DIFICULDADES DE LEITURA E INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NO ENSINO FUNDAMENTAL: ESTUDO DE CASO NA ESCOLA MUNICIPAL DOM PEDRO II

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202510262313


Jair Moro Martins1
José Amauri Siqueira da Silva2


Resumo 

 Este artigo tem por objetivo analisar as principais dificuldades de leitura e escrita  enfrentadas por alunos do ensino fundamental, bem como as estratégias de intervenção  pedagógica utilizadas pelos professores para superá-las. O estudo baseia-se na dissertação  de mestrado de Jair Moro Martins, desenvolvida na Escola Municipal Dom Pedro II,  localizada no interior do Amazonas. Utilizando uma abordagem qualitativa com estudo  de caso, a pesquisa envolveu observações em sala de aula e entrevistas com dez  professores. Os resultados apontam que as dificuldades de leitura estão associadas a  fatores socioculturais, metodológicos e emocionais. A intervenção pedagógica mostrou-se eficaz quando pautada em metodologias ativas, práticas de leitura mediada e  acompanhamento individualizado. Conclui-se que o enfrentamento das dificuldades de  leitura requer formação continuada, valorização docente e metodologias que considerem  o contexto do aluno como ponto de partida para o aprendizado. 

Palavras-chave: Alfabetização; Leitura; Dificuldades de aprendizagem; Intervenção  pedagógica; Ensino fundamental.

Abstract 

 This article aims to analyze the main reading and writing difficulties faced by  elementary school students, as well as the pedagogical intervention strategies used by  teachers to overcome them. The study is based on Jair Moro Martins’s master’s  dissertation, developed at Dom Pedro II Municipal School in the state of Amazonas,  Brazil. Using a qualitative case study approach, the research included classroom  observations and interviews with ten teachers. Results show that reading difficulties are  associated with sociocultural, methodological, and emotional factors. Pedagogical  intervention proved effective when based on active methodologies, mediated reading  practices, and individualized support. It concludes that addressing reading difficulties  requires continuous teacher training, pedagogical reflection, and methodologies that  consider the students’ social contexts as the foundation of learning. 

Keywords: Literacy; Reading; Learning difficulties; Pedagogical intervention;  Elementary education.

1. Introdução 

A leitura é uma das habilidades fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e social  do indivíduo, sendo a base para a aquisição do conhecimento em todas as áreas. No  entanto, o processo de alfabetização ainda enfrenta sérios desafios nas escolas públicas  brasileiras. 

No contexto amazônico, marcado por desigualdades regionais e limitações estruturais,  as dificuldades de leitura e escrita tornam-se mais evidentes. Muitos alunos chegam ao  5º ano do ensino fundamental com defasagens significativas na compreensão de textos e  no domínio da linguagem escrita. 

A pesquisa de Jair Moro Martins busca compreender as causas dessas dificuldades e  propor caminhos pedagógicos para enfrentá-las, destacando o papel do professor como  mediador do processo de leitura e da aprendizagem. 

2. Fundamentação Teórica 

2.1 A leitura como prática social e cognitiva 

Para Freire (1989), a leitura do mundo precede a leitura da palavra — ou seja, ler é  interpretar a realidade antes de decifrar o texto. A alfabetização, portanto, não se limita  à decodificação de signos, mas envolve a construção de sentido e a compreensão crítica  da linguagem. 

Kleiman (1995) e Soares (2003) afirmam que a leitura deve ser compreendida como  prática social, influenciada por fatores culturais, afetivos e pedagógicos. O leitor  constrói significados a partir de suas experiências, sendo a escola o espaço privilegiado  para o desenvolvimento dessa competência. 

2.2 Dificuldades de leitura e aprendizagem 

As dificuldades de leitura podem ter origens diversas: falta de estímulo familiar,  deficiências na formação docente, metodologias inadequadas e condições  socioeconômicas desfavoráveis. 

Ferreiro e Teberosky (1985) demonstraram que a criança elabora hipóteses sobre o  funcionamento da escrita antes mesmo da escolarização formal, o que evidencia a  importância de uma pedagogia que respeite o ritmo e a lógica do aluno. 

Quando o ensino é baseado apenas na repetição e na memorização, sem conexão com o  contexto de vida do estudante, as dificuldades tendem a se agravar. Daí a importância  das metodologias que priorizam a leitura significativa e a intervenção pedagógica  sistemática.

3. Metodologia 

A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa do tipo estudo de caso, desenvolvida na  Escola Municipal Dom Pedro II, com o objetivo de compreender as causas e as práticas  relacionadas às dificuldades de leitura no 5º ano do ensino fundamental. 

Participaram dez professores de diferentes turmas, que contribuíram com depoimentos  sobre suas experiências e práticas. Foram utilizados como instrumentos de coleta de  dados: entrevistas semiestruturadas, observações em sala de aula e análise  documental de planejamentos pedagógicos. 

A análise seguiu o método de análise de conteúdo (Bardin, 2011), categorizando os  resultados em três dimensões principais: fatores de dificuldade, estratégias de  intervenção e resultados observados. 

4. Resultados e Discussão 

4.1 Fatores associados às dificuldades de leitura 

Os professores relataram que muitos alunos apresentam baixo repertório linguístico,  dificuldade de concentração e pouco hábito de leitura fora da escola. Em alguns casos,  há também interferências emocionais e familiares, como falta de acompanhamento e  desmotivação. 

A escassez de materiais de leitura diversificados e o uso excessivo de atividades  mecânicas (cópia e repetição) foram apontados como fatores que desestimulam a  compreensão e o prazer pela leitura. Tais achados estão em consonância com Soares  (2003), que destaca a importância de tornar o texto significativo para o aluno. 

4.2 Estratégias de intervenção pedagógica 

As experiências relatadas pelos professores indicam que as práticas mais eficazes foram  aquelas baseadas na leitura mediada, no trabalho com projetos e no uso de textos  literários próximos à realidade dos estudantes. 

Atividades de dramatização, rodas de leitura e produção textual coletiva mostraram-se  importantes para promover a interação e o interesse. Professores que integraram  diferentes linguagens (imagens, música, teatro) observaram avanços consideráveis na  compreensão leitora. 

Além disso, o acompanhamento individualizado e o uso de avaliações diagnósticas  periódicas permitiram identificar e intervir precocemente nas dificuldades.

4.3 O papel do professor e a formação continuada 

Os resultados apontam que o sucesso da intervenção depende diretamente da atuação  do professor. Educadores que demonstraram sensibilidade para compreender as causas  das dificuldades e adotaram estratégias personalizadas obtiveram melhores resultados. 

A formação continuada foi citada como um dos pilares para o enfrentamento das  dificuldades de leitura. Segundo Freire (1996), o professor é um “eterno aprendiz”, e a  reflexão sobre a própria prática é o caminho para a transformação educativa. 

5. Conclusão 

A pesquisa de Jair Moro Martins evidencia que as dificuldades de leitura no ensino  fundamental são multifatoriais e exigem intervenções que considerem o contexto social  e afetivo do aluno. 

Os resultados demonstram que práticas pedagógicas interativas, leitura mediada e  acompanhamento constante contribuem para o desenvolvimento da competência leitora  e para o fortalecimento da autoestima dos estudantes. 

Conclui-se que a escola deve atuar como espaço de leitura viva, criativa e dialógica,  promovendo não apenas o aprendizado técnico da leitura, mas também a formação de  sujeitos críticos e participativos. 

Recomenda-se que as redes de ensino invistam em programas de formação docente  continuada, bibliotecas escolares ativas e projetos literários que estimulem o prazer  pela leitura e a participação da comunidade.

Referências 

BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011. 

FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre:  Artmed, 1985. 

FREIRE, P. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1989.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

KLEIMAN, A. B. Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola. Campinas: Mercado de Letras, 1995. 

SOARES, M. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

SOLÉ, I. Estratégias de leitura. Porto Alegre: Artmed, 1998. 

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.


1Mestrando em Ciências da Educação – Universidad UNADES, Asunción, Paraguai
2Orientador – Doutor em Ciências da Educação, Universidad UNADES, Asunción,  Paraguai.