REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511252040
Autora: Sarah Rocca Woehl1
Orientadora: Marina Godoy dos Santos1
Resumo
Objetivo: Analisar o papel da integração estruturada de cuidados paliativos (CP) na UTI, com ênfase nos impactos clínicos, comunicacionais e éticos.
Métodos: Revisão narrativa realizada nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e LILACS, contemplando publicações de 2005 a 2025.
Resultados: A integração de CP melhora comunicação, reduz intervenções fúteis, aprimora manejo de sintomas e, em subgrupos, reduz tempo de internação, sem impacto na mortalidade.
Conclusão: A atuação do paliativista qualifica o cuidado intensivo e favorece decisões proporcionais e alinhadas aos valores do paciente.
Palavras-chave
cuidados paliativos; unidade de terapia intensiva; comunicação; limitação de suporte; desfechos clínicos.
Abstract
Objective: To review current evidence on the integration of palliative care (PC) in ICUs.
Methods: Narrative review of PubMed/MEDLINE, SciELO and LILACS databases (2005–2025).
Results: PC integration improves communication, reduces futile interventions, and optimizes symptom management, with no impact on mortality.
Conclusion: Structured PC integration enhances the quality and proportionality of care for critically ill patients.
1. Introdução
A UTI concentra pacientes em situação de extrema gravidade, exigindo decisões rápidas e marcadas por incertezas. Os CP têm se consolidado como componente essencial do cuidado ao paciente crítico por favorecer comunicação clara, alinhamento terapêutico e manejo qualificado de sintomas. Recomendações internacionais e nacionais reforçam a necessidade de integração precoce dos CP na rotina da UTI.
2. Métodos
Revisão narrativa com buscas realizadas entre janeiro e fevereiro de 2025 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e LILACS. Incluíram-se estudos de 2005 a 2025 que abordassem integração de CP na UTI, consulta paliativa, comunicação, tomada de decisão e limitação de suporte.
3. Resultados
3.1 Modelos de integração
Três modelos predominam: consultivo, integrativo e híbrido. O modelo consultivo envolve avaliações pontuais do paliativista. O integrativo incorpora competências paliativas básicas à equipe da UTI. O híbrido combina triagem sistemática por gatilhos clínicos com participação contínua do paliativista, obtendo os melhores resultados.
3.2 Impacto clínico
A atuação do paliativista impacta diretamente variáveis assistenciais, especialmente em pacientes com prognóstico reservado. Entre os principais efeitos documentados estão: melhor definição de metas, redução de intervenções fúteis, menor uso de recursos em casos irreversíveis, melhor controle de sintomas e ausência de impacto negativo na mortalidade.
3.3 Comunicação e tomada de decisão
A integração de CP aumenta a frequência e a qualidade de reuniões familiares, reduz conflitos e fortalece decisões compartilhadas. A comunicação prognóstica torna-se mais clara e consistente.
3.4 Barreiras e facilitadores
Entre as barreiras estão ausência de protocolos, cultura curativista e insegurança jurídica. Facilitadores incluem triagem precoce, educação continuada e integração formal do paliativista à rotina assistencial.
4. Discussão
A integração dos CP representa avanço ético e assistencial na UTI. Os melhores resultados ocorrem quando a abordagem é estruturada, precoce e institutionalizada. Apesar dos desafios brasileiros, evidências mostram impacto positivo e crescente adesão às práticas paliativas no contexto intensivo.
5. Conclusão
A atuação do paliativista promove cuidado proporcional, humanizado e alinhado às preferências do paciente. Sua integração precoce deve ser considerada prioridade institucional para aprimorar a assistência em UTIs.
Referências
1. Hua M, Wunsch H. Integrating palliative care in the ICU. Crit Care Med. 2014.
2. Curtis JR et al. Integrating palliative care into the ICU. Intensive Care Med. 2022.
3. Holt N et al. Impact of palliative consult on ICU LOS. Chest. 2011.
4. Pottash M et al. Palliative care consultation and ICU LOS. J Palliat Med. 2020.
5. AMIB. Diretrizes brasileiras de cuidados paliativos na UTI.
6. Effendy C et al. Barriers and facilitators in ICU palliative care. 2022.
1Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus
