REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510091145
Adria Joventina Delfino dos Anjos1
Ilca Amanda da Silva Tanaka2
Prof. Me: Eva Vilma Alves da Silva3
RESUMO
A pesquisa abordou os benefícios da educação física no desenvolvimento motor de crianças com autismo, destacando sua relevância no aprimoramento das habilidades motoras e na inclusão social. O estudo ressaltou que crianças com autismo enfrentam desafios em áreas como coordenação, equilíbrio e motricidade, mas que a prática de atividades físicas estruturadas pode contribuir significativamente para superar essas dificuldades, promovendo maior autonomia e qualidade de vida. O objetivo geral foi compreender os impactos positivos dessas atividades, considerando a importância de estratégias adaptadas às necessidades específicas dessas crianças. Foi realizada uma revisão de literatura com abordagem qualitativa, baseada em publicações científicas dos últimos anos. A coleta de dados ocorreu nas bases LILACS, Periódicos Capes e Scielo, utilizando descritores como “educação física”, “desempenho motor” e “autismo”. Critérios de inclusão priorizaram estudos publicados entre 2020 e 2024, em português ou inglês, com resultados aplicáveis ao tema. Foram excluídos textos indisponíveis na íntegra e aqueles que não detalhavam métodos e resultados. Essa metodologia permitiu reunir evidências relevantes para fundamentar as discussões. Os resultados apontaram que a educação física promove avanços no controle postural, coordenação e habilidades sociais de crianças com autismo. Estratégias pedagógicas, como o uso de jogos e atividades lúdicas, mostraram-se eficazes no engajamento das crianças, enquanto práticas esportivas adaptadas incentivaram a interação e a autoconfiança. No contexto domiciliar, atividades planejadas também demonstraram impacto positivo, evidenciando a flexibilidade das intervenções. Os dados confirmaram a necessidade de formação continuada dos profissionais envolvidos e de políticas que valorizem práticas inclusivas no ambiente escolar e terapêutico.
Palavras-chave: Educação Física. Desenvolvimento Motor. Autismo. Inclusão social.
1. INTRODUÇÃO
A educação física tem sido amplamente reconhecida como uma área essencial para o desenvolvimento integral de crianças, proporcionando benefícios que vão além do aprimoramento físico, incluindo ganhos emocionais, sociais e cognitivos. No contexto do Transtorno do Espectro Autista, a prática de atividades físicas estruturadas tem mostrado impacto significativo no desenvolvimento motor, promovendo habilidades importantes para a autonomia e interação social. Nesse sentido, a inclusão de estratégias pedagógicas e práticas voltadas às necessidades específicas dessas crianças destaca-se como um campo promissor de investigação e intervenção.
O desenvolvimento motor de crianças com autismo pode ser impactado por características específicas do transtorno, como dificuldades na coordenação motora, no equilíbrio e na motricidade fina e ampla. Compreender como a educação física pode contribuir para superar essas limitações e melhorar a qualidade de vida dessas crianças é fundamental. Sob essa perspectiva, o presente estudo busca aprofundar o entendimento sobre os benefícios da prática de atividades físicas no desempenho motor de crianças com autismo, explorando evidências científicas e metodologias já aplicadas na área.
A pesquisa foi delimitada a uma revisão de literatura com foco na relação entre a prática de educação física e o desempenho motor de crianças com autismo. O problema de pesquisa investigado foi o impacto das intervenções em educação física no desenvolvimento motor dessa população. Nesse contexto, a pergunta que norteia o estudo é: De que forma a prática de educação física contribui para o aprimoramento do desempenho motor de crianças com autismo?
As possíveis respostas para o problema indicam que a prática de atividades físicas planejadas pode melhorar a coordenação motora, o equilíbrio e o controle postural dessas crianças, além de favorecer sua participação em atividades sociais e recreativas. Outras hipóteses incluem a possibilidade de redução de comportamentos estereotipados e o aumento da autoconfiança e independência, elementos frequentemente apontados em estudos da área.
O objetivo geral do estudo foi analisar os benefícios da educação física no desenvolvimento motor de crianças com autismo, a partir da revisão de literatura científica. Como objetivos específicos, buscou-se identificar as principais estratégias pedagógicas utilizadas nas intervenções, discutir os resultados alcançados por diferentes tipos de atividades físicas e apresentar recomendações baseadas nas evidências coletadas.
A relevância deste trabalho acadêmico reside na necessidade de ampliar o conhecimento sobre práticas inclusivas no âmbito escolar e terapêutico, contribuindo para o debate sobre políticas públicas voltadas à educação e saúde. A investigação busca também fornecer subsídios para profissionais de educação física e áreas correlatas, reforçando a importância da inclusão de crianças com autismo em atividades físicas regulares.
2. MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi conduzida utilizando abordagem qualitativa, com foco em uma revisão de literatura que explorou o tema dos benefícios da educação física no desempenho motor de crianças com autismo. A revisão buscou analisar e sintetizar conteúdos disponíveis em artigos científicos publicados entre os anos de 2022 à 2024. A coleta de informações foi realizada nas bases de dados Lilacs, Periódicos Capes e Scielo, empregando descritores como “educação física”, “desempenho motor”, “crianças” e “autismo”, utilizados de forma combinada para garantir abrangência e relevância nos resultados encontrados.
Como critérios de inclusão, foram considerados estudos publicados no período delimitado que apresentavam texto completo disponível e que abordavam de forma clara intervenções ou análises sobre os impactos da educação física no desempenho motor de crianças com autismo. Foram excluídos estudos que não estavam disponíveis em língua portuguesa ou inglesa e aqueles que não detalhavam metodologia ou resultados específicos sobre o tema.
O estudo também incluiu a análise de jurisprudências relacionadas ao tema, compreendendo o período de dois mil e dezenove a dois mil e vinte e três, consultadas nos Tribunais de Justiça do Brasil. A consulta buscou identificar diretrizes, decisões ou interpretações legais relevantes que reforcem a importância de práticas inclusivas em contextos educacionais ou terapêuticos.
Conforme apontado por Lima e Mioto (2007), a revisão de literatura é um procedimento metodológico que permite uma aproximação com os avanços já realizados sobre o objeto de estudo, possibilitando uma análise crítica e a identificação de lacunas que podem orientar novos estudos. Nesse sentido, o presente estudo buscou estabelecer um panorama amplo e fundamentado, a partir de fontes confiáveis e selecionadas com rigor metodológico.
3. EDUCAÇÃO FÍSICA E DESENVOLVIMENTO MOTOR EM CRIANÇAS COM AUTISMO
A educação física desempenha um papel essencial no desenvolvimento motor de crianças com transtorno do espectro autista (TEA), contribuindo significativamente para a melhoria das habilidades motoras e para o fortalecimento da autonomia. A prática regular de atividades físicas, estruturada de acordo com as necessidades específicas dessas crianças, é fundamental para promover avanços em habilidades como equilíbrio, coordenação e controle postural. Padoin et al.(2022) destacaram que a inserção de atividades físicas no cotidiano escolar ou terapêutico pode potencializar não apenas o desenvolvimento motor, mas também favorecer aspectos sociais e cognitivos, uma vez que proporciona um ambiente de interação e aprendizado.
O jogo aparece como um dos principais instrumentos pedagógicos para o desenvolvimento motor em crianças com TEA. Segundo Vieira et al. (2020) atividades lúdicas planejadas têm o potencial de engajar as crianças de maneira mais efetiva, possibilitando avanços na coordenação motora e no equilíbrio. Essas práticas também contribuem para a redução de barreiras comportamentais, como a resistência ao contato social, promovendo um ambiente que incentiva a colaboração e o aprendizado em grupo. No entanto, a efetividade dessas intervenções está diretamente relacionada à capacidade dos profissionais em adaptar os jogos às necessidades individuais, respeitando as especificidades de cada criança.
A inclusão da educação física no desenvolvimento motor não se limita ao ambiente escolar. Sousa et al. (2023) reforçam que as práticas regulares podem ser incorporadas em contextos diversos, desde as intervenções terapêuticas até os momentos de lazer familiar. As atividades físicas, quando integradas a um planejamento estruturado, não apenas melhoram as habilidades motoras, mas também estimulam o desenvolvimento cognitivo e emocional. Dessa forma, as crianças com TEA têm a oportunidade de experimentar ganhos significativos em sua qualidade de vida, expandindo suas possibilidades de interação com o mundo ao redor.
As contribuições da educação física escolar no desempenho motor de crianças com TEA também foram amplamente discutidas por Vitor et al. (2020) , que ressaltam a importância da inclusão dessas práticas em currículos escolares. A escola, sendo um ambiente de aprendizado e socialização, é um espaço privilegiado para a aplicação de atividades motoras adaptadas, permitindo que as crianças desenvolvam habilidades que irão impactar positivamente sua autonomia. A revisão realizada aponta que as aulas de educação física, quando conduzidas com metodologias inclusivas, são fundamentais para o fortalecimento do desenvolvimento motor, proporcionando uma base sólida para a realização de atividades do cotidiano.
No contexto da pandemia, Oliveira et al. (2024) abordaram o impacto das brincadeiras em ambientes domiciliares no desenvolvimento motor de crianças com TEA. Durante esse período, as famílias assumiram um papel central na aplicação de atividades físicas e lúdicas, compensando a ausência de aulas presenciais. O estudo indica que, mesmo em condições adversas, o envolvimento dos pais em práticas direcionadas foi capaz de promover avanços importantes no desempenho motor, reforçando a relevância da educação física como um recurso adaptável a diferentes cenários. Esse contexto também evidenciou a necessidade de maior suporte e orientação para as famílias, especialmente no que se refere ao planejamento de atividades que considerem as limitações e potencialidades das crianças.
A aplicação de instrumentos de avaliação também desempenha um papel relevante no monitoramento do desenvolvimento motor em crianças com TEA. Gusman et al. (2020) utilizaram a escala de desenvolvimento motor para mensurar o progresso das crianças após a realização de atividades físicas estruturadas. Os resultados evidenciam que práticas regulares e direcionadas resultam em melhorias consideráveis em aspectos como força muscular, coordenação motora e equilíbrio. Além disso, a utilização de ferramentas de avaliação permite que profissionais acompanhem o progresso de forma mais precisa, ajustando as intervenções de acordo com as necessidades específicas de cada criança.
As pesquisas revisadas demonstram que as atividades físicas não apenas promovem ganhos motores, mas também impactam diretamente na interação social e na autoconfiança das crianças com TEA, Vieira et al.(2020) destacam que o jogo, quando utilizado como estratégia de intervenção, cria um ambiente seguro e estimulante, no qual as crianças podem explorar suas habilidades de maneira espontânea e criativa. Essa abordagem contribui para a superação de desafios comuns no TEA, como a dificuldade em participar de atividades grupais e o desenvolvimento de habilidades sociais.
Outro aspecto relevante é a necessidade de capacitação dos profissionais de educação física para trabalhar com crianças com TEA. Sousa et al. (2023) enfatizam que a formação adequada é fundamental para que os profissionais possam adaptar as atividades às necessidades específicas de cada criança, respeitando seus limites e incentivando seu progresso. Essa capacitação envolve não apenas conhecimentos técnicos, mas também uma compreensão aprofundada das características do TEA e das melhores práticas para promover o desenvolvimento motor.
A revisão da literatura também evidencia a importância do planejamento adequado das atividades físicas. Vitor et al. (2023) destacam que a falta de estrutura e de objetivos claros pode limitar os benefícios das intervenções, enquanto um planejamento bem elaborado potencializa os resultados. As atividades devem ser organizadas de forma a promover desafios progressivos, incentivando as crianças a superarem suas limitações e a desenvolverem novas habilidades. Esse processo deve ser acompanhado de avaliações regulares, que permitam ajustar as práticas conforme necessário.
Outro ponto discutido é o impacto positivo das práticas motoras no fortalecimento das relações familiares. Oliveira et al. (2024) observaram que, durante o período de isolamento social, a participação ativa dos pais em brincadeiras e atividades físicas contribuiu para estreitar os laços familiares, ao mesmo tempo em que promovia avanços no desenvolvimento motor das crianças. Esse resultado reforça a importância de um enfoque holístico, que integre diferentes esferas da vida das crianças com TEA, potencializando os benefícios das intervenções.
O desenvolvimento motor de crianças com TEA é uma área que demanda atenção contínua e abordagens multidisciplinares. Gusman et al. (2020) ressaltam que o uso de ferramentas de avaliação, associado à aplicação de metodologias inclusivas, oferece um caminho promissor para ampliar o alcance e a efetividade das práticas de educação física. A análise dos resultados obtidos em diferentes contextos reforça a necessidade de um olhar individualizado, que considere as particularidades de cada criança e o impacto de fatores externos, como o ambiente familiar e escolar.
A partir das pesquisas revisadas, fica evidente que a educação física, em suas diferentes modalidades e contextos, desempenha um papel indispensável no desenvolvimento motor de crianças com TEA. Seja no ambiente escolar, terapêutico ou domiciliar, as atividades físicas estruturadas e adaptadas às necessidades específicas dessas crianças oferecem benefícios que vão muito além das melhorias motoras, contribuindo para sua inclusão social e para o fortalecimento de sua autoestima.
3.1 Estratégias pedagógicas para o aprimoramento motor no contexto do transtorno do espectro autista
As estratégias pedagógicas voltadas ao aprimoramento motor de crianças com TEA destacam-se como práticas essenciais no contexto educacional e terapêutico. A formação de professores que atuam diretamente com esse público é um fator determinante para o sucesso dessas intervenções. Santos e Carramillo-Going (2023) ressaltaram que a formação docente é crucial para a implementação de práticas inclusivas, sendo necessário que os profissionais possuam conhecimentos específicos sobre as características do TEA e as melhores estratégias para atender a essa população. A ausência de capacitação adequada pode limitar a eficácia das ações pedagógicas e dificultar a inclusão no ambiente escolar.
No campo das estratégias pedagógicas, os jogos sérios surgem como um recurso tecnológico inovador que tem sido amplamente explorado para promover o aprendizado e o desenvolvimento motor de crianças com TEA. Pires et al. (2023) apontaram que essas ferramentas oferecem ambientes controlados e interativos, onde as crianças podem explorar suas habilidades motoras de forma segura e envolvente. Por meio de atividades que simulam situações do dia a dia, os jogos sérios não apenas incentivam a prática de movimentos específicos, mas também promovem o engajamento e a motivação das crianças. Essa abordagem é especialmente relevante para indivíduos com TEA, que frequentemente apresentam dificuldades em participar de atividades motoras convencionais.
O esporte também se apresenta como uma estratégia pedagógica eficaz para o aprimoramento motor e social de crianças com TEA. Mata et al. (2023) destacaram os benefícios da prática do futebol, que promove o desenvolvimento de habilidades motoras, como coordenação, agilidade e equilíbrio, além de estimular a interação social e o trabalho em equipe. Essa modalidade esportiva, quando adaptada às necessidades das crianças, oferece um ambiente inclusivo e desafiador, favorecendo tanto o desenvolvimento físico quanto o emocional. A prática esportiva proporciona oportunidades únicas de interação e aprendizado, auxiliando na construção da autonomia e da autoconfiança.
No contexto da educação formal, a inclusão de estratégias didáticas específicas também tem sido amplamente estudada. Mello e Pereira observaram que práticas de ensino adaptadas, aliadas à formação continuada de professores, resultam em melhores resultados no processo de aprendizagem de crianças com TEA. A utilização de recursos visuais, materiais concretos e atividades práticas permite que os alunos compreendam os conteúdos de forma mais eficaz, enquanto desenvolvem suas habilidades motoras de maneira integrada. A formação continuada de professores, nesse sentido, é fundamental para que eles estejam preparados para aplicar essas metodologias com eficiência.
O planejamento de intervenções pedagógicas no contexto do TEA deve considerar os princípios dos direitos humanos, assegurando o acesso à educação inclusiva de qualidade. Melo e Da Silva Oliveira destacaram que a implementação de práticas inclusivas alinhadas a esses princípios promove não apenas o desenvolvimento acadêmico, mas também a valorização das diferenças e o respeito às necessidades individuais. O fortalecimento de políticas educacionais inclusivas é um aspecto central para garantir que crianças com TEA tenham oportunidades iguais de participar de atividades escolares que favoreçam o desenvolvimento motor e social.
A utilização de recursos tecnológicos, como os jogos sérios, também é mencionada por Pires et al. (2023) como uma forma de potencializar as estratégias pedagógicas no ensino de crianças com TEA. Essa abordagem oferece um meio eficaz de engajar os alunos, adaptando-se às suas preferências e necessidades. Os recursos tecnológicos permitem um acompanhamento mais detalhado do progresso das crianças, possibilitando ajustes contínuos nas intervenções. Essa personalização é essencial para atender à diversidade de características presentes no espectro, promovendo uma educação mais inclusiva e eficiente.
A interação social promovida pelas práticas pedagógicas também merece destaque no contexto do TEA. Mata et al. (2023) enfatizaram que as atividades esportivas, especialmente as que envolvem trabalho em equipe, favorecem o desenvolvimento de habilidades sociais, como cooperação e empatia. Esses aspectos são frequentemente desafiadores para crianças com TEA, mas podem ser trabalhados de maneira eficaz por meio do esporte. A prática esportiva, além de melhorar o desempenho motor, oferece um ambiente estruturado no qual as crianças podem experimentar interações sociais de forma gradual e segura.
A integração de estratégias pedagógicas no ambiente escolar exige não apenas formação docente, mas também uma mudança na cultura organizacional das escolas. Santos e Carramillo-Going (2023) destacaram que a implementação de práticas inclusivas requer o envolvimento de toda a comunidade escolar, incluindo gestores, professores e famílias. A criação de um ambiente acolhedor e adaptado às necessidades das crianças com TEA é essencial para garantir que essas estratégias sejam aplicadas de maneira eficaz. O apoio da comunidade escolar é um fator decisivo para o sucesso das intervenções pedagógicas voltadas ao desenvolvimento motor.
A formação continuada de professores também é abordada por Mello e Pereira como uma necessidade urgente no contexto da educação inclusiva. A preparação adequada dos educadores permite que eles compreendam as características específicas do TEA e apliquem metodologias que promovam o aprendizado e o desenvolvimento motor. A falta de capacitação pode levar a práticas inadequadas, que não atendam às necessidades das crianças e comprometam seu progresso. Investir na formação docente é, portanto, uma prioridade para assegurar a qualidade das intervenções pedagógicas.
O contexto dos direitos humanos na educação inclusiva também é abordado por Melo e Da Silva Oliveira, que destacaram a importância de garantir que as crianças com TEA tenham acesso a oportunidades educacionais que respeitem sua singularidade. A inclusão não deve ser vista apenas como um direito, mas como uma estratégia para enriquecer o ambiente educacional, promovendo o respeito e a valorização da diversidade. O desenvolvimento motor, nesse contexto, é um dos aspectos que mais se beneficiam de práticas inclusivas, pois está diretamente relacionado à autonomia e à participação social das crianças.
Os jogos com regras continuam sendo uma ferramenta promissora, conforme apontado por Pires et al. (2023) especialmente no contexto das habilidades motoras. Esses recursos permitem que as crianças pratiquem movimentos específicos em um ambiente controlado, o que reduz a ansiedade e aumenta a disposição para o aprendizado. A tecnologia, quando utilizada de forma consciente e adaptada, pode ser um aliado poderoso na promoção do desenvolvimento motor e na inclusão de crianças com TEA em atividades educacionais e recreativas.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise dos benefícios da educação física no desenvolvimento motor de crianças com autismo revela uma série de contribuições significativas, com base nos estudos revisados. A prática de atividades físicas estruturadas emerge como uma estratégia essencial para promover avanços em habilidades motoras e sociais, sendo amplamente destacada pelos pesquisadores. Delgado e Dantas (2022) exploraram como o conhecimento sobre o TEA é tratado na educação inclusiva, destacando a importância de práticas que integram atividades físicas para melhorar não apenas o desempenho motor, mas também a inclusão social dessas crianças.
Tabela 1: resultados da pesquisa
| Nome | Objetivo | Título | Ano |
| Delgado, Salomite; Dantas, Anny Sionara Moura Lima | Analisar como o TEA é tratado na revista Sobama | O trato do conhecimento sobre o transtorno do espectro autista na revista Sobama | 2022 |
| Gusman, Silvia et al. | Investigar o uso da escala de desenvolvimento motor em crianças com TEA | Aplicação da escala de desenvolvimento motor em crianças com transtorno do espectro autista | 2020 |
| Lima, Telma Cristiane Sasso; Mioto, Regina Célia Tamaso | Descrever os procedimentos metodológicos da pesquisa bibliográfica | Procedimentos metodológicos na construção do conhecimento científico: a pesquisa bibliográfica | 2007 |
| Mata, Airton Wesley; Da Silva, Lucas Vinicius Bezerra; Silva, Gilberto Reis Agostinho | Avaliar os benefícios do futebol no desenvolvimento de crianças com TEA | O transtorno do espectro autista e os benefícios da prática do futebol | 2023 |
| Mello, Ana Rita Gonçalves Ribeiro; Pereira, Grazielle Rodrigues | Propor estratégias didáticas para o ensino de ciências com alunos com TEA | Estratégias didáticas para o ensino de ciências com alunos com Transtorno do Espectro Autista | 2023 |
| Melo, Claudete; Da Silva Oliveira, Rita de Cassia | Explorar os princípios dos direitos humanos na educação inclusiva | Princípios dos direitos humanos na educação inclusiva de alunos com transtorno do espectro autista no Brasil | 2024 |
| Oliveira, Isaack Costa et al. | Analisar o impacto das brincadeiras em casa no desenvolvimento motor durante a pandemia | Ambiente domiciliar em período de pandemia: brincadeiras e desenvolvimento motor de crianças com autismo | 2024 |
| Padoin, Susana et al. | Discutir a importância da educação física no desenvolvimento motor de crianças com TEA | A importância da educação física para o desenvolvimento motor de crianças com transtornos do espectro autista | 2022 |
| Pires, Suzerlly VL et al. | Examinar o uso de jogos sérios como ferramentas educativas para crianças com TEA | Jogos Sérios como Subsídio Tecnológico na Educação de Crianças com Transtorno do Espectro Autista | 2023 |
| Santos, Neide Maria; Carramillo Going, Luana | Investigar a formação docente e práticas inclusivas para alunos com TEA | Transtorno do espectro do autismo: formação docente e práticas inclusivas no contexto escolar | 2023 |
| Sousa, Bruna Dayane Morais; Do Nascimento Cardoso, Lídia Raquel; De Oliveira Rocha, Yloma Fernanda | Analisar a colaboração da educação física no desenvolvimento motor e cognitivo de crianças com TEA | Colaboração da Educação Física no desenvolvimento motor e cognitivo de crianças com Transtorno do Espectro Autista | 2023 |
| Vieira, Douglas Alencar; Da Costa, Louise Santos; Monteiro-Santos, Roseane | Explorar o papel dos jogos no desenvolvimento motor de crianças com TEA | A contribuição do jogo no desenvolvimento motor da criança com Transtorno do Espectro Autista | 2020 |
| Vitor, Alexandre Moreira et al. | Identificar as contribuições da educação física escolar para crianças com deficiência | As contribuições da educação física escolar no desempenho motor de crianças com deficiência | 2020 |
Gusman et al. (2020) enfatizaram o papel das avaliações padronizadas, como a escala de desenvolvimento motor, para monitorar os progressos das crianças com TEA em atividades físicas. Nesse sentido, o estudo aponta que a educação física não só aprimora habilidades motoras como equilíbrio e coordenação, mas também fornece um suporte estruturado para adaptar as práticas às necessidades específicas de cada indivíduo, garantindo uma abordagem personalizada e eficaz.
Além disso, Lima e Mioto (2007) destacaram que a pesquisa bibliográfica possibilita uma compreensão aprofundada do impacto das atividades físicas no contexto do TEA, reunindo dados relevantes que fundamentam as práticas educacionais inclusivas. Dessa forma, essa abordagem metodológica contribuiu para identificar lacunas e, consequentemente, reforçar a necessidade de estratégias baseadas em evidências para alcançar melhores resultados no desenvolvimento motor.
De maneira complementar, Mata et al. (2023) exploraram os benefícios da prática esportiva, como o futebol, para crianças com TEA. O estudo mostrou que esportes adaptados podem proporcionar melhorias expressivas em habilidades motoras como agilidade e controle postural, além de incentivar a interação social e a cooperação, aspectos frequentemente desafiadores para esse público. Portanto, a inclusão de esportes no cotidiano das crianças com TEA aparece, portanto, como uma estratégia complementar ao trabalho desenvolvido na educação física.
Mello e Pereira (2023) discutiram a importância da formação continuada de professores para a aplicação de estratégias didáticas que integrem conteúdos acadêmicos e atividades motoras. Nesse sentido, o trabalho destaca que a capacitação dos educadores é fundamental para a adaptação das práticas de ensino às necessidades específicas das crianças com TEA, garantindo uma abordagem inclusiva que considere tanto o desenvolvimento motor quanto o cognitivo.
De forma complementar, Melo e Da Silva Oliveira (2024) abordaram a educação inclusiva como um direito humano, enfatizando a relevância de práticas educacionais que valorizem as diferenças e, sobretudo, promovam oportunidades iguais. No âmbito da educação física, isso implica a criação de ambientes seguros e estimulantes para que as crianças com TEA. Assim, esse estudo evidencia a possam explorar e desenvolver suas habilidades motoras, respeitando suas particularidades.
Além disso, Oliveira et al. (2024) analisaram o impacto das brincadeiras em ambientes domiciliares durante a pandemia, destacando que a prática de atividades lúdicas, mesmo em contextos adversos, contribuiu para avanços no desempenho motor de crianças com TEA. Esse estudo evidencia a flexibilidade e a adaptabilidade das atividades físicas, as quais podem ser realizadas em diferentes ambientes e contextos, mantendo desse modo, sua eficácia no desenvolvimento motor.
Padoin et al. (2022) reforçaram que a educação física deve ser vista como uma ferramenta indispensável para o desenvolvimento motor de crianças com TEA, especialmente quando as práticas são adaptadas às suas necessidades. O estudo destacou que atividades estruturadas não apenas melhoram a coordenação e o equilíbrio, mas também promovem a autoconfiança e a autonomia, aspectos essenciais para a qualidade de vida desses indivíduos.
Pires et al. (2023) exploraram o uso de jogos com regras como ferramentas tecnológicas no contexto do TEA. Os resultados indicaram que, ao envolver as crianças em atividades motoras, esses recursos se mostraram eficazes, proporcionando um ambiente de aprendizado que alia tecnologia e movimento e, consequentemente, promovendo o engajamento e a motivação.
Nessa mesma perspectiva, Santos e Carramillo-Going (2023) analisaram a formação docente no contexto da inclusão de crianças com TEA, destacando que a capacitação dos profissionais é indispensável para a implementação de práticas pedagógicas eficazes na educação física. Assim, o estudo evidenciou que a formação específica possibilita que os professores adaptem suas estratégias, de modo a promover tanto o desenvolvimento motor quanto a inclusão.
De maneira convergente Sousa et al. (2023) reforçaram a importância da educação física no desenvolvimento motor e cognitivo de crianças com TEA. Nesse sentido, o estudo destacou que atividades motoras planejadas, além de promoverem avanços físicos, também auxiliam no desenvolvimento de habilidades cognitivas, como concentração e planejamento, o que, por sua vez, contribui para o progresso global das crianças.
Em complemento a essa perspectiva, Vieira et al. (2020) discutiram o papel dos jogos no desenvolvimento motor de crianças com TEA, destacando que essas atividades lúdicas são fundamentais para engajar os alunos e, ao mesmo tempo, promover melhorias em habilidades como coordenação motora e equilíbrio. Os resultados indicaram que, quando estruturados de forma inclusiva, os jogos criam um ambiente de aprendizado que favorece o desenvolvimento integral.
Ampliando essa discussão, Vitor et al. (2020) ampliaram a discussão ao analisar as contribuições da educação física escolar para crianças com deficiências, incluindo TEA. O estudo ressaltou que, ao adotar práticas inclusivas, a escola possibilita que as crianças desenvolvam não apenas habilidades motoras, mas também competências sociais e emocionais, reforçando, assim, a relevância de ambientes escolares adaptados.
A literatura revisada, portanto, confirma que a educação física desempenha um papel essencial no desenvolvimento motor de crianças com TEA, visto que promove melhorias significativas em habilidades físicas e sociais e, além disso, amplia as possibilidades de inclusão bem como contribui para a qualidade de vida.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo cumpriu seu propósito ao demonstrar como a educação física contribui de maneira significativa para o desenvolvimento motor de crianças com autismo. A análise permitiu compreender que práticas estruturadas e planejadas possibilitam avanços expressivos em habilidades como coordenação, equilíbrio e controle postural, promovendo também benefícios secundários, como a melhoria da interação social e a autonomia. O trabalho ressaltou a importância de adaptar essas atividades às necessidades individuais das crianças, destacando que a personalização das práticas aumenta a eficácia das intervenções.
Os resultados revisados mostraram que a inclusão da educação física no cotidiano das crianças não é limitada ao contexto escolar. Famílias, profissionais e terapeutas podem integrar atividades físicas de forma diversificada, desde o uso de brincadeiras no ambiente doméstico até a participação em esportes adaptados. Essas práticas demonstraram seu potencial tanto em períodos de rotina regular quanto em contextos adversos, como a pandemia, evidenciando sua adaptabilidade e impacto positivo mesmo em condições atípicas.
Outro ponto central foi o papel das estratégias pedagógicas, que se revelaram fundamentais para o alcance dos benefícios observados. A utilização de jogos, atividades lúdicas e recursos tecnológicos, como jogos sérios, mostrou-se eficaz para engajar as crianças e proporcionar um ambiente de aprendizado inclusivo e estimulante. Essas práticas, associadas à capacitação continuada dos profissionais envolvidos, garantem que as intervenções sejam conduzidas de maneira sensível às necessidades das crianças e alinhadas às melhores evidências disponíveis.
A análise também abordou a relevância do monitoramento do progresso das crianças, evidenciando que ferramentas de avaliação são indispensáveis para mensurar os avanços e ajustar as práticas conforme necessário. Essa abordagem sistemática permite acompanhar os efeitos das atividades físicas, garantindo que os objetivos de desenvolvimento motor e social sejam alcançados de forma eficiente e segura.
Com base na revisão realizada, ficou evidente que a educação física vai além de seu papel tradicional, tornando-se uma ferramenta poderosa para o fortalecimento de habilidades motoras, cognitivas e sociais. As práticas analisadas apontaram que, quando implementadas de maneira inclusiva e personalizada, essas atividades não só melhoram o desempenho motor das crianças, mas também promovem maior qualidade de vida e inclusão social, reforçando a importância de políticas e práticas que incentivem sua aplicação ampla e consistente.
6. REFERÊNCIAS
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GUSMAN, Silvia et al. Aplicação da escala de desenvolvimento motor em crianças com transtorno do espectro autista: um estudo exploratório. Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia, v. 7, n. 15, 2020.
LIMA, Telma Cristiane Sasso; MIOTO, Regina Célia Tamaso. Procedimentos metodológicos na construção do conhecimento científico: a pesquisa bibliográfica. Rev. Katál. Florianópolis, v. 10 n. esp. p. 37-45. 2007.
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PIRES, Suzerlly VL et al. Jogos Sérios como Subsídio Tecnológico na Educação de Crianças com Transtorno do Espectro Autista. In: Anais do XXXIV Simpósio Brasileiro de Informática na Educação. SBC, 2023. p. 656-669.
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VIEIRA, Douglas Alencar; DA COSTA, Louise Santos; Monteiro-Santos, Roseane. A contribuição do jogo no desenvolvimento motor da criança com Transtorno do Espectro Autista. Praxia-Revista on-line de Educação Física da UEG, v. 2, p. e2020010-e2020010, 2020.
VITOR, Alexandre Moreira et al. As contribuições da educação física escolar no desempenho motor de crianças com deficiência: uma revisão de escopo. Revista da Associação Brasileira de Atividade Motora Adaptada, v. 25, n. 2.
1Discente do Curso Superior de Licenciatura em Educação Física do Centro Universitário Fametro. Manaus – Amazonas – Brasil. Email: Adriaanjos20@hotmail.com
2Discente do Curso Superior de Licenciatura em Educação Física do Centro Universitário Fametro. Manaus – Amazonas – Brasil. Email: Ilcaamanda56776@gmail.com
3Docente do Curso Superior de Licenciatura em Educação Física do Centro Universitário Fametro. Mestre em Ciência do Movimento Humano. Manaus – Amazonas – Brasil. Email: eva.silva@fametro.edu.br
