THE ROLE OF BIOSTATISTICS IN ADVANCING SCIENTIFIC RESEARCH IN VETERINARY MEDICINE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511220823
Laís de Sousa Pereira; Lara Evelyn Nascimento Santos; Letícia Barbosa Gomes; Sabrynna da Silva Cardoso; Thaina Sousa Damasceno; Orientadores: Bernardo Rurik Aparecido Gomes; Benedita Maryjose Gleyk Gomes
Resumo
No Brasil, a bioestatística tem se mostrado essencial para o avanço da Medicina Veterinária, porque permite que os pesquisadores interpretem os dados de forma clara e confiável. Graças a ela, estudos epidemiológicos, análises de surtos, avaliações sanitárias e pesquisas clínicas tem mais precisão, ajudando os profissionais a entender melhor como as doenças se comportam nas populações animais. Instituições como a USP e a EMBRAPA têm destacado em suas pesquisas que os métodos estatísticos são fundamentais para organizar informações, testar hipóteses e transformar resultados brutos em conhecimento que realmente contribui para a saúde animal. A bioestatística também orienta a construção de estudos bem planejados, desde a escolha do tamanho da amostra até o tipo de análise ideal para cada situação. Isso traz mais segurança às conclusões e fortalece a qualidade científica dos trabalhos desenvolvidos no país. De forma prática, ela ajuda o veterinário a tomar decisões mais acertadas, seja ao avaliar riscos, implementar medidas de prevenção ou interpretar resultados laboratoriais. Assim, a bioestatística se torna uma grande aliada da pesquisa brasileira, garantindo mais clareza e confiança em cada descoberta.
Palavras-chave:
Bioestatística; Medicina Veterinária; Pesquisa Científica; Epidemiologia Animal; Saúde Animal.
1 INTRODUÇÃO
A estatística é um ramo da matemática que possui métodos apropriados para a coleta, a apresentação, a análise e a interpretação de dados de observação. Podemos aplicar a estatística em diversas áreas do conhecimento. Uma delas é a área da saúde, onde a chamamos de bioestatística. A bioestatística desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da pesquisa científica em Medicina Veterinária, ao fornecer os métodos necessários para o planejamento experimental, a análise quantitativa e a interpretação dos resultados obtidos. A utilização adequada de técnicas estatísticas permite determinar tamanhos amostrais apropriados, minimizar vieses, controlar variáveis de confusão e assegurar a validade interna e externa dos estudos. Além disso, a bioestatística é indispensável para a avaliação da eficácia de tratamentos, protocolos clínicos, medidas de prevenção e estratégias de manejo aplicadas às populações animais. Nesse contexto, sua aplicação contribui diretamente para a produção de conhecimento confiável, reprodutível e alinhado aos princípios da Medicina Veterinária baseada em evidências, consolidando-se como ferramenta essencial na prática científica contemporânea.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A bioestatística é uma área essencial para o desenvolvimento científico da Medicina Veterinária, pois fornece métodos que permitem organizar, compreender e interpretar dados de forma segura e precisa. Ao ser aplicada em pesquisas, ela orienta todas as etapas do processo científico, desde a definição da amostra e das variáveis até a escolha das análises adequadas, garantindo que os resultados obtidos sejam confiáveis e representativos. Dessa forma, a bioestatística possibilita ao pesquisador identificar padrões, estabelecer relações entre fatores biológicos e ambientais e compreender melhor a ocorrência de doenças em diferentes espécies animais.
Na epidemiologia veterinária, o uso da bioestatística é indispensável para calcular índices de ocorrência de doenças, avaliar riscos e monitorar surtos. Esses dados auxiliam na elaboração de estratégias de prevenção, controle sanitário e vigilância de zoonoses, contribuindo diretamente para a saúde animal e para a saúde pública. Em pesquisas experimentais, os métodos estatísticos permitem comparar diferentes tratamentos, verificar a eficácia de medicamentos, vacinas e protocolos de manejo, e determinar se as diferenças observadas entre os grupos têm relevância real ou ocorreram por acaso.
Além disso, com o aumento do volume de informações geradas na clínica veterinária, na produção animal e nos laboratórios, a bioestatística se torna ainda mais importante para organizar grandes bancos de dados, identificar tendências e embasar decisões técnicas. Assim, ela fortalece a prática baseada em evidências e melhora a qualidade das pesquisas na área, contribuindo para o avanço científico e para o aprimoramento da saúde e do bem-estar animal.
3 METODOLOGIA
O estudo consiste em uma revisão bibliográfica descritiva e qualitativa, com foco na análise de publicações científicas que abordam a relevância da bioestatística para o avanço das pesquisas em Medicina Veterinária. Essa abordagem permite consolidar e discutir informações teóricas de diferentes autores, evidenciando o papel da bioestatística como ferramenta essencial para a validação científica.
Foram selecionadas fontes publicadas entre 2015 e 2025, período marcado pelo crescimento na aplicação de métodos estatísticos nas ciências veterinárias e biomédicas. Incluíram-se artigos científicos, dissertações, teses e obras de referência reconhecidas, com destaque para bioestatística para os cursos de graduação da área da saúde, de Edson Zangiacomi Martinez (2015), frequentemente utilizada como base conceitual nesse campo.
A análise dos materiais seguiu os princípios da pesquisa descritiva, identificando convergências, divergências e tendências relacionadas à aplicação da bioestatística em contextos veterinários. As informações foram organizadas e interpretadas de forma crítica, ressaltando a importância metodológica da bioestatística na construção e validação de resultados científicos.
O estudo não envolveu experimentação animal nem coleta de dados primários, restringindo-se à investigação documental de produções acadêmicas previamente publicadas, respeitando critérios de confiabilidade, atualidade e relevância das fontes.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A revisão da literatura mostrou que a bioestatística tem papel central na Medicina Veterinária, especialmente em estudos epidemiológicos e clínicos. Métodos como regressão logística, análises multivariadas e modelos de efeitos mistos são amplamente utilizados para identificar fatores de risco, estimar prevalência e compreender a dinâmica de doenças em populações animais. Esses recursos estatísticos têm aumentado a precisão dos resultados e reduzido vieses, fortalecendo a confiabilidade das pesquisas.
Também foi identificado que o cálculo do tamanho amostral é uma etapa crítica para a qualidade dos estudos. Pesquisas recentes apontam que muitas investigações veterinárias falham ao definir amostras adequadas, o que compromete a validade dos achados. Por outro lado, estudos que empregam técnicas apropriadas de estimativa amostral, como simulações ou ajustes para dados hierárquicos, apresentam resultados mais robustos e representativos.
Outro ponto destacado nos materiais analisados é a crescente valorização do ensino de bioestatística na formação veterinária. Instituições de ensino têm adotado metodologias mais práticas, como resolução de problemas e estudos de caso, para facilitar a compreensão das análises estatísticas. Essa abordagem contribui para que os futuros profissionais desenvolvam capacidade de interpretar dados, avaliar pesquisas e aplicar evidências científicas na prática clínica e na saúde animal.
Além disso, pesquisas de maior escala demonstram que a bioestatística apoia diretamente a vigilância sanitária e o manejo de rebanhos, permitindo a análise de dados espaço-temporais e a identificação de surtos com maior precisão. Esses resultados evidenciam que o uso adequado de métodos estatísticos transforma dados complexos em informações úteis para decisões técnicas.
Por fim, a revisão mostrou que ainda existem desafios, especialmente no relato incompleto dos métodos estatísticos utilizados. Muitos artigos não descrevem claramente os testes aplicados ou os critérios de análise, o que dificulta a reprodutibilidade. Assim, fica evidente a necessidade de maior rigor e transparência no uso e na apresentação das análises estatísticas em pesquisas veterinárias.
5 CONCLUSÃO
A análise da literatura evidencia que a bioestatística se consolidou como um pilar indispensável para o fortalecimento da pesquisa em Medicina Veterinária no Brasil. Ao fornecer métodos capazes de organizar informações, reduzir vieses e sustentar interpretações confiáveis, essa área do conhecimento amplia a precisão científica e favorece a produção de resultados reprodutíveis e relevantes para a saúde animal. Estudos epidemiológicos, avaliações clínicas e investigações experimentais tornam-se mais robustos quando embasados em técnicas estatísticas adequadas, refletindo diretamente na qualidade das decisões tomadas no campo e no ambiente laboratorial.
Além de potencializar a compreensão sobre a dinâmica das doenças e a eficácia de tratamentos, a bioestatística contribui para a formação de profissionais mais críticos e preparados para lidar com dados complexos. O fortalecimento do ensino dessa disciplina e a ampliação de metodologias práticas nas instituições de ensino superior demonstram um movimento crescente em direção a uma Medicina Veterinária baseada em evidências, mais segura e alinhada às demandas científicas contemporâneas.
Entretanto, a revisão também aponta desafios persistentes, especialmente no relato detalhado dos procedimentos estatísticos utilizados nas pesquisas. A falta de transparência metodológica limita a reprodutibilidade e compromete a confiabilidade dos achados. Por isso, torna-se essencial que a comunidade científica invista em maior rigor na descrição dos métodos, reforçando a bioestatística como ferramenta estruturante para o avanço do conhecimento veterinário.
Assim, fica evidente que a bioestatística não apenas apoia, mas transforma a prática científica na Medicina Veterinária, ao permitir que dados se convertam em conhecimento seguro, aplicável e capaz de promover melhorias significativas na saúde e no bem-estar animal.
REFERÊNCIAS
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