TERAPIA ENDODÔNTICA DOS INCISIVOS CENTRAL E LATERAL SUPERIOR COM FRATURA DE LIMA ULTRASSÔNICA DURANTE IRRIGAÇÃO PASSIVA ULTRASSÔNICA

ENDODONTIC THERAPY OF MAXILLARY CENTRAL AND LATERAL INCISORS WITH ULTRASONIC FILE FRACTURE DURING ULTRASONIC PASSIVE IRRIGATION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202507271141


Rosana Maria Coelho Travassos1; Pedro Henrique de Barros Falcão2; Kaick Mascarenhas de Santana Lima Silva3; Mônica Maria de Albuquerque Pontes4; Alexandre Batista Lopes do Nascimento5; Adriane Tenório Dourado Chaves6; Maria Regina Almeida de Menezes7;
Ana Raquel Rocha Correia Vilela8


RESUMO

O presente relato de caso clínico, refere um estudo descritivo e qualitativo, em que se observa, o tratamento conservador de uma lesão periapical a sugestiva de periodontite apical crônica. Um paciente do sexo masculino de 24 anos de idade foi encaminhado foi encaminhado à Faculdade de odontologia de Pernambuco-FOP-UPE para realizar tratamento de canal. A radiografia periapical revelou uma lesão radiolúcida difusa envolvendo os dentes 11 e 12. O preparo do dos canais radiculares foi realizado com manuais pela técnica coroa ápice sem pressão (da lima maior para a menor: 100-90.80) e a patência foraminal com lima de 20 K- Flexofile. No dente 11, o instrumento memória foi a lima K-File #80 e no dente 12 a lima K-File #60, havendo irrigação a cada troca de limas. A obturação do sistema de canais radiculares foi pelo cone único associado ao cimento foi o AH-Pulus Jet. Observa-se na radiografia a fratura da lima ultrassônica. Conclui-se que a fratura de lima ultrassônica ocorreu devido ao uso inadequado, com força excessiva de pressão apical ultrapassando o comprimento real o dente.

INTRODUÇÃO

A remoção de restos de tecido pulpar vital e necrótico, microrganismos e toxinas microbianas do sistema de canais radiculares é essencial para o sucesso do tratamento endodôntico. As soluções irrigadoras atuam principalmente como lubrificantes e agentes de limpeza durante o tratamento biomecânico, removendo microrganismos, produtos associados à degeneração tecidual e restos orgânicos e inorgânicos, garantindo a eliminação da dentina contaminada e a permeabilidade do canal radicular em toda a sua extensão.3

A literatura descreve dois tipos de irrigação ultrassônica. O primeiro é a combinação simultânea de irrigação ultrassônica e instrumentação. O segundo tipo funciona sem instrumentação simultânea e é conhecido como irrigação ultrassônica passiva (PUI).2 O primeiro tem sido quase descartado na prática clínica, devido à dificuldade de controlar o corte da dentina e, consequentemente, a forma final do canal preparado, existindo a possibilidade de se produzirem conformações aberrantes. Quando limas ativadas por ultrassom são utilizadas, desvios de canal, zíperes apicais e perfurações radiculares podem estar presentes, especialmente em canais curvos. Portanto, não é considerada uma alternativa à instrumentação manual convencional.4,5

A administração e a agitação eficazes do irrigante são pré-requisitos para o sucesso do tratamento endodôntico. A irrigação ultrassônica pode ser realizada com ou sem instrumentação ultrassônica simultânea. A literatura existente revela que a irrigação ultrassônica pode ter um efeito muito positivo no desbridamento químico, biológico e físico do sistema de canais radiculares, conforme investigado em muitos estudos in vitro. O uso do ultrassom no procedimento de irrigação resulta em melhor limpeza do canal, melhor transferência do irrigante para o sistema de canais, desbridamento do tecido mole e remoção da smear layer e bactérias. 15

A irrigação é um componente crucial no tratamento endodôntico, pois desempenha um papel vital na limpeza e descontaminação do sistema de canais radiculares. A eficácia da irrigação pode ser amplamente aumentada pela combinação de métodos mecânicos e químicos, permitindo a remoção de debris e microrganismos que podem estar presentes em áreas de difícil acesso. A adição de tecnologias inovadoras, como a irrigação ultrassônica, permite uma ação mais eficaz do irrigante, melhorando a penetração e a distribuição das soluções desinfetantes dentro dos canais.10

Na fase de irrigação, o ultrassom se destaca pela sua capacidade de ativar soluções irrigadoras de forma eficiente. A ativação ultrassônica das soluções ajuda a melhorar a penetração dessas soluções nos canais radiculares, contribuindo para a remoção de pinos intrarradiculares e instrumentos fraturados que podem obstruir o acesso e comprometer o tratamento.11

RELATO DO CASO

O presente relato de caso clínico, refere um estudo descritivo e qualitativo, em que se observa, o tratamento conservador de uma lesão periapical a sugestiva de periodontite apical crônica. Paciente assinou o Termo de consentimento Livre e Esclarecido e foram respeitados os princípios éticos descritos na Declaração de Helsinque. Um paciente do sexo masculino de 24 anos de idade foi encaminhado foi encaminhado à Faculdade de odontologia de Pernambuco-FOP-UPE para realizar tratamento de canal. A radiografia periapical revelou uma lesão radiolúcida difusa envolvendo os dentes 11 e 12. (Figura 1)

Figura 1 -Lesão radiolúcida difusa envolvendo os dentes 11 e 12.

Após a anestesia, o dente foi isolado e o acesso coronário foi realizado utilizando- se broca diamantada 1013 (KG Sorensen, Cotia, SP, Brasil). A irrigação foi realizada com Hipoclorito de sódio a 2,5%. Após exploração do canal radicular, realizou-se a odontometria eletrônica.

O preparo do dos canais radiculares foi realizado com manuais pela técnica coroa ápice sem pressão( da lima maior para a menor: 100-90.80) e a patência foraminal com lima de 20 K-Flexofile. No dente 11, o instrumento memória foi a lima K-File #80 e no dente 12 a lima K-File #60, havendo irrigação a cada troca de limas. A obturação do sistema de canais radiculares foi pelo cone único associado ao cimento foi o AH-Pulus Jet, além da fratura da lima ápice radicular. (Figura 2).

Como a lima estava além forame apical, decidiu-se realizar a obturação do sistema de canais radiculares e proservar o caso clínico, que sera reaizado no futuro (após 6 meses da conclusão da terapia endodôntica).

Figura 2 – obturação do sistema de canais radiculares e presença da lima ultrassônica além ápice radicular

DISCUSSÃO

A introdução de tecnologias como o aparelho ultrassônico na endodontia certamente promete melhorar a facilidade, segurança e sucesso dos procedimentos. Os aparelhos ultrassônicos têm sido amplamente utilizados na periodontia para remover tártaro e calcular de forma eficaz, e agora estão sendo adaptados para atender às necessidades da endodontia. Com pontas específicas

projetadas para diferentes etapas do tratamento de canais radiculares, esses aparelhos podem oferecer várias vantagens.12 Além de suas aplicações práticas, o ultrassom representa uma evolução tecnológica que reflete o avanço contínuo da endodontia. Com o desenvolvimento de novas pontas e dispositivos ultrassônicos, os profissionais têm a oportunidade de aprimorar suas técnicas e protocolos, resultando em tratamentos mais precisos e menos invasivos. A constante inovação nessa área garante que a endodontia continue a evoluir, oferecendo melhores resultados para os pacientes e ampliando as possibilidades de sucesso nos tratamentos.13

Há um consenso geral de que a PUI é mais eficaz do que a irrigação convencional com seringa e agulha na eliminação de tecido pulpar e resíduos de dentina. Essa diferença pode ser devida ao fato de o ultrassom criar maior velocidade e volume de fluxo do irrigante no canal, produzindo menos compactação apical, melhor acesso do produto químico aos canais acessórios e até mesmo ao efeito de lavagem produzido pelo ultrassom, mas não pela irrigação manual.5

A lima ultrassônica na irrigação do canal radicular, também conhecida como irrigação ultrassônica passiva (PUI), é uma técnica que utiliza vibrações ultrassônicas para otimizar a limpeza e desinfecção do sistema de canais radiculares. Essa técnica aumenta o fluxo e a ação das soluções irrigadoras, como o hipoclorito de sódio (NaOCl), promovendo melhor remoção de detritos, microorganismos e camada smear (camada de detritos na parede do canal.

Na última década, surgiram inúmeros dispositivos bem-sucedidos para agitar soluções irrigadoras, que proporcionam diversos mecanismos de transferência de irrigantes, eliminação de tecido mole e, dependendo da filosofia de tratamento, eliminação da smear layer. Em comparação com a irrigação sônica, a irrigação ultrassônica demonstrou ser mais potente e capaz de eliminar mais detritos, sendo, portanto, afirmado que a irrigação ultrassônica passiva é significativamente mais eficiente do que a ativação sônica. No entanto, ambas as técnicas podem limpar o sistema de canais em grau semelhante quando a irrigação sônica é aplicada por um período mais longo.4,6 A capacidade de soluções irrigadoras com boa capacidade de umedecimento para dissolver tecidos pode ser melhorada pelo ultrassom se os detritos do tecido pulpar e/ou a smear layer forem completamente umedecidos pela solução e submetidos à agitação ultrassônica.7

A Endodontia é uma área da Odontologia que trata da polpa dental, tecidos perirradiculares ou circundantes do dente envolvendo prevenção, diagnóstico, tratamento de afecções e cicatrização dos efeitos na área periapical. Considerando que com os avanços tecnológicos, os tratamentos endodônticos possibilitaram mais celeridade no tempo clínico, preservação de elementos dentários e melhoria na  qualidade  da  saúde  bucal.  Os  molares,  especificamente,  possuem características que tornam desafiantes os procedimentos, o conhecimento dos resultados de casos clínicos com utilização de instrumentação rotatória é fundamental para a prática do cirurgião-dentista durante a escolha dos instrumentos mais adequados para cada caso.14

Um tratamento endodôntico efetivo exige uma preparação biomecânica eficiente dos canais radiculares, perpassando pela devida limpeza e modelagem da polpa dentária, visando dirimir inflamação e infecção por microorganismos. Esses procedimentos são realizados por meio da utilização de instrumentos como as limas endodônticas, assim como da irrigação.15

De todos os irrigantes conhecidos, nenhum foi tão eficaz quanto a solução de hipoclorito de sódio. A irrigação com NaOCl combinada com ultrassom ou um sistema de vibração de ondas apresenta o maior efeito antibacteriano. O uso dessa combinação melhora a troca de substâncias no canal, permite o aquecimento da substância irrigante, elimina detritos dentinários e parte da camada de resíduos, alcançando assim maior efeito de limpeza. Em geral, a literatura recomenda entre 30 segundos e 3 minutos para a irrigação com NaOCl, embora não haja consenso definido sobre o tempo exato. Irrigações passivas mais curtas facilitam a manutenção da lima no centro do canal e, portanto, evitam que ela toque as paredes8. No presente caso, só observou-se a fratura no momento da obturação do canal radicular. Como a lima estava além forame apical, decidiu-se realizar a obturação do sistema de canais radiculares e proservar o caso clínico, que sera reaizado no futuro (após 6 meses da conclusão da terapia endodôntica).

Entretanto, a maioria dos autores afirma que o melhor momento para ativação ultrassônica do irrigante é após a modelagem do sistema radicular, na fase final da irrigação, pois isso permite que a agulha seja introduzida em todo o comprimento de trabalho aumentando assim a eficácia da irrigação, pois como alguns autores mostram, os fatores que favorecem a irrigação são: profundidade da agulha, proporção do raio do canal radicular e e diâmetro da agulha de irrigação, eliminando assim mais detritos.

CONCLUSÃO

Conclui-se que a fratura de lima ultrassônica ocorreu devido ao uso inadequado, com força excessiva de pressão apical ultrapassando o comprimento real o dente.

REFERÊNCIAS

1. Hülsmann M, Hahn W. Complications during root canal irrigation: literature review and case reports. Int Endod J. 2000;33:186-93.

2. Abbott PV, Heijkoop PS, Cardaci SC, Hume WR, Heithersay GS. An SEM study of the effects of different irrigation sequences and ultrasonics. Int Endod J.1991; 24:308-16

3. Mozo S, Llena C, Forner L. Review of ultrasonic irrigation in endodontics: increasing action of irrigating solutions. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2012 , 1;17(3):e512-6.

4. van der Sluis LW, Versluis M, Wu MK, Wesselink PR. Passive ultrasonic irrigation of the root canal: a review of the literature. Int Endod J. 2007;40:415-26.

5. van der Sluis LW,Wu MK, Wesselink PR. A comparison between a smooth wire and a K-file in removing artificially placed dentine debris from root canals in resin blocks during ultrasonic irrigation. Int Endod J. 2005;38:593-6.

6. Gu LS, Kim JR, Ling J, Choi KK, Pashley DH, Tay FR. Review of contemporary irrigant agitation techniques and devices. J Endod. 2009;35:791-804.

7. Al-Jadaa A, Paqué F, Attin T, Zehnder M. Acoustic hypochlorite activation in simulated curved canals. J Endod. 2009; 35:1408-11.

8. Munley PJ, Goodell GG. Comparison of passive ultrasonic debridement between fluted and nonfluted instruments in root canals. J Endod.2007; 33:578-80

10. Machado, P. et al. Removal of intra-radicular retainers by means of ultrasound: a literature review. Research, Society and Development, v. 11, n. 14, 2022.

11. Souza, R. L. The role of ultrasound in root canal obturation. Endodontic Review, v. 12, n. 3, p. 143-150, 2021.

12. FerrarI, T.; Pagliosoa S. O uso do Ultrassom na Endodontia. Multidisciplinar Dental, v. 11, n. 3, p. 107- 114, 2021.

13. Santos, A. et al. O uso de Ultrassom no tratamento Endodôntico. Revista Acervo Saúde, v. 23, n. 3, 2023.

14. Gadelha, J.M.M. et al. Tratamento endodôntico em dentes posteriores: sistema de rotação contínua e reciprocante Brazilian Journal of Health Review, , v. 7, n. 3, p. 01-13, 2024.

15. JESUS, F. G.; FERNANDES, S. L. Tratamento endodôntico: sessão única ou múltiplas sessões. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 8(5), 1149– 1160, 2022.


1Universidade de Pernambuco, Brasil
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4148-1288
E-mail: rosana.travassos@upe.br

2ORCID: https://orcid.org/ 0000-0001-7412-1786
Universidade de Pernambuco, Brasil
E-mail: pedro.falcao@upe.br

3ORCID:https://orcid.org/0009-0001-4754-2638
Faculdade Faipe
Email: drkaickmascarenhas@gmail.com

4Universidade de Pernambuco, Brasil
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5873-7847
E-mail: monica.pontes@upe

5ORCID: https://orcid 000-0001-5546-0424
Universidade de Pernambuco
Alexandre.nascimento1@upe.br

6ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4659-0117
Universidade de Pernambuco, Brasil
Email: adrianedourado@gmail.com

7ORCID: http://orcid.org/0000-0003-3012-3979
Universidade de Pernambuco-Brasil
E-mail: regina.menezes@upe.br

8https://orcid.org/0009-0006-4153-0982
Faculdade de Odontologia de Pernambuco (FOP/UPE)
anaraqueldentista@gmail.com

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