CORRECTION OF SOIL ACIDITY BY APPLYING CALCIUM OXIDE AND MAGNESIUM OXIDE IN COFFEE CULTIVATION IN THE CERRADO MINEIRO REGION
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511191320
Ana Júlia de Oliveira da Silva1
Inácio José Rodrigues Neto2
Orientador: Prof. Dr. Danilo de Araujo Soares
ABSTRACT: This study evaluated the efficiency of soil acidity correction through the application of different doses of a calcium and magnesium oxide soil amendment in a coffee plantation in the Cerrado Mineiro region. The experiment was conducted at Fazenda Guaritas, in Campos Altos, Minas Gerais, using a completely randomized block design with four treatments and five replications. The applied doses were 0, 500, 1,000, and 1,500 kg ha⁻¹. The results indicated a significant linear increase in soil pH with the increase in applied doses (R² = 0.92), confirming the product’s efficiency as a surface soil amendment. The calcium and magnesium oxide corrector demonstrated potential as an alternative to conventional liming, improving soil acidity and supplying calcium and magnesium.
PALAVRAS-CHAVE: cafeicultura, fertilidade do solo, cálcio, magnésio, cerrado.
1. INTRODUÇÃO
A cafeicultura brasileira configura-se como uma das atividades agrícolas de maior relevância socioeconômica, visto que o país ocupa posição de destaque como maior produtor e exportador mundial de café. Na região do Cerrado Mineiro, essa cultura consolidou-se como referência em qualidade e produtividade, desempenhando papel essencial na geração de emprego, renda e no desenvolvimento regional (CONAB, 2022).3
O desempenho produtivo da lavoura cafeeira está diretamente relacionado ao manejo adequado do solo, que constitui como base para o fornecimento equilibrado de nutrientes às plantas. Contudo, a acidez dos solos representa um dos principais fatores limitantes, afetando a disponibilidade de nutrientes, a atividade microbiana e o crescimento radicular. Conforme Raij (2011), solos ácidos reduzem a disponibilidade de cálcio e magnésio, aumentam a solubilidade de alumínio e manganês e comprometem a eficiência dos fertilizantes, impactando negativamente a produtividade.4
De acordo com Lopes e Guilherme (2016), a correção da acidez do solo é uma prática indispensável para a sustentabilidade agrícola, sobretudo no Cerrado, onde predominam solos naturalmente ácidos e de baixa fertilidade. Tradicionalmente, a calagem é a técnica mais empregada para neutralizar a acidez. No entanto, pesquisas recentes têm apontado novas alternativas de manejo, como o uso de corretivos minerais de solo.5
Entre essas alternativas, destaca-se o óxido de cálcio e magnésio, um corretivo mineral que, segundo Ferreira et al. (2021), atua não apenas na neutralização da acidez, mas, também, na melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, podendo contribuir para maior eficiência da adubação e melhor desenvolvimento das plantas. Nesse sentido, sua aplicação na cafeicultura apresenta-se como estratégia inovadora, com potencial para aumentar a produtividade e promover maior equilíbrio ambiental.6
Assim, surge o seguinte problema de pesquisa: a aplicação de diferentes dosagens de óxido de cálcio e magnésio é eficiente na correção da acidez do solo em lavouras de café no Cerrado Mineiro, podendo se tornar uma alternativa viável à calagem convencional?
Diante desse contexto, o presente trabalho tem como objetivo avaliar a eficiência da correção da acidez do solo por meio da aplicação de diferentes dosagens de óxido de cálcio e magnésio em área de cultivo de café no Cerrado Mineiro, analisando seus efeitos sobre o pH do solo e discutindo a viabilidade da prática como alternativa ao manejo tradicional.
2. METODOLOGIA
O experimento foi conduzido na Fazenda Guaritas, localizada no município de Campos Altos – MG, pertencente à região do Alto Paranaíba. A propriedade está situada a uma altitude média de aproximadamente 1.138 metros. A área demonstrativa utilizada possui 1,17 hectares, sendo composta por três linhas de plantio do cafeeiro com espaçamento de 3,8 metros entre linhas e 0,6 metros entre plantas, da variedade Catuaí 99, de frutos vermelhos, com cinco anos de idade, conduzida sob sistema convencional de cultivo.
Os tratamentos constituíram de quatro doses do corretivo de solo óxido de cálcio e óxido de magnésio nas doses de 0, 500, 1.000, 1.500 kg/ha do produto comercial (GEOX), com concentração de óxido de cálcio 60% e óxido de magnésio 30%.
O modelo adotado no experimento foi o de blocos inteiramente casualizados, com cada tratamento apresentando cinco repetições. Cada parcela foi constituída por três linhas de cafeeiro com 20 metros de comprimento. Como parcela útil, utilizou-se a linha central, tendo como bordadura as duas linhas laterais e um metro em cada extremidade da linha central.
A aplicação do corretivo óxido de cálcio e magnésio foi realizada de forma manual, seguindo rigorosamente as doses previamente estabelecidas para cada tratamento. O Tratamento 1 recebeu a dose de 500 kg/ha, o Tratamento 2 foi aplicado com 1.000 kg/ha, o Tratamento 3 recebeu 1.500 kg/ha e o Tratamento 4 não recebeu aplicação de corretivo, sendo considerado a testemunha.
O produto foi distribuído de maneira homogênea, abrangendo toda a projeção da copa dos cafeeiros, buscando maximizar o contato com o solo e a eficiência na correção da acidez superficial, seguindo as orientações de CFSEMG (1999).7
A sequência final dos tratamentos resultante da aplicação, foi registrada e descrita na Tabela 1, permitindo o acompanhamento e a rastreabilidade de cada unidade experimental.
Tabela 1 – Distribuição dos tratamentos, repetições e quantidades aplicadas de óxido de cálcio e magnésio no experimento

Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Para a condução do experimento, fez-se uso de diversos materiais e equipamentos essenciais à sua execução, entre eles o produto óxido de cálcio e magnésio. Utilizou-se também um trado holandês para a coleta de amostras de solo, baldes plásticos com capacidade de 20 litros, sacos plásticos resistentes para o acondicionamento e identificação das amostras, balança de precisão para pesagem dos materiais e um bloco de anotações acompanhado de canetas e lápis para o registro dos dados experimentais. Para garantir a segurança durante o manuseio do produto e sua aplicação, foram utilizadas luvas nitrílicas, respirador TFF2 e óculos de proteção.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise química inicial do solo (Tabela 2) indicou valores de pH variando de 5,6 a 5,9, caracterizando um solo levemente ácido, típico dos Latossolos da região do Cerrado Mineiro. Observou-se teores moderados de cálcio e magnésio, com ausência de alumínio trocável, o que demonstra boa condição química para o cultivo do cafeeiro, mas ainda com potencial para melhoria da saturação por bases. Esses resultados reforçam a necessidade da aplicação de corretivos, como o óxido de cálcio e magnésio, para otimizar a neutralização da acidez e o equilíbrio nutricional do solo.
Tabela 2 – Resultados da análise química do solo antes das aplicações do óxido de cálcio e magnésio

Fonte: Laboratório de Análise de Solo (2025).
A análise química do solo realizada após as aplicações do corretivo óxido de cálcio e magnésio evidenciou aumento expressivo do pH em função das doses aplicadas. Os valores médios de pH variaram de 5,4 na testemunha para 6,4 na dose de 1.500 kg ha⁻¹, confirmando a eficiência do produto na neutralização da acidez do solo.
Observou-se também incremento nos teores de cálcio e magnésio, acompanhados de redução gradual da acidez potencial (H + Al), o que indica melhora significativa na saturação por bases e, consequentemente, na fertilidade do solo. O teor de cálcio elevou-se de 3,6 cmolc dm⁻³ na testemunha para 3,8 cmolc dm⁻³ no tratamento com maior dose, enquanto o magnésio aumentou de 0,9 para 2,1 cmolc dm⁻³.
Esses resultados estão em conformidade com Ferreira et al. (2021) e Souza & Lobato (2004), que destacam o potencial de corretivos minerais à base de cálcio e magnésio na melhoria do pH e no equilíbrio químico dos solos do Cerrado. A redução da acidez e o aumento na disponibilidade de nutrientes essenciais reforçam o papel do óxido de cálcio e magnésio como alternativa sustentável à calagem tradicional.8
Tabela 3 – Resultados da análise química do solo após aplicação do óxido de cálcio e magnésio.

Fonte: Laboratório de Análise de Solo (2025). Valores médios calculados a partir das amostras pós aplicação do produto do óxido de cálcio e magnésio na Fazenda Guaritas.
Os resultados da análise de variância (Gráfico 1) indicaram efeito significativo (p < 0,05) dos tratamentos sobre o pH do solo, demonstrando que as diferentes doses do corretivo mineral óxido de cálcio e magnésio influenciaram de forma expressiva a acidez do solo. Por outro lado, a profundidade e a interação entre tratamento e profundidade não apresentaram diferenças significativas (p > 0,05), o que evidencia que o produto atuou de maneira uniforme nas camadas avaliadas.
O coeficiente de variação (CV) de 6,61% confirma a boa precisão experimental, e o coeficiente de determinação (R² = 0,92) obtido pelo modelo linear reforça a consistência dos dados, indicando que mais de 90% da variação observada no pH pode ser explicada pelos tratamentos aplicados.
Observou-se tendência de aumento linear do pH em função das doses de óxido de cálcio e magnésio aplicadas, o que sugere que maiores quantidades do corretivo promoveram maior neutralização da acidez do solo. Esses resultados estão em consonância com Ferreira et al. (2021), que também verificaram elevação do pH em solos tratados com corretivos minerais contendo cálcio e magnésio. De modo semelhante, Souza e Lobato (2004) destacam que a disponibilidade desses nutrientes está diretamente associada à melhoria da fertilidade e à redução da saturação por alumínio.
Embora o óxido de cálcio e magnésio tenha promovido aumento no pH do solo, o efeito não diferiu significativamente entre as profundidades avaliadas, o que pode estar relacionado à aplicação superficial do produto. De acordo com Raij et al. (1997), a incorporação superficial tende a restringir a ação corretiva às camadas mais próximas à superfície, com menor mobilidade em profundidade. Assim, o óxido de cálcio e magnésio demonstrou eficiência como corretivo superficial, mas estudos de longo prazo podem indicar se há efeito residual em camadas mais profundas. 9
Esses resultados reforçam o potencial do corretivo óxido de cálcio e magnésio como alternativa à calagem convencional, especialmente em sistemas de manejo onde se busca reduzir operações mecanizadas e promover a sustentabilidade do solo. Segundo Lopes e Guilherme (2016), práticas que favorecem o equilíbrio químico e biológico do solo são essenciais para a manutenção da produtividade e da qualidade na cafeicultura do Cerrado Mineiro.10
Gráfico 1 – Gráfico das regressões com R² e p-valor

Fonte: Dados da pesquisa (2025).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nos resultados obtidos, conclui-se que a aplicação do corretivo mineral óxido de cálcio e magnésio foi eficiente na correção da acidez do solo em lavoura cafeeira do Cerrado Mineiro, promovendo aumento significativo dos valores de pH em relação à testemunha sem aplicação. Observou-se efeito linear positivo em função das doses utilizadas, evidenciando que maiores quantidades do produto proporcionaram melhor neutralização da acidez.
A ausência de diferenças significativas entre as profundidades avaliadas indica que o óxido de cálcio e magnésio atuou de forma uniforme nas camadas superficiais do solo, o que está associado à sua aplicação superficial. Ainda assim, os resultados demonstram que o produto possui potencial para ser utilizado como alternativa viável à calagem convencional, apresentando vantagens relacionadas à facilidade de aplicação e ao fornecimento simultâneo de cálcio e magnésio.
Dessa forma, o uso do óxido de cálcio e magnésio pode contribuir para o manejo sustentável da fertilidade do solo na cafeicultura do Cerrado Mineiro, auxiliando na manutenção da produtividade e na melhoria das condições químicas do solo. Recomenda-se, entretanto, a realização de estudos de longo prazo que avaliem o efeito residual do produto e sua influência sobre os demais atributos químicos e produtivos da cultura do café.
3 CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento da safra brasileira de café: safra 2022 – quarto levantamento. Brasília, DF: Conab, 2022. Disponível em: https://www.conab.gov.br. Acesso em: 27 out. 2025.
4 RAIJ, B. van. Fertilidade do solo e manejo de nutrientes. 1. ed. Piracicaba: International Plant Nutrition Institute, 2011. 420 p.
5 LOPES, A. S.; GUILHERME, L. R. G. Fertilidade do solo e produtividade agrícola. 1. ed. Viçosa, MG: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2016. 320 p.
6 FERREIRA, R. F.; SILVA, T. R.; OLIVEIRA, M. F. Efeito de condicionadores minerais na acidez e fertilidade do solo em áreas cultivadas com cafeeiro. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v. 45, e0200173, 2021.
7 CFSEMG – COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais: 5ª Aproximação. Viçosa, MG: UFV, 1999. 359 p.
8 SOUZA, D. M. G.; LOBATO, E. (Eds.). Cerrado: correção do solo e adubação. 3. ed. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2004. 416 p.
9 RAIJ, B. van; CANTARELLA, H.; QUAGGIO, J. A.; FURLANI, A. M. C. (Eds.). Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. 2. ed. Campinas: Instituto Agronômico (IAC), 1997. 285 p.
10 LOPES, A. S.; GUILHERME, L. R. G. Fertilidade do solo e produtividade agrícola. 1. ed. Viçosa, MG: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2016. 320 p.
REFERÊNCIAS
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SOUZA, D. M. G.; LOBATO, E. (Eds.). Cerrado: correção do solo e adubação. 3. ed. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2004. 416 p.
1Graduanda do Curso de Agronomia do Centro de Ensino Superior de São Gotardo – CESG. E-mail: anajuliasilva21033@gmail.com;
2Graduando do Curso de Agronomia do Centro de Ensino Superior de São Gotardo – CESG. E-mail: inaciojnetto@gmail.com
