TRATAMENTO DE REABSORÇÃO RADICULAR EXTERNA NO TERÇO APICAL: REVISÃO DA LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510312324


Wany Oliveira Azevedo Barros1
Orientador: Prof. Esp. e Ms. Antônio Henrique Braitt2


RESUMO 

A reabsorção radicular externa no terço apical é um fenômeno patológico que compromete a integridade dentária. Este estudo, baseado em revisão de literatura, busca analisar os fatores etiológicos, a fisiopatologia, os métodos diagnósticos e as abordagens terapêuticas. Foram consultadas bases como Google Acadêmico, Scielo e CAPES, priorizando publicações dos últimos cinco anos. Os resultados mostram que traumas, infecções endodônticas e forças ortodônticas excessivas são os principais desencadeadores. O diagnóstico precoce com auxílio da tomografia computadorizada de feixe cônico é essencial. Entre as terapias destacam-se o tratamento endodôntico convencional e o uso de hidróxido de cálcio. Conclui-se que a conduta clínica deve ser individualizada e que estratégias preventivas e diagnósticas avançadas podem preservar os dentes afetados.

Palavras-chave: Reabsorção radicular externa. Endodontia. Diagnóstico. Tratamento.

1. INTRODUÇÃO 

A Reabsorção Radicular Externa (RRE) no terço apical é um fenômeno patológico de grande relevância na endodontia e na periodontia, caracterizado pela perda progressiva da estrutura dentária devido à ação de células clásticas1. Esse processo pode ser desencadeado por diversos fatores, incluindo traumas dentários, inflamações crônicas, tratamentos ortodônticos e patologias periapicais2. A identificação precoce e a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos são fundamentais para o estabelecimento de abordagens terapêuticas eficazes e para a preservação da integridade dentária.

A literatura evidencia que a RRE ocorre como uma resposta do organismo a estímulos nocivos que afetam a homeostase dos tecidos periodontais e endodônticos3. Estudos radiográficos e histológicos demonstram que essa condição está associada à ativação de osteoclastos e células relacionadas, que promovem a degradação progressiva da dentina e do cemento radicular4.  A severidade da reabsorção pode variar de um processo leve e autolimitado até casos mais agressivos que levam à perda dentária irreversível.

Dentre os fatores etiológicos mais comuns, o movimento ortodôntico excessivo e a força mecânica exacerbada sobre os dentes têm sido amplamente associados ao desenvolvimento da reabsorção radicular apical5. Além disso, infecções endodônticas e traumas diretos podem desencadear respostas inflamatórias intensas, resultando em degradação radicular acentuada 6.

Dessa forma, este estudo tem como objetivo revisar a literatura sobre a reabsorção radicular externa no terço apical, abordando seus fatores etiológicos, fisiopatologia, métodos de diagnóstico e possibilidades terapêuticas. A compreensão detalhada desse fenômeno contribuirá para a implementação de estratégias preventivas e interventivas mais eficazes na prática clínica odontológica.

O propósito deste trabalho é analisar, por meio de uma revisão da literatura, os fatores etiológicos, e as abordagens terapêuticas da reabsorção radicular externa no terço apical, com o intuito de contribuir para um melhor manejo clínico dessa condição, identificar os principais fatores etiológicos associados à reabsorção radicular externa no terço apical, revisar as estratégias terapêuticas utilizadas para minimizar os danos e preservar a estrutura radicular e avaliar os métodos de diagnóstico disponíveis para a detecção da reabsorção radicular externa no terço apical.

A reabsorção radicular externa no terço apical representa um problema clínico de grande impacto na odontologia, uma vez que pode comprometer a funcionalidade e a longevidade dos dentes afetados. O diagnóstico precoce e a adoção de condutas terapêuticas eficazes são fundamentais para evitar a progressão da reabsorção e reduzir a necessidade de intervenções mais invasivas, como a exodontia.

Além disso, a complexidade dos mecanismos envolvidos na RRE e sua etiologia multifatorial torna essencial uma investigação aprofundada sobre o tema. A literatura apresenta avanços no entendimento da fisiopatologia e das abordagens terapêuticas, mas ainda existem desafios quanto à eficácia das estratégias de prevenção e tratamento. Dessa forma, este estudo busca reunir e analisar criticamente as evidências científicas disponíveis, contribuindo para a qualificação do atendimento odontológico e para a formulação de diretrizes mais assertivas no manejo dessa condição.

O conhecimento gerado poderá beneficiar não apenas os profissionais da odontologia, proporcionando melhores condutas clínicas, mas também os pacientes, que terão acesso a diagnósticos mais precisos e tratamentos mais conservadores. Assim, a realização desta pesquisa se justifica pela necessidade de aprofundamento teórico e clínico acerca da reabsorção radicular externa no terço apical, promovendo avanços na prevenção e no tratamento dessa condição.

2. REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1 Conceitos Fundamentais e Classificação da Reabsorção Radicular Externa

A Reabsorção Radicular Externa (RRE) é um processo patológico caracterizado pela perda progressiva do tecido dentário, especialmente do cemento e da dentina, devido a atividade de células clásticas. Essa condição pode ser classificada conforme sua localização (apical, cervical ou lateral) e etiologia (inflamatória, traumática ou de substituição)7. A RRE no terço apical é particularmente relevante na prática odontológica, pois pode comprometer a integridade estrutural do dente e sua longevidade funcional. A identificação precoce e a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos são fundamentais para o estabelecimento de abordagens terapêuticas eficazes e para a preservação da integridade dentária 8.

2.2 Etiologia e Fatores de Risco

Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da RRE apical, incluindo traumas dentários, infecções endodônticas, tratamentos ortodônticos e predisposições genéticas. Estudos recentes destacam que dentes com tratamento endodôntico prévio apresentam menor incidência de RRE induzida por movimentações ortodônticas, sugerindo que a vitalidade pulpar pode influenciar na susceptibilidade a reabsorção 8.

Além disso, pesquisas identificam polimorfismos genéticos associados a casos extremos de RRE pós-tratamento ortodôntico, indicando uma predisposição genética em determinadas populações8.

2.3 Mecanismos Biológicos Envolvidos

A RRE envolve uma complexa interação entre células clásticas, mediadores inflamatórios e fatores genéticos. A ativação de osteoclastos e odontoblastos é mediada por citocinas pró-inflamatórias, como interleucinas e fator de necrose tumoral alfa (TNF-), que promovem a degradação do tecido radicular 8.

A presença de infecções ou traumas pode intensificar essa resposta, levando a uma reabsorção mais agressiva. A compreensão desses mecanismos é essencial para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas eficazes.

2.4  Diagnóstico e Tecnologias Emergentes

O diagnóstico precoce da RRE é essencial para o sucesso do tratamento. A tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) tem se mostrado uma ferramenta eficaz na detecção de lesões reabsortivas, permitindo uma avaliação tridimensional precisa da extensão e localização da reabsorção 7. Recentemente, foi desenvolvido um kit para detecção de RRE baseado na análise de biomarcadores presentes no fluido gengival, oferecendo uma abordagem menos invasiva e potencialmente mais sensível para o diagnóstico precoce8.

2.5 Abordagens Terapêuticas Atuais

O manejo da RRE apical depende da etiologia e da extensão da lesão. Em casos associados a infecções endodônticas, a terapia endodôntica convencional, com adequada desinfecção e obturação do canal radicular, é indicada. O uso de hidróxido de cálcio como medicação intracanal tem sido eficaz na inibição da atividade clástica9.

Em situações relacionadas ao tratamento ortodôntico, a moderação das forças aplicadas e o monitoramento radiográfico regular são essenciais para minimizar o risco de RRE. Além disso, a endodontia regenerativa tem emergido como uma alternativa promissora, especialmente em casos de reabsorção associada a traumas em dentes imaturos8.

3. METODOLOGIA 

O presente trabalho é uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, com base em uma revisão de literatura sobre o tema em questão. Segundo Gil10, a pesquisa qualitativa preocupa-se com um nível de realidade que não pode ser quantificado, trabalhando com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes.

Optou-se pela pesquisa exploratória, pois busca proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito10. O caráter descritivo justifica-se pela intenção de observar, registrar e analisar os fenômenos estudados sem interferência no ambiente 11.

A revisão de literatura está sendo realizada por meio da consulta a fontes secundárias como livros, artigos científicos, dissertações e teses disponíveis em bases de dados eletrônicas (Google Acadêmico, Scielo, CAPES e outras), com ênfase em publicações dos últimos cinco anos. Foram utilizados os seguintes critérios de inclusão: relevância temática, atualidade e vínculo direto com o objeto de estudo. Textos repetidos, desatualizados ou com conteúdo irrelevante para os objetivos do trabalho foram excluídos da análise.

A seleção e organização dos dados seguiram os princípios da análise qualitativa, por meio da identificação de abordagens recorrentes, argumentos principais e lacunas teóricas. As informações extraídas das fontes foram organizadas em categorias temáticas a partir de uma leitura exploratória, seletiva e analítica.

Dessa forma, a metodologia adotada permitiu uma compreensão ampla e crítica do tema estudado, fornecendo uma base teórica sólida para discussão e fundamentação dos resulta

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Com a realização desta pesquisa, espera-se obter uma compreensão aprofundada sobre a reabsorção radicular externa no terço apical, abordando os fatores etiológicos, os métodos diagnósticos e as estratégias terapêuticas mais eficazes descritas na literatura científica recente. A sistematização desses conhecimentos visa contribuir para a formação crítica e técnica dos profissionais da área odontológica, especialmente os envolvidos com a endodontia.

A expectativa é que os resultados obtidos sirvam de base teórica sólida para a prática clínica, auxiliando no diagnóstico precoce e na escolha de intervenções mais adequadas para minimizar os impactos dessa condição sobre a saúde bucal dos pacientes. Além disso, pretende-se que a pesquisa incentive novos estudos sobre o tema, fomentando o interesse científico e promovendo uma abordagem cada vez mais precisa e individualizada no tratamento da reabsorção radicular.

No campo acadêmico, os resultados poderão ser utilizados como material de apoio para estudos futuros, servindo como referência para trabalhos de conclusão de curso, artigos e projetos de extensão. No campo profissional, a aplicabilidade se relaciona com a melhoria na conduta clínica e na tomada de decisões embasadas em evidências científicas, contribuindo para melhores prognósticos e qualidade de vida dos pacientes.

5. CONCLUSÃO 

A reabsorção radicular externa no terço apical representa um desafio clínico relevante. O diagnóstico precoce, a correta identificação da etiologia e o uso de terapias adequadas são determinantes para o prognóstico. Avanços em técnicas regenerativas e exames de imagem tridimensionais ampliam as possibilidades de preservação dos dentes e contribuem para melhores resultados clínicos.

REFERÊNCIAS   

1. NE, M. A. et al. Reabsorção radicular externa: aspectos clínicos e terapêuticos. Journal of Dental Research, v. 99, n. 2, p. 45–50, 2020.

2. ANDREASEN, J. O. et al. Traumatized teeth: treatment and prognosis. Dental Traumatology, v. 28, n. 1, p. 1–10, 2012.

3. SOUSA, A. F. et al. Resposta dos tecidos periapicais em casos de reabsorção radicular externa. Endodontia Atual, v. 4, n. 2, p. 33–40, 2018.

4. SILVA, R. F. et al. Estudo histológico da reabsorção radicular externa induzida por trauma. Revista Brasileira de Odontologia, v. 76, n. 2, p. 122–129, 2019.

5. SOREGEN, T. M. et al. Reabsorção radicular induzida por movimentação ortodôntica: fatores de risco e prevenção. Dental Press Journal of Orthodontics, v. 26, n. 1, p. 65–72, 2021.

6. KIM, S. Y. et al. External root resorption associated with orthodontic treatment: a review of clinical cases. International Endodontic Journal, v. 53, n. 7, p. 1001–1010, 2020.

7. TOMAZINHO, F. S. et al. Diagnóstico por imagem e tratamento de reabsorções radiculares apicais. Revista OdontoCiência, v. 38, n. 1, p. 45–53, 2023.

8. AFONSO, J. et al. Fisiopatologia e abordagem clínica da reabsorção radicular externa: revisão integrativa. Revista Brasileira de Odontologia, v. 81, n. 3, p. 55–62, 2024.

9. JUSTO, M.M, ABREU, F. P. Tratamento endodôntico em casos de reabsorção radicular: uma revisão de literatura. Revista de Odontologia da UNESP, v. 51, n. 4, p. 1–8, 2022.

10. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

11. VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2005.


1Discente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. e-mail: wany0livira@hotmail.com
2Docente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. e-mail: antoniohenriquebraitt@gmail.com