REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202506251051
Antônio de Almeida Sobrinho1
Luisa Cabral Santos2
Raísa Ruiz Chaves3
Andrea de Lima Ribeiro4
Rooselvelt Izel Pereira de Melo5
Tamara Ramos Alencar6
Flávio Ruben Paes de Oliveira Junior7
Rosângela Meirelles Barbosa Oliveira8
Osmar Siena9
RESUMO
A malha hidrográfica do estado de Rondônia é cortada por rios, lagos e igarapés perenes que abastecem nossas principais coleções de água, lagos e tributários e cortam as principais propriedades rurais, em sua grande maioria, perfeitamente ajustáveis à prática racional da aquicultura, com comprovações técnica e prática no dia a dia. Com uma significativa contribuição com a bacia hidrográfica da região Amazônica, a malha hidrográfica de Rondônia — com 1.500 km de extensão, com ênfase para os rios Madeira, Mamoré e Guaporé e seus tributários — têm somados potenciais significativos para produção de alimentos, com geração de emprego e renda, inclusão social e segurança alimentar e, desta forma, tem contribuído consideravelmente para o desenvolvimento do PIB da economia de Rondônia. Para tanto, o estado de Rondônia tem se despontado como um estado produtor de pescado, em nível nacional, com espécies de peixes nativos da bacia Amazônia, com destaque para o tambaqui (Colossoma macropomum, Cuvier, 1818} e o pirarucu (Arapaima gigas, 1816], O pirarucu (Arapaima gigas) é o maior peixe de escamas de água doce do mundo, nativo da bacia do rio Amazonas, sendo consumido no Brasil, Peru e Colômbia.
Palavras-chave: Rondônia; tambaqui; pirarucu; amazônica.
ABSTRACT
The hydrographic network of the state of Rondônia is crossed by rivers, lakes and perennial streams that supply our main water collections, lakes and tributaries and cut through the main rural properties, the vast majority of which are perfectly adjustable to the rational practice of aquaculture, with technical and practical evidence in everyday life. With a significant contribution to the Amazon region’s hydrographic basin, Rondônia’s hydrographic network — with 1,500 km in length, with emphasis on the Madeira, Mamoré and Guaporé rivers and their tributaries — have significant potential for food production, generating employment and income, social inclusion and food security and, in this way, have contributed considerably to the development of the GDP of the economy of Rondônia. To this end, the state of Rondônia has emerged as a fish-producing state, at a national level, with species of fish native to the Amazon basin, with emphasis on tambaqui (Colossoma macropomum, Cuvier, 1818} and pirarucu (Arapaima gigas, SENZ, 1816 The pirarucu (Arapaima gigas) is the largest freshwater scaled fish in the world, native to the Amazon River basin, and consumed in Brazil, Peru and Colombia.
Keywords: Rondônia; tambaqui; pirarucu; amazon.
1. INTRODUÇÃO
A malha hidrográfica do estado de Rondônia é cortada de lagos e igarapés perenes que abastecem nossos principais tributários e rios principais e corta propriedades rurais, em sua grande maioria perfeitamente ajustáveis à prática racional da aquicultura.
Para Almeida, (2006), a bacia hidrográfica do estado de Rondônia tem uma significativa contribuição no contexto da Bacia Amazônica e está inserida numa área fluvial com extensão de 1.500 km, com destaque para os rios Madeira, Mamoré, Guaporé e seus principais afluentes, constituindo-se, assim, em uma região possuidora de um excelente manancial hídrico, com grande potencial de recursos naturais aptos para serem explorados racionalmente (ALMEIDA SOBRINHO, ANTÔNIO DE, p.16, 132 p).
Os sistemas de piscicultura semi-intensiva e intensiva foram implementados e se tornaram exitosos na sub bacia hidrográfica do baixo rio Candeias durante o período de vigência do Projeto Técnico-Econômico Unidades Produtivas Comunitárias para Criação de Tambaqui (Colossoma macropomum, Cuvier, 1818) em Tanques-rede, implementado na sub-bacia hidrográfica do baixo rio Candeias, no período de 2002 a 2005, em parceria entre a Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A, e Governo do Estado de Rondônia, através da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental – SEDAM, em apoio aos pescadores artesanais de Candeias do Jamari-RO.
Ao manifestar preocupação com a sustentabilidade ambiental da biodiversidade aquática, tomando como base a preservação dos estoques pesqueiros da bacia hidrográfica de Rondônia, que abastecem com alimento às populações tradicionais, Dória (1996, p. 76) afirma que as significativas coleções de água abrigam ricas diversidades de espécies ictiícas, sobre as que existem escassos estudos realizados e pouco conhecimento sobre a biologia dos estoques pesqueiros predominantes.
Com o advento de necessidades de pesquisas científicas, com vistas a estudos de viabilidades técnico, socioeconômicas e ambiental para se prestar como subsídios para a elaboração de Dissertação de Pós-Graduação, em nível de Mestrado (Stricto sensu), junto ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente – PPGDA – na área de Políticas Públicas em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente, da Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR, foram desenvolvidos todos os passos necessários e os objetivos foram atingidos de acordo com os critérios técnicos pré-estabelecidos pela academia.
Para Goulding (1979), o rio Madeira é pobre em criadouros naturais, porém, com uma grande variedade de espécies ictiícas e um baixo potencial em volume de pescado, quando o maior afluente da margem direita do rio Amazonas se assemelha a uma verdadeira passarela por onde desfilam os principais cardumes de espécies reofílicas, migradoras e anádromos que realizam as migrações tróficas para se alimentar; defender de espécies carnívoras; fugir de agentes poluentes e para realizar a migração reprodutiva por meio do estímulo que ocorre devido o contato corporal dos densos cardumes, preferencialmente nos meses de novembro a fevereiro de cada ano (GOULDING, M. Ecologia da pesca do rio Madeira. Manaus. INPA, 1979, 172 p.
De acordo com Almeida Sobrinho (2006), a área em estudo apresenta:
[ …] … agentes impactantes atuando na área da sub-bacia hidrográfica do baixo rio Candeias é preocupante, a exemplo de dragas que fazem extração de areia do leito do rio e por substâncias químicas e possíveis metais pesados utilizados durante o processo de curtume de pele animal nas duas empresas instaladas e operando na área. (ALMEIDA SOBRINHO, ANTÔNIO DE, p.17, 132 p.
A poluição química dos corpos d’água, além de comprometer a qualidade da água, parece ter um papel primordial na redução dos recursos pesqueiros. O desenvolvimento de estratégias efetivas e de baixo custo para a avaliação da qualidade ambiental deve ser entendido como um passo essencial para a conservação do meio ambiente e na recuperação de áreas degradadas (AGRADI et al, 2000 apud BASTOS et al., 2006, p. 21).
Para Almeida Sobrinho (2006), a concepção de sustentabilidade tornou-se popular por meio da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, (WCED, 1987) conhecida como Comissão Brundtland. O relatório Brundtland foi publicado com o título “Nosso Futuro Comum”, definindo que “[…] o desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a habilidade das gerações futuras para satisfazerem suas próprias necessidades.” Nesta ótica, a humanidade tem a obrigação de alterar sua forma de agir, caso contrário, estará comprometendo a sustentabilidade dos descendentes. Se agentes e empresas potencialmente poluidores não ajustarem seus modus operandi, tendo como objetivo-alvo o desenvolvimento sustentável, as gerações futuras pagarão o ônus pelos abusos (ALMEIDA SOBRINHO, ANTÔNIO (2006), p.29.
Os usuários da bacia hidrográfica do baixo rio Candeias convivem pacificamente com um grande número de agentes potencialmente impactantes ao meio ambiente e a sua biodiversidade, sendo os mais preocupantes: a agroindústria de curtumes de pele animal; laticínios, com duas unidades; atividade garimpeira de extração de areia, com mais uma dezena de dragas de extração para a construção civil; piscicultura em terra firme e em tanques-rede e despejos de seus efluentes; captação de água para hidrelétrica e devolução de efluentes aquecidos; utilização de água para agricultura de subsistência, para hortaliça doméstica, individual, comunitária e consumo doméstico; dessedentação de animais, balneário público, com duas unidades, dentre outros.
Segundo Almeida Sobrinho & Siena (2007), a construção da barragem do rio Jamari, afluente do rio Madeira, e, consequente, formação do reservatório, a montante, houve necessidade de utilização de medidas mitigadoras. Como uma dessas medidas, a empresa geradora de energia viabilizou a implantação do projeto para criação de peixes em tanques-rede, na sub bacia hidrográfica do baixo rio Candeias, em Candeias do Jamari.
Para se obter os objetivos esperados, utilizou-se como metodologia e pesquisas bibliográficas disponibilizadas nas mídias eletrônicas e em outros meios disponíveis, a exemplo de artigos científicos publicados, textos básicos de Monografias de Pós-Graduação (Stricto sensu) — Sub-bacia hidrográfica do baixo rio Candeias e a viabilidade da piscicultura em tanques-rede (em nível de Mestrado), Almeida Sobrinho – UNIR – 2006; (Lato sensu) — Subsídios Técnicos ao Cultivo Intensivo de Tambaqui, Colossoma macropomum, Cuvier,1818, em Tanques-rede em Sistema de Incubadora Comunitária de Cooperativas Populares, em nível de Especialização – Almeida Sobrinho – IFRO – 2021; ASSAD, Luis Tadeu.; BURSZTYN, Marcel. 2.000; SILVA NETA, Maria Enésia de. 2021; TUNDISI, J.G. 2013; SANDOVAL JÚNIOR, Paulo.; TROMBETA, Thiago Dias.; MATTOS, Bruno Olivetti, 2019; FONSECA, Fernando M.F. 1995; SIENA, Osmar -, 2002; Almeida Sobrinho, 2005.
2. MATERIAL E MÉTODO
O Projeto Unidades Produtivas Comunitárias para Criação de Tambaqui (Colossoma macropomum, Cuvier, 1818) em Tanques-rede comportou os seguintes passos: i) seleção da área – coleta e análise da água para a realização de análise físico-química e bacteriológica da água da sub bacia hidrográfica do baixo rio Candeias, afluente do rio Jamari; ii) definição dos pontos de coordenados geográficas através de um aparelho GPS (Global Positioning System, Modelo GARMIMN 76), com interpretação dos dados; iii) medir a temperatura da água e do ar; iv) determinar a profundidade da água; v) determinar a visibilidade da água, através do Disco de Sechii; vi) determinar o oxigênio dissolvido (O2.D) da água; vii) determinar a concentração de hidrogênio iônico (pH); viii) calcular a condutividade elétrica da água; ix) calcular a alcalinidade total (A.T.); calcular a dureza total (D.T.).
Realizou-se um diagnóstico físico-químico e bacteriológico das amostras de água coletadas a montante e a jusante da área do projeto Unidades Produtivas Comunitárias para Criação de Tambaqui (Colossoma macropomum, Cuvier, 1818) em Tanques-rede, junto ao Laboratório de Análise Ambiental da SEDAM, pesquisados gentilmente, incluindo material de laboratório para coleta de água, equipamentos diversos utilizados no trabalho de campo e equipe técnica de laboratório e apoio logístico durante os trabalhos de análise físico-química e bacteriológica.
Quanto à análise de concentração de metal pesado em exemplares de peixes cultivados no mencionado projeto em estudo, utilizou-se exemplares da espécie tambaqui (Colossoma macropomum, Cuvier, 1818), após as análises biométricas, realizaram-se as análises químicas das amostras. Iniciou-se pela retirada de alíquotas de 500mg de tecido muscular do pescado. A solubilização química das amostras foi realizada utilizando metodologia proposta por Bastos et al. (1998) no Laboratório de Biogeoquímica da Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR.
O monitoramento do projeto objeto de pesquisa teve início em 2003 e se estendeu até meados de 2006.
No que tange à viabilidade e sustentabilidade ambiental, o projeto foi monitorado por meio do Plano de Controle Ambiental (PCA). Foram observados os seguintes indicadores de sustentabilidade da ictiofauna: (i) avaliação das possíveis variações dos níveis de oxigênio dissolvido (O2D), amônia (NH3); hidrogênio iônico (pH); condutividade elétrica; temperatura da água; alcalinidade total (A.T.); dureza total (D.T.); cloretos e profundidade e etc. Também foi realizado o acompanhamento das questões administrativa e econômica do projeto.
3. DADOS E RESULTADOS
Diagnóstico e Monitoramento Ambiental
A avaliação físico-química e bacteriológica da água é fator “sine qua non” para se decidir sobre o aproveitamento racional de águas improdutivas para a produção de peixes em sistemas semi-intensivo, intensivo e superintensivo em tanques-rede e em terra firme.
Em conformidade com os resultados dos exames físico, químico e bacteriológico realizados em três oportunidades, em períodos distintos, são condensados na figura 16 (a): vazão máxima (época da cheia); (b) vazão mínima (época da seca); e, (c) período intermediário.
As amostras de água pesquisadas nos aspectos explicitados apresentaram os seguintes desempenhos e comportamentos, inclusos na figura 16. A temperatura da água teve uma oscilação entre 23º C a 30ºC; o oxigênio dissolvido (O2D) com variação de 2,4 mg/l a 7,7 mg/l; a condutividade elétrica com variação de 4,6 µs/cm e 19,9 µs/cm; o pH com variação de 3,9 a 5,7; a alcalinidade total (A.T) de 4,0 mg/l de CaCO3/litro a 12 mg/l de CaCO3/l (expresso em carbonato de cálcio); a dureza total (D.T) com variação de 2,0 mg/l de CaCO3/l a 30,0 mg/l de CaCO3/l (expresso em carbonato de cálcio); os Cloretos (Cl) com variação de 3,9 ppm/Cl a 35,5 ppm/Cl; a amônia (NH3) com variação de 0,036 mg/l a 5,4 mg/l; e a profundidade com variação de 2,5 m a 15,0 m.
As análises físico-químicas e bacteriológicas da água em estudo apresentaram os seguintes resultados, conforme dados da figura 16.
a) Físico-químico: os parâmetros que foram analisados encontram-se satisfatoriamente dentro do limite permitido, com exceção da amônia, segundo Resolução CONAMA, Nº. 357, Art. 15 – de 17 de março de 2005;
b) Bacteriológica: a água analisada apresenta-se própria para os demais usos, conforme Art. 15, item II, da Resolução CONAMA, Nº. 357 de 17 de março de 2005, exceto em casos isolados em poucas amostras. Sabe-se que a Resolução CONAMA, Nº. 357, de 17 de março de 2005 limita os coliformes termotolerantes: para uso de recreação de contato primário deverá ser obedecida a Resolução CONAMA Nº. 274, de 2000. Para os demais usos, não deverá ser exercido um limite de 1.000 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 6 (seis) amostras coletadas durante o período de um ano, com frequência bimestral.
ESTUDOS FÍSICO-QUÍMICOS E BACTERIOLÓGICOS DA ÁGUA
O estudo dos fatores físico-químicos e bacteriológicos em ambientes aquáticos é de suma importância devido a sua influência sobre os processos metabólicos. Desses fatores, a temperatura está intimamente relacionada com o desenvolvimento dos organismos, as reações químicas e bioquímicas que ocorrem na água e também a outros processos tais como solubilidade dos gases nela dissolvidos (ELER, 2000, p.26). De acordo com Hoff e Westman (1988 apud ELER, 2000, p. 26), o principal fator que afeta o metabolismo dos peixes é a temperatura.
a) TEMPERATURA DA ÁGUA ENCONTRADA
Os resultados obtidos com a temperatura da água atende prontamente as necessidades de aproveitamento racional do potencial hídrico da sub bacia hidrográfica do baixo rio Candeias para criação de espécies ictiícas regionais em tanques-rede;
b) TAXA DE OXIGÊNIO DISSOLVIDO ENCONTRADA
A faixa de O2D encontrada, variando de 2,4 a 7,0 mg/l de CaCO3 (expresso em carbonato de cálcio) é aceitável para o desenvolvimento da piscicultura em tanques-rede, tendo como fatores positivos inúmeras áreas apropriadas para sediar projetos desta natureza.
A concentração de oxigênio dissolvido na água é limitante no cultivo de espécies de animais aquáticos, especialmente em tanques-rede, em altas densidades. A taxa de oxigênio dissolvido pode variar com diversos fatores ambientais, tais como: (i) aumento da população aquática, atraída por sobras da alimentação dos peixes criados em tanques-rede; (ii) aumento da concentração de partículas sólidas, em decorrência da ação das dragas de extração de areia, que provocam o deslocamento de sedimentos; (iii) decomposição aeróbicas de excrementos dos peixes; (iv) matéria orgânica em decomposição; (v) os blooms de algas; (vi) ação de efluentes oriundos de agroindústrias que utilizam metais pesados e liberam na natureza fora dos padrões permitidos pelo CONAMA e Organização Mundial de Saúde – OMS; (vii) carreamento de agrotóxicos utilizados na agricultura por intermédio de chuvas e enxurradas.
c) FAIXA DE pH ENCONTRADA
A faixa de pH encontrada nos períodos de pesquisa, oscilando de 3,9 a 5,7 pode ser considerada tóxica para criação de peixes em tanques-rede quando se constatar concentração de CO2 acima de 20 mg/l. Como a taxa de O2D encontrada foi alta, pode-se concluir que a concentração de hidrogênio iônico (pH) encontrada é favorável à instalação de projetos de piscicultura em sistema superintensivo em tanques-rede. O aumento da acidez de uma coleção de água é um indicador de lançamento de efluentes industriais, com alterações no sabor da água e uma forte contribuição para corrosão de material metálico utilizados na construção e confecção de infraestrutura física e equipamentos instalados na área de estudo.
Quando o pH da água encontra-se abaixo de 6,4 predomina o H2CO3, com pH variando de 6,4 e 10,3 predomina o HCO3- e a partir de 10,3 o íon dominante é o CO3²- (CUSTODIO e LLAMAS, 1976 apud BAHIA, 1997, p. 66).
d) TAXA DE ALCALINIDADE TOTAL (A.T.) ENCONTRADA
As taxas de alcalinidade total encontradas situam-se abaixo dos valores desejados, porém, pode-se considerar os outros resultados positivos, como O2D, pH, temperatura, profundidade da água e visibilidade que funcionam como agentes mitigadores na criação de organismos aquáticos.
As águas que apresentam uma alcalinidade menor que 20 mg/l CaCO3/l (expresso em carbonato de cálcio) apresentam baixo poder tampão, estando a faixa ideal entre 20 e 300 mg/l (PROENÇA, 1994, p. 66).
e) TAXA DE DUREZA TOTAL (D.T.) ENCONTRADA
As taxas de dureza total encontradas na água nos estudos físico-químicos, oscilaram entre 2,0 a 30 mg/l de CaCO3 (expresso em carbonato de cálcio), quando se conclui que apesar de alguns resultados estarem fora da faixa ideal, preconizado para o sistema de cultivo de peixes em tanques-rede, oscilando na faixa entre 20 e 300 mg/l de CaCO3 (expresso em carbonato de cálcio), quando se pode afirmar que o ambiente em estudo é aceitável para o desenvolvimento do sistema superintensivo da piscicultura em tanques-rede.
f) TAXA DE AMÔNIA (NH3) ENCONTRADA
A concentração de amônia (NH3) encontrada nos estudos variou de 0,036 a 5,4 mg/l sendo o extremo máximo (5,4 mg/l) letal para os peixes. Na natureza, a amônia pode ser produzida de duas maneiras: (a) NH3 ou amônia não ionizada; e (b) NH4+ amônia ionizada. De acordo com os resultados encontrados de concentração de NH3, com variação de 0,036 mg/l) a 5,4 mg/l). A faixa entre 0,4 e 2,5 mg/l a amônia é letal para muitas espécies; entre 0,05 e 0,4 mg/l têm-se níveis subletais e abaixo de 0,05 mg/l a concentração ideal (PROENÇA, 1994, p. 71).
g) NÍVEL DE PROFUNDIDADE MÉDIA ENCONTRADA
Em conformidade com os resultados dos estudos planialtimétricos realizados na sub bacia hidrográfica do baixo rio Candeias, com os níveis de profundidade variando entre 2,5 e 15,0 metros, pode-se afirmar com precisão que a área em estudo dispõe de excelentes profundidades para sediar empreendimento aquícolas para criação de peixes em tanques-rede.
h) NÍVEL DE CONDUTIVIDADE ELÉTRICA MÉDIA ENCONTRADA
O estudo da condutividade específica da água é muito empregado na realização de monitoramento ambiental, com indicador da presença de sólidos dissolvidos. A faixa de condutividade elétrica da água pesquisada, variando de 4,6 a 19,9 µs/cm, durante os estudos físico-químicos é aceitável para o desenvolvimento da piscicultura em tanques-rede.
i) TAXA DE VARIAÇÃO DE CLORETO ENCONTRADO
A taxa de variação de cloreto segue o comportamento indicado na figura 25, a faixa de cloreto da água pesquisada, variando de 4,6 a 19,9 µs/cm, durante os estudos físico-químicos é aceitável para o desenvolvimento da piscicultura em tanques-rede.
j) DADOS COMPARATIVOS ENTRE C. TOTAIS X C. FECAIS X C. NÃO FECAIS
Para uso de recreação de contato primário, deverá ser obedecida a Resolução CONAMA Nº. 274/2000 que dispõe sobre a balneabilidade, “como irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rente ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película.” Para os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 1.000 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 6 (seis) amostras coletadas durante o período de um ano, com frequência bimestral.
4. CONCLUSÕES
Para se obter os objetivos esperados, utilizou-se como metodologia e pesquisas bibliográficas disponibilizadas nas mídias eletrônicas e em outros meios disponíveis, a exemplo de artigos científicos publicados, textos básicos de Monografias de Pós-Graduação (Stricto sensu) — Sub-bacia hidrográfica do baixo rio Candeias e a viabilidade da piscicultura em tanques-rede (em nível de Mestrado), Almeida Sobrinho – UNIR – 2006; (Lato sensu) — Subsídios Técnicos ao Cultivo Intensivo de Tambaqui, Colossoma macropomum, Cuvier,1818, em Tanques-rede em Sistema de Incubadora Comunitária de Cooperativas Populares, em nível de Especialização.
Com base nos resultados da investigação, pode-se destacar o que segue:
A faixa de pH encontrada é considerada tóxica para os peixes quando associada com a concentração de CO2 superior a 20 mg/l. Os níveis da alcalinidade total revelam a fragilidade físico-química da sub-bacia hidrográfica do baixo rio Candeias. Esta faixa de alcalinidade total indica uma concentração baixa de bases na água e isto facilita mudanças bruscas de queda de pH.
A dureza total acarreta sérios problemas para a estocagem de exemplares de peixes na fase de juvenil. Para tanto, recomenda-se preparar tanques-berçário em terra-firme para receber os alevinos.
A variação de cloretos não é considerada favorável para as pretensões de criação de peixes em tanques-rede, mas quando analisada em conjunto com os demais parâmetros, químico e planialtimétrico não se constitui empecilho decisivo.
A concentração de amônia aponta para a inconveniência de instalar projetos de criação de peixes em tanques-rede em áreas próximas a esgotos domésticos, a montante de agroindústrias e em áreas de balneários.
Os níveis de mercúrio detectados nas análises realizadas com o músculo do pescado encontram-se dentro do limite permissível para o ser humano. Dentre todos os metais pesados pesquisados, os resultados das análises revelaram a presença dos níveis do cobre, do cromo e do zinco acima da média permissível pela Resolução Nº. 357 CONAMA/2005.
Considerando os resultados destacados, é possível afirmar que a criação de peixes em tanques-rede é uma atividade com viabilidade ambiental na sub bacia analisada, desde que adotadas medidas visando minimizar as situações críticas. Na perspectiva econômica, o estudo revela que a atividade da piscicultura superintensiva em tanques-rede é um negócio sustentável, particularmente para as comunidades das regiões ribeirinhas da Amazônia que disponham de coleções de águas e condições satisfatórias em quantidade, qualidade e parâmetros físico-químicos e bacteriológicos que atendam satisfatoriamente às exigências que este sistema de criação de peixes em tanques-rede requer.
Em termos sociais os resultados apontam a atividade como um meio de melhorar o bem-estar social da comunidade pesqueira.
5. REFERÊNCIAS
ALMEIDA SOBRINHO, Antônio de et al. Aproveitamento de águas improdutivas para criação de tambaqui (Colossoma macropomum, Cuvier, 1818) em tanques-rede. Editor: Anais do XIV CONBEP – XIV Congresso Brasileiro de Engenharia de Pesca, 2005, p. 11741175. CD-ROM.
ALMEIDA SOBRINHO, Antônio de, Sub-bacia hidrográfica do baixo rio Candeias e a viabilidade da piscicultura em tanques-rede. Tese (Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente). Fundação Universidade Federal de Rondônia – UNIR, Porto Velho, 2006.
ALMEIDA SOBRINHO, Antônio de et al. Piscicultura intensiva de criação de tambaqui (Colossoma macropomum, Cuvier, 1818) em tanques-rede: Uma experiência exitosa. Editor: Anais do II Seminário Brasileiro de Meio Ambiente e Responsabilidade Social do Setor Elétrico. Versão Final. RES. 11. De 19 a 21 de novembro de 2006. Florianópolis – SC.
BASTOS, W.R. et al. Establishment and analytical quality control of laboratories for Hg determination in biological and geological samples in the Amazon – Brasil. Ciência e Cultura Journal of the Brazilian Association for the Advancement of Science. v.50 (4), p. 255 – 260. 1998.
BASTOS, W.R, et al. Diagnóstico biogeoquímico de metais pesados e compostos orgânicos na Amazônia brasileira: trecho Urucu/Porto Velho. In: Piatam Oeste. Implantação na Amazônia Ocidental. Anais do I Congresso Internacional Piatam Oeste. Petrobras – Amazônia Ocidental. Porto Velho: Fundação Universidade Federal de Rondônia / Centro de Pesquisas da Petrobras, 2006. 335 p.: il.
DÓRIA, C.R.C; LABIEV e Departamento de Biologia – UNIR. Ecologia e biologia da comunidade de peixes do rio Cautário (Guaporé); Pacaás Novos (Mamoré); Belmont (Madeira). In: Piatam – Implantação na Amazônia Ocidental. Anais do I Congresso Internacional. Potenciais impactos e riscos ambientais da indústria do petróleo e gás na Amazônia. Porto Velho, 2006. p.76-82;
ELER, Márcia Noélia, Efeito da densidade de estocagem de peixes e do fluxo de água na qualidade da água e na sucessão do plâncton em viveiros de piscicultura. Tese (Doutorado em Ciências da Engenharia Ambiental). Escola de Engenharia de São Carlos – Universidade de São Paulo, São Carlos, 2000.
EMATER-RO. (1991). Sistema de produção para criação de tambaqui em Rondônia. Porto Velho, 46 p.
GOULDING, M. Ecologia da pesca do rio Madeira. Trad. de Walicio Menezes. Manaus. INPA, 1979, 172 p.
LEONEL, Mauro. (1991). A morte social dos rios. São Paulo: Perspectiva. 263 p.
STRASKRABA, M.; TUNDISI J.G. 2000. Gerenciamento de qualidade de água de represa. Tradução de Dino Vannucci. São Carlos: ILEC.
