USO DO NEGRO DE FUMO RECICLADO E SEUS IMPACTOS AMBIENTAIS  

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511171701


Lucas Matheus da Silva Francisco
Paulo André da Silva Campos
Victor Hugo Rezende
Orientador: Professor Mestre Alexander Pitta dos Anjos


Resumo 

O descarte inadequado de pneus inservíveis representa um desafio ambiental  significativo, sendo uma das principais fontes de contaminação por negro de fumo.  Diante deste cenário, este Trabalho de Conclusão de Curso, sob a perspectiva da  Engenharia de Produção, teve como objetivo analisar o potencial do rCB obtido  principalmente por processos termoquímicos como a pirólise e a gaseificação, como  insumo sustentável em aplicações industriais e em tecnologias de energias  renováveis. A questão norteadora da pesquisa foi: Quais os benefícios alcançados  pelas empresas que reciclam o negro de fumo? A metodologia adotada foi a revisão  bibliográfica de natureza exploratória e cunho qualitativo, baseada na análise de  artigos científicos e documentos técnicos, com foco na comparação entre o negro de  fumo virgem e o rCB, e na avaliação dos processos de recuperação. Os resultados  demonstram que o material reciclado possui propriedades físico-químicas que  permitem sua substituição parcial em aplicações tradicionais, como na indústria de  borracha e plásticos, e em aplicações emergentes, como em eletrodos de  supercapacitores e baterias, essenciais para o armazenamento de energia renovável.  Conclui-se que o reaproveitamento do negro de fumo oferece benefícios substanciais  às empresas, incluindo a redução de custos com matéria-prima, a otimização de  recursos e o fortalecimento da economia circular, além de contribuir diretamente para  a redução do impacto ambiental associado ao descarte de resíduos.  

Palavras-chave: Negro de fumo, reciclagem, energia renovável, impacto ambiental,  sustentabilidade, Engenharia de Produção, rCB. 

ABSTRACT  

The improper disposal of end-of-life tires represents a significant environmental  challenge, being one of the main sources of carbon black contamination. In this  context, this Final Paper, from the perspective of Production Engineering, aimed to  analyze the potential of rCB obtained mainly through thermochemical processes such  as pyrolysis and gasification, as a sustainable input in industrial applications and  renewable energy technologies. The guiding question of the research was: What  benefits are achieved by companies that recycle carbon black? The methodology  adopted was an exploratory and qualitative literature review, based on the analysis of  scientific articles and technical documents, focusing on the comparison between virgin  carbon black and rCB, and on the evaluation of recovery processes. The results show  that the recycled material has physicochemical properties that allow its partial  substitution in traditional applications, such as in the rubber and plastics industry, and  in emerging applications, such as electrodes for supercapacitors and batteries, which  are essential for renewable energy storage. It is concluded that the reuse of carbon  black offers substantial benefits to companies, including cost reduction in raw  materials, resource optimization, and strengthening of the circular economy, in addition  to directly contributing to the reduction of environmental impact associated with waste  disposal.  

Keywords: Carbon black, recycling, renewable energy, environmental impact,  sustainability, Production Engineering, rCB.

1. Introdução  

O negro de fumo é um material resultante da queima parcial de hidrocarbonetos  (petróleo, carvão e gás natural) e caracteriza-se por sua elevada área superficial e  propriedades físico-químicas relevantes para aplicações industriais, como reforço  mecânico, pigmentação e estabilidade térmica (Han et al., 2023; Laithong et al., 2025).  A produção global de negro de fumo ultrapassa cifras da ordem de dezenas de  milhões de toneladas por ano, sendo grande parte destinada ao setor pneumático  (Birla Carbon, 2025; Contec, 2024).  O descarte inadequado de pneus e produtos à base de negro de fumo é apontado na  literatura como fonte de emissão de partículas finas e potenciais contaminantes  orgânicos e inorgânicos ao solo e à água (ABTB, 2025; ECOGEN Brasil, 2024). Diante  desse panorama, estudos recentes têm avaliado tecnologias termoquímicas (pirólise  e gaseificação) para recuperação de carbono, demonstrando que o negro de fumo  reciclado (rCB) pode ser reaproveitado em aplicações industriais e energéticas,  reduzindo a dependência por negro virgem e as emissões associadas à sua produção  (Rupnar et al., 2025; Zhang et al., 2024).  Com o avanço das tecnologias limpas e o crescimento das políticas de  sustentabilidade, a reciclagem de resíduos industriais passou a ser considerada uma  estratégia fundamental para a economia circular. Nesse contexto, o negro de fumo  reciclado, obtido principalmente por pirólise de pneus inservíveis, surge como uma  alternativa técnica e ambientalmente viável. Este trabalho analisa o potencial desse  material como insumo em aplicações energéticas e industriais sustentáveis,  abordando também os processos envolvidos na sua recuperação e purificação. om o  objetivo de identificar os benefícios da reciclagem do negro de fumo no processo  produtivo e para o meio ambiente, busca-se responder ao seguinte questionamento:  Quais os benefícios alcançados pelas empresas que reciclam o negro de fumo? 

Na perspectiva da Engenharia de Produção, o tema se insere na busca por processos  produtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis. O reaproveitamento do  negro de fumo representa uma oportunidade de otimizar o uso de recursos, reduzir  custos industriais e prolongar a vida útil dos materiais, integrando inovação  tecnológica e sustentabilidade — princípios centrais da área.  

A pesquisa se justifica pela necessidade de soluções tecnológicas que integrem  eficiência produtiva e sustentabilidade ambiental, princípios fundamentais da  Engenharia de Produção. O estudo do negro de fumo reciclado se alinha a essa  perspectiva ao propor o reaproveitamento de resíduos industriais em sistemas  energéticos limpos  Para a elaboração da pesquisa partiu-se de uma revisão bibliográfica sobre o tema  central (Processos de reciclagem do Negro de Fumo e aplicações) , através da  revisão da literatura foi realizado e apresentado uma comparação entre os métodos  adotados de reciclagem do negro de fumo em diversas empresas, assim como suas  limitações e benefícios alcançados por essas empresas. A pesquisa caracterizada  como uma pesquisa bibliográfica, é de natureza exploratória e cunho qualitativo, no  qual apresenta os métodos atuais adotados para reciclagem do Negro de Fumo,  seus benefícios e dificuldades enfrentadas e as perspectivas para uma indústria mais  sustentável.  

2. Metodologia 

Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de natureza  exploratória e abordagem qualitativa, cujo objetivo foi analisar os benefícios  ambientais e produtivos associados ao uso do negro de fumo reciclado (rCB) em  processos industriais. A pesquisa baseou-se na revisão integrativa da literatura,  conforme Gil (2008) e Marconi & Lakatos (2017), permitindo a síntese de estudos  recentes sobre reciclagem por pirólise, propriedades do rCB e suas aplicações na  Engenharia de Produção e em energias renováveis.  

A busca por materiais foi realizada em bases científicas indexadas (Scopus, Web of  Science, ScienceDirect e Google Scholar) e em fontes técnicas setoriais (ABTB, Birla  Carbon, Bridgestone). Utilizaram-se descritores em português e inglês combinados  com operadores booleanos, permitindo o refinamento dos resultados. 

Foram incluídos documentos publicados entre 2020 e 2025, revisados por pares ou  emitidos por organismos oficiais, que tratassem da aplicação do rCB em contextos  industriais ou energéticos. Foram excluídos estudos que abordavam apenas o negro  de fumo virgem ou que não apresentavam credibilidade científica.  

Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo, priorizando quatro eixos:  

  • processos de reciclagem;  
  • propriedades físico-químicas do rCB;  
  • aplicações industriais e energéticas; e  
  • benefícios e limitações sob a ótica da Engenharia de Produção.  

A síntese dos resultados subsidiou a discussão e fundamentou as conclusões  apresentadas.  

3. Negro de Fumo Mundial  

De acordo com ADITYA BIRLA (um dos maiores produtores de negro de fumo) em  2024, a produção deste material ultrapassou 13 milhões de toneladas por ano, sendo  cerca de 70% destinada à fabricação de pneus, enquanto o restante é aplicado em  plásticos, tintas e outros materiais industriais. Esse volume expressivo evidencia a  importância econômica do material, mas, ao mesmo tempo, representa um grande  desafio ambiental em função do descarte inadequado de pneus e resíduos contendo  negro de fumo.  

Assim, torna-se fundamental analisar alternativas de reaproveitamento, como a  reciclagem, que pode reduzir impactos ambientais, promover a economia circular e,  ao mesmo tempo, abrir espaço para aplicações em tecnologias de energia renovável. Entre essas alternativas, destaca-se a recuperação do negro de fumo por processos  termoquímicos, como a pirólise e a gaseificação, os quais permitem não apenas o  reaproveitamento do material, mas também a geração de insumos energéticos e o  desenvolvimento de tecnologias associadas a fontes renováveis de energia.  

3.1. Propriedades do Negro de Fumo Reciclado 

O negro de fumo reciclado proveniente de pneus usados tem sido objeto de estudos  cada vez mais frequentes, devido ao seu potencial de substituir parcialmente o negro  virgem em aplicações industriais. Segundo Buligon et al. (2024), uma das principais  vantagens do rCB é sua superfície específica ainda significativa, o que favorece sua  utilização em compósitos e elastômeros ao conferir reforço mecânico comparável ao  do negro comercial, embora varie conforme o processo de reciclagem. (ScienceDirect)  

Conforme publicado pela editora científica MDCI, o negro de fumo reciclado (rCB) é  um material obtido a partir da pirólise de pneus inservíveis, oferecendo uma alternativa  sustentável ao negro de fumo virgem. Sua composição e propriedades variam  conforme os parâmetros do processo de pirólise e tratamentos subsequentes.  

Composição Química  

● Carbono (C): 81,5–82,8%  

● Hidrogênio (H): 0,32–1,0%  

● Enxofre (S): 1,7–3,3%  

● Nitrogênio (N): 0,2–0,5%  

3.1.1. Propriedades Térmicas  

● Estabilidade Térmica: O rCB apresenta boa estabilidade térmica, com  temperaturas de decomposição superiores a 400°C. No entanto, a presença de  impurezas pode reduzir essa estabilidade.  

● Condutividade Térmica: A condutividade térmica do rCB é inferior à do negro  de fumo virgem, o que pode limitar sua aplicação em compostos que exigem  alta dissipação de calor.  

● Resistência ao Envelhecimento: Com tratamentos adequados, o rCB pode  melhorar a resistência ao envelhecimento térmico, prolongando a vida útil dos  produtos.  

3.1.2. Propriedades Químicas 

● Composição Química: O rCB contém carbono, hidrogênio, enxofre, nitrogênio  e oxigênio. A composição exata varia conforme o processo de pirólise e a  matéria-prima utilizada.  

● Presença de Impurezas: Resíduos orgânicos e inorgânicos da pirólise podem  afetar a pureza do rCB, influenciando suas propriedades mecânicas e térmicas  ● Tratamentos Químicos: Processos como tratamento com ácidos ou bases  podem ser empregados para melhorar a pureza e as propriedades do rCB.  

3.1.3 Comparativo Negro de fumo virgem x Negro de fumo reutilizável  

A Tabela 1 apresenta a comparação entre as principais propriedades do negro de  fumo virgem (CB) e do negro de fumo reciclado (rCB). Observa-se que, embora o rCB  apresente leve redução em parâmetros como área superficial e condutividade elétrica,  esses valores podem ser melhorados por meio de processos de purificação e ativação  térmica. O custo reduzido e o menor impacto ambiental conferem ao rCB vantagem  competitiva para aplicações em borrachas, plásticos e dispositivos de energia. No  entanto, a variabilidade de qualidade e a presença de impurezas ainda representam  limitações técnicas relevantes para sua padronização industrial (Laithong et al., 2025;  Li et al., 2025; Contec, 2024).  

Tabela 1: Negro de Fumo Virgem x Reciclado  

Fonte: Adaptado de Laithong et al. (2025); Li et al. (2025); Contec (2024); Ecogen Brasil (2024).  

Dados extraídos do artigo “Melhoria da qualidade do negro de fumo reciclado” dos  autores Laithong T., Nampitch T., Ourapeepon P. e Phetyim N, publicado na editora  Scientific Reports em Julho de 2025.  

Apesar das vantagens, o rCB apresenta desafios relacionados à sua pureza.  Resíduos orgânicos provenientes da pirólise podem causar aglomeração de partículas  e redução da superfície ativa, afetando propriedades críticas como condutividade  elétrica e resistência mecânica (“Recycling of Low-Quality Carbon Black Produced by  Tire Pyrolysis”, 2024).  

4. Processo de Reciclagem do Negro de Fumo Reciclado 

A reciclagem do negro de fumo (rCB) proveniente de pneus usados é uma prática  crescente no Brasil, impulsionada pela necessidade de reduzir resíduos e promover a  economia circular. O rCB é obtido principalmente por meio da pirólise, um processo  térmico que decompõe a borracha dos pneus na ausência de oxigênio, resultando em  produtos como óleo pirolítico, gás combustível, fio de aço e negro de fumo, e também  por gaseificação que converte materiais carbonáceos em um gás de síntese. (ABTB,  2019)  

4.1 Processo Pirólise  

A pirólise é um processo endotérmico que ocorre em temperaturas geralmente  superiores a 400°C, em ambiente controlado e sem oxigênio. Durante este processo,  os pneus são aquecidos, decompondo-se em:  

● Negro de fumo: utilizado como carga reforçante em compostos de borracha,  pigmento para tintas e aditivo em plásticos.  

● Óleo pirolítico: pode ser refinado para produzir combustíveis ou utilizado como  matéria-prima para a indústria química.  

● Gás combustível: utilizado para gerar energia térmica no próprio processo.  

Após este processo, o rCB pode conter impurezas como hidrocarbonetos aromáticos  e resíduos de borracha. Para melhorar sua composição, é necessário passar pelo  processo de purificação, a qual consiste em torná-lo mais semelhante ao material  virgem.  

Nesta fase de purificação, o rCB é convertido em outros dois processos, o de  tratamento térmico em atmosfera inerte para ser feito a remoção das impurezas  superficiais e melhorar sua estrutura e a extração com solventes de baixo impacto  ambiental a fim de eliminar os resíduos orgânicos.  

Após a purificação, o material pode ser submetido ao processo de moagem para  reajustar o tamanho de suas partículas. Além disso, está separação química pode ser  utilizada para remover os materiais mais pesados como o zinco, fazendo o uso de  ácidos carboxílicos de origem natural. (Aranda Net, 2021) 

Fonte: Elaboração própria (2025), adaptado de ABTB (2019).  

4.2 Gaseificação 

A gaseificação do negro de fumo proveniente de pneus inservíveis é um processo  termoquímico que converte materiais carbonáceos em um gás de síntese (syngas),  composto principalmente por monóxido de carbono (CO) e hidrogênio (H₂). O  processo ocorre sob temperaturas entre 800 °C e 1200 °C, com baixo teor de oxigênio,  que evita a combustão completa e favorece reações controladas de conversão (ABCS,  2021).  

Antes da gaseificação, os resíduos passam por um pré-tratamento que inclui limpeza  e trituração, etapa necessária para otimizar a eficiência do reator e reduzir impurezas  (AMBIENTEBRASIL, 2022). Durante o processo, parte do carbono é transformada em  syngas e parte permanece como resíduo sólido (cinzas e carbono residual).  

O gás gerado necessita de purificação, etapa na qual são removidos compostos  indesejáveis como enxofre, partículas sólidas e metais pesados. Após tratado, o  syngas pode ser utilizado na geração de energia elétrica, produção de hidrogênio  verde ou como insumo químico, contribuindo para a economia circular e redução das  emissões de carbono (ECOGEN BRASIL, 2024; BLOG COONTROL, 2023).  

Fonte: Adaptado de ABTB (2019), ABCS (2021), e ECOGEN Brasil (2024).  

4.3 Comparativo entre Pirólise e Gaseificação  

Tabela 2: Comparativo entre Pirólise e Gaseificação 

Fonte: Adaptado de ABTB (2019), ABCS (2021), e ECOGEN Brasil (2024).  

5. Aplicações do Negro de Fumo Reciclado 

O negro de fumo reciclado, obtido principalmente por pirólise de pneus inservíveis,  tem sido progressivamente empregado como substituto parcial do negro de fumo  virgem em diversas aplicações industriais, com benefícios ambientais pela redução  da extração de insumos fósseis e da pegada de carbono.  

No setor pneumático, o rCB é utilizado como carga reforçante em composições de  borracha para pneus e componentes derivados, podendo, em muitos casos, substituir  parcela do negro virgem sem perda significativa das propriedades mecânicas quando submetido a tratamentos de purificação e controle de qualidade. A Bridgestone, por  exemplo, desenvolve projetos-piloto para produzir Eco Carbon Black (eCB™) a partir  de pneus pós-consumo com o objetivo de reinserir material reciclado na cadeia  produtiva de pneus (CONTEC, 2024; BRIDGESTONE, 2025).  

Além da indústria de pneus, o rCB encontra aplicações em plásticos, tintas, pigmentos  e revestimentos, atuando como pigmento e agente de proteção UV em formulações  plásticas e de revestimento. Em produtos de borracha não pneumática (v.g.,  mangueiras, correias, perfis, EPDM), o rCB pode ser incorporado para efeitos de cor,  resistência a UV e reforço, dependendo do grau e do processamento (CONTEC,  2024).  

No campo das tecnologias de energia e armazenamento, pesquisas recentes  demonstram o potencial do rCB — após ativação ou tratamento — como material para  eletrodos de supercapacitores e como aditivo condutor em compósitos para baterias  e células a combustível. Estudos indicam que materiais carbonáceos provenientes de  resíduos podem ser convertidos em eletrodos com desempenho competitivo, abrindo  oportunidades para reaproveitamento em dispositivos de armazenamento de energia.  Entretanto, o desempenho eletroquímico depende fortemente da estrutura porosa, da  condutividade elétrica e do tratamento pós-pirólise do rCB (RUPNAR et al., 2025;  DZIKUNU, 2025).  

Adicionalmente, o rCB tem sido investigado para usos em tintas industriais, tintas para  impressão, polímeros condutores, aditivos para cimento condutivo e aplicações  elétrico-térmicas, onde a funcionalidade condutora ou de blindagem eletromagnética  é requerida. Esses usos, contudo, exigem padronização e controle de impurezas  (alcatrões, metais) para garantir compatibilidade com as especificações finais dos  produtos (CONTEC, 2024).  

Em síntese, o negro de fumo reciclado apresenta aplicações consolidadas (pneus,  borrachas, pigmentos) e emergentes (armazenamento de energia, eletrodos,  compósitos condutores). A expansão de seu uso depende de melhorias nos processos  de pirólise, purificação e padronização do produto, além de investimentos industriais  que permitam garantia de qualidade em escala (BRIDGESTONE, 2025; CONTEC,  2024; RUPNAR et al., 2025). 

5.1 Setor Pneumático 

O setor pneumático é um dos principais consumidores de negro de fumo, endo  utilizado como carga reforçante em compostos de borracha para pneus e derivados.  Substituições parciais de até 50% do negro virgem por rCB podem ser realizadas sem  perdas significativas de desempenho mecânico, desde que o material reciclado passe  por processos de purificação e controle de granulometria (RUPNAR et al., 2025).  

A aplicação do rCB em compostos de borracha para pneus requer tratamento prévio,  incluindo purificação e controle de granulometria, de modo a minimizar a presença de  impurezas, alcatrões e metais pesados, garantindo propriedades mecânicas  comparáveis às do negro virgem (CONTEC, 2024). Estudos demonstram que  substituições parciais de 10 a 50% do negro virgem pelo rCB podem ser realizadas  sem comprometer significativamente o desempenho dos pneus, desde que o material  reciclado seja de alta qualidade e processado adequadamente (RUPNAR et al., 2025).  

Empresas do setor já adotam programas-piloto ou linhas de produção com rCB. Por  exemplo, a Bridgestone desenvolve a iniciativa Eco Carbon Black (eCB™), utilizando  pneus pós-consumo como matéria-prima para a produção de negro de fumo reciclado,  reinserindo-o na fabricação de novos pneus (BRIDGESTONE, 2025). De maneira  similar, fabricantes como Michelin e Goodyear investem em processos de pirólise e  purificação do rCB visando atender padrões industriais e regulatórios, garantindo  desempenho técnico e sustentabilidade (CONTEC, 2024).  

Além do uso em pneus, o rCB também é aplicado em outros produtos de borracha do  setor automotivo, como mangueiras, correias e perfis, conferindo resistência ao  desgaste, proteção UV e reforço estrutural, dependendo do grau de processamento e  do tratamento do material (CONTEC, 2024).  

Portanto, a incorporação do negro de fumo reciclado no setor pneumático não apenas  promove a sustentabilidade e a economia circular, mas também contribui para a  redução do consumo de insumos fósseis e para a diminuição da emissão de carbono  associada à produção de negro virgem (ECOGEN BRASIL, 2024). 

5.2 Plásticos e Tintas  

O negro de fumo reciclado (rCB) apresenta excelente potencial de aplicação nos  setores de plásticos e tintas, devido às suas propriedades de pigmentação, absorção  de radiação ultravioleta (UV) e melhoria das características mecânicas de polímeros  e revestimentos. Em plásticos, o rCB atua como agente reforçador, aumentando a  rigidez, a resistência ao impacto e a estabilidade térmica de polímeros como  polietileno (PE), polipropileno (PP) e poliestireno (PS). Além disso, o material é  amplamente utilizado como pigmento preto em produtos plásticos de uso doméstico,  embalagens e componentes automotivos (CONTEC; ECOGEN, 2024).  

De acordo com Mishra et al. (2024), a substituição parcial de negro de fumo virgem  por rCB em plásticos pode alcançar até 40% de reaproveitamento, sem prejuízo  significativo à dispersão e ao brilho do material final, desde que o rCB passe por  processos adequados de purificação e moagem ultrafina. Tais resultados reforçam a  viabilidade técnica e econômica do uso de rCB em produtos plásticos de médio valor  agregado.  

No setor de tintas e revestimentos, o rCB é aplicado como pigmento condutivo e  protetor UV, garantindo maior durabilidade da película e resistência à degradação  fotoquímica. As tintas industriais, especialmente as utilizadas em estruturas metálicas  e peças automotivas, se beneficiam das propriedades elétricas e antioxidantes do  rCB, que auxiliam na redução de corrosão e na estabilidade de cor. Estudos da Black  Bear Carbon (2024) demonstram que o rCB pode reduzir em até 85% as emissões de  CO₂ em comparação com pigmentos tradicionais de negro de fumo virgem, sem  comprometer o desempenho visual e físico do revestimento. (RUPNAR et al., 2025) 

Comparativo entre emissões de C02 entre Negro de Fumo Virgem e Reciclado 

Fonte: Elaboração própria (2025), adaptado de CONTEC; ECOGEN, 2024 e RUPNAR et al., 2025  

Empresas como Orion Engineered Carbons e Birla Carbon também vêm investindo  em produtos derivados de rCB para aplicações em tintas e polímeros. A Orion lançou,  em 2024, a linha Ecoris™, desenvolvida com 100% de carbono recuperado, voltada à  indústria de tintas de impressão e revestimentos decorativos (ORION ENGINEERED  CARBONS, 2024). Já a Birla Carbon desenvolveu o Continua™ Sustainable  Carbonaceous Material, que utiliza rCB tratado quimicamente para alcançar  performance equivalente ao negro virgem N550, aplicado em tintas automotivas e  termoplásticos (BIRLA CARBON, 2025).  

Estudos da Birla Carbon (2025) e da Orion Engineered Carbons (2024) demonstram  que a substituição parcial do negro virgem por rCB pode reduzir em até 85% as  emissões de CO₂ associadas à produção de pigmentos, sem comprometer  propriedades ópticas e mecânicas. A linha Ecoris™, da Orion, utiliza 100% de carbono  recuperado em tintas de impressão e revestimentos decorativos, enquanto o  Continua™, da Birla Carbon, alcança desempenho equivalente ao negro virgem N550  em aplicações automotivas.  

Em síntese, o emprego do negro de fumo reciclado em plásticos e tintas representa  um avanço relevante na busca por alternativas sustentáveis ao uso de pigmentos  fósseis. Além de reduzir custos e impactos ambientais, essa aplicação reforça o  conceito de economia circular, integrando resíduos de pneus e materiais carbonáceos ao ciclo produtivo de bens de consumo e revestimentos industriais (CONTEC, 2024;  BLACK BEAR CARBON, 2024).  

5.3 Energia e Armazenamento  

Nos últimos anos, o negro de fumo reciclado (rCB) tem despertado crescente  interesse no setor energético, principalmente como material condutivo em eletrodos  de supercapacitores, baterias de íons de lítio e células a combustível (ZHANG et al.,  2024). Devido à sua elevada área superficial, porosidade ajustável e boa  condutividade elétrica, o rCB obtido por pirólise de pneus se apresenta como  alternativa sustentável ao carbono ativado e ao negro de fumo virgem em aplicações  eletroquímicas (LI et al., 2025).  

De acordo com Zhang et al. (2024), o uso de rCB em eletrodos de supercapacitores  pode proporcionar uma densidade de capacitância de 120 F/g, contra 140 F/g do  negro de fumo virgem, demonstrando desempenho competitivo com menor custo e  impacto ambiental. Além disso, o rCB tratado termicamente a 900 °C apresenta  melhoria de 25% na condutividade elétrica, em razão da eliminação de resíduos  orgânicos e cinzas minerais durante o processo de ativação (LI et al., 2025).  

Desempenho Eletroquímico do Negro de Fumo Virgem x rCB 

Fonte: Elaboração própria (2025), adaptado de CONTEC; ECOGEN, 2024 e RUPNAR et al., 2025 

Em sistemas de baterias de íons de lítio, o rCB tem sido estudado como material  anódico condutor e aditivo para melhorar a estabilidade do eletrodo e a retenção de  carga. Segundo Chen et al. (2024), a substituição parcial do negro de fumo por rCB  em anodos de grafite resultou em uma eficiência coulômbica de 96,5% e manutenção  de 92% da capacidade após 500 ciclos, valores muito próximos aos obtidos com o  material virgem.  

O rCB também apresenta potencial para uso em células a combustível e eletrodos de  hidrogênio, devido à sua estrutura rica em microporos e boa dispersão de  catalisadores metálicos. Pesquisas conduzidas pela EcoGen Recycling (2024)  apontam que o rCB pode reduzir o custo de produção de eletrodos condutivos em até  30%, ao mesmo tempo em que contribui para a destinação sustentável de resíduos  pneumáticos.  

Essas aplicações reforçam o valor tecnológico do rCB além do setor de borracha e  plásticos, evidenciando seu papel na transição energética e na economia circular. Ao  ser reinserido em sistemas de armazenamento e conversão de energia, o material  contribui não apenas para o reaproveitamento de resíduos, mas também para a  redução das emissões de CO₂ e da dependência de insumos fósseis, consolidando se como uma solução de alto potencial para a indústria de energia limpa (ZHANG et  al., 2024; LI et al., 2025; CHEN et al., 2024).  

5.4 Novos Materiais e Aplicações Especiais  

O avanço das tecnologias de purificação e funcionalização do negro de fumo reciclado  (rCB) tem permitido sua aplicação em novas áreas industriais de alto valor agregado,  indo além dos usos tradicionais em borracha, plásticos e tintas. Entre essas  aplicações destacam-se o uso do rCB como aditivo condutor em materiais compósitos,  cimento e concreto, em blindagem eletromagnética, além de sua utilização em  filtração de gases e sistemas de adsorção (LIU et al., 2024).  

No setor da construção civil, o rCB tem sido incorporado a misturas de cimento  Portland e concretos poliméricos, atuando como aditivo condutor e reforçador  estrutural. Estudos realizados por Wang et al. (2024) indicam que a adição de apenas 2% de rCB pode aumentar em até 15% a resistência à compressão e em 30% a  condutividade elétrica de concretos especiais, permitindo o desenvolvimento de  materiais autossensores para monitoramento estrutural. Essa abordagem se alinha às  tendências da Construção 4.0, que busca integrar sensores e condutividade em  materiais inteligentes.  

Outra frente inovadora é a aplicação do rCB em blindagem eletromagnética (EMI) e  materiais eletrônicos condutivos. A estrutura grafítica do rCB, associada à sua alta  condutividade e porosidade, favorece a absorção e dissipação de ondas  eletromagnéticas. Zhang et al. (2025) relataram que compósitos de poliuretano com  10% de rCB alcançaram uma atenuação superior a 25 dB em frequências de 8 a 12  GHz, desempenho comparável a materiais de carbono virgem utilizados em  eletrônicos e dispositivos de comunicação.  

Além disso, o rCB vem sendo estudado para filtração de gases tóxicos e tratamento  de efluentes, devido à sua elevada área superficial e capacidade de adsorção de  compostos orgânicos voláteis (VOCs) e metais pesados. Segundo EcoGen Recycling  (2024), após processos de ativação química, o rCB pode alcançar uma área superficial  BET superior a 800 m²/g, tornando-o apto para aplicações em filtros industriais,  purificadores de ar e leitos adsorventes.  

Outra linha de pesquisa promissora envolve a funcionalização química do rCB por  meio da introdução de grupos oxigenados ou nitrogenados em sua superfície, visando  melhorar sua compatibilidade com matrizes poliméricas e metálicas. Tais  modificações ampliam sua aplicabilidade em compósitos de engenharia, materiais de  impressão 3D e até mesmo em dispositivos de armazenamento de energia de próxima  geração (LIU et al., 2024).  

Assim, as novas aplicações do negro de fumo reciclado reforçam sua importância  estratégica não apenas como substituto sustentável do negro virgem, mas como  matéria-prima versátil e tecnológica, capaz de atender às demandas da indústria  moderna por materiais multifuncionais, condutivos e ambientalmente responsáveis. A  tendência é que, com o avanço das técnicas de pirólise e purificação, o rCB se  consolide como um elemento essencial em diversas cadeias produtivas de alto  desempenho (WANG et al., 2024; ZHANG et al., 2025; LIU et al., 2024). 

As aplicações do negro de fumo reciclado demonstram viabilidade técnica crescente  e forte potencial de integração em cadeias industriais sustentáveis. O setor  pneumático lidera a adoção, impulsionado pela busca por economia circular e redução  de custos de produção. Já as aplicações energéticas, embora mais recentes,  representam um campo de inovação estratégica para a transição energética e o  desenvolvimento de materiais de alto desempenho. A partir da ótica da Engenharia  de Produção, o rCB se destaca como alternativa economicamente viável e  ambientalmente superior, desde que haja controle rigoroso de pureza, padronização  de processos e incentivos à escala produtiva.  

6 Impactos Ambientais Associados ao Negro de Fumo Reciclado  

Apesar das vantagens da reciclagem e reutilização do negro de fumo, seu manuseio  inadequado pode acarretar problemas ambientais. A queima incompleta ou a  liberação de partículas muito pequenas pode poluir o ar, liberando gases tóxicos que  prejudicam a saúde humana e o meio ambiente (SOUZA; MENDES, 2020).  

Além disso, o descarte incorreto de resíduos contendo negro de fumo em aterros pode  contaminar o solo e as águas subterrâneas devido à infiltração de substâncias  químicas presentes no material (OLIVEIRA et al., 2017). Por isso, é fundamental que  os processos industriais sejam conduzidos de maneira sustentável, com controle  rigoroso das emissões para evitar danos ambientais (COSTA; MARTINS, 2019).  

Dessa forma, reciclar o negro de fumo contribui para a diminuição da extração de  recursos naturais, reduz o volume de resíduos e as emissões de gases causadores  do efeito estufa, sendo essencial para o avanço das energias renováveis e para a  economia circular (FERREIRA et al., 2021).  

7. Resultados e Discussão  

Os resultados apresentados ao longo dos estudos e análises bibliográficas  evidenciam o potencial do negro de fumo reciclado (rCB) como alternativa sustentável e tecnicamente viável ao negro de fumo virgem (CB). A principal vantagem do rCB  está na redução significativa das emissões de CO₂ e no menor consumo de energia  durante a produção. Segundo Birla Carbon (2025) e Ecogen Brasil (2024), a produção  convencional do CB emite, em média, 2,5 toneladas de CO₂ por tonelada de material  produzido, enquanto o rCB obtido por pirólise reduz esse valor para 0,3–0,4 toneladas  de CO₂, representando uma diminuição superior a 80% nas emissões. Essa diferença  evidencia o papel estratégico do rCB na transição para modelos produtivos de baixo  carbono.  

Do ponto de vista econômico, Contec S.A. (2024) destaca que o custo médio de  produção do rCB gira em torno de USD 600 a 800 por tonelada, aproximadamente 40  a 50% inferior ao custo do CB virgem. Essa redução reflete tanto o aproveitamento de  resíduos como a simplificação do processo produtivo, o que pode gerar vantagens  competitivas significativas para indústrias que adotem o material em escala.  

No entanto, os estudos também mostram limitações técnicas que ainda dificultam a  substituição total do CB pelo rCB. Pesquisas de Laithong et al. (2025) e Li et al. (2025)  indicam que, embora o rCB apresente boa área superficial (50–120 m²/g) e  condutividade satisfatória (1–3 S/cm), sua pureza e uniformidade dependem  fortemente das condições de pirólise e purificação. Isso implica desafios no controle  de qualidade, especialmente para aplicações de alta performance, como compósitos  automotivos e eletrônicos.  

Em relação às aplicações energéticas, Zhang et al. (2024) e Wang et al. (2024)  relatam que o rCB pode atingir capacitâncias específicas de até 120 F/g, tornando-se  promissor para uso em supercapacitores e baterias híbridas. No entanto, o  desempenho ainda varia conforme o grau de ativação térmica, a morfologia das  partículas e a presença de contaminantes metálicos.  

O impacto ambiental positivo do rCB também é reforçado por estudos da Orion  Engineered Carbons (2024), que demonstram que a produção com carbono  recuperado reduz a necessidade de extração de matérias-primas fósseis em até 70%,  e pode ser integrada a processos de energia renovável, como o aproveitamento do  gás pirolítico para geração térmica.  

Do ponto de vista da Engenharia de Produção, esses resultados apontam para uma  mudança de paradigma produtivo. O uso do rCB viabiliza uma cadeia circular, onde o resíduo (pneu inservível) retorna ao ciclo produtivo como insumo de valor agregado.  Essa circularidade se traduz em: menor dependência de matérias-primas não  renováveis, otimização de custos logísticos e energéticos, redução de passivos  ambientais industriais e novas oportunidades de mercado em setores que buscam  certificações ESG.  

Por outro lado, há barreiras operacionais e normativas que limitam a expansão da  tecnologia. A ausência de padrões internacionais de qualidade para o rCB e a variação  entre processos industriais ainda geram resistência em setores que exigem  propriedades reprodutíveis e certificadas. Iniciativas como o Sustainable Carbon  Standard (SCS), apoiado por empresas como Birla Carbon e Bridgestone (2025),  buscam estabelecer parâmetros para a padronização global desse material.  

Assim, os resultados convergem para a constatação de que o negro de fumo reciclado  é tecnicamente viável, economicamente competitivo e ambientalmente vantajoso,  mas depende de avanços em controle de qualidade, políticas de incentivo e integração  produtiva para atingir plena consolidação industrial.  

8. Conclusão  

O presente estudo revelou que o negro de fumo reciclado (rCB), produzido por meio de  processos como a pirólise de pneus inservíveis, representa uma alternativa promissora  ao negro de fumo virgem (CB), sendo compatível com os imperativos da economia  circular e com os objetivos da Engenharia de Produção de promover processos mais  eficientes e sustentáveis.  

Com base na questão de pesquisa formulada — quais são os benefícios ambientais e  produtivos obtidos pelas empresas que aplicam o rCB em seus processos industriais?  — foi possível constatar que:  

  • o rCB reúne propriedades físico-químicas adequadas para substituição parcial do  CB em aplicações convencionais e emergentes 
  • sua adoção está associada à redução expressiva dos impactos ambientais  vinculados à produção e ao descarte de resíduos;  
  • em termos produtivos, o reaproveitamento do rCB favorece a otimização de  matérias-primas, a integração de fluxos internos de resíduos e o fortalecimento  de cadeias de valor mais sustentáveis.  

No âmbito da Engenharia de Produção, a utilização do rCB configura-se como uma  oportunidade estratégica para reconciliar desempenho técnico, competitividade  industrial e responsabilidade ambiental. Todavia, a consolidação desse caminho  depende de avanços em controle de qualidade, normatização, certificação, incentivos  regulatórios e infraestrutura logística adequada para a reciclagem em escala industrial.  

Limitações deste trabalho devem ser consideradas: por ser de natureza bibliográfica, ele  não contemplou coleta de dados primários ou medições práticas no cenário brasileiro,  o que limita a generalização dos resultados para aplicações locais. Em vista disso,  recomenda-se que pesquisas futuras incorporem estudos de caso em empresa  brasileira, estimativas de custo-benefício, modelagem logística de pneus inservíveis e  avaliação experimental das novas aplicações do rCB, como em compósitos para  armazenamento de energia e blindagem eletromagnética.  

Concluindo, o rCB não apenas contribui para a mitigação dos impactos ambientais  associados à produção de negro virgem e ao descarte de pneus, mas também abre  caminho para uma reconfiguração produtiva mais sustentável, coerente com a trajetória  da Engenharia de Produção em direção à produção limpa, economia circular e gestão  eficiente de recursos. 

9. Referências  

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