PREPARO COM SISTEMA PROTAPER ULTIMATE APÓS ABERTURA POR VESTIBULAR – RELATO DE CASO

PREPARATION WITH THE PROTAPER ULTIMATE SYSTEM AFTER OPENING BY ENTRANCE EXAM – CASE REPORT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202507271230


Rosana Maria Coelho Travassos1; Vanessa Lessa Cavalcanti de Araújo2; Josué Alves3; Verônica Maria de Sá Rodrigues4; Luciane Farias de Araújo5; Priscila Prosini6; Marina Rodrigues de Souza Oliveira7; Eliana Santos Lyra da Paz8


RESUMO

Esse trabalho tem como objetivo à apresentação de um caso clínico onde foi realizada a abertura através da Técnica de Bastien no dente 22. paciente, sexo feminino, foi encaminhado à Faculdade de odontologia de Pernambuco-FOP-UPE, queixando-se de dor ao toque no dente 22. Durante a anamnese, paciente não apresentava doença sistêmica e não possuía hipersensibilidade medicamentosa e a anestesia local. Durante o exame clínico, foi constatado presença de carie extensa na face vestibular, . Após abertura e exploração do canal, Após realização da odontometria eletrônica, o comprimento real de trabalho (CRT) foi determinado o preparo foi realizado com Protaper Ultimate Slider (16.02) e a Shaper (20.04) no comprimento real do dente com irrigação abundante de Hipoclorito de Sódio a 2,5%. As limas F1-F2-F3 e FX (35.12), A obturação foi realizada pela técnica do cone único associado ao cimento BIO-C Sealer (Angelus) e a parede vestibular restaurada com resina composta Opus bulk fill flow (FGM). Conclui-se que O tratamento com acesso modificado pela técnica de Bastien, realizado em pré-molar inferior com cárie na face vestibular, preserva a dentina coronária saudável determinando sucesso clínico e radiográfico, o que pode representar uma vantagem em relação à longevidade dentária.

Palavras-chave: Endodontia, Abertura do canal radicular, Preparo do canal.

ABSTRACT

This paper presents a clinical case in which tooth 22 was opened using the Bastien technique. A female patient presented to the Pernambuco School of Dentistry (FOP- UPE) complaining of pain when touching tooth 22. During the medical history, the patient had no systemic disease and no drug hypersensitivity. The clinical examination revealed extensive caries on the vestibular surface. After opening and exploring the canal, electronic odontometry determined the real working length (TWL). Preparation was performed with a Protaper Ultimate Slider (16.02) and a Shaper (20.04) to the actual length of the tooth, with abundant irrigation of 2.5% sodium hypochlorite. The files F1-F2-F3 and FX (35.12), The obturation was performed by the single cone technique associated with the BIO-C Sealer cement (Angelus) and the vestibular wall restored with Opus bulk fill flow (FGM) composite resin. It is concluded that the treatment with modified access by the Bastien technique, performed on a lower premolar with caries on the vestibular surface, preserves the healthy coronal dentin determining clinical and radiographic success, which may represent an advantage in relation to dental longevity.

Keywords: Endodontics, Root canal opening, Canal preparation.

INTRODUÇÃO

A abertura coronária consiste no conjunto de procedimentos que permitem o acesso à câmara pulpar e localização da entrada dos condutos radiculares, com o avanço dos materiais, instrumentais e técnicas torna-se possível variações na forma tradicional de acesso à câmara pulpar, uma vez que estudos atuais demonstram que o acesso endodôntico tradicional demanda a remoção de grande quantidade de estrutura dentinária sadia, o que de certa forma pode aumentar os riscos de fratura pós endodontia (Gonçalves, 2024).

A abertura coronária é realizada com o intuito de acessar clinicamente o sistema de canais radiculares. Uma abertura satisfatória é indispensável para realizar um bom tratamento endodôntico, seguindo de um correto preparo biomecânico e de uma eficiente obturação, obtendo assim, êxito no tratamento. Além de proporcionar o acesso aos canais radiculares a abertura coronária objetiva preparar a câmara pulpar a fim de remover toda a polpa coronária, inclusive os divertículos pulpares. Apesar da abertura coronária clássica de incisivos superiores preconizar uma abertura por palatina, é preciso analisar a ocorrência de cárie dentária e as restaurações já existentes. Levando em conta esses fatores pode-se mudar a forma com que se realizará a abertura coronária e o acesso aos canais radiculares. Extensas lesões de cariosas, lesões não cariosas por vestibular e a integridade da estrutura dentária por palatina determina a realização do acesso por vestibular a fim de manter a estrutura dentária por palatina. Esse acesso é conhecido com abertura ou acesso de Bastien, onde o acesso se dá por cavidades já existentes. (Jacomine et al. 2025).

Uma das principais desvantagens é que essa técnica pode ser mais difícil de ser dominada por profissionais menos experientes, devido à sua natureza minimamente invasiva e à necessidade de preservar as estruturas coronárias.. Uma das principais desvantagens é que essa técnica pode ser mais difícil de ser dominada por profissionais menos experientes, devido à sua natureza minimamente invasiva e à necessidade de preservar as estruturas coronárias. Além disso, em casos de lesões cervicais mais extensas, a abertura de Bastien pode não ser adequada, pois pode comprometer a integridade do dente e dificultar o acesso aos canais radiculares. Outra desvantagem é que essa técnica pode exigir mais tempo e habilidade por parte do profissional, especialmente em casos complexos que requerem um acesso mais preciso e amplo. Portanto, é importante considerar cuidadosamente as características do caso e a experiência do profissional ao optar pela abertura de Bastien como técnica de acesso endodôntico (Siqueira Jr, Rôças, 2008).

OBJETIVO

O objetivo do trabalho foi o de descrever um caso clínico relatando abertura coronária utilizando a técnica de Bastien em primeiro incisivo lateral superior esquerdo (22) para preservação estrutural por lesão cariosa na região vestibular, seguida da execução do tratamento endodôntico

RELATO DO CASO

paciente, sexo feminino, compareceu à Faculdade de odontologia de Pernambuco-FOP-UPE, queixando-se de dor ao toque no dente 22. Durante a anamnese, paciente não apresentava doença sistêmica e não possuía hipersensibilidade medicamentosa e a anestesia local. Durante o exame clínico, foi constatado presença de carie extensa na face vestibular, no dente 22. Ao teste de sensibilidade, com o frio, mostrou-se assintomático.

Com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assinado pela paciente, foi dado início ao tratamento. Inicialmente foi realizada anestesia com mepivacaína a 2% seguida da remoção do tecido cariado do dente 22 utilizando broca esférica e curetas para dentina. Ao final do procedimento, pôde-se observar que o canal já havia sido exposto. E concluiu-se a remoção do todo o teto da câmara pulpar. (Figura 1).

Figura 1 – Remoção do todo o teto da câmara pulpar.

Após realização da odontometria eletrônica, o comprimento real de trabalho (CRT) foi determinado O preparo foi realizado com Protaper Ultimate Slider (16.02) e a Shaper (20.04) no comprimento real do dente com irrigação abundante de Hipoclorito de Sódio a 2,5%. As limas F1-F2-F3 e FX (35.12), esse denominado instrumento memória. (Figuras 2 e 3)

Figura 2 – Protaper Ultimate Slider (16.02) e a Shaper (20.04) no comprimento real do dente, e F1 no comprimento d de trabalho

Figura 3 – Instrumento memória a lima e FX (35.12) no comprimento d de trabalho.

A obturação do sistema de canais radiculares foi realizada pela técnica do cone único associado ao cimento BIO-C Sealer e a parede vestibular restaurada com resina composta Opus bulk fill flow (FGM).. (Figura 4).

Figura 4 – Obturação do canal radicular .

DISCUSSÃO

A abertura de Bastien é especialmente adequada na face vestibular, uma vez que essa técnica minimamente invasiva preserva as estruturas coronárias enquanto proporciona acesso adequado aos canais radiculares. Ao preservar ao máximo as estruturas coronárias durante a abertura, a técnica de Bastien minimiza o desgaste excessivo do dente, especialmente na região de acesso vestibular. Isso é particularmente importante para manter a integridade estrutural do dente e prevenir possíveis complicações, como fraturas coronárias. Além disso, a abertura de Bastien permite uma visão clara e direta dos canais radiculares na face vestibular,. facilitando a execução do tratamento endodôntico com precisão e eficiência.

A abertura coronária é realizada a fim de acessar o sistema de canais radiculares. Uma abertura satisfatória é indispensável para realizar um bom tratamento endodôntico, tanto no preparo biomecânico quanto na obturação. Além de proporcionar o acesso aos canais a abertura coronária objetiva preparar a câmara pulpar a fim de remover toda a polpa coronária removendo até os divertículos pulpares. A abertura clássica de incisivos superiores preconiza uma abertura por palatina, todavia deve-se levar em conta a cárie dentária e restaurações já existentes, e levando em conta esses fatores pode-se mudar a forma com que se realizará a abertura e o acesso aos canais. Extensas lesões de cáries e lesões não cariosas por vestibular e a integridade da estrutura dentária por palatina determina a realização o acesso por vestibular a fim de manter a estrutura dentária por palatina. Esse acesso é conhecido com abertura ou acesso de Bastien, onde o acesso se dá por cavidades já existentes. (Fernandes et al. 2018).

O acesso endodôntico tradicional é definido pela morfologia da câmara pulpar individual de cada dente o que favorece ao cirurgião-dentista um campo de visão adequado e um preparo biomecânico mais eficiente (Neelakatan et al., 2018). Além disso, o acesso pode ser dividido em quatro etapas, sendo elas, ponto de eleição, direção de trepanação, forma de contorno e forma de conveniência. E, para a realização do acesso convencional, o teto da câmara pulpar deve ser removido por completo, para localizar todas as embocaduras dos canais e fornecer acesso reto e direto ao sistema de canais radiculares (Do Nascimento et al., 2022).

A abertura clássica dos pré-molares inferiores preconiza uma abertura pela oclusal, porém ao levar em conta a presença de cárie dentária e restaurações já existentes, podemos mudar a forma com que se realizará a abertura e o acesso aos canais. Lesões de cáries extensas e lesões não cariosas por vestibular, além da integridade da estrutura dentária determinam a realização do acesso por vestibular a fim de manter a estrutura dentária. Esse acesso é conhecido com abertura ou acesso de Bastien, onde o acesso se dá por cavidades já existentes (Santos et al., 2024).

A técnica de abertura de Bastien mostrou-se eficaz na preservação das estruturas coronárias e no acesso aos canais radiculares. No entanto, é importante considerar suas limitações e desafios, especialmente em casos de anatomia complexa. O sucesso do tratamento endodôntico depende de um diagnóstico preciso, planejamento adequado e execução cuidadosa. A aplicação correta das técnicas e a escolha adequada dos instrumentos são fundamentais para alcançar resultados clínicos satisfatórios e promover a saúde bucal do paciente a longo prazo. (Gonçalves et al. 2024).

CONCLUSÃO

A abertura coronária por vestibular possibilita o acesso direto ao canal radicular. Essa abordagem deve ser indicada e realizada de forma cuidadosa para assim preservar tecido dentário diminuindo o risco de fratura coronária.

REFERÊNCIAS

DO NASCIMENTO, D.M. et al. O impacto do acesso minimamente invasivo para o sucesso do tratamento endodôntico: uma revisão de literatura. Revista Odontólogica Integrativa do Centro Oeste, v. 2, n. 1, p. 90-99, 2022.

GONÇALVES, F. N. R. et al. Tratamento endodôntico de pré-molar inferior com dois condutos e abertura coronária de bastien: um relato de caso clínico. Revista CPAQV – Centro De Pesquisas Avançadas Em Qualidade De Vida, v. 16, n. 1, p. 1- 8, 2024.

JACOMINE, J. C. et al. Abertura de bastien em incisivo central superior: relato de caso. 2014, Anais.. Bauru: Faculdade de Odontologia de Bauru – USP, 2014. . Acesso em: 14 maio 2025

SANTOS, F. M. et al. Abertura coronária pela vestibular: técnica de Bastien – relato de caso clínico. Revista da Reunião Anual de Ciência e Extensão, n. 3, p. 1, 2024.

FERNANDES, K. G. C. et al. Abertura de Bastien em incisivo central superior: relato de caso. Archives of Health Investigation,. v. 7, 2018.

SIQUEIRA, J. F. Jr; RÔÇAS, I. N. Clinical implications and microbiology of bacterial persistence after treatment procedures. J Endod., v. 34, m.11, p. 1291-1301, 2008.


1Universidade de Pernambuco, Brasil
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4148-1288
E-mail: rosana.travassos@upe.br

2Universidade de Pernambuco Brasil
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6356-1639
E-mail: vanessa.lessa@upe.br

3Universidade de Pernambuco, Brasil
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1825-2260
Josue.alves@upe.br

4Universidade de Pernambuco, Brasil
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9425-4068
E-mail: veronica.rodrigues@upe.br

5Universidade de Pernambuco, Brasil
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8563-8999
luciane.araujo@upe.br

6Universidade de Pernambuco, Brasil
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7199-0414
E-mail: priscila.prosini@upe.br

7Universidade de Pernambuco, Brasil
ORCID: https://orcid.org/0009-0003-1922-3140
E-mail: marina.rsoliveira@upe.br

8Universidade de Pernambuco, Brasil
ORCID: https: orcid.org/0000-0003-4486-142X
E-mail: eliana.lyra@upe.br