TROMBOFILIAS GESTACIONAIS: DA FISIOPATOLOGIA AO DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510181053


Amanda Ferreira Moura
Rafaela Barbosa Ribeiro
Orientadora: Andressa Rodrigues Lopes


RESUMO 

A trombofilia é uma patologia que pode acometer a mulher durante a gestação caracterizado pelo surgimento de hipercoagulabilidade associado aos fatores adquiridos ou genéticos promovendo um desequilíbrio na hemostasia. Essa condição pode estar presente na gestação ou no pós-parto aumentando o risco de mortalidade fetal e de complicações como aborto espontâneo, restrição de crescimento, pré-eclâmpsia e óbito materno. Este estudo tem como objetivo analisar a fisiopatologia das trombofilias hereditárias e adquiridas na gestação e os métodos laboratoriais disponíveis para o diagnóstico biomédico. Trata – se de uma revisão de literatura, em que foi realizado busca de artigos científicos publicados nas bases de dados da Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Medical Literature Analysis and Retrieval System on-line (MEDLINE) e Google Acadêmico. Desse modo, os estudos analisados percebem-se que o diagnóstico é fundamental devendo ser realizado durante a consulta de pré-natal com avaliação do exame físico e com exames específicos genéticos, de coagulação e pesquisa de anticorpos. Mediante isso, o tratamento contribui para reduzir os riscos e permitir uma gestação segura através da profilaxia de anticoagulante e medidas mecânicas, exigindo um acompanhamento rigoroso com a equipe e médico. 

Palavras-chaves: Trombofilia. Gestação. Profilaxia. 

ABSTRACT 

Thrombophilia is a condition that can affect women during pregnancy, characterized by the onset of hypercoagulability associated with acquired or genetic factors, promoting an imbalance in hemostasis. This condition can be present during pregnancy or postpartum, increasing the risk of fetal mortality and complications such as spontaneous abortion, growth restriction, preeclampsia, and maternal death. This study aims to analyze the pathophysiology of hereditary and acquired thrombophilias during pregnancy and the laboratory methods available for biomedical diagnosis. This is a literature review that searched for scientific articles published in the Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), and Google Scholar databases. The studies analyzed demonstrate that diagnosis is essential and should be performed during the prenatal visit, with a physical examination and specific genetic, coagulation, and antibody tests. Treatment helps reduce risks and ensure a safe pregnancy through anticoagulant prophylaxis and mechanical measures, requiring close monitoring by the team and physician. 

Keywords: Thrombophilia. Pregnancy. Prophylaxis.

1. INTRODUÇÃO 

A trombofilia é uma patologia que afeta diretamente o equilíbrio do sistema de coagulação do sangue facilitando a formação de trombos e consequentemente provocando irregularidades crônicas na hemostasia. Essa condição pode surgir ou ser agravada no período gestacional sendo necessária a intervenção médica para prevenir complicações (SILVA; SILVA; MAIOR, 2021). 

Desse modo, durante a gestação a trombofilia mais comum, é o Tromboembolismo Venoso (TEV) sendo uma das principais complicações nesse período, trazendo comprometimento no desenvolvimento neonatal. Ademais, pode ser desenvolvida por alterações genéticas ou por fatores adquiridos (SILVA; SILVA; MAIOR, 2021). 

Destarte, é considerado um problema de saúde pública que requer atenção dos profissionais durante a consulta do pré-natal, necessitando a investigação de fatores de risco e hereditariedade devido o aumento da incidência na gestação. Logo, o diagnóstico é fundamental para reduzir o risco de complicações severas, tanto para mãe quanto para o feto, sendo ele baseado na avaliação clínica e nos exames laboratoriais (VASCONCELOS et al., 2025). 

Nesse ínterim, a profilaxia e a terapêutica são essenciais para reduzir as chances de eventos nesse período da gestação que envolvem medidas não-farmacológicas como incentivo na deambulação e nas farmacológicas como o uso de anticoagulantes. Tendo a necessidade de serem acompanhadas no pré-natal de alto risco e uma gestação programada no ambiente hospitalar (ARAGÃO, 2018). 

Este estudo tem como objetivo geral analisar a fisiopatologia das trombofilias hereditárias e adquiridas na gestação e os métodos laboratoriais disponíveis para o diagnóstico biomédico. E os objetivos específicos envolvem descrever os principais tipos de trombofilia; discutir a fisiopatologia relacionada ao risco gestacional; e revisar as principais metodologias laboratoriais para diagnóstico e tratamento. 

Nesse viés, esse trabalho justifica-se pela necessidade de orientar as mulheres sobre a trombofilia sendo uma doença que pode estar presente nesse período devido às mudanças ocasionadas juntamente com fatores de risco que podem levar ao desenvolvimento e consequentemente, evoluir para complicações. 

2. METODOLOGIA 

Este estudo constitui uma revisão de literatura narrativa, em que foi realizado busca de artigos científicos publicados nas bases de dados da Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Medical Literature Analysis and Retrieval System on-line (MEDLINE) e Google Acadêmico. Dessa maneira, foram utilizados descritores específicos como “Trombofilia”, “Trombofilia Hereditária“, “Trombofilia Adquirida”, “Riscos trombóticos na gravidez”, ”Diagnóstico Laboratorial da trombofilia”, visando estudos que abordassem de forma direta a fisiopatologia ou os métodos laboratoriais de diagnóstico de trombofilias hereditárias e adquiridas durante a gestação.

Os critérios de inclusão incluem artigos disponíveis online, na íntegra, sejam de revisão sistemática, bibliográfica, integrativa, publicados em periódicos nacionais e internacionais, nos idiomas inglês, espanhol e português compreendendo o período de 2017 a 2025. Os critérios de exclusão estabelecidos foram artigos não originais, repetidos, duplicados e pagos, que estavam fora do período delimitado.

Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo reunir informações relevantes acerca da trombofilia, suas classificações, manifestações durante a gestação, métodos diagnósticos e possibilidades de tratamento, contribuindo para o aprofundamento teórico e para a valorização da atuação biomédica na detecção e monitoramento dessa condição.

3. DESENVOLVIMENTO 

3.1 Trombofilia 

No ano de 1937 o médico Nygaard-Brown utilizou o termo de “trombofilia” como uma doença arterial oclusiva associando a uma doença de tromboembolismo venoso (TEV). Assim, esse termo é caracterizado por uma desordem hemostática resultado do aumento de fatores pró-trombóticos que pode ser de origem venosa ou arterial (SILVEIRA et al., 2023). 

Brasil (2021) destaca-se que a trombofilia é uma condição que aumenta o risco de desenvolver eventos trombóticos devido a predisposição de formação de coágulos no sistema circulatório. E dentre os tipos de trombofilia, na gestação a principal causa de morbimortalidade materna é o tromboembolismo venoso (TEV) e suas complicações encontram-se a trombose venosa profunda (TVP) e o tromboembolismo pulmonar (TEP). 

Segundo Rocha (2019) o termo de trombofilia atualmente vem sendo empregado como um estado de hipercoagulabilidade que depende de fatores intrínsecos ou extrínsecos. Sendo uma condição multifatorial que envolve fatores genéticos e ambientais como, obesidade, tabagismo, viagens de avião longas, uso de hormônios ou medicamentos e imobilização favorecendo o desenvolvimento da doença. 

Para entender esse conceito é importante compreender o sistema de coagulação que consiste em uma cascata proteolítica de duas vias: a via intrínseca, composta pelo fator XXI, a pré-calicreína e o fator XI ativado (fator XIa) produzem o fator IXa, que se combina com o fator VIIIa e com fosfolipídio pró-coagulante para formar um complexo que ativa o fator X. A via extrínseca, e formada pelo fator VIIa e o fator tecidual (FT) que ativam diretamente o fator X (LEAF; CONNORS, 2017). 

Desse modo, as duas vias ativam o fator X resultando na formação do coágulo de fibrina. Além disso, acontecem três passos: conversão da protrombina na superfície das plaquetas, a protrombina cliva em trombina e, por sua vez, a trombina induz a produção de monômeros e polímeros de fibrina a partir do fibrinogênio (LEAF; CONNORS, 2017). 

3.1.2 Trombofilia Hereditária 

A trombofilia hereditária tem como causa as alterações genéticas que afetam a quantidade ou a função dos componentes de coagulação sanguínea. Entre eles, encontra-se, segundo Zoppi Negri (2020) o fator V Leiden (FVL) caracterizado por uma mutação do gene fator V que impede a ação da proteína C, aumentando o risco da formação de coágulos; a mutação da protrombina (G20210A) sendo uma alteração genética que eleva os níveis de protrombina favorecendo a hipercoagulabilidade e a mutação C6 77T da MTHFR que afeta o metabolismo da homocisteína, levando o seu acúmulo e aumentando o risco de trombose. 

Ainda segundo o autor tem-se a deficiência de antitrombina (AT) que pode ser quantitativa (redução na produção) ou qualitativa (alterações funcionais) comprometendo a capacidade de inibir a coagulação; a deficiência de proteína C (PC) que pode ocorrer por baixa produção (tipo I) ou por alteração estrutural da proteína (tipo II) em formas homozigotas associadas a maior gravidade, e a deficiência da proteína S (PS) classificada em três tipos que afeta a quantidade total, a atividade funcional ou os níveis de proteína S livre prejudicando a ação anticoagulante (ZOPPI NEGRI, 2020).

Para Silveira et al. (2023) as condições hereditárias se apresentam com maior frequência no tromboembolismo venoso, afetando mulheres com idade menor que 45 anos de idade e 1/3 dos casos têm relação familiar. A questão hereditária é autossômica dominante e das causas apontadas, a mais comum é o Fator V de Leiden, caracterizada pela redução natural de inibição da coagulação (BATTI; SELZLEIN; BORTOLI, 2025).

3.1.3 Trombofilia Adquirida 

A trombofilia adquirida é autoimune, conhecida como Síndrome Antifosfolípide (SAF). Essa classificação predispõe de anticorpos que favorecem a formação de coágulos resultando em trombose venosa ou arterial durante a gestação. O diagnóstico desse fator é desafiador devido a flutuação de anticorpos ao longo da vida e fora das fases trombóticas (ZOPPI NEGRI, 2020). 

As complicações, nesse caso, são preocupantes por maior risco de prematuridade, restrição de crescimento, doenças hipertensivas maternas, abortamento e óbito fetal. Para realizar o diagnóstico é necessário ter a presença de um ou mais critérios estabelecidos como: trombose vascular confirmada por estudo de imagens; morbidades obstétricas (óbito fetal, parto prematuro, abortamento espontâneo, e presença de anticoagulante lúpico, anticardiolipina ou anti-B2 glicoproteína I (FERNANDES; SÁ, 2021). 

A trombofilia adquirida requer uma investigação mais rigorosa através de testes hematológicos e bioquímicos que identifique a presença de anticorpos antifosfolípides, neoplasias, síndrome nefrótica, hemoglobinúria paroxística noturna e condições mieloproliferativas (SERRANO, 2018). 

3.2 Trombofilia na Gestação 

A gravidez é uma fase que passa por mudanças fisiológicas que impactam o sistema de fibrinogênio e a coagulação sanguínea resultando em um desequilíbrio de hipercoagulabilidade, com risco para trombose. A frequência desse fenômeno varia entre 0,6 e 1,7 em cada mil gestações, o que se deve às modificações nas concentrações hormonais. A ocorrência torna-se maior na fase pós-parto em torno de 50 a 60%, conhecida como período puerperal (NASCIMENTO et al., 2019). 

Segundo Brasil (2021), no período gestacional as mulheres têm 5 a 6 vezes maior chance em desenvolver um TEV, sendo responsável por 4,2% de mortes maternas correspondente a gestação, parto e puerpério, isso deve-se aos fatores de risco e a predisposição genética. Ademais das mudanças nos níveis de coagulação, hormonais e fluxo venoso nesse período (BATTI; SELZLEIN; BORTOLI, 2025). 

Desse modo, essas alterações maternas resultam nos componentes da Tríade de Virchow que envolve três pontos: o estado de hipercoagulabilidade que favorece o aumento dos fatores de coagulação e diminuição da atividade fibrinolítica; a estase sanguínea pela redução do retorno venoso provocado pela compressão uterina nas veias cava e ilíaca comum esquerda e a lesão endotelial vista na nidação por alteração das artérias espiraladas do útero e da dequitação placentária. Ressaltando, deste modo, a falta de acompanhamento no pré-natal que aumenta o surgimento e o agravamento de complicações para o tromboembolismo venoso (ZENATTI et al., 2024).

Figura 1: Tríade de Virchow

Autor: Amato (2023).

Segundo Rocha, Cirqueira e Câmara (2019) quando acontece diminuição do fluxo uteroplacentário na gestação pode levar a uma obstrução das veias maternas ou das veias ligadas à placenta. Dessa forma, se a obstrução for igual a 50% o tempo previsto do parto tende-se a comprometer, tornando-se um risco fetal e se alcançar em 90% o feto poderá vir ao óbito. 

O risco da TEV é aumentado na gestação pela presença de trombofilias adquiridas e hereditárias, decorrendo na formação de trombos e levando a complicações (SILVEIRA et al., 2023). Brasil (2021) aponta que as complicações incluem edema, desprendimento placentário, restrição de crescimento, parto prematuro e aborto espontâneo. 

3.2.1 Fatores de risco durante o período gestacional 

A trombofilia gestacional é multifatorial, no entanto nos estudos relacionada seu desenvolvimento em locais de maior vulnerabilidade social, econômica e com difícil acesso aos serviços de saúde, bem como pela falta de infraestrutura das unidades e de profissionais especializados comprometendo o acompanhamento, o diagnóstico e possibilitando complicações materno-fetal (VASCONCELOS et al., 2024). 

O tabagismo é um fator de risco significativo para o surgimento da pré-eclâmpsia, restrição intrauterina e perda fetal, especialmente nos casos de trombofilia hereditária (CLAVIJO et al., 2019). No estudo de Zenatti et al. (2024) destaca obesidade (IMC >30), idade maior 35 anos, parto cesárea, histórico de trombose venosa prévia, doença imunológica e cardíaca para o desenvolvimento da TEV. 

Segundo Albriclker et al. (2019) fatores como a idade, histórico prévio de TEV, tabagismo aumentam o risco das mulheres para a doença. Outras situações como, terapia de reposição hormonal, obesidade, neoplasias, varizes de membros inferiores, imobilidade prolongada e doenças cardiovasculares. 

No estudo de Ybstein e Desancho (2019) é fundamental a gestante realizar o acompanhamento nas consultas de pré-natais, sendo uma oportunidade de investigação de fatores de risco através da anamnese, exame físico e exames complementares como forma de diminuir os eventos trombóticos e complicações possíveis por um diagnóstico precoce e tratamento adequado. 

3.2.2 Diagnóstico e Tratamento de trombofilia na gestação 

A trombofilia na gestação mais comum é o TEV, para realizar o diagnóstico adequado e precoce é necessário a investigação durante a consulta de pré-natal. Segundo Mendonça et al. (2021), o diagnóstico clínico é essencial como buscar pela presença de edema de membros inferiores assimétricos, dor, rigidez muscular, extremidades com rubor e calor. No exame físico pelo sinal de Homans caracterizado pelo desconforto na panturrilha após dorsiflexão do pé; o sinal da bandeira se apresenta com menor mobilidade da panturrilha e o sinal de Bancroft representado por dor à palpação na panturrilha. 

Desse modo, na consulta do pré-natal devem ser investigados os fatores de risco e a classificação da gestante, e a necessidade de anticoagulação. Nesse sentido, a avaliação laboratorial deve ser estendida para mulheres como história de TEV; mulheres com história familiar de trombofilia hereditária e mulheres como história clínica compatível com Síndrome Antifosfolipídeo (BRASIL, 2021). 

Os exames laboratoriais envolvem de coagulação – tempo de protrombina e de tromboplastina parcial, reação em cadeia da polimerase (PCR) para a mutação do fator V Leiden e a mutação G20210A do gene da protrombina. Os exames de mutação do gene da protrombina; dosagem de proteína C e S funcional; antibeta2glicoproteína I – IgG; e I – IgM e anticoagulante lupico contribuem para o diagnóstico da doença, no entanto não estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde, dificultando o diagnóstico precoce (Brasil, 2019). 

Segundo Fernades e Sá (2021), a tromboprofilaxia é o manejo adequado para as gestantes incluindo medidas não farmacológicas e farmacológicas que variam conforme o problema identificado. Dentre as drogas de escolha para essa condição, a heparina de baixo peso molecular (HBPM) é a opção devido ao menor risco de sangramento, trombocitopenia e osteoporose e por não atravessar a barreira placentária. O seu uso é subcutâneo, de uma a duas vezes por dia, e deve ser descontinuada 12 a 24 horas antes do parto.  

Desse modo, a abordagem de tratamento é diferente para cada situação hereditária ou adquirida como descrito por Brasil (2021): Anticoagulação no período pré-natal e até seis semanas pós-parto: mulheres com história de TEV; SAF comprovado por laboratório e clínico e trombofilia de alto risco com 40 mg/d; e Anticoagulação apenas por até seis semanas no pós-parto: mulheres com trombofilia de alto e baixo risco e história pessoal de TEV com 40 mg/d (SANCHES et al., 2020). 

No caso da SA, além do uso do anticoagulante, estudos mostram a associação de antiagregantes plaquetários – ácido acetilsalicílico (AAS) 100 mg, principalmente em mulheres com perdas gestacionais e no uso de prevenção de abortamento no futuro sendo uma droga segura para ser usada no 2º e 3º trimestre de gestação (ARAGÃO, 2018). Segundo Brasil (2021), é uma medicação indicada para alterações no sistema vascular, de rápida absorção por via oral e absorvida pelo sistema gastrointestinal. 

No puerpério a heparina deve ser reintroduzida após 6 a 8 horas do parto, tanto cesárea, quanto vaginal.  Mediante as reações que podem cursar a heparina é importante a introdução nutricional de cálcio em 1,5g por dia e com suplementação de carbonato de cálcio 500 mg por dia (FERNANDES; SÁ, 2021). 

Nos casos de trombofilia hereditária assintomática devem avaliar os fatores de risco e histórico familiar. Na deficiência de antitrombina, deficiência de proteína C ou S, deve ter profilaxia pré-natal e pós-natal por 6 semanas e com acompanhamento do anti-Xa e avaliar a necessidade de transfusão de antitrombina no início do trabalho de parto ou cesárea. No caso do fator V de Leiden ou a mutação do gene da protrombina ou anticorpos antifosfolípides, atentar-se ao esquema para intervenção: mais de três fatores de risco: considerar profilaxia pré-natal; mais de dois fatores de risco: considerar profilaxia maior que 28 semanas; mais de um fator de risco: considerar profilaxia por 10 dias pós-parto (ZENATTI et al, 2024). 

Vale ressaltar que mesmo diante as condições de trombofilia deve haver investigação quanto ao uso da heparina, sendo ela contraindicada em casos de mulheres com risco alto para hemorragia grave; acidente vascular cerebral nas quatro semanas precedentes; doença hepática grave; hipertensão não controlada (>200x120mmHg); doença renal grave com taxa de filtração glomerular < 30mL; trombocitopenia; hemorragia ativa e distúrbio de sangramento (FERNANDES; SÁ, 2021). 

Ademais das medidas farmacológicas, destaca-se as medidas não farmacológicas mecânicas como o uso de meias compressivas; dispositivos eletroestimulação e de compressão pneumática intermitente da panturrilha como forma de prevenção auxiliando no aumento do fluxo sanguíneo femoral e por estimular a fibrinólise por aumento do fator ativador do plasminogênio tecidual; e o incentivo da deambulação e exercícios físicos como caminhada (MENDONÇA et al., 2021). 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O estudo apresentado permite analisar a importância da investigação de fatores de risco com alterações genéticas e adquiridas para avaliação da Trombofilia na gestação. Percebe-se que o tromboembolismo venoso (TEV) é uma condição mais frequente no período gestacional necessitando de intervenção médica devido ao alto risco de morbimortalidade tanto no feto quanto na mulher. 

Ademais, o diagnóstico precoce é essencial possibilitando um manejo adequado de acordo com a causa. Desse modo, a apuração por exame físico e laboratoriais permitem um acompanhamento do problema e proporciona redução das complicações possíveis dessa doença. Sendo primordial, uma identificação correta dos dados pessoais e clínicos para uma intervenção segura proporcionando uma gestação de qualidade.  

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