TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) NO SETOR PÚBLICO: VANTAGENS, RISCOS E CRITÉRIOS DE DECISÃO

OUTSOURCING OF INFORMATION AND COMMUNICATION TECHNOLOGY (ICT) SERVICES IN THE PUBLIC SECTOR: ADVANTAGES, RISKS, AND DECISION CRITERIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202512222335


Marcia Borsario Carneiro1
Luís Alberto Duncan Rangel, D. Sc.2
Ana Carolina Maia Angelo, D. Sc.3


RESUMO 

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) tornaram-se elementos estruturantes da  Administração Pública moderna, contribuindo para maior transparência, eficiência e  qualidade na prestação dos serviços públicos. Nesse cenário, a terceirização consolidou-se  como uma estratégia amplamente adotada nos setores privado e público, visando otimizar  recursos e aprimorar o desempenho organizacional. Esse artigo tem como objetivo analisar as  vantagens, os riscos e os critérios de decisão relacionados à terceirização de serviços de TIC no setor público, identificando os fatores que influenciam o sucesso dessas iniciativas e sua  contribuição para a inovação e a eficiência administrativa. A pesquisa caracteriza-se como  qualitativa e de natureza bibliográfica, baseada em publicações científicas disponíveis em  bases de dados reconhecidas, como SciELO (Scientific Electronic Library Online), CAPES  Periódicos, Google Scholar, Scopus e Web of Science. Os resultados apontam que a terceirização pode gerar benefícios significativos, incluindo maior foco nas competências  principais, acesso a conhecimento especializado e atualizado e redução de riscos ligados à  obsolescência tecnológica. No entanto, também envolve desafios relevantes, entre eles a  gestão eficiente do relacionamento entre cliente e fornecedor, a transferência adequada de  conhecimento e, principalmente, a precaução para que o controle estratégico das informações  não seja comprometido. Em conclusão, a terceirização de TIC no setor público representa um  instrumento de gestão com significativo potencial para aprimorar a eficiência administrativa e  estimular a inovação tecnológica, desde que seja aplicada com responsabilidade e embasada  em uma visão estratégica sólida. 

Palavras-chave: Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC); setor público;  terceirização. 

ABSTRACT 

Information and Communication Technology (ICT) has become structuring elements nowadays for Civil Administration, contributing to greater accountability, efficiency, and  quality to provide civil services. In this scenario, outsourcing has become a widely adopted  strategy in both the private and public service to optimize resources and improve  organizational performance. This article aims to analyze the advantages, risks, and decision  criteria related to the outsourcing of civil services ICT and to identify the factors that influence  the success of these initiatives and their contribution to innovation and efficiency. This research is characterized as qualitative and bibliographic in nature, based on scientific  publications available in recognized databases such as SciELO (Scientific Electronic Library  Online), CAPES Journals, Google Scholar, Scopus, and Web of Science. The results indicate  that outsourcing can generate significant benefits including a greater focus on core  competencies, access to specialized and up-to-date knowledge, and reduced risks associated  with technological obsolescence. However, it also involves relevant challenges, including the  efficient management relationship between client and supplier, the adequate transfer of  knowledge and above all the precaution to ensure that strategic control of information is not  compromised. Finally, ICT outsourcing for the civil service represents a management tool  with significant potential to improve administrative efficiency and stimulate technological  innovation, provided it is applied responsibly and based on a solid strategic vision. 

Keywords: Information and Communication Technology (ICT); civil service; outsourcing.

1. INTRODUÇÃO 

Vive-se em um mundo globalizado e tecnológico, onde as interações estão  profundamente influenciadas pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). A conectividade permanente e o acesso instantâneo a informações acessíveis transformaram a  forma como o conhecimento é produzido, armazenado e compartilhado, atualmente amplamente disponibilizado em plataformas digitais que permitem, com um simples clique, a  reunião de grandes volumes de dados sobre qualquer tema (Portugal; Enes, 2021). A crescente digitalização da sociedade e a rápida evolução tecnológica têm redefinido  a forma como governos, empresas e cidadãos interagem e operam. As TICs tornaram-se  elementos estruturantes da Administração Pública moderna, promovendo maior transparência,  eficiência e qualidade na prestação dos serviços públicos (Castells, 2017; Ribeiro; Segatto,  2025). Nesse cenário, a gestão das TICs assume papel estratégico, uma vez que influencia  diretamente a capacidade das instituições de responder com agilidade às demandas sociais  e tecnológicas emergentes.  

Nesse contexto de crescente complexidade tecnológica, a terceirização tornou-se uma  prática comum entre empresas nacionais e multinacionais, que transferem a terceiros parte de  seus processos internos. Essa estratégia busca promover inovações organizacionais,  concentrar esforços no core business, reduzir ou flexibilizar custos e simplificar os processos  produtivos e administrativos, tornando as operações mais eficientes e competitivas (Castro;  Silveira, 2016; Melo; Gontijo, 2025). 

No setor público, essa prática apresenta especificidades e desafios próprios, como a  necessidade de garantir a continuidade dos serviços essenciais, preservar a segurança das  informações e a observância dos princípios da Administração Pública. Além desses aspectos, o setor público enfrenta limitações adicionais decorrentes da rigidez dos processos licitatórios,  das restrições orçamentárias e da escassez de profissionais especializados, o que torna o  gerenciamento dos contratos de terceirização de TIC ainda mais complexo. É necessário que  os gestores públicos desenvolvam uma visão sistêmica e estratégica sobre o tema,  considerando não apenas a redução de custos imediatos, mas também o impacto de longo  prazo sobre a autonomia tecnológica e a qualidade dos serviços prestados à sociedade  (Sacramento et al., 2021). 

É relevante ainda contextualizar a perspectiva de que a terceirização de serviços de  TIC envolve também uma dimensão estratégica relacionada à gestão do conhecimento e à  capacidade de inovação das organizações públicas. Segundo Prado (2022), o sucesso dessas  parcerias depende diretamente do equilíbrio entre o controle interno das atividades e a  autonomia concedida aos fornecedores externos. Essa relação demanda uma governança  madura, pautada por contratos bem estruturados, métricas de desempenho claras e  mecanismos de avaliação contínua. 

A justificativa para o estudo da terceirização de serviços de TIC no setor público  decorre justamente do aumento da dependência tecnológica das administrações  governamentais e da necessidade de aperfeiçoar os modelos de gestão dessas parcerias. O  avanço tecnológico impõe uma constante atualização de infraestrutura e competências, o que,  muitas vezes, extrapola a capacidade interna das instituições públicas (Rutkoski, 2018).  Compreender, portanto, as vantagens e os riscos envolvidos nesse processo é essencial para  subsidiar decisões mais estratégicas e minimizar problemas recorrentes, como a dependência  de fornecedores e a vulnerabilidade na segurança da informação. 

Diante desse contexto, o objetivo geral da presente pesquisa consiste em analisar as  vantagens, os riscos e os critérios de decisão relacionados à terceirização de serviços de  Tecnologia da Informação e Comunicação no setor público, buscando identificar os fatores  que influenciam o sucesso dessas iniciativas e sua contribuição para a eficiência e a inovação  na Administração Pública. 

2. DESENVOLVIMENTO 

2.1. Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) 

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) são concebidas, de acordo com  Miranda (2007), como a integração entre tecnologia computacional ou informática e tecnologia das telecomunicações, sendo a internet o exemplo mais marcante dessa união.  Conforme Lobo e Maia (2015), as TICs constituem um conglomerado de recursos  tecnológicos que, quando interligados, favorecem tanto a automação quanto a comunicação  em processos aplicados aos negócios, à educação e à pesquisa científica. Ainda segundo esses  autores, trata-se de técnicas que permitem coletar, distribuir e compartilhar informações de  maneira eficiente. 

A tecnologia há muito tempo, integra o cotidiano das pessoas e, ao longo do tempo,  tem sido continuamente aprimorada para atender às necessidades humanas. A busca constante  por inovação e por soluções capazes de simplificar tarefas impulsiona o desenvolvimento de  ferramentas cada vez mais eficazes. Nesse sentido, Castells (2017, p. 68) elucida que as TICs representam “[…] um evento histórico da mesma importância da Revolução Industrial do  século XVIII”. Assim, observa-se que a sociedade contemporânea atravessa uma fase marcada  por incessantes avanços tecnológicos, que evoluem e se aperfeiçoam diariamente. 

Segundo Miranda (2007), quando aplicadas com propósitos educacionais, as TICs  podem ser classificadas como um subdomínio da Tecnologia Educativa, voltado ao aprimoramento da aprendizagem dos estudantes e ao desenvolvimento de ambientes que  favoreçam o processo de ensino-aprendizagem. 

Atualmente, de acordo com Portugal e Enes (2021), as informações são amplamente  compartilhadas por meio das redes sociais, e a internet desempenha um papel fundamental  para muitos profissionais no exercício de suas atividades. O acesso às informações  disponíveis na rede mundial de computadores tornou-se indispensável na vida humana, seja  no âmbito laboral ou pessoal. Setores como a economia, as bolsas de valores, os bancos e os  sistemas de segurança estão cada vez mais dependentes das tecnologias da informação para  seu funcionamento pleno. 

As TICs também abrem caminho para a criação de ambientes de aprendizagem  personalizados, permitindo que conteúdos e atividades sejam ajustados de acordo com as  necessidades únicas de cada aluno. Conforme destacado por Fernandes (2018), seu uso  possibilita aos professores adaptar conteúdos e estratégias pedagógicas para atender aos  interesses e demandas específicas de cada estudante, promovendo uma experiência de  aprendizagem mais individualizada. 

O conceito de TIC, conforme mencionado por Rodrigues (2016), engloba o conjunto  de ferramentas e recursos tecnológicos que viabilizem tanto a criação quanto o acesso e a  disseminação de informações. Da mesma maneira, abrange as tecnologias que promovem a  interação entre indivíduos. Com o avanço contínuo da tecnologia, novas soluções vêm surgindo e se expandindo mundialmente, desempenhando um papel essencial na disseminação  do conhecimento e na simplificação da comunicação entre pessoas, superando barreiras  geográficas. 

Outro aspecto relevante é que as TICs desempenham um papel fundamental ao  estimular a colaboração entre alunos, professores e até mesmo especialistas de diversas  regiões do mundo, fortalecendo o processo de construção coletiva do conhecimento (Bonizário et al., 2023). As ferramentas tecnológicas têm possibilitado o desenvolvimento de  ambientes virtuais de aprendizagem que promovem a interação entre os estudantes e a troca  de saberes, contribuindo significativamente para a criação compartilhada do conhecimento. 

Esses ambientes virtuais de aprendizagem são plataformas online onde os alunos  podem acessar materiais de estudo, participar de atividades educacionais e interagir  com colegas e professores de maneira remota. Esses ambientes virtuais promovem a  comunicação e a colaboração entre os alunos. Isso significa que, mesmo que os alunos não estejam fisicamente no mesmo local, eles podem se envolver em discussões, trocar ideias e trabalhar juntos em projetos por meio de recursos como fóruns de discussão, chats e compartilhamento de documentos (Bonizário et al., 2023, p. 1). 

As TICs compreendem um conjunto de recursos tecnológicos que incluem,  principalmente, computadores, celulares, televisores, e-mails, tablets, plataformas como o  YouTube, internet, conexões Wi-fi, sites, entre outros. Quando integrados, esses recursos  facilitam a automação e a comunicação em diversos processos, como aqueles relacionados ao  ensino, à pesquisa, aos negócios e demais áreas. Essas ferramentas têm como objetivo  principal conectar pessoas, disseminar conhecimento e compartilhar informações de maneira  eficiente (Lobo; Maia, 2015). 

A evolução das TICs transformou de forma significativa as relações sociais,  impactando diretamente a maneira como o ser humano interage tanto com outras pessoas  quanto com o mundo ao seu redor. O uso crescente de dispositivos eletrônicos no cotidiano reflete essa transformação. Embora os computadores tenham proporcionado muitas  facilidades para o mundo contemporâneo, também geraram desafios consideráveis. Entre eles,  destaca-se a resistência de alguns gestores educacionais que, em certas situações, encontram  dificuldades para se adaptar às novas tecnologias (Passero; Engster; Dazzi, 2016). 

Em diversos contextos, as aulas tradicionais mostram-se ultrapassadas por se basearem  predominantemente no método expositivo, no qual o professor assume o papel de único  detentor do saber, enquanto o aluno ocupa uma posição passiva como mero receptor. Nesse  formato, de acordo com Lobo e Maia (2015), o educador transmite o conteúdo, e o estudante o memoriza com foco na realização de avaliações posteriores. Contudo, especialistas  defendem que o ensino não deve ser totalmente subordinado às tecnologias. Para garantir um  aproveitamento mais efetivo das práticas pedagógicas, é fundamental alcançar um equilíbrio  entre os métodos de ensino e aprendizagem. 

O avanço das TICs compõem uma realidade indispensável na formação inicial e  continuada de professores (Alves; Sousa, 2016). Ignorar essa evolução significa desconsiderar  as transformações nos meios de comunicação e sua efetividade tanto no contexto social mais  amplo quanto, de forma específica, no âmbito educacional. 

Nascimento (2011) ressalta que os dispositivos tecnológicos têm se incorporado cada  vez mais ao cotidiano das pessoas, alterando seus hábitos e estilos de vida. A expectativa é de  que esse crescimento continue de forma progressiva, tornando-se essencial. As tecnologias  promovem uma sensação de facilidade, conforto e praticidade, enquanto as inovações nesse  campo ocorrem em ritmo acelerado, exigindo que os indivíduos adquiram continuamente novas habilidades para acompanhar seu uso. 

As TICs são compreendidas como ferramentas sociais capazes de transformar e mediar  a forma como as pessoas se comunicam, interagem e aprendem. Esses recursos permitem que  indivíduos de diferentes locais e grupos sociais acessem uma ampla diversidade de  informações de maneira contínua, com a liberdade de selecionar e modificar o conhecimento  adquirido conforme suas necessidades ou interesses (Chaves et al., 2022). Desse modo, torna-se evidente que a essência do conhecimento que consumimos tem sido profundamente  impactada pelo uso dessas tecnologias. 

Diante de tais perspectivas, Castells (2017, p. 65) descreve que “o processo atual de  transformação tecnológica se expande exponencialmente em razão de sua capacidade de criar  uma interface entre os campos tecnológicos mediante a linguagem digital comum na qual a  informação é gerada”. 

Fernandes e Silva (2016) destacam que a tecnologia impactou a forma como as  informações são recebidas no cotidiano. No passado, o acesso ao conhecimento era limitado ao ambiente escolar. Hoje, com o avanço da inclusão digital e o amplo acesso aos conteúdos  por parte de um público cada vez mais amplo, surge o desafio de integrar essa vasta  quantidade de informações ao contexto educacional de maneira eficiente. Essa realidade  reforça a necessidade da constante atualização dos professores, além de sua participação ativa  em práticas pedagógicas mediadas por tecnologias digitais. 

Embora o avanço das tecnologias de informação e comunicação seja notável e  impressionante, ele também desperta preocupações acerca de suas possíveis consequências negativas, principalmente por expor ainda mais as desigualdades sociais (Monteiro, 2014).  Indivíduos que não possuem domínio sobre o uso das TICs acabam excluídos tanto do acesso  a diversos serviços essenciais quanto da nova dinâmica do mercado de trabalho. Essa  preocupação se torna ainda mais relevante diante da crescente adoção do trabalho remoto, que  passa a ocupar papel central nas atividades profissionais contemporâneas e nas tendências  para o futuro. 

2.2. Fundamentos da terceirização em TIC 

Na década de 1990, a terceirização da área de Tecnologia da Informação e  Comunicação (TIC) foi amplamente adotada pelas organizações em um ritmo sem  precedentes. Pesquisas como as de Aubert et al. (2003), Barthélemy (2003) e Lee (2001)  evidenciam esse crescimento acelerado no período. Embora seu uso tenha continuado a  expandir-se nas décadas posteriores, o escopo e a natureza da terceirização passaram por  transformações significativas. Inicialmente voltada para a redução de custos e para a obtenção  de eficiência operacional, a terceirização evoluiu para abranger aspectos relacionados ao  desempenho organizacional e ao alcance de objetivos estratégicos. 

A terceirização teve origem nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial,  quando a indústria bélica precisou aumentar sua capacidade produtiva e passou a transferir  atividades secundárias para outras empresas. No Brasil, esse modelo surgiu entre os governos  de Eurico Gaspar Dutra e Getúlio Vargas, influenciado pela Comissão Mista Brasil-Estados  Unidos, que incentivou a instalação de multinacionais como forma de reduzir custos  trabalhistas. A regulamentação da terceirização, porém, só ocorreu na década de 1960,  inicialmente aplicada ao setor de segurança bancária (Castro; Silveira, 2016). 

Os estudos sobre o mercado de produtos e serviços de TIC destacam a emergência de  novos modelos, como a gestão de redes, o conceito de ASP (Application Solutions Provider),  o comércio eletrônico e a implementação e administração de portais. Esses avanços refletem a  sofisticação crescente dos serviços oferecidos pelos fornecedores, em resposta à demanda das  empresas por maior agregação de valor às suas operações, especialmente por meio da  terceirização (Lacity; Willcocks, 2001). 

A prática de terceirizar serviços de TIC, que consiste na delegação parcial ou total  dessas atividades a fornecedores externos, segundo Prado (2022), tornou-se uma estratégia  amplamente utilizada por empresas brasileiras. Essa abordagem busca atender a diversos  objetivos, entre os quais se destacam a redução de custos, o acesso a expertise especializada e a promoção de maior flexibilidade operacional, alinhando as necessidades das organizações a soluções eficientes e adaptáveis. 

Nesse sentido, a terceirização pode ser compreendida como: 

uma técnica administrativa que deixa o estabelecimento utilizar um processo gerenciado de transferência, a terceiros, das atividades acessórias e de apoio ao escopo das empresas, permitindo que elas se concentrem no seu negócio, ou seja, no seu objetivo final (Foina; Lima, 2014, p. 52). 

No Brasil, a terceirização na área de TIC, conforme discutido por Moura Jr. (2017),  consolidou-se como uma prática amplamente utilizada por organizações públicas e privadas.  Essa escolha é impulsionada, sobretudo, pela necessidade de adaptação à constante evolução  tecnológica e à crescente competitividade do mercado atual.  

Compreender a terceirização em TIC exige reconhecer que o conhecimento assumiu  um papel central para a sobrevivência das organizações. Os gestores têm atribuído crescente  importância à capacidade de identificar, aplicar e compartilhar conhecimento, considerando  essas práticas indispensáveis para assegurar vantagens competitivas, especialmente em  contextos caracterizados por mudanças contínuas (Moura Jr., 2017). 

Além da perspectiva tradicional que limitava a terceirização às atividades secundárias,  nota-se um avanço rumo à flexibilização, no qual, como evidenciado por Lacity e Willcocks  (2001), até mesmo processos estratégicos estão sendo incluídos nesse escopo, abrangendo inclusive aspectos relacionados à gestão do conhecimento. 

Um dos pilares dessa mudança é a urgência em lidar com o aumento da complexidade  tecnológica. Frequentemente, conforme aponta Rutkoski (2018), os recursos internos não  conseguem acompanhar o ritmo acelerado das inovações, levando as organizações a recorrer a  parcerias estratégicas para suprir deficiências, tanto de infraestrutura quanto de competências  especializadas. 

A transferência de processos de TIC para terceiros, entretanto, não elimina os riscos e  desafios envolvidos. Em muitos casos, essa prática pode apenas deslocá-los ou até mesmo  intensificá-los, especialmente se não houver uma gestão eficaz do relacionamento contratual e um acompanhamento detalhado do cumprimento das entregas e obrigações estabelecidas  (Moura Jr., 2017). 

O sucesso da terceirização, como evidenciado no estudo de Moura Jr. (2017), está  diretamente relacionado à precisão na definição dos objetivos esperados e à minuciosidade no  delineamento dos processos envolvidos. Uma especificação insuficiente pode resultar em falhas de comunicação, atrasos nas entregas e divergências interpretativas. O processo de  escolha do fornecedor também desempenha um papel decisivo. É essencial que os prestadores  de serviço demonstram não apenas habilidade técnica, mas também capacidade de atualização  contínua e compatibilidade cultural com a empresa contratante, pois a ausência desses fatores pode comprometer a integração e o fluxo de conhecimento. 

No cenário brasileiro, a terceirização em TIC surge como alternativa para enfrentar a  escassez de profissionais qualificados e a dificuldade de manter equipes internas reduzidas,  oferecendo maior flexibilidade e adaptabilidade na gestão de recursos (Rutkoski, 2018). No  entanto, é fundamental destacar a importância de uma cultura organizacional que favoreça o  compartilhamento e a gestão do conhecimento, mesmo quando determinadas atividades são  delegadas a terceiros. A inexistência dessa cultura pode prejudicar a transferência eficaz entre  prestador e contratante. 

De acordo com Sacramento (2021), a terceirização em TIC deve ser compreendida como uma estratégia personalizada, e não como uma solução padronizada. Assim, as decisões  nesse âmbito devem estar alinhadas ao planejamento estratégico da organização,  fundamentando-se em análises rigorosas dos riscos associados. 

Por fim, é imprescindível destacar a necessidade de uma avaliação contínua dos  resultados relacionados à terceirização. A adoção de práticas terceirizadas de forma  indiscriminada, sem uma análise detalhada dos riscos envolvidos e das reais demandas  organizacionais, pode acarretar prejuízos irreparáveis, como a perda de capital intelectual e a  dificuldade em retomar internamente as atividades anteriormente transferidas (Rutkoski,  2018). 

3. METODOLOGIA 

A presente pesquisa caracteriza-se como qualitativa e de natureza bibliográfica. A  escolha desse tipo de abordagem justifica-se pela necessidade de compreender, de forma  aprofundada e interpretativa, as diversas perspectivas teóricas que envolvem o fenômeno  estudado, buscando identificar padrões, convergências e divergências existentes na literatura  científica. 

A coleta de dados foi realizada por meio de levantamento de publicações científicas  em bases reconhecidas, tais como SciELO (Scientific Electronic Library Online), CAPES  Periódicos, Google Scholar, Scopus e Web of Science. Essas plataformas foram escolhidas em razão de sua abrangência, confiabilidade e relevância para estudos nas áreas de Administração  Pública, Tecnologia da Informação e Governança. 

O período de busca compreendeu publicações entre 2000 e 2025, permitindo abarcar  estudos sobre a evolução da terceirização em TIC, bem como suas implicações no contexto  das transformações tecnológicas e da digitalização do setor público. As buscas foram  conduzidas utilizando palavras-chave em português e inglês, aplicadas de forma isolada e  combinada, tais como: “terceirização de TIC”, “outsourcing de TI”, “setor público”, “gestão  de contratos”, “riscos e vantagens”, “ICT outsourcing in public sector”, “governança de TI” e  “decisão estratégica”. Para ampliar a precisão dos resultados, empregaram-se os operadores  booleanos AND e OR, com destaque para combinações como “outsourcing AND public  sector” e “terceirização de TIC AND riscos”. 

Com o objetivo de garantir rigor metodológico, foi adotado um procedimento definido  em três etapas: 

  1. Identificação dos estudos – A busca inicial resultou em 88 publicações potencialmente  relevantes, encontradas nas bases selecionadas; 
  2. Triagem e leitura exploratória – Após leitura de títulos, resumos e palavras-chave,  foram excluídas duplicidades e estudos que não abordavam diretamente a terceirização  de TIC, reduzindo o conjunto para 46 publicações; 
  3. Leitura analítica e seleção final – Considerando os critérios de inclusão e a  disponibilidade de acesso ao texto completo, 35 estudos foram selecionados para  compor a base teórica da presente análise. 

Os critérios de inclusão contemplaram estudos que abordassem diretamente a  terceirização de serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação, tanto no contexto  público quanto privado; que discutem vantagens, riscos, critérios de decisão ou modelos de  governança aplicados; e que fossem artigos científicos, trabalhos acadêmicos ou publicações  institucionais com acesso integral ao texto. 

Para tornar o procedimento metodológico mais claro e facilitar sua reprodução por  outros pesquisadores, o processo descrito foi organizado visualmente em um fluxograma,  apresentado na Figura 1, abaixo. Esse esquema sintetiza as etapas de planejamento da busca,  identificação dos estudos, triagem, leitura analítica e seleção final dos estudos que  compuseram a base da pesquisa.

Figura 1 – Fluxograma do procedimento metodológico

Fonte: elaborado pela autora (2025).

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Com o constante desenvolvimento do ambiente de terceirização, constatou-se, a partir  de Brown e Wilson (2005), que surgem informações divergentes que dificultam a tomada de  decisões eficazes nesse contexto. Esse processo torna-se ainda mais complexo devido à  expansão do mercado e à ampla diversidade de serviços oferecidos. Para realizar uma  avaliação mais precisa das alternativas disponíveis, as organizações devem começar pela  identificação dos motivos que as levam a terceirizar, prosseguindo com a análise detalhada  dos custos e benefícios envolvidos. Além disso, os gestores precisam enfrentar o desafio de  alinhar suas necessidades específicas aos serviços mais apropriados e aos fornecedores mais  compatíveis.

É importante evidenciar que se tornou nítido que a adoção da terceirização é motivada  pela busca por maior eficiência, inovação e melhoria na gestão de custos. Contudo, essa  prática também envolve desafios significativos, como a potencial perda de conhecimento  interno (know-how) e o risco de se criar uma dependência excessiva dos fornecedores (Moura  Jr., 2017). 

No âmbito do setor público, a terceirização em TIC não se limita exclusivamente à  busca pela redução de custos. Conforme demonstrado em um estudo realizado na Secretaria  de Fazenda do Estado de Sergipe (SEFAZ/SE), por Sacramento et al. (2021), aspectos como  eficiência, acesso a suporte técnico especializado e garantia de continuidade dos serviços  emergem como fatores essenciais que justificam essa prática. 

Um dos principais desafios da terceirização consiste em estabelecer parcerias  sustentáveis a longo prazo. A expressiva queda nos custos relacionados às TICs têm  possibilitado que sistemas computacionais sejam direcionados para aplicações que  proporcionam vantagens competitivas significativas. Em diversas situações, essa evolução  tecnológica tem aberto espaço para as organizações revisitarem e reestruturarem suas  estratégias. Como resultado, observa-se um enfoque crescente na construção de  relacionamentos fundamentados em alianças estratégicas entre empresas e fornecedores de  serviços de TIC (McFarlan; Nolan, 1995). 

Adicionalmente, Greaver (1999) ressalta que o êxito no gerenciamento de relações de  terceirização está diretamente ligado à definição precisa de requisitos e objetivos, à  estruturação cuidadosa de um Acordo de Nível de Serviço (SLA) e à implementação de um  plano contínuo de melhorias. A atuação dos profissionais responsáveis por gerenciar esse  relacionamento é igualmente decisiva, sendo essencial que a organização contratante conte  com um gerente de relacionamento que represente seus interesses. Este profissional deve se  envolver ativamente no acompanhamento e na avaliação do desempenho, garantindo a  construção de uma parceria sólida e eficaz. 

Outro ponto relevante é que as organizações interessadas em terceirizar atividades de  TIC não devem permitir que problemas não resolvidos ou recorrentes vivenciados por outras  empresas que já optaram pela terceirização servem como barreiras. De acordo com Brown e  Wilson (2005), esses desafios e dificuldades frequentemente decorrem de práticas de  gerenciamento inadequadas. Quando uma das partes envolvidas no processo se encontra  insatisfeita, essa situação pode, na maioria das vezes, estar relacionada a cinco causas  principais:

  1. Expectativas irrealistas do cliente devido a promessas do fornecedor durante o  processo de venda; 
  2. Interesses contraditórios entre o cliente e o fornecedor; 
  3. Resistência do cliente em acomodar as mudanças necessárias no negócio  devido à presença de novo fornecedor; 
  4. Diferenças culturais, sócias e étnicas entre as partes; e 
  5. Rotatividade de mão-de-obra no fornecedor acima do esperado. 

Para evitar a ocorrência dessas causas frequentes, é fundamental realizar um  planejamento detalhado da transição de serviços internos para aqueles oferecidos por  terceiros. Um plano de transição bem estruturado constitui um elemento central para garantir  o sucesso na gestão de um modelo terceirizado. 

Segundo Oza et al. (2004), as diferenças culturais exercem um impacto significativo  nas relações interpessoais e profissionais, influenciando aspectos como cultura de trabalho,  padrões de comportamento, métodos de comunicação, percepções culturais e atitudes gerais.  Os autores apontam que tais diferenças, associadas ao monitoramento constante, constituem  fatores primordiais entre os diversos desafios que surgem na interação entre fornecedores e  clientes. Em particular, destaca-se que um monitoramento excessivo por parte do cliente,  especialmente nas fases iniciais de um projeto, pode gerar tensões e comprometer a fluidez do  relacionamento contratual. 

Em sua pesquisa empírica, Leite (1997) identificou seis principais dificuldades  enfrentadas pelos fornecedores de serviços de TIC. Entre elas estão: a resistência dos clientes  à terceirização; a resistência a mudanças internas necessárias; o despreparo para conduzir o  processo, refletido pela falta de planejamento e pela indefinição de responsabilidades; as  imprecisões na especificação dos serviços, geralmente causadas por falhas de comunicação;  as pressões políticas internas nas organizações contratantes, que podem interferir no  andamento dos projetos; além do excesso de expectativas por parte dos clientes. 

No contexto das pequenas e médias empresas, a terceirização de TIC revela-se  igualmente importante, embora envolva riscos mais expressivos. Uma pesquisa conduzida por  Rutkoski (2018), sobre administrações tributárias estaduais, constatou que a terceirização de  TIC, tanto no setor público quanto no privado, está amplamente difundida. No entanto,  também foram identificados desafios significativos, como a possibilidade de perda de  competências internas, vulnerabilidades relacionadas à segurança da informação e  instabilidade dos fornecedores.

O modelo de referência utilizado no presente estudo foi desenvolvido com base nas  investigações de Prado e Takaoka (2006). Ele é estruturado por meio de construtos, variáveis  e relações de influência entre esses elementos, permitindo uma compreensão sistemática dos  fatores que orientam a decisão pela terceirização de TIC. A Figura 2, apresentada a seguir,  ilustra de forma esquemática esse modelo. 

Figura 2 – Modelo de referência terceirização

Fonte: Prado (2009).

A terceirização pode proporcionar benefícios importantes, como a concentração da  organização em suas competências principais, o acesso a conhecimentos especializados e  atualizados, além da redução dos riscos relacionados à obsolescência tecnológica, conforme  apontam Gonzalez, Gasco e Llopis (2010, p. 305). Porém, também apresenta desafios  expressivos, entre eles a gestão eficiente do relacionamento entre cliente e fornecedor, a  transferência adequada de conhecimento e, principalmente, a precaução para que o controle  estratégico sobre as informações não seja comprometido. 

Nesse sentido, atividades rotineiras, padronizadas ou de infraestrutura tendem a ser  mais apropriadas para a terceirização, enquanto atividades estratégicas, fortemente ligadas à  diferenciação competitiva ou que envolvam conhecimento interno crítico podem demandar manutenção interna. Essa distinção é reforçada no estudo de Sanchez e Martins (2013), que  apontam que terceirizar infraestrutura de TIC foi bem-visto pelo mercado, embora isso não  implique, automaticamente, a geração de vantagem competitiva. 

Segundo Prado (2022), problemas relacionados à terceirização, como atrasos na  execução, custos extrapolados e qualidade abaixo do esperado, costumam decorrer de uma gestão inadequada do contrato e de um desajuste entre as expectativas da organização  contratante e o serviço efetivamente entregue pelo fornecedor. No caso de TIC terceirizada,  torna-se essencial estabelecer uma estrutura de governança que contemple a escolha criteriosa  do fornecedor, a definição clara de métricas de desempenho, o acompanhamento constante  dos resultados e o planejamento para encerramento do contrato ou reintegração das operações,  caso necessário. 

A terceirização na área de TIC pode trazer importantes avanços em dinamismo e  inovação para as empresas. No entanto, também carrega certos riscos, como uma possível  dependência excessiva de fornecedores e o enfraquecimento de competências estratégicas  internas. A terceirização de força de trabalho em TIC destaca benefícios evidentes, como o  acesso ágil a habilidades especializadas e maior flexibilidade operacional. Por outro lado, os  desafios não podem ser ignorados, tais como alta rotatividade de profissionais, falta de  investimentos no desenvolvimento interno de competências e limitações no processo de  transferência de expertise entre as equipes envolvidas (Simões; Santos, 2020). 

Sob uma perspectiva estratégica, a terceirização pode representar uma poderosa aliada  para as organizações, permitindo que direcionem seus esforços para as competências  essenciais, enquanto delegam funções de suporte tecnológico a fornecedores especializados.  O estudo de Sanchez e Martins (2013) revelou que, no Brasil, anúncios de terceirização da  infraestrutura de TI por empresas de capital aberto resultaram em impactos positivos no valor  de mercado dessas organizações. Essa reação sugere que o mercado enxerga tais decisões  como altamente favoráveis, valorizando ganhos de eficiência e foco estratégico. 

É fundamental levar em conta, ainda, que a terceirização no setor de TIC modifica as  dinâmicas de trabalho e influencia a cultura organizacional, demandando ajustes nos  processos internos de gestão do conhecimento. Elucidou-se, a partir de Foina e Lima (2014), que se torna essencial elaborar contratos bem definidos, capazes de minimizar riscos e  assegurar que os resultados obtidos estejam em sintonia com os objetivos estratégicos da  organização. 

Considerando a diversidade de fatores identificados na literatura e discutidos ao longo  deste capítulo, tornou-se necessário sintetizar os principais achados relativos às vantagens,  riscos e critérios de decisão associados à terceirização de serviços de TIC. Essa sistematização  contribui para evidenciar os elementos centrais que orientam o processo decisório das  organizações, especialmente no setor público, ao mesmo tempo em que permite visualizar, de  maneira integrada, os benefícios potenciais, as fragilidades e os aspectos críticos a serem  avaliados antes da adoção desse modelo. Assim, o Quadro 1 a seguir, reúne, de forma  organizada e referenciada, os pontos mais relevantes observados na pesquisa bibliográfica,  permitindo uma análise comparativa clara e alinhada ao objetivo geral do estudo. 

Quadro 1 – Síntese de vantagens, riscos e critérios de decisão na terceirização de TIC

CategoriaAchadoDescriçãoReferência
VantagensAcesso a  conhecimento  especializadoPermite acesso rápido a  expertise técnica atualizada.Gonzalez, Gasco e Llopis  (2010); Simões e Santos  (2020)
VantagensFoco no core  businessPermite concentrar esforços  nas competências  essenciais.Foina e Lima (2014);  Sanchez e Martins (2013)
VantagensRedução de  custos  operacionaisReduz gastos internos e  aumenta a flexibilidade orçamentária.Castro e Silveira (2016)
VantagensInovação e  modernização  tecnológicaAmplia o acesso a  tecnologias de ponta e  atualizações contínuas.Prado (2022); Rutkoski  (2018)
VantagensContinuidade  dos serviçosGarante maior estabilidade  operacional e suporte  especializado.Sacramento et al. (2021)
RiscosDependência  excessiva do  fornecedorPode comprometer a autonomia e dificultar a retomada interna.Moura Jr. (2017); Simões e Santos (2020)
RiscosPerda de  conhecimento  interno (know how)Transferência inadequada  pode enfraquecer  competências internas.Moura Jr. (2017); Rutkoski  (2018); Simões e Santos  (2020)
RiscosVulnerabilidades  de segurançaExposição a falhas de controle e riscos à  integridade dos dados.Rutkoski (2018); Sacramento  et al. (2021)
Riscos Divergências  de expectativasFalta de alinhamento pode gerar atrasos, insatisfação e  retrabalho.Greaver (1999); Brown e  Wilson (2005)
RiscosInstabilidade  dos  fornecedoresRotatividade e fragilidades  estruturais prejudicam a  continuidade.Leite (1997); Rutkoski  (2018); Simões e Santos  (2020)
Critérios de  DecisãoDefinição clara  de objetivosO modelo de terceirização  deve estar alinhado às  metas organizacionais.Prado (2022)
Critérios de  DecisãoEspecificação  técnica  detalhadaMinimiza falhas de  comunicação e conflitos  contratuais.Leite (1997); Moura Jr.  (2017)
Critérios de  DecisãoAvaliação  criteriosa do  fornecedorConsidera capacidade  técnica, cultura  organizacional e  estabilidade do fornecedor.Moura Jr. (2017); Prado  (2022)
Critérios de  DecisãoEstrutura de  governança e  SLAMonitoramento contínuo e  métricas claras asseguram  qualidade do serviço.Greaver (1999); Prado  (2022)
Critérios de  DecisãoPlanejamento da  transiçãoMinimiza riscos e facilita a integração entre equipes.Brown e Wilson (2005)
Fonte: elaborado pela autora (2025).

A análise sintetizada do Quadro 1 demonstrou que alguns autores aparecem com mais  recorrência na identificação das vantagens, riscos e critérios de decisão relacionados à  terceirização de TIC. Destacam-se, especialmente, os estudos de Moura Jr. (2017), Rutkoski  (2018), Simões e Santos (2020) e Prado (2022), que foram frequentemente referenciados nas  diferentes categorias apresentadas. Esses autores contribuíram de forma significativa para  fundamentar os principais achados sintetizados no Quadro, oferecendo abordagens  consistentes e complementares sobre o tema.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

A terceirização de serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) tem se  consolidado como uma prática estratégica no setor público, sobretudo em um cenário marcado  por demandas crescentes por eficiência, inovação e transparência. Com base nos objetivos  definidos e nos achados da pesquisa, constatou-se que, quando adequadamente planejada,  contratada e monitorada, a terceirização pode se tornar uma aliada poderosa na modernização  da Administração Pública, elevando a qualidade dos serviços destinados à população e  promovendo um melhor aproveitamento dos recursos públicos. 

Os resultados obtidos nesta investigação demonstram que a contratação de fornecedores especializados abre portas para a obtenção de conhecimentos atualizados e  acesso a tecnologias de ponta, superando limitações que frequentemente comprometem os  órgãos públicos, como restrições orçamentárias, carência de pessoal qualificado e  infraestrutura tecnológica defasada. Contudo, ficou nítido que tais benefícios são acompanhados de riscos significativos. Entre os principais desafios identificados, destacam-se  a dependência excessiva de fornecedores, a perda de competências internas e vulnerabilidades  relacionadas à segurança da informação, fatores que podem comprometer o sucesso das  iniciativas e gerar desalinhamento entre as expectativas da Administração Pública e os  resultados entregues. 

Outro aspecto que se mostrou fundamental refere-se à gestão do conhecimento no  contexto da terceirização. Direcionar atividades a terceiros não pode implicar na perda de  controle sobre processos, tecnologias ou informações estratégicas. Pelo contrário, é  imprescindível que o poder público implemente medidas para assegurar a retenção,  disseminação e atualização contínua do conhecimento técnico, evitando assim a dependência  tecnológica e fortalecendo a autonomia institucional. 

Em síntese, a terceirização de TIC no setor público representa um instrumento de  gestão com significativo potencial para promover a eficiência administrativa e estimular a  inovação tecnológica, desde que seja aplicada com responsabilidade, critérios bem definidos e uma visão estratégica clara. O êxito dessa prática gira em torno da maturidade da governança  pública, da competência técnica dos gestores envolvidos e da definição objetiva dos  resultados almejados. Assim, o equilíbrio entre controle, colaboração e transparência  configura-se como o caminho mais eficaz para garantir que a terceirização se mantenha alinhada ao interesse público e contribua de forma sustentável para o fortalecimento das TICs na Administração Pública.

Como agenda para pesquisas futuras, recomenda-se aprofundar a análise empírica  sobre os impactos da terceirização em diferentes órgãos públicos, bem como investigar  modelos de governança que contribuam para mitigar riscos identificados nesta pesquisa.  Sugere-se, ainda, a realização de uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL) que permita  consolidar evidências internacionais e nacionais sobre critérios de decisão, mecanismos de  transferência de conhecimento e práticas de monitoramento em contratos de TIC, ampliando a  base teórica e prática disponível para gestores públicos. 

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1Universidade Federal Fluminense; marciaborsario@id.uff.br
2Universidade Federal Fluminense; luisduncan@id.uff.br
3Universidade Federal Fluminense; angeloana@id.uff.br