“VULNERABILIDADE SOCIAL E ENVELHECIMENTO: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS DE INTEGRAÇÃO ENTRE SAÚDE E ASSISTÊNCIA SOCIAL NA APS”

“SOCIAL VULNERABILITY AND AGING: CHALLENGES AND STRATEGIES FOR INTEGRATION BETWEEN HEALTH AND SOCIAL ASSISTANCE IN PRIMARY HEALTH CARE (PHC)”

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202512222350


Eliane Cristina Lovo1
Catia Cristina da Silva2
Teresinha Cicera Teodora Viana3


RESUMO: A atuação do assistente social é essencial na identificação de demandas, na  escuta qualificada, no encaminhamento adequado e na articulação intersetorial com  equipamentos da rede de proteção social. Constatou-se que os idosos reconhecem o  profissional como figura de confiança, capaz de promover vínculos e favorecer a adesão  ao cuidado. Conclui-se que o Serviço Social, pautado em seu projeto ético-político,  fortalece a integralidade do SUS e contribui para a efetivação dos direitos sociais,  reafirmando a relevância do assistente social na garantia da cidadania e dignidade dos  idosos. Essa pesquisa teve como metodologia uma análise qualitativa e quantitativa por  pesquisa documental em prontuários de atendimentos aos idosos no Município de  Pimenta Bueno/RO. 

PALAVRAS-CHAVE: Idosos; Envelhecimento: Vulnerabilidade; Questões Sociais;  Unidades de Saúde.  

ABSTRACT: The role of the social worker is essential in identifying needs, providing  qualified listening, making appropriate referrals, and coordinating intersectoral services  within the social protection network. The findings indicate that older adults recognize  the professional as a trustworthy figure, capable of fostering bonds and promoting ad herence to care. It is concluded that Social Work, grounded in its ethical-political project, strengthens the comprehensiveness of the Brazilian Unified Health System (SUS)  and contributes to the realization of social rights, reaffirming the relevance of social  workers in guaranteeing the citizenship and dignity of older adults. The research methodology involved qualitative and quantitative analyses based on documentary research of records of care provided to older adults in the municipality of Pimenta Bueno,  Rondônia, Brazil. 

Keywords: Older adults; Aging; Vulnerability; Social issues; Health units. 

INTRODUÇÃO 

Para fundamentar teoricamente as questões abordadas neste estudo,  serão apresentadas considerações embasadas em dados estatísticos provenientes de  pesquisa documental, assim como observações empíricas realizadas durante os atendimentos. Este conjunto de informações relevantes permite compreender, de forma  aprofundada, as experiências vivenciadas pela pessoa idosa no contexto da saúde,  ampliando a análise sobre os desafios e potencialidades do acesso aos serviços  ofertados.  

Enquanto residente em Serviço Social no campo da saúde, o cotidiano  do trabalho apontou um grande número de usuários idosos, assim como suas  particularidades, vivências, vulnerabilidades e o quanto era fundamental a intervenção  por parte de profissionais de múltiplas especialidades.  

O envelhecimento é um processo natural e universal, marcado por  alterações físicas, emocionais e sociais que impactam diretamente a qualidade de vida  das pessoas. À medida que a população mundial envelhece, cresce a necessidade de  pensar estratégias integradas de promoção de saúde, prevenção de doenças e garantia  de direitos para os idosos. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) emerge  como porta de entrada fundamental ao sistema de saúde brasileiro, sendo responsável  pelo acompanhamento contínuo e integral dos usuários, especialmente dos idosos, que  representam um grupo de alta vulnerabilidade.  

A APS assume papel estratégico na identificação precoce de agravos, na  promoção do envelhecimento saudável e na articulação de redes de cuidado, adotando  ações multidisciplinares que incluem o trabalho do assistente social. Este profissional é  essencial para fortalecer o vínculo entre o sistema de saúde e os usuários, realizar a  escuta qualificada das demandas, articular o acesso aos serviços, orientar famílias e  promover encaminhamentos que consideram não apenas as condições clínicas, mas  também fatores sociais, econômicos e culturais que influenciam o envelhecimento.  Assim, a atuação do assistente social nas Unidades Básicas de Saúde potencializa o  cuidado centrado na pessoa, contribui para o fortalecimento da cidadania e amplia o  alcance das políticas de inclusão e proteção social. 

SOBRE O ENVELHECIMENTO E QUESTÕES SOCIAIS: REFLEXÃO  SOBRE DESAFIOS E CAMINHOS DE INCLUSÃO  

O envelhecimento populacional constitui uma das principais  transformações demográficas das sociedades contemporâneas. Tal fenômeno demanda  respostas sociais diante dos desafios impostos à garantia de direitos, proteção e bem estar dos idosos. O processo de envelhecer, embora natural e desejável, é  profundamente condicionado pelas trajetórias familiares, contextos econômicos,  culturais e pelas políticas públicas existentes, revelando diferentes graus de  vulnerabilidade. 

No Brasil, as questões sociais ligadas ao envelhecimento assumem  grande relevância diante das desigualdades históricas: baixa escolaridade, dificuldade  de acesso à saúde, insuficiência de renda e fragilidade dos vínculos sociais tornam  muitos idosos mais suscetíveis à exclusão, solidão e dependência. Dessa forma, é  fundamental compreender o envelhecimento não apenas como resultado biológico, mas  como experiência social marcada por fatores estruturais e pela oferta (ou ausência) de  redes de proteção. 

Os mecanismos de enfrentamento dessas vulnerabilidades envolvem  ações intersetoriais e multiprofissionais, nos quais o assistente social desempenha papel  estratégico na articulação dos serviços, escuta qualificada, defesa de direitos e  promoção da autonomia. Atuar sobre as questões sociais do envelhecimento requer  reconhecer a diversidade das trajetórias e necessidades dos idosos, integrar cuidados em  saúde, assistência social e políticas educacionais, promovendo ambientes comunitários  inclusivos e acolhedores. 

No contexto atual, refletir sobre o envelhecimento implica revisitar  conceitos como dignidade, cidadania e pertencimento, ampliando a percepção sobre o  acesso às políticas públicas e o direito ao envelhecimento saudável. Construir respostas  coletivas e solidárias para os novos desafios demográficos é tarefa de toda a sociedade,  exigindo compromisso ético e político com a justiça social.

DA PESQUISA: DADOS E ANÁLISES 

Acerca dos dados coletados por meio do questionário sobre  atendimentos em atenção primária à saúde da população idosa, indicadores sociais e de  saúde apontaram que a maioria dos idosos avalia sua saúde como regular e, em sua  minoria, muito ruim. O predomínio da avaliação “regular” indica que, embora não haja  percepção generalizada de saúde precária, grande parte do grupo sente limitações ou  desconfortos recorrentes em seu cotidiano. Esses dados sinalizam o desafio de  promover o envelhecimento saudável e prevenir a progressão de doenças crônicas.  

Gráfico 1 – Avaliação da saúde dos idosos  

A sensação de segurança residencial é predominante, afirmando os  idosos se sentirem seguros em suas moradias. Alguns relatam insegurança ocasional, o  que pode estar relacionado à vulnerabilidade estrutural ou à ausência de redes de apoio,  fatores relevantes para a autonomia e proteção do idoso. A maioria apontou que o  sentimento de solidão não é raro, o que chama a reflexão de que a solidão, quando  recorrente, pode impactar diretamente a saúde física e emocional, aumentando o risco  de depressão, ansiedade e fragilização dos vínculos sociais. 

Gráfico 2 – Sensação de segurança residencial

É expressiva a ausência de participação comunitária, ressaltando a  necessidade de políticas que promovam maior inclusão e participação social. Há relativa  consciência sobre os serviços disponíveis, ou seja, de idosos que conhecem os serviços  voltados à terceira idade. Contudo, alguns ainda desconhecem tais recursos,  evidenciando lacunas na divulgação e no alcance efetivo das políticas de proteção  social.  

Gráfico 3 – Participação comunitária dos idosos

O atendimento pelo assistente social foi vivenciado por maior número,  enquanto outros nunca foram atendidos por esse profissional. Isso destaca o papel  relevante do serviço social na APS, além da necessidade de ampliar sua presença para  alcançar os idosos que ainda foram privados desse suporte. Quanto a dificuldade de  acesso a benefícios, embora a minoria tenha apontado enfrentar barreiras nesse aspecto,  é importante ressaltar que ações voltadas à orientação, inclusão e acesso facilitado para que todos possam usufruir de seus direitos são fundamentais. 

Gráfico 4 – Conhecimento sobre serviços para idosos 

As principais necessidades elencadas foram apoio psicológico e  emocional, seguidas de apoio financeiro, acesso à saúde e atividades sociais, acesso a  medicamentos e atividades físicas e alimentos. Há destaque para demandas  psicossociais que extrapolam o campo médico, exigindo abordagens integradas e  intersetoriais para fortalecer o cuidado ao idoso.  

Gráfico 5 – Principais necessidades dos idosos

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Os dados evidenciam uma população idosa marcada por desafios  multifacetados que incluem o enfrentamento de limitações de saúde, insegurança  ocasional, solidão, falta de integração comunitária e necessidades psicossociais.  Revelam a relevância da atuação multiprofissional e intersetorial na Atenção Primária  à Saúde, em especial do Assistente Social, para acolher, orientar e encaminhar os idosos  de forma digna e inclusiva. 

A ampliação de espaços para atividades sociais, fortalecimento das redes  de apoio, divulgação de serviços e facilitação do acesso a benefícios são estratégias  imprescindíveis para superar vulnerabilidades e garantir envelhecimento com cidadania  e qualidade de vida. 

O papel do assistente social é fundamental no contexto apresentado,  diante da complexidade dos desafios enfrentados pela população idosa. Os dados  mostram que muitos idosos vivenciam limitações de saúde, insegurança habitacional,  sentimentos de solidão e exclusão social, além de variadas necessidades psicossociais.  A atuação do assistente social, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS),  emerge como peça-chave para superar essas barreiras e promover uma resposta  humanizada e integrada às demandas do envelhecimento. 

Neste contexto, cabe ao assistente social mobilizar estratégias de  inclusão social, como a ampliação de espaços para participação em atividades,  fortalecer redes de apoio (familiar, comunitária e institucional), divulgar serviços e  facilitação do acesso a direitos, especialmente para aqueles que encontram obstáculos  ou desconhecem os recursos disponíveis. É também responsável pela articulação de  ações com a equipe multiprofissional e demais políticas públicas, de modo a  complementar o cuidado integral e valorizar o protagonismo dos idosos.  

Portanto, diante dos dados apresentados, destaca-se que sem o suporte  qualificado e atento do assistente social, muitas dessas vulnerabilidades permaneceram  invisíveis ou sem resposta efetiva, dificultando o envelhecimento com cidadania e  qualidade de vida. É por meio de sua intervenção que se potencializa a integralidade do  cuidado e se garantem os direitos sociais do idoso, reforçando a importância central  deste profissional na construção de uma APS verdadeiramente inclusiva e justa. 

REFERÊNCIAS 

Brasil. Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994. Dispõe sobre a Política Nacional do Idoso.  Diário Oficial da União. Brasília; 1994.  

CAMARANO, Ana Amélia (Org.). Os novos idosos brasileiros: Muito além dos 60?  Rio de Janeiro: IPEA, 2011. 

BEAUVOIR, Simone de. A Velhice. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

MINAYO, Maria Cecília de Souza; HARTZ, Zulmira; BUSS, Paulo. Qualidade de vida  e saúde: um debate necessário. Ciência & Saúde Coletiva, v. 5, n. 1, 2000, p. 7-18.

PAULA, Marilene. Vulnerabilidade social dos idosos e políticas públicas de proteção.  Serviço Social & Sociedade, n. 103, p. 55-72, 2010.


1Assistente Social Residente na Secretaria de Saúde de Pimenta Bueno/RO.
2Catia Cristina da Silva. Mestre em Direitos Humanos e Desenvolvimento da Justiça. Ano 2019
3Mestrado em Ciências da Saúde Ano 2017