AÇÕES DA ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DE INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À SAÚDE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

NURSING ACTIONS IN THE PREVENTION OF HEALTHCARE-ASSOCIATED INFECTIONS: AN INTEGRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202601222226


Solange Rosa Gomes1
Érica Ramos Cardoso2
Raquel de Almeida Ramos Figueiredo3
Vera Lúcia Freitas4


Resumo

As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) são responsáveis pela morte anual de 45 mil pessoas no Brasil, sendo que cerca de 15 a cada 100 pacientes adquirem IRAS em internações hospitalares. Mesmo com recomendações e portarias para a implementação de programas de controle, as IRAS prosseguem sendo grande preocupação da saúde coletiva. O objetivo da pesquisa foi identificar as ações da enfermagem para a prevenção das IRAS. Trata-se de um estudo descritivo, qualitativo, realizado pelo procedimento metodológico da Revisão Integrativa da Literatura. Os artigos foram selecionados nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (Scielo), Pubmed, LILACS e Oasisbr, resultando em uma amostra de 15 artigos para análise. Os resultados revelaram que os desafios para a prevenção relacionam-se, principalmente, aos pacientes vulneráveis, à falta de adesão aos protocolos de higiene das mãos, falhas na manutenção de procedimentos invasivos (cateteres e ventilação mecânica), uso incorreto de antimicrobianos e contaminação ambiental. Conclui-se que a enfermagem, em seu contato direto com o paciente, pode tornar-se transmissora das IRAS, devendo atuar com protagonismo na sua prevenção. Os conhecimentos técnico-científicos e as habilidades de liderança e gestão tornam o profissional da enfermagem essencial para lidar com os desafios relacionados à segurança do paciente.

Palavras-chave: Enfermagem. Segurança do Paciente. Cuidados de Enfermagem. Controle de Infecções.

1 INTRODUÇÃO

Este estudo analisa as ações de enfermagem voltadas à prevenção de infecções na assistência à saúde. A enfermagem é protagonista no cuidado, devendo monitorar riscos que comprometam a segurança do paciente. As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) constituem um sério problema de saúde pública, identificadas em 20% das infecções em internados (Ferreira et al., 2019) e afirmadas pela World Health Organization como foco prioritário para a qualidade assistencial.

A incidência das IRAS é significativamente maior em regiões com menos recursos; Tauffer et al. (2018) explicam que a prevalência em países subdesenvolvidos é 20 vezes superior à de países desenvolvidos. Nesse contexto, a enfermagem destaca-se por sua atuação ininterrupta junto ao paciente e por suas funções assistenciais, gerenciais e educativas (Leal; Vilela, 2020). Entretanto, desafios como sobrecarga laboral e lacunas na capacitação podem fragilizar a segurança do paciente.

A pesquisa parte, portanto, do problema: quais são as contribuições e desafios da enfermagem para a prevenção das IRAS? O estudo justifica-se pela necessidade de fomentar a educação continuada e a adesão a protocolos de segurança. O objetivo geral é identificar as ações da enfermagem na prevenção das IRAS. Os objetivos específicos são: caracterizar as IRAS e seus fatores de risco; compreender os fundamentos da Segurança do Paciente e discutir os desafios e contribuições da enfermagem neste cenário.

Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva e qualitativa, do tipo Revisão Integrativa da Literatura (RIL), com buscas nas bases SciELO, PubMed, Lilacs e Oasisbr. O trabalho divide-se em quatro capítulos, abrangendo desde a fundamentação teórica e metodologia (capítulos 1 e 2) até a discussão dos resultados (capítulo 3) e as considerações finais (capítulo 4).

2 METODOLOGIA 

O presente trabalho caracteriza-se como um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, desenvolvido por meio de uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL). Este método tem por finalidade sintetizar o conhecimento produzido sobre determinado objeto de pesquisa, seguindo etapas sistematizadas para identificar, selecionar, apresentar e discutir os achados bibliográficos (Batista, 2021).

Em consonância com a sistematização proposta por Souza, Silva e Carvalho (2010), a realização desta revisão percorreu seis fases: 1) elaboração da pergunta norteadora; 2) busca ou amostragem na literatura; 3) coleta de dados; 4) análise crítica dos estudos incluídos; 5) discussão dos resultados; e 6) apresentação da revisão integrativa. A seguir, detalham-se os procedimentos adotados em cada etapa.

2.1 1ª fase: Elaboração da pergunta norteadora

Para a definição da questão de pesquisa, utilizou-se a estratégia PICO (Patient, Intervention, Comparison, Outcome), ferramenta que auxilia na delimitação do escopo, na escolha dos métodos de coleta e na análise crítica dos resultados (Santos; Pimenta; Nobre, 2007). O Quadro 1 demonstra a aplicação desta estratégia no presente estudo:

Quadro 1: Estratégia PICO

AcrônimoDefiniçãoDescrição
PPaciente / PopulaçãoPacientes hospitalizados
IIntervençãoControle e prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS)
CComparação / ContextoCuidados de Enfermagem
OOutcome (Desfecho)Quais são as contribuições e desafios da enfermagem para a prevenção das IRAS?

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Com base na estruturação acima, o problema de pesquisa foi definido como: Quais são as contribuições e desafios da enfermagem para a prevenção das IRAS?

2.2. 2ª fase: Busca ou amostragem na literatura

A busca pelos artigos científicos foi realizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, Lilacs e Oasisbr. Para a seleção dos termos, consultou-se os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS/MeSH), definindo-se as seguintes palavras-chave: “Infecções Relacionadas a Assistência à Saúde – IRAS”, “cuidados da enfermagem” e “segurança do paciente”. Para o cruzamento destes termos, foram empregados os operadores booleanos “AND” e “OR”.

2.3. 3ª fase: Coleta de dados

A triagem dos estudos ocorreu mediante a leitura de títulos e resumos, seguida pela aplicação dos critérios de elegibilidade e leitura na íntegra. Foram estabelecidos os seguintes critérios:

  • Critérios de inclusão: Artigos publicados na íntegra, nos idiomas português ou inglês, com recorte temporal nos últimos 10 anos (2015 a 2025).
  • Critérios de exclusão: Monografias, dissertações, teses, capítulos de livros, informativos, artigos duplicados, publicações com acesso restrito ou que não abordassem a temática central.

2.4. 4ª fase: Análise crítica dos estudos incluídos

A extração e organização dos dados foram realizadas com auxílio do software Microsoft Excel, sistematizando as informações a partir das variáveis: autores/ano, título, objetivo, método e periódico. Esta etapa permitiu evidenciar as características de cada publicação, facilitando a comparação dos resultados para responder à questão norteadora.

2.5. 5ª e 6ª fases: Discussão e Apresentação da revisão

A discussão dos resultados fundamentou-se na comparação das evidências extraídas, permitindo a identificação de lacunas no conhecimento e a síntese de novos saberes. A análise culminou na criação de categorias temáticas a posteriori, apresentadas na fase final deste estudo como: “Fatores de risco das IRAS”, “Impactos da segurança do paciente na qualidade hospitalar” e “Papel da Enfermagem para a prevenção das IRAS”.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

O levantamento bibliográfico identificou inicialmente 138 registros. A primeira filtragem, baseada nos critérios de inclusão, eliminou 39 publicações fora do recorte temporal e 11 incompletas, resultando em 88 estudos.

Posteriormente, procedeu-se à leitura de títulos e resumos. Nesta etapa, foram excluídos 27 trabalhos (por não serem artigos), 4 duplicatas e 17 com acesso restrito, restando 40 publicações para análise aprofundada. Após a leitura na íntegra, 25 estudos foram descartados por incompatibilidade temática. A seleção final, portanto, foi composta por 15 artigos elegíveis, conforme demonstrado na Figura 2.

Figura 1: Fluxograma da seleção dos artigos

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

As principais características dos 15 artigos selecionados foram apresentadas na tabela 1:

Tabela 1: Principais características dos artigos selecionados

Autoria / AnoObjetivo do EstudoMétodoPrincipais Resultados
1Cavalcante et al. (2019)Analisar como os Núcleos de Segurança do Paciente (NSP) estão implementados e sua relação com o controle de infecções.Estudo transversalA implantação dos núcleos ainda é incipiente e enfrenta barreiras estruturais, dificultando a efetividade das ações de controle de infecções hospitalares.
2Ferreira et al. (2019)Mapear as intervenções de enfermagem realizadas em pacientes adultos internados em UTI para prevenir infecções.Scoping ReviewOs cuidados centram-se na higienização das mãos, precauções de contato e administração correta de antibióticos, mas há lacunas na padronização.
3Leôncio et al. (2019)Mensurar o impacto financeiro gerado pelas IRAS nas internações pediátricas.Coorte prospectivaAs infecções aumentam drasticamente o custo da internação, sendo os antimicrobianos os principais responsáveis pela elevação das despesas hospitalares.
4Barros et al. (2020)Refletir sobre a qualidade das políticas de controle de infecção no Brasil sob a ótica de Donabedian.Pesquisa documentalEmbora existam políticas públicas bem desenhadas, falhas na estrutura física e nos processos de trabalho comprometem os resultados assistenciais.
5Haque et al. (2020)Sintetizar as estratégias globais vigentes para a prevenção e controle de infecções hospitalares.Revisão NarrativaA higienização das mãos permanece como a medida isolada mais eficaz; destaca-se também a necessidade de vigilância epidemiológica e uso racional de antibióticos.
6Costa et al. (2021)Investigar a atuação da enfermagem em conjunto com o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH).Revisão IntegrativaA enfermagem é vital para a vigilância e educação em saúde, mas a sobrecarga de trabalho e o dimensionamento inadequado fragilizam a segurança.
7Da Silva et al. (2021)Levantar a produção científica sobre a adesão às precauções de contato na prática assistencial.Revisão de LiteraturaA adesão ao uso de EPIs e isolamento ainda é baixa; a educação permanente é apontada como a principal estratégia para mudar esse comportamento.
8Meneses et al. (2021)Descrever as responsabilidades da equipe de enfermagem na prevenção de agravos infecciosos.Revisão BibliográficaO enfermeiro atua como educador e gestor do cuidado, sendo responsável por garantir que a equipe técnica siga os protocolos de assepsia rigorosamente.
9Silva et al. (2021)Avaliar o conhecimento dos profissionais de enfermagem sobre o controle da pressão do cuff em tubos traqueais.Estudo de casoIdentificou-se déficit de conhecimento técnico, com 60% dos profissionais desconhecendo a pressão ideal, o que aumenta o risco de pneumonia aspirativa.
10Thandar et al. (2021)Propor um protocolo para avaliar a eficácia das equipes de controle de infecção em diversos cenários.Protocolo de Rev. SistemáticaEstabelece que equipes dedicadas e bem treinadas são fundamentais para a redução das taxas de IRAS, necessitando de avaliação contínua de desempenho.
11Barros et al. (2022)Compreender o papel da limpeza e desinfecção de superfícies na prevenção de infecções.Revisão IntegrativaA contaminação ambiental é um vetor crítico; a limpeza concorrente e terminal adequada reduz significativamente a carga viral e bacteriana nas unidades.
12Bates et al. (2023)Analisar a frequência e gravidade de eventos adversos, incluindo infecções, em ambiente hospitalar.Coorte retrospectivaEventos adversos ocorrem em cerca de 25% das admissões; as infecções associadas aos cuidados são frequentes e, em grande parte, preveníveis.
13Rêgo et al. (2023)Investigar o papel da enfermagem no controle de bactérias multirresistentes.Revisão BibliográficaA resistência bacteriana é agravada pela falha na higiene e uso incorreto de antibióticos; a enfermagem deve liderar a fiscalização dessas práticas.
14Rocha et al. (2023)Evidenciar a importância da higienização das mãos (HM) como medida central de segurança.Revisão IntegrativaA HM é o “padrão-ouro” na prevenção, mas a adesão varia; a implementação de dispensadores acessíveis e treinamento contínuo são essenciais.
15Maciel et al. (2024)Examinar a influência da infraestrutura hospitalar na capacidade de prevenção de infecções.Revisão IntegrativaA falta de insumos (como sabão e papel) e a arquitetura inadequada (poucas pias) são barreiras físicas que impedem a enfermagem de realizar o cuidado seguro.

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Os estudos incluídos na revisão apresentam heterogeneidade metodológica, variando de revisões integrativas a estudos de coorte e transversais, convergindo para a identificação das IRAS como um problema sistêmico que envolve custos elevados e riscos à segurança do paciente. A literatura analisada afirma o papel da equipe de enfermagem e a necessidade de infraestrutura adequada, evidenciando que a eficácia da prevenção depende tanto de políticas institucionais quanto da competência técnica individual em práticas como a higienização das mãos e cuidados intensivos. Com base nesses achados, definiram-se as categorias de análise focadas na caracterização dos riscos, na qualidade assistencial e nas intervenções de enfermagem.

3.1 Fatores de Risco para as IRAS

A disseminação de patógenos no ambiente hospitalar é multifatorial. A literatura aponta que a infraestrutura inadequada, caracterizada por espaços físicos mal planejados e escassez de insumos básicos como pias e sabão, atua como um catalisador para a contaminação. Somado a isso, o hospital funciona como um reservatório de microrganismos multirresistentes, em que superfícies como maçanetas, grades de cama e equipamentos médicos, se não desinfetados corretamente, perpetuam o ciclo de infecção (Barros et al., 2022; Haque et al., 2020). O Quadro 2 sintetiza os principais fatores de risco evidenciados nos estudos selecionados.

Quadro 2: Fatores de risco evidenciados pelos estudos

Fator de RiscoEstudos Relacionados
Procedimentos InvasivosO uso de cateteres venosos, sondas vesicais e ventilação mecânica rompe as barreiras naturais de defesa, sendo a principal via de entrada para patógenos em UTI (Thandar et al., 2021; Ferreira et al., 2019; Leôncio et al., 2019).
Resistência MicrobianaO uso irracional de antimicrobianos seleciona cepas multirresistentes (S. aureus, C. difficile), tornando o tratamento mais complexo e oneroso (Rêgo et al., 2023; Haque et al., 2020).
Falhas na HigieneA baixa adesão à higienização das mãos e o uso incorreto de EPIs pelos profissionais são vetores diretos de transmissão (Rocha et al., 2023; Da Silva et al., 2021).
Ambiente e FômitesContaminação de jalecos, superfícies e manutenção inadequada de equipamentos (como a pressão do cuff) representam riscos silenciosos (Silva et al., 2021; Da Silva et al., 2021).
Vulnerabilidade do PacientePacientes imunossuprimidos, pediátricos ou em pós-operatório apresentam maior suscetibilidade a eventos adversos infecciosos (Bates et al., 2023; Leôncio et al., 2019).

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Em unidades críticas, a manutenção inadequada da pressão do cuff em tubos endotraqueais eleva drasticamente o risco de pneumonia associada à ventilação mecânica, demonstrando que o déficit de conhecimento técnico específico é, por si só, um fator de risco (Silva et al., 2021). Ainda, a contaminação de vestimentas profissionais, como jalecos, onde bactérias multirresistentes foram encontradas em punhos e bolsos, reforça que a enfermagem pode atuar como portadora assintomática se negligenciar as precauções de contato (Da Silva et al., 2021).

3.2 Impactos da Segurança do Paciente na qualidade hospitalar

A segurança do paciente é um indicador indissociável da qualidade assistencial. Estudos epidemiológicos indicam que eventos adversos, incluindo as IRAS, ocorrem em cerca de 25% das admissões hospitalares, gerando morbidade, mortalidade e custos evitáveis (Bates et al., 2023). Em pediatria, o impacto é ainda mais severo devido à fragilidade imunológica, onde as infecções prolongam internações e exigem terapias agressivas (Leôncio et al., 2019; Maciel et al., 2024).

O Quadro 3 apresenta a correlação entre segurança e qualidade segundo os autores analisados.

Quadro 3: A relação entre a segurança do paciente e a qualidade hospitalar

Dimensão da QualidadeAchados da Literatura
Cultura de SegurançaA segurança depende de uma mudança cultural que priorize a adesão a protocolos rígidos e checklists, superando a culpabilização individual (Barros et al., 2020; Ferreira et al., 2019).
Gestão de RiscosA implantação de Núcleos de Segurança do Paciente (NSP) é vital para monitorar falhas e instituir barreiras preventivas, embora sua efetividade ainda enfrente desafios estruturais (Cavalcante et al., 2019).
Protocolos AssistenciaisA padronização do cuidado, através de bundles (pacotes de medidas), reduz a variabilidade da assistência e minimiza erros em procedimentos críticos (Silva et al., 2021; Meneses et al., 2021).
Responsabilidade CompartilhadaA segurança não é dever exclusivo da enfermagem, mas de toda a equipe multidisciplinar, exigindo comunicação eficaz e vigilância constante (Rocha et al., 2023; Costa et al., 2021).

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

A subnotificação de casos e a ausência de monitoramento sistemático impedem a identificação de surtos, perpetuando ciclos de insegurança (Thandar et al., 2021). Portanto, a segurança do paciente exige infraestrutura adequada e capacitação contínua, visto que a falta de insumos e o desconhecimento dos protocolos são barreiras diretas à qualidade do cuidado (Barros et al., 2020; Haque et al., 2020).

3.3 Papel da enfermagem: Desafios e Estratégias

A enfermagem ocupa posição central na prevenção das IRAS, atuando na gestão do cuidado, na execução de procedimentos e na educação em saúde. Contudo, essa atuação é permeada por desafios significativos, como a sobrecarga laboral e a desvalorização profissional, que podem levar à negligência involuntária das práticas preventivas (Ferreira et al., 2019; Barros et al., 2022). O Quadro 4 detalha os principais desafios enfrentados e as estratégias propostas pelos estudos para mitigá-los.

Quadro 4: Desafios e Estratégias da Enfermagem na Prevenção de IRAS

Desafios IdentificadosEstratégias de Enfrentamento
Sobrecarga e DimensionamentoA falta de tempo e o excesso de pacientes dificultam a adesão rigorosa aos protocolos. Estratégia: Uso de tecnologias que otimizem o tempo e dimensionamento adequado de pessoal (Ferreira et al., 2019; Thandar et al., 2021).
Comunicação IneficazFalhas na passagem de plantão e na interação multiprofissional geram erros. Estratégia: Engajamento multidisciplinar e liderança ativa do enfermeiro na gestão da comunicação (Leôncio et al., 2019; Barros et al., 2020).
Adesão à Higiene das MãosResistência comportamental e falta de insumos (álcool gel/pias). Estratégia: Educação permanente, disponibilidade de dispensers no ponto de assistência e monitoramento por auditoria (Rocha et al., 2023; Haque et al., 2020).
Limpeza AmbientalA higienização de superfícies muitas vezes é negligenciada. Estratégia: Classificação de áreas por risco e rigor na desinfecção concorrente e terminal (Barros et al., 2022).
Conhecimento TécnicoLacunas na formação sobre microrganismos multirresistentes. Estratégia: Capacitação contínua sobre precauções de contato, uso de EPIs e manejo de dispositivos (Rêgo et al., 2023; Meneses et al., 2021).

Fonte: Dados da pesquisa (2025).

Entre as estratégias, a higienização das mãos permanece como o “padrão-ouro” na prevenção, sendo a medida isolada mais eficaz e de menor custo, cuja adesão deve ser estimulada incessantemente através de campanhas educativas e disponibilização de recursos (Rocha et al., 2023). O enfermeiro exerce, ainda, papel de liderança na Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), sendo responsável por auditar processos, gerenciar o uso de antimicrobianos e educar não apenas a equipe técnica, mas também pacientes e acompanhantes sobre riscos biológicos (Meneses et al., 2021; Costa et al., 2021).

Para superar os desafios é necessário um ambiente que favoreça a segurança, com políticas institucionais claras, suporte da gestão para a educação continuada e valorização do profissional de enfermagem como agente transformador da realidade hospitalar (Silva et al., 2021; Barros et al., 2022).

4 CONCLUSÃO

A presente pesquisa alcançou seu objetivo geral ao identificar o protagonismo da enfermagem na prevenção das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). A revisão da literatura ratificou que a segurança do paciente é um indicador indissociável da qualidade hospitalar, sendo diretamente impactada pela capacidade da equipe de saúde em gerenciar riscos e aderir a práticas assépticas rigorosas.

Quanto aos fatores de risco e à caracterização das IRAS, evidenciou-se que a vulnerabilidade do paciente é agravada por questões estruturais e comportamentais. Os principais vetores de infecção identificados foram a realização de procedimentos invasivos, falhas na desinfecção ambiental, uso indiscriminado de antimicrobianos e, preponderantemente, a negligência na higienização das mãos.

Quanto aos desafios, a pesquisa demonstrou que a eficácia preventiva da enfermagem é muitas vezes obstaculizada pela sobrecarga laboral, dimensionamento inadequado de pessoal, subnotificação de casos e falta de insumos básicos. Contudo, em contrapartida, as evidências apontam que a enfermagem supera essas barreiras mediante estratégias de gestão e educação, como a implementação de bundles de prevenção, monitoramento da adesão aos protocolos, gestão de antimicrobianos e a promoção de uma cultura de segurança multidisciplinar.

Conclui-se, portanto, que a prevenção das IRAS não depende apenas de competência técnica individual, mas de um sistema organizacional que valorize a educação continuada e a vigilância constante. Como limitação deste estudo, aponta-se a natureza secundária dos dados (revisão de literatura), que impede uma análise contextualizada de uma realidade específica. Recomenda-se, para trabalhos futuros, a realização de estudos de campo ou de caso que investiguem a percepção das equipes de enfermagem sobre as dificuldades práticas na adesão aos protocolos de segurança em hospitais brasileiros.

REFERÊNCIAS

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1 Enfermeira Especialista em Enfermagem em Clínica Médica e Cirúrgica. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Unirio e-mail: solange.rosa 62@hotmail.com
2 Enfermeira Pós-Graduada em Urgência e Emergência e CTI, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Unirio e-mail: ericacardoso 90@ hotmail.com
3 Enfermeira Mestre de Enfermagem Especialista em Enfermagem Cirúrgica Universidade do Estado do Rio de janeiro UERJ e-mail: rramos1809@gmail.com
4 Enfermeira Dra enfermagem. EEAN/UFRJ Coordenadora do Curso de Pós em Nível de Especialização sob a forma de Treinamento em Serviço para Enfermeiros nos Moldes de Residência Universidade Federal do Rio de Janeiro email: cpgmer.coordenação@unirio.br

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