ENSINO HÍBRIDO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: UMA ANÁLISE DAS PRÁTICAS E CONCEITUAÇÃO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511111111


Manoela Marques Pettine
Orientadora: Vanessa Ribas Fialho


RESUMO 

O presente artigo apresenta, através de uma abordagem qualitativa, à metodologia do Ensino Híbrido no Ensino Superior, em artigos referentes ao Ensino Híbrido de diferentes áreas, compreendendo o ano de 2018 até o ano de 2022. O estudo teve como objetivo avaliar as práticas relacionadas à metodologia de Ensino Híbrido, além de entender, caracterizar e conceituar o Ensino Híbrido, analisar artigos que relatam estudos de caso e relatos de experiência no Ensino Superior sobre Ensino Híbrido, conhecer o que se entende como Ensino Híbrido para a Educação Superior. O resultado do estudo aponta que há falta de conhecimento em relação ao termo Ensino Híbrido. 

Palavras-chave: Ensino Superior. Ensino Híbrido. Relatos de experiência. Estudo de caso 

1. INTRODUÇÃO  

A pandemia que assolou o ano de 2020 teve um impacto significativo em todos os setores da sociedade, incluindo a educação brasileira, que enfrentou desafios sem precedentes. Nesse contexto, surgiu o termo Ensino Remoto Emergencial (ERE), como uma alternativa para lidar com esse período extraordinário, muitas vezes erroneamente confundido com a Educação a Distância (EaD). Embora o ERE e a EaD compartilhem recursos e ferramentas, é fundamental compreender que eles não são sinônimos. Enquanto o ERE foi implementado durante a pandemia de COVID-19, com aulas ocorrendo de forma remota e atividades síncronas e assíncronas, incluindo a disponibilização de materiais impressos para alguns alunos retirarem nas escolas, a EaD é uma modalidade de ensino consolidada, com teorias e metodologias próprias.   

Além disso, outro conceito que ganhou destaque nesse período foi o Ensino Híbrido (EH), que também foi erroneamente confundido com o ERE e a EaD. O EH difere desses termos, pois busca combinar presencialidade e virtualidade, utilizando abordagens pedagógicas ativas. No EH, o professor desempenha o papel de mediador, incentivando a autonomia do aluno e proporcionando uma experiência educacional mais flexível e adaptável, que possa atender às necessidades dos estudantes. 

Tendo em vista o contexto anteriormente apresentado, este artigo possui como objetivo geral avaliar as práticas relacionadas à metodologia de EH no contexto da Educação Superior. Como objetivos específicos, entender, caracterizar e conceituar o EH, analisar artigos que relatam estudos de caso e relatos de experiência no Ensino Superior sobre EH, conhecer o que se entende como EH para a Educação Superior.  

O trabalho está estruturado em várias seções para uma análise abrangente e aprofundada do tema. Após esta introdução, o artigo prossegue com o referencial teórico, no qual serão apresentados os principais conceitos e fundamentos relacionados ao EH e ao Ensino Superior no Brasil. A metodologia utilizada no estudo será detalhada, seguida pela análise dos dados. Por fim, as Considerações Finais sintetizarão os principais resultados, destacarão as contribuições do trabalho e fornecerão recomendações para pesquisas futuras. 

2. REFERENCIAL TEÓRICO 

Nesta seção, serão explorados diversos temas essenciais para a compreensão e análise do EH no contexto da Educação Superior. Inicialmente, discutiremos o ERE, a EaD e o EH, a fim de estabelecer as bases conceituais e contextuais que envolvem esses termos. Em seguida, exploraremos os diferentes modelos de EH existentes, destacando suas abordagens e metodologias específicas. Além disso, falaremos sobre os benefícios proporcionados pelo EH, bem como os desafios e limitações enfrentados por sua implementação efetiva.

Também apresentaremos as tendências e perspectivas futuras do EH, visando compreender as direções e inovações promissoras nesse campo. Por fim, trataremos do ensino superior no Brasil, a fim de contextualizar as características e particularidades desse nível de ensino no país e sua aproximação ao EH. 

2.1 Ensino remoto, EaD ou EH? 

O ano de 2020 foi marcado por uma pandemia que afetou todos os setores da sociedade e, de forma muito incisiva e decisiva, a educação brasileira. O termo Ensino Remoto Emergencial (ERE) surge como uma alternativa a um período extraordinário, muitas vezes confundido com Educação a distância (EaD), como apontam em um estudo Barbosa et. al. (2020). Esses autores realizaram uma investigação para compreender a visão de alunos de instituições de ensino superior do município do Rio de Janeiro e região metropolitana. Um dos dados apresentados foi que mais da metade de seus alunos não entende a diferença entre EaD e ERE. Apesar de que o ERE e a EaD compartilhem características e ferramentas, não são a mesma modalidade. De fato, sequer o ERE deve ser considerado como modalidade, segundo Behar (2009). 

De acordo com Leal (2020), as instituições de ensino superior adotaram soluções digitais semelhantes à modalidade a distância ao passo que professores e alunos estavam separados socialmente. Esse autor denomina esse período como uma “estratégia educacional de comunicação via ensino remoto” (LEAL, 2020, p.42). Barbosa et. al. (2020, p.257) utilizam a comparação com a modalidade híbrida para deixar claro que o ERE é um modelo de aula on-line/remota que segue “tendências similares à implantação já praticada do ensino à distância, mas sobre o aspecto de ser online, ou seja, aulas ao vivo em tempo real […]”.  

Amplamente, percebemos que o ERE não é uma modalidade de ensino como a EaD ou como o EH, mas sim uma forma de ensinar. Leal (2020) denomina o ERE como um meio de comunicação pelo qual determinada coisa é utilizada para se chegar a um fim. Barbosa et. al. (2020), entretanto, chamam o ERE como um modelo de aula que se caracteriza por ser on-line, de forma síncrona ou assíncrona. Essa forma de ensino já foi explorada na EaD e também no ensino presencial e híbrido, de forma a complementar aulas a distância ou presenciais. A diferença, neste momento, é que não se trata de um complemento, mas, sim, de aulas 100% trabalhadas de forma remota como a única possibilidade de estratégia educacional. Isso a transforma em uma estratégia extremamente complexa, levando em consideração que estamos em isolamento social e com uma grande parcela da sociedade marginalizada das práticas da sociedade digital.  

Assim, o próprio ERE, em muitos casos, para não dizer que na sua grande maioria, e por diversos motivos, não teve condições de ser trabalhado com o auxílio do potencial das ferramentas digitais para o ensino e para a aprendizagem (PAIVA, 2020). Como se pode acompanhar na mídia e no relato de muitos professores da escola básica brasileira, muitos alunos tiveram contato com o material de ensino através de folhas impressas pelas escolas ou pelos próprios pais, sem possibilidades de explorar a interação e a interatividade inerentes ao ensino mediado por tecnologias (NETO, 2020).  

As discussões em torno ao ERE e à EaD também são permeadas de um outro tema, o EH, objeto deste artigo. Nos últimos anos, o EH vem se expandindo nos diferentes meios tecnológicos, lembrando que, segundo Bacich (2020), aulas que acontecem no espaço físico da escola e são transmitidas ao vivo para quem está em casa não se incluem na definição de EH; aulas que acontecem no modelo remoto, com alunos e professores em suas casas, mesmo que combinando momentos síncronos e assíncronos, não se incluem na definição de EH; enriquecer aulas presenciais com um jogo on-line, ou com a apresentação de um powerpoint não se incluem na definição de EH. Ainda segundo o site Inicie, a autora diz que, o ensino remoto emergencial foi regulamentado de forma extraordinária pelos governos para que as atividades escolares não precisassem ser 100% paralisadas em função da pandemia. Dessa forma, permitiu-se que ocorresse, mesmo em escolas e cursos originalmente presenciais, a manutenção das aulas e das atividades ao longo do ano. É, pois, urgente e necessário transitar deste ensino remoto de emergência, importante numa primeira fase, para a educação digital de qualidade (MOREIRA E SCHLEMMER, 2020). 

A seguir, apresentamos a imagem contendo as principais diferenças entre o ERE e o EH. A imagem foi retirada da plataforma Aprendendo Sempre, que segundo seu site, foi estabelecida em março de 2020 por um grupo de organizações sociais com o objetivo de auxiliar gestores educacionais, professores e famílias a assegurar que todos os alunos tivessem a oportunidade de aprender e crescer durante o período da pandemia de Covid-19. A publicação, relativa ao EH, foi feita com base em autores como Hodge et al (2020); Horn e Staker (2015); Bacich, Neto e Travisani (2015). 

Imagem 1 – diferenças entre ERE e EH

Fonte: https://aprendendosempre.org/ensino-hibrido/.  

Como podemos perceber, o Ensino Remoto Emergencial é caracterizado pelo fato de os alunos não frequentarem o espaço físico da escola. Nesse cenário, ocorre a migração da entrega de conteúdos para um ambiente virtual de aprendizagem, que oferece momentos síncronos e assíncronos de interação entre alunos e professores. Além disso, recursos como rádio, TV, redes sociais e aplicativos são utilizados para viabilizar a comunicação e o acesso aos materiais educacionais. O uso de materiais impressos também é comum nesse contexto. 

Já o EH envolve a frequência dos estudantes ao espaço físico da escola, combinada com interações on-line e remotas. Nesse modelo, há uma reflexão sobre a centralidade do aluno, em que ele não apenas recebe, mas também produz conhecimento. As experiências de aprendizagem são personalizadas para atender a heterogeneidade dos alunos. Além disso, o papel da avaliação e a dinâmica entre estudantes e educadores são repensados. Os espaços on-line e presencial se integram, proporcionando uma abordagem educacional mais abrangente e integrada. 

Bacich, Neto e Trevisan (2015) afirmam que o EH é definido de maneiras diversas na literatura, mas todas elas convergem para a combinação de dois modelos de aprendizagem: o presencial, realizado em sala de aula, e o on-line, que utiliza tecnologias digitais para promover o ensino. Esses dois ambientes de aprendizagem, a sala de aula física e o espaço virtual, se complementam progressivamente, conforme apontam os autores. Além do uso de tecnologias digitais, o indivíduo interage com o grupo, promovendo a troca de experiências que ocorrem no ambiente escolar. O papel do professor e dos alunos passa por mudanças em relação ao modelo tradicional de ensino, e as configurações das aulas favorecem momentos de interação, colaboração e envolvimento com as tecnologias digitais (BACICH, NETO E TREVISAN, 2015). Para estes autores, o EH é uma combinação metodológica que afeta a prática do professor durante o ensino e a ação dos estudantes durante a aprendizagem. 

Para Moran (2015), o termo “Híbrido” refere-se a algo misturado, mesclado ou combinado. Para ele, na educação, sempre houve uma mescla de diferentes elementos, como espaços, tempos, atividades, metodologias e públicos. No entanto, conforme aponta o autor, com a mobilidade e a conectividade proporcionadas pela tecnologia, essa mistura se tornou mais evidente, abrangente e profunda, resultando em um ecossistema educacional mais aberto e criativo. Moran (2015) aponta que agora temos a possibilidade de ensinar e aprender de diversas maneiras, em diferentes momentos e em múltiplos espaços.  

Horn e Staker (2015, p.61) definem o EH como “qualquer programa educacional formal no qual um estudante aprende, pelo menos em parte, por meio do ensino on-line, com algum elemento de controle do estudante sobre o tempo, o lugar, o caminho e/ou o ritmo”. Nesse sentido, a seguir, apresentamos alguns modelos de EH.   

2.2 Modelos de EH 

Em seu livro, Horn e Staker (2015), apresentam alguns modelos de Ensino Híbrido, a saber: Rotação, Flex, À La Carte, e Virtual Enriquecido. Cada modelo de EH apresenta suas próprias particularidades e abordagens, adaptando-se a diferentes contextos e objetivos educacionais. Em muitos casos, como apontam os autores, há a possibilidade de combinar os modelos, de diferentes formas, para criar um programa personalizado. Vamos apresentar, a seguir, e de forma muito resumida, as principais características dos modelos, para que possamos olhar para os dados da pesquisa e identificar os modelos usados no Ensino Superior. 

No modelo Rotação, os estudantes alternam entre atividades presenciais e on-line em uma programação definida, podendo trabalhar em estações de aprendizagem, participar de discussões em grupo, realizar atividades práticas ou interagir com conteúdos digitais, dependendo da estrutura da aula. O modelo de Rotação é dividido em rotação por estações, laboratório rotacional, sala de aula invertida e rotação individual, como apontam Horn e Staker (2015).  

Na Rotação por Estações, os alunos são divididos em grupos e alternam entre diferentes estações de aprendizagem, onde cada estação pode envolver atividades presenciais ou on-line, abordando um tema ou conteúdo específico, oferecendo aos alunos a oportunidade de explorar diferentes abordagens e recursos de aprendizagem (HORN e STAKER, 2015). No Laboratório Rotacional, uma das estações é um laboratório de aprendizagem onde os alunos participam de atividades práticas, experimentos ou projetos relacionados ao tema em estudo. Enquanto isso, nas demais estações, os alunos podem estar envolvidos em atividades on-line, interativas ou colaborativas (HORN e STAKER, 2015). No modelo Sala de Aula Invertida, os alunos acessam os materiais de estudo e recursos on-line antes da aula presencial. O tempo em sala de aula é dedicado a atividades mais interativas, como discussões em grupo, resolução de problemas e esclarecimento de dúvidas, permitindo que os alunos apliquem e aprofundem o conhecimento adquirido previamente (HORN e STAKER, 2015). Por fim, no último modelo da rotação, a Rotação Individual, os alunos seguem um cronograma personalizado, no qual alternam entre atividades presenciais e on-line com base em suas necessidades e ritmo de aprendizagem (HORN e STAKER, 2015). A rotação individual permite que os alunos avancem no conteúdo de acordo com seu próprio progresso, garantindo uma abordagem mais individualizada e autônoma. 

O Modelo Flex é o que oferece maior flexibilidade aos alunos, permitindo que eles personalizem seu caminho de aprendizado. Nesse modelo, os estudantes têm a liberdade de escolher o local, o ritmo e a ordem das atividades, podendo avançar mais rapidamente ou revisitar tópicos específicos, de acordo com suas necessidades individuais (HORN e STAKER, 2015). 

O Modelo a la carte é caracterizado pela combinação de cursos on-line e presenciais. Nesse caso, os alunos têm a oportunidade de escolher cursos específicos que desejam fazer presencialmente, enquanto complementam sua formação com cursos on-line disponíveis. Esse modelo visa oferecer uma ampla gama de opções de aprendizagem e maximizar as oportunidades de especialização (HORN e STAKER, 2015). 

E no Modelo Virtual Enriquecido, a maior parte da instrução ocorre on-line, porém com momentos de interação presencial. Os estudantes participam de aulas virtuais, atividades on-line e colaborativas, mas também se encontram com frequência para discussões em grupo, projetos coletivos ou laboratórios, promovendo a socialização e a interação face a face (HORN e STAKER, 2015). 

A utilização da tecnologia desempenha um papel crucial na implementação do EH, possibilitando que os resultados sejam diferentes e, com sorte, mais positivos. Uma das principais vantagens desse modelo é a capacidade de concentrar as informações básicas nos ambientes virtuais de aprendizagem, permitindo que a sala de aula física seja reservada para atividades mais criativas e supervisionadas. Isso permite que o aluno aprenda no seu próprio ritmo, conforme destacado por Moran (2015).  

2.3 Benefícios, desafios e tendências do EH 

Dado que apenas um número limitado de famílias, hoje, possuem condições materiais de adotar a educação em casa, o EH tornará a educação on-line possível para famílias que não podem manter seus filhos em um sistema de educação em casa nem em ambientes virtuais de ensino em período integral. O EH permite que esses estudantes aprendam on-line ao mesmo tempo em que se beneficiam da supervisão física e, em muitos casos, da instrução presencial. (CHRISTENSEN; HORN; STAKER, 2013). 

Vale ressaltar que segundo Ilhesca (2018),  nos modelos de EH, o estudante aprende por meio de suas possibilidades, visto que possui maior flexibilidade e liberdade para acessar o conteúdo disponível. Isso lhe garante a autonomia através de uma postura mais ativa, crítica e comprometida com a sua formação. Sendo assim, ele se transforma em um colaborador na sala de aula, indo além da memorização de conteúdos.  

Ilhesca (2018), ainda diz que esse tipo de ensino permite a oportunidade de construção do próprio cronograma de aulas, deliberando preferências do conteúdo a ser apreendido, garantia da proatividade do aluno. O educador passa a supervisionar as pesquisas dos educandos, guiando-os pelos trajetos mais pertinentes pelo caminho do saber. Acima de tudo, o EH impulsiona que os alunos procedam como agentes da própria educação, não sendo mais receptores passivos de matérias fracionadas. 

Portanto para BACICH; NETO; TREVISANI (2015) essa metodologia de ensino pressupõe que o estudante tenha a oportunidade de avançar mais rapidamente, de forma autônoma, uma vez que o modelo de EH está enraizado na ideia de educação híbrida, ou seja, há várias maneiras de aprender, em diferentes espaços, e cujo processo de aprendizagem se caracteriza por ser contínuo.  

Segundo a jornalista Olívia Baldissera para o blog da UNISINOS [2020?],  a principal desvantagem está relacionada à desigualdade social brasileira: a falta de acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) por parte de estudantes.  

Estima-se que metade das famílias brasileiras que recebem até um salário mínimo não conseguem acessar a internet em casa, de acordo com a pesquisa “TIC Domicílios 2019”,  feita pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic). 

Muitas destas famílias, aliás, compartilham um único celular. Ou seja, o estudante precisa pedir o smartphone emprestado para os pais e dividi-lo com os irmãos para fazer as atividades remotas.  

O Censo Escolar 2020 também traz números que expressam a desigualdade. Enquanto 85% das escolas particulares têm acesso à internet banda larga, apenas 52,7% das escolas da rede municipal têm este tipo de conexão.  

O EH exige muita organização por parte dos professores e também dos alunos. É preciso ter cuidado e atenção para cumprir o cronograma de atividades. No ambiente on-line, é muito fácil acabar se distraindo com redes sociais, mensagens e outros conteúdos. Por isso, os alunos precisam de foco na hora de estudar (Prime Gestão Educacional, 2022).  

Em conversa com o site Whow, Felipe Oliveira (2023), diz que o EH está rapidamente se tornando o futuro do aprendizado. Do maior acesso a materiais educacionais de qualidade a mais opções para os estudantes, esse modelo de aprendizagem oferece caminhos mais diversos e flexíveis para estudantes de todas as origens. 

Os jogos e as aulas roteirizadas com a linguagem de jogos cada vez estão mais presentes no cotidiano escolar. Para gerações acostumadas a jogar, a linguagem de desafios, recompensas, de competição e cooperação é atraente e fácil de perceber. Os jogos colaborativos e individuais, de competição, colaboração, de estratégia, com etapas e habilidades bem definidas se tornam cada vez mais presentes nas diversas áreas de conhecimento e níveis de ensino (Moran, 2015). 

Para Bacich (2020), as tecnologias digitais favorecem a personalização, na coleta de dados e na identificação de quem são esses alunos, quais são suas dificuldades e facilidades, e como as experiências de aprendizagem podem melhor atender ao objetivo de desenvolver habilidades e competências. 

Mystakidis (2022, apud MOREIRA DE CLASSE, T.; MOREIRA DE CASTRO, R.; GOMES DE OLIVEIRA, E., 2023)   afirma   que   um   metaverso   é   composto   por   tecnologias, princípios,   possibilidades   e   desafios.   Em   contextos   educacionais,   uma questão importante  a  ser  considerada  diz  respeito  a  escolha  do  metaverso.  Isso  implica diretamente em selecionar se ele será ou não inclusivo para os alunos. Dependendo do contexto de aplicação, essas decisões devem ser levadas em conta, pois, determinarão se  o  metaverso  poderá  se  tornar  uma  tecnologia  convencional  para  o e -learning. 

O aluno é capaz de adquirir conhecimento de diferentes formas, podendo interagir, ser orientado e acompanhado presencial e remotamente pelo professor. Os recursos de inteligência artificial, realidade aumentada, realidade virtual, convergem em um ambiente que eleva o nível da aprendizagem, além de proporcionar ao aluno espaços e interações diversificadas (MORAN, 2015). 

2.4 Ensino superior no Brasil 

O Ensino Superior no Brasil, principalmente nas Universidades Federais, ainda segue o modelo presencial, onde aluno e professor se encontram em sala de aula. Para Severino (2008), no contexto da cultura brasileira contemporânea, o ensino universitário tem sua importância proclamada tanto pela retórica oficial como pelo senso comum predominante no seio da sociedade.  É-lhe atribuída significativa participação na formação dos profissionais dos diversos campos e na preparação dos quadros administrativos e das lideranças culturais e sociais do país, sendo visto como poderoso mecanismo de ascensão social, cabendo destacada valorização para o ensino oferecido pelas universidades públicas.  

As primeiras instituições de ensino superior, foram impulsionadas com a vinda da família real portuguesa ao Brasil, surgiram no início do século XIX, com funções para serem desempenhadas na corte. No final do ano de 1889, o Brasil contava com apenas 6 instituições de ensino superior. No Brasil, ao contrário de alguns países da América Latina, a repressão política promoveu o ensino superior, tanto público quanto privado (NEVES; MARTINS, 2016).  

O número de matrículas, em cerca de vinte anos, passou de 95.961 (em 1960), para 134.500 (em 1980). Os anos de 1968, 1970 e 1971 foram os que apresentaram as maiores taxas de crescimento (SANTOS E CERQUEIRA, 2009). Além disso, segundo a jornalista Nairim (Site IQC- Observatório de Políticas Científicas, 2022), até 1878, todas as instituições de ensino superior do país eram públicas, e por mais que não existissem mecanismos para uma vigilância absoluta, os cursos e seus professores operavam sob uma série de regras. A primeira instituição considerada Universidade, foi fundada no ano de 1912, no Paraná e em 1920 foi fundada a Universidade do Rio de Janeiro. Mesmo com início tardio, o ensino superior brasileiro é um importante espaço intelectual e de desenvolvimento. 

3. METODOLOGIA 

O objetivo deste estudo é avaliar as práticas relacionadas à metodologia de EH no contexto da Educação Superior. Esta pesquisa faz parte de uma pesquisa maior, para a qual construímos um banco de dados de artigos, a partir de uma pesquisa bibliográfica, para levantar o estado da arte sobre o EH nas áreas de Letras/Linguística, Educação e Interdisciplinar. A pesquisa utiliza como corpus artigos publicados de 2018 a 2022, utilizando os termos de busca “Ensino Híbrido”, “Blended Learning”, “e-learning” e “b-Learning”, e adotando uma abordagem qualitativa (PAIVA, 2019). 

Segundo Kerr e Carvalho (2005, p. 25), em determinados momentos, é necessário fazer um balanço abrangente dos estudos, textos e pesquisas realizadas em um campo de conhecimento, a fim de avaliar seu crescimento qualitativo e quantitativo. Essa necessidade leva à produção de estudos de estado da arte, que permitem identificar os temas mais abordados, evitando repetições, e conhecer as diferentes perspectivas, abordagens e metodologias empregadas. 

De acordo com Ferreira (2002), o estado da arte é uma pesquisa bibliográfica que visa fazer um levantamento e avaliação do conhecimento existente sobre um tema específico. Essas pesquisas têm como objetivo apresentar um inventário da produção acadêmica em um campo de conhecimento específico e elucidar como em que condições essa produção tem ocorrido. 

O procedimento de delimitação do corpus foi dividido em três etapas. A primeira etapa envolveu uma pesquisa no Google Acadêmico, com a delimitação das buscas por ano (2018 a 2022), considerando apenas os artigos cujos termos de busca apareciam no título e estavam escritos em língua portuguesa. Foram selecionados os 10 primeiros artigos por termo de busca e por ano.  

Posteriormente, na segunda etapa, delimitamos ainda mais o corpus da pesquisa. Procuramos por revistas que tivessem sido avaliadas pelo Qualis Capes entre 2013 e 2016 e selecionamos os artigos publicados em revistas com pelo menos uma classificação Qualis A ou B em uma das áreas: Letras/Linguística, Educação ou Interdisciplinar. A partir dessa segunda delimitação, selecionamos artigos cujo foco de investigação fosse o Ensino Superior.  

No banco de dados, foram destacadas as seguintes informações sobre cada artigo: o termo de busca utilizado, a data de publicação, o título do artigo, as palavras-chave, o objetivo da pesquisa, a metodologia empregada, o(s) autor(es), a revista em que foi publicado, o ISSN da revista, a classificação Qualis 2013-2016 da revista nas áreas de Letras/Linguística, Educação e Interdisciplinar, a subárea de estudo abordada no artigo e o link para acessar a produção científica completa. Com base nessas informações, constituímos nossa amostra de textos que foram analisados e, a seguir, apresentamos a discussão dos resultados sobre o EH no Ensino Superior. 

No quadro a seguir, apresentamos o quantitativo de artigos que tratam de EH e Ensino Superior, comparando com o total de artigos que tratam sobre EH realizado em nossa pesquisa mais ampla.  

Quadro 1 – Seleção dos artigos para esta análise

ARTIGOS RELACIONADOS AO ENSINO SUPERIOR 
ANO ARTIGOS GERAL ARTIGOS ENSINO SUPERIOR 
2018 30 18 
2019 20 
2020 28 10 
2021 27 
2022 18 11 
 123 55 

Fonte: Elaborado pelos autores a partir da base de dados 

Neste primeiro levantamento, selecionamos 55 artigos que compreendiam somente o Ensino Superior. 

Na terceira etapa, analisamos os resumos dos 55 artigos que tratam sobre EH e ES, olhando especificamente para as metodologias das pesquisas. Tivemos, como foco, olhar para as pesquisas de estudos de caso e relatos de experiência. Embora os estudos de caso e os relatos de experiência sejam abordagens metodológicas distintas, é possível identificar algumas semelhanças entre elas, já que ambas têm como objetivo investigar um fenômeno específico a partir da análise detalhada de casos individuais; são baseadas em evidências situacionais; buscam coletar dados a partir de contextos reais, seja por meio de observações, entrevistas, análise de documentos ou outras técnicas de coleta de dados. 

Dos 55 artigos que tratam sobre o ES, selecionamos  17 artigos que possuem como foco ou metodologia estudos de caso e relatos de experiência. É com base nesse corpus que apresentamos a nossa análise de dados.  

4. ANÁLISE DE DADOS  

Conforme mencionado anteriormente, dos 55 artigos relacionados ao Ensino Superior, 14 foram classificados como estudos de caso, enquanto apenas 3 foram identificados como relatos de experiência. Essa predominância de estudos de caso em relação aos relatos de experiência pode ser atribuída, em parte, à possibilidade de que os relatos de experiência tenham menos reconhecimento e sejam menos valorizados em termos de oportunidades de publicação em comparação com os artigos que utilizam a metodologia de estudo de caso. 

Os artigos referentes aos estudos de caso e aos relatos de experiência foram denominados como A1, A2, A3, A4, A5, etc. Foram exploradas as metodologias referentes ao EH em cada artigo.  

Dos 17 artigos relacionados ao EH, abordando diversas temáticas metodologias, o Artigo 1 focou no E-learning, enquanto o Artigo 2 explorou a Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP). Já o Artigo 3 investigou o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), e o Artigo 4 realizou uma pesquisa no Google Acadêmico. O Artigo 5 abordou a sala de aula invertida, e o Artigo 6 discutiu o ensino presencial e o uso do AVA. 

No contexto das aulas presenciais, o Artigo 7 explorou as aplicações tecnológicas como apoio, enquanto o Artigo 8 abordou o caráter semipresencial com o uso de plataforma virtual e AVA. O Artigo 9 propôs a estratégia educacional Blended Online POPBL (Project Organized and Problem-Based Learning) para a formação inicial de professores, e o Artigo 10 tratou da criação de cursos a distância. 

Outros temas incluíram o papel do tutor na Ead, abordado no Artigo 11, e a aprendizagem mediada por plataformas digitais e-learning, blended-learning e mobile-learning na educação superior a distância no Brasil e no Estado de Mato Grosso do Sul, como investigado no Artigo 12. O Artigo 13 apresentou um curso de aperfeiçoamento na Modalidade Blended Learning, e o Artigo 14 relatou a percepção dos estudantes em relação ao uso de tecnologias educacionais no ensino blended learning. 

No campo da EaD o Artigo 15 propôs a implementação da ferramenta BMG Canvas como viabilidade para o blended learning no curso de Administração. O Artigo 16 descreveu a implementação do modelo de EH de Rotação em um curso de extensão de Língua Inglesa, enquanto o Artigo 17 explorou o ensino presencial, semipresencial e a distância em cursos de graduação. 

Esses artigos abrangeram uma variedade de áreas e contribuíram para o conhecimento sobre o EH. A tabela a seguir apresenta a lista completa dos artigos, suas respectivas áreas e as metodologias ou teorias relacionadas ao EH discutidas em cada um deles. A tabela a seguir apresenta a lista completa dos artigos, suas respectivas áreas e as metodologias ou teorias abordadas no contexto do EH. 

Quadro 2 – Áreas e Metodologias do EH

ARTIGO ÁREA METODOLOGIA/TEORIA EH 
A1 ARTES E- learning. 
A2 ARQUITETURA Método de Aprendizagem  Baseada em  Projetos  (ABP). 
A3 SAÚDE Ambiente  Virtual de Aprendizagem (AVA). 
A4 EDUCAÇÃO Pesquisa realizada no Google Acadêmico. 
A5 DIREITO Sala de aula invertida. 
A6 EDUCAÇÃO O ensino presencial e o AVA. 
A7 EDUCAÇÃO Aplicações tecnológicas como apoio a aulas presenciais. 
A8 ENGENHARIA Caráter semipresencial, que utiliza como ferramenta uma plataforma virtual e um AVA. 
A9 EDUCAÇÃO Abordagem Blended  Online POPBL  (Project  Organized  and  Problem  Based Learning)  como  estratégia  educacional para  a formação  inicial  de professores. 
A10 EDUCAÇÃO Criação de cursos à distância. e-learning. 
A11 EDUCAÇÃO A figura  do  tutor  na  educação  a  distância. 
A12 EDUCAÇÃO A aprendizagem mediada pelas plataformas digitais electronic-learning,blended-learning e mobile-learning na educação superior a distância no Brasil e no Estado de Mato Grosso do Sul. 
A13 EDUCAÇÃO Um curso de aperfeiçoamento na Modalidade Blended Learning. 
A14 EDUCAÇÃO Relato de como os estudantes percebem a utilização das tecnologias educacionais  (digitais  e  não  digitais)  disponíveis  para  a  efetivação  do ensino blended learning. 
A15 ADMINISTRAÇÃO Proposta de implementação da ferramenta BMG Canvas (Business Model Generation), como meio de viabilidade para o blended learning – aprendizagem híbrida – aplicado a Educação à Distância (EaD), no curso de Administração em uma Instituição de Ensino Superior, uma proposta de introdução de conceito da flipped classroom. 
A16 INGLÊS A implementação do modelo Ensino Híbrido (em inglês Blended Learning) de Rotação em um curso de extensão de Língua Inglesa 
A17 ENSINO SUPERIOR O ensino presencial, semipresencial e a distância, dois cursos de graduação presenciais que se utilizam de até 20% da carga horária total do curso na modalidade a distância. 

Fonte: Elaborado pelos autores a partir da base de dados 

Destacamos que a maioria dos artigos está relacionada à área da Educação, com menor representatividade em outras áreas como Artes, Arquitetura, Direito e Engenharia.  

Em relação aos resultados descritos nos artigos, foram examinados os resumos e as considerações finais dos 17 artigos analisados. A seguir, uma tabela com os resultados de cada artigo analisado.  

Quadro 3 – Resultados dos Artigos

ARTIGORESULTADOS
A1O e-learning incentivou todos os envolvidos, independentemente de seus papéis no curso (sejam professores ou alunos), a assumirem o papel de aprendizes.
A2A ausência de destinatários concretos para os projetos desenvolvidos durante o curso é justificada pela inexperiência dos aprendizes, bem como pela necessidade de cumprir prazos e currículos estabelecidos. Esses aspectos dificultam a adaptação do plano de ensino para atender demandas reais.
A3A implementação bem-sucedida do Ensino Híbrido por meio de uma plataforma AVA nos Programas de Residência da SESAU-Recife foi considerada uma experiência de sucesso. Essa abordagem ampliou o acesso e a colaboração, além de modernizar a estratégia de formação em serviço. A parceria estabelecida entre uma secretaria municipal de saúde e uma instituição federal de Ensino Superior potencializou os resultados obtidos.
A4Estudos indicam que o ensino híbrido oferece aos alunos oportunidades de aprendizagem mais dinâmicas. No entanto, também destacam alguns desafios, como a necessidade de uma postura proativa por parte dos estudantes, a importância de uma formação docente que os capacite a utilizar os elementos pedagógicos e tecnológicos essenciais da modalidade a distância, a necessidade de mudanças na abordagem pedagógica dos processos de ensino e aprendizagem, e a falta de documentos regulatórios que forneçam informações sobre a implementação efetiva do ensino híbrido nas instituições de ensino superior.
A5Nos tempos contemporâneos, a combinação de aprendizagens individuais e em grupo, mediada por professores experientes e utilizando a tecnologia, é considerada a forma mais efetiva de aprendizagem. Essa abordagem permite que os alunos se envolvam tanto de maneira individual como colaborativa, aproveitando os recursos tecnológicos disponíveis para potencializar seu processo de aprendizado.
A6Para garantir uma abordagem efetiva do ensino híbrido, é essencial que haja uma estrutura bem definida, incluindo uma diversidade de materiais, atividades, métodos e técnicas pedagógicas, além de modelos de comunicação síncronos e assíncronos. É importante reconhecer que não existe um guia universal para avaliar cursos on-line, devido à sua natureza específica e à variedade de contextos e objetivos de cada curso. Portanto, a avaliação deve ser adaptada e personalizada de acordo com as necessidades e características individuais, levando em consideração os objetivos e resultados de aprendizagem definidos para cada curso.
A7O processo de planejamento, desenvolvimento e modelagem de um design instrucional com foco na aplicação tecnológica e estratégias pedagógicas requer atenção cuidadosa e incentivo, visando revitalizar o ensino presencial tradicional por meio da educação híbrida e fornecer vantagens distintas no processo de aprendizagem.
A8Considerando o objetivo central de promover o empreendedorismo entre os alunos, os projetos apresentados demonstraram ser altamente interessantes e viáveis, além de motivarem os estudantes a desenvolver e dar continuidade às suas ideias. Para pesquisas futuras, planeja-se testar novamente o uso do ensino híbrido, abordando os mesmos temas, porém com diferentes turmas de alunos. O estudo também pode ser expandido ao envolver entrevistas que investiguem a percepção de sucesso do curso por parte dos produtores, dos designers do curso, dos monitores da disciplina e outros envolvidos.
A9A abordagem Blended Online POPBL revelou ser uma metodologia eficaz, proporcionando uma alternativa capaz de promover conhecimentos essenciais para a profissão de professor, indo além de uma abordagem puramente técnica e centrada no conteúdo. Essa abordagem visa desenvolver modos de comportamento que não se restrinjam apenas à racionalidade técnica e ao conteúdo específico.
A10Como trabalho futuro, é recomendado aplicar os princípios de gerenciamento para coordenar o desenvolvimento de um treinamento e avaliar sua efetividade. Além disso, é indicado realizar estudos adicionais sobre a complexidade de gerenciar a criação de treinamentos, a fim de comparar os resultados com os encontrados neste estudo.
A11Portanto, podemos concluir que as denominações mencionadas anteriormente passam por mudanças devido ao crescimento significativo da educação a distância ao longo das décadas. O tutor, considerado um educador, tem desempenhado um papel cada vez mais importante no desenvolvimento da aprendizagem.
A12No Brasil e no estado de Mato Grosso, ainda não há uma disponibilidade constante de internet, resultando em oscilações frequentes. Isso acarreta dificuldades de acesso e participação nas atividades e comunicações síncronas.
A13O projeto do curso Blended Learning apresentou desafios devido à necessidade de combinar e coordenar duas partes distintas para formar um único produto.
A14Identificaram-se fragilidades no uso das ferramentas on-line, como a restrição do uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) pelos docentes e discentes, bem como a falta de interação entre eles. Destacou-se a necessidade de incorporar outras mídias digitais além de textos e vídeos.
A15O objetivo é contribuir para o progresso das discussões sobre a construção de conhecimento por meio de atividades práticas interdisciplinares presenciais.
A16A tecnologia por si só não resolve os problemas educacionais, sendo necessário repensar a dinâmica de ensino tanto dentro como fora da sala de aula, e o Ensino Híbrido de Rotação demonstrou sucesso ao abordar esses aspectos.
A17Os resultados reforçam o desejo de uma educação híbrida que conecte as modalidades, promova a autonomia e protagonismo dos estudantes, e valorize o papel do docente como mediador. Sugere-se ampliar o estudo em outras instituições de ensino superior para compreender a implementação do ensino semipresencial, as preferências dos estudantes, as estratégias dos docentes e as sugestões para aprimorar a educação híbrida na graduação.

Fonte: Elaborado pelos autores a partir da base de dados 

Ao analisarmos a tabela de resultados, observamos que apenas quatro artigos efetivamente aplicaram a metodologia ou teoria do EH. Esses artigos são o 

A2 na área da Arquitetura, o A5 na área do Direito, e o A9 e A16 na área da Educação. 

Em relação aos resultados desses artigos, constatou-se que o A2 adotou o método de Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP), porém, os resultados não foram considerados satisfatórios devido a certos aspectos que dificultaram a flexibilização do plano de ensino para atender demandas reais. Por outro lado, o A5 empregou a estratégia da sala de aula invertida, obtendo resultados positivos. Essa abordagem, que combina aprendizagens individuais e em grupo com o uso da tecnologia, mediada por professores experientes, é reconhecida como a forma mais eficaz e abrangente de aprendizagem nos tempos contemporâneos. 

No caso do A9, utilizou-se a Abordagem Blended Online POPBL (Project Organized and Problem-Based Learning), e os resultados foram considerados satisfatórios, uma vez que essa abordagem demonstrou ser uma alternativa metodológica capaz de promover conhecimentos fundamentais. Da mesma forma, o A16 empregou o modelo de rotação, alcançando resultados satisfatórios, pois houve a mediação tecnológica e a integração entre tecnologia e sala de aula. 

A baixa quantidade de artigos que utilizaram metodologias ou teorias relacionadas ao EH indica que ainda há uma certa “confusão” em torno do conceito, frequentemente confundido com a EaD ou o ERE. Esse fato demonstra a necessidade de uma maior clareza e compreensão do verdadeiro significado do EH. 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS  

Conceber um estudo relacionado às metodologias relacionadas ao Ensino Híbrido no contexto da Educação Superior é primordial para incluir o EH nas aulas, visto que, o EH tende a crescer e tornar-se realidade em diversas instituições de Ensino Superior. 

Com esta pesquisa, tivemos como objetivo geral avaliar as práticas relacionadas à metodologia de EH no contexto da Educação Superior. Como objetivos específicos, entender, caracterizar e conceituar o EH, analisar artigos que relatam estudos de caso e relatos de experiência no Ensino Superior sobre EH, conhecer o que se entende como EH para a Educação Superior.  

Em relação aos resultados dos artigos analisados, relacionados à metodologia ou teoria de EH utilizados no Ensino Superior, sendo estudos de caso ou relatos de experiência, resultando em apenas 4 artigos, notou-se que apenas 1 teve um resultado não satisfatório, isso ressalta que o EH tem forte tendência de crescimento.  

Este estudo, contribuiu para  um conhecimento aprofundado em relação a metodologia de EH no Ensino Superior, ainda revelou que há uma confusão em relação ao conceito de EH, ele ainda é confundido com o ERE e com o EaD, por isso o número de artigos analisados foi muito pequeno.  

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  

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