A INVISIBILIDADE DO HTLV NO CONTEXTO DA SAÚDE PÚBLICA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA EXTENSIONISTA EM EDUCAÇÃO EM SAÚDE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511172149


Ana Clara Oliveira dos Santos Amaral; Andressa de Moraes Cavalcante; Gabrielle Barreto Ramos; Isabela Corrêia Lino; Jamille Moraes Coelho; João Victor Rocha dos Santos; Karolany Gomes da Silva Ferreira; Mariana dos Santos Pereira; Raphaella Vieira Varela da Silva; Thaís Roberta da Silva Souza;
Orientador: Prof. Msc. Alexandro Alves Ribeiro


RESUMO

O Vírus Linfotrópico de Células T Humanas (HTLV) é uma infecção sexualmente transmissível  amplamente negligenciada no Brasil, tanto pela população quanto pelos profissionais de saúde.  Apesar da elevada prevalência, especialmente do tipo HTLV-1, associado a doenças graves  como a paraparesia espástica tropical (PET) e a leucemia/linfoma de células T do adulto (ATL),  o vírus permanece invisível nas estratégias de saúde pública. Essa negligência compromete o  diagnóstico precoce, o controle da transmissão e o cuidado integral às pessoas infectadas. Diante desse cenário, foi desenvolvida uma ação educativa na Universidade Veiga de Almeida,  campus Tijuca, com o objetivo de promover conhecimento sobre o HTLV entre estudantes  universitários. A atividade utilizou metodologias ativas e lúdicas, como exposição oral,  materiais gráficos, dinâmicas interativas e aplicação de questionários antes e após a intervenção.  Participaram 83 estudantes, majoritariamente jovens do sexo feminino. Os resultados  demonstraram um aumento significativo no nível de conhecimento sobre o HTLV após a ação,  especialmente em relação às formas de transmissão, ausência de cura e importância do  diagnóstico precoce. A maioria dos participantes reconheceu a relevância do tema,  evidenciando o impacto positivo da intervenção educativa. A experiência reforça a importância  da educação em saúde como ferramenta estratégica na Atenção Primária à Saúde, alinhada aos  princípios da Política Nacional de Educação Popular em Saúde. Conclui-se que iniciativas  educativas participativas são essenciais para dar visibilidade ao HTLV e promover o  enfrentamento de infecções sexualmente transmissíveis negligenciadas. 

Palavras-chave: HTLV; Educação em saúde; Infecções sexualmente transmissíveis; Extensão  universitária; Diagnóstico precoce.

ABSTRACT

The Human T-Cell Lymphotropic Virus (HTLV) is a sexually transmitted infection that is  widely neglected in Brazil, both by the population and by health professionals. Despite the high  prevalence, especially of the HTLV-1 type, associated with serious diseases such as tropical  spastic paraparesis (TSP) and adult T-cell leukemia/lymphoma (ATL), the virus remains  invisible in public health strategies. This negligence jeopardizes early diagnosis, transmission  control and comprehensive care for infected individuals. In light of this scenario, an educational  activity was developed at Veiga de Almeida University, Tijuca campus, with the aim of  promoting knowledge about HTLV among university students. The activity used active and  playful methodologies, such as oral presentation, graphic materials, interactive dynamics and  questionnaires before and after the intervention. Eighty-three students participated, mostly  young women. The results demonstrated a significant increase in the level of knowledge about  HTLV after the action, especially regarding the forms of transmission, lack of cure and  importance of early diagnosis. Most participants recognized the relevance of the topic,  highlighting the positive impact of educational intervention. The experience reinforces the  importance of health education as a strategic tool in Primary Health Care, aligned with the  principles of the National Policy for Popular Health Education. It is concluded that participatory  educational initiatives are essential to give visibility to HTLV and promote the fight against  neglected sexually transmitted infections. 

Keywords: HTLV; Health education; Sexually transmitted infections; University extension;  Early diagnosis.

1. INTRODUÇÃO  

A saúde pública no Brasil enfrenta obstáculos significativos no enfrentamento de  infecções silenciosas, especialmente aquelas de transmissão sexual, frequentemente  negligenciadas pela população e até mesmo por profissionais de saúde. Dentre essas infecções,  destaca-se o Vírus Linfotrópico de Células T Humanas (HTLV), um retrovírus humano  identificado na década de 1980, mas que ainda permanece à margem dos debates sobre saúde  pública. Essa marginalização contribui para a subnotificação de casos, o atraso no diagnóstico  e a perpetuação de comportamentos que favorecem sua disseminação. 

O HTLV pertence à família dos retrovírus e é classificado em dois tipos principais:  HTLV-1 e HTLV-2. O HTLV-1 é o mais prevalente e está associado a doenças graves, como a  Paraparesia Espástica Tropical (PET/TSP) e a Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto (ATL). Já o HTLV-2 é menos comum e suas implicações clínicas permanecem pouco  compreendidas. A transmissão do vírus pode ocorrer por diversas vias: relações sexuais  desprotegidas, compartilhamento de seringas, transfusão de sangue contaminado, transplante de órgãos e, principalmente, da mãe para o filho durante o aleitamento materno. As semelhanças  entre suas formas de transmissão e as do HIV evidenciam a necessidade de estratégias  semelhantes de prevenção, rastreamento e cuidado. No entanto, o HTLV ainda recebe atenção  limitada, tanto institucional quanto midiática, o que reforça sua invisibilidade epidemiológica. 

Estima-se que entre 800 mil e 2,5 milhões de brasileiros estejam infectados pelo HTLV,  colocando o Brasil como o país com o maior número absoluto de casos no mundo (BRASIL,  2023). Apesar disso, a infecção permanece amplamente negligenciada pelo sistema de saúde e  pelo meio acadêmico. Essa invisibilidade impede o diagnóstico precoce e o cuidado integral,  contribuindo para a sua transmissão silenciosa. O desconhecimento da população é um dos  principais entraves à implementação de ações efetivas de controle, diagnóstico e  acompanhamento, especialmente no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS) (MENEZES,  2018). 

Nesse cenário, a educação em saúde exerce papel estratégico, sobretudo na área da  Enfermagem, cuja atuação preventiva e comunitária pode promover maior visibilidade ao tema.  A Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS) propõe práticas participativas,  dialógicas e respeitosas em relação aos saberes populares, em consonância com os princípios  do Sistema Único de Saúde (SUS): universalidade, integralidade e equidade (BRASIL, 2012). 

Inspirado nessas diretrizes e na pedagogia libertadora de Paulo Freire, nosso grupo  desenvolveu um projeto de extensão universitária na Universidade Veiga de Almeida, campus Tijuca, por meio de uma oficina educativa com o objetivo de avaliar e ampliar o conhecimento  sobre o HTLV entre estudantes universitários. A iniciativa surgiu a partir de uma aula sobre  Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), que revelou um desconhecimento quase  absoluto entre os alunos acerca do HTLV. 

A oficina foi estruturada como um espaço interativo de troca de saberes, utilizando  metodologia ativa, dialógica e lúdica. Foram utilizados recursos visuais, distribuídos panfletos  informativos, realizada demonstração do uso correto de preservativos e promovidas dinâmicas  de grupo. Também foi aplicado um formulário antes e após a atividade para avaliar o  conhecimento prévio e a efetividade da intervenção. 

Durante a ação, priorizou-se não apenas a transmissão de informações técnicas, mas  também a valorização da escuta e das vivências dos participantes. Acreditamos que a educação  em saúde deve ser construída com base nas dúvidas e experiências da população, como  preconizam os princípios da Promoção da Saúde e da APS. O impacto do HTLV vai além do  biológico, gerando barreiras sociais e emocionais. Estudos apontam que pessoas que convivem  com o vírus enfrentam estigmas, inseguranças e dificuldade de acesso a cuidados especializados  (TEIXEIRA; HENNINGTON, 2021). 

Outro ponto que motivou a ação foi a necessidade de romper com o modelo biomédico  tradicional e verticalizado, ainda predominante em muitas práticas educativas. Observamos que  muitos estudantes confundiam o HTLV com o HIV, o que evidencia o déficit de informação  coletiva sobre o tema. No entanto, a participação ativa e o interesse demonstrado durante a  oficina comprovam que ações educativas bem estruturadas podem promover conscientização e  mudanças de comportamento. 

Este artigo visa, portanto, relatar a experiência de uma intervenção educativa com base  nos princípios da educação popular em saúde, com ênfase na infecção por HTLV. Acreditamos  que o compartilhamento dessa vivência pode estimular novas iniciativas dentro e fora do  ambiente acadêmico, além de fortalecer o compromisso com a disseminação de informações  em saúde. O enfrentamento de doenças negligenciadas como o HTLV exige conhecimento,  empatia, bem como ações coletivas comprometidas com a equidade no cuidado em saúde. 

2. METODOLOGIA  

A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de campo com delineamento em  estudo de caso com abordagem educativa, de natureza descritiva e com abordagem mista  (qualitativa e quantitativa). Teve como finalidade promover o conhecimento sobre o Vírus Linfotrópico da Célula T Humana (HTLV) entre os participantes e avaliar o impacto da ação  informativa na ampliação do nível de aprendizado. 

A pesquisa foi realizada nas dependências da Universidade Veiga de Almeida, situada  na cidade do Rio de Janeiro. A população do estudo foi composta por estudantes regularmente  matriculados na instituição, convidados a participar da intervenção de forma espontânea e  voluntária. Como critério de inclusão, considerou-se a presença durante toda a atividade e a  concordância em responder aos instrumentos aplicados. Foram excluídos os indivíduos que não  participaram integralmente da ação educativa ou que se recusaram a responder aos  questionários. 

A amostragem adotada foi do tipo não probabilística, por conveniência, composta por  83 alunos presentes no local no momento da atividade. Inicialmente, foi elaborado material de  apoio com conteúdo informativo e acessível sobre o HTLV, incluindo cartazes, panfletos  explicativos e brindes temáticos. Com o intuito de estimular a participação ativa dos estudantes  e proporcionar um espaço para esclarecimento de dúvidas, foram confeccionadas caixas de  perguntas, utilizadas durante toda a intervenção. 

A ação educativa foi conduzida por meio de uma apresentação oral expositiva, contendo  explicações detalhadas sobre o HTLV, seus sintomas, formas de transmissão, medidas de  prevenção e possibilidades de tratamento. Para a coleta de dados, utilizou-se um instrumento  estruturado na forma de questionário, contendo perguntas objetivas. O primeiro questionário  foi aplicado antes da apresentação, com o objetivo de avaliar o conhecimento prévio dos  participantes. Ao término da exposição, foi aplicado um segundo questionário com o mesmo  conteúdo, com a finalidade de mensurar o nível de conhecimento adquirido. 

Como estratégia complementar de reforço do conteúdo, foi promovido um jogo  educativo com premiação em brindes. Essa abordagem buscou consolidar as informações de  maneira lúdica e interativa, incentivando a participação dos estudantes e facilitando a fixação  dos temas abordados. 

Os dados coletados por meio dos questionários foram analisados de forma descritiva,  por meio da comparação entre as respostas obtidas antes e após a intervenção, o que permitiu  avaliar a efetividade da atividade educativa na construção do conhecimento sobre o HTLV entre  os alunos da Universidade Veiga de Almeida.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 

A intervenção educativa realizada com estudantes da Universidade Veiga de Almeida  proporcionou uma oportunidade concreta de mensurar o nível de conhecimento acerca do Vírus  Linfotrópico da Célula T Humana (HTLV) antes e após a aplicação de uma atividade  pedagógica informativa. A análise dos dados revelou um aumento considerável na compreensão  dos participantes sobre aspectos fundamentais do vírus, como suas formas de transmissão,  ausência de cura, doenças associadas e a importância do diagnóstico precoce. 

Inicialmente, observou-se que a maioria dos estudantes desconhecia a existência do  HTLV. De acordo com os dados coletados por meio do primeiro questionário, aplicado antes  da ação educativa, apenas uma pequena parcela dos participantes afirmou já ter ouvido falar  sobre o vírus. Essa constatação corrobora com estudos como o de Silva et al. (2021), que  evidenciam a baixa visibilidade do HTLV tanto na formação de profissionais de saúde quanto  nos meios de comunicação. Além disso, esse achado é coerente com a literatura internacional,  como indicado por Zihlmann et al. (2012), que destacam a negligência histórica e estrutural do  HTLV no campo da saúde pública, o que contribui para o seu desconhecimento por grande  parte da população, inclusive entre os próprios profissionais da área. 

A intervenção educativa, composta por exposição oral, material gráfico e atividades  lúdicas, demonstrou ser eficaz em promover mudanças significativas no conhecimento dos  estudantes. Após a exposição do conteúdo, verificou-se que a maioria dos participantes passou  a reconhecer que o HTLV pode ser sexualmente transmissível, não possui tratamento curativo  e pode estar relacionado a doenças graves como a paraparesia espástica tropical (PET) e a  leucemia de células T do adulto (LTA). Segundo o estudo de Caterino-de-Araujo et al. (2022),  estratégias de educação em saúde são fundamentais para romper o ciclo de desconhecimento  sobre o HTLV e contribuir para o diagnóstico precoce e a prevenção de novas infecções. 

Portanto, os resultados desta intervenção confirmam que ações educativas bem  estruturadas têm potencial para reduzir o desconhecimento e promover a conscientização sobre  o HTLV, sendo instrumentos essenciais tanto na formação acadêmica quanto nas práticas de  promoção da saúde. Além disso, evidenciam a urgência de políticas públicas voltadas à inclusão  do tema HTLV nas diretrizes curriculares dos cursos da área da saúde, bem como o  fortalecimento da comunicação em saúde, a fim de garantir maior visibilidade ao vírus e às  pessoas por ele afetadas. 

A ação educativa sobre o vírus HTLV, realizada na Universidade Veiga de Almeida,  contou com a participação de 83 pessoas, das quais 80,7% (67 pessoas) se identificaram como do sexo feminino, 13,3% (11 pessoas) como masculino e 6% (5 pessoas) como gênero  indeterminado, evidenciando uma predominância significativa do público feminino (Gráfico  1). A análise da faixa etária demonstrou uma predominância de jovens, especialmente aqueles  nascidos entre 2001 e 2010, que representam a maior parte dos entrevistados, mostrando a  importância de atividades educativas voltadas para esse público (Gráfico 2).

Gráfico 1. Porcentagem por gênero durante a ação educativa

Fonte: Pesquisa aplicada durante ação educativa sobre o HTLV, realizada por discentes de Enfermagem da  Universidade Veiga de Almeida – campus Tijuca

Gráfico 2. Distribuição por Faixa Etária e Sexo

Fonte: Pesquisa aplicada durante ação educativa sobre o HTLV, realizada por discentes de Enfermagem da  Universidade Veiga de Almeida – campus Tijuca

No que se refere ao conhecimento prévio sobre o HTLV, observou-se que a maioria dos  participantes, 84,3% (70 pessoas), nunca havia ouvido falar sobre o vírus, o que demonstra uma  grande falta de informação na comunidade (Gráfico 3). Quando questionados sobre a  possibilidade de transmissão sexual do HTLV, a conscientização foi bastante elevada, com  100% dos homens e 98,5% das mulheres respondendo corretamente que o vírus pode ser  transmitido por essa via, indicando que há uma percepção mais ampla sobre os riscos  relacionados às infecções sexualmente transmissíveis (Gráfico 4).

Gráfico 3. Você já ouviu falar sobre o vírus HLTV?

Fonte: Pesquisa aplicada durante ação educativa sobre o HTLV, realizada por discentes de Enfermagem da  Universidade Veiga de Almeida – campus Tijuca

Gráfico 4. Você acredita que o HLTV pode ser transmitido sexualmente?

Fonte: Pesquisa aplicada durante ação educativa sobre o HTLV, realizada por discentes de Enfermagem da
Universidade Veiga de Almeida – campus Tijuca

Em relação ao conhecimento sobre a existência de tratamento específico ou cura para o  HTLV, 68 participantes responderam que não tinham conhecimento, o que reflete uma falta de  informação sobre o manejo clínico do vírus e reforça a necessidade de mais campanhas  informativas (Gráfico 5). Contudo, após a intervenção educativa, 79 pessoas relataram ser  capazes de identificar corretamente as principais formas de transmissão do HTLV,  demonstrando que a ação teve um impacto positivo na disseminação do conhecimento (Gráfico  6).

Gráfico 5. Você sabe se existe tratamento específico ou cura para o HTLV?

Fonte: Pesquisa aplicada durante ação educativa sobre o HTLV, realizada por discentes de Enfermagem da  Universidade Veiga de Almeida – campus Tijuca

Gráfico 6. Você agora consegue identificar as principais formas de transmissão do HTLV?

Fonte: Pesquisa aplicada durante ação educativa sobre o HTLV, realizada por discentes de Enfermagem da  Universidade Veiga de Almeida – campus Tijuca

Após a ação educativa, a maioria dos participantes afirmou compreender melhor as  doenças que podem estar associadas ao HTLV, o que indica um bom aproveitamento da  atividade (Gráfico 7). Além disso, 88% reconheceram a importância do diagnóstico precoce e  do acompanhamento contínuo das pessoas portadoras do vírus, mostrando que a ação conseguiu  sensibilizar os presentes quanto à relevância da detecção e monitoramento dessa infecção  (Gráfico 8).

Gráfico 7. Você entende quais doenças podem estar relacionadas ao HTLV?

Fonte: Pesquisa aplicada durante ação educativa sobre o HTLV, realizada por discentes de Enfermagem da  Universidade Veiga de Almeida – campus Tijuca

Gráfico 8. Você reconhece a importância do diagnóstico precoce e do  acompanhamento dos portadores de HLTV?

Fonte: Pesquisa aplicada durante ação educativa sobre o HTLV, realizada por discentes de Enfermagem da  Universidade Veiga de Almeida – campus Tijuca

De maneira geral, os resultados demonstram que, apesar do conhecimento prévio sobre  o HTLV ser limitado entre os participantes, a ação educativa se mostrou efetiva em informar e  conscientizar os participantes sobre as formas de transmissão, os riscos e a importância do  diagnóstico e acompanhamento dos portadores. . 

Esses dados reforçam a necessidade de intensificar campanhas educativas, tanto em  ambientes acadêmicos quanto na comunidade, visando ampliar o conhecimento sobre o HTLV  e outras infecções de transmissão sexual que ainda são pouco discutidas. Além disso, destaca-se a importância de incluir esse tema em currículos de formação, rodas de conversa e projetos  de extensão, de modo a promover a conscientização, quebrar tabus e estimular o diagnóstico  precoce, contribuindo assim para a redução da transmissão e para o cuidado adequado das  pessoas que convivem com o vírus. 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS  

A intervenção educativa sobre o HTLV evidenciou a urgência de ampliar a  disseminação de informações sobre o vírus, que permanece invisível nas práticas e políticas de  saúde pública. A atividade demonstrou que ações simples, mas bem estruturadas, podem gerar  impacto significativo no nível de conhecimento da população, sobretudo em ambientes  acadêmicos. 

Além de promover aprendizado, a ação também estimulou o debate e o interesse dos  participantes, indicando que há receptividade para temas pouco discutidos quando abordados  de maneira dialógica e respeitosa. O engajamento dos estudantes revelou o potencial das  práticas educativas baseadas na pedagogia freiriana para transformar o cuidado em saúde. 

Dessa forma, recomenda-se a inclusão do tema HTLV nos currículos da área da saúde,  bem como a continuidade de ações de extensão voltadas à educação popular em saúde, com  vistas à promoção do cuidado equânime e à redução das desigualdades no acesso à informação  e aos serviços de saúde.

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