USO DE ANTICOAGULANTE EM CIRURGIAS CARDIOVASCULARES COM CIRCULAÇÃO EXTRACORPÓREA E OS EVENTOS ADVERSOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202601251106


Elaine Cristina Barreiros
João Wagner Da Silva
Taize Lima Da Silva
Orientadora: Flávia Dos Santos Lugão De Souza


RESUMO:

Introdução: As doenças crônicas englobam um conjunto de patologias, entre as quais, as doenças cardiovasculares, que possuem elevadas taxas de morbidade e mortalidade. As técnicas de circulação extracorpórea (CEC), fornecem fluxo sanguíneo e oxigênio aos tecidos e órgãos, A CEC tornou-se o padrão para muitos procedimentos cardíacos e seu avanço está possibilitando melhores resultados nas cirurgias cardiovasculares. Esse procedimento é utilizado anticoagulante não fracionado, geralmente a heparina, para prevenir a formação de trombos, manter a hemodiluição e a permeabilidade do circuito. Objetivo: Descrever os eventos adversos das cirurgias cárdicas com circulação extracorpórea relacionadas ao uso de anticoagulantes. Metodologia: Consta de uma pesquisa integrativa desenvolvida entre fevereiro e abril de 2025, nas bases Scientific Eletronic Library Online e na Biblioteca Virtual em Saúde, com corte temporal de 2018 a 2025. A busca foi feita com os descritores: Agentes Anticoagulantes; Procedimentos Cirúrgicos Cardíacos; Circulação Extracorpórea (CEC); Enfermagem Cardíaca; Complicações pós-operatórias. Onde foram selecionados 14 artigos. Resultados e Discussões: A cirurgia cardiovascular é um procedimento de alta complexidade e na maioria das vezes de longa duração, sendo utilizada a circulação extracorpórea e agentes anticoagulantes, podendo estar relacionada a potenciais complicações pós-operatórias. O manejo e o controle da dose terapêutica da heparina exigem conhecimento médico e de enfermagem. O TCA é o teste que mede o tempo que o sangue leva para coagular. O uso de anticoagulantes, ocasiona diversas alterações em vários sistemas orgânicos. Conclusão: Nas cirurgias cardíacas com CEC é necessário o uso da heparina de alto peso molecular para se atingir uma coagulação plena, atuando diretamente na antitrombina impedindo a coagulação do sistema, oferecendo segurança durante todo o tempo necessário de cirurgia, contudo ficou evidente nestes estudos todos os eventos adversos que a heparinização pode causar, porém seu uso traz mais benefícios para o paciente, reduzindo a taxa de mortalidade.

Descritores: Agentes Anticoagulantes; Procedimentos Cirúrgicos Cardíacos; Circulação Extracorpórea (CEC); Enfermagem Cardíaca; Complicações pós-operatórias.

1. INTRODUÇÃO

Segundo Santos et al, (2024) a doença cardiovascular (DCV) é a principal causa de morte no Brasil e no mundo. O número total das taxas de mortalidade tem aumentado principalmente devido ao envelhecimento e adoecimento da população ressalta-se que a presença de fatores de risco como: hipertensão, dislipidemia, obesidade, sedentarismo, tabagismo, diabetes e histórico familiar contribuem diretamente com a probabilidade de doença Cardiovascular (DCV).

As doenças crônicas englobam um conjunto de patologias, entre as quais, as doenças cardiovasculares, que possuem elevadas taxas de morbidade e mortalidade, Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022) aponta as doenças cardiovasculares como as principais causas de morte no mundo. As cardiopatias representam um grande problema de saúde pública, sendo necessário o uso de métodos eficazes, com a finalidade de potencializar ações resolutivas, acerca da assistência à saúde visto que estimativas apontam para a possibilidade de que, nos próximos 20 anos, no Brasil, o número de idosos ultrapasse os 30 milhões de pessoas, devendo representar quase 13% da população.

Considerando que a expectativa de vida vem aumentando, consequentemente, os idosos necessitam de algum tipo de intervenção cardiovascular, acarretando maior longevidade e melhora da qualidade de vida (Barcellos et al., 2021).

Segundo Güntürk et al, (2024) as técnicas de circulação extracorpórea (CEC), fornecem fluxo sanguíneo e oxigênio aos tecidos e órgãos, A CEC tornou-se o padrão para muitos procedimentos cardíacos e seu avanço está possibilitando melhores resultados nas cirurgias cardiovasculares.

Durante o procedimento é utilizado anticoagulante não fracionado, geralmente a heparina, para prevenir a formação de trombos, manter a hemodiluição e a permeabilidade do circuito. Este procedimento é considerado relativamente seguro, porém, por outro lado, pode iniciar uma cascata de reações inflamatórias, e essa resposta inflamatória tem sérias consequências clínicas (Carneiro, 2021).

Segundo Barros, Bandeira e Lima, (2019) a cirurgia cardiovascular com CEC é um procedimento de alta complexidade e na maioria das vezes de longa duração, sendo utilizada em grande parte dos procedimentos, por proporcionar um campo operatório limpo, mantendo a circulação sanguínea dentro dos padrões necessários com uso de anticoagulantes, assegurando o funcionamento de diversos órgãos e tecidos as cirurgias cardíacas mais comuns são a Revascularização do Miocárdio (RM) e a correção valvar.

Com essa contextualização, elaboramos o objetivo do estudo que é descrever os eventos adversos das cirurgias cárdicas com circulação extracorpórea relacionadas ao uso de anticoagulantes.

2. METODOLOGIA

O presente estudo foi realizado pelo método de pesquisa integrativa, no qual foram analisados artigos e protocolos a respeito do tema abordado, com o intuito de ampliar e aprofundar os conhecimentos no assunto e descrever, posteriormente, o que foi extraído dos documentos estudados.

A pesquisa foi desenvolvida entre fevereiro e abril de 2025, foram pesquisados artigos no Scientific Eletronic Library Online (SciELO) e na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), publicados desde o ano de 2018 até o ano de 2025, a busca foi feita com os descritores: Agentes Anticoagulantes; Procedimentos Cirúrgicos Cardíacos; Circulação Extracorpórea (CEC); Enfermagem Cardíaca; Complicações pós-operatórias.

Com base nos descritores, elaboraram-se os seguintes critérios de inclusão do estudo: título compatível com a temática, idioma na língua portuguesa, ano de publicação dentro do corte temporal de 2018 a 2025, disponibilidade na íntegra para leitura e download e referencial teórico na área temática da enfermagem.

O critério de exclusão dos estudos foram todos os demais que não se enquadraram com os critérios descritos acima, os que se encontravam repetidos nas bases e os que não se aproximavam com o tema em discussão.

Na pesquisa realizada nas bases SciELO e BVS selecionamos 230 documentos. Após a utilização dos filtros corte temporal 2018 a 2025, idioma português, texto completo, bases abertas (sem pagamento pelo artigo) e área enfermagem, totalizamos 14 artigos para embasar o presente estudo.

O total de documentos encontrados com os descritores citados foi apresentado no quadro 1 e no fluxograma 1 e 2 as fases da seleção dos artigos nas bases pesquisadas.

Quadro 1.  Total de artigos selecionados nas bases SciELO e BVS.

Fonte: Autores do estudo, (2025).

No fluxograma 1 segue um fluxograma demonstrando como foi a filtragem dos artigos nas bases.

Fluxograma 1. Filtro dos artigos selecionados nas bases.

Fonte: Autores do estudo, (2025).

3. RESULTADOS

Para a descrição dos resultados e discussão dos dados, após a leitura prévia, os 14 artigos selecionados foram categorizados, dando suporte a elaboração do quadro 2 com os títulos, autores, anos, revista de publicação e metodologia e objetivos das obras.

Quadro 2. Características dos artigos selecionados quanto aos títulos, autores, anos de publicação, revista e metodologia e objetivos das obras estudadas.

Fonte: Autores do estudo, (2025).

No que se refere ao tipo de pesquisa dos artigos selecionados, um estudo de banco de dados (7,1%) um caso controle (7,1%), duas de revisão de literatura (14,2%); quatro pesquisas retrospectivas (28,6%); quatro de revisões bibliográficas (28,6%); e três estudo quantitativos (21,4%). Segue no gráfico 1 a distribuição dos artigos segundo o tipo de pesquisa.

Gráfico 1. Distribuição dos estudos em relação ao tipo de pesquisa.

Fonte: Autores do estudo, (2025).

Em relação ao ano de publicação, dos 14 estudos selecionados, um estudo tem como ano de publicação 2018 (7,1%), um publicado em 2023 (7,1%), um foi publicado em 2025 (7,1%), três foram publicados em 2019 (21,4%), três foram publicados em 2021 (21,4%), cinco foram publicados em 2024 (35,7%).  No gráfico 2 segue a distribuição dos estudos quanto ao ano de publicação.

Gráfico 2. Distribuição dos estudos quanto ao ano de publicação.

Fonte: Autores do estudo, (2025).

Em relação a área de publicação dos artigos tivemos, cinco artigos na área da Enfermagem (35,7%), seis artigos na área da Medicina (43%) e três na área das Ciências e Educação (21,4%). No gráfico 3 segue a distribuição relatada.

Gráfico 3. Área de publicação dos estudos.

Fonte: Autores do estudo, (2025).

4. DISCUSSÕES

Após a leitura dos estudos selecionados para a elaboração do trabalho, agrupamos esses artigos em 4 tópicos relevantes, desta forma, tornou-se possível a discussão do assunto conforme se desdobrará a seguir. 4.1. Definindo a Cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea; 4.2. O uso dos anticoagulantes em cirurgias cardíacas com circulação extracorpórea; 4.3. Levantamento das principais complicações do uso dos anticoagulantes nas Cirurgia cardíaca com Circulação Extracorpórea; 4.4. Ações de enfermagem nas cirurgias cárdicas com circulação extracorpórea relacionadas ao uso de anticoagulantes e seus eventos adversos.

4.1. Definindo a Cirurgia Cardíaca com Circulação Extracorpórea (CEC)

A doença cardiovascular (DCV) é a principal causa de morte no Brasil e no mundo. O número total das taxas de mortalidade tem aumentado principalmente devido ao envelhecimento e adoecimento da população. Ressalta-se que a presença de fatores de risco como: hipertensão, dislipidemia, obesidade, sedentarismo, tabagismo, diabetes e histórico familiar contribuem diretamente com a probabilidade de DCV (Santos et al., 2024).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta as doenças cardiovasculares como as principais causas de morte no mundo, em 2022, cerca de 400 mil pessoas morreram no Brasil por problemas cardiovasculares, entre eles doenças coronarianas (Organização Mundial da Saúde, 2022).

 O tratamento cirúrgico busca aumentar a sobrevida, com melhora na qualidade de vida dos pacientes. Entre as cirurgias cardíacas, a cirurgia de revascularização do miocárdio possui maior prevalência (64% no Brasil), seguida pelas correções valvares (Barcellos et al., 2021).

Ainda Barcellos e colaboradores (2021) citam que no real cenário da saúde, novas tecnologias e incrementos dos processos assistenciais, a cirurgia cardíaca tem sido indicada mais tardiamente, o que faz com que os pacientes tenham inúmeras patologias associadas. No entanto, o maior número de comorbidades influencia os desfechos clínicos, havendo maior número de complicações no pós-operatório.

A cirurgia cardiovascular é um procedimento de alta complexidade e na maioria das vezes de longa duração, sendo utilizada a circulação extracorpórea em grande parte dos procedimentos, por proporcionar um campo operatório limpo, mantendo a circulação sanguínea dentro dos padrões, assegurando o funcionamento de diversos órgãos e tecidos (Barros, Bandeira e Leite, 2019).

Um dos avanços mais notáveis da medicina no século XX foi, sem dúvida, o desenvolvimento da circulação extracorpórea (CEC), que permitiu a cirurgia cardíaca de coração aberto. O conceito de circulação extracorpórea foi, inicialmente, sugerido durante o século XIX, como suporte ao funcionamento de órgãos, nessa altura explorada em animais, embora com a carência do desenvolvimento tecnológico e de determinadas descobertas científicas ainda necessárias (Claudino e Lima, 2024).

Segundo Carneiro, (2021) a CEC na cirurgia cardíaca permiti a manipulação direta do coração em muitas patologias até então consideradas incuráveis.

No Brasil em outubro de 1955 foi efetuado a primeira cirurgia cardíaca utilizando a CEC, onde o Professor Hugo João Felipozzi o responsável pela primeira máquina de circulação artificial foi introduzida em laboratório por Gibbon em 1935, onde ocorreu à primeira aplicação clínica da CEC em 1951, sua segunda aplicação clínica em 1953, Gibbon então encerrou com sucesso uma comunicação interauricular, utilizando o seu desenho de máquina coração-pulmão, o que veio a desencadear a revolução da cirurgia cardíaca atual a CEC foi sendo aperfeiçoada com uma evolução considerável nos últimos 60 anos, contribuindo para redução da morbimortalidade na cirurgia cardíaca (Carneiro, 2021).

A CEC compreende um conjunto de aparelhos e técnicas, as quais substituem temporariamente as funções de bomba do coração e respiratória dos pulmões. Atualmente, tem impacto não só em cirurgias cardíacas, mas em outros procedimentos cirúrgicos, como cirurgias vasculares, transplantes cardíacos, além do tratamento por quimioterapia hipertérmica (Claudino e Lima, 2024).

Os procedimentos cirúrgicos cardíacos são frequentemente realizados mediante o uso da CEC, no entanto, apesar destes benefícios, a utilização da CEC pode estar relacionada a potenciais complicações pós-operatórias, especialmente quando usada durante períodos prolongados e pelo uso de anticoagulantes (Santos et al., 2024). Para esses autores, quanto maior o tempo de CEC, maiores serão as chances de ocorrerem complicações multiorgânicas e hematológicas. Fatores de risco pré-existentes também proporcionam maior vulnerabilidade aos pacientes, como idade, sexo, patologias de base (hipertensão arterial, diabetes mellitus etc.), tabagismo, dentre outros.

Os efeitos da CEC no organismo podem resultar em edema, complicações respiratórias, aglutinação leucocitária, distúrbios neurológicos, lesão renal, arritmias, síndrome do baixo débito e sangramentos em sítios cirúrgicos, hemotórax, acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico, entre outros (Barros, Bandeira e Leite, 2019).

Se faz necessário a redução de complicações em especial as neurológicas, que representam como a causa principal de mortalidade no período pós-operatório o procedimento de CEC. Reconhecer de maneira precoce essas complicações pode proporcionar intervenções imediatas da equipe intensivista, otimizando o tratamento, evitando iatrogenias e ainda proporcionando um desfecho satisfatório da cirurgia (Santos et al., 2024).

4.2. O uso dos anticoagulantes em cirurgias cardíacas com circulação extracorpórea

A principal causa de morbimortalidade no cotidiano são as doenças cardiovasculares e dentre elas destacam-se os eventos tromboembólicos nos países ocidentais (Barros, Bandeira e Leite, 2019).

A coagulação sanguínea, envolve uma série de reações químicas que acionam fatores de coagulação, catalisando enzimas presentes no plasma como a protrombina em trombina, convertendo o fibrinogênio em fibrina visando a formação do tampão plaquetário culminando para o reparo da lesão, de acordo com a (Motta, 2023).

Segue na figura 1 o início da cascata da coagulação até a formação do coágulo sanguíneo.

Figura 1. Início da cascata da coagulação até a formação do coágulo sanguíneo.

Fonte: https://aprendendobio.com.br/tag/hemostasia/

Ainda em seu estudo Motta (2023), relata que o processo de anticoagulação é uma intervenção terapêutica que previne e reduz a formação de coágulos (trombos) no sangue, sendo frequentemente utilizada nas doenças cardiovasculares, como Síndrome Coronariana Aguda, Tromboses Venosas ou Arteriais, Tromboembolismo Pulmonar/Embolia Pulmonar.

Dentre os medicamentos anticoagulantes, a heparina é um anticoagulante que aumenta a atividade da antitrombina e, consequentemente, inativa a trombina (assim como outros fatores de coagulação) e sua atividade coagulante, utilizada para a anticoagulação plena na prática clínica e cirúrgica (Rodrigues et al., 2025). Na figura 2 está esquematizado o mecanismo de ação da heparina.

Figura 2. Mecanismo de ação da heparina.

Fonte: https://www.passeidireto.com/arquivo/86991596/anotacoes-sobre-heparina-e-lectina

O mecanismo de ação da terapia anticoagulantes pode ser dividida em duas formas: a de ação direta e a de ação indireta. Os anticoagulantes que têm o mecanismo ação direto, na qual são caracterizados por fármacos capazes de inibir a cascata de coagulação, já os anticoagulantes que possuem o mecanismo de ação indireto são os fármacos que agem através da correlação com outras proteínas ou vias metabólicas alterando a fisiologia da cascata de coagulação (Souza et al., 2021).

O papel desses medicamentos é de impedir a ocorrência de trombose patológica e limitar a lesão por reperfusão, porém devem propiciar uma resposta normal à lesão vascular e limitar o sangramento. A formação de um trombo, a trombose, pode ter sua localização tanto na circulação arterial quanto na circulação venosa. Um trombo de origem do sistema venoso é constituído principalmente de fibrina, de eritrócitos e com poucas plaquetas. Já o tombo do sistema arterial tem uma grande quantidade de plaquetas (Mota, 2023).

Embora, rotineiramente utilizada no contexto hospitalar, a heparina é considerada um medicamento potencialmente perigoso, e associada a eventos hemorrágicos graves e fatais (Lopes et al., 2019).

No estudo realizado por Mota, (2023) descreve que aproximadamente, 5 a 10% dos pacientes que usam heparina sódica apresentam algum tipo de sangramento, como hematúria, hemorragia digestiva alta, hemoptise, epistaxe, equimose, melenas e hematomas. Apesar do risco de eventos adversos da heparina, o benefício do seu uso é maior para o tratamento e prevenção de trombos de grande magnitude e de oclusões vasculares complexas, o que explica a escolha para anticoagulação plena de pacientes do cardiointensivismo.

A anticoagulação, com heparina não fracionada de origem suína possui características que a torna indispensável durante a circulação extracorpórea: alto peso molecular possui características elevadas de ação anticoagulante ter afinidade pela antitrombina, conter alta densidade e homogeinidade de cargas aniônicas. Ela é necessária durante as cirurgias cardíacas com CEC, para prevenir formação de trombos e manter a função do circuito. Esta é a base da terapia devido à sua titulação, reversibilidade e curta duração do efeito, cerca de 1 hora (Rodrigues et al., 2025). A dose padrão é de 2 a 6 mg/kg/peso, sendo cada serviço seguindo seu protocolo de uso.

A literatura tem apresentado fatores de risco de sangramento ou elementos indicadores da necessidade de transfusão em cirurgia cardíaca, dentre eles: o uso e o tempo de interrupção de uso de agentes antitrombóticos antes da cirurgia, reposições com soluções coloidais, técnicas e equipamentos da CEC, comorbidades, condições clínicas como coagulopatias e hemoglobinopatias e doenças crônicas como hipertensão arterial, insuficiência renal e diabetes, dentre outros fatores. Nas perdas excessivas sanguíneas exigem medidas corretoras como a hemotransfusão, que podem levar a outras complicações como: reexploração cirúrgica, aumento na mortalidade após 30 dias e prolongamento da ventilação mecânica por mais de 24 horas (Braga e Brandão, 2018).

No pós-operatório da cirurgia cardíaca com uso da CEC, pode surgir complicações e repercussões orgânicas. Entre elas estão as pulmonares (derrame pleural, hemotórax e insuficiência respiratória aguda), neurológicos (alterações sensoriais e/ou motoras devido AVC hemorrágico), cardíacos (infarto agudo do miocárdio (IAM) e tamponamento cardíaco por sangramento) renais (aumento da ureia e creatinina sérica e hematúria), hidroeletrolíticos, hematológicos (discrasia sanguínea), digestivos (hemoptise) (Claudino e Lima, 2024).

O manejo e o controle da dose terapêutica da heparina exigem conhecimento médico e de enfermagem sobre dose mínima, máxima, dose tóxica, estabilidade e compatibilidade, além da capacidade de detectar os principais eventos adversos provocados por esse medicamento (Motta, 2023).

O estado da anticoagulação pode ser verificado no teste de tempo de coagulação ativada (TCA). No final, a anticoagulação deve ser revertida com protamina, depois do desmame da CEC ter sido feito de uma forma segura (Lima e Cuervo, 2019).

O TCA é um teste de sangue que mede o tempo que o sangue leva para coagular. É usado para monitorar a anticoagulação durante cirurgias vasculares periféricas e para controlar a dosagem de heparina. Ele é realizado com uma amostra de sangue.  O valor normal do Tempo de Coagulação Ativado (TCA) basal está entre 80 e 120 segundos. E o profissional na sala de cirurgia   durante a extracorpórea faz a avaliação regular para manter os valores dentro do esperado durante o tempo de cirurgia, sendo esse valor maior que 480 segundos (Braga e Brandão, 2018).

O TCA é um método preciso de monitoramento da anticoagulação. A curva dose-resposta de heparina do paciente deve ser usada para calcular a quantidade de heparina suplementar necessária para manter o TCA em um nível seguro (Araújo, Simonetti e Conceição, 2023).

Assim, pela complexidade no gerenciamento da terapêutica e as variações no TCA durante a cirurgia com CEC, podem determinar o desequilíbrio nos mecanismos de hemostasia apontando condições de hipocoagulabilidade ou hipercoagulabilidade, sendo necessário o acompanhamento de perto para prevenção e controle das complicações (Guimarães et al., 2024). Com isso, tem-se verificado, nos últimos anos, o investimento em criação e uso de protocolos mais adequados para melhorar a hemostasia (Braga e Brandão, 2018).

4.3. Levantamento das principais complicações do uso dos anticoagulantes nas Cirurgia cardíaca com Circulação Extracorpórea

Sabe-se que o sangramento é a principal complicação considerada na terapia com anticoagulantes e seu risco é diretamente proporcional ao controle do TCA durante o procedimento cirúrgico (Araújo, Simonetti e Conceição, 2023).

Barros, Bandeira e lima (2019) relatam que na cirurgia cardíaca com CEC com o uso de anticoagulantes, ocasiona diversas alterações em vários sistemas orgânicos: respiratório, cardiovascular, renal, endócrino, neurológico, endócrino, gastrointestinal, imunológico e hematológico. Sendo o último problema o objeto de estudo do presente artigo.

No quadro 3 estão descritas as complicações relacionadas ao sistema hematológico, seu conceito e características segundo Santos e colaboradores, (2024).

Quadro 3. Complicações das Cirurgia Cardíaca com CEC e uso de anticoagulantes, relacionadas ao sistema hematológico, seu conceito e características.

Fonte: Santos et al., (2024) adaptado por autores do estudo, (2025).

4.4. Ações de enfermagem nas complicações das cirurgias cardíacas com CEC e uso de anticoagulantes.

Para a enfermagem atuar com medidas preventivas, identificando e interpretando os sinais que cada paciente apresenta durante um procedimento cirúrgico cardíaco com a CEC, é essencial este profissional, estar embasado cientificamente para implementar condutas rápidas e assertivas, evitando assim maiores complicações para o paciente (Araújo, Simonetti e Conceição, 2023).

É de extrema importância o aprofundamento de novos estudos que tenham amostras populacionais maiores e, consequentemente, com dados que permitam informações mais seguras, associando as características pré-operatórias dos indivíduos que se submetem à cirurgia cardíaca com as complicações operatórias encontradas e possibilitando a identificação dos fatores de risco envolvidos (Barros, Bandeira e Lima 2019).

A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é método científico de trabalho que organiza e padroniza o processo de enfermagem. O objetivo é melhorar a qualidade da assistência, reduzir complicações e facilitar a recuperação do paciente. Ela é constituída de 5 fases: Coleta de Dados de Enfermagem (ou Histórico de Enfermagem), Diagnóstico de Enfermagem, Planejamento de Enfermagem, Implementação, Avaliação de Enfermagem (Claudino e Lima, 2024).

Devido a característica metodológica do estudo, pesquisa integrativa, iremos trabalhar somente com 2 etapas da SAE, levantamento do problema (etapa que é realizada durante o Histórico de enfermagem) e a descrição dos cuidados de enfermagem segundo a Classificação das Intervenções de Enfermagem (NIC) a Classificação dos resultados de enfermagem (NOC), (Bulechek et al., 2010) visto que, não temos o paciente e sim a patologia e suas complicações.

A NIC inclui todas as intervenções que os enfermeiros realizam para os pacientes, sejam elas independentes ou colaborativas, de cuidado direto e indireto dos pacientes. Na escolha da NOC o enfermeiro faz uma descrição do resultado atual e escolha do resultado desejado (Bulechek et al., 2010).

Segue no quadro 4 os problemas de enfermagem levantados para o os eventos adversos das cirurgias cárdicas com circulação extracorpórea relacionadas ao uso de anticoagulantes assim como a elaboração dos Cuidados de Enfermagem para a estabilização do quadro e qualidade da assistência oferecida.

QUADRO 4. Levantamento dos Problemas de enfermagem e Cuidados de Enfermagem nas complicações das Cirurgia Cardíaca com CEC e uso de anticoagulantes.

Fonte: Bulechek et al., (2010) adaptado por autores do estudo, (2025).

5. CONCLUSÃO

Diante disso podemos concluir que com o aumento das doenças cardiovasculares e com o surgimento e avanço da circulação extracorpórea cada vez se torna mais amplo e eficiente o tratamento das patologias cardíacas antes inimagináveis de se realizar com o coração e o pulmão parados e um campo exangue para o cirurgião, com isso trazendo uma melhor qualidade de vida para os pacientes reduzindo a taxa de mortalidade

Com tudo percebemos no decorrer do estudo que se faz necessário o uso da heparina de alto peso molecular para se atingir uma coagulação plena durante o procedimento de circulação extracorpórea, atuando diretamente na antitrombina impedindo a coagulação do sistema, oferecendo segurança durante todo o tempo necessário de cirurgia, contudo ficou evidente nestes estudos todos os eventos adversos que a heparinização pode causar, porém seu uso traz mais benefícios para o paciente, reduzindo a taxa  de mortalidade.

Os eventos adversos foram abordados de forma clara mostrando que é possível manter um controle e cuidados sobre eles, ofertando assim um procedimento seguro não livre de risco, porém com condutas bem alinhadas para cada desfecho cirúrgico.

A cirurgia cardíaca com o uso de circulação extracorpórea (CEC) e anticoagulação por heparina, embora seja uma prática consolidada e amplamente utilizada, ainda está associada a uma série de eventos adversos que impactam diretamente a morbimortalidade dos pacientes. Complicações como distúrbios da coagulação, sangramentos excessivos, trombocitopenia induzida por heparina e disfunções orgânicas relacionadas à resposta inflamatória sistêmica permanecem como desafios significativos. A compreensão aprofundada desses eventos, bem como a implementação de protocolos rigorosos de monitoramento e manejo, é fundamental para a segurança do paciente.

Além disso, o desenvolvimento de estratégias terapêuticas alternativas e o aprimoramento das técnicas cirúrgicas podem contribuir para a redução da incidência dessas complicações. Dessa forma, reforça-se a importância de estudos contínuos e atualizados sobre os efeitos da CEC e da anticoagulação, a fim de promover melhores desfechos clínicos e a evolução da prática cirúrgica cardiovascular.

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