THE USE OF ORAL CONTRACEPTIVES IN WOMEN WITH POLYCYSTIC OVARIAN SYNDROME: BENEFITS AND CHALLENGES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511171635
Lívia Jesus Costa
Kelly Lacerda Lopes
Orientador: Marcos Paulo Passos
RESUMO
A síndrome do ovário policístico é um distúrbio endócrino comum em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por irregularidade menstrual, hiperandrogenismo e presença de cistos nos ovários. Este trabalho tem como objetivo analisar os principais benefícios e desafios do uso de anticoncepcionais hormonais em mulheres com síndrome do ovário policístico, considerando seus impactos na saúde e qualidade de vida das pacientes. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura qualitativa baseada em livros e artigos científicos publicados nos dez últimos anos, recuperados em bases de dados como Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), PubMed e Google Acadêmico, utilizando os descritores: “síndrome dos ovários policísticos”, “síndrome de Stein-Leventhal” “anticoncepcionais orais” e “Contraceptivo oral hormonal”, extraídos do DeCS (Descritores em Ciências de Saúde) e do MeSH (Medical Subject Headings). Os anticoncepcionais orais combinados são considerados a primeira linha de tratamento da SOP para mulheres que não desejam engravidar, demonstraram eficácia contra a irregularidade menstrual e hiperandrogenismo. Além disso, promovem a prevenção do câncer de endométrio. Apesar do medicamento oferecer benefícios pode piorar a resistência à insulina, aumentar o risco de doenças cardiovasculares e de eventos trombolíticos. Diante disso, conclui-se que, a intervenção terapêutica da SOP deve ser de forma individualizada e multifatorial, sempre associada a mudança de estilo de vida para alcançar melhores resultados.
Palavras-chave: síndrome dos ovários policísticos; anticoncepcionais orais combinados; tratamento.
ABSTRACT
Polycystic ovary syndrome (PCOS) is a common endocrine disorder in women of reproductive age, characterized by menstrual irregularity, hyperandrogenism, and the presence of cysts in the ovaries. This study aims to analyze the main benefits and challenges of using hormonal contraceptives in women with PCOS, considering their impacts on the health and quality of life of patients. This is a qualitative integrative literature review based on books and scientific articles published in the last ten years, retrieved from databases such as Scientific Electronic Library Online (SciELO), Virtual Health Library (BVS), PubMed, and Google Scholar, using the descriptors: “polycystic ovary syndrome,” “Stein-Leventhal syndrome,” “oral contraceptives,” and “hormonal oral contraceptive,” extracted from DeCS (Descriptors in Health Sciences) and MeSH (Medical Subject Headings). Combined oral contraceptives are considered the first-line treatment for PCOS in women who do not wish to become pregnant, demonstrating efficacy against menstrual irregularity and hyperandrogenism. Furthermore, they promote the prevention of endometrial cancer. Despite the medication’s benefits, it can worsen insulin resistance, increase the risk of cardiovascular disease, and thrombotic events. Therefore, it is concluded that the therapeutic intervention for PCOS should be individualized and multifactorial, always associated with lifestyle changes to achieve better results.
Keywords: polycystic ovary syndrome; combined oral contraceptives; treatment.
1. INTRODUÇÃO
A Síndrome do Ovário Policístico (SOP), descrita inicialmente por Stein e Leventhal em 1935 ao observarem um grupo de pacientes com hirsutismo, amenorreia e cistos nos ovários, é atualmente reconhecida como a endocrinopatia mais prevalente em mulheres em idade reprodutiva. A prevalência estimada varia entre 6% e 10% da população feminina, impactando significativamente a saúde física e mental (Brasil, 2023).
As manifestações mais comuns da SOP incluem infertilidade decorrente da anovulação crônica, hiperandrogenismo clínico e laboratorial, risco aumentado para o desenvolvimento de câncer de endométrio e doenças metabólicas como a resistência insulínica, obesidade, diabetes tipo 2 (Fernandes; Pompéi, 2016).
Mulheres com SOP apresentam maior prevalência de transtornos mentais, como por exemplo, a ansiedade, depressão, transtornos alimentares levando a um sofrimento com a imagem corporal (Hoeger; Dokras; Piltonen, 2021).
Apesar das diversas opções terapêuticas disponíveis, o tratamento da SOP ainda é um desafio. Os anticoncepcionais hormonais são amplamente prescritos para o tratamento da síndrome, pois auxiliam no controle dos sintomas. Apesar de oferecer benefícios, o seu uso também está associado a riscos, como o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e de resistência à insulina, sendo crucial compreender as vantagens e desvantagens do uso do contraceptivo.
Nesse contexto, tendo em vista a importância de abordar esta patologia, este trabalho tem como objetivo analisar os principais benefícios e desafios do uso de anticoncepcionais hormonais em mulheres com síndrome do ovário policístico, considerando seus impactos na saúde e qualidade de vida das pacientes.
2. SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO: HISTÓRICO E CONCEITO
A síndrome do ovário policístico é um desequilíbrio hormonal comum que afeta mulheres em idade fértil. Essa condição foi descrita pela primeira vez em 1935 pelos médicos Stein e Leventhal. Eles analisaram um grupo de sete mulheres que apresentavam sinais clínicos como amenorreia (ausência de menstruação), hirsutismo e aumento dos ovários (Fernandes; Pompéi, 2016). Os ginecologistas relacionaram os sintomas citados a uma disfunção ovariana, porém naquela época pouco se compreendia sobre essa síndrome.
Os ovários são duas glândulas ovais que compõem o sistema reprodutor feminino, situados um de cada lado do útero, responsáveis pela síntese de hormônios sexuais, principalmente estrogênio e progesterona (Tortora; Derrickson, 2023).
Atualmente, a SOP é compreendida como um desequilíbrio endócrino e metabólico, especialmente com a presença de altos níveis de hormônios androgênicos, anovulação e resistência à insulina, sendo considerada uma síndrome complexa (Fernandes; Pompéi, 2016).
2.1 ETIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA DA SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO
A etiologia da síndrome do ovário policístico ainda não é completamente compreendida, porém é amplamente relacionada à combinação de fatores genéticos e fatores ambientais (estilo de vida e dieta). Mulheres com histórico familiar de SOP possuem um maior risco de desenvolvimento da doença, os fatores genéticos se destacam com uma maior incidência da síndrome em parentes de primeiro grau (Fernandes; Pompéi, 2016).
O aumento da secreção de LH (hormônio luteinizante) e diminuição de SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), devido a uma desregulação na hipófise, estimula uma maior sintetização de androgênios pelos ovários. O aumento de androgênios é uma das principais manifestações clínicas da síndrome, relacionados principalmente com a acne e o hirsutismo. A resistência à insulina, decorrente da obesidade, é um fator que se destaca na SOP, pois o seu excesso também aumenta a produção de androgênios, agravando os sintomas e gerando um risco para desenvolvimento para diabetes tipo II (Fernandes; Pompéi, 2016).
2.2 DIAGNÓSTICO
A síndrome do ovário policístico pode ser diagnosticada com base no Consenso de Rotterdam (2003), que inclui três critérios: Oligo-ovulação ou anovulação (ciclos menstruais irregulares), hiperandrogenismo (presença de acne, hirsutismo, alopecia androgênica ou até mesmo presença de hormônios andrógenos na corrente sanguínea) e ovários policístico (volume ovariano aumentado com mais de 10cm3 ou a presença de 12 ou mais folículos medindo de 2 a 9mm, diagnosticado no exame de imagem). Para confirmação do diagnóstico é necessário a presença de pelo menos dois dos três critérios citados anteriormente, uma mulher pode ser diagnosticada com SOP mesmo sem a presença de cistos nos ovários (Quadro 1) (Febrasgo, 2023).
Quadro 1- Critérios de Rotterdam (2003)

Para o diagnóstico em adolescentes é necessário a presença de hiperandrogenismo e disfunção ovulatória. O diagnóstico exige que haja a exclusão de outras patologias que mani festem sintomas semelhantes, tanto para adolescentes quanto para mulheres adultas, como hi perplasia suprarrenal congênita, tumores secretores de androgênios e hiperprolactinemia, que também podem apresentar oligo-ovulação e/ou excesso de androgênios (Febrasgo, 2023).
Na investigação para o diagnóstico da SOP, devem ser solicitados exames laboratoriais para confirmar o hiperandrogenismo, descartar outras patologias e avaliar a resistência à insulina. Além disso, deve-se solicitar ultrassonografia pélvica a fim de avaliar a morfologia dos ovários. São recomendadas as seguintes dosagens: testosterona total, 17-hidroxiprogesterona, prolactina sérica, sulfato de deidroepiandros testosterona (DHEA-S) (em caso de suspeita de tumor adrenal), hormônio tireoestimulante (TSH), colesterol total, colesterol HDL e triglicerídeos (para pacientes com suspeita de síndrome metabólica). Essas dosagens são solicitadas para rastrear outras causas de hiperandrogenismo ou rastrear possíveis síndrome metabólicas (Brasil, 2019).
Os pelos do corpo humano podem ser classificados em dois tipos: velus, que são finos, curtos e não pigmentados, e terminais, que são mais grossos, maiores e escuros. Os hormônios andrógenos podem estimular a conversão de pelos velus em terminais, condição frequentemente observada em mulheres com SOP. O hirsutismo é definido como o excesso de pelos terminais no sexo feminino, em áreas comuns do corpo masculino, como rosto; principalmente acima dos lábios e mento, tórax e na parte inferior do abdome. Para avaliar a intensidade desse quadro, os profissionais de saúde utilizam a Escala de Ferriman e Gallwey, que analisa a presença de pelos em 11 regiões do corpo feminino. Cada área recebe uma pontuação de 0 a 4, onde 0 indica ausência de pelos e 4 representa uma quantidade abundante, conforme na figura 1 (Febrasgo, 2023).
Figura 1- Diagnóstico do grau de hirsutismo clínico de acordo com a Escala de Ferriman e Gallwey

2.3 BENEFÍCIOS DOS ANTICONCEPCIONAIS ORAIS
O uso de anticoncepcional oral combinado, pílulas compostas por estrogênio e progesterona, é considerado a primeira linha de opção para o tratamento da síndrome do ovário policístico para mulheres que não desejam engravidar naquele momento e que apresentam sinais de hiperandrogenismo (Fernandes; Pompéi, 2016). Após a confirmação do diagnóstico baseado nos critérios de Rotterdam e da estimativa de risco metabólico das pacientes inicia-se o direcionamento do tratamento. A escolha do tipo de anticoncepcional dependerá de cada paciente, devendo ser de forma individualizada respeitando cada quadro.
O anticoncepcional oral combinado (AOCs) é um método contraceptivo hormonal que atua impedindo a liberação do óvulo pelos ovários (Brasil,2023). Após a ingestão da pílula por via oral, os hormônios presentes na mesma são absorvidos no trato gastrointestinal (TGI) e são transportadas para o fígado, onde são metabolizados pelas enzimas do citocromo p450 (CYP) e sofrem metabolismo de primeira passagem. O estradiol, quando é metabolizado, leva à formação dos seguintes metabólitos: estrona, sulfato de estrona e glicuronídeo de estrona (Shah; Patil, 2018).
Estudos indicam que mulheres com síndrome do ovário policístico apresentam um maior risco para o para o desenvolvimento de câncer de endométrio, uma vez que elas podem possuir uma hiperplasia endometrial (crescimento da parede interna do útero) decorrente da anovulação crônica (Johnson, 2023). O progestagênio presente nos anticoncepcionais hormonais atua regulando os hormônios, impedindo o crescimento desordenado da camada uterina e promovendo ciclos menstruais regulares, contribuindo para a prevenção do câncer de endométrio, um fator preocupante para mulheres com SOP (Quadro 2) (Febrasgo, 2023).
Os contraceptivos orais combinados (COCs) contribuem significativamente para a melhora dos sintomas do hiperandrogenismo, sendo crucial para diminuição da acne e do hirsutismo. O estrogênio composto nos COCs são responsáveis por inibir a liberação de gonadotrofina, acarretando a redução da síntese de hormônios androgênicos. Além disso, o estrogênio atua aumentando os níveis globulina ligadora de hormônios sexuais, proteína produzida pelo fígado que transporta hormônios (SHBG), controlando o hiperandrogenismo (Quadro 3) (Xing et al.,2022). Em casos de obesidade e sobrepeso é recomendado o uso de anticoncepcional oral associado à metformina. A metformina melhora a resistência à insulina e controla os hormônios androgênicos (Hoeger; Dokras; Piltonen, 2021).
Quadro 2- Benefícios dos anticoncepcionais orais combinados em mulheres com SOP
| BENEFÍCIOS | DESCRIÇÃO |
| Regulação do ciclo menstrual | Promove ciclos menstruais regulares, evitando amenorreia. |
| Prevenção do câncer de endométrio | Diminui risco de hiperplasia do endométrio decorrente da anovulação crônica. |
| Melhoria dos sinais e sintomas do hiperandrogenismo | Redução dos hormônios androgênicos, aliviando o hirsutismo, acne e oleosidade da pele. |
| Prevenção de uma gravidez indesejada | Método altamente eficaz contra uma gravidez indesejada. |
2.4 DESAFIOS DOS ANTICONCEPCIONAIS ORAIS
O uso de anticoncepcional oral em mulheres com SOP apresenta muitos desafios, os AOCs podem elevar a resistência insulínica, pois reduz a sensibilidade à insulina favorecendo o desenvolvimento de diabetes tipo II. Ademais, os contraceptivos hormonais orais podem agravar a dislipidemia e contribuir para o surgimento de tromboembolia venosa (TVE) e doença cardiovascular (DCV), especialmente em portadoras de SOP que já possuem um risco elevado devido à própria síndrome (Quadro 3) (Manzoor et al.,2019). Portanto, é essencial haver um monitoramento rigoroso das pacientes usuárias de contraceptivo oral que possuem SOP por um profissional de saúde e devem suspender o uso em caso do aparecimento de quaisquer efeitos colaterais (Shah; Patil, 2018).
Quadro 3- Desafios do uso de AOCs em mulheres com SOP
| DESAFIOS | DESCRIÇÃO |
| Resistência à insulina | Reduz a sensibilidade insulínica, contribuindo para o desenvolvimento de diabetes. |
| Ressurgimento dos sintomas ao suspender o uso | Os AOCs não curam o hiperandrogenismo, seu efeito é apenas durante o uso podendo ressurgir ao parar de tomá-lo. |
| Aumento do risco cardiovascular, dislipidemia e tromboembolia venosa | Contraceptivos orais podem elevar os níveis de triglicerídeos e o risco de trombose que já se destaca como um fator preocupante em mulheres com SOP principalmente as que estão acima do peso. |
| Monitoramento médico | Monitoramento regular para avaliação da eficácia e desvendar possíveis efeitos colaterais. |
Apesar dos anticoncepcionais oferecerem uma melhora dos sinais e sintomas do hiperandrogenismo e regularizar o ciclo menstrual ao suspender o uso, as manifestações clínicas podem ressurgir afetando o bem-estar psicológico da paciente. Sendo assim, para alcançar melhores resultados e garantir a qualidade de vida da paciente é essencial aconselhá-la sobre os possíveis benefícios e riscos do AOCS para seu tratamento.
2.5 OUTRAS OPÇÕES TERAPÊUTICAS
Adquirir uma rotina saudável é essencial para o tratamento da síndrome do ovário policístico. A alimentação deve ser equilibrada rica em fibras, com baixo índice de carboidratos e lipídios, associada a exercícios físicos, para controlar a resistência à insulina e contribuir para a perda de peso corporal. A interrupção do tabagismo também deve ser incentivada. A mudança de estilo de vida contribui significativamente para a melhora dos sintomas, incluindo a regulação do ciclo menstrual. Ademais, cumpre destacar que o acompanhamento psicológico é fundamental, uma vez que a SOP pode causar impactos emocionais, afetando a saúde mental da mulher (Quadro 4) (Shangguan et al., 2024). As formas de tratamento expostas anteriormente garantem uma melhora da qualidade de vida física e mental.
Para o hirsutismo pode ser indicado tratamentos dermatológicos como laser ou cremes de uso tópico para remover o crescimento de pelos e reduzir o seu crescimento. Produtos que contém ácido salicílico, associados a terapias hormonais, são eficazes para tratar a acne.
A metformina, muito utilizada para o tratamento de diabetes tipo II, é considerada muito eficaz para o tratamento da SOP, principalmente em mulheres que apresentam resistência à insulina. O medicamento atua reduzindo os níveis de glicose na corrente sanguínea e diminui a produção de hormônios andrógenos em excesso. Além disso, a metformina proporciona a redução de peso e diminui os níveis de lipídios (Quadro 4) (Hoeger; Dokras; Piltonen, 2021). Medicamentos indutores da ovulação são amplamente prescritos para mulheres com SOP que são diagnosticadas com infertilidade. O citrato de clomifeno (CC) atua bloqueando os receptores de estrogênio no hipotálamo, resultando na inibição do mecanismo de feedback negativo e consequentemente levando a maturação celular (Collée et al.,2021).
Quadro 4- Formas de tratamento e benefícios
| TIPO DE TRATAMENTO | CONTROLE DOS NÍVEIS DE GLICOSE | PERDA DE PESO CORPORAL | MELHORA DA SAÚDE MENTAL | REGULAÇÃO DO CICLO MENSTRUAL | REDUÇÃO DE HORMÔNIOS ANDRÓGENOS |
| Melhora da qualidade vida | x | x | x | x | x |
| Apoio psicológico | x | ||||
| Metformina | x | x | x | x |
3. METODOLOGIA
O presente trabalho trata-se de uma revisão integrativa de literatura de caráter qualitativo, baseada na análise e interpretação de estudos científicos e livros enfatizando o conhecimento sobre as principais características da SOP, incluindo os seus aspectos clínicos, terapêuticos e desafios ligados ao uso de anticoncepcional oral. A análise foi conduzida por método seletivo e exploratório de forma crítica.
Após o levantamento bibliográfico, houve a coleta de dados nas seguintes bases de dados amplamente reconhecidas: PubMed, Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) e Scientific Electronic Library Online (SciELO) e google acadêmico.
A fim de garantir a relevância das informações, foram utilizados os termos a seguir como descritores e palavras-chave, extraídos do DeCS (Descritores em Ciências de Saúde) e do MeSH (Medical Subject Headings): “Síndrome do Ovário Policístico” OR “Síndrome de Stein-Leventhal” OR, “Anticoncepcionais” OR “Contraceptivo oral hormonal” (Quadro 5). A estratégia de busca procurou combinar descritores com operadores booleanos (AND, OR) para assegurar a melhoria dos resultados.
Quadro 5- Descritores
| DESCRITOR EM PORTUGUÊS | DESCRITOR EM INGLÊS |
| Síndrome de Ovários Policísticos | Polycystic Ovary Syndrome |
| Síndrome de Stein-Leventhal | Stein-Leventhal syndrome |
| Anticoncepcionais Orais Hormonais | Hormonal oral contraceptives |
| Contraceptivo Oral Hormonal | Hormonal Oral Contraceptive |
Os critérios de inclusão para seleção de cada artigo ou livro incluiu publicações e obras científicas completas dos últimos 10 anos disponíveis em português e inglês, que abordam especificamente o uso de anticoncepcional no tratamento da SOP. Foram excluídos da análise achados publicados a mais de 10 anos e que não fazem parte da língua portuguesa ou inglesa, artigos de opinião e artigos indisponíveis na íntegra limitando a análise completa.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Conforme os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos na metodologia, foram identificados diversos estudos relacionados ao uso de anticoncepcionais orais em mulheres com síndrome dos ovários policísticos. Entre os trabalhos encontrados, destacaram-se diferentes tipos de estudos, incluindo revisões narrativas, revisões sistemáticas, meta-análises, estudos piloto observacionais e declarações de consenso. Os estudos selecionados foram organizados no Quadro 6, destacando o autor, ano de publicação, título, objetivos, tipo de estudo e principais achados. Após a análise crítica, foram selecionados 10 artigos considerados mais pertinentes ao tema.
Quadro 6: Principais achados a respeito do uso de anticoncepcional em mulheres com SOP e outras medidas terapêuticas
| TÍTULO/AUTOR/ANO | OBJETIVO | TIPO DE ESTUDO | PRINCIPAIS ACHADOS |
| Função sexual em mulheres com ovários policísticos que utilizam anticoncepcionais orais (Bento et al.,2024) | Avaliar o impacto da SOP na qualidade de vida sexual das mulheres que fazem o uso de contraceptivo oral. | Observacional de coorte retrospectivo | Mulheres com SOP que realizam o uso anticoncepcionais orais composto por etinilestradiol maior ou igual a 0,035 mg manifestaram um maior índice de função sexual feminina (FSFI) do que as que utilizam concentrações menores. A SOP também é um fator desencadeante para FSFI, principalmente se estiver relacionada ao uso de contraceptivo oral. |
| Effects of oral contraceptives on the quality of life of women with polycystic ovary syndrome: a crossover randomized controlled trial (Amiri et al., 2020) | Comparar, por 6 meses, os efeitos de diversas composições de contraceptivos orais (2ª geração versus mais novas) na qualidade de vida de mulheres com SOP. | Ensaio clínico randomizado cruzado | No período de 3 meses os dados demonstraram que contraceptivos orais compostos por desogestrel (DSG), acetato de ciproterona (CPA) ou drospirenona (DRSP) não apresentaram diferenças significativas quanto os contendo levonorgestrel (LNG). Após 6 meses as pacientes tratadas com CPA apresentaram melhorias na qualidade de vida do que com o uso de LNG. Não foram encontradas diferenças significativas em relação a autoimagem, fertilidade, função sexual, hirsutismo e obesidade-distúrbios menstruais e psicossocial emocional de tratamento com DSG, CPA ou DRSP, em comparação com LNG. |
| Metformin and Combined Oral Contraceptive Pills in the Management of Polycystic Ovary Syndrome: A Systematic Review and Meta analysis (Melin et.,2024) | Comparar os efeitos metabólicos e clínicos entre metformina e anticoncepcional no tratamento de mulheres com SOP. | Revisão sistemática com meta-análise | Tanto no tratamento combinado e isolado entre metformina e anticoncepcional não demonstraram diferenças para o hirsutismo. A metformina se mostrou inferior a redução de índice androgênico livre e testosterona, e globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) em comparação com COCP. A metformina apresentou melhores resultados em relação a redução insulínica do que os COCP. |
| Different kinds of oral contraceptive pills in polycystic ovary syndrome: a systematic review and meta-analysis (Forslund et.,2023) | Comparar os efeitos de diversos tipos de contraceptivos orais combinados (COCs) em mulheres com SOP. | Revisão sistemática com meta-análise | Apesar dos contraceptivos orais de quarta geração apresentarem um menor índice de massa corporal (IMC) e testosterona comparados aos de terceira geração não mostraram diferenças no hirsutismo. COC composto por etinilestradiol (EE)/acetato de ciproterona (CPA) foi o que se demonstrou mais eficaz contra o hirsutismo. |
| Influence of combined oral contraceptives on polycystic ovarian morphology-related parameters in Korean women with polycystic ovary syndrome (Park; Chun,2019) | Avaliar em mulheres com SOP, os efeitos dos contraceptivos orais combinados sobre a morfologia dos seus ovários. | Estudo clínico observacional | O uso de contraceptivos orais combinados promoveu uma redução no número de folículos antrais no período de 12 meses, contribuindo para diminuição do volume ovariano. |
| Effect of the combined oral contraceptive pill and/or metformin in the management of polycystic ovary syndrome: A systematic review with meta analyses (Teede et al.,2019) | Investigar o efeito dos contraceptivos orais combinados associado ou isolado da metformina na terapia da SOP. | Revisão sistemática com meta-análises | Tanto em mulheres adolescentes, quanto mulheres adultas a metformina demonstrou melhores resultados para a diminuição do índice de massa corporal comparado aos anticoncepcionais orais, porém os COCP se destacaram na regularidade do ciclo menstrual e além do seu uso isolado proporcionar benefícios para hiperandrogenismo. |
| A randomized pilot study of dietary treatments for polycystic ovary syndrome in adolescents (Wong et al.,2015). | Comparar os efeitos de uma dieta de baixo teor glicêmico versus dieta de baixo teor de gordura sobre o hiperandrogenismo em adolescentes obesas ou com sobrepeso com SOP. | Estudo piloto randomizado | As intervenções dietéticas, incluíram educação e orientação nutricional, diminuiu o índice de gordura corporal, porém não houve alterações significativas nos níveis de testosterona. |
| Oral contraceptive use increases risk of inflammatory and coagulatory disorders in women with polycystic ovarian syndrome: An observational study (Manzoor et al.,2019) | Avaliar mulheres com SOP que tomam contraceptivo oral versus mulheres sem esse tipo de tratamento, procurando enfatizar perfis metabólicos e distúrbios de coagulação. | Piloto observacional | Os contraceptivos orais mostraram eficazes para sintomas clínicos da SOP como acne, hirsutismo e alopecia, porém podem contribuir para o agravamento da doença. Os dados determinaram piora nos níveis de glicose, lipídios e tromboembolismo venoso. |
| The effect of hormonal contraceptives combined with vitamin D3 supplements on sexual dysfunction in women with polycystic ovary syndrome: a randomized double-blind placebo controlled trial (Toth et al.,2025) | Investigar o efeito dos contraceptivos orais combinados associado ou isolado da vitamina D3 na disfunção sexual de mulheres com SOP. | Ensaio clínico randomizado controlado | Os resultados mostraram a eficácia da vitamina D3 desempenho sexual das mulheres, principalmente na libido, tanto no início do estudo quanto após o período de 3 meses. O uso combinado de anticoncepcional oral combinado com a vitamina D3 não mostrou diferenças significativas em comparação ao uso da vitamina D3 usada de forma isolada. |
| Effectiveness and acceptability of different lifestyle interventions for women with polycystic ovary syndrome: protocol for a systematic review and network meta analysis (Shangguan et al.,2024) | Apontar diferentes intervenções de estilo de vida para mulheres com SOP. | Revisão sistemática e meta-análise | Muitas mulheres com SOP apresentam sobrepeso ou obesidade. Diante disso, mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável e prática de exercícios físicos, são altamente recomendados. Além disso, a terapia cognitivo-comportamental pode ser uma grande aliada, contribuindo para melhorias no bem-estar emocional e na qualidade de vida dessas pacientes. |
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição ginecológica comum que afeta milhares de mulheres em idade reprodutiva. Caracteriza-se por um desequilíbrio hormonal que pode incluir a presença de cistos nos ovários, hiperandrogenismo e irregularidade nos ciclos menstruais (Shangguan et al.,2024). De acordo com o Consenso de Rotterdam, o diagnóstico da SOP requer a presença de pelo menos dois desses três critérios, além da exclusão de outras doenças que possam apresentar sintomas semelhantes (Hoeger; Dokras; Piltonen, 2021).
Diante dos resultados coletados, os anticoncepcionais orais destacam-se como tratamento de primeira linha para mulheres com SOP que não desejam engravidar imediatamente, visto que há amplos estudos disponíveis na literatura que evidenciam seus benefícios na melhoria dos sintomas do hiperandrogenismo, promove a regularidade menstrual e prevenção de hiperplasia endometrial (evitando o carcinoma de endométrio, fator de risco para mulheres com SOP). As outras formas de tratamento encontradas podem ser associadas com o uso de contraceptivo oral ou serem feitas de forma isolada quando a paciente ou médico não quiser adquirir o método ou não poder utilizá-lo. A seguir, será discutido as principais características da SOP e uso de ACOs.
O estudo conduzido por Hoeger, Dokras e Piltonen (2021), observou que a combinação de ACOs e metformina apresentou melhores resultados no tratamento da SOP. Enquanto os ACOs demonstraram eficazes na regularidade do ciclo e hirsutismo, principalmente na melhora da acne, diminuição de pelos e alopecia, a metformina atua na melhora da resistência à insulina que é considerada um fator de risco comumente associado a SOP.
Segundo Manzoor et al. (2019), apesar dos benefícios do uso de contraceptivos orais combinados em mulheres com SOP, seu uso pode apresentar riscos, especialmente no que diz respeito à resistência à insulina, ameaça frequentemente associada a essa condição. O uso de COCs pode piorar a resistência à insulina, contribuindo para o desenvolvimento de diabetes tipo 2, agravamento de distúrbios metabólicos e eventos tromboembólicos.
Embora os COCs sejam amplamente prescritos no controle dos sintomas da SOP, outras medidas terapêuticas são muito utilizadas ou associadas, principalmente a modificação de estilo de vida, sendo considerada uma intervenção muito efetiva. A prática regular de exercícios físicos e uma dieta balanceada podem melhorar significativamente o perfil metabólico. Em mulheres que desejam engravidar, é muito utilizado indutores da ovulação como o citrato de clomifeno (Shangguan et al.,2024).
Ainda conforme Shangguan et al. (2024), estudos indicam que pacientes com SOP apresentam maior risco de desenvolver obesidade e complicações metabólicas. Nessa condição, é necessário a mudanças no estilo de vida associado a tratamento medicamentoso, como o uso de metformina. Além disso, manifestações dermatológicas associadas, como hirsutismo, alopecia e acne, podem impactar negativamente a qualidade de vida física e mental dessas pacientes. A terapia cognitivo-comportamental é uma grande aliada para aumentar a eficácia das medidas terapêuticas.
Os anticoncepcionais orais são uma opção de tratamento muito útil para mulheres com SOP, porém deve-se considerar os seus possíveis efeitos colaterais e associar o medicamento
com mudança de estilo de vida ou até mesmo a outras intervenções farmacológicas em que possa associar ou substituir os ACOs. O acompanhamento contínuo multidisciplinar (ginecologista, endocrinologista, nutricionista, psicólogo e dermatologista) é essencial para alcançar melhores resultados e prevenir complicações futuras.
5. CONCLUSÃO
Portanto, conclui-se que o uso de anticoncepcionais orais combinados são considerados a primeira linha de tratamento da síndrome do ovário policístico. O medicamento além de prevenir uma gestação indesejada, se demonstrou altamente eficaz na regulação do ciclo menstrual, controle do hiperandrogenismo e diminuição do risco de câncer de endométrio. Para aprimorar a intervenção terapêutica é recomendado associar o uso de ACOs com mudança da qualidade de vida, incluindo uma alimentação saudável e balanceada. Contudo, é essencial analisar o quadro e queixa de cada paciente avaliando os possíveis riscos. Esta parte do trabalho pretende apresentar as principais conclusões, destacando o progresso e as aplicações que a pesquisa propicia. São enunciadas as principais conclusões decorrentes das análises dos dados.
REFERÊNCIAS
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Artigo apresentado à Universidade Salvador (UNIFACS), como requisito obrigatório para obtenção do grau de Bacharel em Biomedicina.
