EDUCAÇÃO DESCOLONIZADORA:  E AS NOVAS POSIÇÕES FRENTE À ESCOLA CONTEMPORÂNEA DEMOCRÁTICA DOS TEMPOS ATUAIS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510091654


Karla Conceição Rosa da Luz


Resumo: Sabe-se que a instituição humana denominada escola perpassa discursos heterogêneos, que se articulam-se em práticas que percorrem de alguns tempos e espaços da educação. Neste sentido, a educação decolonial quer provocar uma reflexão crítica dos discursos muitas vezes carregados de estereótipos. Nas escolas contemporâneas, a educação descolonizadora promove, e busca por meio de pistas, tais posições para reinventar a escola posta.

Palavras-chaves: Educação. Educação Decolonial. Posições.

Sabe-se que a escola como instituição humana, conserva currículos ocultos que se mantém com o passar dos tempos. Neste sentido, a educação descolonizadora quer ocupar este lugar de quebrar as práticas que perpassam tempos e espaços, para reinventar uma  escola que seja ancorada na diversidade humana que está presente em nossa sociedade. 

Conforme o estudioso francês Philipe Meirieu (2005) “o desejo de homogeneidade é a ruína da escola” (p.49), logo a busca por práticas e ações educativas, pautadas na heterogeneidade humana, são as pistas para uma educação contemporânea democrática em nossos tempos atuais. 

Sendo assim, a educação descolonial anseia por espaços públicos e coletivos, que sejam capazes de desconstruir as histórias e narrativas da escola anteriormente postas, no qual, se pensarmos as estruturas prediais das escolas podemos por meio dessas, refletir que tipos de comportamentos é desejado de um estudante atendido por ela. 

Deste modo, pode-se encontrar substância teórica no livro “Vigiar e Punir” de Foucault de 1975, que aborda reflexões sobre os espaços educativos, e como este sistema complexo, é pensado e organizado para controlar corpos para torná-los dóceis e úteis. Posto isso, a educação descolonizadora é a direção que as escolas têm a percorrer para criar novas narrativas históricas, tendo como um dos principais objetivos estimular o pensamento crítico dos estudantes, bem como sua consciência social perante os movimentos sociais da sociedade. 

Nesta perspectiva, a professora Vera Candau (2016, p. 20), a revista Nuevamerica, edição de 2016, denominada “Descolonizar a Educação” afirma que: 

Uma educação descolonizadora e intercultural implica considerar que não existe mais um centro, dominador, superior e organizador que se identifica com uma única cultura que se coloca como medida de referência das outras. Ao contrário, implica o reconhecimento de que todas as culturas são incompletas e que vivemos num contexto de diversidade e pluralismo cultural que nos exige um olhar crítico da realidade e da ordem dominante.

Por isso, a educação decolonial é a posição que as escolas contemporâneas devem ser ancorar e fundamentar-se pois ao adotar a decisão de uma educação descolonizadora, é assumir publicamente que não mais existe um centro, dominador, superior e organizador que se identifica com uma única cultura, todavia parte do princípio que a escola contemporânea e democrática é construída pela a diversidade humana e suas diversas culturas existentes. 

Desta forma, pensar como as diversidades humanas podem reconstruir a escola contemporânea requer posições, que são também políticas. Sendo assim, a escola deve ser um local em comum, onde todos independente de suas condições têm seus direitos constituídos preservados e garantidos. 

Portanto, a educação descolonizadora deseja quebrar os muros construídos historicamente, partir para uma reinvenção de escola, que ampare a todos de maneira justa, e democrática. Deste modo, interpreto em Audre Lorde (2021, p.54-55) que:

[…] o mais importante para todas nós é a necessidade de ensinarmos a partir da vivência, de falarmos as verdades nas quais acreditamos e às quais conhecemos, para além daquilo que compreendemos. Porque somente assim podemos sobreviver, participando de um processo de vida criativo e contínuo, que é o crescimento. (Audre Lorde 2021, p.54-55).

Logo, a educação descolonizadora está afetada pela necessidade de práticas educativas desenhadas por vivências, por atitudes, para que possamos construir uma nova escola. Na qual, parte das necessidades dos estudantes, e que seja uma aprendizagem significativa, que seja construída por meio de novos valores civilizatórios. Para que isso, possa realmente acontecer, parte-se do entendimento que os conhecimentos são de diversas ordens, e que as aprendizagens são manifestadas através de ações educativas significativas, a educação decolonial ocupa essa posição de anunciar essa nova maneira, tornar as práticas educativas ancoradas nas diversidades, como ponte para construir caminhos para uma educação contemporânea nos dias atuais. 

Conforme Angela Dennemann (2020, p.229) diz: “O desenvolvimento de uma pessoa é contínuo e incorpora diversos processos biológicos, relacionais e afetivos que se moldam a partir das experiências vivenciadas. Disso se trata a integralidade do ser humano, da pessoa, desde criança, como expressa o provérbio africano que nos diz que é necessária uma aldeia para educar uma criança”.

Referências:  

ARAÚJO, Rosângela de O. S. A “Escrevivência” de Conceição Evaristo em Ponciá Vicêncio: encontros e desencontros culturais entre as versões do romance em português e em inglês. 2012. Tese (Doutorado em Letras). Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba (UFPB): João Pessoa. 2012. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/ tede/6199. 

DESCOLONIZAR LA EDUCACIÓN. Rio de Janeiro: Nuevamerica, v. 149, 22 fev. 2016. 

LORDE, Audre. Irmã outsider. Tradução: Stephanie Borges. Belo Horizonte: Autentica, 2021.

MEIRIEU, P. O cotidiano da escola e da sala de aula: o fazer e o compreender. Porto Alegre: Artmed. 2005.


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