CATETERISMO VESICAL: ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NAS COMPLICAÇÕES E PROMOÇÃO DO CUIDADO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511172216


Juliana Bezerra da Silva Jansen¹
Kauan Ramalho Anunciação¹
William Pinheiro Silva dos Santos¹
  Orientadora: Silvana Flora de Melo²
  Coorientador: Lucas de Moraes³
Jamila Fabiana Costa4


RESUMO 

Introdução: O cateterismo vesical é um procedimento invasivo e amplamente  utilizado na assistência de enfermagem, com a finalidade de esvaziar a bexiga,  monitorar o débito urinário ou auxiliar em situações cirúrgicas. Apesar da sua  importância, a prática inadequada desse procedimento pode ocasionar diversas  complicações, sobretudo levar as infecções do trato urinário, lesões uretrais e obstruções. Assim, a atuação do enfermeiro é essencial tanto na execução técnica,  que faz parte da sua exclusiva atribuição, quanto na garantia da segurança do  paciente e prevenção de intercorrências e complicações. Objetivo: Analisar as  principais medidas adotadas e delegadas pelo enfermeiro na prevenção de  complicações relacionadas à inserção do cateter vesical de demora. Materiais e  métodos: O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa, a partir da  análise de publicações científicas que abordam o cateterismo vesical e a atuação da  enfermagem diante das complicações e cuidados relacionados ao procedimento. A  coleta de dados foi realizada em artigos publicados de 2015 à 2025. Por meio de bases de dados eletrônicas como SciELO, PubMed, LILACS, COCHRANE e BVS.  Resultados: Observou-se que a aplicação de técnicas assépticas, a higienização  adequada das mãos, a escolha correta do tipo de cateter, o monitoramento contínuo  do sistema de drenagem e a orientação ao paciente são medidas fundamentais para  reduzir complicações. Logo, percebe-se que a educação permanente e a capacitação  profissional são determinantes para aprimorar a qualidade do cuidado de  enfermagem. Conclusão: Constatou-se a relevância da atuação do enfermeiro no  procedimento de cateterismo vesical, e nos seus cuidados para a prevenção de  complicações e promoção de um cuidado seguro, ético e humanizado. 

Descritores: Enfermagem, Cuidados de Enfermagem, Cateterismo Vesical,  Infecções relacionadas a cateteres, Infecções do trato urinário, IRAS e ITU-AC.

1. INTRODUÇÃO 

O cateterismo vesical de demora (CVD), também denominado sonda vesical  de demora ou sonda de Foley, constitui um procedimento amplamente utilizado em  âmbito hospitalares, principalmente em unidades de terapia intensiva, para  monitorização do débito urinário, alívio de retenção urinária, cirurgias urológicas ou  em situações que exigem controle rigoroso da função renal e manejo de diferentes  condições clínicas. Apesar de sua importância, trata-se de um procedimento invasivo  que está diretamente associado a complicações, logo o uso prolongado ou  inadequado do cateter vesical gera danos graves ao paciente tais como: infecções no  trato urinário (ITU) e à ocorrência de sepse, especialmente quando não são seguidas  as diretrizes e protocolos recomendados quanto à higienização e técnica asséptica  (NOGUEIRA et al., 2017). 

É imprescindível que a adoção de práticas como: à higienização adequada das  mãos e do material, aliada à realização correta das técnicas de inserção e manutenção  do cateter, sejam essenciais para prevenir complicações infecciosas. Nesse caso, a  atuação do enfermeiro é decisiva nesse contexto, visto que é responsável por grande  parte da assistência direta e envolvimento no manuseio, monitoramento, e  manutenção do CVD. Dados da literatura apontam, que de 16 a 25% dos pacientes  internados em terapia intensiva são submetidos a esse procedimento, e que entre 35  a 45% desses podem desenvolver infecção do Trato Urinário associada ao Cateter,  fatores como o tempo de permanência do dispositivo, falhas na técnica de inserção,  manutenção inadequada e manuseio incorreto aumentam o risco dessas infecções.  Por tanto, a utilização de práticas baseadas em evidências, o conhecimento das  indicações precisas para a passagem do cateter e a vigilância constante para  identificar sinais precoces de complicações, como febre, alteração do nível de  consciência, hipotensão e turvação da urina, são fundamentais para a segurança do  paciente (SAKAI et al., 2020).  

Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras entidades  sanitárias recomendam a implementação de protocolos institucionais que contemplem  medidas preventivas, visando à redução de indicadores de infecção, mortalidade e à  melhoria da qualidade da assistência. (BARBOSA et al., 2019).

O enfermeiro desempenha papel essencial nesse processo, uma vez que a  inserção do cateter vesical é privativa do mesmo, enquanto a manutenção cotidiana  do dispositivo é realizada sob sua supervisão. Cabe a esse profissional avaliar a real  necessidade do procedimento, garantir a inserção asséptica, monitorar o sistema de  drenagem, orientar a equipe multiprofissional e promover práticas de cuidado seguras  e baseadas em evidências. Nesse contexto, a atuação da enfermagem é fundamental  para que medidas como a higienização adequada das mãos, uso rigoroso da técnica  asséptica, cuidados na manipulação do sistema coletor, avaliação periódica da  necessidade de permanência do cateter e retirada precoce quando possível são  consideradas fundamentais para a prevenção de complicações (BATISTA et al.,  2022). 

A adoção de protocolos assistenciais estruturados, como bundles de  prevenção (conjunto de medidas) e programas de educação continuada, tem se  mostrado uma estratégia eficaz na redução das taxas de Infecção do Trato Urinário  Associada ao Cateter (ITU-AC) e no tempo de permanência da sonda vesical de  demora, pois contribui para a padronização das condutas, aumenta a adesão da  equipe multiprofissional às medidas de segurança e garante um cuidado  fundamentado em evidências científicas atualizadas. Assim, a enfermagem assume  papel determinante, uma vez que atua diretamente na inserção e na manutenção do  cateter, aplicando técnicas assépticas, monitorando sinais de complicações e  orientando pacientes e familiares sobre medidas preventivas, além de identificar  precocemente fatores de risco, como tempo prolongado de uso, higienização  inadequada ou manipulação incorreta do dispositivo. (ROCHA et al., 2023; SILVA et  al., 2019).  

Dessa forma, a presente pesquisa tem como objetivo discutir e analisar a atuação da enfermagem frente às complicações relacionadas ao cateterismo vesical,  destacando a importância da adoção de medidas preventivas, identificação precoce  de sinais de infecção e promoção de cuidados seguros e humanizados.

2. OBJETIVO 

Analisar as principais medidas de intervenção pelo enfermeiro na prevenção de  complicações relacionadas à inserção do cateter vesical de demora.

3. MATERIAIS E MÉTODOS  

Este estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, cujas etapas  realizadas, a saber: formulação do problema, seguida pela coleta de dados, avaliação  dos dados, análise dos dados e categorização dos dados e apresentação dos  resultados. Esse método permite reunir e sintetizar resultados de pesquisas já  realizadas sobre o tema, de forma sistemática e ordenada, proporcionando a análise  crítica e a incorporação das evidências disponíveis na prática profissional (DANTAS  et al., 2022). Com base na estratégia PICO, a pesquisa tem como foco pacientes  submetidos ao uso de cateter vesical, seja de demora ou de alívio, com o objetivo de  analisar a relevância da assistência de enfermagem no contexto do cateterismo  vesical. A intervenção compreende a implementação de cuidados especializados,  incluindo a adoção de técnica asséptica, higienização adequada, manutenção  apropriada do dispositivo e medidas preventivas voltadas à redução do risco de  infecções do trato urinário. Para fins de comparação, considera-se a ausência ou  inadequação da assistência de enfermagem, bem como a avaliação comparativa entre  diferentes protocolos e práticas assistenciais adotadas. Espera-se, como desfecho, a  diminuição da ocorrência de complicações, com ênfase na prevenção de infecções  urinárias associadas ao uso do cateter. 

Assim sendo, formulou-se a seguinte questão norteadora: “Qual o papel do  enfermeiro nos cuidados relacionados à sonda vesical de demora para a prevenção  de infecções e complicações do trato urinário associada a um cateter (ITU-AC)?” 

As buscas bibliográficas (Melhorar as palavras de contexto) foram realizadas  no período de julho a setembro de 2025, utilizando-se as bases de dados Scientific  Electronic Library Online (SciELO), National Library of Medicine and National Institutes  of Health (PubMed), Literatura Latino-Americana e do Caribe em ciências da Saúde  (LILACS), Cochrane Library (COCHRANE) e a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).  Para a definição da estratégia de pesquisa, empregaram-se os Descritores em  Ciências da Saúde (DeCS) e seus correspondentes em língua portuguesa e inglesa:  “Cateterismo Vesical” (Urinary Catheterization), “Infecções do Trato Urinário” (Urinary  Tract Infections) e “Cuidados de Enfermagem” (Nursing Care). Entre as combinações  utilizadas, destacam-se: “Cateterismo Vesical AND Infecções do Trato Urinário” e  “Infecções do Trato Urinário AND Cuidados de Enfermagem”. A busca foi conduzida por meio da combinação dos descritores com o auxílio dos operadores booleanos  AND e OR, de modo a ampliar e refinar os resultados. 

Como critérios de exclusão, eliminaram-se estudos duplicados, publicações  que não abordavam especificamente os cuidados de enfermagem relacionados ao  cateterismo vesical, além de teses, dissertações, resumos de eventos e outras  revisões científicas. A amostra preliminar foi composta por 47 artigos e para a análise  inicial, a leitura dos estudos foi organizada em três fases e caso os artigos não  respondessem à pergunta norteadora da revisão ou não atendessem aos critérios de  inclusão, eram excluídos da etapa seguinte. Na primeira fase, a avaliação concentrou se no título e no resumo dos trabalhos; na segunda, deu-se atenção aos métodos,  resultados e discussões; e, finalmente, na terceira etapa, realizou-se a leitura integral  dos artigos. Após a conclusão dessa etapa, a amostra definitiva passou a ser  composta por onze artigos. 

Para a análise dos dados, foi elaborado um quadro pelos próprios autores,  contendo informações sobre a identificação do artigo (autor, ano e periódico),  características da pesquisa (tipo de estudo) e objetivos e resultados das intervenções,  com destaque para as principais complicações pós-procedimento. Os dados extraídos  das pesquisas analisadas e seus respectivos resultados serão apresentados e  discutidos a seguir.

4. RESULTADOS 

Após análise dentre os artigos remanescentes, 11 atenderam aos critérios de  inclusão, compondo a amostra final desta revisão e o processo de seleção dos  estudos foi conduzido nas etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão  dos artigos analisados. De modo geral, os estudos incluídos apresentaram  convergência em relação aos principais achados, reforçando a relevância do tema e  a necessidade de aprofundamento científico sobre a atuação da enfermagem e suas  implicações clínicas e gerenciais no contexto analisado. O quadro 1 a seguir  apresenta de forma consolidada as principais características como títulos, objetivos,  métodos e conclusões dos estudos, proporcionando uma visão organizada e  abrangente das evidências disponíveis sobre o tema. 

Quadro 1: Dados dos artigos utilizados para revisão.

TítuloAutores e Ano de publicação Objetivo Metodologia Conclusão
Infecção do trato  urinário associada  ao cateter vesical em uma unidade  de terapia  intensivaBARBOSA et  al., 2019Determinar a prevalência e fatores
relacionados à 
ITU-RC na UTI.
Estudo 
quantitativo
O tempo de internação e permanência do CVD está 
diretamente 
relacionado à ocorrência de ITURC, direcionando para o compromisso dos  profissionais da saúde no 
monitoramento da permanência, 
avaliação contínua e indicação estrita do uso do CVD.
Educação 
permanente em cateterismo vesical para prevenção de 
infecção do trato  urinário
SILVA et al.,  2019Analisar o impacto da educação permanente na prevenção e no controle da infecção do
trato urinário em 
pacientes 
submetidos ao 
procedimento de cateterismo 
vesical de demora.
Estudo 
experimental
A intervenção  
educacional  
aumentou significativamente o conhecimento dos profissionais de saúde sobre o procedimento de  cateterismo vesical de demora e colaborou para a  redução da taxa de infecção das ITUs na instituição, bem como uma evolução no patamar de conhecimento.
Incidência de 
infecção do trato urinário em unidade de terapia intensiva: 
implementação de  um checklist 
assistencial
ROCHA et al., 2023Avaliar a  efetividade do  checklist 
reconstruído por  uma equipe 
interdisciplinar,  como estratégia de redução de 
incidência de  
infecção do trato  urinário e do  tempo de  permanência do  uso do cateter  vesical de  demora em uma  UTI adulto.
Estudo 
quantitativo, retrospectivo e observacional
As ações 
desenvolvidas pelos profissionais de saúde trazem 
resultados  atenuantes na 
redução de 
infecções 
relacionadas à 
assistência à saúde.
A atuação da 
enfermagem frente  ao paciente em uso de sondagem 
vesical de demora 
na prevenção de infecções do trato urinário
BATISTA et al.,  2022Descrever a atuação do enfermeiro 
frente ao uso de sonda vesical de  demora (SVD) na prevenção das infecções do 
trato urinário (ITUs).
Estudo QualitativoO estudo destaca a  importância da atuação do enfermeiro na prevenção de infecções urinárias em pacientes com 
sonda vesical, 
ressaltando a necessidade de 
educação 
permanente para  garantir uma 
assistência segura e de qualidade.
Conhecimento de  profissionais 
intensivistas sobre  o bundle para a 
prevenção de 
infecção do trato  urinário associada 
ao uso de sondas
NOGUEIRA et  al., 2017Verificar o 
conhecimento do bundle de infecção do trato urinário 
associado ao uso de sondas por profissionais de unidade de terapia
 intensiva.
Estudo quantitativo e transversalMedidas de 
prevenção e 
controle de 
infecções causadas pelo uso de sonda vesical, devem ser adotadas pelos profissionais  envolvidos no 
cuidado, baseado nos conhecimentos  teóricos e técnicos e na experiência 
prática, a fim de 
qualificar a 
assistência e 
minimizar o risco de iatrogenias.
Infecção do trato  urinário associada  ao cateter: fatores  associados e  
mortalidade
SAKAI et al.,  2020Identificar os 
fatores associados
ao desenvolvimento de infecção do  trato urinário  associada ao  cateter (ITU-AC)  e mortalidade  entre pacientes  com cateter  vesical.
Estudo de coorte, 
prospectivo, 
quantitativo.
Frequência da 
inserção do 
dispositivo urinário,  períodos 
prolongados de  hospitalização e de  permanência com o  cateter contribuíram  para o desenvolvimento de  TU-AC, e as 
chances de 
mortalidade foram aumentadas entre  pacientes com essa  infecção.
Prevenção de 
infecção urinária:  indicadores de 
qualidade da 
assistência de 
enfermagem em  idosos
ARRAIS et al.,  2017Analisar a  
assistência de  enfermagem, a  partir de  
indicadores, com
foco na  
prevenção da  
infecção urinária.
Estudo 
prospectivo e quantitativo.
O processo de  cuidado relacionado  à prevenção de  infecção do trato  urinário necessita  de maior atenção,  investindo-se em  educação continuada, com à  prática do cuidado  baseada em  evidências, com  vistas a uma  assistência segura  e livre de danos.
Análise
microbiológica e  microestrutural dos  cateteres vesicais  de demora e  prevenção de  
infecção do trato  urinário
SOUSA et al.,  2022Analisar a parte  microbiológica e  microestrutural  de cateteres  vesicais de  demora e sua  associação com  a prevenção da  infecção do trato  urinário.Estudo 
observacional transversal
As análises 
contribuíram para a  prática clínica, pois  reforçam o 
desenvolvimento de estratégias eficazes  e monitoradas  sobre culturas e  
prevenção de  
infecção do trato  urinário associada a  cateteres urinários  de demora.
Perfil das  infecções 
relacionadas à  
assistência à  saúde na unidade  de terapia  intensiva de um hospital de 
referência na 
mesorregião oeste  do Rio Grande do  Norte
FREITAS et al.,  2024Descrever as IRAS relacionando os  agentes etiológicos e o tratamento 
antimicrobiano em uma UTI de um hospital de 
referência.
Estudo descritivo, 
retrospectivo e  transversal de  abordagem  
quantitativa.
Conclui-se que há  elevados níveis de  tempo de  
permanência na  UTI e uso de  
dispositivos
invasivos, assim  como DI de IRAS  alta com 
identificação  microbiológica de  bactérias 
importantes, 
especialmente por  seu perfil de  resistência 
acentuado com  destaque para  antibióticos da  classe dos 
carbapenêmicos e  cefalosporinas de 3ª  e 4ª geração. 
Destaca-se também  a presença de não  conformidades na  administração de  antibióticos que  podem contribuir  para a seleção de  bactérias
multirresistentes.
Infecções  
relacionadas à  
assistência à  saúde em unidade  de terapia  intensiva durante a  pandemia de  
COVID-19
ZIMMERMANN,  et al., 2025Descrever a 
ocorrência de 
infecções
relacionadas à  assistência em  saúde nas  primeira e  segunda ondas  da pandemia da  COVID-19 e  analisar suas  relações com os  indicadores
gerenciais em uma unidade de  terapia  intensiva.
Estudo documental 
retrospectivo
Aumentaram as  infecções e uso de  dispositivos 
invasivos da 
primeira para a  segunda ondas da  COVID-19 com  elevação na 
ocorrência de 
eventos adversos  relacionados à  assistência entre os períodos 
observados. O  aumento nos  números de leitos,  internações e  ocupação também  mostrou um  impacto positivo no  aumento das  
infecções na  
unidade.
Adesão ao protocolo de prevenção de infecção do trato urinárioANGHINONI et  al., 2018Identificar a adesão ao protocolo de 
prevenção de 
infecção do trato  urinário de acordo com as condições de higiene,  
identificação, 
fixação e localização da sonda vesical de  demora.
Estudo quantitativo de campo, analítico, 
explicativo e transversal.
Verificou-se alta adesão da equipe de enfermagem ao protocolo de prevenção de ITUs, com baixo índice de infecção e alto nível de conformidades em relação a higiene,
identificação, 
fixação e localização da SVD.
Fonte: Autoria própria

5. DISCUSSÃO 

A análise das publicações demonstra a importância crucial da atuação do  enfermeiro no cateterismo vesical, especialmente na prevenção das Infecções do  Trato Urinário Associadas ao Cateter (ITU-AC) e suas complicações. Observou-se  que o treinamento contínuo da equipe de enfermagem e a adesão a protocolos  institucionais desempenham um papel significativo na redução dos riscos de  infecções.  

No que refere sobre adesão aos protocolos de higienização das mãos, o estudo  de Anghinoni et al., (2018) afirma que uso de técnica estéril durante a inserção do  cateter e a manutenção adequada como higienização do meato urinário, fixação  correta do cateter, o posicionamento da bolsa coletora abaixo da região pélvica,  implementação de bundles (medidas) de prevenção e a avaliação diária para  identificar alterações como presença de secreção, alteração da coloração da diurese  e a possibilidade de retirada precoce do cateter, são medidas essenciais para a  redução dos índices de infecção. Que ressaltam a importância de assegurar o conforto  e a privacidade do paciente por meio de uma comunicação empática. Além disso, o registro detalhado das intervenções e das respostas dos pacientes é vital para garantir  a continuidade da assistência, conforme recomendado pelas diretrizes em saúde  (SILVA et al., 2019). 

Bem como, destaca-se que a educação permanente em saúde e o  aperfeiçoamento das práticas assistenciais tem papel determinante na diminuição das  infecções. Estudos como o de Arrais et al., (2017) apontam que capacitações  regulares e auditorias de procedimentos contribuem significativamente para a  melhoria da qualidade do cuidado e da segurança do paciente. Em contrapartida,  autores como Rocha et al., (2023) e Batista et al., (2022) ressaltam que, apesar das  evidências disponíveis, ainda há falhas na adesão às recomendações, muitas vezes  relacionadas à sobrecarga de trabalho e à carência de recursos materiais. 

Diante disso, pontos relevantes nas publicações referem-se à identificação  precoce de sinais de complicações, especialmente de sepse urinária, condição  frequentemente associada à permanência prolongada do cateter. Segundo Sousa et  al., (2022), o reconhecimento de sintomas como febre, hipotensão, alteração do nível de consciência e turvação da urina deve ser imediato, com atuação rápida da equipe  de enfermagem para evitar desfechos graves 

Para além das considerações técnicas, a humanização da assistência é um  aspecto indispensável, pois o cateterismo pode causar desconforto e ansiedade nos  pacientes. Logo, intervindo com sensibilidade e empatia, o enfermeiro garante que o  paciente se sinta respeitado e apoiado durante o procedimento. Assim, a equipe de  enfermagem precisa estar apta para a identificação de intercorrências que poderão  ocorrer com o paciente durante o repouso no pós-procedimento, assumindo a conduta  necessária para atuar com eficiência e organização de forma que assistência seja  oferecida com qualidade (OLIVEIRA et al., 2021). 

As intervenções de enfermagem relacionadas ao cateterismo vesical devem  ser fundamentadas em evidências científicas e em protocolos institucionais voltados  à segurança do paciente e à prevenção de complicações, de acordo com Sakai et al.  (2020), a adoção de práticas baseadas em evidências reduz significativamente o risco  de infecções relacionadas à assistência à saúde. O planejamento do cuidado deve  abranger a identificação de fatores de risco individuais, como idade, sexo, presença  de comorbidades, estado imunológico e hábitos de higiene, além do monitoramento  contínuo das condições gerais e da integridade do trato urinário. 

Durante a inserção do cateter, torna-se imprescindível o uso de técnica  asséptica rigorosa, como higienização correta das mãos, utilização de materiais  estéreis e preparo adequado do ambiente, conforme orienta Barbosa et al., (2019). O  enfermeiro deve assegurar a privacidade e o conforto do paciente, promovendo  comunicação empática e esclarecendo todas as etapas do procedimento, a fim de  reduzir o desconforto e a ansiedade. Além disso, o registro das ações executadas e  das respostas do paciente deve ser realizado de forma sistemática, garantindo  rastreabilidade e continuidade do cuidado.

Segundo Nogueira et al., (2017), a consolidação de uma cultura de segurança  e o fortalecimento da educação permanente são estratégias fundamentais para a  redução das infecções relacionadas à assistência. A capacitação contínua da equipe  de enfermagem deve contemplar a atualização sobre técnicas de inserção,  manutenção e retirada do cateter, promovendo adesão às práticas seguras e  padronizadas. O enfermeiro deve avaliar diariamente a necessidade de permanência  do cateter e promover sua retirada precoce sempre que possível, reduzindo o tempo  de exposição e, consequentemente, o risco de infecção (ZIMMERMANN et al., 2025  & FREITAS et al., 2024). 

De acordo com Rocha et al., (2023) o estudo teve predominância do sexo  masculino entre os pacientes hospitalizados, com maior prevalência de infecção do  trato urinário relacionada a cateter (ITU-RC) em pacientes com menos de 60 anos. A  taxa de ITU-AC foi de 16,6%, associada principalmente ao tempo de internação e à  permanência do cateter vesical de demora (CVD). A prevenção das ITU-AC pode ser  otimizada com protocolos institucionais, manutenção adequada e remoção precoce  do cateter, destacando-se o papel essencial do enfermeiro na avaliação e cuidado dos  pacientes. 

Já na pesquisa de Barbosa et al., (2019) os bundles estão sendo  implementados em instituições hospitalares como estratégia preventiva para  infecções relacionadas a dispositivos, seguindo metodologias normatizadas,  conforme preconizado pela Portaria 2.616/98 do Ministério da Saúde. Essas  intervenções incluem capacitações e educação continuada dos profissionais de  saúde, mostrando resultados positivos na redução de infecções relacionadas à  assistência à saúde (IRAS). Esse estudo aponta uma redução da densidade de  incidência de ITU de 13,85% para 9,88% após implementação de protocolos, embora  o tempo médio de uso do cateter tenha sofrido pequena variação devido à  complexidade dos pacientes.

A redução do risco de infecções relacionadas à sondagem vesical depende da  consolidação de uma cultura de segurança na equipe de enfermagem, baseada em  conhecimento sobre fatores de risco e práticas assistenciais seguras. O estudo de  Nogueira et al., (2017) também revelou bom conhecimento sobre inserção e revisão  diária do cateter, mas lacunas quanto às indicações, manutenção e desconhecimento  do termo “bundle”, comprovam que a educação permanente é essencial para qualificar  o cuidado, reduzir iatrogenias e promover segurança do paciente. 

Conforme a literatura, o risco de infecção relacionada ao cateter aumenta cerca  de 5% a cada dia subsequente em que o cateter permanece inserido no paciente,  podendo alcançar índices de 35% a 70% após sete e catorze dias de cateterismo de  demora, respectivamente. Aproximadamente 50% dos pacientes com cateteres de  demora por 15 dias desenvolvem infecção do trato urinário (ITU), e quase 100% dos  pacientes apresentam a infecção após cerca de um mês de uso (BARBOSA et al.,  2019). 

Dessa forma, Sousa et al. (2022) explica que as complicações das infecções  do trato urinário associadas aos cateteres incluem uretrite supurativa, divertículo  uretral, fístula uretral, e estenose uretral, além de infecção local e irritação por  produtos químicos na superfície externa do cateter. 

As ITU’s associadas a cateteres estão relacionadas à alta taxa de custo de  internação hospitalar e morbidade. Quando não tratadas, essas infecções podem  evoluir para complicações graves, como pielite e pielonefrite, podendo ainda levar ao  óbito. Estima-se que a taxa de mortalidade associada à ITU relacionada ao cateter  seja de aproximadamente 10%. Além disso, o manejo da bexiga com CVD pode ser  dificultado por várias condições, como danos uretrais e formação de cálculos vesicais  (SAKAI et al., 2020). 

Em suma, a literatura evidencia que a qualificação do enfermeiro, a atualização  de protocolos e a integralização de práticas assistenciais fundamentadas em  evidências são determinantes para a prevenção de complicações, afirmando o papel  essencial do enfermeiro na promoção da segurança do paciente e na qualidade da  assistência. A ênfase em protocolos atualizados e na abordagem humanizada ressoa  como uma estratégia eficaz para enfrentar os desafios associados ao cateterismo vesical. A enfermagem, como protagonista no processo de cuidado, deve integrar o  conhecimento técnico-científico às práticas de segurança, desenvolvendo ações que  unam prevenção, educação e assistência qualificada (ARRAIS et al., 2017).

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS/CONCLUSÃO  

O presente estudo evidenciou que a atuação da enfermagem no cateterismo  vesical é fundamental para a prevenção de complicações, especialmente as Infecções  do Trato Urinário Associadas ao Cateter (ITU-AC). Observou-se que o cuidado  prestado pela equipe de enfermagem vai além da execução técnica do procedimento,  abrangendo a capacitação contínua, a implementação de protocolos institucionais e a  adoção de estratégias baseadas em evidências. Tais medidas contribuem para a  redução de riscos e danos ao paciente, a minimização de intercorrências, a promoção  de um ambiente seguro e a diminuição do tempo de internação, assegurando  assistência qualificada e humanizada. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha  papel central tanto na aplicação de técnicas assépticas quanto no monitoramento e  avaliação constante do paciente, oferecendo suporte, acolhimento e garantindo que o  procedimento seja realizado com ética, respeito, sensibilidade e segurança. 

Dessa forma, conclui-se que a assistência de enfermagem no cateterismo  vesical requer integração entre conhecimento técnico, protocolos assistenciais bem  definidos e vigilância contínua, a fim de prevenir complicações e promover a  segurança do paciente. A presença ativa do enfermeiro na identificação precoce de  intercorrências, no manejo adequado das situações adversas e na educação  permanente da equipe contribui significativamente para reduzir infecções e outros  agravos, fortalecendo a qualidade assistencial e a cultura de segurança. Assim, torna-se evidente que o papel da enfermagem é indispensável na promoção da saúde e no  bem-estar do paciente hospitalizado, assegurando cuidado humanizado e eficiente  durante todo o processo de cateterismo vesical.

7. REFERÊNCIAS  

ANGHINONI, Thelma Helena; CONTRIN, Ligia Márcia; BECCARIA, Lucia Marinilza; FRUTUOSO, Isabela Shumaher; RODRIGUES, Ana Maria da Silveira; WERNECK,  Alexandre Lins. Adesão ao protocolo de prevenção de infecção do trato urinário.  Revista de Enfermagem UFPE online, Recife, v. 12, n. 10, p. 2675-2682, out. 2018.  DOl: 10.5205/1981-8963-v12i10a234874p2675-2682-2018. 

ARRAIS, Eduardo Líneker Moreira; OLIVEIRA, Maria Liz Cunha de; SOUSA, Isaura Danielli Borges de. Prevenção de infecção urinária: indicadores de qualidade da assistência de enfermagem em idosos. Revista de Enfermagem UFPE on line, Recife, v. 11, n.8, p. 3151-3157, ago. 2017. DOI:10.5205/1981-8963-v11i8a110221p3151- 3157-2017. 

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¹Discente do Curso de Enfermagem na Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, Brasil

²Docente da  Universidade Anhembi Morumbi

³Co orientador e Preceptor do Curso de Enfermagem, Universidade Anhembi Morumbi

4Coordenadora Geral da Área da Saúde da Universidade Anhembi Morumbi