SÍNDROME DE BURNOUT EM ENFERMEIROS NO PRONTO-SOCORRO

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511191320


Bruna de Sousa Silva Pinheiro¹
Daniela Sirqueira Farias¹
Emanuelle Vitória Queiroz dos Santos¹
Luana Andrade Nunes¹
Vitória Milena Rodrigues da Silva¹
Orientador: Silvana Flora de Melo²
Co orientador: Profº. Alessandro Correia da Rocha²
Coordenadora: Profª. Jamila Fabiana Costa³


RESUMO 

Introdução: A síndrome de Burnout é uma condição psicossocial de crescente interesse entre os profissionais de Enfermagem, principalmente o enfermeiro que atua no Pronto-Socorro (PS), devido à elevada exposição a situações de alta complexidade, tomada de decisões rápidas e atendimento a pacientes em estado crítico, resultando em exaustão emocional, despersonalização e redução do sentimento de realização profissional. De maneira geral, esse fenômeno compromete a saúde física e mental dos enfermeiros, bem como a qualidade e a segurança dos cuidados prestados, configurando-se como um grande desafio para a gestão hospitalar e para a saúde pública. A alta demanda de atendimento somada ao baixo dimensionamento vem gerando sobrecargas de trabalho, especialmente ocasionadas por crises sanitárias, como no período da pandemia de COVID-19, bem como a escassez de recursos humanos, evidenciando a vulnerabilidade desses profissionais ao desenvolvimento da síndrome de Burnout, tornando o tema ainda mais atual e necessário para investigações. Objetivos: Considerando uma perspectiva mais ampla, o Burnout em enfermeiros do PS reflete problemas organizacionais e sociais, como a pressão por produtividade, a falta de suporte institucional e a dificuldade de equilibrar demandas profissionais e pessoais, impactando não apenas o desempenho individual, mas também a eficiência do sistema de saúde e a satisfação do paciente. Tendo em vista esse fator, este estudo tem como finalidade uma revisão bibliográfica narrativa de caráter exploratório, com dados qualitativos, sobre a síndrome de Burnout em enfermeiros de pronto-socorro, bem como investigar as medidas que devem ser adotadas em ambiente de trabalho para aliviar as tensões causadas pelo estresse excessivo. Método: A presente pesquisa caracteriza-se como uma revisão bibliográfica narrativa de caráter exploratório, com dados qualitativos. Para a condução da busca, foram utilizados descritores cadastrados nos Descritores de Ciências da Saúde (DeCS), especificamente “Síndrome de Burnout” e “Enfermeiros do Pronto-Socorro”. Resultados: A maioria dos estudos analisados apontam que a prevalência da síndrome de Burnout em enfermeiros de pronto-socorro é elevada, sendo a exaustão emocional o componente mais frequente, seguida da despersonalização e da redução da realização profissional. Ainda, identificou-se que os principais fatores de risco incluem: longas jornadas de trabalho, sobrecarga de tarefas, falta de apoio institucional, alta demanda emocional devido ao atendimento a pacientes em estado crítico, conflitos interpessoais e ausência de estratégias de prevenção. Além disso, a literatura aponta que a síndrome de Burnout impacta negativamente a saúde física e mental dos profissionais, aumentando o risco de doenças psicossomáticas, insônia, estresse crônico e diminuição da satisfação profissional. Os resultados também destacam que o Burnout afeta a qualidade do atendimento, podendo gerar erros, redução da empatia e diminuição da segurança do paciente. Conclusões: Quanto às estratégias de mitigação, os estudos apontaram que programas de suporte psicológico, educação continuada, rodízio de tarefas, redução da carga horária e políticas organizacionais de valorização profissional contribuem significativamente para a prevenção da síndrome. Observa-se ainda que ambientes de trabalho com gestão participativa, reconhecimento profissional e suporte social reduzem os níveis de Burnout. Logo, a análise da produção científica entre 2015 e 2025 evidencia a necessidade de ações integradas que considerem fatores individuais e institucionais, reforçando a importância de políticas de saúde organizacionais que promovam bem-estar, sustentabilidade e produtividade entre enfermeiros de pronto-socorro.

Descritores: Burnout, enfermagem, esgotamento psicológico, pronto-socorro.

1.  INTRODUÇÃO

Segundo Sé et al. (2020), o Burnout é uma síndrome caracterizada por resposta ao estresse laboral crônico, manifestando-se como uma experiência subjetiva composta por cognições, emoções e atitudes negativas no ambiente de trabalho. Nos últimos anos, essa condição tem despertado interesse constante entre os profissionais da saúde mental, devido aos impactos significativos que pode causar no bem-estar individual e na qualidade dos cuidados prestados aos pacientes.

Segundo a 11ª versão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), sob o código QD85, essa condição é denominada síndrome do esgotamento profissional (Burnout), sendo conceituada como resultante do estresse crônico no ambiente de trabalho que não foi bem manejado. Essa síndrome é caracterizada por três dimensões sintomatológicas: (1) sensação de falta de energia ou exaustão; (2) aumento da distância mental em relação ao trabalho, ou sentimentos negativos ou cínicos relacionados ao trabalho; e (3) sensação de ineficácia e falta de realização. Assim, o esgotamento se refere especificamente a fenômenos relacionados ao local de trabalho e não deve ser utilizado para descrever experiências em outras áreas da vida (CAMPOS et al., 2020).

Campos et al. (2020) destacam a importância de distinguir o Burnout de outros conceitos relacionados, como estresse e ansiedade. Enquanto o estresse é uma resposta adaptativa do organismo a estímulos súbitos ou ameaçadores, e a ansiedade caracteriza-se por uma sensação de pavor ou desastre iminente, o Burnout deve ser compreendido como uma reação ao estresse excessivo exclusivamente relacionado ao ambiente laboral, manifestando-se como exaustão emocional e física, além de frustração e sentimento de fracasso.

Ferreira et al. (2024) afirmam que, apesar do crescimento das pesquisas sobre a síndrome, o enfrentamento do Burnout ainda apresenta desafios relevantes. Frequentemente, essa condição é confundida com sinais de estresse intenso, depressão ou outras alterações psicoemocionais não associadas ao trabalho, o que pode ocasionar diagnósticos equivocados. Tal situação é preocupante, pois avaliações incorretas podem gerar impactos sérios tanto para o indivíduo quanto para o contexto laboral.

Quando uma condição de saúde é interpretada de maneira inadequada ou submetida a tratamento incorreto, a intervenção se torna ineficaz, podendo agravar o quadro clínico do paciente. No contexto organizacional, essa situação pode resultar em maior número de afastamentos e comprometer o desempenho coletivo, gerando custos extras com ajustes e queda da produtividade (FERREIRA et al., 2024).

A atuação dos enfermeiros do pronto-socorro pode ser profundamente afetada por diagnósticos incorretos, pois estão sujeitos a fatores que aumentam o risco de adoecimento, como excesso de tarefas, desgaste físico e emocional, contato direto com pacientes em estado crítico, além da exposição constante à dor, ao sofrimento e à morte. Essa combinação pode gerar consequências negativas tanto para a saúde do profissional quanto para a qualidade da assistência prestada.

Nessa perspectiva, Moreira e Honório (2022) afirmam que o Burnout não se limita à esfera individual, uma vez que afeta diretamente a qualidade do atendimento e a eficiência operacional das instituições de saúde. A sobrecarga emocional e a redução da motivação podem comprometer decisões clínicas, aumentar a probabilidade de erros e gerar repercussões negativas para pacientes e equipes multidisciplinares. Adicionalmente, a ocorrência dessa condição entre enfermeiros acarreta implicações econômicas significativas, pois o absenteísmo, a rotatividade de pessoal e a necessidade de programas de readaptação elevam os custos organizacionais.

De acordo com Lopes et al. (2022), é evidente a necessidade da implementação de estratégias preventivas e de programas estruturados de suporte psicológico, pois tais intervenções não apenas mitigam o impacto do estresse ocupacional sobre a saúde mental dos enfermeiros, como também promovem a continuidade operacional, reduzem a incidência de absenteísmo e favorecem a sustentabilidade organizacional.

Jarruche e Mucci (2021) analisam a questão sob a ótica econômica e dos impactos laborais, indicando que os custos relacionados ao absenteísmo tendem a ser reduzidos mediante a implementação de estratégias de prevenção. Essas medidas evitam afastamentos, reduzem gastos com tratamento e diminuem a necessidade de readaptação profissional. Entretanto, quando o adoecimento já se manifesta, torna-se imprescindível uma intervenção ativa, pois, na ausência de medidas preventivas, o tratamento passa a ser inevitável.

Segundo o Ministério da Saúde (2024), o diagnóstico da síndrome de Burnout deve ser realizado por profissionais especializados, como psiquiatras e psicólogos, que utilizam critérios específicos para avaliar sintomas como exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal no trabalho. Dessa forma, a correta avaliação desses sintomas torna-se fundamental para diferenciar o Burnout de outras condições psiquiátricas, garantindo um diagnóstico preciso e um tratamento adequado. Entre os instrumentos utilizados, destaca-se o Maslach Burnout Inventory (MBI), que passou por validação em diversos países, inclusive no Brasil, permitindo a coleta de dados confiáveis para a investigação da síndrome (LUZ et al., 2021).

Diante do exposto, este estudo tem como objetivo geral analisar a prevalência e os impactos da síndrome de Burnout em enfermeiros que atuam no pronto-socorro. Especificamente, busca-se identificar os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento da síndrome, compreender as consequências do Burnout na saúde mental e no desempenho profissional dos enfermeiros, bem como apontar estratégias preventivas e institucionais voltadas à promoção e bem-estar desses individuos. 

2.  OBJETIVO

Analisar a prevalência e os impactos da Síndrome de Burnout em enfermeiros que atuam no pronto-socorro, considerando os fatores ocupacionais, emocionais e institucionais que contribuem para o seu desenvolvimento.

3.  MATERIAIS E MÉTODOS 

A presente pesquisa caracteriza-se como uma revisão bibliográfica narrativa de caráter exploratório, com dados qualitativos. Para a condução da busca, foram utilizados descritores cadastrados nos Descritores de Ciências da Saúde (DeCS), especificamente “Síndrome de Burnout” e “Enfermeiros do Pronto-Socorro”. As buscas foram realizadas em bases de dados eletrônicas reconhecidas pela relevância científica, incluindo PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science e PsycINFO, além de repositórios institucionais e bibliotecas digitais de universidades brasileiras, como a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O período de busca compreendeu publicações entre os anos de 2015 e 2025, assegurando, assim, a atualidade e pertinência das informações analisadas.

3.1   Método de busca de publicações

A definição dos materiais e métodos adotados neste trabalho foi essencial para a construção de uma revisão bibliográfica consistente. Considerando que o objetivo central da pesquisa consiste em analisar a Síndrome de Burnout em enfermeiros atuantes no pronto-socorro, optou-se por um delineamento metodológico baseado na revisão narrativa, de caráter exploratório, com dados qualitativos. Tal escolha se justifica pela necessidade de compreender o fenômeno a partir de múltiplas perspectivas já abordadas pela literatura científica, identificando fatores de risco, impactos ocupacionais e estratégias de enfrentamento em um ambiente marcado pela sobrecarga de trabalho, estresse e alta demanda assistencial.

O método adotado privilegiou o levantamento sistemático em bases de dados nacionais e internacionais, a seleção criteriosa das publicações por meio de critérios de inclusão e exclusão previamente definidos e a posterior organização, análise e interpretação crítica das informações obtidas. Esse percurso metodológico buscou assegurar a confiabilidade da pesquisa e oferecer um panorama atualizado da produção científica relacionada ao tema nos últimos dez anos.

3.2   Procedimentos de seleção das publicações

Os critérios de inclusão abrangeram artigos publicados em língua portuguesa, disponibilizados integralmente e de acesso gratuito, que abordassem diretamente a Síndrome de Burnout em enfermeiros de pronto-socorro. Além disso, priorizou-se a seleção de estudos que apresentassem resultados claros e pertinentes à questão de pesquisa, com destaque para fatores desencadeantes, impactos ocupacionais e estratégias de prevenção no contexto de atendimento emergencial.

Como critérios de exclusão, foram desconsiderados artigos repetidos, publicações que não correspondessem aos objetivos propostos e trabalhos anteriores a 2015. O processo de triagem iniciou-se pela leitura dos títulos e resumos dos artigos identificados nas bases de dados, sendo posteriormente realizada a leitura integral apenas daqueles que apresentaram compatibilidade com a pergunta norteadora da pesquisa. Essa etapa assegurou a seleção direcionada dos estudos, garantindo maior consistência metodológica ao trabalho.

3.3   Extração e sumarização dos dados

Após a seleção dos artigos considerados elegíveis, realizou-se a organização e a análise sistemática dos dados. Assim, o objetivo foi reunir e comparar os principais elementos metodológicos e os resultados descritos nos estudos, possibilitando uma leitura crítica e integrada do material. Para facilitar essa sistematização, elaborou-se um quadro (Quadro 1) descritivo, contemplando autores, ano de publicação, objetivos de cada estudo, resultados e conclusões, com destaque para os achados relacionados à Síndrome de Burnout em enfermeiros atuantes no pronto-socorro.

A análise dos dados foi conduzida de forma exploratória, com abordagem qualitativa, possibilitando não apenas a sistematização das informações, mas também a identificação de pontos convergentes e divergentes entre os estudos revisados. Essa abordagem permitiu uma interpretação crítica e aprofundada dos resultados, evidenciando tendências, lacunas e desafios específicos relacionados ao Burnout nesse grupo profissional.

4.  RESULTADOS 

Foram encontrados um total de 557 artigos, somente após a remoção dos duplicados (n = 58) obteve-se 260 artigos que compuseram o corpus de análise. Desta maneira, a Figura 1 apresenta os processos envolvidos na exclusão dos artigos, tendo como resultado final o equivalente a 10 artigos para análise.

Figura 1 – Diagrama do processo de inclusão e exclusão dos estudos

Fonte: Próprio autor, 2025.

Quadro 1 – Análise de artigos científicos

AutorBase de dadosPeriódicoObjetivoResultados/conclusões
Ferreira et al. (2015)ScieloRev. Universidade Vale do Rio Verde.Verificar a prevalência             da síndrome de
Burnout em enfermeiros do hospital metropolitano de urgência e emergência (HMUE)
O estudo aponta que o termo Burnout foi divulgado pela primeira vez na comunidade, pelo médio Herbert Freudenberger em uma revista de psicologia em 1974, porém apenas em 1977 que o termo começou a se popularizar pelos psicólogos e, logo após, começou a tomar nota quanto aos impactos a saúde pública se essa síndrome não fosse reconhecida. A partir disso, o estudo quantitativo envolveu a entrevista de 90 enfermeiros do setor de urgência do Hospital Metropolitano. Através da aplicação do questionário com o método Maslach Burnout Inventory (MBI), concluiu-se que a exaustão emocional atinge uma média de 30,5 no valor do escore dos enfermeiros entrevistados, a despersonalização atinge 8,4 e baixo nível de realização profissional com 40,7. O estudo sugere melhorias na saúde dos enfermeiros através de apoio psicológico e a melhoria do ambiente de trabalho.
Oliveira; Coutinho e Pinheiros (2015)ScieloInter Faces CientíficasIdentificar a presença da Síndrome de Burnout e seus possíveis preditores em enfermeiros atuantes em um grande             pronto-socorro público de SergipeO estudo adotou uma abordagem exploratória, descritiva e quantitativa. A coleta de dados foi feita por meio da aplicação do questionário estruturado autoaplicável, incluindo o Maslach Burnout Inventory (MBI). A amostra composta por 27 enfermeiros, teve como resultado índices de 93,9% de exaustão emocional e 60% de baixa realização profissional. Esses resultados apontam uma alta incidência de Burnout atribuída ao ambiente de trabalho sobrecarregado e as condições organizacionais do pronto-socorro.
Lucena e Benito (2015)CapesUniversidade Ciências SaúdeIdentificar a ocorrência da Síndrome de Burnout em enfermeiros na assistência ao pronto-socorro (PS)A pesquisa abordou cerca de 129 enfermeiros, sendo que apenas 53,50% quiseram responder as perguntas do questionário, 15,50% estavam de férias, 19,40% foram extraviador e 11,60% se recusaram a responder. Quanto ao sexo dos entrevistados, 62,30% se apresentou ser do sexo feminino, 55,10% apresenta estado civil como casado (a). Quanto a carga horária de trabalho, os profissionais entrevistados, 71% afirmou que cumpriam 40 horas semanais, enquanto 85,50% afirmou não possuía outro vínculo empregatício. Os resultados evidenciam um nível moderado de exaustão emocional (65,20%) e de despersonalização (60,90%), enquanto a sensação de realização profissional predominou com níveis altos (84,10%). 
Sousa (2018)BVSTempusInvestigar a presença de sinais e sintomas de esgotamento físico e mental em da equipe de enfermagem da unidade de pronto-socorro do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC- UFG).A pesquisa é de natureza exploratória, de caráter quantitativo, no qual os dados foram coletados através de entrevistas com enfermeiros. Desta maneira, foram entrevistados cerca de 31 enfermeiros, onde os resultados apontaram que as dores musculares são prevalentes entre esses indivíduos com 46,5%, as fadigas e transtornos cardiovasculares representaram 46,5%, distúrbios de sono 11,7%. Ademais, dentre os entrevistados, 74,2% apresentam algum sintoma que indicasse mudanças de comportamento, sendo o mais comum o conflito entre colegas. Com isto, nota-se a prevalência da síndrome de Burnout em 45,1% dos entrevistados (em fase inicial) e 35,5% possuem a probabilidade alta de desenvolvimento.
Pires et al., (2020).BVSRev. Enferm. UFPE online.Verificar o score para a classificação da síndrome de Burnout e determinar sua prevalência entre enfermeiros e técnicos de enfermagem no pronto-socorro de um hospital público de ensino.Estudo realizado em Uberaba, Minas Gerais, no pronto-socorro adulto do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HCUFTM). A pesquisa desenvolvida é de caráter quantitativo, descritivo e transversal. Desta maneira, houve a coleta de dados com 36 enfermeiros, incluindo aplicação do Maslach Burnout Inventory (MBI). Os resultados apontaram a prevalência de exaustão emocional moderada e alta em 90% dos enfermeiros; Alta despersonalização (66,7%); Baixa realização profissional (63,9%); Aproximadamente cerca de 13,9% dos enfermeiros apresentam a Síndrome de Burnout. Não houve associação significativa entre variáveis sociodemográficas e a ocorrência da síndrome. A maioria dos profissionais apresentou níveis moderados e altos de esgotamento, evidenciando a necessidade de estratégias de prevenção e cuidado à saúde mental desses trabalhadores.
Maciel; Gonçalves (2020)BVSQuadriênioAnalisar os fatores de prevalência da síndrome de Burnout em Enfermeiros.O estudo aponta que o Ministério da Saúde reconhece a síndrome de Burnout como uma condição que atrapalha o desempenho dos enfermeiros, principalmente pelo grande esforço psicológico que os indivíduos devem ter frente a diferentes situações em ambiente hospitalar. Por isso, problemas de saúde relacionadas ao trabalho é classificado pelo código Z73. 0 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão – CID-10). Os resultados da pesquisa enfatizam que a SB é um distúrbio de comportamento mental que atinge profissionais, gerando baixa produtividade e diminuindo seu bem- estar. Além disso, o estudo reconhece que o ambiente de trabalho é o principal responsável pela saúde mental dos enfermeiros, e por esse motivo, deve-se colocar em prática estratégias para mitigar a presença dessa síndrome.
Rocha et al. (2022)Google AcadêmicoRevista enfermagem atualAnalisar os impactos da pandemia de COVID-19 no desenvolvimento da Síndrome de Burnout em enfermeirosO estudo possui uma abordagem transversal de caráter quantitativo. Desta maneira, a pesquisa foi desenvolvida com enfermeiros de atuantes no enfrentamento à pandemia de covid-19 em uma unidade de pronto socorro e uma maternidade de Valença/RJ. Para essa avaliação, utilizou-se o Inventário de Burnout de Maslach (MBI), aplicado entre agosto e setembro de 2021. Os resultados indicaram que a maioria dos participantes eram do sexo feminino (80%), com idades entre 30 e 34 anos (33%), e que 64% tinham até 4 anos de atuação na enfermagem. Entre eles, predominou-se a exaustão emocional com 35% e baixa realização profissional em 43%. Esses resultados apontam para uma significativa incidência de Burnout entre os profissionais de enfermagem na linha de frente à pandemia de COVID-19, evidenciando a necessidade de ações preventivas e de suporte psicológico para esses trabalhadores
Moreira e Honório (2022)ScieloRevista gestão organizacionalDescrever e analisar o trabalho dos enfermeiros que atuam nos serviços de emergência de um hospital público de Belo Horizonte.O referido estudo buscou abordar 10 enfermeiros emergencistas de um hospital público. Assim, fez-se a entrevista coletando dados demográficos e ocupacionais de sexo, faixa etária, estado civil, turbo de trabalho e setor de atuação. As entrevistas foram desenvolvidas de forma remota, através da plataforma Zoom. Entre o sexo predominante, o feminino corresponde 70%, a faixa etária dos entrevistados está dentro de 31 a 50 anos, 40% dos entrevistados possuem união conjugal, 30% são divorciados e 30% solteiros. A entrevista concluiu que grande parte dos entrevistados possuem uma exaustão física e esgotamento emocional elevados que estão relacionadas a situações que os predispõem à exaustão e ao adoecimento, principalmente devido as próprias características do trabalho realizado, bem como a carga horária excessiva.
Ferreira et al. (2024)LILACSAcervo SaúdeInvestigar os principais fatores que influencia no desenvolvimento da Síndrome de Burnout em enfermeiros de unidades de emergência hospitalar. O estudo em questão é de natureza qualitativa, respeitando critérios de inclusão com artigos de 2014 a 2024, com a pesquisa sistémica em base de dados científica no Scielo, PubMed, LILACS). Os resultados mostraram uma alta prevalência de Burnout em enfermeiros, principalmente naqueles que apresentam jornadas de trabalho exaustivas, bem como a falta de recursos e apoio institucional, além da exaustão física e emocional. Todos esses fatores evidenciam a necessidade de implementar políticas institucionais que promovam ambientes de trabalho mais saudáveis, com apoio psicológico e melhorias nas condições laborais.
Viana; Kawagoe (2023)  Analisar a relação entre a Síndrome de Burnout e a empatia autorreferida pela equipe de enfermagem, bem como a empatia percebida pelos pacientes, em período de COVID-19. O estudo apresentado possui uma abordagem quantitativa, sendo realizado a pesquisa em prontos-socorros público no município de São Paulo. Desta forma, mesmo ocorreu em outubro de 2020 a novembro de 2021, onde o estudo optou pela entrevista de 92 profissionais da saúde e pacientes atendidos por eles, os critérios de inclusão foram: enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem da assistência direta, no mínimo, há seis meses. Além disso, a amostra comporta a entrevista de três pacientes por profissional de enfermagem participante. Os resultados apontam que que cerca de 86,96% dos profissionais relataram impacto na sua saúde mental durante a pandemia e 75% deles identificaram um aumento na Síndrome de Burnout. Apesar desse aumento, 74% dos profissionais tiveram baixos níveis de exaustão emocional, 78% de despersonalização, e 83% de realização profissional alta. Quanto a empatia, a maioria dos profissionais relataram impacto positivo da pandemia e um aumento na empatia auto-relatada, com médias de 39,89 (profissionais) e 38,25 (pacientes), mostrando níveis elevados de empatia percebida.

Fonte: Autoria própria, 2025.

5.  DISCUSSÃO 

A presente revisão identificou inicialmente 557 artigos científicos sobre a Síndrome de Burnout em enfermeiros de pronto-socorro. Após a remoção de duplicados (n = 58) e aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, o corpus final da pesquisa foi composto por 10 estudos relevantes. 

Os resultados demonstram que a Síndrome de Burnout é um fenômeno recorrente entre enfermeiros que atuam em setores de urgência e emergência hospitalar, reforçando que o ambiente de trabalho exerce influência direta sobre o desenvolvimento do esgotamento físico e mental. Os achados de Ferreira et al. (2015) e Pires et al. (2020) corroboram essa constatação, ao apontarem índices elevados de exaustão emocional e baixa realização profissional entre profissionais de enfermagem.

A exaustão emocional surge como o componente mais frequente, associada ao contato contínuo com situações de dor e sofrimento, longas jornadas e alta pressão assistencial. Em estudo de Sousa (2017), 46,5% dos profissionais relataram dores musculares e fadiga, e 45,1% apresentaram sinais iniciais de Burnout, evidenciando que o impacto ultrapassa o campo psicológico, atingindo também a saúde física e a capacidade laboral.

Outro aspecto relevante é a redução do sentimento de realização profissional, observada em mais de 60% dos enfermeiros investigados por Oliveira, Coutinho e Pinheiros (2015). A ausência de reconhecimento e o baixo suporte institucional agravam a vulnerabilidade emocional, contribuindo para a desmotivação e o afastamento do trabalho. Moreira e Honório (2022) destacam que a síndrome não apenas compromete o indivíduo, mas também repercute negativamente na produtividade, aumentando a rotatividade e o absenteísmo.

O período da pandemia de COVID-19 intensificou significativamente o cenário de esgotamento entre os profissionais de saúde. Estudos de Rocha et al. (2022) e Viana e Kawagoe (2023) indicaram um aumento expressivo dos níveis de Burnout entre enfermeiros que atuaram na linha de frente, devido à sobrecarga de trabalho, ao medo de contaminação e à escassez de recursos humanos e materiais. Apesar desse quadro, alguns profissionais relataram maior empatia e senso de solidariedade durante a crise sanitária, o que demonstra a capacidade de resiliência e de ressignificação do cuidado.

As consequências da síndrome afetam não apenas o profissional, mas também a qualidade da assistência prestada. Ferreira et al. (2024) apontam a associação entre o Burnout e o aumento de doenças psicossomáticas, insônia, ansiedade e estresse crônico, além de falhas assistenciais e redução da segurança do paciente. Esses impactos evidenciam que o Burnout deve ser compreendido como um problema organizacional e estrutural, e não apenas individual.

Dessa forma, a principal discussão deste estudo refere-se à necessidade de fortalecimento do apoio institucional e da valorização profissional como estratégias essenciais para reduzir o Burnout entre enfermeiros de pronto-socorro. Programas de suporte psicológico, educação continuada e políticas de gestão participativa são apontados como medidas eficazes na promoção da saúde mental e na melhoria do desempenho organizacional (LOPES et al., 2022).

Embora esta revisão tenha identificado avanços na literatura, observa-se que a aplicação prática dessas estratégias ainda é incipiente na realidade hospitalar brasileira. Contudo, os resultados reforçam a urgência de políticas institucionais integradas que priorizem ambientes de trabalho saudáveis, reconheçam o esforço dos profissionais e implementem ações de prevenção contínua direcionadas ao bem-estar e à sustentabilidade da equipe de enfermagem.

6.  CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão evidenciou que a Síndrome de Burnout se constitui como um problema severo entre enfermeiros atuantes em unidades de pronto-socorro, sendo intensificada pela sobrecarga de trabalho, pela escassez de recursos humanos e materiais e pela insuficiência de apoio institucional. Esses fatores, aliados às longas jornadas e ao contato constante com situações de sofrimento, configuram o ponto mais crítico da síndrome, caracterizado pelo desequilíbrio entre as exigências laborais e a capacidade de recuperação física e emocional do profissional. 

Os sintomas mais recorrentes incluem exaustão emocional, dores físicas, insônia, irritabilidade e redução da realização profissional, enquanto a ausência de políticas organizacionais efetivas de prevenção e suporte psicológico agrava o quadro e compromete tanto a saúde do trabalhador quanto a qualidade e a segurança da assistência prestada. Com isto, conclui-se que o enfrentamento da Síndrome de Burnout em enfermeiros de pronto-socorro requer políticas integradas de prevenção e promoção da saúde mental, que contemplem acompanhamento psicológico contínuo, capacitação profissional e práticas de valorização no ambiente de trabalho.

7.  REFERÊNCIAS

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2 Orientadora – Docente da universidade Anhembi Morumbi
2 Co orientador – Docente da universidade Anhembi Morumbi
3 Coordenadora -Coordenadora da universidade Anhembi Morumbi