BURNOUT SYNDROME IN EARLY CHILDHOOD AND ELEMENTARY SCHOOL EDUCATORS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511172228
Giovana Inês dos Santos¹
Aparecida Francisca da Silva²
Thayná Ferreira dos Santos³
Leonardo da Silva Felice⁴
RESUMO: Este artigo analisa a presença da síndrome de Burnout entre pedagogos que atuam na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, com foco na identificação dos fatores que contribuem para o esgotamento físico e emocional desses profissionais. Utilizou-se uma abordagem quali-quantitativa, com a aplicação de um questionário a 14 pedagogos, investigando aspectos como motivação, cansaço extremo, sobrecarga de tarefas e reconhecimento profissional. Os resultados indicam elevados níveis de desmotivação, percepção limitada de valorização institucional e identificação de múltiplos fatores relacionados ao estresse docente, como excesso de demandas e baixos salários. As análises revelam que as causas do Burnout estão diretamente associadas às condições estruturais e emocionais da prática pedagógica, reforçando a necessidade de atenção à saúde mental do professor e de melhoria nas condições de trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: Síndrome de Burnout. Pedagogos. Educação Infantil. Saúde mental. Docência.
ABSTRACT: This article analyzes the presence of Burnout syndrome among pedagogues working in Early Childhood Education and the early years of Elementary School, focusing on identifying the factors that contribute to the physical and emotional exhaustion of these professionals. A quali-quantitative approach was used, applying a questionnaire to 14 pedagogues and investigating aspects such as motivation, extreme fatigue, task overload, and professional recognition. The results indicate high levels of demotivation, limited perception of institutional appreciation, and the identification of multiple factors related to teacher stress, such as excessive workload and low salaries. The analyses reveal that the causes of Burnout are directly associated with the structural and emotional conditions of pedagogical practice, reinforcing the need for attention to teachers’ mental health and improvements in working conditions.
KEYWORDS: Burnout Syndrome. Educators. Early Childhood Education. Mental Health. Teaching.
1 INTRODUÇÃO
A síndrome de Burnout é considerada um dos fenômenos mais marcantes da contemporaneidade no campo da saúde ocupacional. Trata-se de um processo de esgotamento físico, emocional e mental que surge a partir da exposição prolongada ao estresse no ambiente de trabalho. Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a reconhecer oficialmente a síndrome como um distúrbio relacionado ao trabalho, o que reforça a relevância de estudá-la em diferentes áreas profissionais. O termo foi empregado pela primeira vez na década de 1970, pelo psicólogo Herbert Freudenberger, e se manteve em inglês “to burn out”, traduzido livremente como “queimar até se apagar”, justamente pela ausência de uma tradução que consiga abranger, de forma precisa, a complexidade de significados que o conceito carrega (FREUDENBERGER, 1974; OMS, 2019).
No campo educacional, o Burnout se apresenta como uma preocupação constante, sobretudo entre os pedagogos que atuam na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Esses profissionais desempenham um papel central no processo de ensino-aprendizagem, ao mesmo tempo em que lidam com uma série de fatores que tornam sua rotina vulnerável ao adoecimento emocional: exigências institucionais, necessidade de conciliar tarefas pedagógicas e burocráticas, altos níveis de responsabilidade pelo desenvolvimento das crianças e, ainda, o enfrentamento de contextos sociais e familiares diversos que impactam diretamente o cotidiano escolar. Assim, o pedagogo aparece como um dos profissionais mais expostos ao risco da síndrome. (MASLACH; JACKSON, 1981; BENEVIDES-PEREIRA, 2010)
As causas do Burnout entre pedagogos costumam estar associadas à sobrecarga de trabalho, à pressão por resultados, à falta de recursos adequados e à sensação de desvalorização social e profissional. Esses elementos, somados à intensidade da função de mediar processos de aprendizagem e de lidar com a dimensão afetiva das relações escolares, criam um ambiente propício ao esgotamento. Por sua vez, as consequências se manifestam de maneira ampla: desde impactos na saúde física e mental do professor, como fadiga, ansiedade, irritabilidade e dificuldades de concentração, até repercussões na prática pedagógica, como a desmotivação, o absenteísmo e a diminuição da qualidade do ensino. (MASLACH; LEITER, 1999; ESTEVE, 1999; CARLOTTO; CÂMARA, 2008)
Ao considerar tais aspectos, nota-se que a síndrome de Burnout não compromete apenas a vida do pedagogo, mas também o funcionamento da escola e o desenvolvimento dos estudantes. Diante disso, torna-se essencial investigar de que forma a síndrome de Burnout afeta os pedagogos que atuam na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Portanto, a presente pesquisa tem como objetivo identificar os principais fatores que contribuem para o surgimento da síndrome de Burnout entre pedagogos da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, buscando compreender de que forma essas causas se manifestam no cotidiano escolar.
A pesquisa proposta possui abordagem quali-quantitativa, pois busca compreender a síndrome de Burnout entre pedagogos tanto a partir de dados descritivos quanto por meio da análise interpretativa das percepções dos participantes. Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, cujo objetivo é identificar as principais causas da síndrome de Burnout entre pedagogos, buscando compreender de que forma esses fatores aparecem no contexto educacional
O público-alvo da pesquisa é composto por professores e pedagogos que atuam na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Esses profissionais foram escolhidos por estarem expostos a situações que envolvem alta demanda emocional e sobrecarga de responsabilidades. A seleção dos participantes será feita de forma intencional, levando em conta a disponibilidade e o interesse em colaborar com a pesquisa.
A coleta de dados será realizada por meio de um questionário elaborado especificamente para este estudo, contendo perguntas fechadas. As questões permitirão observar dados quantitativos, como frequência de sintomas e condições de trabalho, enquanto a discussão dos dados buscará compreender as percepções e sentimentos dos participantes em relação ao tema. O questionário abordará aspectos como jornada de trabalho, ambiente escolar, apoio institucional, reconhecimento profissional e sinais de esgotamento físico ou emocional.
Os participantes receberão as instruções necessárias e terão liberdade para responder de forma individual e sigilosa. A aplicação será online, dependendo da disponibilidade dos pedagogos. Após a coleta, os dados serão organizados de forma sistemática para análise.
A análise dos resultados será feita por meio da observação e interpretação dos dados obtidos. As respostas serão tratadas de forma descritiva, permitindo identificar a frequência e o percentual de ocorrência das variáveis analisadas. Essa análise permitirá identificar os fatores mais recorrentes que levam ao esgotamento profissional e às consequências do Burnout na prática pedagógica.
A pesquisa respeitará os princípios éticos que envolvem estudos com seres humanos. A participação será voluntária, e todos os professores serão informados sobre os objetivos do trabalho. O anonimato e o sigilo das informações serão assegurados, e os dados obtidos serão utilizados exclusivamente para fins acadêmicos.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 CONCEITO DE BURNOUT: ORIGEM E HISTÓRICO DO TERMO
A síndrome de Burnout é reconhecida como um dos maiores problemas ocupacionais da atualidade. Sua primeira descrição foi feita em 1974 pelo psicólogo Herbert Freudenberger, que observou sinais de desgaste emocional, irritabilidade e sensação de fracasso em profissionais da saúde, especialmente aqueles que lidavam diretamente com pessoas em situações de vulnerabilidade. A partir de então, o termo passou a ser empregado para caracterizar o estado de exaustão física e emocional resultante do excesso de demandas profissionais. A expressão em inglês “to burn out” significa “queimar até se apagar”, sendo mantida na literatura científica sem tradução direta, por não haver em outras línguas um equivalente que representasse com a mesma precisão a gravidade do fenômeno (FREUDENBERGER, 1974).
Ainda na década de 1970, Christina Maslach aprofundou os estudos sobre o tema, destacando a intensidade emocional exigida em profissões voltadas para o cuidado humano. Em parceria com Susan Jackson, em 1981, desenvolveu o Maslach Burnout Inventory (MBI), um dos instrumentos mais utilizados mundialmente para identificar a síndrome, avaliando-a a partir de três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional. Esses estudos consolidaram a utilização do termo “Burnout” e possibilitaram o desenvolvimento de uma base científica sólida para compreender o processo de adoecimento ocupacional (MASLACH; JACKSON, 1981; BENEVIDES-PEREIRA, 2010).
2.2 O BURNOUT COMO SÍNDROME OCUPACIONAL
O reconhecimento do Burnout como síndrome ocupacional foi um marco importante para a saúde do trabalhador. Em 2019, a Organização Mundial da Saúde passou a incluí-lo na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), definindo-o como um fenômeno decorrente do estresse crônico no ambiente laboral que não foi adequadamente gerenciado. Essa definição oficial destacou o Burnout como uma condição relacionada diretamente ao trabalho, diferenciando-o de transtornos mentais comuns (OMS, 2019).
Segundo Maslach e Leiter (1999), o Burnout é composto por três dimensões principais: a exaustão emocional, que se manifesta pela perda de energia e sensação de sobrecarga; a despersonalização, que leva à indiferença ou ao cinismo em relação ao trabalho; e a redução da realização profissional, que se traduz em sentimentos de incompetência e falta de produtividade. Benevides-Pereira (2010) complementa que o processo não ocorre de forma súbita, mas sim de modo gradual, em que o entusiasmo inicial do profissional vai sendo substituído pelo esgotamento diante da ausência de condições adequadas para a realização do trabalho.
A partir dessa perspectiva, compreender o Burnout como síndrome ocupacional é essencial, pois permite analisar o papel das instituições na promoção da saúde mental dos trabalhadores e reforça a necessidade de políticas que reduzam fatores de risco presentes no ambiente de trabalho (MASLACH; LEITER, 1999; BENEVIDES-PEREIRA, 2010).
2.3 A DOCÊNCIA E A VULNERABILIDADE DO PEDAGOGO
A docência é uma das profissões mais expostas à síndrome de Burnout, justamente pela natureza complexa e multifacetada de suas funções. Para Esteve (1999), o professor está submetido a elevadas demandas sociais, emocionais e cognitivas, sendo constantemente pressionado a atender expectativas institucionais e familiares. Esse cenário torna o pedagogo especialmente vulnerável ao desgaste.
No caso de profissionais que atuam na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, essa vulnerabilidade se intensifica. O pedagogo não se limita apenas a transmitir conteúdos, mas também assume funções administrativas, de mediação social, de cuidado e de apoio emocional. Essa multiplicidade de papéis amplia a carga de responsabilidades e compromete o equilíbrio físico e mental do professor (BENEVIDES-PEREIRA, 2010).
Além disso, a docência nessas etapas está fortemente atravessada pela dimensão afetiva. O vínculo estabelecido entre professor e aluno exige dedicação emocional constante, o que aumenta o risco de exaustão. A desvalorização social da profissão e as condições precárias de trabalho reforçam esse quadro, tornando o pedagogo um dos profissionais mais expostos ao Burnout (CARLOTTO; CÂMARA, 2008; BENEVIDES-PEREIRA, 2010).
2.4 AS PRINCIPAIS CAUSAS ASSOCIADAS AO BURNOUT EM PEDAGOGOS
As causas do Burnout em pedagogos são multifatoriais, envolvendo elementos estruturais, institucionais e subjetivos. Entre os fatores estruturais, destacam-se a sobrecarga de trabalho, a extensa jornada, o excesso de turmas e a exigência de atividades extracurriculares que ultrapassam o horário escolar. Do ponto de vista institucional, pesam a pressão por resultados acadêmicos, a ausência de recursos adequados para a prática pedagógica e a falta de apoio da gestão escolar. Já no aspecto subjetivo, destacam-se o desgaste emocional decorrente do envolvimento afetivo com os alunos e a sensação de impotência diante das limitações impostas pelo contexto social (MASLACH; LEITER, 1999; CARLOTTO; CÂMARA, 2008).
Outro elemento amplamente relatado é a desvalorização profissional, que se expressa em salários baixos, pouca progressão na carreira e ausência de reconhecimento social. Esse quadro contribui para sentimentos de frustração e desmotivação, favorecendo o surgimento da síndrome. Estudos nacionais apontam que a precarização da profissão docente no Brasil está diretamente associada ao aumento de casos de Burnout entre pedagogos, especialmente nos primeiros anos da educação básica (CARLOTTO; PALAZZO, 2006; BENEVIDES-PEREIRA, 2010).
Assim, compreender as causas do Burnout em pedagogos permite identificar os pontos críticos da profissão e reforça a necessidade de estratégias de prevenção que atuem tanto no âmbito individual quanto no coletivo, promovendo melhores condições de trabalho e valorização docente (ESTEVE, 1999; BENEVIDES-PEREIRA, 2010).
2.5 ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E ENFRENTAMENTO DO BURNOUT
O enfrentamento da síndrome de Burnout exige ações integradas em diferentes níveis. Maslach e Leiter (1999) defendem que a prevenção deve estar centrada na melhoria das condições de trabalho, na redução da sobrecarga e no fortalecimento das relações interpessoais no ambiente escolar. Isso envolve desde a reorganização da carga horária e a valorização salarial até a criação de programas institucionais de apoio psicológico.
No contexto brasileiro, Benevides-Pereira (2010) ressalta a importância de iniciativas voltadas para a saúde mental dos docentes, incluindo a oferta de formação continuada que aborde a gestão das emoções e a criação de espaços de escuta coletiva. Carlotto e Câmara (2008) acrescentam que a democratização da gestão escolar, com maior participação do professor nos processos de decisão, contribui significativamente para a redução do estresse ocupacional.
Do ponto de vista das políticas públicas, Esteve (1999) destaca que a valorização docente deve ser prioridade, com a garantia de infraestrutura adequada, salários justos e planos de carreira consistentes. Pesquisas nacionais indicam que programas institucionais de promoção da saúde do trabalhador e de qualidade de vida já demonstraram resultados positivos na redução dos índices de estresse e na melhoria da motivação entre professores (CARLOTTO; PALAZZO, 2006).
Portanto, a prevenção do Burnout entre pedagogos depende de medidas articuladas que envolvam tanto esforços individuais quanto políticas institucionais e governamentais, assegurando condições de trabalho que favoreçam a saúde física e mental do professor.
2.6 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A pesquisa foi aplicada a um grupo de 14 pedagogos atuantes na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. O objetivo foi identificar as principais causas do esgotamento profissional e compreender de que forma a síndrome de Burnout se manifesta no cotidiano docente.
Na pergunta 1, objetivou-se analisar como os pedagogos avaliam sua motivação atual em relação ao trabalho docente, buscando compreender o nível de engajamento emocional e profissional dos participantes. Dessa forma, evidencia-se as respostas observadas no gráfico 1.
GRÁFICO 1: Avaliação da motivação atual no trabalho docente

Quando questionados sobre sua motivação em relação ao trabalho docente, observou-se que metade dos participantes (50%) afirmou sentir-se pouco motivado(a), enquanto 21,4% declararam estar motivados(as) e outros 21,4% muito motivados(as). Apenas 7,1% afirmaram manter-se desmotivados(as). Esses dados indicam um quadro de desânimo entre os profissionais, possivelmente associado à sobrecarga e à falta de reconhecimento, o que reforça o que Benevides-Pereira (2010) aponta sobre a perda gradual de entusiasmo como característica marcante do Burnout.
Na pergunta 2, procurou-se identificar com que frequência os pedagogos sentem cansaço extremo relacionado ao trabalho docente, permitindo compreender a intensidade do desgaste físico e emocional presente na rotina escolar. Assim, apresentam-se no gráfico 2 as respostas obtidas.
Gráfico 2: Frequência de cansaço extremo relacionado ao trabalho

Em relação à frequência do cansaço extremo relacionado ao trabalho, 42,9% dos respondentes afirmaram sentir-se assim sempre, 57,1% às vezes. Ninguem respondeu sentir cansaço raramente ou nunca.
Cabe um esclarecimento técnico quanto a duplicação da opção “Às vezes”, trata-se de uma inconsistência do sistema Google Forms, utilizado para as entrevistas. No relatório da segunda pergunta, consta os 57,1 % dos respondentes com a opção “Às vezes”, porém, por motivos alheios a nossa compreensão, no gráfico ocorreu o erro apresentado.
Esse resultado evidencia que, embora nem todos apresentem sintomas constantes, o esgotamento físico e emocional já se faz presente em parte significativa do grupo, o que está em consonância com Maslach e Leiter (1999), ao afirmarem que o Burnout se desenvolve de forma gradual, a partir do estresse contínuo.
Na pergunta 3, objetivou-se identificar qual fator mais contribui para o estresse dos pedagogos no ambiente escolar, de modo a compreender os elementos que atuam como principais desencadeadores de tensão emocional. Dessa forma, as respostas podem ser observadas no gráfico 3.
GRAFICO 3: Principais fatores que contribuem para o estresse docente

Ao investigar os principais fatores de estresse no ambiente escolar, 28,6% dos participantes indicaram o excesso de tarefas administrativas e pedagógicas como o maior causador, seguido por 35,7% que citaram a baixa valorização profissional, 14,3% a falta de apoio da gestão escolar e 21,4% a indisciplina dos alunos. Esses dados revelam que a sobrecarga e a desvalorização estão entre os principais elementos desencadeadores do esgotamento, confirmando o que Carlotto e Câmara (2008) descrevem como determinantes da síndrome no contexto docente.
Na pergunta 4, buscou-se verificar se os pedagogos sentem que seu esforço profissional é reconhecido pela equipe gestora, permitindo analisar a percepção de valorização institucional. As respostas encontram-se representadas no gráfico 4.
GRAFICO 4: Percepção de reconhecimento profissional pela gestão

No que se refere ao reconhecimento pela equipe gestora, 7,1% afirmaram nunca sentir-se reconhecidos, 14,3% raramente e outros 14,3% disseram receber reconhecimento empre, e a maior parte dos participantes, 64,3% disseram que às vezes. Esses dados indicam que, embora exista uma experiência pontual de valorização, ela não se apresenta de forma contínua e consolidada no cotidiano escolar, gerando uma percepção de reconhecimento parcial e instável. Tal cenário pode funcionar como um fator de vulnerabilidade ao desgaste emocional, na medida em que o professor não se sente plenamente legitimado em seu trabalho, ao mesmo tempo em que aponta para um potencial de fortalecimento das relações de apoio e valorização entre a equipe pedagógica. A falta de valorização profissional, apontada por Esteve (1999) como um dos fatores que mais contribuem para o “mal-estar docente”, reforça a importância de políticas de valorização e escuta institucional.
Na pergunta 5, onjetivou-se identificar se os pedagogos já pensaram em deixar a profissão devido ao esgotamento, com o intuito de compreender a gravidade do impacto emocional e profissional causado pelo Burnout. Os resultados são apresentados no gráfico 5.
GRAFICO 5: Intenção de deixar a profissão devido ao esgotamento

Questionados sobre a possibilidade de abandonar a profissão devido ao esgotamento, 57,1% responderam que às vezes pensam em desistir, 28,6% sempre e 14,3% nunca. Esse dado é preocupante, pois demonstra um elevado índice de intenção de evasão profissional, o que pode impactar diretamente a qualidade da educação e a continuidade das práticas pedagógicas.
Na pergunta 6, procurou-se analisar como os pedagogos costumam reagir quando se sentem sobrecarregados, buscando compreender as estratégias imediatas utilizadas diante do estresse. Dessa forma, as respostas são evidenciadas a seguir no gráfico 6.
GRÁFICO 6: Reações dos pedagogos diante da sobrecarga

Sobre como os pedagogos reagem diante da sobrecarga, 14,3% disseram tentar resolver sozinhos, o mesmo percentual afirmou procurar ajuda ou apoio, enquanto 35,7% buscam ignorar e continuar trabalhando, e o mesmo percentual sente desmotivado e retraído. Essa dificuldade em buscar ajuda demonstra o quanto a cultura de resistência e autossuficiência ainda predomina entre educadores, conforme observado por Benevides-Pereira (2010), que ressalta o risco de o professor negligenciar sinais de adoecimento.
Na pergunta 7, objetivou-se identificar quais estratégias os pedagogos mais utilizam para prevenir o esgotamento profissional, considerando aspectos como exaustão, estresse, desmotivação, cansaço e desgaste físico. As respostas podem ser observadas no gráfico 7.
GRAFICO 7: Estratégias utilizadas pelos pedagogos para prevenir o esgotamento

Quanto às estratégias de prevenção do esgotamento, 42,9% afirmaram buscar conversar com colegas e amigos, apenas 7,1% recorrem à terapia ou apoio psicológico e 21,4% mencionaram atividades físicas ou lazer. Impressionantes 28,6% dizem não utilizar nenhuma estratégia, o que indica certa falta de consciência sobre a importância do autocuidado, reforçando a necessidade de políticas institucionais de cuidado coletivo e individual, conforme defendem Maslach e Leiter (1999).
Na pergunta 8, objetivou-se a verificar quais aspectos podem levar o pedagogo a condição de Burnout. Dessa forma, evidencia-se as respostas observadas no gráfico 8.
GRAFICO 8: Fatores que levam os professores ao Burnout

Por fim, ao serem questionados sobre os fatores que tornam o pedagogo mais vulnerável ao esgotamento, 28,6% apontaram salários baixos e falta de reconhecimento, 7,2% destacaram a falta de tempo para autocuidado e 7,1% citaram a carga emocional do trabalho com crianças. E a maioria, 57,1% acreditam em todas as alternativas. Esses resultados corroboram as análises de Carlotto e Palazzo (2006), que evidenciam a precarização das condições de trabalho como um dos principais gatilhos da síndrome de Burnout em docentes brasileiros.
De forma geral, os dados obtidos confirmam as reflexões apresentadas na fundamentação teórica: o pedagogo é um profissional altamente exposto ao esgotamento devido à multiplicidade de funções, ao acúmulo de tarefas, à falta de valorização e à pressão emocional constante. A prevalência de sentimentos de desmotivação e o desejo frequente de abandono da profissão revelam a urgência de medidas preventivas e de valorização docente que assegurem a saúde emocional e o bem-estar no ambiente escolar.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise realizada neste estudo permitiu compreender que a síndrome de Burnout se manifesta entre os pedagogos da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental de forma preocupante, refletindo diretamente nas condições de trabalho e na saúde mental desses profissionais. Os dados obtidos evidenciam que a desmotivação, a sobrecarga de tarefas e a falta de reconhecimento institucional são fatores centrais para o surgimento do esgotamento físico e emocional, confirmando as observações de Maslach e Leiter (1999) e Benevides-Pereira (2010) sobre o caráter cumulativo do estresse ocupacional.
Constatou-se que a baixa valorização profissional e os salários inadequados aparecem como elementos recorrentes no discurso dos docentes, demonstrando que o Burnout não se restringe a uma questão individual, mas está fortemente vinculado às condições estruturais da profissão. Esse cenário reforça a importância de políticas públicas voltadas à valorização docente, à melhoria das condições de trabalho e à implementação de programas institucionais de cuidado e apoio psicológico.
Além disso, percebeu-se que, mesmo diante das dificuldades, muitos pedagogos buscam estratégias pessoais para lidar com o estresse, como a troca de experiências com colegas, o lazer e a busca por apoio terapêutico. No entanto, tais medidas, embora relevantes, mostram-se insuficientes quando não há suporte coletivo e institucional.
Dessa forma, conclui-se que compreender e combater o Burnout entre pedagogos exige ações integradas que ultrapassem o âmbito individual. É indispensável que escolas, secretarias de educação e órgãos públicos assumam o compromisso de promover ambientes mais saudáveis, com gestão humanizada, reconhecimento profissional e valorização do trabalho docente. Somente assim será possível garantir não apenas o bem-estar dos professores, mas também a qualidade do processo educativo como um todo.
REFERÊNCIAS
BENEVIDES-PEREIRA, Ana Maria T. Burnout: quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador. 3. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010.
CARLOTTO, Mary Sandra; CÂMARA, Sheila Gonçalves. Preditores da Síndrome de Burnout em professores. Psicologia Escolar e Educacional, v. 12, n. 1, p. 101-110, 2008.
CARLOTTO, Mary Sandra; PALAZZO, Luciana dos Santos. Síndrome de Burnout e fatores associados: um estudo epidemiológico com professores. Revista de Psicologia da Educação, v. 8, n. 1, p. 45-58, 2006.
ESTEVE, José Manuel. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. 4. ed. Bauru: EDUSC, 1999.
FREUDENBERGER, Herbert J. Staff Burn-Out. Journal of Social Issues, v. 30, n. 1, p. 159-165, 1974.
MASLACH, Christina; JACKSON, Susan E. The measurement of experienced burnout. Journal of Occupational Behavior, v. 2, n. 2, p. 99-113, 1981.
MASLACH, Christina; LEITER, Michael P. The truth about burnout: how organizations cause personal stress and what to do about it. San Francisco: Jossey-Bass, 1999.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – CID-11. Genebra: OMS, 2019.
¹Graduanda do curso de Pedagogia do Centro de Ensino Superior de São Gotardo – CESG. E-mail: inesgiovana6@gmail.com.;
²Graduanda do curso de Pedagogia do Centro de Ensino Superior de São Gotardo – CESG. E-mail: Aparecidanovaes5555@gmail.com.;
³Graduanda do curso de Pedagogia do Centro de Ensino Superior de São Gotardo – CESG. E-mail: Thayna_ferreira05@hotmail.com.;
⁴Docente do curso de Pedagogia do Centro de Ensino Superior de São Gotardo – CESG. E-mail: lsfelice@gmail.com.
