TRAUMATISMO EM DENTE PERMANENTE JOVEM: SUAS COMPLEXIDADES E DESAFIOS MULTIDISCIPLINARES DA CONDUTA CLÍNICA 

TRAUMA TO A YOUNG PERMANENT TOOTH: ITS COMPLEXITIES AND MULTIDISCIPLINARY CHALLENGES IN CLINICAL MANAGEMENT. 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511252035


Lays Stein Aguiar e Silva1
Letícia Alves Fagundes1
Jeiva Amaral Lacerda Chaves1
Milena Tavares de Carvalho2


RESUMO

O traumatismo dentário é um impacto que afeta dentes e tecidos de suporte, representando um problema de saúde pública devido à sua alta prevalência e impactos na qualidade de vida. Nesse contexto, o presente relato de caso teve como objetivo de expor a multidisciplinaridade envolvida no tratamento do trauma em um dente permanente jovem, explorando a luxação extrusiva lateral, detalhando seu tratamento e o papel da endodontia regenerativa como uma terapia promissora para dentes com rizogênese incompleta. Durante o acompanhamento, observou-se reabsorção inflamatória externa, levando ao encaminhamento para tratamento endodôntico, que consistiu em descontaminação do canal, aplicação de medicação intracanal e cobertura estética. O tratamento foi conduzido por uma equipe multidisciplinar, o que garantiu uma abordagem eficaz para a recuperação do paciente. Além disso, foi discutido as opções de tratamento disponíveis, como restaurações e colagem de fragmentos, enfatizando a eficácia dessas técnicas para garantir resultados funcionais e estéticos satisfatórios.

Palavras-chave: Traumatismos Dentários. Odontopediatria. Endodontia Regenerativa. Colagem de fragmento. 

ABSTRACT

Dental trauma is an impact that affects teeth and supporting tissues, representing a public health problem due to its high prevalence and impact on quality of life. In this context, this case report aimed to present the multidisciplinary approach involved in the treatment of trauma in a young permanent tooth, exploring lateral extrusive luxation, detailing its treatment, and the role of regenerative endodontics as a promising therapy for teeth with incomplete rhizogenesis. During follow-up, external inflammatory resorption was observed, leading to referral for endodontic treatment, which consisted of canal decontamination, application of intracanal medication, and aesthetic coverage. The treatment was conducted by a multidisciplinary team, ensuring an effective approach to the patient’s recovery. Furthermore, available treatment options, such as restorations and fragment bonding, were discussed, emphasizing the effectiveness of these techniques in achieving satisfactory functional and aesthetic results. 

Keywords: Dental Trauma. Pediatric Dentistry. Regenerative Endodontics. Fragment Bonding. 

1 INTRODUÇÃO 

O traumatismo dentário é um impacto externo nos dentes ou nos tecidos que os suportam, sendo um problema de saúde pública devido à sua alta frequência e aos impactos econômicos e na qualidade de vida (LAM, 2016; POUBEL, et al., 2017). Desde a década de 1960, estudos mostram que quedas acidentais em crianças são a principal causa de lesões nos dentes anteriores, geralmente resultando em fraturas coronárias sem exposição da polpa (ELLIS, 1952).  

As lesões dentárias traumáticas (LDTs) são comuns em crianças e adolescentes, representando 5% de todas as lesões e a sua incidência é praticamente equivalente entre meninos e meninas; 25% das crianças em idade escolar e 33% dos adultos já sofreram algum tipo de trauma dental, principalmente antes dos 19 anos. Vale destacar que, as LDTs são as luxações mais frequentes em dentes decíduos, enquanto as fraturas coronárias são mais comuns em dentes permanentes (ANDREASEN et al., 2007). Por isso, um diagnóstico e acompanhamento adequados são essenciais para garantir um bom prognóstico. 

Na luxação extrusiva lateral, o dente é deslocado para fora do alvéolo em uma direção incisal/ axial ou lateral, normalmente associado a fratura. O tratamento envolve reposicionamento do dente para dentro do alvéolo, estabilização do dente por 4 semanas se houver colapso/ fratura do osso marginal, monitoramento da condição pulpar com testes de sensibilidade (INTERNATIONAL   ASSOCIATION   OF   DENTAL TRAUMATOLOGY IADT GUIDELINES, 2020). Caso haja sinais de necrose pulpar ou reabsorção externa inflamatória nas consultas de acompanhamento, o tratamento endodôntico deve ser iniciado.  

O procedimento de revascularização, por sua vez, envolve a indução de sangramento na região periapical, resultando na formação de um coágulo sanguíneo rico em células-tronco, que estimulam a regeneração de novo tecido (HU et al., 2017). As opções de tratamento disponíveis para este tipo de trauma incluem restaurações diretas e indiretas e a colagem de fragmento, sendo esta última a principal alternativa   para   estes   tipos   de   fraturas (INTERNATIONAL   ASSOCIATION OF DENTAL TRAUMATOLOGY – IADT GUIDELINES, 2020). 

Nesse contexto, vários estudos têm sido realizados no campo da endodontia regenerativa, com indicações específicas para dentes com rizogênese incompleta e trauma. Essa abordagem é considerada uma terapia promissora de base biológica, destinada a restaurar estruturas pulpares danificadas, incluindo dentina, estruturas radiculares e células do complexo dentino-pulpar. Entretanto, discussões aprofundadas com abordagem multidisciplinar que trazem propostas de terapêutica reabilitadora ainda são escassas. 

Sendo assim, este estudo visa discutir um caso clínico de traumatismo dental em adolescente tratado com uma conduta multiprofissional, atuando de forma conservadora por meio de uma terapêutica reabilitadora, cirúrgica, com colagem de fragmento dentário e contenção, e tratamento endodôntico, mostrando a relevância do traumatismo dentário como um problema de saúde pública, especialmente entre crianças e adolescentes. A alta frequência desses traumas, associada aos impactos econômicos e à qualidade de vida destes pacientes destaca a necessidade de um entendimento aprofundado sobre suas causas, tipos e abordagens terapêuticas. 

Para que essa técnica seja eficaz, o fragmento deve estar em boas condições, preservando suas características originais e permitindo uma colagem adesiva viável. Assim, este relato permite observar os efeitos benéficos da utilização desta técnica, uma vez que a mesma é simples e proporciona resultados funcionais e estéticos satisfatórios, mantendo a forma anatômica, cor, brilho e textura da superfície do dente, oferecendo uma nova alternativa terapêutica aos profissionais desta área, sobretudo no âmbito da saúde pública.  

2 CASO CLÍNICO 

Paciente de 10 anos, gênero masculino, procurou atendimento de urgência em consultório Odontológico particular numa cidade do interior da Bahia após sofrer um trauma. 

No início da consulta, o responsável pelo paciente relatou que o mesmo havia sofrido uma queda de própria altura na qual levou a fratura do elemento 11. No exame clínico, o dente 11 apresentava fratura transversal no terço médio da coroa e radiograficamente observou-se rizogênese incompleta do elemento. 

Em outubro de 2024, o paciente compareceu ao consultório odontológico do cirurgião bucomaxilofacial, apresentando uma luxação extrusiva lateral associada à fratura do bloco vestibular do dente 11. Foi realizada anestesia local com lidocaína com adrenalina e desimpactação do dente utilizando fórceps nº 1, com o objetivo de reposicionar o incisivo central adequadamente dentro do alvéolo. 

Após o reposicionamento, foi feita a esplintagem rígida do elemento 12 ao elemento 22 utilizando resina composta F250 (3M, São Paulo, Brasil) e foram realizadas suturas com fio de nylon 5.0 Monocryl (Ethicon, São Paulo, Brasil) nas papilas interdentais para garantir a estabilidade, promover a cicatrização e minimizar a recessão gengival. O paciente foi encaminhado para um especialista em odontopediatria para dar continuidade ao tratamento odontológico. 

Após uma semana, no consultório odontopediátrico, observou-se que o pai tinha o fragmento dentário íntegro encontrado no momento do acidente, compatível com elemento 11, e o elemento 21 apresentava fratura não complicada da coroa envolvendo apenas esmalte. Foi realizada limpeza da cavidade com pedra Pomes, ataque ácido com ácido fosfórico 37% Condac (FGM, Santa Catarina, Brasil), hibridização com Adesivo Universal Ambar (FGM, Santa Catarina, Brasil) e colagem do fragmento com resina flow (Shofu Beauty, Japão, JP) e complemento vestibular e palatino do elemento 21 com resina Vittra Unique (FGM, Santa Catarina, Brasil). Seis dias após, optou-se, após folga da contenção rígida, em acordo com bucomaxilofacial, a troca da contenção para semirrígida com fio trançado ortodôntico 0.4 (Morelli, São Paulo, Brasil) e confecção de batente oclusal nos elementos 75 e 85 com resina composta Vittra (FGM, Santa Catarina, Brasil), com objetivo de remover qualquer possível toque. 

Em acompanhamento, uma semana após, foi realizada a radiografia periapical, onde pode-se observar imagem sugestiva de reabsorção inflamatória externa. Em virtude disso, o paciente foi encaminhado para o especialista em endodontia para que pudesse realizar o tratamento endodôntico. 

Após um mês, na primeira sessão, foi realizada radiografia inicial. Em seguida, anestesia infiltrativa no elemento com lidocaína com epinefrina 1:100.000 (DFL, Rio de Janeiro, Brasil), isolamento absoluto com grampo 210, acesso com broca de alta rotação 1014, descontaminação endodôntica com lima endodôntica tipo K #60mm (Dentisply, Alemanha, DE) e hipoclorito de sódio (NaOCI) 2,5%, protocolo de agitação de substâncias químicas e uso de hidróxido de cálcio (Ultradent, São Paulo, Brasil) como medicação antimicrobiana intracanal. 

Após trinta dias, foi realizada a segunda sessão, onde o anestésico utilizado foi Mepivacaína 3% sem vasoconstrictor (DFL, Rio de Janeiro, Brasil) e realizada a remoção da medicação com irrigação de EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acético) (DFL, Rio de Janeiro, Brasil). Foi estimulado sangramento do tecido periapical com uma lima manual tipo K #60mm (Dentisply, Alemanha, DE) além do ápice, para promover a formação de um coágulo intra-canal. Foi realizado um tampão cervical com um material reparador endodôntico Biodentine (Septodont, França, FRA) e selada a cavidade com Cimento Ionômero de Vidro RIVA (SDI, Santa Catarina, Brasil). 

Dois meses após o tratamento endodôntico, o paciente retornou ao consultório odontopediátrico para remoção da contenção e batentes. Uma semana após, o paciente retornou para realização de cobertura estética no elemento 11 e polimento final. 

Figura 1: Aspecto inicial após fratura. 

Fonte: Autoria própria. 

Figura 2: Aspecto após reposicionamento do elemento e esplintagem rígida.

Fonte: Autoria própria. 

Figura 3: Aspecto após colagem de fragmento dentário.

Fonte: Autoria própria. 

Figura 4: Troca de esplintagem para semiflexível. 

Fonte: Autoria própria. 

Figura 5: Aspecto radiográfico sugestivo de reabsorção externa inflamatória após o trauma. 

Fonte: Autoria própria. 

Figura 6 e 7: Tratamento endodôntico iniciado (6) e colocação da medicação no conduto radicular. 

Fonte: Autoria própria. 

Figura 8: Aspecto final após colocação de material Biodentine. 

Fonte: Autoria própria. 

 Figura 9: Aspecto final após remoção da esplintagem. 

Figura 10: Radiografia de proservação 6 meses após o tratamento endodôntico finalizado. 

Fonte: Autoria própria. 
3 MATERIAIS E MÉTODOS 

O caso clínico teve a aprovação do comitê de ética em pesquisas da Faculdade Independente do Nordeste. 

O paciente menor, tendo como responsável a mãe juridicamente e com a necessidade de um tratamento de urgência em decorrente de um trauma dentário, reposicionamento do elemento dentário, colagem de fragmento e endodontia regenerativa. A responsável legal do paciente preencheu um formulário com todas as informações, foi informado como seria o processo de reabilitação pós trauma, assinou o termo de consentimento livre e esclarecido. O presente caso clínico foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR, Vitória da Conquista – BA, garantindo o cumprimento das normas éticas vigentes para pesquisas envolvendo seres humanos. O paciente, menor de idade, mãe como responsável juridicamente capaz. Inicialmente, foi realizada anamnese detalhada por meio do preenchimento de formulário clínico contendo informações pessoais, histórico médico, odontológico e queixas principais. O paciente foi informado sobre todas as etapas do processo reabilitador, incluindo as fases clínicas necessárias para o reposicionamento dentário, colagem do fragmento e posteriormente tratamento endodôntico. Após esclarecimento das dúvidas, foi solicitado ao mesmo que assinasse o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), autorizando a realização do tratamento e a utilização dos dados clínicos para fins acadêmicos e científicos. 

As etapas clínicas compreenderam a avaliação inicial da cavidade oral, processo anestésico, reposicionamento do elemento dentário, esplintagem rígida, avaliação com a odontopediatra, troca da esplintagem rígida para a semiflexível, colagem de fragmento, acompanhamento radiográfico, encaminhamento para tratamento endodôntico iniciado, tratamento endodôntico de técnica regenerativa finalizado e acompanhamento radiográfico. Os materiais utilizados incluíram anestésico lidocaína 2% com epinefrina 1:100.000, resina composta F250, fio de sutura nylon 5.0, ácido fosfático 37%, adesivo universal Ambar, resina flow Shofu, resina composta Vittra Unique, fio ortodôntico trançado, brocas de alta rotação 1012 e 1014, lima endodôntica tipo K , hipoclorito de sódio 2,5%, hidróxido de cálcio, obturador provisório, anestésico mepivacaína 3% sem vasoconstrictor, EDTA (ácido etilenodiaminotetra-acético), Biodentine, cimento ionômero de vidro RIVA. 

4 DISCUSSÃO 

O traumatismo dentário em dentes permanentes jovens é uma ocorrência comum em situações de colisão, como quedas ou acidentes, e pode resultar em diferentes tipos de lesões dentárias, que vão desde fraturas coronárias até deslocamentos dentários mais graves (DIAS et al., 2014). No presente estudo foi discutido um trauma ocorrido no elemento 11, que levou à necessidade de tratamento com abordagem multidisciplinar. 

No paciente em questão foi observado a ausência de necrose pulpar após o trauma, o que estabeleceu um prognóstico mais favorável. Sabe-se que a luxação extrusiva é reconhecida como um dos traumas dentários mais frequentes e de manejo complexo, pois o estiramento ou ruptura do feixe vasculonervoso compromete a vitalidade pulpar, mesmo sem a avulsão completa do dente. Este cenário se torna particularmente desfavorável em dentes com rizogênese incompleta, onde a necrose pulpar impede a continuidade do desenvolvimento fisiológico da raiz por falta de nutrição, conforme destacado por Safi & Ravanshad (2005).   

No que tange ao procedimento de esplintagem, foram usadas duas abordagens neste relato, (i) a  rígida que é amplamente reconhecida como um método eficaz de estabilização dentária em casos de trauma, especialmente em situações de fratura ou luxação, por promover a imobilização completa do dente e do osso alveolar e a (ii) semiflexível buscando a estabilidade precoce e, subsequentemente, promovendo a cicatrização periodontal ideal através da mobilidade controlada sugerida por Malmgren et al., (1981).  

No caso tratado, ambos os procedimentos foram bem-sucedidos. Conforme Vieira et al. (1998), a fixação rígida é indicada para garantir estabilidade e reparo ósseo adequado. Contudo, Andreasen & Andreasen (2001) destacam que imobilizações muito rígidas podem favorecer a anquilose, especialmente em dentes com rizogênese incompleta, sendo em alguns casos preferível uma contenção mais flexível.  

A escolha da opção de tratamento neste caso foi a colagem de fragmento dental fraturado, visando restabelecer de forma imediata a estética e a função com mínima perda de estrutura dentária. O procedimento foi realizado utilizando material resinoso fotopolimerizável, garantindo adequada adaptação e resistência do conjunto. De acordo com De Sousa et al. (2018), o uso de resinas compostas de alta carga ou cimentos resinosos específicos, aplicados em camadas finas e devidamente polimerizados, proporciona resistência de união suficiente para suportar as forças oclusais diárias. O resultado obtido neste caso confirma a efetividade dessa conduta, em concordância com Hegde & Kale (2017), que ressaltam a previsibilidade e durabilidade das restaurações adesivas bem executadas em dentes anteriores traumatizados. 

No caso tratado, o dente permanente com rizogênese incompleta e reabsorção externa inflamatória pós-trauma foi submetido à revascularização pulpar, visando à regeneração tecidual e ao desenvolvimento radicular contínuo. O protocolo incluiu a desinfecção do canal, indução de sangramento apical e selamento coronário, favorecendo um ambiente propício à ativação celular e à neoformação tecidual. 

De acordo com Tronstad (2000), a reabsorção externa inflamatória caracteriza-se pela perda progressiva de tecido dentinário e cementário, geralmente associada a trauma ou infecção, sendo tradicionalmente tratada com remoção do tecido inflamado e uso de hidróxido de cálcio. No entanto, a escolha da revascularização neste caso buscou estimular processos biológicos regenerativos, superando o enfoque apenas reparador. 

Essa conduta está em consonância com a Associação Americana de Endodontia, que incentiva há mais de uma década o uso de procedimentos regenerativos como alternativa à apicificação. Botero et al. (2017) relatam o crescimento expressivo de estudos na área, reforçando o avanço da endodontia regenerativa. Autores como Shah & Jesani (2008) e Bostanci & Galan (2012) também evidenciaram o potencial da revascularização em restaurar a vitalidade e promover o espessamento radicular. 

O sucesso do protocolo depende de etapas críticas como a desinfecção eficaz (Hoshino et al., 2008) e a formação adequada do coágulo sanguíneo (Jeong et al., 2015). Os resultados obtidos neste caso corroboram as observações de Sun et al. (2014), que apontam o coágulo como fonte de células-tronco e mediadores de crescimento, favorecendo a deposição de novo tecido mineralizado e o fechamento apical. Assim, a revascularização pulpar se confirma como uma abordagem biologicamente superior, promovendo verdadeira regeneração e restauração funcional do dente. 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O rápido e adequado reposicionamento do dente traumatizado dentro do alvéolo foi fundamental para que um prognóstico favorável fosse alcançado. A intervenção endodôntica neste caso foi necessária, uma vez que houve a reabsorção externa inflamatória. Entretanto, um acompanhamento clínico-radiográfico minucioso, e por um longo período de tempo (cinco anos), ainda é necessário para detecção e tratamento de sequelas que possam ocorrer à polpa e tecidos adjacentes posteriormente ao trauma. Assim, a análise e a discussão deste relato permitiram observar que o tratamento por colagem de fragmento foi adequado pois resultou na plena restauração da função e da estética do dente afetado, bem como na cicatrização dos tecidos circundantes sem complicações, minimizando os riscos de infecções e perda do elemento dentário. Portanto, é importante considerar que é de competência do cirurgião dentista reconhecer os fatores etiológicos, analisar os aspectos clínicos e estabelecer o melhor plano terapêutico para as lesões traumáticas para que o prognóstico seja favorável.  

REFERÊNCIAS 

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1Discentes do Curso Superior de Odontologia do Instituto FAINOR – Faculdade Independente do Nordeste Campus Vitória da Conquista, Bahia, e-mail: layssteiin@gmail.com; leticiaalvesfagundes@hotmail.com; jeivinhalacerda_@hotmail.com

2Docente do Curso Superior de Odontologia do Instituto FAINOR – Faculdade Independente do Nordeste Campus Vitória da Conquista, Bahia, Mestre em Odontopediatria (SLM/SP). e-mail: carvalho.mile@gmail.com