REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202509161306
Laís Gomes Fonseca Oliveira1
Orientador: Obertal da Silva Almeida2
RESUMO:
A busca por uma estética corporal, constantemente influenciada pelos meios midiáticos, têm levado esportistas a praticarem atividades físicas aliadas ao consumo de suplementos alimentares/nutricionais, cujo principal objetivo é o bem estar e a hipertrofia. Nesse sentido, atletas, na busca rápida por seus objetivos e desempenhos físicos, têm feito uso de suplementos, muitas vezes, sem uma orientação de um nutricionista. Para tanto, com base numa revisão bibliográfica, o presente artigo está pautado em investigar quais os suplementos têm uma maior prevalência entre os praticantes de atividades físicas, traçando os objetivos para a utilização de suplementos alimentares, bem como analisar por quais razões esses os suplementos são os mais utilizados por parte desse público. De fato, tal uso tem fins estéticos e, devido a isso, o consumo desses recursos nutricionais, em sua maioria, suplementos proteicos, tem sido de forma abusiva e sem uma devida orientação médica, o que pode ocasionar um risco à saúde desses atletas.
Palavras-chave: Atividades físicas; Mídia; Prevalência; Suplementos nutricionais.
ABSTRACT: A search for body aesthetics, influenced by the media, leads sports practitioners to practice allied physical activities and consumption of food / nutritional supplements, whose main objective is well-being and hypertrophy. In this sense, athletes, in the rapid search for their medical goals and performance, often use supplements without guidance from a nutritionist. For this purpose, based on a bibliographic review, this article investigates which are the most common supplements among physical activity practitioners, outlining the objectives for the use of dietary supplements, as well as analyzing why reasonably these supplements are the most used by that audience. In fact, this use has aesthetic purposes and, due to this, either the consumption of these nutritional resources, mostly protection supplements, has been abusive and without medical guidance, or may cause a risk to the health of these patients.
Keywords: Physical activities; Media; Prevalence; Nutritional supplements.
1. INTRODUÇÃO:
A alimentação é muito importante em todas as fases da vida. No que se refere à prática desportiva, a nutrição é uma importante ferramenta e, quando bem orientada, promove a manutenção da saúde do atleta e favorece o funcionamento das vias metabólicas associadas ao exercício físico, como por exemplo, o armazenamento de energia através da formação do glicogênio muscular (PEREIRA; CABRAL, 2007).
A procura por um melhor condicionamento físico e para manter a saúde tem levado muitas pessoas à prática de várias modalidades de exercícios físicos em academias e algumas vezes a procura de meios rápidos para alcançar seus objetivos (ROCHA & PEREIRA, 1998). Visto que, o ambiente das academias favorece a disseminação de padrões estéticos estereotipados, como o corpo magro, com baixa quantidade de gordura ou com elevado volume e hipertrofia muscular (HIRSCHBRUCH; FISBERG; MOCHIZUKI, 2008).
No mundo dos esportes e das academias o uso de suplementos alimentares é uma prática bastante difundida, já que a maioria dos praticantes de exercícios físicos acreditam que, para obter melhores resultados, estéticos e de perfomace, é necessário e essencial à utilização de suplementos alimentares. No entanto, o excesso de determinados compostos alimentares, pode sobrecarregar o organismo, prejudicando-o, ao passo que outros, na verdade, nada mais exercem do que um efeito placebo (KNIBEL, 2010).
Os estudos sugerem que a internet, membros da família, amigos, médicos ou farmacêuticos podem influenciar na escolha dos suplementos para atletas do sexo feminino; nutricionistas, amigos ou treinadores influenciam nas decisões de atletas do sexo masculino (NEIPER et al., 2005). A maioria dos suplementos não promove qualquer melhora no desempenho e, além disso, podem ser prejudiciais tanto para o desempenho como para a saúde se utilizados em longo prazo. Eles podem conter elevadas doses de substâncias tóxicas ou não aprovadas pelo National Football Leaghe (NFL) (MAUGHAN, 2005).
Uma alimentação saudável e balanceada atende às necessidades nutricionais da maior parte das pessoas fisicamente ativas. Em casos específicos como atletas de alto nível ou pessoas com cotidiano estressante e corrido, sem tempo para realizar uma alimentação correta ao longo do dia, necessitam de suplementos alimentares (KNIBEL, 2010).
Portanto, independentemente das razões para o uso dos suplementos, o nutricionista esportivo deve saber como avaliar a literatura científica de artigos e propagandas sobre exercício e produtos de nutrição e, a partir disso, aconselhar sobre a efetividade dos produtos nutricionais voltados para o esporte (KRAUSE, 2010).
2. MATERIAIS E MÉTODOS
Este estudo constitui uma revisão bibliográfica de caráter analítico a respeito do uso de suplementos alimentares e/ou nutricionais por praticantes de atividades físicas. A coleta de dados foi realizada no período de 05 a 20 Dezembro de 2019. Outrossim, serão consultadas as bases de dados de revistas voltadas para a área da saúde, no mês de Julho de 2016, utilizando as seguintes plataformas: LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde), PUBMED/MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), SCIELO (Scientific Electronic Library Online), além de teses, livros e publicações científicas nacionais dos últimos 12 anos, por se tratarem de importantes conceitos na definição da fundamentação teórica.
Os descritores utilizados na busca serão: “academias de ginástica/academias esportivas”, “treinamento de resistência” e “suplementos alimentares/suplementos dietéticos”. Os critérios de exclusão do levantamento foram pesquisas qualitativas que abordavam a frequência de consumo de um suplemento específico, artigos que não abordavam o uso de suplementos em praticantes de atividade física e frequentadores, estudos relacionados a animais e o uso relacionado a patologias.
Após a seleção dos artigos, conforme os critérios de inclusão previamente definidos, mais precisamente, três artigos de revisão, entre eles: Consumo de suplementos alimentares por praticantes de atividade física em academias de ginástica: um artigo de revisão; Uso de suplementos alimentares por praticantes de atividade física em academias de ginástica; Efeitos da suplementação nutricional sobre a composição corporal e o desempenho de atletas: uma revisão. Para tanto, os seguintes passos: leitura exploratória; leitura seletiva, leitura analítica e escolha do material que se adequam aos objetivos e tema deste estudo; leitura analítica e análise dos textos, finalizando com a realização de leitura interpretativa e redação.
O estudo que será realizado abrange uma revisão integrativa, que estabelece a análise de pesquisas e possibilita a síntese de conhecimento sobre determinados temas. Através disso, permite-se uma discussão sobre métodos e resultados de pesquisas, promovendo um entendimento sobre determinado fenômeno. (MENDES, SILVEIRA et al. 2008).
3. O CONSUMO DE SUPLEMENTOS ALIMENTARES
Caso se tome como foco a necessidade de ingestão de nutrientes aliada a questão do consumo de suplementos por praticantes de atividades físicas, observa-se que vários estudiosos do campo nutricional têm se debruçado sobre pesquisas que elucidam o quanto a prática do uso de suplementos tem se tornado comum entre aqueles que almejam conseguir um corpo idealizado e popularizado pela mídia, isto é, magro ou musculoso, sem gorduras corporais e que também proporcione bem estar.
De fato, o exercício físico é uma opção encontrada pelos praticantes de atividades física em academias, cujo objetivo está para além da busca por uma saúde física e bem estar, apenas, mas, sobretudo, deseja-se alcançar de um corpo definido e ideal, conforme os parâmetros incentivados pelos meios midiáticos.
Em O uso de suplementos alimentares por praticantes de atividade física em academias de ginástica, por exemplo, os autores elucidam que a mídia tem um papel importante no que tange a sua influência sobre os frequentadores de academias. Diante dessa perspectiva, uma pesquisa levantada pelo mesmo artigo, aponta que grande parte dos frequentadores de academias estão em busca pela qualidade de vida em primeiro lugar, seguido da estética corporal, hipertrofia e resistência física e força.
Para tanto, muitos desses atletas, ao procurar a melhora do desempenho esportivo, condição física geral e hipertrofia, acreditam ter nos suplementos uma alternativa de alcançarem os seus objetivos de uma maneira mais rápida. Assim, muitos frequentadores de academias, além de, muitas vezes, fazerem mau uso de determinados suplementos alimentares, ainda aconselham outros praticantes de atividades físicas a utilizar o mesmo produto que, muitas vezes, são constituídos a base de vitaminas, minerais, extratos, aminoácidos, metabólicos ou combinações destes (NOGUEIRA, SOUZA et al. 2013). .
Desse modo, seguindo essa linha de raciocínio, alguns autores, como Costill e Burke1 defendem a utilização de suplementos, apenas em casos específicos, ou seja, quando “as altas demandas energéticas não são [grifo nosso] supridas apenas pela alimentação, necessitando do complemento da ingestão.”
Complementando e corroborando os autores supracitados, o consumo de suplementos torna-se um problema quando há uso indevido e sem uma prescrição médica. Desse modo, isso leva muitos praticantes de educação física a fazer um uso abusivo e de maneira equivocada, uma vez que, muitos desses praticantes, ingerem suplementos indicados por amigos de academia. Diante desse aspecto, salienta-se que esse hábito pode causar riscos à saúde dos indivíduos, sendo que cada um reage de uma maneira específica, seja por meio de questões de treinamentos físicos, visto que cada um obedece a um ritmo diferente, ou pela reação fisiológica ao ingerir determinados tipos de suplementos, podendo, dessa maneira, causar efeitos indesejáveis. Por isso, é de suma importância que se conheça a legislação vigente, acerca desses produtos nutricionais, uma vez que há no mercado uma quantidade expressiva destes produtos, dificultando, desse modo, o entendimento e conhecimento adequado sobre os reais benefícios e produtos mais indicados para uso em situações específicas (Júnior, 2012; Goston e Correa, 2009).
Além disso, em conformidade com os mesmo autores supracitados, a prescrição de suplementos pelo nutricionista deve ser pautada na avaliação do estado nutricional, do plano alimentar do atleta, adequando o consumo alimentar e definindo claramente o período da utilização do suplemento.
De acordo alguns dados coletados e apresentados no referido artigo, essa necessidade que muitos frequentadores de academias têm em fazer uso de suplemento alimentares de maneira indiscriminada, deve-se ao fato de conseguir melhores desempenhos e, consequentemente, conquistar o corpo idealizado de forma mais rápida – haja vista o culto ao corpo definido, musculoso que a mídia tanto tem popularizado. No entanto, tais suplementos poderiam ser encontrados em uma alimentação adequada e balanceada, assim como sugere Monteiro(28) que, em outras palavras, aconselha que uma alimentação adequada está associada a melhora do rendimento e retardação do processo de fadiga.
Salienta-se, então, que uma alimentação adequada está para além de alimentar-se em grande quantidade, ou nutrir-se, apenas, de alguns, mas conforme os nutrientes necessários a cada indivíduo. Daí então a necessidade de se consultar um profissional da saúde, mais especificamente, um médico/nutricionista, haja vista a sua habilitação para indicar não apenas uma dieta alimentar equilibrada, como também a utilização de suplementos alimentares, quando necessário.
3.1 A prevalência do consumo de suplementos alimentares por praticantes de atividade física em academia
Embora o consumo de suplementos alimentares e/ou nutricionais tenham aumentado no decorrer dos anos, haja vista a crescente busca dos praticantes de educação física pelo bem estar e estético do corpo, nota-se que que grande parte desse atletas fazem uso de determinados suplementos sob orientações de colegas de academias, isto é, sem o devido acompanhamento profissional. De certo modo, essa afirmação colabora para que alguns suplementos tenham uma maior prevalência em detrimentos ao consumo de outros suplementos. Para tanto, faz-se mister que se explane, a priori, acerca de alguns suplementos nutricionais, bem como suas funções orgânicas e, somente após disso, demonstrar, por meio de alguns dados coletados pelos referenciais teóricos cotejados por esse trabalho de revisão, quais os suplementos são mais consumidos pelos praticantes de atividades física e o porquê dessa escolha.
Os três referenciais teóricos que serviram de embasamento para esse trabalho estão de acordo quanto ao uso abusivo e indevido de suplementos pelos atletas. No entanto é preciso considerar que apenas em uma das pesquisas, a saber, Efeitos da suplementação nutricional sobre a composição corporal e o desempenho de atletas: uma revisão há um estudo mais aprofundado acerca de uma variedade de suplementos nutricionais consumidos por indivíduos em academias, tais como: suplementos derivados de carboidratos, uma vez que eles são fortes produtores de proteínas (Katch e Mcardle, citado por Santos 2011).
Já em relação aos suplementos derivados de proteínas, tais quais, Aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA), Arginina, Creatina, entre outros, os autores BECKER et al asseveram que tais suplementos proteicos são vistos como importantes estratégias para aumentar a resposta de resistência no exercício e para hipertrofia muscular, sendo que as proteínas do soro podem estar associadas ou não à ingestão de carboidratos. Porém, ressalta-se que tais nutrientes presentes nos suplementos proteicos podem ser facilmente encontrados em determinados alimentos, como derivados de leite, ovos, frango, entre outros. Assim, os desportistas evitariam o uso abusivo de proteínas em suplementos, uma vez que estes são apenas complementos do que a alimentação não consegue suprir. Nutricionistas, por exemplo, alertam para o cuidado do consumo excessivo de proteínas, pois elas também junto podem vir uma dose gigante de gordura saturada e colesterol.
Em virtude do que foi apresentado acerca dos tipos de suplementos mais utilizados, cabe, então, demonstrar, por meio de uma tabela apresentada na referente pesquisa, a correlação entre o consumo desses suplementos e das atividades que devem ser feitas pelos atletas, uma vez que é de extrema importância que o atleta obedeça o seu condicionamento físico e alimentar, adequando-os à prática esportiva e ao consumo dos suplementos indicados pelo nutricionista
Tabela 1 – Resumo dos efeitos dos suplementos estudados.

Como pode ser observado na tabela acima, é a partir de um bom acompanhamento profissional, que o uso de suplementos, aliado aos exercícios físicos pode trazer resultados positivos para os praticantes de atividades físicas. BECKER et al cita por último os suplementos derivados de Lipídios que, segundo os mesmo autores. Porém o referido artigo não cita quais são os nutrientes que mais prevalecem entre os frequentadores de academias.
De acordo os pressupostos teóricos que serviram de embasamento para este trabalho, observou-se que grande parte dos suplementos escolhidos pelos atletas são aqueles que como diante dessa linha de raciocínio, é possível identificar, na tabela a seguir, que há uma prevalência de determinados suplementos alimentares por praticantes de exercícios físicos:
Tabela 2 – Características dos estudos e prevalência do uso de suplementos alimentares em academias.


Com base na tabela e nas análises apresentadas pela pesquisa, Consumo de suplementos alimentares por praticantes de atividade física em academias de ginástica: um artigo de revisão, constatou-se que a prevalência de consumo de suplementos foi superior a 50%(7,18,20,23,24). Porém, nos outros dados levantados pela pesquisa, observou-se que o consumo de suplementos apresenta uma porcentagem abaixo de 40%(13-16,18,20-22,25).
É preciso salientar, entretanto, que a referida pesquisa, embora cite em seus dados a utilização de suplementos por faixa etária e sexo – fatores importantes para se compreender a prevalência -, ela não traz à baila discussões acerca do consumo de suplementos por esse grupo de pessoas. Entretanto, o estudo concede uma maior ênfase para as questões sobre quais localidades há um maior consumo de complementos alimentares, bem como quais os tipos de suplementos alimentares são mais utilizados pelos praticantes de atividades físicas e em quais.
Segundo os autores da referida pesquisa, as cidades com os maiores números de consumidores de suplementos alimentares foram identificadas em Vitória (70%), no estado do Espírito Santo e em São Paulo (61%), sendo proteicos os produtos mais consumidos, assim como pode observar na tabela em anexo no final desta pesquisa. Nesse sentido, nota-se, a partir dos dados coletados pelo supracitado artigo que, no Brasil, essa prevalência de consumo de suplementos é maior na região sudeste do que nas demais localidades. A pesquisa, porém, não aponta o porquê da prevalência nessas localidades, isto é, se esta prevalência se deve ao fato de nessas regiões há uma maior disseminação de informações acerca dos vários tipos de suplementos, ou se há o número de praticantes de educação física é proporcional ao índice populacional. Contudo, os autores asseveram, em outras palavras, que o maior motivo para o uso de suplementos em todas as localidades citadas na pesquisa está vinculado a fins estéticos.
De fato ainda há uma enorme crença de que o uso de suplementos, mesmo sem uma prévia indicação de um profissional, levaria o indivíduo a atingir um melhor desempenho na prática de atividades física e estética. No entanto, tal afirmação pode ser passível de críticas, uma vez que não há estudos que comprovem a eficácia do uso abusivo dos suplementos, principalmente quando tal consumo não seja prescrito por algum profissional da saúde, mais especificamente, de um nutricionista.
3.2 Suplementos alimentares e atividades física: estratégias para um corpo ideal
No artigo Efeitos da suplementação nutricional sobre a composição corporal e o desempenho de atletas: uma revisão os autores se propõem a investigar quais são as melhores estratégias de prescrição de suplementação nutricional para atletas, assim como afirmam:
A prescrição de suplementos pelo nutricionista deve ser pautada na avaliação do estado nutricional, do plano alimentar do atleta, adequando o consumo alimentar e definindo claramente o período da utilização do suplemento. (BECKER et al)
Diante desse excerto, é importante ressaltar, de antemão, que o uso de suplementos não é proibido para aqueles que desejam alcançar seus objetivos físicos, uma vez que as altas demandas energéticas não serão supridas apenas pela alimentação, necessitando do complemento da ingestão por meio do uso de suplementos nutricionais (Costill e Burke apud Goston e Correa, 2009). O problema que se formula neste trabalho é basicamente a utilização desses suplementos de maneira abusiva pelos atletas e/ou sem uma devida prescrição médica.
Em outra tabela apresentada pelo mesmo artigo, há outros dados importantes que devem ser mostrados neste trabalho, uma vez que se trata de quais os suplementos são mais consumidos pelos atletas.
Tabela 3 – Prevalência do consumo dos suplementos mais utilizados em academias.


Ao analisar tabela 2, observa-se que estão apontados os dados acerca da prevalência do uso de suplementos pelos frequentadores das academias. Diante dessa análise, nota-se que há um expressivo uso de suplementos nutricionais, entre eles estão os Termogênicos, os quais estão relacionados à queima de calorias; os isotônicos que são utilizados para hidratação e reposição de eletrólitos perdidos em uma prática de atividade física muito intensa; os Polivitamínicos que está, por sua vez, relacionados à nutrição do organismo; por fim, os nutrientes proteicos, os quais foram mais citados entre os participantes da pesquisa e, devido a isso, tratar-se-á de uma maneira mais detalhado neste trabalho.
Em se tratando dos suplementos nutricionais à base de proteínas, salienta-se que é um tipo de complemento alimentar que além de contribuir para o aumento de massa muscular, também funciona como combustível energético. Daí então, a importância de se consultar um nutricionista, visto que muitos praticantes de atividades físicas consomem o produto com o objetivo de aumento de massa magra, no entanto, produz outros efeitos. Além disso, de acordo o artigo supracitado, há controvérsias acerca da eficácia desses suplementos proteicos, assim como afirmam os autores:
Vários autores propõem que o consumo de proteínas diário deve estar em torno de 15% do Valor Energético Total (VET) e que este valor é suficiente para atender a demanda energética proveniente de proteínas mesmo para indivíduos atletas e desportistas. No entanto, sua utilização é realizada de forma abusiva pois esta população é comumente convencida de que a proteína adicional na dieta pode melhorar significativamente seu desempenho (BECKER et al).
Desse modo, estudos mais antigos e recentes ressaltam que quando se fala a respeito dos músculos associamos à ideia das proteínas. Pois, excetuando-se a água, as proteínas são os principais constituintes das fibras musculares. Portanto, é natural querer utilizar proteínas quando se deseja aumentar a massa muscular. Mas as proteínas não servem somente como matéria-prima para os músculos: elas são também poderosos estimuladores da síntese de proteínas musculares (anabolismo) (CAYOL, 1997).
Complementando e corroborando os referidos autores, a desinformação acerca desses nutrientes e o uso abusivo ainda continuam sendo um dos grandes problemas para a saúde dos frequentadores de academias. Além disso, outro problema que deve ser apontado, acerca desse quesito, é a substituição de uma alimentação adequada por tais suplementos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Embora o principal objetivo do uso de suplementos, prescritos de forma legal, seja suprir as necessidades fisiológicas quando não alcançadas na alimentação, hoje em dia, tais suplementos são muito usados para substituir as refeições, pré e pós-treino, em uma quantidade maior do que o necessário. Sendo que o uso deve ser feito de forma a não trazer riscos à saúde e somente um profissional capacitado pode recomendá-lo.
Há muito tempo, o consumo de suplementos alimentares está cada vez mais aumentado. Entretanto, a frequência de pessoas que usam de maneira indiscriminada e sem a indicação do profissional habilitado para isso, que é o nutricionista, é muito grande e ao mesmo tempo preocupante. Apenas este profissional é capaz de calcular a ingestão diária das necessidades de macronutrientes e micronutrientes. Esse cálculo visa cobrir as necessidades nutricionais, que podem aumentar, por exemplo, por conta de exercícios físicos. Particularmente para atletas e praticantes de atividade física, os suplementos auxiliam no aumento do rendimento.
O uso feito de forma errada pode levar à queda de rendimento ou mesmo gerar uma patologia. Sua utilização incorreta por acarretar sintomas desagradáveis como transpiração excessiva, flatulência, aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, insônia, cansaço, aumento da desidratação e hipertermia (elevação da temperatura corporal), alteração da percepção de dor, o aumento do peso, sobrecarga renal gerando doenças renais, sobrecarga hepática (fígado) e arritmia cardíaca.
Portanto, aos profissionais de saúde que atuam no esporte o aconselhamento, pois muitos suplementos nutricionais são seguros e podem auxiliar no desempenho físico. Além disso, a orientação de um nutricionista está intrinsecamente relacionada ao desejo do paciente, isto é, uma prescrição de um determinado suplemento dependerá de qual objetivo o praticante de exercício físico quer atingir, seja ganho de massa muscular, aumento energético, entre outras demandas. Para tanto é necessário que tal consumo esteja aliado a uma dieta alimentar balanceada.
Se o profissional estiver aberto a discutir questões relativas ao uso de suplementos de uma forma imparcial, estes poderiam ter mais credibilidade junto aos atletas e praticantes de exercício quanto à indicação e prescrição destes produtos (SCHWENKE; COSTLEY, 2002).
Em outro artigo, a saber, O uso de suplementos alimentares por praticantes de atividade física em academias de ginástica, há estudo mais profícuo acerca da prevalência e da utilização de suplementos, uma vez que, além de inserir em suas coletas de dados fontes de outras localidades que o outro artigo não contempla, como a região nordeste, mais especificamente, o estado paraibano, a pesquisa ainda apresenta como objeto de análise 18 estudos acadêmicos, os quais teorizam acerca do consumo de suplementos pelo perfil etário/sexo que mais fizeram uso dos complementos nutricionais, e as regiões que obtiveram um maior consumo de suplementos alimentares.
Desse modo, identificou-se que a idade dos sujeitos que praticam atividade física nestes ambientes era de 48% de jovens e adultos entre 16 e 35 anos. Os resultados de Adam et al. (Adam, Fanneli et al. 2013). Além disso, foi demostrado que demonstraram ainda a superioridade do sexo feminino entre os usuários de academias (63%), com idade superior a 40 anos (58%) e nível superior completo (76%) entre os 105 sujeitos entrevistados.
Portanto, em virtude dos dados encontrados, foi possível perceber que, independente da metodologia utilizada, o objetivo final dos esportistas e praticantes de academias é buscar uma vida mais saudável, bem como uma estética corporal. Desse modo, o repasse de informações fundamentais para que os praticantes de educação física cuide de sua saúde bem consiga atingir os seus objetivos, é de extrema importância que eles tenham um acompanhamento de um bom profissional, a saber, um nutricionista, que o oriente a aliar uma boa alimentação, o uso adequado de suplementos e as atividades físicas que devem ser feitas durante suas rotinas nas academias.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As informações acerca das atividades físicas e bem estar do indivíduo não acabe apenas aos profissionais do campo da saúde, mas, sobretudo, a toda população, haja vista a quantidade de homens e mulheres que têm cada vez mais procurado academias no Brasil, afim de adquirir saúde e uma boa forma estética. Acredita-se que esse aumento se deve ao conhecimento dos benefícios que as atividades físicas podem proporcionar à vida do ser humano. Outrossim, a mídia tem contribuído muito para que tais informações e, embora essas informações apresentem pontos positivos, no que se refere a sua difusão, o processo de saúde não deve apenas ter como princípio as informações veiculadas pelos meios midiáticos, mas, sobretudo, de orientações de bons profissionais. Entretanto, grande parte dos frequentadores de academias, na busca pelo corpo definido, musculoso ou composto por massa magra, traçam estratégias equivocadas, para alcançarem tais objetivos.
Caso se observe com mais afinco, acerca de tais estratégias, está o consumo de suplementos alimentares e/ou nutricionais. Diante dessa perspectiva, embora a indicação de suplementos pelos nutricionistas seja mais complexo, já que este profissional levará em conta vários fatores (qual o objetivo do paciente; às suas reais necessidades nutricionais; quais as atividades físicas devem ser feitas, entre outros aspectos), é o mais indicado a se fazer, já que os suplementos devem ser indicados somente por nutricionistas esportivos ou por médicos do esporte, conforme legislação vigente. Contudo, muitos atletas têm preferido seguir orientações de outros frequentadores de academias que, por sua vez, também seguiram orientações de outros atletas. Esta questão tem se revelado como um grande problema para a saúde desses atletas, pois, assim como assevera OSELAME at al, os suplementos só devem ser usados por quem realmente necessita, e não de forma indiscriminada em academias, como modismo.
Dos suplementos mais citados estão os compostos por proteínas, visto que são aqueles que mais proporcionam energia na hora da malhação. No entanto, enfatiza-se que o seu uso indiscriminado pode ocasionar problemas futuros, pois os excessos de proteínas, em muitos casos, são transformados em gordura e, posteriormente, armazenados no tecido adiposo. Por isso a necessidade de se consultar um nutricionista antes de começar a ingerir qualquer substância nutricional, bem como começar a praticar qualquer atividade física.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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CAYOL M., et al. Influence of protein intake on whole body and splanchnic leucine kinetics in humans. Am J Physiol. 1997 Apr; 272 (4 Pt1): E584-91
FERRAZ et al. Consumo de suplementos alimentares por praticantes de atividade física em academias de ginástica: um artigo de revisão. journal of Amazon Health Science Vol.1, n.2, 2015.
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Knibel, M.P., Assis, D.C. Nutrição contemporânea: saúde com sabor. Rio de Janeiro: Editora: Rubio, 35:561, 2010.
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Mendes, K. D. S., R. C. C. P. Silveira, et al. (2008). “Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem.” Texto e Contexto Enfermagem 17(4): 758.
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OSELAME et al. Uso de suplementos alimentares por praticantes de atividade física em academias de ginástica. Revista Saúde e Desenvolvimento | vol.4 n.2 | jul/dez 2013.
Pereira, J. M. de O., Poliana Cabral, P. Avaliação dos conhecimentos básicos sobre nutrição de praticantes de musculação em uma academia da cidade de Recife. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo v. 1, n. 1, p. 40-47, Jan/Fev, 2007.
Rocha, L. P. de e Pereira, M. V. L. Consumo de suplementos nutricionais por praticantes de exercícios físicos em academias. Revista de Nutrição, Campinas, 11(1): 76-82, jan./jun., 1998.
1Graduada em Nutrição pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Instituto Multidisciplinar em Saúde – Campus Anísio Teixeira
2Orientador.
Artigo apresentado como Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-graduação lato sensu em Nutrição Esportiva da Unigrad Pós-graduação e Faculdade Guanambi, de Vitória da Conquista-BA.
