REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202601222204
Denize Parentes Aguiar2
Resumo
A educação de jovens e adultos trava uma batalha de reingressar na educação esses alunos que por algum motivo levaram a abandonar os estudos no tempo regular. As metodologias utilizadas dentro da sala de aula incentivam os alunos a permanecerem empenhados nesse objetivo. Diante desses desafios na área da educação, optou-se como temática dessa pesquisa “A Evasão na Educação de Jovens e Adultos (EJA) na escola Municipal Alegria de Saber Município do Rio Preto da Eva-Amazonas/Brasil, no período de 2023-2024”. Tendo como objetivo geral: Conhecer quais os motivos que levam a evasão dos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Alegria de Saber, Município de Rio Preto da Eva-Amazonas/Brasil, no período de 2023-2024. A pesquisa partiu de uma metodologia descritiva e interpretativa com o enfoque qualitativo-quantitativo, através da realização de questionários aplicados para professores, realizando dessa forma a discussão das falas dos pesquisados. Constatou-se que, as metodologias empregadas nas salas de aula precisam serem mais inovadoras para assim impulsionarem o aprendizado dos alunos e evitar a evasão escolar.
Palavras chave: EJA, Evasão, Ensino Aprendizagem.
ABSTRACT
Adult education faces a challenge in reintegrating students who, for various reasons, dropped out of school during the regular timeframe. The methodologies used in the classroom encourage students to remain committed to this goal. Given these challenges in education, this research focuses on the theme “Dropout in Adult Education (EJA) at the Alegria de Saber Municipal School in Rio Preto da Eva, Amazonas/Brazil, during the period of 2023-2024”. The general objective was to understand the reasons for student dropout in Adult Education (EJA) at the Alegria de Saber Municipal School in Rio Preto da Eva, Amazonas/Brazil, during the period of 2023-2024. The research employed a descriptive and interpretive methodology with a qualitative-quantitative approach, through questionnaires administered to teachers, thus allowing for a discussion of the respondents’ statements. It was found that the methodologies used in classrooms need to be more innovative in order to boost student learning and prevent school dropout.
Keywords: EJA, Dropout, Teaching and Learning.
INTRODUÇÃO
A educação de adultos compreende a educação formal e permanente, a educação não formal e toda a gama de oportunidade de educação informal, e ocasional existente em uma sociedade educativa e multicultural, na qual se reconhecem os enfoques teóricos baseados na prática. Diante dessa importância, dentro das escolas observa-se uma necessidade em utilizar as metodologias como forma de aprimorar a forma de obter conhecimentos e evitar a evasão escolar dos jovens e adultos.
A evasão é um dos temas polêmicos que norteia o trabalho pedagógico na escola. Nesse sentido, é preciso considerar que a evasão escolar é uma situação problemática, que se produz por uma série de determinantes. Pois, os inúmeros problemas de ordem econômica e social afastam o aluno de participar da sociedade de forma crítica e consciente. Diante disso procurou-se saber: Quais os motivos que levam a evasão dos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Alegria de Saber, Município de Rio Preto da Eva-Amazonas/Brasil, no período de 2023-2024.
Atualmente a evasão escolar em todos os níveis de escolaridade se apresenta como um problema que aumenta cada vez mais e afeta principalmente as escolas públicas. O aumento dos índices de evasão escolar está intimamente ligado à necessidade que os jovens possuem de trabalhar e contribuir com a renda da família, o que consequentemente ocasiona o aumento do abandono dos adolescentes das salas de aula. Para tanto se justifica esta pesquisa, tendo em vista que a EJA – Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino destinada a jovens e adultos que não tiveram acesso ou que, por algum motivo, não puderam concluir o ensino na idade própria. É um curso ofertado a jovens a partir dos 15 anos de idade, pela Secretaria de Educação, presencial ou à distância.
Em face disso, é fundamental que a política de inclusão que contemple as diferenças supere o aspecto social, visto que se trata de uma noção mais ampla e politizada de inclusão, que tem como eixo o direito ao trato democrático e público da diversidade em contextos marcados pela desigualdade e exclusão social. Destacando que é dever do Estado garantir a universalidade dos direitos do cidadão, superando as desigualdades sociais e incorporando a diversidade, independente de raça, gênero, etnia, orientação sexual, dentre outros eixos discriminatórios que norteiam as políticas afirmativas que reforçam as políticas universais de combate à discriminação e à desigualdade. Este trabalho é viável devido a sua relevância como pesquisa, pois as questões a serem tratadas, além de serem atuais é um tema que vem sido debatido nas próprias instituições de ensino.
EJA: UM DESAFIO NO ENSINO APRENDIZAGEM
O ensino aprendizagem na EJA apresenta inúmeras dificuldades e desafios, haja vista que em geral seu público alvo são pessoas que desde cedo estão inseridas no mercado de trabalho, por enfrentarem vários percalços, portanto, a permanência na escola se torna um desafio. O aluno da EJA já possui opinião formada acerca de diversos assuntos, desenvolvida ao longo da vida. Devido a pluralidade de especificidades que o cerca, assim, a função de alfabetizar, ensinar a ler e a interpretar se torna uma dificuldade maior tanto para quem ensina quanto e para quem aprende, pois cada um tem diferentes ritmos de desenvolvimento (MACHADO, 2016).
Para Santos (2015, p. 09), “[…] é preciso reconhecer a pessoa que busca na EJA as condições para alcançar o conhecimento como alguém que geralmente está à margem social e do mundo do trabalho”. Por se tratar de um público heterogêneo em idade, mas com objetivos distintos, os professores precisam atuar de forma diferenciada com este público. Muitos dos jovens e adultos que procuram uma turma de EJA buscam a aprendizagem para ascender no mercado de trabalho, ingressar no mercado de trabalho para aqueles que estão desempregados e o desejo pela escolarização após muitos anos fora da sala de aula. Isso reforça a necessidade de oferta diferenciada nessa modalidade (OLIVEIRA, 2020).
Para além de mudanças que competem ao trabalho docente, historicamente há a necessidade de mudanças educacionais, mas tais modificações precisam partir de políticas públicas bem-intencionadas, pois se nada for feito no âmbito governamental, nada se resolverá, e os pontos de qualidade de ensino se comparados com outros países continuarão abaixo do esperado. Neste sentido, a postura dos educadores deve estar alinhada a uma práxis de ensino aprendizagem que promova mudanças qualitativas na EJA, ou seja, a partir do momento que esses profissionais assumem que seu papel é primordial na educação (GRIFANTTI; BERTOTTI, 2013).
A conduta política e pedagógica do educador que atua na EJA influencia significantemente seu compromisso ético e profissional, pois quanto maior for o seu engajamento político na efetivação dos direitos dos educandos, via práticas pedagógicas transformadoras, melhor serão os resultados obtidos na leitura, compreensão e interpretação de textos e debates acerca de assuntos que permeiam a sociedade. Porque estes são elementos fundamentais à formação crítica e reflexiva dos/as estudantes da EJA (SANTOS, 2015).
Mesmo com todo esse progresso, pouco se fala sobre a formação dos/as educadores/as que promovem a alfabetização. A crítica em torno da falta de uma formação específica para professores da EJA, e a falta de uma didática e conteúdos voltados para atender as necessidades destes alunos ainda perdura e está cada vez maior e mais complexa (OLIVEIRA, 2020).
Machado (2016, p. 434), sobre o início da atuação de professores na EJA e as políticas oficiais de educação de adultos, explana que:
Os professores da EJA que iniciaram sua atuação na educação básica, nos anos 1980, devem se lembrar de que, na maioria dos estados brasileiros, a oferta do Mobral e das classes de Ensino Supletivo era de acesso restrito para os professores, pois para o primeiro eram recrutados monitores e, para o segundo, dependendo da demanda, eram feitos contratos temporários de professores. As políticas oficiais de educação de adultos deixaram marcas muito significativas no imaginário da população, que até hoje ainda podem ser identificadas, sobretudo com um tratamento pejorativo, chamando de “mobral” ou “supletivo” às pessoas que tem pouco conhecimento sobre qualquer coisa.
Arroyo (2006) reitera que o perfil desse/a educador/a se encontra em construção, dessa forma, cabe a educação o desafio para inventar esse perfil e construir sua formação. Para tal feito é necessário investir em políticas fechadas para a formação de educadores da EJA. Estas indagações são de suma importância para compreender todas as tensões acerca da temática apresentada e exige contínuas reflexões (OLIVEIRA, 2020). Machado (2016, p. 435) ao refletir sobre a visão marcada que a EJA ainda carrega acerca de propostas aligeiradas para o Ensino Fundamental e médio, reconhece que:
Em grande parte, o que estas experiências defendiam era que se precisava reduzir tempo e conteúdo para que o aluno “terminasse logo” o que vinha fazer, porque ele tinha pressa e o mercado de trabalho que o esperava, também. O argumento não é de todo falso, em geral, jovens e adultos que retornam a escola de fato, não querem perder tempo, todavia a questão que se coloca é: mas o que é mesmo ganhar tempo? É sair de um processo de escolarização o quanto antes, não importa se o conhecimento foi ou não acessado e produzido ali, apenas ter um certificado? Com essas indagações voltamos à segunda parte do argumento: será mesmo que o mercado de trabalho, há vinte anos e, sobretudo hoje, emprega trabalhadores apenas porque têm um certificado para apresentar? (MACHADO, 2016, p.435).
Diante dessas indagações, observa-se que o grande desafio dos educadores da EJA, consiste em incluir os alunos, ampliar os seus conhecimentos e prepara-los para o mercado de trabalho, por compreender que a aprendizagem continua em todas as fases da vida não apenas na infância e juventude. Nessa trajetória de ensino aprendizagem há uma vasta diversidade cultural, o docente diante desse cenário, precisa trabalhar conceitos, que não se limitem apenas ao ensino do conteúdo de sala de aula, mas que promovam uma transformação social (GRIFANTTI; BERTOTTI, 2013).
Segundo Freire (2002) os educadores e os educandos precisam interagir no intuito de abarcar um diálogo que leva a constituição de um pensamento crítico, considerando a cultura e um ensino-aprendizagem que levam em consideração as vivências dos alunos, tendo como princípio, a concepção de um indivíduo que tenha consciência de sua participação na sociedade. Nesta perspectiva, os professores devem ser amigo, prestativo e demonstrar confiança ao alunado. Só assim este docente realizará um bom trabalho (OLIVEIRA, 2020).
A baixa estima dos alunos também influencia no trabalho docente, porque torna-se mais difícil a aprendizagem e como consequência o ensino, fazendo parte do processo da educação o apoio por meio dos professores, e o estímulo para que esses alunos participem do processo de aprendizagem de maneira significativa (OLIVEIRA, 2020). Santos e Soares (2019, p. 08) reconhecem que: “O processo de formação do conhecimento crítico do aluno é fundamental, sendo o professor parte desse processo necessário para a realização pessoal e para a progressão do aluno na sociedade que procura novos espaços através da educação”.
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM E PERCEPÇÃO DOS ALUNOS DA EJA
As dificuldades de aprendizagem dos estudantes da EJA podem partilhar semelhanças com a daqueles que estão inseridos no ensino regular. Entretanto, se diferem uma vez que os estudantes da EJA se encontram inseridos no contexto socioeconômico (mercado de trabalho), tendo constante contato com aqueles que já são alfabetizados, dando a eles particularidades próprias (como por exemplo, tiveram que desistir dos estudos no passado; estão na EJA por escolha, não obrigação; podem ter família constituída; obrigações com afazeres domésticos; entre outras particularidades) (FREITAS; LOURENÇO, 2015).
As dificuldades de aprendizagem dos alunos da EJA geralmente estão associadas a questões do cotidiano, que podem se configurar como algo que impede que se prossiga nos estudos ou que influencia no desenvolvimento de dificuldades ou sua manutenção. Essas causas podem ser o local onde mora; a carga horária de trabalho (produtivo); ter família constituída e responsabilidades no lar, como educação dos filhos e sustento. O estresse também pode ser um fator, assim como questões econômicas, sociais, culturais e políticas do indivíduo (SANTOS, 2015; VASCONCELOS, 2018). Além disso, é preciso ter a compreensão de que há fatores históricos que influenciam isso, como por exemplo, a privação ao estudo no passado.
Além disso, as práticas pedagógicas, as estratégias traçadas para usar na EJA também podem se configurar como causa de dificuldades de aprendizagem, uma vez que “a educação oferecida a esses sujeitos será referenciada no currículo elaborado para crianças e adolescentes, o que contraria a sua especificidade estabelecida nas leis que regem a Educação de Jovens e Adultos” (SANTOS, 2015, p. 7).
As questões metodológicas são tratadas como um dos maiores desafios para a EJA, exigindo dos educadores que lidem com naturalidade com questões muito amplas devido às particularidades desse grupo. Em sua maioria, já sabem se comunicar, ler e escrever. Apesar disso, possuem suas próprias dificuldades, que muitas vezes estão relacionadas com o seu contexto sociocultural ou vivências pessoais de discriminação e exclusão. Assim, a educação dessas pessoas deve contemplar aspectos multiculturais, dialogando com os saberes formais, acadêmicos e informais que esses indivíduos carregam (SANTOS, 2015).
Ferrari e Amaral (2005) argumentam que uma das maiores queixas dos professores que trabalham na EJA é ter que lidar com diferentes faixas etárias ao mesmo tempo. Os jovens e adultos inseridos na educação partilham semelhanças, como não terem estudado na idade apropriada, buscarem um emprego melhor, uma formação e capacitação profissional ou manter-se em determinada posição no trabalho, entretanto, se diferenciam em alguns aspectos como biológicos e psicológicos (FERRARI, AMARAL, 2005; GOMES, LIMA, 2019).
Freire (1989) relata sobre a importância em saber ler o mundo para então aprender a ler as palavras:
A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto (FREIRE, 1989, p. 9).
Assim, valoriza-se o contexto em que o sujeito está inserido, no qual ele vai aprender a ler o mundo a sua volta e a alfabetização vai permitir que escreva aquilo que conhece. Desse modo, torna-se fundamental compreender as particularidades desses estudantes, seu contexto socioeconômico e cultural, para então dialogar com as estratégias educacionais utilizadas. A alfabetização, segundo Freire (1989), não visa que o aluno memorize textos ou descrições para aprender sobre algo, mas sim, que aprenda para então memorizar.
Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só apreendendo-a seriam capazes de saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do elo não se constitui em conhecimento do objeto. Por isso, é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela portanto resulta o conhecimento do objeto de que o texto fala (FREIRE, 1989, p. 12).
Dessa forma, o professor deve atuar como um mediador, considerando que apesar do estudante: […] necessitar da ajuda do educador, como ocorre em qualquer relação pedagógica, não significa dever a ajuda do educador anular a sua criatividade e a sua responsabilidade na construção de sua linguagem escrita e na leitura desta linguagem (FREIRE, 1989, p. 13). Assim, o docente deve atuar como um facilitador para o conhecimento, ajudando, contribuindo para que o estudante construa o saber, ou seja, atuará apenas como um mediador, de modo que o professor não deverá anular as características que o estudante carrega.
Freire critica esse método de ensino para adultos que é mais mecanizado, ele diz que a “palavra é como se fosse um amuleto, algo justaposto ao homem que não a diz, mas simplesmente a repete. Palavra quase sempre sem relação com o mundo e com as coisas que nomeia” (FREIRE, 1981, p. 11). Assim, ele aponta que o ensino não dialoga com a realidade desses estudantes, que as cartilhas não são escritas por quem deveriam ser. Desse modo, quando se fala na EJA, é preciso considerar o contexto desses estudantes, assim como a sua percepção sobre o ensino. Calháu (2008) aponta que esses alunos não veem a escola como um ambiente de acolhimento, por isso, é difícil desenvolver um sentimento de pertencimento. O analfabetismo dos adultos é visto como vergonhoso, fazendo com que se sintam incapazes de aprender, se culpando por isso, e se sentindo inferiores a sociedade alfabetizada.
Assim, torna-se difícil o processo de aprendizado, uma vez que eles se sentem desconfortáveis diante de algumas tarefas como a produção de um texto, como também, não se sentem capazes de adquirir esses conhecimentos e de se expressarem (CALHÁU, 2008). Logo, é preciso que a educação do adulto seja diferenciada da educação daqueles em idades apropriadas, sendo necessária a existência de um diálogo entre o ensino e a realidade do educando e a consideração do que este sente em relação a sua educação, para assim, conseguir incluí-lo, fazer com que sinta pertencente ao ambiente escolar.
O PROFESSOR E AS METODOLOGIAS NO CONTEXTO ESCOLAR DA EJA
A comunicação entre os seres humanos teve papel central para o desenvolvimento civilizatório. Em qualquer que seja a aplicação, a comunicação, a escrita, o texto tem fluidez na vida de todas as pessoas, percebam elas ou não. Nos dizeres de Martins (2021):
Em toda sociedade o texto tem papel essencial, seja ele oral ou escrito. É necessário salientarmos a responsabilidade da escola no desenvolvimento e no reconhecimento textual, de maneira que os estudantes tenham consciência da importância da escrita e da leitura em sua vida social. (MARTINS, 2021, p.42).
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN (BRASIL, 1998, p. 26), que é uma coleção de documentos que compõem a grade curricular com validade para todo o território nacional e que foi elaborado a fim de servir como ponto de partida para o trabalho docente, norteando as atividades realizadas na sala de aula, traz a seguinte observação: “[…] cabe, portanto, à escola viabilizar o acesso do aluno ao universo dos textos que circulam socialmente, ensinar a produzi-los e interpretá-los”. Assim, a escola é uma das grandes responsáveis por viabilizar a ponte entre o conhecimento e a realidade na vida dos estudantes. Ainda sobre a questão, Lerner (2002, p. 18) afirma que:
O necessário é fazer da escola um âmbito onde leitura e escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidade que é necessário assumir.( LENER, 2002, p.18).
O autor chama a atenção para o fato de a escola chamar para si a responsabilidade para dar conta de tamanha responsabilidade que já sua de ofício, mas tem enfrentado dificuldades em se fazer efetiva nos últimos anos. Para reforçar essa ideia e especializar as responsabilidades, Simões et al. (2013, p. 47) deixam claro que: “é função da escola, e em especial, da educação linguística – nas aulas de português, de literatura e de outras línguas – ampliar o papel da escrita na vida dos estudantes”. Dessa forma deixam claro onde deve estar o foco do processo.
Para Martins (2021, p. 21), a cidadania deve ser uma das principais finalidades do ensino de língua portuguesa. Daí a importância de propor temas atuais para despertem o debate crítico e construtivo, principalmente entre os jovens. A escrita é um dos instrumentos que fortalece a cultura, pois os registros se tornam menos propensos a serem perdidos com o tempo, portanto o texto é fundamental para a manutenção e fortalecimento da cultura e das tradições. A esse respeito Lerner (2002, p. 17) contribui em sua afirmativa:
Participar da cultura escrita supõe apropriar-se de uma tradição de leitura e escrita, supõe assumir uma herança cultural que envolve o exercício de diversas operações com textos e a colocação em ação de conhecimentos sobre a relação entre os textos, entre eles e seus autores, entre os autores, os textos e seu contexto. (LENER, 2002,p.17).
A produção de textos na escola, deve então, ser uma atividade que precisa ir muito além das questões das técnicas gramaticais, deve fazer sentido para a vida.
Assim, há a pertinente necessidade de saber “por que motivo” e “para quem” se deve escrever. Dessa forma haverá interatividade e resposta sobre o que foi produzido, bem como será extrapolada a mera correção gramatical (VALE, 2017). Essa aludida interatividade pode se tornar a criação mais interessante, dado que as ideias posts e organizadas no papel serão transmitidas a quem tenha interesse sobre o contexto textual e não se deterá somente sobre as falhas ou os acertos da norma culta da língua. Para consolidar essa ideia, vale apreciar a reflexão de Dolz e Schneuwly (2004, p. 212) quando falam: “para tornar possível a comunicação, toda sociedade elabora formas relativamente estáveis de textos que funcionam como intermediários entre o enunciador e o destinatário”.
Por fim, para que um texto tenha ou faça realmente sentido, na perspectiva de que os estudantes possam desenvolvê-lo bem, na forma escrita, é preciso que tenham prévio conhecimento acerca do assunto tratado. É preciso que tenham em mente como será a esquematização da articulação entre o idealizador do texto e o leitor. Deve também saber que sua produção terá realmente um leitor e uma finalidade (VALE, 2017). Ao analisar tal visão, Gomes (2009) afirma que, a respeito do ensino da escrita, embora fazendo par com a leitura, é necessário compreender que essas são duas práticas complementares e fortemente relacionadas que não podem ser trabalhadas de formas separadas. Uma precisa ser desenvolvida em função da outra, do contrário não haverá um real de produção de conhecimento. Portanto, sem finalidade ou valor para a vida.
Com o desenvolvimento social dos povos, a escrita teve avanços e se tornou um dos principais instrumentos de poder e dominação, por meio dela os governantes emanavam suas decisões, as normas e as tradições podiam ser passadas de uma geração para a outra. Mas apesar dos avanços a escrita e a leitura era restrita a poucos e não era acessível à maior parte da população (VALE, 2017). Os registros históricos demonstram que em diversas ocasiões a linguagem escrita, em particular a culta, era restrita a um grupo seleto de pessoas. No Antigo Egito a escrita e a leitura eram exclusivas à família do Faraó, altos funcionários do Governo e aos Escribas. Na Idade Média ocidental, praticamente aos integrantes da Igreja católica. Em outras civilizações era praticamente a mesma regra (MARTINS, 2021).
O acesso à escrita e leitura só passaram a fazer parte do cotidiano da população quando se tornaram estratégicos para os governantes, de acordo com os interesses e épocas diferentes. No mundo ocidental isso ocorreu com mais intensidade a partir do período renascentista quando a Igreja católica começou a perder seu poder ao mesmo tempo que passou a criar Ordens missionárias que utilizavam a alfabetização para catequisar e conseguir novas almas para a Igreja (MARTINS, 2021).
Buscar formas de aproximar o aluno do conhecimento tem sido uma das maiores preocupações dos docentes nas instituições de ensino, visto que os discentes estão cada dia mais difíceis para aprender de forma tradicional. Uma das múltiplas maneiras de aproximar o aluno do conhecimento, de forma natural é criar metodologias que despertem o seu interesse em aprender e não somente enchê-los de conteúdos que não condizem, ou estão aquém da sua realidade (NASCIMENTO, 2022). Bacich e Moran (2017) assinala que a aprendizagem é ativa.
É através dela que se processa desde o momento do nascimento e caminha no decorrer da vida, enfrentando desafios complexos que visam a ampliação de nossa percepção de conhecimento, competências mais libertadoras e realizadoras (NASCIMENTO, 2022). A metodologia ativa parece apropriada à realidade atual, pois, ainda segundo Miranda (2016, p.23): “Este modelo nos inspira a continuarmos insistindo no pensar e na prática de estratégias didáticas criativas que mobilizem aprendizagens produtivas, criativas e efetivas em nossas escolas”. (MIRANDA, 2016, p.23).
Trabalhando os saberes com ativa participação dos educandos são construídos sentidos pelo próprio aluno a respeito de determinada situação – problema que envolve o âmbito educacional. Sobre a metodologia ativa Bacich (2018, p. 27) enfatiza que, “as metodologias ativas constituem alternativas pedagógicas que colocam o foco do processo de ensino e de aprendizagem no aprendiz, envolvendo-o na aprendizagem por descoberta, investigação ou resolução de problemas”. Ainda conceituando metodologias ativas, bem como seu papel no processo educativo, confirma Mattar (2017, p. 21), “pode-se conceber uma educação que pressuponha a atividade (ao contrário da passividade) por parte dos alunos”. Dessa forma ainda segundo Mattar (2017), aprender à luz das metodologias ativas é uma experiência social, pois o conhecimento vem de diferentes informações que se processa no dia a dia do aluno.
Dado o exposto, nas metodologias ativas o centro da aprendizagem é o aluno e não o professor. Ao professor cabe orientar situações que despertem o interesse do aluno na sua própria aprendizagem (NASCIMENTO, 2022). Ainda segundo Westbrook apud Dewey (2010, p. 20): “já é intensamente ativa e a incumbência da educação consiste em assumir a atividade e orientá-la”, dessa maneira o papel do professor é de orientador ou facilitador da aprendizagem, mostrando inúmeros caminhos onde o aluno possa percorrer. A esse respeito, a escola como um ambiente de construção do conhecimento, Dewey (1894) corrobora que:
Cada vez mais tenho presente em minha mente a imagem de uma escola cujo centro e origem seja algum tipo de atividade verdadeiramente construtiva, em que o trabalho se desenvolva sempre em duas direções: de um lado, a dimensão social dessa atividade construtiva e, de outro, o contato com a natureza que lhe proporciona sua matéria-prima. Teoricamente posso ver como, por exemplo, o trabalho de carpintaria necessário para a construção de um projeto que será o centro de uma formação social, por uma parte, e de formação cientifica, por outra – todo ele acompanhado de um treinamento físico, concreto e positivo da vista e das mãos”. (DEWEY apud WESTBROOK e TEIXEIRA, 2010, p. 22).
Embora com mais de um século, percebe-se que Dewey já demonstrava preocupação com a questão do processo de ensino e aprendizagem. Para ele o ensino deveria privilegiar a atividade construtiva (ativa), aliada a formação científica (NASCIMENTO, 2022). A metodologia é uma palavra, cujo registro é datado de 1858, que etimologicamente compõe-se de três termos gregos: metá (atrás, através); hodós (caminho) e logos (ciência, tratado) que respectivamente significam caminho a ser traçado ou caminho através do qual se busca algo. Atualmente segundo Saconni, (2001, p. 608), metodologia significa: “Ramo da pedagogia que se ocupa da análise da matéria a ser ensinada e dos métodos de ensiná-la”. Parece muito pobre semanticamente, dada a sua implicação na atuação dos diversos campos do saber (NASCIMENTO, 2022).
Se a metodologia, na definição de Saconni, trata das matérias e como ensinálas. Percebe-se, então, que nas metodologias ativas tratam das matérias e da maneira como o aluno assimilará, mas agindo ativamente por meio de situações reais, como bem corrobora Camargo e Daros (2018), assinala que:
As metodologias ativas de aprendizagem se apresentam como uma alternativa com grande potencial para atender às demandas e desafios da educação atual. Diante do exposto, defende-se que as metodologias ativas apresentam uma alternativa pedagógica capaz de proporcionar ao aluno a capacidade de transitar de maneira autônoma por essa realidade, sem se deixar enganar por ela, tornando-o também capaz de enfrentar e resolver problemas e conflitos do campo profissional e produzir um futuro no qual, a partir da igualdade de fatos e de direito, cresçam e se projetem as diversidades conforme as demandas do século XXI. (CAMARGO; DAROS, 2018, p.12).
Dessa maneira, agindo ativamente no processo de ensino e aprendizagem o aluno passa de um ser passivo do conhecimento para um ser ativo, intervindo e agindo de forma real na sua própria produção do conhecimento, assumindo uma postura mais ativa e buscando efetivamente conhecimentos relevantes aos problemas e aos objetivos que demandam de diversas situações – problemas do seu dia a dia (NASCIMENTO, 2022). A metodologia ativa está dentro das propostas da BNCC, quando estabelece que o conhecimento, principalmente escolares, devem ser desenvolvidos com maior autonomia e protagonismo na vida social por parte dos alunos (NASCIMENTO, 2022).
O ensino baseado em metodologias ativas, dá oportunidade de o aluno tornarse mais ciente ao participar ativamente de sua própria aprendizagem. Também chama a atenção, concernente ao ensino baseado em metodologia ativa, a última competência que enfatiza a mobilização da cultura digital de diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais para que possa produzir sentidos tanto da compreensão quanto da produção e assim aprender a refletir sobre o mundo e realizar diferentes projetos autorais (NASCIMENTO, 2022).
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A presente pesquisa deu-se na Escola Municipal Alegria do saber localizada no Município do Rio Preto da Eva-Amazonas/Brasil. A Escola interage com a sociedade de forma continua atendendo os anseios da Comunidade Escolar e, amplia cada vez mais objetivando a promoção efetiva da aprendizagem dos alunos de modo a torná-los capazes de enfrentar adequadamente os desafios da sociedade atual. Também, proporciona condições de se desenvolver e se tornar um cidadão com identidade social e cultural. A Escola Municipal Alegria de Saber funciona nos três turnos: matutino e vespertino com Ensino Fundamental – Anos Finais – e noturno com a modalidade de Educação de Jovens e Adultos – Fundamental e Médio.
A pesquisa teve característica descritiva interpretativa realizar as análises de causa-efeito tendo como processo sequencial as amostragens dedutivas para dados comprobatórios da exploração dos fenômenos em profundidade, basicamente conduzido em um ambiente escolar, os significados serão extraídos dos dados coletados, sendo seu benefício preciso. Creswell (2005 e 2009).
O enfoque, trata-se de uma abordagem, qualitativa e quantitativa, adotando como procedimento técnico pesquisa documental e levantamento operacionalizado através de análises. Deste modo, através da classificação das fontes possibilita a realização de um julgamento qualitativo complementado por “estudo estatístico comparado” (FONSECA, 1986).
A coleta de informações em uma pesquisa é um procedimento destinado a reunir dados que sustentem uma questão proposta. Para isso, são empregadas metodologias de investigação. A organização dos dados tem como função primordial orientar o percurso da pesquisa. Esse levantamento pode ser realizado por meio de diferentes abordagens na pesquisa exploratória. A meta desse tipo de investigação é buscar padrões, conceitos ou suposições. O foco não está em validar ou refutar uma hipótese específica, mas em promover novas descobertas, neste sentido foram aplicados questionários, bem com forma realizados entrevista com professores. Junto a secretaria da escola forma levantados informações a cerca da infraestrutura da escola e junto ao setor pedagógico foram coletadas informações disponíveis no Projeto Político Pedagógico da Escola.
RESULTADOS E DISCURSÕES
A evasão escolar nas turmas da EJA é uma questão antiga dentro do sistema educacional brasileiro. Apesar do passar do tempo, continua havendo obstáculos para que todos consigam ler, gerando, assim, uma verdadeira produção de analfabetismo. Esse fenômeno afeta tanto aqueles que não conseguem sequer começar o processo de alfabetização na idade em que deve ocorrer, quanto os estudantes que são excluídos devido a reprovações e desistências após serem admitidos.
Bourdieu e Passeron (1975) e Cunha (1997) defendem que a escola desempenha um papel relevante no êxito ou na falha dos alunos, especialmente os que vêm de famílias com menor poder econômico, e oferecem uma explicação teórica sobre a ideia de que essa instituição reproduz desigualdades, funcionando como um instrumento ideológico do Estado.
Para que a educação formal se torne uma vivência que favoreça o desenvolvimento intelectual e possua relevância social, é fundamental que o educador consiga mediá-la, conectando-se tanto aos conteúdos de forma imediata quanto àqueles de longo prazo. Isso exige um amplo conhecimento cultural e a habilidade de comunicar os conhecimentos essenciais de maneira eficaz.
A habilidade de um profissional qualificado envolve a integração de diversas áreas do saber. A educação não é modelar pessoas, porque não temos o direito de modelar de fora, também não é a mera transmissão de conhecimentos, mas a criação de uma verdadeira consciência, isso seria até da maior importância política, para educar pessoas emancipadas, conscientes e racionais. (ADORNO, 1995, pp. 141142).
Manter os alunos na escola é um dos grandes desafios da educação. Conforme estipulado pela LDB, a escola deve garantir a admissão e retenção dos alunos até o final dos estudos. Do ponto de vista de Freire: ai de nós, educadores, se deixarmos de ter sonhos possíveis (…). Os profetas são aqueles que se molham tanto nas águas de sua cultura e na história de seu povo que conhecem o seu aqui e agora e podem, portanto, prever o amanhã que mais do que antecipam.
As chances das pessoas estão condicionadas à gestão do conhecimento, os futuros possíveis são determinados pela educação. (FREIRE, 1999, p.27). Quando se perguntou dos professores do turno noturno que participaram desta pesquisa se o número de alunos da EJA é elevado a evasão eles responderam que:
GRÁFICO 01: NÍVEL DE EVASÃO NA ESCOLA PESQUISADA NA TURMA DA EJA

Fonte: A pesquisa de campo realizada em agosto de (2024)
Como comprovado no gráfico 01, 71% dos professores relataram que os alunos que concluem a modalidade de ensino na turma da EJA são mínimos, pois a evasão escolar é muita elevada. A evasão escolar atua como um obstáculo ao avanço do sistema educacional da Educação Básica no Brasil, que abrange a Educação Infantil, o Ensino Fundamental I e II, o Ensino Médio e a formação Profissional. No contexto da Educação de Jovens e Adultos (EJA), a evasão se relaciona com a ineficácia das estratégias de inclusão, uma vez que muitos alunos só retornam às aulas após longos períodos de ausência.
Esses estudantes precisam ser motivados a continuar sua trajetória escolar e a finalizar a Educação Básica. A evasão ocorre quando o aluno desiste de frequentar a escola e interrompe seu aprendizado em um determinado semestre, não conseguindo avançar nos estudos e, consequentemente, não completando a Educação Básica. Vários fatores influenciam a evasão na EJA, incluindo a necessidade de contribuir com a renda familiar, a falta de interesse pela educação e as dificuldades no processo de ensino-aprendizagem, entre outros. Quando se perguntou aos professores o que se precisa fazer para minimizar esta evasão escolar na turma da EJA? Eles responderam que:
GRÁFICO 02: PROPOSTA COMO REDUZIR A EVASÃO ESCOLAR DA EJA

Fonte: A pesquisadora (2024)
Como comprovado, os educadores relatam suas ideias para reduzir a evasão mais de forma aleatória pois 37% relataram que é preciso um ambiente mais acolhedor, 31% enfatizaram nas políticas públicas que precisam serem revista, 24% relataram a falta de capacitação docente e outros 24% falaram que o professor precisa trabalhar metodologias mais inovadoras no ensino aprendizagem para os alunos da EJA. 4% fizeram mesão a inclusão das TIC´s.
Melhorar a atmosfera na escola, tornando-a mais acolhedora e bem conservada, é parte de uma estratégia para manter os estudantes engajados no ambiente escolar. Envolver alunos e a comunidade escolar é uma abordagem adotada para combater a evasão e o abandono nas instituições de ensino do Brasil. Com a ampliação do acesso à educação, que busca garantir o Ensino Médio e Superior a uma parcela significativa da população, um indicador tem se mostrado crescente: a evasão escolar.
Essa situação tem gerado preocupação entre educadores, administradores e a equipe pedagógica. Para enfrentar esse problema de maneira eficaz, foram selecionadas sete práticas ou estratégias fundamentais para prevenir ou lidar com a evasão escolar. A instituição de ensino precisa ser um lugar receptivo, onde os estudantes possam se manifestar, explorar suas capacidades e adquirir conhecimento. A escola deve monitorar a assiduidade dos alunos e evitar aplicar sanções, utilizando chamadas e mantendo um diálogo frequente com os familiares.
Os responsáveis pela gestão pedagógica precisam reconsiderar as abordagens e o planejamento educacional em colaboração com os educadores, além de analisar a efetividade das estratégias de ensino empregados. É essencial prestar atenção às opiniões dos alunos e procurar constantemente formas de tornar os conteúdos mais envolventes, assegurando que os estudantes consigam aplicá-los e incorporá-los em suas rotinas diárias. A adoção da tecnologia é, atualmente, fundamental para o aprendizado à distância, atuando como uma solução eficaz. Esses recursos tecnológicos podem direcionar o interesse e a atenção dos estudantes para tópicos específicos, servindo como um meio para alcançar os objetivos propostos nas aulas.
A formação dos professores passou a ser ainda mais essencial. O educador precisa perceber-se como a ligação entre o aluno e a matéria que está sendo ensinada, e deve estar aberto a aprimorar suas habilidades, alterando a maneira como aborda e compartilha saberes por meio de tecnologias. É fundamental que o estudante reconheça uma relação autêntica entre o seu aprendizado e o ambiente em que está inserido. Uma abordagem para estabelecer essa conexão é por meio de projetos que integrem diferentes disciplinas e até diferentes turmas. Essas iniciativas promovem a participação ativa dos alunos e permitem a formação de um espaço de diálogo construtivo, resultando em uma verdadeira construção do saber.
É essencial implementar políticas públicas que assegurem a oferta adequada de vagas, um transporte público eficiente e a segurança necessária para que os jovens consigam ir à escola e voltar para casa sem riscos. Nas regiões rurais ou à margem de rios, é fundamental desenvolver soluções locais que atendam a essas demandas específicas, utilizando abordagens criativas ou tecnológicas. Além disso, é imperativo revisar as condições de acesso para pessoas com deficiência, garantindo que elas possam frequentar a escola com total liberdade. Segundo Queluz e Alonso (2003), existem elementos relacionados à esfera política que não contribuem inteiramente para a Educação e, muitas vezes, prejudicam qualquer iniciativa de transformação, agravando a situação ao ponto de se discutir a crise do ensino e, até mesmo, a crise da Educação no Brasil. Além disso, Dantas (2010, p. 34) ressalta que “a evasão escolar em qualquer etapa de ensino é um obstáculo para os educadores e um problema significativo em nosso sistema educacional”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente obra teve como objetivo conhecer quais os motivos que levam a evasão dos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Alegria de Saber, Município de Rio Preto da Eva-Amazonas/Brasil, no período de 2023-2024. Constatou-se que os fatores são diversos pois a falta de comprometimento por parte do governo em criar políticas públicas voltadas a evasão da EJA, é fator vivenciado na escola pesquisada.
Nessa visão educacional, o professor carrega a responsabilidade de lidar com a evasão escolar, uma vez que é sua obrigação buscar e proporcionar condições para que os alunos tenham uma aprendizagem significativa, incentivando-os a se interessar por permanecer nas aulas e a participar ativamente dos momentos de aprendizado. As aulas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) devem valorizar a experiência desses estudantes, bem como suas interpretações do mundo e da realidade, sublinhando a importância de aprender.
O professor e a instituição de ensino têm o dever de inspirar os alunos a se engajar com a educação e cultivar o desejo de descobrir novas oportunidades, o que, certamente, pode contribuir para a redução da evasão. Assim, toda a comunidade escolar se preocupa com o fato de que jovens e adultos têm acesso ao ensino, mas não permanecem nele. Embora haja acesso, a principal questão que afeta esses grupos é a falta de continuidade nas aulas, um tema que tem gerado bastante debate. Entretanto, há um longo caminho a ser traçado, sendo essencial a participação efetiva de todos os envolvidos nesse processo. A responsabilidade de enfrentar essa questão não pode recair apenas sobre um pequeno grupo; é necessário reconhecer que há muitos que compartilham a tarefa de promover a mudança e combater a evasão escolar na EJA.
A redução da evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos (EJA) costuma demandar a colaboração de todos os participantes e áreas ligadas ao aprendizado de jovens e adultos, com o objetivo de minimizar sua ocorrência e entender as particularidades desse fenômeno. Isso pode ser alcançado através da reinterpretação prática das utilizações da língua falada e escrita. As opiniões dos educadores refletem os conceitos apresentados por Romão (2010), que destaca a necessidade de os docentes terem opções pedagógicas para implementar novas abordagens de ensino, capazes de cativar os alunos e incentivar o desejo dos estudantes de permanecer em sala de aula, contribuindo, dessa forma, para a redução da evasão escolar.
REFERÊNCIAS
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1Artigo extraído, da dissertação de Mestrado apresentado a Facultad de Posgrado em Maestría en Ciencias de la Educación em la Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA, Localizada na Cidad del Este – Paraguai, para obtenção do título de Mestre em Ciência da Educação no ano de 2025.
2Mestra em Ciência da Educação pela Universidad de La Integración De Las Américas – UNIDA/PY.
