ENGAJAMENTO DOS DOCENTES NA UTILIZAÇÃO DAS TIC NAS AULAS PRESENCIAIS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202508251341


William Conceição1*
Orientador: Prof. Marcos Cesar Rodrigues de Miranda2


Resumo

O uso das tecnologias aplicadas no processo de ensino e aprendizagem, vem se apresentando como fator essencial nas práticas pedagógicas. Admitindo-se que na geração Z os indivíduos estão constantemente ligados ao mundo digital e as tecnologias, este estudo nasce com a proposta de apresentar o engajamento dos docentes na utilização das TIC nas aulas presenciais, levando como base um período inicial de formação docente e recursos tecnológicos implantados e disponíveis na unidade escolar, e um segundo momento sendo o retorno às aulas presenciais após um período de aulas completamente remotas devido a covid-19, com a base curricular reformulada para uso das TIC. Para este trabalho, realizou-se uma análise documental e quantitativa dos registros em plano de aula e a base curricular utilizada no início e depois reformulada com o uso das tecnologias. Após a formação docente seguida das aulas completamente remotas durante cerca de um ano e meio, o retorno às aulas presenciais com a base curricular reformulada mostrou um aumento expressivo no engajamento docente no uso das TIC.   

Palavras-chave: Plano de aula; Plano de ensino; Habilidades; Ensino fundamental; Práticas pedagógicas.

Introdução

Há muito tempo as Tecnologias de Informação e Comunicação [TIC], vem transformando o modo de transmissão do conhecimento. A humanidade utiliza estes recursos desde que tentou se comunicar com símbolos, utilizando-se de carvão para registrar seus escritos nas cavernas. E vem se destacando no processo educacional, pois apresenta inovações no processo de ensino e aprendizagem, provocando um repensar nas práticas pedagógicas e métodos da educação (Lima, 2011).

A geração Z é constituída por indivíduos que estão constantemente conectados ao mundo digital e preocupados com o meio ambiente. O “Z”, vem de “zapear”, ou seja, trocar os canais da televisão com o controle remoto de forma rápida e constante em busca de algo interessante para ver ou ouvir. O “Zap”vem do inglês, que significa “entusiasmo”, “energia” ou “fazer alguma coisa rapidamente” (Toledo, 2012). Em sua grande maioria, os jovens da geração Z, tiveram contato com tecnologia desde sua concepção influenciando sua maneira de pensar. Diferente dos hábitos de seus pais, eles ficam à vontade com vários meios de comunicação e informação como televisão, celular e computadores ligados ao mesmo tempo (Freire e Lemos, 2008).

Qualquer mudança positiva traçada no currículo para o processo de ensino e aprendizagem nas salas de aula irá fracassar, a menos que a estratégia esteja fundamentada em uma compreensão das forças sócio-políticas que norteiam decisivamente a própria textura das práticas pedagógicas cotidianas (Giroux, 1997).

Os discentes do ensino fundamental, ao mudarem dos anos iniciais com docentes generalistas e passarem para os anos finais com docentes especialistas de diferentes componentes curriculares, costumam se ressentir diante das muitas exigências feitas pelos diversos professores dos anos finais. Essa transição reforça ainda mais a importância e necessidade de um planejamento curricular sequencial e íntegro, além de abrir a possibilidade da adoção de formas inovadoras para o processo de ensino e aprendizagem (Brasil, 2010). 

O município de Barueri, situado na região metropolitana da Grande São Paulo, ao final do ano de 2018, firmou parceria com uma das maiores empresas de tecnologia do mundo para toda a sua rede de ensino ao uso da plataforma Google For Education. Apostando na era digital, implanta um projeto visionário com prioridade ao uso de recursos tecnológicos no processo de ensino e aprendizagem (PMB, 2018).

Em seguida, no dia 18 de março de 2020, o município decretou situação de emergência para enfrentamento da pandemia decorrente do coronavírus (Covid-19), de importância internacional (decreto municipal n° 9.110, de 18 de março de 2020), sendo assim, para reprimir a disseminação do vírus SARS-CoV-2, as atividades escolares passaram a acontecer de forma remota por meio das TIC (PMB, 2020). Após cerca de um ano e meio de aulas ministradas na forma remota, foi decretada a volta das aulas presenciais em toda a rede de ensino do município no dia 02 de agosto de 2021 (decreto municipal n° 9.390, de 29 de julho de 2021). A decisão foi tomada com base na estabilização dos números de internações, óbitos e o aumento de indivíduos vacinados (PMB, 2021).

A tecnologia e a educação caminham juntas, mas unir as duas não se torna uma tarefa fácil e exige do docente um preparo dentro e fora da sala de aula. O uso das TIC pode oferecer desafios e oportunidades, mas ao mesmo tempo o ambiente digital pode se tornar um empecilho para o processo de ensino e aprendizagem quando mal utilizado (Neira, 2016). 

Este trabalho desenvolveu-se em uma unidade escolar [UE] do município de Barueri – SP, com foco nos artefatos gerados nos anos finais do ensino fundamental. Analisou-se o engajamento do uso das TIC pelos docentes, uma proposta baseada na resistência a mudanças no ambiente escolar e análises sobre o plano de ensino e plano de aula.

Material e Métodos

Tendo em vista que unir tecnologia e educação não é uma tarefa fácil e exige preparo principalmente por parte dos docentes Neira (2016), esta pesquisa baseou-se nas práticas pedagógicas realizadas antes e durante a pandemia covid-19, entre os anos de 2019 e 2022, com o objetivo de analisar a utilização das TIC nas aulas presenciais voltadas para os anos finais do ensino fundamental em uma UE do município de Barueri – SP.

A escola municipal na qual retirou-se os dados para análise da pesquisa contém o ensino fundamental com os anos iniciais (no período da tarde), e finais (no período da manhã), e se encontra em área urbana, tendo em 2021 segundo os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica [IDEB], cerca de 1150 alunos matriculados (Qedu, 2023). 

A análise de documentação trabalha com documentos, já a análise de conteúdo com mensagens (comunicação); a análise documental é apresentada principalmente por classificação-indexação, análise categorial temática, ela é uma entre as outras técnicas da análise de conteúdo. A análise documental tem como objetivo a representação condensada da informação, para consulta e armazenagem, por outro lado, a análise de conteúdo apresenta como objetivo a manipulação da mensagem (conteúdo e também a expressão do conteúdo), para destacar os indicadores que permitam deduzir sobre uma realidade que não a da mensagem (Bardin, 1977). 

Nesta pesquisa, coletou-se informações de registros referentes a plano de ensino e plano de aula no período anterior a pandemia covid-19, e comparou-se com os registros do mesmo tipo durante o período de pandemia entre alguns componentes curriculares ministrados na UE, caracterizando uma pesquisa de natureza quantitativa e de âmbito em análise documental. Para Santos (2000), a pesquisa quantitativa é aquela onde é importante a coleta e a análise quantificada dos dados, e de cuja quantificação, onde os resultados automaticamente apareçam.

Ao falarmos sobre tecnologias logo pensa-se em computadores, softwares, vídeos e internet que são incontestavelmente recursos tecnológicos visíveis que auxiliam na educação. Entretanto, tecnologias são os meios, apoios e ferramentas que auxiliam para que os discentes aprendam. A maneira de organizar os discentes em espaços diferenciados, salas e grupos também é uma tecnologia. O giz também é uma tecnologia de comunicação, e uma escrita organizada na lousa facilita muito a aprendizagem. A maneira de gesticular, olhar e falar com os outros, também é tecnologia. As revistas, jornais e livros são tecnologias estruturais para a aprendizagem, e ainda não sabemos usá-las adequadamente (Vieira; Almeida; Alonso, 2003).  

Admitiu-se para este estudo os indicadores tecnológicos disponíveis na UE a partir de 2018 com a implantação do projeto, assim como caixas de som, projetores, lousa digital, laboratórios móveis com um notebook disponível por aluno e acesso à internet. Observou-se como principais indicadores para a pesquisa o número de habilidades citadas na Base Municipal Curricular de Barueri [BMCB] (formuladas em consonância com a Base Nacional Comum Curricular [BNCC]), e suas relações com as sugestões metodológicas para sala de aula com utilização das TIC. Assim como, comparou-se com o número de citações propostas das habilidades nos planos de aulas elaborado pelos docentes, e suas relações com o uso das TIC. 

Ressalta-se que durante o ano letivo de 2019 os professores receberam formação para o uso das TIC, e no ano de 2020 e o primeiro semestre do ano de 2021, todas as aulas deram-se por remotas em videoconferências com o uso 100% das TIC. No segundo semestre de 2021 o processo de ensino e aprendizagem continuou com as duas modalidades em paralelo (remota e presencial), devido a pandemia covid-19. 

Resultados e Discussões

Segundo a BNCC (2018), o uso das TIC corresponde a uma das competências gerais da educação básica a serem desbravadas no contexto escolar, sendo assim, compreender, utilizar e criar TIC de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para acessar, comunicar e disseminar informações, produzindo a resolução de problemas, produção de conhecimento, protagonismo e autoria na vida coletiva e pessoal.

Com as tecnologias cada vez mais presentes no cotidiano, observa-se que o processo de ensino e aprendizado estava passando por mudanças e adequações, aos poucos o uso das TIC é inserido nas práticas de ensino e implantadas na educação básica do país. Para Papert (2008), toda a revolução tecnológica feita pela necessidade forte de aprender melhor, também oferece meios para ter ações eficazes, pois a TIC, desde a televisão até os computadores e suas combinações, trazem oportunidades para ações melhorando o ambiente de ensino e aprendizagem.

Com o início do projeto e a chegada dos recursos na UE no final do ano de 2018, surgiu também a necessidade de apropriação dessas tecnologias e o repensar sobre as práticas pedagógicas, visando as propostas de trabalhos com as TIC trazendo sentidos novos ao trabalho docente e aos processos de formação, além de acompanhar a sociedade contemporânea e abrir relações novas com o saber. 

Para Miranda (2007), as TIC têm uma forte expressão e quando usadas para fins educativos, para apoiar e melhorar o processo de ensino e aprendizagem, podemos considerar as TIC como um subdomínio da tecnologia educativa. Ainda, de acordo com Almeida (2011), é excelente o aproveitamento do uso de matérias virtuais na sala de aula, contendo a oportunidade de apreciar criações com apenas um clique, o docente deve ir além e proporcionar reais aprendizagens com os recursos.  

Segundo Belloni (2009), a introdução de máquinas inteligentes em todas as áreas da vida social é incontestável, pois o impacto do avanço das tecnologias tem se apresentado muito forte, percebido por modos diversos e estudado com diversas abordagens. Na área da educação, os desafios são imensos, tanto na intervenção, sendo as definições e implementações das políticas públicas, como também na reflexão, sendo a construção de conhecimento à utilização das máquinas com fins educativos. 

Durante o ano de 2019, as aulas aconteceram no formato presencial, os docentes participaram de uma formação para o uso das TIC disponíveis na UE, assim como, lousa digital, laboratório móvel com a disponibilidade de um notebook por aluno dentro da sala de aula, projetores e plataformas digitais educacionais.

Os países da América Latina requerem dos docentes da educação básica atualização constante, além de preparação para tornar o processo de ensino e aprendizagem mais proveitosos. Onde houver TIC disponível, melhor que os docentes estejam em condições para integrá-las, e onde não estão disponíveis, melhor prepará-los para quando estiverem disponíveis conseguirem incorporá-las para benefícios dos discentes (Bastos, 2010).

Logo em seguida, no ano de 2020, devido a pandemia da covid-19, as aulas passaram a ser ministradas totalmente com a utilização das plataformas digitais a partir de videoconferências. Durante este período, a secretaria de educação do município providenciou a entrega de um notebook para cada discente que não tinha posse de dispositivos para participar das aulas, e proveu acesso à internet, possibilitando assim os discentes a darem continuidade em sua formação não interrompendo o processo de ensino e aprendizagem. Entretanto, o início deste período foi marcado por muitos desafios para toda a comunidade acadêmica, assim como os docentes e discentes que apresentavam dúvidas no uso das plataformas digitais, a assiduidade dos alunos nos encontros a partir das plataformas digitais e a mudança de rotina dos docentes, discentes e das famílias e responsáveis dos discentes no acompanhamento das aulas.

No final do segundo semestre de 2021, alguns discentes com a autorização dos responsáveis, começaram a retornar às aulas presenciais na UE em formato de rodízio e respeitando o protocolo de saúde imposto. Este também foi um período de desafios para a comunidade acadêmica, destacando-se as práticas de ensino e estratégias utilizadas na ministração das aulas, onde as turmas dispunham de partes dos discentes nas aulas presenciais na sala de aula física e outra parte na sala de aula digital a partir das plataformas digitais.

Em 2022, as aulas voltaram no formato presencial na UE com a base curricular atualizada, trazendo como diferencial o uso das TIC novas disponíveis. Sendo assim, este retorno ao ambiente escolar físico proporcionou um engajamento notável no uso das TIC pelos docentes, além da motivação dos discentes em participar das aulas usando as tecnologias.

As Tabelas 1 e 2 apresentam uma análise feita com a BMCB, mostrando como indicadores a quantidade de citações das habilidades relacionadas por componente curricular e ano escolar, comparando com a quantidade de citações das habilidades com sugestões metodológicas para os docentes com uso das TIC nos anos de 2019 e 2022. Ressalta-se a baixa citação das habilidades com o uso das TIC em ambas as análises, assim como por componente curricular ou ano escolar, destacando-se o componente de história que não fez referência as TIC na base curricular de 2019. Para Belloni (2005), as TIC estão presentes e influentes em todas as esferas da vida social, e especialmente as escolas públicas devem integrá-las atuando no sentido de compensar as terríveis desigualdades sociais e regionais causadas pelo acesso desigual a elas.

Tabela 1: Análise da BMCB referente ao ano letivo de 2019

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Nota: Quantidade de citações das habilidades [QH]; Quantidade de citações das habilidades com indicações para o uso de TIC [QHT]

Tabela 2: Análise da BMCB referente ao ano de 2022

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Nota: Quantidade de citações das habilidades [QH]; Quantidade de citações das habilidades com indicações para o uso de TIC [QHT]

Para Kenski (2012), o professor auxilia na busca dos caminhos para a aprendizagem, o conhecimento é a base do processo e as tecnologias garantem o acesso ao conhecimento definindo a qualidade da educação. As Tabelas 3 e 4 apresentam uma análise feita com base nos planos de aulas elaborados pelas docentes da UE, mostrando como indicadores a quantidade de citações das habilidades propostas relacionadas por componente curricular e ano escolar, comparando com a quantidade de citações das habilidades propostas com sugestões metodológicas que fazem uso das TIC nos anos de 2019 e 2022.

Tabela 3: Análise dos planos de aulas referente ao ano de 2019

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Nota: Quantidade de citações das habilidades propostas [QP]; Quantidade de citações das habilidades propostas com a utilização de TIC [QPT]

Tabela 4: Análise dos planos de aulas referente ao ano de 2022

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Nota: Quantidade de citações das habilidades propostas [QP]; Quantidade de citações das habilidades propostas com a utilização de TIC [QPT]

As Tabelas 5 e 6, apresentam a comparação entre o mínimo de citações das habilidades com sugestões metodológicas e uso das TIC na BMCB, com as citações nos planos de aulas elaborados pelos docentes da UE com a proposta de uso das TIC. Nota-se que o mínimo requerido na BMCB e o engajamento dos docentes nos planos de aulas para o uso das TIC, apresentou-se um aumento significativo de 2019 para o ano de 2022. Também observa-se que em todas as comparações foi atingido o mínimo requerido de engajamento nos planos de aula, sendo analisados por ano escolar e por componente curricular, apenas com exceções na comparação em componentes curriculares de matemática e ciências no ano de 2019 que não superou o mínimo requerido atingindo apenas 9,23% e 8,65% respectivamente.     

Tabela 5: Comparativo BMCB e planos de aulas referente ao ano de 2019

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Tabela 6: Comparativo BMCB e planos de aulas referente ao ano de 2022

Fonte: Resultados originais da pesquisa.

As escolas são exigidas pela contemporaneidade a abordarem dinâmicas pedagógicas que não se limitem apenas à disponibilização ou transmissão de informações, inserindo as TIC, reestruturando as perspectivas conteudistas e organização curricular fechada (Bonilla, 2005). A Figura 1, mostra um comparativo sobre as atualizações que foram realizadas na BMCB referente ao ano de 2019 e 2022, levando em consideração o mínimo requerido para o uso das TIC por componente curricular. É possível analisar que em todos com componentes curriculares, o aumento requerido para o uso das TIC na base curricular foi consideravelmente expressivo.

Figura 1: Comparativo da BMCB de 2019 e 2022 referente ao mínimo requerido para uso das TIC

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Castells (2011), faz referência na qual fazemos parte de uma sociedade em rede, citando a prática social existente em nós e interconectada a educação, pois a escola não pode excluir os avanços tecnológicos presentes em nosso cotidiano e que representam relevância significativa em nossas vidas. A Figura 2, apresenta um comparativo referente aos planos de aulas realizados em 2019 e 2022, no que diz respeito as citações de habilidades da BMCB desenvolvidas com o uso da TIC por componente curricular. Vale ressaltar o aumento significativo do engajamento pelos docentes por usar as TIC como prática pedagógica, levando em consideração todo o cenário e condições em 2022, pós formações dos docentes e aulas submersas em videoconferência no momento mais intenso da pandemia covid-19.

Figura 2: Comparativo referente aos planos de aulas elaborados em 2019 e 2022 por componente curricular.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 3, apresenta um comparativo entre o ano de 2019 e 2022 em relação ou mínimo requerido para o uso das TIC citadas na BMCB por ano escolar. O gráfico mostra um aumento expressivo das citações das TIC nas habilidades da BMCB com relação em todos os anos curriculares.

Figura 3: Comparativo da BMCB entre os anos de 2019 e 2022, considerando o uso mínimo das TIC com relação ao ano escolar.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 4, apresenta um comparativo entre os anos de 2019 e 2022, mostrando o engajamento dos docentes a partir das citações das habilidades da BMCB nas propostas de planos de aulas com relação ao uso das TIC. Observa-se em todos os anos um aumento expressivo do engajamento dos docentes em relação ao uso das TIC por ano escolar.

Figura 4: comparativo entre os anos de 2019 e 2022, considerando as citações das habilidades da BMCB nos planos de aulas por ano escolar.

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Vale ressaltar que a BNCC é um documento que estabelece as aprendizagens essenciais que todos os discentes devem desenvolver ao longo da educação básica, e o uso das TIC podem trazer inúmeras vantagens e facilidades para o desenvolvimento das habilidades, mas também é preciso analisar criticamente alguns aspectos para garantir que sua implementação seja efetiva e eficaz para o processo educacional. 

Uma das principais preocupações é o acesso equitativo às tecnologias, pois nem todas as unidades escolares têm acesso igualitário a dispositivos e conexão à Internet de qualidade, o que pode levar a uma desigualdade no acesso ao conhecimento e à aprendizagem. Além disso, outras questões que merecem destaque, é a necessidade de acolhimento e qualificação dos docentes como prioridade para garantir que as TIC possam ser utilizadas de forma pedagogicamente significativas, encorajando os discentes a desenvolver habilidades para uso das TIC de forma consciente, responsável e ética.

A BNCC não propõe o uso das TIC como algo separado ou isolado dos componentes curriculares, pelo contrário, sugere que as tecnologias sejam utilizadas como recursos que podem contribuir no processo de ensino e aprendizagem de todas as áreas do conhecimento tornando as aulas mais atrativas para os discentes, além de prever o uso das tecnologias nos anos finais do ensino fundamental como uma forma de enriquecer o processo de ensino e aprendizagem, ampliar as possibilidades de acesso ao conhecimento e desenvolver habilidades digitais nos discentes. O uso adequado das tecnologias pode promover uma educação mais dinâmica e contextualizada, além de preparar os alunos para os desafios do mundo contemporâneo. 

Considerações Finais

No primeiro momento, foi observado que no ano de 2019 a base curricular contemplava de forma reduzida o uso das tecnologias, e os docentes em formação apresentaram certa resistência a mudança por não dominarem as plataformas digitais, além disso, a organização da unidade escolar para  o uso dos dispositivos e salas pedagógicas diferenciadas com o uso das TIC estavam sendo organizados, passando por várias estratégias com referência na grade de horários das aulas presenciais. Com o surto rápido da pandemia covid-19, as aulas entraram no formato completamente remotas, acelerando o aprendizado dos docentes e discentes nas plataformas digitais. Na volta às aulas presenciais e com a base curricular do município já reformulada, o engajamento dos docentes para a utilização das TIC e das salas pedagógicas diferenciadas da unidade escolar nas aulas presenciais, apresentaram um aumento significativo. 

Referências

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1USP/ESALQ. Especialista em Gestão Escolar. Rua Marte, 429 – Jd. Tupanci; 06414-000 – Barueri, São Paulo, Brasil.
*autor correspondente: willtotal1990@hotmail.com
2Instituto Pecege. Professor Orientador. Rua Alexandre Herculano, 120, T6 – Vila Monteiro; 13418-445 – Piracicaba, São Paulo, Brasil.

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