CISTICERCOSE BOVINA E SAÚDE PÚBLICA: ASPECTOS SANITÁRIOS, ESTRATÉGIAS E DESAFIOS PARA O CONTROLE EPIDEMIOLÓGICO  

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202602222101


Gustavo Antônio Peixoto¹; Anna Karolina Ferreira Rocha da Silva²; Diógenes Francisco Neto³; Júlia Flávia Borges⁴; Orientador: M.V. Gabriella de Oliveira Nascimento 


RESUMO  

A cisticercose bovina é uma zoonose negligenciada com impacto relevante na saúde pública e na cadeia produtiva da carne no Brasil. Associada a deficiências em saneamento, abate informal e informalidade rural, seu controle enfrenta desafios. Este estudo revisa criticamente a literatura científica sobre aspectos sanitários, epidemiológicos e estratégias de controle. Destacam-se a baixa sensibilidade da inspeção post mortem e o potencial de tecnologias emergentes como PCR e rastreabilidade. A vacinação com antígenos recombinantes é apontada como alternativa promissora. Propõe-se a regulamentação dessa vacina, modernização da inspeção, integração intersetorial e investimentos em educação e inovação tecnológica.  

Palavras-chave: Cisticercose bovina. Saúde Pública. Inspeção Sanitária. Vacinação. 

ABSTRACT  

Bovine cysticercosis is a neglected zoonosis with significant impact on public health and the meat production chain in Brazil. Associated with deficiencies in sanitation, informal slaughter, and rural informality, its control still faces challenges. This study critically reviews the scientific literature on sanitary, epidemiological, and control aspects. It highlights the low sensitivity of post-mortem inspection and the potential of emerging technologies such as PCR and traceability systems. Vaccination with recombinant antigens is identified as a promising alternative. The study proposes vaccine regulation, modernization of sanitary inspection, intersectoral integration, and investment in health education and technological innovation.  

Keywords: Bovine cysticercosis. Public Health. Meat Inspection. Vaccination. 

1. Introdução  

A cisticercose bovina é classificada como uma zoonose parasitária muito relevante para a saúde pública e a economia rural no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) é uma doença negligenciada, pois representa um desafio consistente em países em desenvolvimento, devido à sua correlação com condições precárias de saneamento básico, práticas culturais locais e estruturas produtivas informais (WOAH, 2021).  

A infecção, provocada pela forma larval da Taenia saginata, começa quando bovinos ingerem ovos presentes em fezes humanas, geralmente encontradas em áreas sem tratamento de esgoto. A larva se instala nos músculos dos animais de forma silenciosa, sem sinais clínicos evidentes, sendo comumente detectada apenas durante a inspeção post mortem. Quando seres humanos consomem carne crua ou malpassada contendo cisticercos viáveis, o ciclo se reinicia, com o homem tornando-se o hospedeiro definitivo do parasito (Jorge et al., 2020).  

Atualmente, o sistema de inspeção sanitária apresenta-se como o principal meio institucional de controle da doença. No entanto, sua forma convencional, baseada em inspeção visual durante o abate, apresenta baixa sensibilidade, especialmente em infecções leves, podendo não detectar grande parte dos casos (Rossi; Van Damme; Gabriël, 2020). Essa limitação aumenta a subnotificação e enfraquece a vigilância epidemiológica, sobretudo em regiões com alta incidência de abates informais. Como resultado, a cisticercose permanece entre as principais causas de condenação de carcaças no Brasil, gerando perdas econômicas para pecuaristas e frigoríficos, além de prejudicar a competitividade da carne brasileira no mercado internacional (Araújo et al., 2023).  

Além dos impactos econômicos, a presença da doença está intimamente associada a deficiências no saneamento básico e ao descarte inadequado de dejetos humanos, condições que ainda são frequentes em áreas rurais. Por isso, faz-se necessária uma abordagem integrada entre saúde animal, saúde humana e meio ambiente, conforme o conceito de Saúde Única (Oliveira et al., 2024).  

Mesmo com os avanços nas políticas públicas e campanhas educativas, o controle da cisticercose continua limitado a medidas reativas e corretivas. A vigilância sanitária enfrenta barreiras logísticas e operacionais, e a adesão às medidas preventivas entre pequenos produtores é baixa, especialmente em áreas com infraestrutura precária (Teixeira; Fonseca; Pinto, 2024). 

Essas dificuldades destacam a necessidade de uma estratégia mais abrangente, ordenada e sustentável.   

Neste contexto, uma abordagem alternativa promissora que vem ganhando cada vez mais atenção nos últimos anos são as vacinas que utilizam antígenos recombinantes capazes de inibir a implantação do B. bovis cisticercus em bovinos. Pesquisas conduzidas pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuária (EMBRAPA) têm apresentado resultados positivos em estudos laboratoriais, prenunciando uma possível revolução no controle de doenças (Araújo et al., 2023). A introdução da vacinação como meio de prevenção permitiria que medidas fossem tomadas antes que a infecção ocorresse, em vez de apenas controlar carcaças contaminadas.  

Entretanto, a aplicação prática dessa estratégia ainda depende de pesquisa de campo, regulamentações técnicas, treinamento profissional e aceitação pelos pecuaristas, que muitas vezes têm acesso limitado a informações e recursos. Apesar da base técnica existente, a maioria das publicações científicas ainda não aborda a questão da vacinação como tema central, evidenciando uma lacuna relevante na literatura nacional.   

Portanto, este estudo, baseado em dados regionais, na literatura científica mais recente e no conceito Saúde Única (One Health), tem como objetivo identificar os principais obstáculos para o controle da cisticercose bovina no Brasil e, em particular, avaliar o potencial da vacinação como estratégia preventiva. Espera-se que subsídios tecnológicos sejam disponibilizados para promover a formulação de políticas públicas mais condizentes com a realidade produtiva nacional.  

2. Método de Pesquisa  

Trata-se de uma revisão narrativa com abordagem qualitativa, centrada na análise crítica de literatura científica e documentos técnicos sobre cisticercose bovina. O foco concerne os aspectos sanitários, epidemiológicos e estratégias de controle, tendo como destaque a vacinação.  

A coleta de fontes foi realizada entre abril e maio de 2025, utilizando PubMed, SciELO, ScienceDirect, Google Scholar e repositórios institucionais (FAO, WHO, WOAH, EMBRAPA). Os termos de busca incluíram palavras-chave em português e inglês, como  cisticercose bovina, “Taenia saginata”, sanitary inspection, vaccination e Saúde Única”.  

Foram analisadas 32 publicações (2012–2024), sendo 28 artigos com DOI e 4 documentos oficiais. Os critérios de inclusão consideraram: texto completo disponível, relevância temática e relação direta com os objetivos do estudo. Embora não seja sistemática, a revisão facilitou a identificação de tendências, lacunas e abordagens de controle integradas à perspectiva da Saúde Única.  

3. Bases Conceituais da Cisticercose Bovina  

3.1 Etiologia e Ciclo Biológico de Taenia saginata 

A cisticercose bovina é provocada pela forma larval da Taenia saginata, helminto que exige dois hospedeiros: o humano, como hospedeiro definitivo, e o bovino, como intermediário (WOAH, 2021). O verme adulto se aloja no intestino delgado humano, liberando proglotes grávidas com milhares de ovos nas fezes. Em regiões com saneamento precário, esses ovos contaminam o solo, a água e as pastagens (Panziera et al., 2017). 

Bovinos ingerem os ovos e, no intestino, as larvas eclodem, atravessam a mucosa e migram para os músculos via corrente sanguínea, formando cisticercos viáveis em cerca de 10 a 12 semanas (Figura 1).   

Figura 1 – Esquema do ciclo da Taenia saginata, com humanos como hospedeiros definitivos e bovinos como intermediários. Fonte: EMBRAPA (2023)  

Os principais locais de fixação são os masseteres, coração, diafragma e língua (WOAH, 2021). A infecção geralmente é assintomática, refreando o diagnóstico ante mortem. A ingestão humana de carne crua com cisticercos viáveis reinicia o ciclo parasitário. Diferente da Taenia solium, a T. saginata não provoca autoinfecção em humanos. Sua presença em bovinos indica deficiências sanitárias regionais e confirma sua categoria como zoonose negligenciada.  

3.2 Classificação como Zoonose e Implicações para a Saúde Pública  

A cisticercose bovina está intimamente relacionada à carência de saneamento básico, sistemas produtivos informais e abate clandestino. A presença do parasita em bovinos retrata a disseminação da teníase humana, já que muitas vezes não é diagnosticada (Silva; Oliveira, 2023). A contaminação da água e do solo fecha o ciclo de transmissão.  

Reconhecida como zoonose negligenciada pela OMS, a cisticercose compromete a saúde pública e a segurança alimentar. A inspeção post mortem tem sensibilidade limitada, permitindo que infecções leves passem despercebidas. Estudos em Minas Gerais revelam forte associação entre prevalência da doença e comunidades de baixa renda que vivem em locais com infraestrutura sanitária deficiente (Pinto et al., 2019). O enfoque intersetorial, alinhado aos princípios da Saúde Única, é fundamental para interromper a cadeia de transmissão.  

3.3 Panorama Epidemiológico Nacional e Global  

A prevalência da cisticercose bovina no Brasil varia entre 1,05% e 18,7%, dependendo da região, do tipo de inspeção e da metodologia adotada (Araújo et al., 2023). Por exemplo, estados como Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná apresentam taxas elevadas, em áreas associadas a vulnerabilidades sociais e ao abate informal (Dettmann et al., 2022).  

Ferramentas como geoprocessamento e SIG têm identificado zonas críticas, associadas à densidade bovina, uso de água de superfície e ausência de esgotamento sanitário. A inspeção federal (SIF) apresenta maior eficácia, porque os sistemas estaduais e municipais (SIE, SIM) enfrentam limitações operacionais (Motta, E. et al., 2023; Bidone et al., 2021).  

Internacionalmente, a cisticercose bovina é prevalente em países como Etiópia, Nigéria, Egito, Croácia e regiões da Itália, com características sanitárias similares às brasileiras (El Dakhly et al., 2023; Rubiola et al., 2021; Zdolec et al., 2012). A variabilidade reflete fatores climáticos, culturais e políticos, exigindo ações adaptadas à realidade local.  

4. Impactos da Cisticercose Bovina  

4.1 Perdas Econômicas e Barreiras Comerciais  

A cisticercose bovina traz malefícios expressivos à cadeia da carne. As perdas incluem a condenação de carcaças e vísceras, aplicação de tratamentos como congelamento e salga, e rebaixamento do produto para fins industriais (Pastor et al., 2018). Estudos analisados por Favarin et al. (2021), apontam prejuízos de milhões de reais em estados como São Paulo, Paraná e Espírito Santo.  

Os Decretos nº 9.013/2017 e nº 10.468/2020 (BRASIL, 2020) tornaram obrigatórios os tratamentos tecnológicos mesmo para infecções leves. Tais exigências encarecem o processo, penalizando pequenos produtores e frigoríficos (Favarin et al., 2021). 

No exterior, a cisticercose é uma barreira não tarifária, ou seja, países importadores exigem garantias sanitárias que nem sempre são atendidas, afetando a imagem da carne brasileira (FAO/WHO, 2013; Figueiredo et al., 2019). Mesmo produtos tratados podem ser desvalorizados, pois podem gerar desconfiança no consumidor.  

4.2 Consequências Sanitárias para o Setor Agropecuário  

A baixa sensibilidade da inspeção post mortem compromete o diagnóstico e favorece a subnotificação (Mohamed et al., 2021). Em regiões com abate informal e rede de saneamento precária, o ciclo do parasita permanece ativo.  

As exigências legais acabam aumentando os custos operacionais. Pequenos produtores, com menor acesso a assistência técnica e financiamento, são os mais prejudicados. A fragilidade da biossegurança, ausência de cercas e o manejo inadequado de resíduos elevam o risco de contaminação (Duarte et al., 2022). 

A falta de uso de dados epidemiológicos e rastreabilidade dificulta o controle. De acordo com Gomes, Avelar e Martins (2023), intensificar o uso de ferramentas como PCR e SIG é fundamental, porém exige estrutura e formação técnica. O médico veterinário atua no papel central em relação à integração entre setores, com base nas diretrizes da Saúde Única, que reconhece que as saúdes humana, animal e ambiental são interdependentes (Oliveira et al., 2024).  

4.3 Repercussões na Saúde Pública e Segurança Alimentar  

A cisticercose integra o ciclo teníase-cisticercose. A ingestão de carne malcozida com cisticercos viáveis leva à teníase humana, geralmente assintomática, que favorece a disseminação ambiental dos cisticercos (Laranjo-González et al., 2018; Mwasunda et al., 2022).  

A presença da doença compromete a percepção de segurança alimentar. Mesmo com tratamento térmico, a imagem da carne é afetada. A associação com outras parasitoses, como fasciolose, agrava ainda mais as condenações e revela outros tipos de falhas no controle sanitário (Motta, S. et al., 2024).  

A inspeção visual não detecta infecções leves, exigindo métodos complementares como PCR (Figueiredo et al., 2019). A cisticercose deve ser tratada como zoonose sentinela, porque sua detecção aponta vulnerabilidades estruturais que exigem ações multifacetadas e políticas públicas sustentadas (Acevedo-Nieto et al., 2022).  

5. Mecanismos de Controle Sanitário e Vigilância  

5.1 Estratégias de Inspeção Ante e Post Mortem  

A inspeção higiênico-sanitária de bovinos, nas etapas ante e post mortem, constitui um dos principais instrumentos institucionais de controle da cisticercose (Figura 2).  

Figura 2 – Cisticercos em diversas vísceras e na musculatura de bovinos infectados. 
Fonte: Fotos, Arquivo pessoal Dr. Welber Lopes, UFG 

Realizada sob os sistemas federal, estadual ou municipal de inspeção, essa atividade tem o intuito de garantir a segurança alimentar e identificar zoonoses de relevância epidemiológica, como a cisticercose bovina (Barbosa; Rossi; Souza, 2021). No entanto, o modelo atual, baseado na inspeção visual e em incisões padronizadas, apresenta sensibilidade limitada, especialmente em infecções leves ou em localizações atípicas (Hiko; Seifu, 2018).  

Em contextos de produção informal, como assentamentos rurais e propriedades de base familiar, a ausência de inspeção oficial ante mortem e post mortem intensifica a subnotificação e contribui para a manutenção do ciclo da Taenia saginata. A proximidade entre humanos e animais, o uso de instalações sanitárias improvisadas e a ausência de biossegurança auxiliam a contaminação ambiental e a reinfecção dos rebanhos (Acevedo-Nieto et al., 2022).  

A identificação de cisticercos em carcaças condenadas atua como marcador epidemiológico da circulação da teníase na população, fortalecendo o papel tático da inspeção como procedimento de vigilância. Contudo, sua palpabilidade depende da capacitação técnica dos profissionais, da infraestrutura dos sistemas de inspeção e da adoção de métodos diagnósticos suplementares, como sorologia, PCR e georreferenciamento de áreas de risco (Duarte et al., 2022).  

Além das implicações sanitárias, a presença de cisticercose impacta de modo direto a cadeia produtiva, levando à desvalorização comercial das carcaças, mesmo depois de tratamento térmico. A reincidência de infecções, em conjunto com a presença de outras parasitoses, aumenta as condenações e prejudica a concepção do consumidor, tanto no mercado interno quanto no externo (Fesseha; Asefa, 2023).  

Diante disso, é necessário que a inspeção progrida de uma prática puramente corretiva para uma ação estratégica integrada. Estabelecida no marco da Saúde Única, a inspeção deve ser articulada com programas de biossegurança, educação sanitária e mapeamento territorial. Conforme defendido por Rossi, Van Damme e Gabriël (2020), sua função supera a detecção de lesões e deve incluir a geração de dados epidemiológicos para nortear políticas públicas intersetoriais.  

A recorrência da cisticercose em determinadas regiões deve ser interpretada como sinal de falhas sistemáticas de regência sanitária. Superá-las exige investimentos em modernização das práticas de inspeção, capacitação técnica e vinculação de tecnologias que propiciem uma vigilância ativa, territorializada e preventiva.  

5.2 Aproveitamento Condicional e Critérios de Destinação de Carcaças  

O destino de carcaças bovinas acometidas por cisticercose é administrado pelo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA), que estabelece critérios sanitários baseados na localização, quantidade e factibilidade dos cisticercos identificados durante a inspeção post mortem (WOAH, 2021; BRASIL, 2021). As decisões são tomadas por médicos-veterinários habilitados, com base em incisões e avaliações visuais padronizadas em músculos de predileção do parasita, como masseteres, coração, diafragma e língua (Cipriano et al., 2015).  

Nos casos de infecções leves, a legislação autoriza o aproveitamento condicional da carcaça, desde que seja submetida a algum tratamento tecnológico eficaz. As principais técnicas incluem congelamento (-10 °C por 10 dias), salga em solução salina a 7% por 10 dias, ou tratamento térmico, que asseguram a inativação do parasita (Pastor et al., 2018).  

Por outro lado, carcaças com infecções intensas, caracterizadas por oito ou mais cisticercos viáveis ou calcificados (distribuídos em diferentes locais), devem ser totalmente condenadas, independentemente da viabilidade dos parasitas. Essa medida objetiva eliminar riscos à saúde pública e preservar a integridade do sistema de inspeção (Panziera et al., 2017).  

A aplicação do aproveitamento condicional, embora evite perdas totais, impõe desafios técnicos e logísticos, como a necessidade de câmaras frigoríficas específicas, controle rigoroso de temperatura e rastreabilidade documental (Barbosa; Rossi; Souza, 2021). Tais premissas representam custos significativos, especialmente para abatedouros de pequeno porte.  

Os avanços que foram apresentados pelo Decreto nº 10.468/2020 tornaram os critérios mais severos acerca da destinação de carcaças contaminadas. A nova norma suprimiu a possibilidade de liberação sem tratamento, mesmo para cisticercos calcificados, reforçando a exigência de processos tecnológicos em todos os casos com lesões parasitárias visíveis (Favarin et al., 2021).  

Embora os cisticercos calcificados não mostrem viabilidade biológica, sua presença é considerada um indicativo de exposição ambiental e provável falha de biossegurança. Isso justifica a adoção de medidas preventivas mais amplas. Assim, a inspeção post mortem representa também uma função crucial dentro da vigilância territorial, já que sinaliza áreas de risco para a cadeia produtiva (Panziera et al., 2017).  

O aproveitamento condicional, quando é bem implementado, busca equilibrar três metas fundamentais: proteger a saúde pública, evitar o descarte excessivo e desnecessário de proteína animal, e manter a viabilidade econômica da cadeia pecuária. A padronização e o cumprimento rigoroso da legislação apresentam-se, então, como instrumentos estratégicos para a paralização do ciclo da teníase, a redução dos prejuízos econômicos para pecuaristas e frigoríficos, além da garantia da qualidade sanitária da carne exportada e consumida pela população brasileira.  

5.3 Barreiras Estruturais e Regionais à Efetividade do Controle  

As barreiras estruturais e regionais comprometem a eficácia de ações sanitárias, por isso, apesar dos avanços normativos e institucionais, a cisticercose bovina continua sendo uma zoonose de difícil controle no Brasil. A diversidade dos serviços de inspeção reflete diferenças operacionais que afetam tanto a sensibilidade diagnóstica quanto a sistematização de procedimentos (Pinto et al., 2019).  

Estudos analisados por Dettman et al. (2022) apontam que abatedouros sob inspeção estadual ou municipal apresentam taxas de detecção inferiores às do Serviço de Inspeção Federal (SIF), em parte pela limitação técnica e pela frequência irregular das fiscalizações. Concomitantemente, o alto índice de abate clandestino em regiões com pouca infraestrutura agrava a subnotificação e facilita a entrada de carne contaminada no mercado, devido à escassez de controle higiênico-sanitário.  

A informalidade produtiva, combinada à baixa escolaridade e à falta de assistência técnica, reduz a adesão a medidas preventivas e a efetividade das campanhas educativas. Além do mais, algumas práticas culturais e a ineficácia ou ausência de redes de saneamento básico em propriedades rurais contribuem para a contaminação ambiental, como já demonstrado em estudos realizados no Brasil e na Itália (Silva; Oliveira, 2023; Rubiola et al., 2021).  

Além disso, a fragmentação das ações de vigilância e a ausência de sistemas integrados de informação dificultam o compartilhamento de dados entre estados e municípios. Essa descentralização compromete o planejamento territorial e a tomada de decisões baseadas em evidências, como explicitado até mesmo em experiências internacionais (Acevedo-Nieto et al., 2022; Mohamed et al., 2021).  

A inspeção post mortem, baseada em triagem visual, também apresenta limitações técnicas importantes. A sensibilidade reduzida em casos leves e a ausência de métodos complementares tornam a triagem ineficaz como método único de controle. Ainda que haja medidas pontuais, alguns modelos de simulação indicam que, se não houver intervenções estruturais coordenadas, a taxa de transmissão da Taenia saginata pode continuar acima do limiar de controle (Mwasunda et al., 2022).  

Para superar esses obstáculos, é importante que ações sejam realizadas de forma a envolver diferentes áreas articuladamente. Isso inclui fortalecer os serviços estaduais e municipais de inspeção, combater o abate informal de animais, ampliar o acesso ao saneamento básico e criar sistemas de notificação padronizados. Essas medidas são essenciais para que a vigilância sanitária se torne uma ferramenta realmente eficiente da saúde pública e no controle de doenças.  

6. Inovações e Avanços Científicos  

6.1 Desenvolvimento de Vacinas: Cenário Atual  

A vacinação de bovinos contra o Cysticercus bovis tem se mostrado uma alternativa inovadora e estratégica para o controle da cisticercose, especialmente em regiões onde as medidas sanitárias não têm tido tanto sucesso. No Brasil, pesquisas coordenadas pela Embrapa (2023), em parceria com universidades federais, estão avançando no desenvolvimento de vacinas recombinantes, que utilizam antígenos como TSA-9 e TSA-18. Essas vacinas têm como objetivo impedir que os cisticercos se desenvolvam e permaneçam viáveis nos tecidos bovinos.  

Apesar do progresso dessa tecnologia, ela ainda enfrenta alguns obstáculos, como questões regulatórias, desafios técnicos e dificuldades na produção. A falta de uma regulamentação específica, a necessidade de realizar testes em diferentes biomas e a ausência de orientações claras para integrar a vacina ao sistema oficial de controle dificultam sua adoção em grande escala. Além disso, é preciso investir na capacitação de médicos-veterinários e profissionais de campo, e também há resistência por parte dos pecuaristas, especialmente os que trabalham em pequenas propriedades, que muitas vezes não veem a cisticercose como uma prioridade para a saúde ou a economia da fazenda (Araújo et al., 2023).  

Apesar das limitações, os benefícios da vacinação são bastante relevantes: ela pode ajudar a diminuir a presença da doença, reduzir a condenação de carcaças, aumentar a confiança na segurança sanitária da carne brasileira e melhorar a imagem do país no mercado internacional. A vacinação também pode ser uma estratégia importante para fortalecer a sanidade na exportação de produtos agropecuários, especialmente se for direcionada às regiões mais vulneráveis.  

Por outro lado, a inexistência de um programa oficial de vacinação contra a cisticercose, diferente de outras doenças de importância na área zootécnica que já fazem parte do calendário nacional, mostra a necessidade de uma política pública mais integrada. Essa política deve contar com a colaboração de órgãos públicos, setor privado e universidades. Adotar uma abordagem baseada na Saúde Única ajuda a promover uma estratégia mais justa e equilibrada, que une melhorias sanitárias com justiça social.  

Para que a vacinação seja realmente eficaz na prevenção, é importante que haja ações bem coordenadas, regras claras e incentivos para pesquisas que desenvolvam soluções adequadas à realidade da pecuária no Brasil. Nesse cenário, a inovação tecnológica e a vigilância epidemiológica formam a base fundamental para um controle sustentável da cisticercose bovina.  

6.2 Novas Ferramentas Diagnósticas: Biologia Molecular e PCR  

A inspeção visual pós-morte tem uma sensibilidade bastante baixa, especialmente em casos de infecções leves por Cysticercus bovis, com uma taxa de detecção inferior a 16%. Por isso, tem sido cada vez mais comum usar métodos de diagnóstico mais precisos, como a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). Essa técnica molecular consegue identificar o DNA de Taenia saginata nos músculos com alta precisão, mesmo quando a inspeção visual não mostra alterações evidentes. Além de ser uma alternativa eficiente à inspeção tradicional, a PCR é muito útil na vigilância epidemiológica e no monitoramento da saúde em regiões onde a doença é comum. Ela também permite distinguir entre diferentes espécies do gênero Taenia, como T. saginata, T. solium eT. asiatica, o que é fundamental para um diagnóstico correto e para orientar as ações de controle (Figueiredo et al., 2019).   

Embora a PCR seja uma técnica muito sensível, usá-la de forma rotineira ainda apresenta alguns obstáculos, tanto operacionais quanto financeiros. Para realizar esse teste, é preciso ter laboratórios bem equipados, profissionais treinados e insumos que podem ser caros. Por isso, sua implementação pode ser mais difícil em frigoríficos menores ou em unidades sob fiscalização estadual e municipal.  

Para que essas tecnologias possam avançar além do ambiente de pesquisa, é importante investir em políticas públicas que incentivem a inovação. Além disso, é fundamental integrar os protocolos moleculares ao sistema oficial de controle e promover parcerias entre os setores público e privado, e as universidades. A combinação de dados moleculares, informações geográficas e resultados de inspeções tradicionais pode abrir caminho para uma nova geração de estratégias de combate à cisticercose, alinhadas com os princípios da Saúde Única e a vigilância epidemiológica inteligente.  

6.3 Tecnologias Aplicadas à Rastreabilidade e Monitoramento  

A rastreabilidade de animais que testam positivo tem sido considerada uma das estratégias mais eficazes para controlar a cisticercose bovina. De acordo com Dettmann et al. (2022), essa medida deve ser combinada com ações de educação sanitária, inspeção rigorosa da carne e melhorias no saneamento básico, formando um conjunto de iniciativas que visam diminuir a ocorrência da doença na cadeia produtiva. Além disso, o novo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA) passou a permitir o uso de sistemas informatizados para monitorar e registrar os dados dos programas de autocontrole, o que ajuda a modernizar as agroindústrias e aumenta o controle sanitário (Brasil, 2021).  

Gomes, Avelar e Martins (2023) ressaltam também a importância do uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para identificar áreas de risco, levando em consideração fatores ambientais e estruturais. Para complementar essa ideia, Duarte et al. (2022) sugerem modelos que analisam a relação entre a presença da doença, a proximidade de rios, lagos ou outros corpos d’água, e o uso de pastagens compartilhadas, principalmente em áreas de agricultura familiar. Além disso, a Embrapa destaca que o combate eficaz à cisticercose depende do envolvimento de todas as etapas da cadeia de produção, sendo necessário um esforço coordenado e constante para alcançar bons resultados (Araújo et al., 2023).  

Para superar esses obstáculos, é importante implementar políticas públicas que incentivem a inovação no campo e promovam a inclusão digital. Além disso, é fundamental estabelecer parcerias entre universidades, órgãos de financiamento, serviços veterinários e instituições financeiras. A criação de um sistema sanitário moderno e regionalizado depende da integração de dados geográficos, ambientais e oficiais, o que é essencial para garantir um controle da cisticercose bovina no Brasil que seja sustentável, justo e eficiente do ponto de vista técnico.  

7. Cisticercose Bovina no Contexto da Saúde Única  

7.1 Intersetorialidade entre Saúde Humana, Animal e Ambiental  

A abordagem de Saúde Única, ou One Health, tem se tornado uma estratégia central no combate às zoonoses negligenciadas, como a cisticercose bovina. Essa ideia reconhece que os problemas de saúde surgem da interação entre seres humanos, animais e o meio ambiente, e por isso é importante que as ações sejam integradas e multidisciplinares (Oliveira et al., 2024).  

A cisticercose bovina mostra bem essa relação: os humanos eliminam ovos da Taenia saginata no ambiente, os bovinos acabam ingerindo esses ovos ao se alimentarem em áreas contaminadas, e fatores ambientais – como a falta de saneamento básico, a utilização de água de superfície e o descarte inadequado de resíduos – favorecem a manutenção do ciclo da doença (Araújo et al., 2023).  

Diante disso, a intersetorialidade torna-se essencial para interromper a transmissão. A articulação entre setores permite unir ações como educação sanitária, fiscalização de abates ilegais, capacitação dos produtores e monitoramento do meio ambiente. Experiências em municípios do Espírito Santo e de Minas Gerais mostram que a atuação integrada de órgãos de saúde, meio ambiente e agricultura torna as políticas públicas mais eficazes (Pinto et al., 2019).  

Segundo Oliveira et al. (2024), a teníase-cisticercose deve ser encarada como uma zoonose cuja base é social, prevalente em áreas onde há ausência ou ineficácia sanitária. Essa realidade exige uma abordagem que leve em conta as características de cada região, indo além de ações apenas biomédicas. É importante destacar que a fragmentação institucional e a ausência de coordenação entre os órgãos dificultam o sucesso das intervenções.  

Para que a Saúde Única se torne uma realidade, é importante transformá-la em ações significativas e concretas. Isso significa que a vigilância epidemiológica deve levar em conta as áreas mais vulneráveis, a inspeção sanitária precisa estar alinhada com a realidade do abate informal, e a saúde ambiental deve atuar no saneamento, no uso da água e na gestão de resíduos. Para isso, é fundamental ter uma governança compartilhada, usar dados integrados e criar políticas que promovam a justiça sanitária.  

Somente assim será possível superar as vulnerabilidades que mantêm a cisticercose bovina como um símbolo das desigualdades e estabelecer um modelo de controle que seja efetivo, sustentável e justo para toda a sociedade.  

7.2 Papel das Instituições de Pesquisa e Extensão Rural  

Instituições de ensino, pesquisa e extensão rural desempenham papel estratégico na formulação e aplicação de soluções para o controle da cisticercose bovina, especialmente em regiões com baixa capacidade técnica e alta informalidade produtiva. A Embrapa, em parceria com universidades e centros regionais, lidera esforços no desenvolvimento de vacinas, testes diagnósticos e estratégias integradas voltadas à realidade da pecuária nacional.  

Além da geração de conhecimento, essas instituições são fundamentais na transferência de tecnologias e boas práticas sanitárias aos territórios rurais. Serviços estaduais de extensão atuam como ponte entre ciência e campo, podendo oferecer oficinas, treinamentos e assistência técnica para manejo sanitário, descarte de resíduos e biossegurança.  

A vulnerabilidade sanitária em comunidades rurais, especialmente aquelas com infraestrutura precária, baixa renda e exclusão social, mostra como é importante investir em ações educativas e de diferentes setores para prevenir a cisticercose bovina. De acordo com Pinto et al. (2019), nessas regiões é fundamental aumentar os investimentos em educação sobre higiene e melhorar as condições de criação de animais. Da mesma forma, Acevedo-Nieto et al. (2022) ressaltam a importância de políticas públicas integradas entre os setores de saúde humana, saúde animal e meio ambiente, com estratégias que levem em conta as particularidades de cada comunidade.  

Outro eixo importante é a formação de profissionais qualificados em medicina veterinária preventiva, saúde pública e Saúde Única. Equipes técnicas multidisciplinares, que tenham conhecimento profundo em epidemiologia e sensibilidade social, são determinantes para colocar em prática ações integradas (Rubiola et al., 2021).  

A pesquisa aplicada também deve focar em soluções que possam ser reproduzidas facilmente e com baixo custo, adaptadas aos diferentes contextos produtivos. Isso é extremamente relevante para garantir que as inovações científicas estejam alinhadas às condições socioeconômicas e ambientais das regiões endêmicas. Além disso, essas instituições podem estimular o uso de tecnologias digitais, como rastreabilidade eletrônica e georreferenciamento, auxiliando os pequenos produtores a atenderem aos padrões sanitários exigidos pelos mercados atuais (Rossi; Van Damme; Gabriël, 2020).  

É muito importante fortalecer as instituições que atuam na pesquisa e na extensão rural, pois isso ajuda a transformar o conhecimento em ações concretas. Essas instituições têm um papel fundamental ao conectar a ciência, as políticas públicas e o trabalho no campo. Assim, elas podem contribuir de maneira decisiva para o controle sustentável da cisticercose bovina, beneficiando a saúde pública, garantindo a segurança alimentar e fortalecendo a competitividade da agropecuária brasileira.  

7.3 Educação Sanitária e Prevenção no Meio Rural  

A educação sanitária é uma das bases fundamentais na prevenção e no controle da cisticercose bovina. Pesquisas indicam que a baixa escolaridade e o desconhecimento sobre o ciclo da Taenia saginata dificultam a adoção de hábitos higiênicos e alimentares adequados nas comunidades rurais (Silva; Oliveira, 2023). Em áreas endêmicas, mais de 75% dos entrevistados não conheciam a enfermidade e cerca de 18% consumiam carne malcozida, o que mantém o ciclo parasitário ativo (Pinto et al., 2019).  

Teixeira, Fonseca e Pinto (2024) mencionam que as campanhas educativas devem explicar de forma acessível temas como cozinhar carne adequadamente, usar banheiros, descartar corretamente os dejetos e a importância de abater os animais em locais devidamente inspecionados. A eficácia dessas ações aumenta quando são conduzidas de forma contínua, usando linguagem acessível e inseridas no dia a dia das comunidades.  

Nesses contextos, a educação sanitária deve ser vista como uma estratégia participativa de transformação, e não apenas como uma simples transmissão de informações técnicas. É importante envolver as lideranças locais, valorizar os saberes comunitários e integrar diferentes setores, como saúde, agricultura e extensão rural. Ademais, o sucesso das ações para combater a cisticercose bovina depende de estabelecer um diálogo aberto com as comunidades, levando em consideração suas realidades e incentivando a participação delas no controle da zoonose.  

Sem esse envolvimento, mesmo as melhores tecnologias terão um impacto limitado.  

8. Desafios Contemporâneos e Perspectivas Futuras  

8.1 Implementação em Larga Escala de Vacinas e Biossegurança  

Embora os avanços científicos no desenvolvimento de vacinas contra Cysticercus bovis sejam promissores, ainda existem muitos desafios para que possam ser implementadas em larga escala no Brasil. Até o momento, nenhuma formulação está licenciada para venda comercial, embora a Embrapa esteja liderando pesquisas com antígenos recombinantes que têm demonstrado bons resultados em laboratório (Araújo et al., 2023).  

Os obstáculos para implementação de uma vacina eficaz contra Cysticercus bovis vão além das questões regulatórias. Segundo Araújo et al. (2023), o sucesso dessa iniciativa depende do desenvolvimento de tecnologias que se ajustem à realidade da cadeia produtiva e do envolvimento articulado do Estado em diferentes áreas – saúde animal, saúde humana e meio ambiente – além de apoio à educação sanitária e melhorias na infraestrutura. A ausência de um sistema logístico bem estruturado e a capacidade limitada de operação dos pequenos produtores dificultam bastante a adoção da imunização em larga escala.  

Para que essa estratégia seja viável, é importante elaborar um plano bem coordenado, que envolva a distribuição da vacina em regiões de risco, integração da vacinação aos programas de rastreabilidade e certificação sanitária, além de campanhas educativas que incentivem a participação voluntária. Também é fundamental capacitar veterinários e agentes de extensão para garantir a aplicação correta da vacina e o acompanhamento dos resultados.  

Paralelamente, é fundamental reforçar a adoção de medidas de biossegurança nas propriedades rurais. Isso inclui proteger fontes hídricas, usar cercas sanitárias, fazer o manejo adequado dos dejetos humanos e limitar o acesso de animais e pessoas às áreas de alimentação (Panziera et al., 2017). Essas práticas, embora simples, ainda têm baixa difusão entre pequenos produtores, em parte devido à falta de assistência técnica e à escassez de recursos (AcevedoNieto et al., 2022).  

Evidências de campo e estudos internacionais demonstram que a vacinação isolada não basta. Na Etiópia, por exemplo, a vacinação só teve impacto realmente positivo quando foi acompanhada de ações educativas, melhorias sanitárias e suporte técnico contínuo (Mohamed et al., 2021). O mesmo acontece em várias regiões brasileiras, onde a efetividade das intervenções depende da combinação de tecnologia, capacitação dos produtores e melhorias na infraestrutura (Dettmann et al., 2022).  

Dessa forma, o sucesso de uma futura campanha contra a cisticercose bovina depende de uma abordagem integrada, que envolva diferentes setores, como políticas públicas, pesquisa científica, extensão rural e o engajamento dos produtores. A criação de um programa nacional de imunização, baseado nos princípios da Saúde Única, seria um passo importante para interromper o ciclo da T. saginata, diminuir as perdas econômicas e fortalecer a credibilidade sanitária da carne brasileira.  

8.2 Integração de Tecnologias Emergentes ao Controle Epidemiológico  

A incorporação de tecnologias digitais e inteligência territorial oferece uma oportunidade estratégica para melhorar o monitoramento da cisticercose bovina. Ferramentas como sistemas de geoprocessamento, análise espacial e inteligência artificial (IA) têm sido testadas em projetos acadêmicos e pilotos, mostrando resultados encorajadores na previsão de áreas de risco e na utilização mais eficiente dos recursos de inspeção e controle (Gomes; Avelar; Martins, 2023).  

No Espírito Santo, o uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) ajudou a criar mapas de risco baseados em fatores como saneamento, densidade de bovinos e condições hidrológicas. Essa análise revelou que alguns municípios possuem mais de 50% de seu território classificado como de risco muito alto para a cisticercose, evidenciando como o diagnóstico espacial pode ser fundamental na priorização das ações de controle (Gomes; Avelar; Martins, 2023).  

A inteligência artificial também tem mostrado grande potencial para automatizar a inspeção post mortem, tornando as avaliações mais padronizadas, menos subjetivas e permitindo a detecção precoce (Teixeira; Fonseca; Pinto, 2024). Já estudos internacionais, como os realizados na Etiópia, indicam que modelos estatísticos usando dados ambientais e populacionais podem onde e quando a cisticercose acontece, otimizando o planejamento das intervenções sanitárias (Mohamed et al., 2021). Essas estratégias têm potencial para aplicação no contexto brasileiro, especialmente em regiões com histórico de subnotificação.  

No entanto, apesar dos avanços, a implementação dessas tecnologias ainda encontra obstáculos estruturais. A falta de conexão de internet nas áreas rurais, o baixo nível de informatização das propriedades e a ausência de capacitação técnica dificultam sua disseminação além do meio acadêmico. Para integrar essas soluções às políticas nacionais de saúde, como sanidade e rastreabilidade, é necessário investimento público, incentivo à inovação prática e parcerias entre governo, setor produtivo e universidades.  

Usar tecnologias emergentes no combate à cisticercose não é apenas uma inovação operacional, mas uma estratégia concreta para fortalecer a vigilância, antecipar possíveis surtos e diminuir as desigualdades na saúde. Para que isso aconteça de verdade, é fundamental promover uma união entre ciência, gestão pública e os produtores rurais, criando um sistema de monitoramento mais inteligente, regionalizado e preventivo.  

8.3 Mudanças Climáticas e Expansão de Zonas de Risco  

As mudanças no regime de água em várias regiões do Brasil têm criado condições que facilitam a disseminação dos ovos de Taenia saginata. Isso pode levar a um aumento nos casos de cisticercose bovina, até mesmo em áreas que antes eram consideradas de baixo risco. Os ovos desse parasita permanecem bastante viáveis no ambiente, e durante períodos de fortes chuvas, eles podem se espalhar facilmente por pastagens, rios e reservatórios de água. Nesses momentos, até propriedades que seguem medidas básicas de higiene podem ser afetadas, especialmente quando os bovinos têm acesso livre a áreas alagadas, lagos temporários ou fontes de água não tratada. Essa situação é comum em regiões onde o tratamento de água não é adequado ou o manejo dos recursos hídricos não é bem feito (Araújo et al., 2022).  

Além das questões ambientais, as mudanças climáticas também afetam a resiliência socioeconômica dos pequenos produtores, tornando mais difícil lidar com a cisticercose bovina. A degradação das pastagens, a falta de água e o deslocamento dos rebanhos aumentam o contato com ambientes contaminados, dificultando a implementação de práticas básicas de biossegurança, como o manejo adequado dos resíduos humanos e o controle de acesso às fontes de água (Acevedo-Nieto et al., 2022; Araújo et al., 2023). Diante dessa situação, é fundamental que os sistemas de vigilância territorial e epidemiológica levem em conta fatores climáticos e ambientais. Estudos usando tecnologias de geoprocessamento mostram que é possível identificar áreas com risco crescente, o que permite realizar ações preventivas antes que ocorram surtos (Gomes; Avelar; Martins, 2023).  

Nesse cenário, é fundamental integrar de forma urgente as políticas de clima, saúde pública e sanidade animal. A adaptação às mudanças climáticas deve envolver uma vigilância epidemiológica flexível, um planejamento territorial baseado em riscos e o fortalecimento das capacidades locais de resposta. Essa integração é essencial para diminuir desigualdades e evitar que doenças como a cisticercose se espalhem ainda mais em um cenário climático cada vez mais instável.  

8.4 Cooperação Internacional e Governança em Saúde Pública Veterinária  

Para controlar a cisticercose bovina de forma eficaz, é importante que haja uma gestão sanitária mais sólida, com uma boa articulação entre as políticas do país e os compromissos internacionais. Organizações como a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) e a FAO, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), vêm criando orientações específicas para combater zoonoses negligenciadas, incluindo a teníase e a cisticercose (FAO/WHO, 2013; WOAH, 2021). No entanto, como apontam Gomes, Avelar e Martins (2023), na prática, essas recomendações ainda têm uma aplicação limitada em vários países da América Latina, inclusive no Brasil, onde ainda existem dificuldades estruturais nos sistemas de vigilância e controle.  

Entre as ações sugeridas por essas organizações estão a padronização dos processos de inspeção, a obrigatoriedade de notificação de casos, o fortalecimento das redes laboratoriais, a rastreabilidade dos rebanhos e a capacitação contínua dos profissionais de saúde pública e veterinária (FAO/WHO, 2013; WOAH, 2021). Além disso, programas de cooperação técnica podem ajudar países em desenvolvimento a terem acesso a novas tecnologias, como testes de PCR e vacinas recombinantes. Isso acontece por meio de ações de transferência de tecnologia e treinamento de instituições, com o apoio de universidades e centros de pesquisa (FAO/WHO, 2013; Gomes; Avelar; Martins, 2023).  

Como maior exportador mundial de carne bovina, o Brasil não só tem a responsabilidade de garantir a sanidade de seus produtos, mas também tem o potencial de liderar iniciativas na região. Participar ativamente na definição de normas, na avaliação de riscos conjunta e na formação de consórcios técnicos com países vizinhos pode fortalecer sua reputação sanitária e expandir sua influência internacional.  

A experiência adquirida no controle de outras zoonoses, como brucelose e tuberculose, mostra que ações coordenadas entre países sul-americanos são possíveis e bastante eficazes. Fortalecer a vigilância epidemiológica nas áreas de fronteira agrícola é uma estratégia importante para impedir a disseminação da cisticercose e manter padrões sanitários consistentes na região.  

Nesse cenário, a colaboração internacional, que envolve troca de conhecimentos técnicos, alinhamento das regras e apoio mútuo entre instituições, deve ser vista como uma parte fundamental do controle da cisticercose bovina. Ter uma governança multilateral bem estruturada é essencial para enfrentarmos a doença de maneira integrada, sustentável e que realmente beneficie a saúde pública e a segurança alimentar em todo o mundo.  

9. Discussão  

A cisticercose bovina ainda é uma zoonose que recebe pouca atenção, mesmo causando impactos importantes na saúde pública, na segurança dos alimentos e na economia da pecuária no Brasil. Este estudo mostrou que, mesmo com normas sanitárias e inspeções formais, a doença continua bastante presente em várias regiões, especialmente onde há saneamento precário, muitos abates feitos de forma informal e serviços de assistência técnica frágeis.  

Foi observado que a inspeção visual após a morte, que é o principal método utilizado nos frigoríficos atualmente, tem uma sensibilidade limitada. Isso significa que muitas vezes as ocorrências da doença não são identificadas corretamente, dificultando o entendimento real de como ela circula. A presença de cisticercos vivos ou calcificados nas carcaças indica que há circulação da teníase humana em áreas vulneráveis, revelando problemas na estrutura dos sistemas de vigilância, na infraestrutura sanitária rural e na eficiência das ações de prevenção.  

A abordagem conhecida como Saúde Única, que envolve diferentes setores, tem se mostrado essencial para compreender e controlar a cisticercose de forma mais completa. É importante que haja uma integração entre a saúde animal, a saúde humana e o meio ambiente, especialmente em regiões onde há dificuldades sanitárias e atividades produtivas informais. Essa união é fundamental para interromper o ciclo do parasita. Os dados indicam que medidas isoladas, como apenas reforçar a inspeção ou exigir tratamentos tecnológicos nas carcaças contaminadas, não são suficientes para resolver o problema, devido à complexidade dos fatores sociais e ambientais envolvidos.  

Alguns avanços promissores foram alcançados, principalmente na área de ciência e inovação. Um exemplo é a vacina experimental desenvolvida pela Embrapa, que usa antígenos recombinantes (TSA-9 e TSA-18), e surge como uma alternativa eficaz para proteger os bovinos. Para que essa vacina possa ser usada em grande escala, é necessário criar regulamentações específicas, montar uma estrutura logística adequada e envolver os produtores. Ao mesmo tempo, ferramentas de diagnóstico como a PCR e plataformas digitais de rastreamento ajudam a identificar e controlar problemas com mais eficiência, mas ainda são pouco acessíveis fora de centros de pesquisa ou frigoríficos com maior estrutura técnica.  

Para que as políticas públicas tenham mais efeito, é importante incluir a vacinação nos programas oficiais de sanidade animal, oferecendo incentivos e apoio técnico, especialmente para pequenas propriedades e fazendas familiares. Além disso, recomenda-se usar métodos diagnósticos complementares durante as inspeções, fortalecer a vigilância nas áreas rurais com o uso de dados geoespaciais e realizar campanhas educativas contínuas nessas regiões.  

Na área da ciência, ainda há algumas questões importantes que precisam ser esclarecidas. É necessário realizar estudos de campo para confirmar se as vacinas são eficazes em diferentes regiões e condições de produção. Além disso, é fundamental fazer análises econômicas para avaliar se os benefícios de novas tecnologias valem os custos, especialmente quando comparados aos métodos tradicionais. Criar plataformas de dados integradas, que conectem informações sobre saúde, meio ambiente e economia, também é essencial para tornar as intervenções mais eficientes e bem planejadas.  

Outro ponto importante é entender como os produtores se comportam e se envolvem nas práticas preventivas, identificando possíveis obstáculos culturais, técnicos ou financeiros que possam dificultar o sucesso dessas ações. A presença contínua da cisticercose bovina em várias regiões do Brasil mostra que esse é um problema complicado, que está ligado às desigualdades sociais e à falta de uma gestão sanitária mais integrada e eficiente.  

Para enfrentar essa questão, não basta apenas usar tecnologia. É importante também que haja uma boa coordenação entre as instituições, investimentos em ciência prática e o envolvimento das comunidades rurais nas ações de prevenção. Assim, será possível reduzir os casos da doença, proteger a saúde de todos e manter a competitividade da pecuária brasileira no mercado internacional.   

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¹Graduando em Medicina Veterinária, Faculdade UNA – Santa Cruz. E-mail: gustavo.kbe@hotmail.com;
²Graduanda em Medicina Veterinária, Faculdade UNA – Santa Cruz. E-mail: anna.karolina.ferreira02@gmail.com;
³Graduando em Medicina Veterinária, Faculdade UNA – Santa Cruz. E-mail: diogenesfrancisco@hotmail.com;
⁴Graduanda em Medicina Veterinária, Faculdade UNA – Santa Cruz. E-mail: jb469903@gmail.com