confirmação diagnóstica, como fator determinante para a adaptação funcional. Dessa forma obter o diagnóstico e o tratamento correto é um meio de minimizar esses impactos, melhorar a qualidade de vida dos portadores e das pessoas ao seu redor, e de salvar vidas (Lima et al, Viana et al, 2020). Auxilia os familiares no processo de superação de dificuldade ao receber, o diagnóstico e ao enfrentar as mudanças na rotina familiar (Viana et al, 2020). Verificou-se que indivíduos submetidos a maior tempo de acompanhamento terapêutico apresentam evolução significativa no manejo da sensibilidade tátil, favorecendo não apenas a redução de estressores emocionais, mas também o desenvolvimento de estratégias adaptativas que ampliam a qualidade de vida e a autonomia.
Todos os participantes foram classificados com nível de suporte 1 para o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Essas informações possibilitaram fundamentar a análise da variável investigada, referente à forma como a imprevisibilidade da sensibilidade tátil interfere na regulação emocional e na qualidade de vida de adultos com TEA.
Tabela 2 – Sensibilidade tátil predominante nos participantes da pesquisa (n=05). Santarém – Pará, 2025.

P1: participante 1.
Fonte: As autoras, 2025.
Na Tabela 2, observa-se que a maioria dos participantes (P1, P2, P4 e P5) apresenta hipersensibilidade, evidenciando alterações na percepção sensorial em 80% do grupo. Esses mesmos participantes também apresentam hipossensibilidade, indicando que diferentes formas de resposta sensorial coexistem em um mesmo indivíduo. O participante P3, entretanto, apresenta apenas hipossensibilidade, sugerindo 100% dos participantes. Segundo Williams et al (2023). Esses achados destacam a variabilidade individual na percepção sensorial e reforçam a importância de avaliar tanto a hipersensibilidade quanto a hipossensibilidade para compreender melhor as respostas sensoriais de cada participante. As questões sensoriais apresentam alta prevalência neste grupo e trazem desconforto para o dia-a-dia. Tais alterações podem exercer impacto significativo na maneira como esses indivíduos processam, interpretam e respondem aos estímulos ambientais (Silva e Paula, 2021).
No tange mapear os padrões de imprevisibilidade tátil em diferentes tecidos (algodão, lã, seda, poliéster, filó e jeans), observa-se que cada material apresenta características sensoriais únicas que influenciam a percepção tátil dos indivíduos. A exploração tátil desempenha um papel crucial em nas interações com o mundo físico, incluindo a capacidade de diferenciar texturas têxteis e o conforto associado a elas. Da mesma forma Mehta et al. ( 2024) reforçam que mapear essas diferenças é fundamental não apenas para compreender a sensibilidade tátil individual, mas também para identificar como a textura e a consistência dos tecidos podem influenciar respostas emocionais, cognitivas e até comportamentais. As Tabelas 3 e 4 mostram os resultados nesse contexto de investigação.
Tabela 3 – Imprevisibilidade tátil em diferentes tipos de tecidos (algodão e jeans) nos participantes da pesquisa (n=05). Santarém – Pará, 2025.

P1: participante 1.
Fonte: Autoras, 2025.
Na tabela 3 é possível identificar que, entre os tecidos analisados (algodão, jeans), há variedade nas respostas emocionais diante do toque, indicando que a previsibilidade do estímulo e a textura influenciam diretamente o modo como o sujeito percebe e processa a sensação (Schaffler et al., 2019). Indivíduos com TEA apresentam hipersensibilidade tátil e processamento neural tátil alterado.
No algodão e no jeans, verificou-se que 40% não demonstraram reações negativas, enquanto 60% manifestaram irritabilidade e angústia, o que resultou na evitação do uso desses tecidos. P1 apresentou desconforto tanto ao toque ao algodão e o jeans em relação ao toque e reações de angústia somente no algodão, já a participante P2 relatou sentir frequentemente desconforto ao toque no algodão e no jeans sempre, e irritabilidade em ambos, P3 possui desconforto ao toque frequentemente tanto no algodão e jeans, irritabilidade no algodão e angústia no jeans. e participante P4 nunca sentiu desconforto ao toque em ambos os tecidos. P5 raramente sente desconforto no algodão e jeans e angústia apenas no jeans.
Esses resultados evidenciam que a experiência tátil é altamente individualizada. Alguns tecidos são percebidos como neutros ou agradáveis, enquanto outros geram desconforto intenso, especialmente em indivíduos com alterações no processamento sensorial, como ocorre no TEA, nos quais as respostas emocionais podem se tornar mais intensas. A tolerância ao toque, portanto, não é uniforme, variando conforme a sensibilidade e a experiência de cada participante, o que pode influenciar suas escolhas e preferências por determinados objetos ou roupas. Esses achados reforçam a importância de considerar as necessidades sensoriais individuais ao planejar ambientes e interações, contribuindo para reduzir situações de estresse e promover conforto e bem-estar.
Tabela 4 – Imprevisibilidade tátil em diferentes tipos de tecidos (poliéster e filó) nos participantes da pesquisa (n=05). Santarém – Pará, 2025.

P1: participante 1.
Fonte: As autoras, 2025.
Os dados da Tabela 4 possibilita observar que a sensibilidade tátil esteve mais acentuada no contato com os tecidos poliéster e filó, os quais desencadearam respostas sensoriais intensas, incluindo ansiedade, angústia e irritabilidade. No caso do poliéster, 20% dos participantes apresentaram reação de hesitação diante do toque, evitando o contato direto, enquanto 80% relataram evitar o uso do tecido. Por sua vez, em relação ao filó, todos os participantes (100%) manifestaram reações negativas, que englobaram incômodo visual, desconforto auditivo, irritabilidade e angústia. Dentre esses, 20% apresentaram hesitação ao toque, e outros 20% relataram sintomas sensoriais adicionais, como irritabilidade cutânea.
A análise individual evidenciou particularidades importantes: P1 raramente apresentou desconforto com o poliéster, embora em algumas situações tenha relatado irritabilidade; em contrapartida, ao tocar no filó, sempre manifestou desconforto e angústia, incluindo reações cutâneas. P2 relatou sentir desconforto ocasionalmente com o poliéster, mas sempre com o filó, apresentando irritabilidade no primeiro e ansiedade, angústia e irritabilidade no segundo. P3 apresentou frequentemente desconforto ao poliéster, associado a angústia e irritabilidade, enquanto em relação ao filó, raramente relatou desconforto ao toque. P4 não apresentou desconforto ao contato com nenhum dos tecidos. Por fim, P5 relatou sentir sempre desconforto com o poliéster, e frequentemente com o filó, associado a irritabilidade e angústia.
Esses achados indicam que os tecidos estudados provocam respostas sensoriais diferenciadas, com o filó apresentando maior intensidade de reações negativas em todos os participantes, enquanto o poliéster apresentou variabilidade nas respostas individuais, destacando a importância das características táteis dos materiais no desencadeamento de reações afetivas e comportamentais.
Tal fenômeno ocorre devido à forma como o cérebro processa os estímulos, um mecanismo definido por Kilroy, Aziz-Zadeh e Cermak (2019) como a capacidade de perceber, organizar e interpretar informações recebidas por meio dos sistemas sensoriais e produzir respostas motoras e comportamentais adequadas ao ambiente.
Tabela 5 – Regulação emocional e qualidade de vida nos participantes da pesquisa (n=05). Santarém – Pará, 2025.

P1: participante 1.
Fonte: As autoras, 2025.
Frente às manifestações emocionais associadas aos estímulos táteis e a regulação emocional e promoção de qualidade de vida, a partir da análise da Tabela 5, verificou-se que 100% dos participantes utilizam estratégias de enfrentamento para lidar com a sensibilidade tátil, destacando comportamentos como troca frequente de roupas e evitação de determinados tecidos.
Essas estratégias refletem tentativas naturais de autorregulação emocional e sensorial, evidenciando a estreita relação entre percepção tátil, respostas afetivas e comportamento adaptativo, indicando adaptação constante ao ambiente e aos estímulos sensoriais, mas também evidenciam um impacto significativo na qualidade de vida dos indivíduos. O desconforto causado pela hipersensibilidade ou hipossensibilidade tátil influencia não apenas o bem-estar físico, mas também aspectos emocionais e sociais, podendo gerar frustração, ansiedade ou limitações na escolha de vestimentas e na interação com o ambiente.
Além disso, o uso contínuo dessas estratégias de enfrentamento pode refletir uma tentativa de controle sobre estímulos imprevisíveis, mas também aponta para a necessidade de intervenções que promovam conforto sensorial e redução do impacto negativo na rotina diária. Essas sensibilidades sensoriais são aspectos desafiadores que interferem diretamente na regulação emocional e na adaptação em contextos sociais e ambientais (Baranek et al., 2021).
Observou-se que todos os participantes relataram mudança de roupa ou evitação de tecidos desconfortáveis como forma predominante de enfrentamento, evidenciando que as estratégias autorregulatórias estão baseadas na evitação do estímulo e não na adaptação ao mesmo.
Nesse sentido, quando a imprevisibilidade sensorial ocorre em contextos inesperados, como no ambiente escolar, no local de trabalho ou durante apresentações, os indivíduos recorrem a recursos regulatórios variados. Entre eles destacam-se: buscar espaços mais isolados, redirecionar o foco atencional, permanecer imóveis para evitar contato físico, utilizar objetos de apoio com textura agradável, bem como recorrer a instrumentos de estimulação tátil, como a bolinha de massagem fisioterapêutica, a fim de promover a autorregulação.
Tal perspectiva está em consonância com achados de Almeida e Souza (2019), que apontam que a evitação sensorial pode representar uma forma de autorregulação emocional imediata, mas que tende a limitar a experiência cotidiana e a autonomia social. Assim, o comportamento de evitar o toque, embora funcional em curto prazo, reforça a associação negativa com o estímulo tátil, perpetuando a imprevisibilidade sensorial e o desconforto emocional.
Destaca-se que os dados relativos as observações durante a aplicação do recurso “Livro de Texturas” revelaram que a expressividade facial e motora esteve profundamente relacionada à experiência tátil, evidenciando como as sensações percebidas influenciam diretamente as respostas emocionais e comportamentais. Contrações de sobrancelhas, retração da mão e murmúrios de incômodo foram frequentes nos participantes com hipersensibilidade, enquanto sorrisos espontâneos e lembranças afetivas emergiram diante de tecidos agradáveis.
Essas reações corroboram os estudos de Santos e Fernandes (2022), que identificam o corpo como mediador fundamental na tradução das experiências emocionais em pessoas com TEA, indicando que o toque não apenas ativa respostas físicas, mas também memórias afetivas e estados emocionais complexos.
Tabela 6 – Reatividade tátil a diferentes tipos de tecidos (algodão e lã) nos participantes da pesquisa (n=05). Santarém – Pará, 2025.

P1: participante 1.
Fonte: As autoras, 2025.
No que se refere a interação entre diferentes tipos de tecidos e nas respostas emocionais subsequentes, nas tabelas 6, 7 e 8, foram analisadas as interações táteis, ultrapassando a dimensão física, envolvendo memórias afetivas, evidenciando que a textura material participa ativamente da construção das percepções afetivas humana.
Na Tabela 6, foi analisada a reatividade tátil dos tecidos, algodão e lã. Especificamente em relação ao algodão, observou-se que os participantes apresentaram respostas variadas, envolvendo expressões faciais, movimentos corporais, vocalizações e comentários espontâneos.
Os participantes P1 e P2 demonstraram contração de sobrancelhas e retração imediata das mãos ao toque do tecido. Além disso, houve hesitação ao tocar, acompanhada de incômodo evidente, refletido em vocalizações como murmúrios e suspiros. Os movimentos corporais desses participantes também se mostraram mais inquietos, indicando uma reação sensorial intensa.
De modo geral, o algodão provocou respostas que variaram do incômodo sensorial intenso (P1 e P2) até a adaptação e lembranças afetivas (P3 a P5), evidenciando como diferentes participantes reagem de maneira individualizada ao mesmo estímulo tátil. verificou-se que 40% não demonstraram reações negativas, enquanto 60% manifestaram irritabilidade e angústia, o que resultou na evitação do uso desses tecidos.
No que se refere ao tecido de lã, nenhum dos participantes relatou desconforto ao toque, evidenciando, entretanto, diferentes reações emocionais diante do estímulo tátil. Observou-se uma variedade de respostas afetivas: os participantes P1, P2 e P4 apresentaram lembranças afetivas associadas ao contato com a lã; P1, P3 e P4 manifestaram expressões faciais de agrado, como sorriso espontâneo; P3 demonstrou inquietação motora acompanhada de risada nervosa; P4 emitiu um suspiro; e P5 referiu sensação de conforto e segurança. Tais achados indicam que cada tecido é capaz de suscitar emoções distintas, como se a materialidade do estímulo fosse portadora de significados e memórias sensoriais (MEHTA, et al., 2024).
A sensibilidade tátil é fundamental nas interações com o mundo físico, influenciando a percepção de texturas têxteis e o conforto que proporcionam. Estudos de desenvolvimento humano apontam que experiências táteis positivas, desde os primeiros contatos, têm impacto duradouro no desenvolvimento psicossocial e emocional, fortalecendo laços afetivos, promovendo segurança e favorecendo uma adaptação social saudável (Narvaez et al., 2019). Assim, o toque da lã, ao despertar conforto, memórias e diferentes respostas emocionais, evidencia uma função que ultrapassa o domínio sensorial, integrando dimensões afetivas e sociais.
Tabela 7 – Reatividade tátil a diferentes tipos de tecidos (seda e poliéster) nos participantes da pesquisa (n=05). Santarém – Pará, 2025.

P1: participante 1.
Fonte: As autoras, 2025.
Na Tabela 7, verificou-se que, entre os tecidos analisados seda e poliéster, há variação nas respostas emocionais diante do toque, evidenciando que a previsibilidade do estímulo e as características da textura influenciam diretamente a forma como o sujeito percebe e processa a sensação tátil (Schaffler et al., 2019). Indivíduos com TEA apresentam, com frequência, hipersensibilidade tátil e alterações no processamento neural associado a esse sentido.
Sobre a seda, apenas 20% dos participantes relataram desconforto ao toque e afirmaram que não utilizariam o tecido, apresentando retração imediata da mão. Os participantes P2 e P3 manifestaram sorriso espontâneo e somente P3 apresentou inquietação motora. Ademais, 80% dos participantes referiram conforto ao toque; dentre esses, 40% evocaram lembranças afetivas associadas à experiência tátil.
Observou-se também que a sensibilidade tátil se mostrou mais acentuada no contato com o poliéster, desencadeando respostas emocionais e comportamentais mais intensas, como ansiedade, angústia e irritabilidade. Os participantes P2 e P5 apresentaram retração direta da mão, destacando-se que P2 emitiu um grito e uma risada nervosa. Os participantes P1, P2 e P3 demonstraram hesitação ao toque, enquanto P3 novamente apresentou inquietação motora. Além disso, 60% dos participantes contraíram as sobrancelhas durante o contato com o tecido.
Segundo Oliveira et al. (2022), o comportamento sensorial atípico constitui um dos critérios diagnósticos do TEA conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais- DSM-5-TR (2022), tais disfunções sensoriais podem se manifestar por meio de comportamentos de esquiva ou retração diante de estímulos percebidos como aversivos padrões esses observados nesta Tabela e na Tabela 8, conforme será detalhado a seguir.
Tabela 8 – Reatividade tátil a diferentes tipos de tecidos (filó e jeans) nos participantes da pesquisa (n=05). Santarém – Pará, 2025.

P1: participante 1.
Fonte: As autoras, 2025.
A Tabela 8, ao analisar os tecidos filó e jeans, evidencia diferenças significativas na sensibilidade tátil dos participantes. Observou-se que o contato com o tecido filó desencadeou respostas sensoriais mais intensas, indicando uma hipersensibilidade tátil acentuada. Todos os participantes (100%) manifestaram reações negativas frente ao filó, incluindo incômodo visual, desconforto auditivo, irritabilidade e angústia, evidenciando que o estímulo foi percebido como aversivo em múltiplos níveis sensoriais.
Dentre essas manifestações, 20% dos participantes apresentaram hesitação ao toque, demonstrando uma avaliação inicial do estímulo antes de qualquer contato efetivo, enquanto 40% apresentaram retração imediata da mão, comportamento indicativo de esquiva sensorial direta. Além disso, 20% relataram sintomas sensoriais complementares, como irritabilidade cutânea, reforçando a existência de reatividade aumentada a estímulos táteis específicos.
Destaca-se a participante P2, cuja reação ao estímulo foi especialmente intensa. Ela apresentou retração imediata das mãos, hesitação ao toque, rigidez corporal e hesitação motora, indicando um claro estado de alerta e desconforto generalizado. Além das respostas motoras, P2 demonstrou comportamentos emocionais marcantes, como grito e risada nervosa, revelando uma reação complexa que integra componentes afetivos e motores típicos da hipersensibilidade tátil.
Da mesma forma, a participante P5 apresentou uma reação diferenciada, relatando alteração perceptível no som ao tocar o tecido filó, evidenciando sensibilidade auditiva concomitante à experiência tátil. Esse relato demonstra que, para alguns participantes, a hipersensibilidade não se restringe ao toque, mas integra múltiplos canais sensoriais, amplificando a experiência de desconforto e irritabilidade.
Os resultados indicam que o tecido filó apresenta propriedades sensoriais especialmente aversivas para indivíduos com maior sensibilidade tátil e auditiva, provocando não apenas desconforto físico, mas também respostas emocionais intensas e comportamentos de esquiva. Em comparação, o jeans gerou reações menos acentuadas, sugerindo que a textura e as características do material influenciam diretamente o grau de hipersensibilidade dos participantes. Ainda assim, 80% relataram incômodo ao toque do jeans, com destaque para P5, cuja sensação de desconforto se prolongou, evidenciando hipersensibilidade tátil marcada. Além disso, 40% apresentaram inquietação motora, sendo P3 e P4 os mais agitados durante o manuseio do tecido.
É importante salientar o caso de P1, que historicamente utilizou o tecido jeans até a adolescência, mas que atualmente não faz mais uso, indicando possível adaptação ou alteração nas preferências sensoriais ao longo do tempo. Além disso, dois participantes apresentaram hesitação ao toque, reforçando comportamentos de avaliação e esquiva diante do estímulo sensorial.
Adicionalmente, observou-se que P1 e P3 manifestaram sorriso espontâneo durante a interação com o jeans, sugerindo a presença de respostas afetivas positivas concomitantes às demais reações sensoriais, o que evidencia a complexidade das respostas táteis e a variabilidade individual na percepção e processamento sensorial. Reforçando essa ideia, Sena e Barros (2023), mencionam que indivíduos com TEA apresentam hipersensibilidade a estímulos táteis (tais como texturas), o que pode levar a reações intensas de desconforto, ansiedade ou esquiva sensorial.
Assim os achados desta pesquisa indicam que a imprevisibilidade tátil interfere de modo significativo na regulação emocional e na qualidade de vida dos adultos com TEA. Segundo Riquelme et al. (2023), a disfunção sensorial impacta diretamente o desenvolvimento do processamento emocional e do comportamento em indivíduos autistas, o que reforça a relevância da sensibilidade tátil para a compreensão de suas respostas emocionais. Diante disso, reforça-se a importância de se considerar a dimensão tátil como elemento relevante, favorecendo intervenções que contemplem o reconhecimento do corpo como mediador da experiência emocional e subjetiva.
4 CONCLUSÃO
A presente pesquisa demonstra a complexidade das experiencias sensoriais na população adulta com TEA, revelando que 80% dos participantes apresentam simultaneamente hipersensibilidade e hipossensibilidade tátil a tecidos. Tal achado reforça o impacto direto das experiências táteis no bem-estar emocional e destaca a importância de entender o toque como um elemento central na dinâmica psicológica, sensorial e motora desses indivíduos.
Os resultados demonstram que todos os objetivos propostos foram alcançados, sendo possível mapear padrões de imprevisibilidade tátil entre diferentes tecidos, identificar manifestações emocionais associadas ao toque, especialmente angústia, irritabilidade e ansiedade e reconhecer estratégias espontâneas de enfrentamento predominantemente baseadas na evitação de estímulos desconfortáveis.
Observou-se, de forma consistente, que a imprevisibilidade tátil intensifica respostas emocionais negativas, contribuindo para ciclos de desconforto e fragilidade emocional, sobretudo entre adultos com TEA. Esses achados reforçam a importância de intervenções clínicas que integrem tanto a dimensão sensorial quanto os processos de autorregulação emocional.
Pois, do ponto de vista científico e acadêmico, o estudo avança na compreensão integrada entre sensorialidade e regulação emocional, tema ainda pouco explorado na literatura nacional. Socialmente, evidencia a urgência de intervenções que atendam às necessidades sensoriais da população adulta autista, frequentemente invisibilizada nas práticas clínicas.
Nesse contexto, recursos terapêuticos como o “Livro de Texturas” mostram-se promissores ao favorecer um manejo mais adaptativo da sensibilidade tátil, ampliando autonomia e promovendo melhorias significativas na qualidade de vida em indivíduos adultos com TEA.
Ressalta-se que a literatura revisada e discutida evidencia que a qualidade de vida dessa população está intimamente ligada ao modo como suas necessidades sensoriais são compreendidas e acolhidas nos contextos sociais, familiares e clínicos. A presença de hipersensibilidade ou hipossensibilidade pode restringir atividades diárias, dificultar interações sociais, reduzir autonomia e intensificar estados de ansiedade ou desconforto.
Assim, intervenções que integrem essas particularidades sensoriais contribuem não apenas para o alívio imediato do desconforto, mas também para um maior bem-estar emocional, maior participação social e rotinas mais inclusivas e adaptativas. Investir em práticas terapêuticas sensoriais, portanto, constitui um caminho essencial para fortalecer autonomia, segurança e dignidade na vida adulta de pessoas com TEA.
Este estudo apresenta limitações, especialmente quanto ao tamanho reduzido da amostra e à concentração geográfica, o que sinaliza a necessidade de pesquisas futuras em contextos socioculturais distintos para ampliar a generalização dos achados. Mesmo assim, os resultados oferecem importantes subsídios para investigações posteriores sobre a imprevisibilidade tátil e suas repercussões emocionais, reforçando a importância de intervenções terapêuticas individualizadas e socialmente inclusivas.
Em síntese, esta pesquisa contribui para o aperfeiçoamento do entendimento teórico sobre a relação entre sensibilidade tátil e regulação emocional em adultos com TEA, evidenciando a relevância de práticas clínicas que promovam autonomia e inclusão social.
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, W. S.; SILVA, A. M. Questionários sociodemográficos: uma ferramenta para a coleta de dados em pesquisas. Revista Brasileira de Epidemiologia, 2019.
ALVES, L. M.; SOUZA, F. L.; PEREIRA, A. P. Imprevisibilidade e regulação emocional em adultos com TEA. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 39, n. 1, p. 1-10, 2023.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5. 5th ed. Arlington: American Psychiatric Publishing, 2013.
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5-TR. 5. ed. Arlington: American Psychiatric Association, 2022.
AYRES, A. J. Sensory integration and the child. Los Angeles: WPS, 1979.
AYRES, M.; PARR, J. R.; RODGERS, J.; MASON, D.; AVERY, L.; FLYNN, D. A systematic review of quality of life of adults on the autism spectrum. Autism, v.
22, n. 7, p. 774-783, 2018. DOI: 10.1177/1362361317714988. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28805071/. Acesso em: 16 nov. 2025.
BARANEK, G. T. Eficácia de intervenções sensoriais e motoras para crianças com autismo. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 32, p. 397-422, 2002. DOI: https://doi.org/10.1023/A:1020541906063.
BARANEK, G. T. et al. Sensory processing and regulation in autism: a systematic review. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 51, p. 1-24, 2021.
BOGDASHINA, O. Sensory perceptual issues in autism and Asperger syndrome. 2. ed. Londres: Jessica Kingsley Publishers, 2016.
BUNDY, A. C.; LANE, S. J. Sensory integration: theory and practice. 3. ed. Philadelphia: F.A. Davis Company, 2020.
CHAMAK, B. et al. Autism and social neuroscience: the role of the first-person perspective. Frontiers in Human Neuroscience, Lausanne, v. 2, p. 1-11, 2008. DOI: 10.3389/neuro.09.004.2008.
COLLIS, E.; RUSSELL, A.; BROSNAN, M. Self-report of restricted repetitive behaviors in autistic adults: a systematic review. Autism in Adulthood. 2024.
CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Resolução nº 510/2016. Brasília, 2016.
CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 5. ed. Porto Alegre: Penso, 2021.
DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. (Eds.). The SAGE handbook of qualitative research. 5. ed. Thousand Oaks: Sage Publications, 2018.
DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. Introdução: a disciplina e a prática da pesquisa qualitativa. In: DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. (Orgs.). O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. p. 15-41.
FABRETTI, J. O. et al. Transtorno do Espectro Autista: população adulta. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 2, p. 173–185, 2024. DOI: 10.36557/2674-8169.2024v6n2p173-185.
FERREIRA, S. A análise de conteúdo: um método para a análise de dados em pesquisas qualitativas. Revista Pesquisa Qualitativa, v. 11, n. 26, p. 202-224, 2023. DOI: 10.33361/RPQ.2023. v.11.n.26.502.
FUSAR-POLI, L.; BRONDINO, N.; POLITI, P.; AGUGLIA, E. Missed diagnoses and misdiagnoses of adults with autism spectrum disorder. European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience, 2020.
GIKOVATE, C. G.; FERES-CARNEIRO, T. Autismo em adultos: relatos de vida após um diagnóstico tardio. Psicopatologia Fenomenológica Contemporânea, v. 14, n. 1, 2025. DOI: https://doi.org/10.37067/rpfc.v14i1.1177. Acesso 16 nov de 2025.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1991.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
KILROV, E.; AZIZ-ZADEH, L.; CERMAK, S. A. Ayres Sensory Integration for autism spectrum disorder: a narrative review. Brain Sciences, v. 9, n. 3, p. 48, 2019.
KROEFF, R. F. S.; GAVILLON, P. Q.; RAMM, L. V. Diário de campo e a relação do(a) pesquisador(a) com o campo-tema na pesquisa-intervenção. Estudos e Pesquisas em Psicologia, v. 20, n. 2, p. 464-480, 2020.
KYRIACOU, C.; FORRESTER-JONES, R.; TRIANTAFYLLOPOULOU, P. Clothes. Sensory experiences and autism: Is wearing the right fabric importante. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 53, p. 1495-1508, 2021. DOI: 10.1007/s10803-021-05140-3. Acesso 16 out de 2025.
LIMA, H. K. S. D. et al. Diagnóstico tardio do autismo em adultos. Etec Adolpho Berezin, Mongaguá, 2021.
MACHADO, J. R. F. Metodologias de pesquisa: um diálogo quantitativo, qualitativo e quali-quantitativo. Devir Educação, v. 7, n. 1, e-697, 2023.
MANZATO, A. J. S.; LEITE, A. F. P. Entrevista semiestruturada: uma técnica de pesquisa qualitativa. Revista Brasileira de Pesquisa Qualitativa, v. 1, n. 1, p. 1-15, 2012.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
MEHTA, N.; HOLÁSKOVÁ, I.; WALKER, M. Tactile perception of textile materials. In: Textile Science and Clothing Technology. Singapore: Springer, 2024.
MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 16. ed. São Paulo: Hucitec, 2022.
NARVAEZ, D. et al. The importance of early life touch for psychosocial and moral development. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 32, p. 16, 2019.
OLIVEIRA, M. D.; RIBEIRO, J. A. Experiências sensoriais no TEA: o impacto da memória e da resposta emocional. Psicologia e Sociedade, v. 34, n. 2, p. 58-70, 2022.
OLIVEIRA, P. L.; SOUZA, A. P. R. Terapia com base em integração sensorial em um caso de TEA com seletividade alimentar. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, v. 30, e2824, 2022. DOI: 10.1590/2526-8910.ctoRE21372824.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Doenças – CID-10. São Paulo: OMS, 1993.
PAIVA, G. S. et al. Transtorno do Espectro Autista em adultos: diagnóstico e manejo clínico. Revista Brasileira de Revisão de Saúde, v. 2, e78300, 2025.
PEREIRA, D. F.; SOUZA, M. T. Regulação emocional em adultos com TEA. Psicologia em Estudo, v. 29, n. 4, p. 493-505, 2024.
QUEIROZ, M. I. P. Relatos orais: do “indizível” ao “dizível”. In: VON SIMSON, O. M. (Org.). Experimentos com histórias de vida. São Paulo: Vértice, 1988.
RECIO, P. et al. Autistic sensory traits and psychological distress. Brain Sciences, v. 14, n. 11, p. 1088, 2024.
RIQUELME, I. et al. A multidimensional investigation of the relationship between skin-mediated somatosensory signals, emotion regulation and behavior problems in autistic children. Frontiers in Neuroscience, v. 17, 2023.
ROGERS, S. J.; HEPBURN, S.; WEHNER, E. Relatos de pais sobre sintomas sensoriais em crianças pequenas com autismo. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 33, p. 631–642, 2003.
SANTOS, A.; FERNANDES, B. O corpo como mediador das experiências emocionais em pessoas com TEA. Revista Exemplo, 2022.
SCHAFFLER, M. D.; ELIAS, L. J.; ABDUS-SABOOR, I. Mechanisms of tactile sensory phenotypes in autism. Current Psychiatry Reports, v. 21, n. 12, p. 134, 2019.
SENA, B. U.; BARROS, T. S. Hipersensibilidade em crianças com TEA. Revista Foco, v. 16, n. 11, p. 3502, 2023.
SILVA, E. M.; PAULA, P. A. Sensibilidade sensorial e implicações na vida de adultos com TEA. Revista Brasileira de Terapias Cognitivo-Comportamentais, v. 18, n. 1, p. 33-44, 2021.
SILVA, L. B.; CARVALHO, A. C.; SILVA, M. F. P. T. B. Transição, adaptação e diagnóstico do autismo da criança ao adulto. Revista Delos, v. 18, n. 71, e6628, 2025.
SILVA, L. M. G.; JURDI, A. P. S.; PEREIRA, A. P. S. Percepção sobre processamento sensorial em crianças com TEA. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, v. 33, e3816, 2025.
VIANA, A. C. V. et al. Saúde Dinâmica, v. 2, n. 3, p. 1-18, 2020.
VIEIRA, M. M. F.; ZOUAIN, D. M. Pesquisa qualitativa em administração: teoria e prática. Rio de Janeiro: FGV, 2005.
WALKER, L.; CANTELL, M. The role of tactile defensiveness in atypical social interactions of children. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 24, n. 4, p. 571-582, 1994.
WILLIAMS, Z. J. et al. Examinando a estrutura latente e os correlatos da reatividade sensorial no autismo. Molecular Autism, v. 14, p. 31, 2023.
1Discente do Curso Superior de Psicologia UNAMA Santarém e-mail: claudia.araujo.0912@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Psicologia UNAMA Santarém e-mail: contato.elensamara@gmail.com
3Discente do Curso Superior de Psicologia UNAMA Santarém e-mail: nandacamila1414@gmail.com
4Discente do Curso Superior de Psicologia UNAMA Santarém e-mail: Discente do Curso Superior de Licenciatura em Matemática e Física UFOPA Santarém e-mail: adaiaseclaudia@gmail.com
5Discente do Curso Superior de Psicologia UNAMA Santarém e-mail: gabriellangell661@gmail.com
6Discente do Curso Superior de Psicologia UNAMA Santarém e-mail: deboralayanedesousalima@gmail.com
7Discente do Curso Superior de Psicologia UNAMA Santarém e-mail: isabella.santiagofa@gmail.com
8Discente do Curso Superior de Psicologia UNAMA Santarém e-mail: lennymota2529@gmail.com
9Discente do Curso Superior de Psicologia UNAMA Santarém e-mail: Rabelo.luana31@gmail.com
10Docente do Curso Superior Psicologia UNAMA -Neuropsicóloga, Especialista em Avaliação Psicológica. Santarém e-mail: luhjatipsi@gmail.com
