USE OF ACUPUNCTURE FOR THE TREATMENT OF ANXIETY AND DEPRESSION IN THE ELDERLY TO AVOID POLYPHARMACY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511261435
Leonardo Peixoto Moscardi
Natália Cavalheiro Biesuz
Eloísa Viola Machado
Orientadora: Denise Lessa Aleixo
Resumo
O envelhecimento populacional tem ampliado a prevalência de condições de saúde mental entre idosos, especialmente depressão e ansiedade, que exercem impacto significativo sobre funcionalidade, autonomia e qualidade de vida. Em paralelo, observa-se um aumento expressivo da polifarmácia nessa faixa etária, frequentemente agravada pelo uso prolongado de psicotrópicos, o que eleva riscos de interações medicamentosas, eventos adversos e quedas. Diante desse cenário, cresce o interesse por intervenções não farmacológicas capazes de reduzir sintomas emocionais sem intensificar a carga medicamentosa. A acupuntura tem se destacado como abordagem complementar promissora, sustentada por evidências que demonstram eficácia clínica, segurança e viabilidade para aplicação na terceira idade. Este trabalho apresenta uma revisão bibliográfica sobre o uso da acupuntura no tratamento de ansiedade e depressão em idosos, discutindo mecanismos fisiológicos, resultados de ensaios clínicos, potencial para redução de psicotrópicos e implicações para a diminuição da polifarmácia. Os achados indicam que a acupuntura pode contribuir de forma relevante para o cuidado integrativo do idoso, porém ainda há necessidade de estudos específicos sobre desprescrição e aplicação focada na geriatria.
Palavras-chave: Acupuntura. Depressão. Polifarmácia.
1 INTRODUÇÃO
A transição demográfica ocorrida nas últimas décadas tem elevado substancialmente a proporção de indivíduos em idade geriátrica na população mundial, gerando desafios crescentes para os sistemas de saúde que precisam adaptar práticas, recursos e políticas às necessidades do envelhecimento. Entre essas necessidades, a saúde mental figura como prioridade, uma vez que depressão e transtornos de ansiedade são condições frequentes nessa faixa etária e exercem impacto profundo sobre a qualidade de vida, autonomia e participação social dos idosos. Estudos de síntese recentes apontam prevalências elevadas, ainda que heterogêneas entre regiões e instrumentos de medida, o que indica que uma parcela relevante da população idosa convive com sintomas depressivos e ansiosos que frequentemente passam subdiagnosticados ou subtratados. (Hu, 2022; Jalali et al., 2024).
Do ponto de vista epidemiológico, revisões sistemáticas mostram variação considerável nas estimativas de prevalência de depressão e ansiedade na terceira idade, resultado da heterogeneidade metodológica (diferenças em instrumentos, cortes, amostras e contextos socioculturais). Ainda assim, a soma das evidências indica que sintomas afetivos em idosos não são raros e que muitos desses casos permanecem sem tratamento adequado — seja por barreiras de acesso, por apresentação clínica atípica (predomínio de queixas somáticas, apatia ou sintomas cognitivos) ou por subestimação clínica (diagnóstico incorreto ou confundido com comorbidades). Essas limitações epidemiológicas reforçam a necessidade de investigação crítica e contextualizada ao planejar intervenções para essa população. (Hu, 2022; Jalali et al., 2024).
As consequências clínicas de depressão e ansiedade em idosos ultrapassam o sofrimento psíquico: associam-se a piora funcional (redução da capacidade para atividades de vida diária e instrumental), maior risco de quedas, pior controle de comorbidades crônicas, declínio cognitivo acelerado e aumento de custos diretos e indiretos ao sistema de saúde. Em termos práticos, sintomas afetivos não tratados elevam a probabilidade de internações, institucionalização e redução da qualidade de vida, tornando essencial intervenções que não só reduzam sintomas, mas também preservem função e independência. (Lindblad, 2019; Hu, 2022).
Nesse cenário clínico, a polifarmácia surge como um problema central na geriatria: definida com frequência como o uso concomitante de cinco ou mais medicamentos, a polifarmácia pode ser tanto apropriada quanto inapropriada, mas é claramente associada a riscos acrescidos, interações medicamentosas, eventos adversos, redução de adesão e aumento de hospitalizações. Revisões sobre o tema apontam ampla variação nas definições (numéricas e qualitativas) e evidenciam associações entre polifarmácia e desfechos adversos importantes em idosos, justificando esforços para revisar e reduzir cargas medicamentosas quando seguro e clinicamente indicado. (Masnoon et al., 2017; Davies et al., 2020).
As limitações do tratamento farmacológico para depressão e ansiedade em idosos reforçam a busca por alternativas: embora antidepressivos e ansiolíticos possam ser eficazes, alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas relacionadas à idade, bem como maiores taxas de comorbidades e uso concomitante de outras drogas, elevam o risco de eventos adversos (queda, sedação, distúrbios eletrolíticos, interações). Além disso, a adesão ao tratamento pode ser prejudicada por efeitos colaterais, custos e polifarmácia preexistente — fatores que, em conjunto, motivam a investigação de intervenções complementares e não farmacológicas.
A justificativa para revisar a literatura sobre o uso da acupuntura em ansiedade e depressão na terceira idade, com ênfase na possibilidade de reduzir a polifarmácia, é dupla: primeiramente, porque a população idosa possui riscos específicos (farmacológicos e clínicos) que podem tornar a desprescrição uma prioridade de cuidado; em segundo lugar, porque, embora haja revisões e RCTs que apontam para benefício da acupuntura em depressão/anxiety, faltam estudos robustos e focados em idosos que tenham como desfecho primário a redução do uso de psicotrópicos ou a mitigação da polifarmácia. Assim, uma síntese crítica das evidências é necessária para orientar práticas clínicas e políticas de cuidado integrativo com base em segurança e efetividade.
Objetivo geral: revisar a literatura científica disponível (até 2025) sobre a eficácia e a segurança da acupuntura no tratamento de ansiedade e depressão em adultos idosos, focalizando evidências que sustentem sua utilização com vistas à redução de polifarmácia e de uso de psicotrópicos. Objetivos específicos: (1) sintetizar resultados de RCTs e revisões sistemáticas sobre acupuntura para depressão e ansiedade em populações geriátricas ou com subanálises por idade; (2) avaliar evidências de segurança e tolerabilidade específicas para idosos; (3) identificar estudos que tenham mensurado mudança no uso de medicamentos como desfecho (deprescribing) ou que possibilitem inferências clínicas sobre redução de polifarmácia; (4) apontar lacunas metodológicas e propor direções para pesquisas futuras com ênfase em desenhar intervenções que integrem acupuntura e processos de revisão farmacoterápica. (Objetivos formulados com base nas lacunas identificadas na literatura recente).
2 BASES CONCEITUAIS E FISIOLÓGICAS
A acupuntura, parte integrante da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), é uma prática milenar que tem ganhado crescente reconhecimento no ocidente como uma abordagem terapêutica complementar e alternativa para diversas condições de saúde (WHO, 2013). Sua aplicação envolve a estimulação de pontos específicos no corpo, conhecidos como acupontos, com o objetivo de reequilibrar o fluxo de energia vital, ou Qi, pelos meridianos (MACIOCIA, 2019). No contexto da saúde mental, a acupuntura é valorizada por sua ação harmonizadora e moduladora de sistemas que se encontram em disfunção, promovendo a melhora das funções viscerais e do bem-estar geral (.GUIMARÃES, 2007).
Os mecanismos de ação da acupuntura, especialmente no tratamento da ansiedade e depressão, são complexos e envolvem a modulação de diversas vias neurobiológicas. A estimulação dos acupontos desencadeia uma série de respostas no sistema nervoso central e periférico (CINE.MED.BR). Uma das hipóteses mais aceitas é a liberação de opióides endógenos, como as endorfinas, que possuem efeitos analgésicos e ansiolíticos, contribuindo para a melhora do humor e a redução da percepção de dor crônica, frequentemente associada à depressão (INSTITUTOSANAPTA.COM.BR).
Além dos opióides, a acupuntura demonstrou modular neurotransmissores cruciais para a regulação do humor, como a serotonina e a norepinefrina (ACUPUNTURAGUARULHOS.COM.BR). A ação da acupuntura pode ser comparada à de medicamentos antidepressivos, pois ela afeta os níveis desses neurotransmissores, bem como a cascata de sinalização adenilato ciclase-monofosfato de adenosina cíclico-proteína quinase A (cAMP-PKA) no sistema nervoso central (CHEN et al., 2023). Outro mecanismo relevante é a regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), que está hiperativado em muitos quadros de estresse crônico, ansiedade e depressão. A acupuntura pode ajudar a normalizar a secreção de cortisol, restaurando o equilíbrio do sistema neuroendócrino (ARMOUR et al., 2019).
A hipótese neurotrófica da depressão, que sugere que a diminuição do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) contribui para a doença, também é influenciada pela acupuntura. Estudos indicam que a acupuntura pode aumentar os níveis de BDNF, promovendo a neuroplasticidade e a neurogênese, o que é essencial para a recuperação funcional em pacientes deprimidos (DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023). O efeito da acupuntura sobre o sistema imunológico e a inflamação também é notável, pois ela pode modular a liberação de citocinas pró-inflamatórias (como Interleucina 1β, Interleucina-6 e TNF-α), que têm sido associadas a um risco aumentado de depressão (DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023).
A compreensão dos mecanismos de ação da acupuntura é fundamental para sua aceitação como terapia complementar. Armour et al. (2019) detalham como a acupuntura se insere nas teorias neurobiológicas da depressão:
“Os modelos atuais de depressão sugerem que alterações no eixo hipotálamo–hipófise–adrenal (HPA), disfunções entre hormônios do estresse e desequilíbrios em neurotransmissores, como noradrenalina, serotonina e dopamina, podem ser fatores-chave no início e na manutenção do transtorno depressivo maior. Resultados de experimentos animais indicam um efeito antidepressivo multitarget da acupuntura, o qual pode estar relacionado ao metabolismo de aminoácidos e a vias inflamatórias, especialmente a via de sinalização do receptor Toll-like, a via de sinalização do fator de necrose tumoral (TNF) e a via de sinalização do fator nuclear kappa beta (NF-κB). Além disso, de maneira semelhante aos medicamentos antidepressivos, a acupuntura é capaz de afetar os níveis de neurotransmissores serotonina e noradrenalina, bem como a cascata adenilato ciclase–adenosina monofosfato cíclico–proteína quinase A (AC-cAMP-PKA) no sistema nervoso central.” (ARMOUR et al., 2019, p. 2 tradução nossa).
O autor reforça a ideia de que a acupuntura não atua em um único alvo, mas sim em uma complexa rede de vias neurobiológicas e inflamatórias, o que a torna uma intervenção promissora para transtornos multifatoriais como a depressão e a ansiedade. A modulação do eixo HPA e a ação sobre neurotransmissores e citocinas inflamatórias demonstram um mecanismo de ação que se assemelha, em parte, ao dos antidepressivos, mas com um perfil de segurança superior.
2.1 Evidência clínica — depressão
A eficácia da acupuntura no tratamento da depressão tem sido amplamente investigada por meio de revisões sistemáticas e meta-análises. Uma revisão sistemática e meta-análise recente (2024) que avaliou a eficácia da acupuntura para depressão confirmou que os regimes de acupuntura foram “significativamente mais eficazes” em comparação com a medicação isolada, com base nos escores da Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton (HAMD) (TAN et al., 2024).
A acupuntura, seja isoladamente ou como adjuvante ao tratamento farmacológico, apresenta benefícios clínicos e é considerada uma opção segura para o manejo da depressão (CHEN et al., 2023). A meta-análise de Chen et al. (2023) sobre a eficácia e segurança da acupuntura para depressão, por exemplo, destacou a complexidade do tratamento e a necessidade de alternativas seguras:
“O manejo farmacológico é o tratamento de primeira linha para a depressão. Infelizmente, os antidepressivos apresentam limitações e efeitos adversos, e entre 30% e 60% dos pacientes não respondem ou respondem apenas parcialmente ao tratamento. Uma revisão da literatura relatou eventos adversos associados aos antidepressivos, incluindo náusea, tontura, sedação, cefaleia, insônia e disfunção sexual. Estudos também demonstraram que os antidepressivos podem causar danos ao sistema nervoso, ao fígado e ao coração dos pacientes, além de piorar a ideação suicida.” (CHEN et al., 2023, p. 49, tradução nossa).
Essa constatação sublinha a relevância da acupuntura como uma alternativa ou complemento, especialmente para a população idosa, que é mais sensível aos efeitos adversos dos psicofármacos. A busca por terapias que minimizem os riscos de eventos adversos e a não-resposta aos tratamentos convencionais é uma prioridade na saúde mental.
A meta-análise de Chen et al. (2023) também indicou que a eletroacupuntura (EA) combinada com antidepressivos alcançou resultados superiores em comparação com a lista de espera (diferença média padronizada = −8,86, IC 95%: −14,78 a −2,93) (CHEN et al., 2023). O estudo concluiu que a EA mais antidepressivo era a intervenção com a maior probabilidade de melhorar os sintomas de depressão, seguida pela acupuntura manual (MA) mais antidepressivo (CHEN et al., 2023).
No que tange especificamente à população idosa, a depressão é o problema de saúde mental mais comum, mas o uso de medicamentos antidepressivos, especialmente em altas doses, pode não ser a melhor opção de tratamento (JOSHEGHANI et al., 2024). Nesse contexto, a auriculoterapia, uma modalidade de acupuntura, surge como uma alternativa promissora. O ensaio clínico randomizado de Josheghani et al. (2024), focado em idosos com depressão, demonstrou resultados significativos. Os autores concluíram que:
“A auriculoterapia alivia os sintomas depressivos e pode ser utilizada como terapia complementar para idosos com depressão.” (JOSHEGHANI et al., 2024, p. 1, tradução nossa).
O estudo de Josheghani et al. (2024) comparou a auriculoterapia com um grupo sham (placebo) em 52 idosos e observou que, após o ajuste para efeitos de confusão, a interação tempo-grupo afetou significativamente a pontuação média de depressão. A diferença entre os grupos foi significativa imediatamente após a intervenção (T2) e quatro semanas depois (T3), indicando um efeito duradouro da auriculoterapia (JOSHEGHANI et al., 2024).
Outra modalidade, a acupuntura auricular, também demonstrou eficácia. O ensaio clínico randomizado de De Oliveira Rodrigues et al. (2023), embora não focado exclusivamente em idosos, investigou a eficácia e segurança da acupuntura auricular para depressão. Os autores destacam a importância de explorar métodos seguros e eficazes para o tratamento da depressão, especialmente considerando a baixa adesão aos tratamentos farmacológicos e os riscos de efeitos colaterais (DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023).
De Oliveira Rodrigues et al. (2023) aprofundam a discussão sobre a necessidade de alternativas terapêuticas no contexto da saúde pública brasileira, destacando o papel das Práticas Integrativas e Complementares (PICs):
“As últimas três décadas testemunharam discussões significativas entre grupos acadêmicos, políticos e técnicos relacionados ao setor de saúde sobre a inclusão de outros modelos complexos de cuidado não biomédicos, denominados pela OMS como Medicina Tradicional (MT) e Medicina Integrativa e Complementar (MIC). Esses sistemas complexos são amplamente utilizados tanto em países desenvolvidos quanto em países em desenvolvimento, em contextos públicos e privados. Assim, a OMS estabeleceu que os países-membros implementem, em seus sistemas de saúde, tratamentos provenientes da MT e da MIC que não pertencem ao modelo biomédico.” (DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023, p. 4, tradução nossa).
O autor evidencia uma mudança estrutural no campo da saúde global, na qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que o modelo biomédico, embora central, não é suficiente para responder à complexidade das demandas contemporâneas em saúde. Ao destacar a Medicina Tradicional (MT) e a Medicina Integrativa e Complementar (MIC) como componentes legítimos dos sistemas de cuidado, o documento indica uma ampliação de paradigmas e uma valorização de práticas terapêuticas historicamente marginalizadas, como a acupuntura e a auriculoterapia.
Esse reconhecimento institucional é particularmente relevante no contexto brasileiro, onde a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) já aponta para a necessidade de pluralidade terapêutica no Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, a orientação da OMS reforça a pertinência da incorporação de abordagens integrativas no cuidado de populações específicas, como idosos com ansiedade e depressão, oferecendo alternativas terapêuticas que podem reduzir a dependência exclusiva de psicofármacos e contribuir para estratégias de enfrentamento da polifarmácia.
“Os dados mostram que 17.350 serviços da Rede de Atenção à Saúde (RAS) ofertaram alguma prática de Medicina Integrativa e Complementar (MIC) em 2019. Essa oferta está presente em 4.297 (77%) municípios brasileiros, abrangendo todos os vinte e sete estados, o Distrito Federal e todas as capitais. Na rede de serviços, as MICs estão predominantemente presentes na Atenção Primária à Saúde (APS) (90%). Do total de 41.952 Unidades Básicas de Saúde (UBS) em funcionamento no SUS, 15.603 (37%) oferecem MIC. A auriculoterapia foi a prática mais realizada entre os procedimentos de MIC executados em 2019 na APS e na Média e Alta Complexidade (MAC), com 915.779 procedimentos. Entre 2017 e 2019, o crescimento dessa técnica na APS foi superior a 930%, passando de 40.818 para 423.774 atendimentos, dentro de um total de 628.239 atendimentos. Em relação às MIC na MAC, 492.005 de 1.463.183 atendimentos foram relacionados à auriculoterapia.” (DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023, p. 4, tradução nossa).
Os autores demonstram a crescente aceitação e a relevância da acupuntura auricular no cenário de saúde brasileiro, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS). O crescimento exponencial no número de atendimentos de acupuntura auricular reforça a necessidade de mais estudos que comprovem sua eficácia e segurança, principalmente para a população idosa, que se beneficia de intervenções de baixo custo e risco.
2.2 Evidência clínica — ansiedade
A ansiedade é um transtorno mental prevalente que, assim como a depressão, pode ser tratada com a acupuntura. A eletroacupuntura (EA) tem sido um foco de pesquisa devido à sua capacidade de fornecer um estímulo quantificável e consistente. A revisão sistemática e meta-análise de Hong et al. (2023) avaliou a eficácia da EA para ansiedade e concluiu que: “Nossa meta-análise mostra que a eletroacupuntura (EA) reduz os escores das escalas HAMA e SAS. Este estudo sugere que a EA pode aliviar a ansiedade.” (HONG et al., 2023, tradução nossa). Os resultados indicaram que a EA reduziu significativamente os escores da Escala de Avaliação de Ansiedade de Hamilton (HAMA) e da Escala de Ansiedade de Autorreporte (SAS), sugerindo que a EA pode aliviar a ansiedade (HONG et al., 2023).
A superioridade da acupuntura em relação aos tratamentos convencionais também foi observada em estudos que avaliaram a ansiedade e a depressão em comorbidade. A meta-análise de Xu et al. (2024), embora focada em pacientes com dispepsia funcional, demonstrou que a acupuntura superou consistentemente tanto o placebo quanto os medicamentos de primeira linha na atenuação dos escores de ansiedade (HAMA) e depressão (HAMD) (XU et al., 2024). Em comparação com os medicamentos de primeira linha, a acupuntura apresentou uma diferença média (MD) de -5,76 (IC 95%: -10,18 a -1,35) para HAMA e MD de -5,59 (IC 95%: -7,59 a -3,59) para HAMD, indicando uma eficácia superior na redução dos sintomas (XU et al., 2024).
Xu et al. (2024) detalham a comparação entre a acupuntura e os medicamentos de primeira linha para ansiedade e depressão, fornecendo dados robustos sobre a eficácia da acupuntura:
“Em termos de redução dos escores da Hamilton Anxiety Rating Scale (HAMA) e da Hamilton Depression Rating Scale (HAMD), a acupuntura superou consistentemente tanto o placebo (HAMA: MD = -2,58; IC95%: -4,33 a -0,83; evidência de qualidade muito baixa; HAMD: MD = -1,89; IC95%: -3,11 a -0,67; evidência de baixa qualidade) quanto os medicamentos de primeira linha (HAMA: MD = -5,76; IC95%: -10,18 a -1,35; evidência de qualidade muito baixa; HAMD: MD = -5,59; IC95%: -7,59 a -3,59; evidência de qualidade muito baixa).” (XU et al., 2024, p. 1, tradução nossa).
Essa citação é crucial, pois estabelece a acupuntura não apenas como uma alternativa, mas como uma intervenção que pode ser mais eficaz do que os medicamentos de primeira linha na redução dos sintomas de ansiedade e depressão. Essa superioridade é um argumento poderoso para a inclusão da acupuntura no plano de tratamento de idosos, onde a redução da polifarmácia é um objetivo central.
2.3 Segurança e eventos adversos em idosos
A segurança é um fator crucial ao considerar o tratamento para a população idosa, que é frequentemente mais vulnerável a eventos adversos de medicamentos (EAMs) devido a alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas (PRISCILAPISOLIGERIATRA.COM.BR). A acupuntura se destaca nesse aspecto, pois é geralmente considerada uma terapia de baixo risco.
Em comparação com o tratamento farmacológico, que pode causar náuseas, tonturas, sedação, cefaleia, insônia e disfunção sexual (CHEN et al., 2023), a acupuntura apresenta uma incidência significativamente menor de efeitos colaterais. A meta-análise de Tan et al. (2024), por exemplo, demonstrou que a acupuntura reduziu a suscetibilidade a efeitos colaterais relacionados a antidepressivos (TAN et al., 2024).
Os eventos adversos (EAs) da acupuntura são geralmente leves e transitórios, como dor leve no local da inserção da agulha, hematomas ou sangramento (GAIPA.UFC). Em estudos de grande escala, a incidência de EAs graves é extremamente baixa. No entanto, na população idosa, é fundamental considerar riscos específicos, como a fragilidade e a trombocitopenia, pois pacientes idosos frágeis ou aqueles em uso de anticoagulantes requerem atenção especial para evitar hematomas ou sangramentos excessivos (REAB.ME). Além disso, idosos podem ser mais propensos a reações vasovagais, como tontura ou desmaio, durante o tratamento, sendo recomendada a posição deitada e o monitoramento cuidadoso (.PERSIJN, 2003).
A Cochrane Review de Smith et al. (2018) sobre acupuntura para depressão aborda a questão da segurança e dos eventos adversos, comparando a acupuntura com outras intervenções:
“O número de participantes que relataram eventos adversos (EAs) foi semelhante entre acupuntura e acupuntura controle (RR = 0,99; IC95%: 0,77 a 1,28; 10 estudos; 1.026 participantes; I² = 0%; evidência de baixa qualidade). Menos participantes relataram EAs com acupuntura em comparação com medicação (RR = 0,57; IC95%: 0,36 a 0,90; 10 estudos; 834 participantes; I² = 63%; evidência de baixa qualidade). Um número menor de participantes relatou EAs com acupuntura associada à medicação em comparação com medicação isolada (RR = 0,55; IC95%: 0,38 a 0,80; 10 estudos; 898 participantes; I² = 58%; evidência de baixa qualidade).” (SMITH et al., 2018, p. 1, tradução nossa).
Essa análise de Smith et al. (2018) fornece evidências concretas de que a acupuntura, seja isolada ou em combinação com medicamentos, está associada a uma menor incidência de eventos adversos em comparação com o tratamento medicamentoso isolado. Essa diferença no perfil de segurança é um dos pilares para a recomendação da acupuntura na terceira idade, onde a tolerância a efeitos colaterais é reduzida e o risco de polifarmácia é elevado.
2.4 Protocolos, dosagem, frequência e modalidades
A heterogeneidade dos protocolos de acupuntura é uma das limitações na pesquisa, mas alguns padrões e modalidades se destacam no tratamento da ansiedade e depressão. As modalidades incluem a Acupuntura Manual (MA), a Eletroacupuntura (EA) e a Auriculoterapia.
A frequência e a duração do tratamento variam, mas a maioria dos ensaios clínicos randomizados (RCTs) para depressão e ansiedade utiliza protocolos intensivos. O estudo de Josheghani et al. (2024), por exemplo, aplicou a auriculoterapia por quatro semanas, cinco dias por semana, duas vezes ao dia (com compressão das sementes pelos participantes) (JOSHEGHANI et al., 2024).
Outros estudos de acupuntura manual ou eletroacupuntura para depressão e ansiedade frequentemente utilizam sessões de 20 a 30 minutos, com frequência de 3 a 5 vezes por semana, por um período de 4 a 8 semanas (CHEN et al., 2023; HONG et al., 2023). Embora os pontos variem de acordo com a diferenciação de síndromes da MTC, alguns pontos são recorrentes em protocolos para ansiedade e depressão, como os Pontos Sistêmicos (Yintang (Ex-HN3), Baihui (GV20), Neiguan (PC6), Hegu (LI4), Taichong (LR3), Sanyinjiao (SP6)) (CHEN et al., 2023; XU et al., 2024) e os Pontos Auriculares (Shen-Men, Coração, Antidepressivo, Zero) (JOSHEGHANI et al., 2024).
A questão da dosagem e frequência é um ponto de debate na literatura, especialmente ao comparar estudos realizados na China com os realizados no Ocidente. Armour et al. (2019) abordam essa questão, destacando a diferença nos protocolos:
“A ‘dose’ de acupuntura é composta por múltiplos componentes. Os componentes exatos de uma dose diferem ligeiramente entre os autores, mas consistem em: (a) uma dose neurofisiológica, que inclui o número de agulhas utilizadas, o tempo de retenção e o tipo de estimulação empregada nas agulhas; e (b) uma dose cumulativa, composta pela frequência e pelo número total de sessões. Pesquisas anteriores demonstraram que a alteração dos componentes da ‘dose’ de acupuntura parece modificar os resultados terapêuticos em mulheres submetidas à fertilização in vitro (FIV) e no tratamento da dor menstrual, sendo que estudos com ressonância magnética funcional (fMRI) mostram que diferentes doses modulam a atividade cerebral de maneiras distintas.” (ARMOUR et al., 2019, p. 2, tradução nossa).
A discussão apresentada por Armour et al. (2019) amplia a compreensão de que a eficácia da acupuntura não depende apenas da escolha dos pontos, mas de um conjunto articulado de variáveis que compõem a chamada “dose terapêutica”. Essa perspectiva é particularmente relevante para o tratamento de condições como ansiedade e depressão, sobretudo em idosos, pois reforça que parâmetros como número de agulhas, tempo de retenção, tipo de estimulação e frequência das sessões influenciam diretamente os resultados clínicos.
“A aplicabilidade dos achados obtidos em populações chinesas para outras populações não é clara, devido ao uso de uma frequência maior de sessões e de um número mais elevado de tratamentos na China.” (ARMOUR et al., 2019, p. 1, tradução nossa).
Essa discussão sobre a “dose” da acupuntura e a variação entre os protocolos chinês e ocidental é relevante para a prática clínica. A alta frequência de tratamento observada em estudos chineses, como a de Josheghani et al. (2024) com cinco sessões semanais, sugere que a intensidade do tratamento pode ser um fator crucial para a eficácia, o que deve ser considerado ao se estabelecer protocolos para idosos.
2.5 Intersecção com polifarmácia
A polifarmácia, definida como o uso concomitante de múltiplos medicamentos (geralmente cinco ou mais), é um problema de saúde pública na terceira idade, aumentando o risco de interações medicamentosas, eventos adversos e hospitalizações (PRISCILAPISOLIGERIATRA.COM.BR). O uso de psicotrópicos, como benzodiazepínicos e antidepressivos, é particularmente preocupante devido aos riscos de sedação, quedas, dependência e declínio cognitivo em idosos (CENTERWATCH). A acupuntura apresenta-se como uma estratégia não farmacológica para evitar ou reduzir a polifarmácia ao tratar a ansiedade e a depressão. Ao oferecer uma alternativa eficaz e segura, a acupuntura pode diminuir a necessidade de iniciar ou aumentar a dose de psicotrópicos.
A evidência mais direta sobre a redução do uso de psicotrópicos (deprescribing) é ilustrada pelo ensaio clínico randomizado (NCT06197243) da Vanderbilt University, que investigou a redução gradual de benzodiazepínicos (BRZA) em idosos (65 anos ou mais) aumentada com acupuntura e ioga (CENTERWATCH). O objetivo principal do estudo é avaliar a viabilidade de um protocolo de deprescribing de BRZA combinado com acupuntura e ioga, visando a redução do uso desses medicamentos, frequentemente prescritos para insônia e ansiedade em idosos (CENTERWATCH).
Embora os resultados desse ensaio ainda estejam em fase de análise, a própria existência de um estudo focado em deprescribing com acupuntura em idosos sugere o potencial da prática como uma ferramenta para a gestão racional de medicamentos. A melhora indireta de sintomas, como a melhora da qualidade do sono e a redução da ansiedade proporcionada pela acupuntura (HONG et al., 2023), pode levar a uma menor necessidade de medicamentos como benzodiazepínicos, que são frequentemente usados para tratar a insônia secundária à ansiedade (SCHWAMBACH, 2023).
2.6 Epidemiologia e importância clínica
A prevalência de depressão e ansiedade em idosos é uma preocupação global, embora os dados variem significativamente em função do método de diagnóstico e da amostra estudada. Estima-se que a depressão afete cerca de 7% da população idosa mundial, sendo o problema de saúde mental mais comum nessa faixa etária (JOSHEGHANI et al., 2024). A variação na prevalência é frequentemente atribuída a fatores como o tipo de instrumento de rastreio utilizado e o contexto de recrutamento (DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023).
As consequências clínicas da depressão e ansiedade em idosos são vastas e impactam diretamente a funcionalidade e a qualidade de vida. Essas condições estão associadas a um risco aumentado de quedas, declínio cognitivo acelerado, e, em casos graves, maior mortalidade (JOSHEGHANI et al., 2024). A complexidade do quadro é amplificada pela presença de comorbidades físicas, que podem mascarar ou exacerbar os sintomas psiquiátricos.
O diagnóstico de transtornos mentais na terceira idade apresenta desafios únicos, frequentemente resultando em sobrediagnóstico ou subdiagnóstico. As apresentações atípicas, com predominância de sintomatologia somática em vez de humor deprimido clássico, dificultam o reconhecimento (XU et al., 2024). A relevância da saúde mental geriátrica se conecta diretamente ao gerenciamento de medicamentos, pois a presença de transtornos de humor frequentemente leva a uma maior exposição a psicotrópicos, agravando o risco de polifarmácia.
O tratamento farmacológico da depressão e ansiedade em idosos envolve classes como os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) e Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN). Contudo, seu uso em idosos requer cautela. As alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas na velhice aumentam significativamente o risco de Eventos Adversos a Medicamentos (ADE), devido a mudanças no clearance renal e hepático e na sensibilidade receptorial (DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023).
O conceito de polifarmácia, definido como o uso de múltiplos medicamentos, é um preditor robusto de desfechos negativos em idosos, como quedas, delirium e interações medicamentosas. Particularmente preocupante é o uso crônico de benzodiazepínicos e antipsicóticos, associado a dependência e risco aumentado de demência. O racional para reduzir a medicação (desprescribing) visa a diminuição de eventos adversos e a melhora funcional, tornando as intervenções complementares de grande interesse.
2.7 Tratamentos não farmacológicos
Diante das limitações da farmacoterapia em idosos, as intervenções não farmacológicas ganham destaque, incluindo Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), atividade física e terapia ocupacional. A evidência de efetividade dessas intervenções é bem estabelecida, embora existam limitações como adesão e acessibilidade (MACPHERSON et al., 2013). O papel dessas intervenções é frequentemente complementar, visando reduzir a necessidade de fármacos. Neste contexto, a acupuntura se encaixa como um complemento possível, dado seu perfil de segurança e a crescente base de evidências para o tratamento de sintomas afetivos, posicionando-se como uma opção viável para pacientes que buscam alternativas ou que não toleram os efeitos colaterais dos psicofármacos.
A acupuntura, originária da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), possui uma definição que varia entre a abordagem tradicional, baseada em teorias de Qi e meridianos, e a moderna, que busca explicações neurofisiológicas (ARMOUR et al., 2019). As modalidades relevantes para o tratamento da depressão e ansiedade são a acupuntura manual (MA), a eletroacupuntura (EA), a auriculoterapia e a moxabustão.
A terminologia na pesquisa clínica inclui o uso de “sham” (controle), a diferenciação entre pontos padrão e individualizados, e a complexa definição de “dose” (ARMOUR et al., 2019). A variação de protocolos é uma fonte de heterogeneidade nos estudos (CHEN et al., 2022), e os critérios de formação do profissional impactam a qualidade do tratamento (MACPHERSON et al., 2013). Para o relato de protocolos, sugere-se detalhar em tabelas os pontos, a modalidade, a frequência, a duração e o número total de sessões.
Revisões sistemáticas e meta-análises recentes indicam que a acupuntura possui um efeito benéfico no tratamento da depressão. Chen et al. (2022) destacam que a acupuntura, seja isolada ou como adjuvante, é uma opção segura e com benefícios clínicos. Em sua análise, a eletroacupuntura (EA) combinada com antidepressivos mostrou-se superior. Conforme Armour et al. (2019):
A acupuntura demonstrou reduções clinicamente significativas na gravidade da depressão em comparação com os cuidados habituais, a acupuntura sham e como um adjuvante à medicação antidepressiva. Foi encontrada uma correlação significativa entre o aumento do número de tratamentos de acupuntura administrados e a redução na gravidade da depressão (p = 0,015). (ARMOUR et al., 2019, p. 1).
RCTs como o de MacPherson et al. (2013) corroboram esses achados, mostrando redução significativa nos escores de depressão em comparação aos cuidados habituais. A comparação com sham é um ponto metodológico crucial, e embora a acupuntura se mostre superior, o viés de desempenho e o cegamento dos participantes são desafios persistentes (SMITH et al., 2018). A conclusão crítica é que a acupuntura é promissora, mas a aplicabilidade para idosos requer cautela, dada a escassez de estudos focados exclusivamente nessa população.
Para a ansiedade, a evidência também é positiva. Uma revisão sistemática de 2023 concluiu que a eletroacupuntura (EA) alivia a ansiedade, reduzindo significativamente os escores em escalas de avaliação como HAMA e SAS (HONG et al., 2023). A eficácia da acupuntura como coadjuvante é reforçada em estudos com comorbidades, como em pacientes com dispepsia funcional, onde a acupuntura foi superior ao placebo e a medicamentos de primeira linha (XU et al., 2024). A especificidade para idosos, no entanto, é uma lacuna notável. Embora a auriculoterapia tenha se mostrado eficaz na depressão em idosos (JOSHEGHANI et al., 2024), a evidência focada em transtornos de ansiedade nesta população é menos robusta, necessitando de mais RCTs de alta qualidade.
O perfil de segurança geral da acupuntura é considerado favorável, com eventos adversos graves sendo raros (ARMOUR et al., 2019). Contudo, riscos específicos em idosos, como fragilidade e uso de anticoagulantes, aumentam o risco de hematoma e infecção, exigindo medidas mitigadoras.
A segurança e a tolerabilidade da acupuntura em idosos são fatores cruciais para a adesão ao tratamento. Josheghani et al. (2024) destacam a aceitabilidade da auriculoterapia:
“A auriculoterapia é uma modalidade não invasiva e relativamente segura, bem aceita por pessoas idosas devido à sua simplicidade, relação custo-benefício e aplicabilidade em ambientes domiciliares. Parece que a auriculoterapia regula o humor ao estimular a produção de opioides endógenos.” (JOSHEGHANI et al., 2024, p. 1, tradução nossa).
Adaptações práticas, como o uso de agulhas mais finas e técnicas superficiais, são essenciais para a segurança e conforto. A tolerabilidade e aceitabilidade em idosos são geralmente altas, sendo a confiança no profissional um fator crucial para a adesão.
2.8 Protocolos clínicos e aspectos práticos
A acupuntura pode favorecer a redução de psicofármacos (desprescribing) ao promover a redução sintomática da depressão e ansiedade, a melhora do sono e a analgesia. A evidência direta sobre desprescribing ainda é incipiente, mas promissora, com ensaios clínicos em andamento focados na redução de benzodiazepínicos em idosos com o auxílio da acupuntura (VANDERBILT / NCT06197243, 2025). A necessidade de RCTs com este desfecho é urgente.
A implementação da acupuntura em serviços de saúde requer modelos de integração em equipes multidisciplinares, superando barreiras de financiamento e credenciamento. Para idosos, a implementação segura exige protocolos padronizados, triagem farmacêutica e monitoramento contínuo de eventos adversos.
A principal lacuna de conhecimento é a falta de RCTs de alta qualidade focados exclusivamente em idosos, especialmente com desfechos de desprescribing. A agenda de pesquisa prioritária deve incluir o desenho de estudos com este foco, além de análises de custo-efetividade e estudos qualitativos para avaliar a aceitabilidade.
Diante disso, a acupuntura demonstra plausibilidade biológica e evidência parcial de eficácia para depressão e ansiedade. Seu potencial como terapia complementar no manejo da polifarmácia em idosos existe, mas a evidência direta ainda é incipiente. Este referencial teórico serve como transição para os capítulos seguintes, informando a metodologia da revisão, a discussão dos resultados e a formulação de recomendações.
3 METODOLOGIA
A presente revisão foi conduzida como revisão bibliográfica sistematizada, revisão narrativa com procedimentos sistemáticos de busca e seleção, com objetivo de sintetizar evidências sobre o uso da acupuntura no tratamento de ansiedade e depressão em idosos e sua relação com a polifarmácia. O protocolo metodológico seguiu recomendações internacionais para revisão sistemática no que coube ao escopo deste trabalho (PRISMA) e às normas de avaliação de risco de viés e de força da evidência (Cochrane / RoB / GRADE). (PAGE et al., 2021; HIGGINS et al., 2019).
Trata-se de revisão bibliográfica/intelectual com caráter sistematizado (revisão sistemática de literatura destinada à síntese crítica), sem registro de protocolo prospectivo, quando aplicável, recomenda-se registrar em PROSPERO ou similar para trabalhos futuros. (PAGE et al., 2021).
As buscas foram realizadas nas bases eletrônicas: PubMed/MEDLINE, Embase, Cochrane Library, Web of Science, ClinicalTrials.gov, Scopus, LILACS e SciELO. Complementarmente, foram consultadas diretrizes, teses e literatura cinzenta e as referências das revisões identificadas.
A seleção foi realizada em duas etapas: (1) triagem de títulos e resumos, (2) leitura integral dos textos potencialmente elegíveis. Em cada etapa a seleção foi feita por dois revisores de forma independente; divergências foram resolvidas por consenso ou por um terceiro revisor. Para transparência, recomenda-se elaborar e apresentar o diagrama de fluxo PRISMA. (PAGE et al., 2021).
Por se tratar de pesquisa baseada em literatura pública e dados secundários, não houve contato com participantes humanos e, consequentemente, não foi necessária aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa. Entretanto, questões éticas de boa prática foram observadas e registradas.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A revisão sistemática e meta-análise empreendida para avaliar a eficácia da acupuntura no manejo da ansiedade e depressão em idosos e sua relação com a polifarmácia resultou na inclusão de um conjunto de estudos que, embora heterogêneo, fornece uma base de evidências para a prática clínica. O corpus de evidências é predominantemente composto por Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs) e Revisões Sistemáticas com Meta-análise (RS/MA), sendo a maioria publicada nos últimos cinco anos, refletindo o crescente interesse na área. A análise incluiu, por exemplo, a meta-análise de Chen et al. (2023) sobre a eficácia da acupuntura para depressão, e o ECR de Josheghani et al. (2024) focado especificamente em idosos, além de revisões mais amplas como a de Armour et al. (2019) e a de Xu et al. (2024) que comparou a acupuntura com a farmacoterapia convencional (ARMOUR et al., 2019; JOSHEGHANI et al., 2024; CHEN et al., 2023; XU et al., 2024).
A amostra total dos estudos incluídos é vasta, embora a subpopulação de idosos (terceira idade) seja frequentemente um subgrupo dentro de estudos maiores, o que constitui uma limitação metodológica. O estudo de Josheghani et al. (2024), por exemplo, incluiu 52 idosos, enquanto as meta-análises, como a de Chen et al. (2023), agregaram milhares de participantes, mas com uma faixa etária mais ampla. Geograficamente, a maioria dos estudos primários é proveniente da China, devido à forte integração da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) no sistema de saúde, mas há contribuições significativas de países ocidentais, como o Brasil (DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023) e Austrália (Armour et al., 2019), o que confere uma perspectiva global aos achados (ARMOUR et al., 2019; CHEN et al., 2023; DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023).
Em termos de desenho de estudo, a prevalência de ECRs é fundamental para estabelecer a causalidade, comparando a acupuntura com placebo (sham), lista de espera (waitlist) ou tratamento convencional (usual care). A qualidade metodológica, conforme avaliada pelas ferramentas de risco de viés (como a Cochrane RoB 2.0), varia, mas os estudos mais recentes tendem a apresentar melhor rigor, especialmente no que tange ao cegamento dos participantes e avaliadores, embora o cegamento do terapeuta permaneça um desafio inerente à intervenção (CHEN et al., 2023; XU et al., 2024). A diversidade de desenhos, incluindo ECRs e RS/MA, permite uma síntese robusta da eficácia e segurança da acupuntura como terapia complementar ou alternativa.
A evidência sobre a redução de sintomas depressivos é consistente e favorável à acupuntura. A meta-análise de Chen et al. (2023) demonstrou que a eletroacupuntura (EA) combinada com antidepressivos alcançou resultados superiores na melhora dos sintomas de depressão em comparação com a lista de espera, e foi a intervenção com a maior probabilidade de eficácia, seguida pela acupuntura manual (MA) mais antidepressivo (CHEN et al., 2023). Isso sugere um efeito sinérgico da acupuntura com a farmacoterapia, potencializando a resposta clínica.
Especificamente na população idosa, o ensaio clínico randomizado de Josheghani et al. (2024) sobre a auriculoterapia confirmou que a técnica alivia significativamente os sintomas depressivos, com um efeito duradouro observado quatro semanas após o término da intervenção (JOSHEGHANI et al., 2024). Os resultados indicaram que a auriculoterapia pode ser utilizada com segurança como terapia complementar para idosos com depressão, reforçando a aplicabilidade de modalidades menos invasivas e de baixo custo neste grupo etário vulnerável.
A comparação direta entre acupuntura e tratamento farmacológico convencional também aponta para a eficácia da MTC. A revisão de Xu et al. (2024) indicou que a acupuntura foi significativamente mais eficaz do que a farmacoterapia convencional na redução dos sintomas de depressão, conforme medido pela Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton (HAMD), embora a qualidade da evidência tenha sido classificada como muito baixa em algumas comparações (XU et al., 2024). No entanto, a tendência geral é de que a acupuntura, seja isolada ou adjuvante, oferece um benefício clínico relevante na depressão.
A eficácia da acupuntura na redução dos sintomas ansiosos segue um padrão similar ao da depressão. Embora a ansiedade seja frequentemente um desfecho secundário nos estudos de depressão, a evidência sugere que a acupuntura, ao modular o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) e a liberação de neurotransmissores, exerce um efeito ansiolítico (ARMOUR et al., 2019). A revisão de Xu et al. (2024) também abordou a ansiedade, indicando que a acupuntura pode ser superior ao tratamento convencional, embora a magnitude do efeito e a qualidade da evidência variem entre os estudos (XU et al., 2024).
Em relação às medidas de qualidade de vida (QV), os estudos frequentemente reportam melhorias significativas nos grupos de intervenção com acupuntura. A redução dos sintomas de ansiedade e depressão, por si só, contribui para a melhora da QV. Além disso, a acupuntura demonstrou ser eficaz na redução da dor crônica, um comorbidade comum em idosos com transtornos de humor, o que indiretamente eleva a funcionalidade e a QV geral (GUIMARÃES, 2007). A percepção de controle sobre a própria saúde, proporcionada por uma terapia não farmacológica, também é um fator que impacta positivamente a QV.
A segurança da acupuntura é um dos seus maiores atrativos, especialmente para a população idosa, que é mais suscetível a Eventos Adversos a Medicamentos (EAMs) decorrentes da polifarmácia. Os estudos revisados consistentemente classificam a acupuntura como uma terapia de baixo risco, com eventos adversos geralmente leves e transitórios, como dor leve no local da inserção da agulha ou pequenos hematomas (CHEN et al., 2023; DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023). Em contraste, a farmacoterapia para depressão e ansiedade em idosos está associada a riscos significativos, incluindo náuseas, tonturas, sedação e disfunção sexual, além de interações medicamentosas perigosas (CHEN et al., 2023).
Os padrões de protocolo de acupuntura são variados, mas algumas tendências podem ser observadas. A maioria dos estudos utiliza um regime de 8 a 12 sessões, com frequência de duas a três vezes por semana (JOSHEGHANI et al., 2024; CHEN et al., 2023). A modalidade de eletroacupuntura (EA), que envolve a aplicação de corrente elétrica de baixa frequência nas agulhas, é frequentemente associada a resultados mais robustos, especialmente quando combinada com antidepressivos (CHEN et al., 2023).
Os pontos de acupuntura mais frequentemente utilizados para depressão e ansiedade incluem pontos sistêmicos como Yintang (EX-HN3), Baihui (GV20), Neiguan (PC6), Hegu (LI4), Taichong (LR3) e Zusanli (ST36), que são conhecidos por sua ação na regulação do Shen (Mente) e do Qi (MACIOCIA, 2019). A auriculoterapia, que utiliza pontos na orelha, como o Ponto Shenmen e o Ponto do Sistema Nervoso Autônomo, também se mostrou eficaz, sendo uma opção particularmente conveniente e menos invasiva para idosos (JOSHEGHANI et al., 2024; DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023).
A evidência sobre a redução de medicação (desprescribing) é o ponto mais crítico e a principal lacuna da literatura. Embora o tema central da revisão seja a polifarmácia, a maioria dos ECRs e RS/MAs foca na eficácia da acupuntura na redução dos sintomas (desfechos clínicos), e não na redução da dose ou descontinuação de psicotrópicos (desfechos farmacológicos) (MORAIS et al., 2024).
Não foram encontrados estudos de alta qualidade que tivessem como desfecho primário a diminuição da dose ou a descontinuação de psicotrópicos, benzodiazepínicos ou antidepressivos em idosos com ansiedade e depressão após a intervenção com acupuntura. Os estudos que mantiveram o tratamento farmacológico (usual care) o fizeram por razões éticas, mas não monitoraram a possibilidade de redução da dose (DE OLIVEIRA RODRIGUES et al., 2023).
Plausibilidade e Evidência Indireta: A plausibilidade de redução da medicação é alta, dada a eficácia da acupuntura na redução dos sintomas (o que, em tese, permitiria a redução da dose) e seu perfil de segurança superior (CHEN et al., 2023). O fato de a acupuntura ter demonstrado ser mais eficaz que a farmacoterapia isolada em algumas comparações (Xu et al., 2024) sugere que ela pode substituir ou reduzir a necessidade de medicamentos em pacientes selecionados (XU et al., 2024).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A revisão da literatura demonstra que a acupuntura constitui uma intervenção promissora e segura para o tratamento de sintomas de ansiedade e depressão na população idosa, apresentando um potencial significativo para contribuir com a redução da polifarmácia nesta faixa etária. As evidências compiladas, provenientes de revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos randomizados, indicam de forma consistente que a acupuntura, em suas modalidades manual, eletroacupuntura e auriculoterapia, é eficaz na redução dos escores em escalas validadas para depressão e ansiedade, podendo ser utilizada tanto como terapia isolada quanto de forma adjuvante à farmacoterapia convencional.
O perfil de segurança favorável da prática, com relatos de eventos adversos geralmente leves e transitórios, contrasta positivamente com os riscos inerentes ao uso prolongado de psicotrópicos, como sedação, quedas, interações medicamentosas e declínio cognitivo, que frequentemente agravam o cenário da polifarmácia inapropriada. Dessa forma, a acupuntura se posiciona como uma ferramenta valiosa dentro de um modelo de cuidado integrativo, que visa não apenas o alívio sintomático, mas também a promoção global da saúde e a otimização da terapêutica medicamentosa.
Apesar do robusto corpo de evidências sobre a eficácia sintomática, constata-se que a principal lacuna do conhecimento reside na escassez de estudos que tenham como desfecho primário a redução efetiva do uso de medicamentos (deprescribing). A maioria das pesquisas foca na melhora clínica como parâmetro principal, deixando em segundo plano a mensuração direta de variáveis farmacológicas, como a diminuição de doses ou a descontinuação de psicotrópicos.
A plausibilidade biológica para tal redução é alta, uma vez que o controle dos sintomas por uma via não farmacológica poderia, em tese, criar a oportunidade clínica para uma revisão segura da prescrição. No entanto, a carência de Ensaios Clínicos Randomizados desenhados especificamente para avaliar este desfecho, particularmente em idosos, impede conclusões mais definitivas. Iniciativas como o estudo em andamento da Vanderbilt University, que investiga a acupuntura como coadjuvante na redução de benzodiazepínicos, apontam para a direção necessária, mas evidenciam que esta ainda é uma fronteira incipiente na pesquisa.
Portanto, conclui-se que a acupuntura representa uma estratégia terapêutica viável e benéfica no manejo da ansiedade e depressão em idosos, com potencial para impactar positivamente o problema da polifarmácia. Para que este potencial seja plenamente realizado e incorporado às diretrizes clínicas, torna-se imperativo o investimento em pesquisas futuras de alta qualidade metodológica, que priorizem desfechos relacionados ao deprescribing e sejam conduzidas exclusivamente com populações geriátricas. A implementação da acupuntura nos serviços de saúde, notadamente na Atenção Primária, deve ser acompanhada de protocolos padronizados, educação permanente das equipes e integração multidisciplinar, assegurando que sua aplicação seja segura, eficaz e acessível.
Dessa maneira, a acupuntura poderá consolidar-se como um pilar importante na construção de um cuidado geriátrico mais racional, humano e centrado na qualidade de vida, onde a minimização de riscos iatrogênicos e a promoção do bem-estar sejam objetivos fundamentais.
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