TECNOLOGIAS E INOVAÇÕES APLICADAS ÀS FASES DE ACABAMENTO EM EDIFÍCIOS DE MÚLTIPLOS PAVIMENTOS

TECHNOLOGIES AND INNOVATIONS APPLIED TO THE FINISHING PHASES IN MULTI-STOREY BUILDINGS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510271001


Ketrin Lorena da Silva Ferreira¹
Orientador: André Lopes Teixeira²


RESUMO 

A presente pesquisa analisa tecnologias e inovações aplicadas às fases de acabamento em edifícios de múltiplos pavimentos, com enfoque no período de 2015 a 2025. A revisão de literatura integrativa identificou quinze estudos relevantes, contemplando desde soluções digitalizadas, como BIM 4D/5D e algoritmos de otimização, até sistemas construtivos industrializados, robótica aplicada a fachadas e materiais inteligentes de revestimento. Os resultados demonstram que a adoção dessas tecnologias proporciona ganhos expressivos em prazo, custo e qualidade, além de contribuir para maior segurança e sustentabilidade nos processos de acabamento. Observou-se que a integração entre gestão digital, industrialização e inovação em materiais impacta diretamente a eficiência e a valorização das edificações, consolidando o acabamento como etapa estratégica no ciclo construtivo. Conclui-se que investir em tecnologias emergentes e consolidar práticas inovadoras é essencial para enfrentar as demandas do setor da construção civil e responder aos desafios da urbanização contemporânea.

Palavras-chave: Construção civil. Acabamento. Inovação. Edifícios de múltiplos pavimentos. Tecnologias digitais.

ABSTRACT

This research analyzes technologies and innovations applied to the finishing phases in multistorey buildings, focusing on the period from 2015 to 2025. The integrative literature review identified fifteen relevant studies, ranging from digitized solutions, such as 4D/5D BIM and optimization algorithms, to industrialized construction systems, robotics applied to facades and intelligent coating materials. The results demonstrate that the adoption of these technologies provides significant gains in time, cost and quality, in addition to contributing to greater safety and sustainability in the finishing processes. It was observed that the integration between digital management, industrialization and innovation in materials directly impacts the efficiency and appreciation of buildings, consolidating finishing as a strategic stage in the construction cycle. It is concluded that investing in emerging technologies and consolidating innovative practices is essential to meet the demands of the civil construction sector and respond to the challenges of contemporary urbanization.

Keywords: Civil construction. Finishing. Innovation. Multi-storey buildings. Digital technologies.

1 INTRODUÇÃO 

O setor da construção civil apresenta constante transformação motivada pelo avanço das tecnologias e pela necessidade de soluções mais eficientes, sustentáveis e seguras. Nas últimas décadas, observa-se uma mudança significativa nos métodos aplicados aos edifícios de múltiplos pavimentos, sobretudo nas fases de acabamento, onde a qualidade e a inovação impactam diretamente no desempenho e na valorização dos empreendimentos. O desenvolvimento de materiais e processos construtivos inovadores evidencia a busca por maior produtividade, redução de custos e menor impacto ambiental, alinhando-se às exigências do mercado contemporâneo (Cecílio et al., 2020).

A literatura aponta que a catalogação e o mapeamento de inovações são etapas fundamentais para compreender como tais transformações se consolidam na prática. Estudos revelam que a incorporação de novas tecnologias não apenas melhora os prazos de execução, mas também redefine o papel do engenheiro civil, exigindo maior interdisciplinaridade e capacidade de gestão de processos complexos (Moura, 2015).

Entre as tendências mais recentes, destacam-se os sistemas modulares aplicados a edifícios de múltiplos pavimentos, que oferecem maior precisão, rapidez de montagem e redução de desperdícios. O uso dessas soluções demonstra potencial significativo para as fases de acabamento, uma vez que permitem padronização e maior controle de qualidade, além de se ajustarem à demanda crescente por edificações sustentáveis e de alta performance (Liew et al., 2025).

No contexto das fases de acabamento, é essencial compreender a diferença entre os métodos convencionais — baseados em práticas manuais, empíricas e dependentes da experiência da mão de obra — e os métodos tecnológicos, que utilizam sistemas industrializados, modelagem digital e automação. Enquanto o método convencional apresenta maior suscetibilidade a erros, desperdícios e variação de qualidade, o método tecnológico promove padronização, rastreabilidade e integração entre as etapas da obra. Essa comparação evidencia a necessidade de modernização do setor e justifica a abordagem desta pesquisa voltada à análise das inovações tecnológicas aplicadas ao acabamento de edifícios de múltiplos pavimentos.

O objetivo geral desta pesquisa é analisar o papel das tecnologias e inovações aplicadas às fases de acabamento em edifícios de múltiplos pavimentos, identificando como essas práticas impactam a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade do setor da construção civil. Os objetivos específicos incluem: (i) mapear as principais tecnologias emergentes aplicadas ao acabamento; (ii) avaliar os benefícios de sua utilização em termos de prazo, custo e qualidade; e (iii) discutir as tendências futuras para a área, relacionando os avanços tecnológicos à demanda do mercado.

Assim, a escolha do tema justifica-se pela relevância crescente das fases de acabamento no ciclo construtivo, as quais são determinantes para a satisfação do cliente e a competitividade das empresas. Em um cenário de aumento da verticalização urbana e de exigências por construções mais sustentáveis e seguras, compreender as inovações disponíveis e suas aplicações no acabamento de edifícios de múltiplos pavimentos torna-se essencial para a prática profissional e para o avanço científico da engenharia civil.

2 METODOLOGIA  

2.1 Tipo de estudo  

A metodologia foi estruturada de modo a refletir os objetivos geral e específicos da pesquisa. O objetivo geral consiste em analisar o papel das tecnologias e inovações aplicadas às fases de acabamento em edifícios de múltiplos pavimentos, investigando seus impactos na eficiência, qualidade e sustentabilidade. Os objetivos específicos orientaram o delineamento metodológico: (i) mapear as principais tecnologias emergentes aplicadas ao acabamento; (ii) comparar as vantagens e limitações entre métodos convencionais e tecnológicos; e (iii) discutir as tendências e perspectivas futuras do setor.

Assim, a metodologia foi desenhada para permitir não apenas a identificação das inovações, mas também a comparação crítica entre abordagens tradicionais e digitais, evidenciando os avanços práticos e teóricos no contexto da engenharia civil contemporânea.

Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, de natureza descritivo-analítica, cujo objetivo é mapear, comparar e sintetizar tecnologias e inovações aplicadas às fases de acabamento em edifícios de múltiplos pavimentos, contemplando publicações em português e inglês no recorte temporal 01 jan. 2015 a 01 de set. 2025.

A revisão seguiu um protocolo previamente delineado (pergunta de pesquisa, termos de busca, critérios de elegibilidade, procedimentos de triagem, extração e síntese), com relato alinhado aos itens essenciais do PRISMA 2020, no que coube ao escopo de revisões de literatura não-metanalíticas.

Consideraram-se como “acabamento” as etapas e sistemas de revestimentos internos e externos, pisos, forros, pintura, impermeabilização, isolamento termoacústico, fachadas e sistemas de fechamento (incluindo soluções a seco, modulares, robotizadas ou digitalmente assistidas) quando aplicáveis a edificações de múltiplos pavimentos (residenciais, comerciais ou de uso misto). O estudo não envolveu seres humanos ou animais, dispensando submissão a comitê de ética. 

2.2 Coleta de dados

A coleta de dados foi realizada por meio de pesquisa sistemática em bases de dados eletrônicas como: Scopus, Web of Science Core Collection, Engineering ScienceDirect/Elsevier, SpringerLink. Para literatura brasileira e ibero-americana: SciELO, Periódicos CAPES, BDTD/CAPES (teses e dissertações) e repositórios institucionais (p.ex., UFRJ, USP, UFMG, UFC).

Para literatura cinzenta e recuperação adicional, utilizou-se Google Scholar (triagem manual da 1ª e 2ª páginas), além de busca reversa (referências citadas) e busca por citações (quem citou) nos estudos elegíveis. Após as buscas ocorreram a exportação dos resultados em formato RIS/BibTeX para gerenciamento e remoção de duplicatas no Zotero e triagem assistida no Rayyan.

Estratégia de busca e descritores: Empregaram-se combinações booleanas, truncamentos e operadores de proximidade (quando suportados), nos idiomas português e inglês, restringindo por período (2015–2025) e idioma (PT/EN). Exemplos (ajustados por base):

  • PT: (“acabamento” OR “revestimento*” OR “pintura” OR “impermeabiliza*” OR “drywall” OR “forro” OR “piso*” OR “fachada” OR “revestimento cerâmico” OR “argamass*”) AND (“edifício* alto*” OR “edifício* de múltiplos pavimentos” OR “prédio* de múltiplos andares”) AND (“inovaç*” OR “tecnolog*” OR “BIM” OR “robótic*” OR “industrializa*” OR “modular” OR “off-site”).
  • EN: (“finishing” OR “architectural finishes” OR “fit-out” OR “drywall” OR “plasterboard” OR “cladding” OR “façade” OR “curtain wall” OR “coating*” OR “flooring” OR “tiling” OR “painting” OR “waterproofing” OR “insulation”) AND (“high-rise” OR “tall building*” OR “multi-stor* building*” OR “multi-family”) AND (“innovation*” OR “technolog*” OR “BIM” OR “robot*” OR “prefabrication” OR “modular” OR “off-site”)

Quando disponível, aplicou-se operador de proximidade (p.ex., finishing NEAR/3 (innovation OR technology)), filtros por área (Engineering/Civil/Construction) e por tipo de documento (artigos revisados por pares, capítulos, anais com revisão, teses/dissertações).

2.3 Critérios de elegibilidade

Inclusão: (i) estudos em PT/EN; (ii) 2015–2025; (iii) foco em tecnologias/processos/materiais inovadores aplicados às fases de acabamento de edifícios de múltiplos pavimentos; (iv) artigos de periódicos, capítulos, anais com revisão, teses/dissertações e relatórios técnicos institucionais; (v) acesso ao texto completo. Exclusão: (i) estudos exclusivamente estruturais ou de fundações sem interface com acabamento; (ii) edificações de um único pavimento, casas unifamiliares ou infraestrutura; (iii) documentos sem revisão mínima ou opinativos; (iv) fora do recorte temporal/idioma; (v) patentes e normas sem discussão técnico-analítica; (vi) duplicatas; (vii) indisponibilidade do texto integral após tentativas razoáveis.

Extração e organização dos dados: Foi elaborado um formulário padronizado (planilha) contendo: identificação (autores, ano, país, fonte), tipo de estudo e contexto da obra, tecnologia/inovação avaliada (p.ex., drywall/forros modulares; revestimentos inteligentes; sistemas de pintura robotizada; BIM/AR/VR para inspeção de qualidade; soluções de fachada/cladding; impermeabilização e coatings funcionais), fase de acabamento envolvida, métricas de desempenho (prazo, custo, retrabalho, qualidade superficial, segurança, sustentabilidade/pegada de carbono, ruído/poeira), instrumentos digitais (BIM, scanners, IA, robôs, sensores), resultados principais, limitações e recomendações. Os dados foram extraídos por um revisor e conferidos por um segundo, com resolução de dúvidas por consenso.

2.4 Síntese dos dados

Além da organização por categorias temáticas, procedeu-se também a uma comparação direta entre o método convencional e o método tecnológico aplicado às fases de acabamento. Essa comparação permitiu identificar diferenças em termos de custo, tempo de execução, qualidade final e segurança. Observou-se que os métodos convencionais mantêm relevância em pequenas obras pela simplicidade e menor custo inicial, mas apresentam baixa precisão e maior dependência de mão de obra intensiva. Já os métodos tecnológicos, embora demandem investimento inicial superior, proporcionam ganhos substanciais de produtividade, redução de retrabalho, sustentabilidade e integração entre etapas.

Adotou-se síntese narrativa temática, agrupando evidências por categorias de acabamento (interno, externo/fachadas, coatings/impermeabilização, pisos/forros) e por vetor de inovação (digital/BIM-XR, industrialização/modularidade/off-site, automação/robótica, novos materiais/coatings inteligentes). Quando possível, calculou-se a frequência de adoção por categoria e o efeito qualitativo em prazo, custo, qualidade e segurança. Resultados quantitativos heterogêneos impossibilitaram metanálise, optando-se por quadros comparativos e discussão crítica (apresentados nas seções de Resultados e Discussão).

Figura 1 – Fluxograma das Etapas de Busca da Pesquisa.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO  

A análise dos estudos permitiu observar que o avanço das tecnologias nas fases de acabamento consolida uma ruptura com os métodos convencionais, especialmente nas áreas de controle de qualidade, planejamento e execução. Enquanto o modelo tradicional se baseia em cronogramas fixos e execução manual, o modelo tecnológico integra planejamento digital (BIM 4D/5D), modularização e automação, otimizando prazos e reduzindo variabilidade.

Através da tabela um é possível verificar a sinterização dos estudos e cada resultado e recomendações.

Tabela 1 – Sintetização dos principais Estudos.

AutoresAnoTítulo resumidoTipo de estudoMétricas avaliadasPrincipais resultadosRecomendações
Cecílio et al.2020Inovações tecnológicas na construção civilArtigo (revisão narrativa)Produtividade, custo, retrabalho, qualidade percebidaAdoção coordenada de BIM e padronização reduz retrabalho e prazos nas etapas finaisAmpliar capacitação em BIM e padronizar procedimentos de acabamento
Moura2015Catalogação de inovações na construção civilDissertação (mapeamento)Tempo de execução, retrabalho, custoPadronização e catálogos facilitam a adoção de tecnologias de acabamentoCriar bases institucionais de lições aprendidas
Liew et al.2025Sistemas modulares para edifícios altosArtigo (estudo técnico)Prazos, custo total, qualidade superficial, interfacesOff-site padroniza acabamento e acelera cronograma com menor retrabalhoPlanejamento integrado e contratos colaborativos
Wang et al.2025Otimização de prazos com plataforma s integradasArtigo (modelagem/ algoritmos)Duração, conflito de equipes, custo indiretoRedução de conflitos e duração do pacote de acabamentosIntegrar dados reais de campo para calibrar modelos
Fakhari et al.2023Comparação de tecnologia s para edifícios altosArtigo (comparativo)Custo, prazo, qualidade, riscoSeleção de tecnologia depende de contexto local e supply chainMatriz de decisão com pesos por projeto
Xue et al.2022Medição de progresso via detecção + BIMArtigo (método aplicado)Acurácia de progresso, tempo de inspeçãoAcurácia elevada e inspeção mais rápida para acabamentosTreinar modelos com dados locais
Gaidukov et al.2018Aspectos do lift-slab em edifícios altosAnais (técnico)Prazos e interferências entre equipesSequenciamento reduz conflitos nas fases finaisIntegração precoce de trade contractors
Park et al.2018Ajuste do cronograma de acabamentoAnais (método)Conflitos, lead time, tempo ociosoMelhor nivelamento de equipes e redução de tempos ociososPadronizar pacotes de acabamento por zona
Fonte: A autora (2025).

O recorte temporal (2015–2025) permite observar a curva de maturação das inovações do acabamento em edifícios de múltiplos pavimentos, desde a consolidação do BIM 4D/5D, da industrialização off-site e de materiais a seco até a introdução recente de aplicações robóticas e visão computacional para inspeção e controle. Estudos mais antigos do período tendem a apresentar panoramas e propostas conceituais, enquanto os mais recentes trazem validações em campo e integrações com algoritmos de otimização, refletindo o avanço das cadeias de suprimento, da padronização e da digitalização dos canteiros.

Além disso, a leitura por ano ajuda a relacionar ondas tecnológicas a fatores externos:

pressões por produtividade e segurança pós-2015, aceleração da transformação digital na construção durante e após a pandemia, e a intensificação de políticas ESG influenciando escolhas de materiais e processos. Assim, a coluna “Ano” não é meramente cronológica; ela contextualiza em que estágio cada tecnologia se encontrava, distinguindo propostas embrionárias de soluções com uso comercial disseminado.

3.1 Tecnologia/Inovação

Esta coluna descreve o núcleo de inovação avaliado: de soluções off-site e modulares que já integram o acabamento nos módulos, a BIM-driven planning com simulação 4D/5D, automação/robótica para tarefas repetitivas e arriscadas (pintura de fachadas), visão computacional para inspeção e medição de progresso, e novos materiais/coatings com propriedades funcionais. Cada entrada aponta como a tecnologia impacta diretamente o “fitout” e as interfaces entre disciplinas.

Também se destacam inovações organizacionais (matrizes de decisão, nivelamento fino de frentes, catálogos setoriais, checklists digitais), que, apesar de menos “glamourosas” que robôs e sensores, costumam gerar ganhos imediatos em prazo, custo e retrabalho. A coluna, portanto, contempla tanto hard tech quanto soft tech aplicadas ao acabamento.

3.2 Fase de acabamento

Indicou-se as fase(s) de acabamento diretamente afetada(s): revestimentos (internos/externos), pisos/forros, pintura, impermeabilização/coatings, fachadas/claddings e inspeção/QA das etapas finais. Ao mapear onde a inovação “toca” a obra, fica mais claro o encadeamento das equipes e as interfaces críticas (ex.: sequenciar pintura após selagens e antes de instalação de portas/rodapés, coordenar drywall com instalações, gerir tolerâncias para fachadas).

Essa explicitação permite usar a tabela como uma matriz de planejamento: ao selecionar uma tecnologia, identifica-se imediatamente em qual pacote ela atua e quais pacotes adjacentes precisam ser replanejados. Na prática, isso ajuda a reduzir interferências, tempos ociosos e retrabalho no ciclo de acabamento.

3.3 Instrumentos digitais

Os instrumentos listados abrangem BIM (4D/5D), simulação/otimização (p. ex., algoritmos genéticos), visão computacional e sensoriamento acoplados ao modelo, além de sistemas de controle/planejamento e checklists digitais. Eles são o “tecido conectivo” que integra projeto, fornecimento, execução e inspeção de qualidade no acabamento.

A presença (ou ausência) de ferramentas digitais indica o nível de integração de dados e traçabilidade do processo. Estudos que combinam BIM, planejamento e captura de dados de campo tendem a reportar reduções em conflitos entre frentes e aceleração de prazos, ao passo que investigações sem instrumentação digital frequentemente se apoiam em evidências qualitativas ou descritivas.

3.4 Métricas avaliadas

Padronizou-se as métricas para comparar estudos heterogêneos: prazo (duração do pacote de acabamento), custo (direto/indireto), retrabalho e qualidade superficial/funcional, segurança (exposição a riscos), e, quando disponível, indicadores de sustentabilidade (resíduos, pegada). Essa coluna torna transparente como cada tecnologia foi julgada.

Em engenharia aplicada, muitas métricas vêm de estudos de caso e implantações piloto; por isso, explicitamos quando a mensuração é qualitativa ou quando há acurácia e tempos de inspeção (casos de visão computacional). A comparabilidade melhora, mas continua exigindo leitura crítica das condições de cada obra.

3.5 Principais resultados

Sumarizou-se o efeito observado da inovação. Em geral, industrialização/modularização e planejamento digital trazem redução de prazos e retrabalho, melhora de qualidade e coordenação entre frentes. Robótica tende a impactar segurança e padronização de aplicação, enquanto coatings funcionais e fachadas avançadas se destacam pela durabilidade e desempenho ao longo do ciclo de vida.

Essa coluna leu os estudos com foco em acabamento; resultados que eram originalmente amplos foram filtrados para inferir implicações na etapa final. Ao comparar linhas, você visualiza rapidamente quais tecnologias geram ganhos em quais dimensões e em que maturidade elas se encontram.

3.6 Limitações

Indicou-se limitações típicas: amostras pequenas, validação em um único caso, dados heterogêneos, foco conceitual sem mensuração de campo e, em soluções emergentes, provas de conceito ainda sem robustez operacional. Esse quadro ajuda a calibrar expectativa e a evitar extrapolações indevidas entre contextos.

Ao planejar adoção, use esta coluna como alerta: tecnologias com TRL baixo exigem pilotos e gestão de riscos; já estudos descritivos pedem medições locais antes de definir metas de prazo/custo. Transparência sobre limitações reduz viés de confirmação na tomada de decisão.

3.7 TRL (estimado)

O Technology Readiness Level foi estimado com base no tipo de evidência reportada:

conceitos e propostas (TRL 2–3), protótipos e provas de conceito (4–5), demonstrações em ambiente relevante (6–7) e soluções já industriais (8–9). Essa leitura permite priorizar tecnologias conforme maturidade e urgência do projeto.

Para acabamentos, PPVC/off-site e BIM 4D/5D costumam aparecer em níveis altos (8– 9), enquanto robótica de fachada e computação em materiais permanecem em estágios anteriores. A coluna ajuda a balancear portfólio de inovação entre ganhos rápidos e apostas estratégicas.

Assim, foi utilizado setas e qualificadores para tornar a leitura executiva: reduções de prazo/custo, ganhos de qualidade e efeitos em segurança. A síntese reconhece que certos ganhos (ex.: padrão de qualidade) podem vir com custo inicial maior e retorno ao longo do ciclo (coatings funcionais; fachadas de alto desempenho).

Essa coluna facilita trade-offs: por exemplo, modularização e planejamento digital geralmente encurtam prazos e reduzem retrabalho, enquanto materiais avançados podem elevar custo inicial, mas reduzir manutenção. Assim, a análise apoia decisões orientadas a prazo de obra vs. custo de ciclo de vida.

Quanto a sustentabilidade, foi interpretada de forma operacional: redução de desperdícios, retrabalho, emissões associadas a transporte e canteiro, e durabilidade (menos trocas/manutenções). Tecnologias off-site e BIM costumam reduzir perdas, e coatings/fachadas de alto desempenho impactam longevidade e eficiência energética.

Como parte dos estudos não mede LCA completo, a coluna traz uma leitura qualitativa.

Para estudos futuros, recomenda-se padronizar indicadores (kg de resíduos/m², CO₂e por pacote, taxa de retrabalho) para comparar tecnologias de acabamento com maior rigor.

Com isso, consolidou-se recomendações práticas: capacitação em BIM e gestão de frentes; contratos colaborativos para modularização; pilotos controlados para robótica e visão computacional; e matrizes de decisão sensíveis a contexto (fornecedores, transporte, guindastes, clima). Para materiais/coatings, sugerem-se ensaios in situ e avaliação de custo do ciclo de vida.

Essas recomendações convertem evidências em passos acionáveis. Elas ajudam a planejar provas de conceito, ajustar cronogramas, definir KPIs e mitigar riscos de implantação no pacote de acabamento.

Diante a aplicabilidade em edifícios de múltiplos pavimentos, a coluna sintetiza a aderência de cada tecnologia ao alto gabarito: soluções modulares e de planejamento digital mostram aplicabilidade muito alta; inspeções com visão computacional são altamente transferíveis; já propostas conceituais (edifícios que “computam”) têm baixo uso imediato.

Esse campo serve de filtro rápido para seleção por projeto: para prazos apertados e fachadas complexas, priorize PPVC/off-site, BIM 4D/5D e coatings/fachadas de alto desempenho; para metas de segurança, avalie robotização de pintura/limpeza; para inovação estratégica, considere pilotos de CV/IA em inspeções de acabamento.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS  

A comparação entre o método convencional e o tecnológico demonstra que a modernização do acabamento em edifícios de múltiplos pavimentos representa não apenas um avanço operacional, mas uma mudança de paradigma no modo de construir. O método convencional, ainda amplamente adotado no Brasil, tende a ser substituído gradualmente por soluções integradas e digitalizadas, alinhadas aos princípios da Indústria 4.0 e da sustentabilidade.

A análise realizada evidencia que as tecnologias e inovações aplicadas às fases de acabamento em edifícios de múltiplos pavimentos estão em franca expansão e diversificação. Observa-se que, ao longo dos últimos dez anos, houve uma transição significativa de práticas tradicionais para soluções industrializadas, digitais e automatizadas, o que contribui diretamente para a melhoria da qualidade final das construções, redução de prazos e otimização de custos. O uso de ferramentas como o BIM, a aplicação de algoritmos para planejamento, o emprego de materiais inteligentes e a robotização de tarefas críticas confirmam a relevância do investimento em inovação como diferencial competitivo para o setor.

Outro aspecto importante identificado refere-se ao papel estratégico do acabamento dentro do ciclo construtivo. Mais do que conferir estética e funcionalidade, o acabamento representa a etapa em que os avanços tecnológicos se tornam mais visíveis para o usuário final, influenciando diretamente na percepção de qualidade, segurança e sustentabilidade. Nesse sentido, a integração entre novas técnicas construtivas, sistemas digitais e processos de gestão se mostra fundamental para atender às exigências contemporâneas do mercado, destacando-se como caminho indispensável para o fortalecimento da engenharia civil e a consolidação de práticas construtivas mais eficientes e alinhadas com os desafios urbanos atuais.

REFERÊNCIAS 

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¹Graduanda do Curso de Bacharelado em Engenharia Civil da Universidade Nilton Lins. E-mail: Ketrin.ferreira@hotmail.com.
²Professor Orientador do Curso de Bacharelado em Engenharia Civil da Universidade Nilton Lins.