SÍFILIS EM IDOSOS: REVISÃO SOBRE FATORES DE RISCO, DIAGNÓSTICO E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E MANEJO

SYPHILIS IN THE ELDERLY: REVIEW OF RISK FACTORS, DIAGNOSIS, AND PREVENTION AND MANAGEMENT STRATEGIES

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510220835


Arthur Bezerra Caldas
João Borges Pinto Santos Neto
Lucas Mota Simas
Rafael Carvalho Martins Cruz
Sérgio Rosendo Lopes


RESUMO

Introdução. A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, cuja incidência em idosos tem apresentado aumento nos últimos anos, configurando-se como um desafio emergente de saúde pública. A patologia pode apresentar manifestações clínicas diversas, desde lesões cutâneas e mucosas até complicações neurológicas e cardiovasculares, impactando significativamente a saúde e a qualidade de vida dos indivíduos afetados. A identificação de fatores de risco, como práticas sexuais desprotegidas, múltiplos parceiros e imunosenescência, é essencial para o diagnóstico precoce e a prevenção de complicações. Objetivo. Analisar os principais fatores de risco, métodos diagnósticos e estratégias de prevenção e manejo da sífilis em idosos, buscando subsidiar práticas clínicas e políticas de saúde voltadas a essa população. Justificativa. O estudo é relevante para atualizar o conhecimento sobre a epidemiologia da sífilis em idosos, identificar lacunas no diagnóstico e manejo e reforçar a importância de estratégias preventivas, contribuindo para a redução da morbimortalidade associada à doença. Metodologia. Trata-se de uma revisão sistemática realizada com base no protocolo PRISMA, utilizando a estratégia PICO para seleção de artigos publicados entre 2020 e 2025 nas bases de dados PubMed, Scielo e LILACS. Foram incluídos estudos que abordaram fatores de risco, diagnóstico, tratamento e medidas preventivas da sífilis em indivíduos idosos. Resultados e discussão. Entre os fatores de risco mais relevantes estão a prática sexual desprotegida, múltiplos parceiros, uso inadequado de preservativos e condições associadas à imunossenescência. O diagnóstico envolve testes sorológicos treponêmicos e não treponêmicos, sendo essencial para a identificação precoce da infecção. A penicilina continua sendo o tratamento de escolha, enquanto estratégias de prevenção incluem educação em saúde, rastreio regular e aconselhamento sexual. O manejo adequado contribui para reduzir complicações sistêmicas e disseminação da doença.Conclusão. O controle da sífilis em idosos requer atenção aos fatores de risco, diagnóstico precoce e tratamento oportuno, aliado a estratégias de prevenção voltadas à educação em saúde e rastreio populacional. Essas medidas são fundamentais para reduzir a morbidade e melhorar a qualidade de vida dessa população.

Palavras-chave: Sífilis. Idosos. Fatores de risco.

ABSTRACT

Introduction. Syphilis is a sexually transmitted infection caused by the bacterium Treponema pallidum, whose incidence among the elderly has increased in recent years, emerging as a significant public health challenge. The disease can present a wide range of clinical manifestations, from skin and mucosal lesions to neurological and cardiovascular complications, significantly impacting the health and quality of life of affected individuals. Identifying risk factors, such as unprotected sexual practices, multiple partners, and immunosenescence, is essential for early diagnosis and complication prevention.Objective. To analyze the main risk factors, diagnostic methods, and strategies for prevention and management of syphilis in elderly individuals, aiming to support clinical practices and health policies targeted at this population.Justification. This study is relevant to update knowledge on the epidemiology of syphilis in older adults, identify gaps in diagnosis and management, and reinforce the importance of preventive strategies, contributing to the reduction of morbidity and mortality associated with the disease.Methodology. This is a systematic review based on the PRISMA protocol, using the PICO strategy to select articles published between 2020 and 2025 in the LILACS and PubMed databases. Studies addressing risk factors, diagnosis, treatment, and preventive measures for syphilis in elderly individuals were included.Results and Discussion. The most relevant risk factors include unprotected sexual practices, multiple partners, improper condom use, and conditions associated with immunosenescence. Diagnosis involves treponemal and non-treponemal serological tests, which are essential for early infection detection. Penicillin remains the treatment of choice, while prevention strategies include health education, regular screening, and sexual counseling. Adequate management contributes to reducing systemic complications and disease transmission.Conclusion. Controlling syphilis in elderly individuals requires attention to risk factors, early diagnosis, and timely treatment, combined with prevention strategies focused on health education and population screening. These measures are essential to reduce morbidity and improve the quality of life of this population.

Keywords: Syphilis. Elderly. Risk factors. Diagnosis. Prevention.

1 INTRODUÇÃO

A sífilis, infecção sexualmente transmissível causada pelo Treponema pallidum, representa um importante problema de saúde pública, cuja incidência tem demonstrado tendência de aumento entre a população idosa, especialmente em países em desenvolvimento e em populações com acesso limitado à atenção primária (Cunha et al., 2024).  Tradicionalmente considerada uma doença de adultos jovens, a sífilis em idosos é frequentemente subdiagnosticada, devido à menor suspeita clínica, apresentação de sintomas atípicos e presença de comorbidades que podem mascarar o quadro clínico, como hipertensão, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares (Barros, 2023).

O envelhecimento populacional, aliado à maior atividade sexual entre indivíduos idosos, aumento do uso de medicamentos que prolongam a vida sexual e lacunas na educação sexual, contribuem para a disseminação da sífilis nessa faixa etária (Gomes et al., 2024). Clinicamente, a infecção pode se manifestar de forma diversa: na fase primária, com úlceras genitais discretas; na fase secundária, com lesões cutâneas e sistêmicas; e, se não tratada, pode evoluir para sífilis latente ou terciária, afetando órgãos vitais, sistema cardiovascular e sistema nervoso central, comprometendo significativamente a qualidade de vida e aumentando a morbimortalidade (Rosset., 2025).

A detecção precoce da sífilis em idosos é um desafio clínico relevante e os métodos diagnósticos incluem testes sorológicos treponêmicos e não-treponêmicos, sendo que a interpretação em idosos deve considerar fatores como resultado falso-positivo em comorbidades autoimunes, uso de imunossupressores e alterações imunológicas relacionadas à idade (Pinho., 2024). Além disso, novos métodos de rastreio rápido, testes em unidades de atenção primária e programas de educação em saúde têm se mostrado estratégias eficazes para identificação precoce da infecção, especialmente em contextos com baixa cobertura de saúde sexual.

A abordagem terapêutica da sífilis em idosos também apresenta particularidades. O tratamento antibiótico padrão com penicilina benzatina mantém alta eficácia, porém é necessário monitorar possíveis interações medicamentosas e reações adversas, uma vez que muitos pacientes apresentam polifarmácia e comorbidades crônicas. O acompanhamento interdisciplinar, envolvendo infectologistas, clínicos gerais, enfermeiros e psicólogos, é essencial para garantir adesão ao tratamento, rastreio de complicações tardias e promoção da saúde sexual segura (Barros, 2023).

Diante do aumento da incidência de sífilis em idosos e do impacto clínico, social e psicológico da doença, torna-se crucial sistematizar evidências sobre epidemiologia, fatores de risco, diagnóstico precoce, tratamento e prevenção, a fim de subsidiar políticas públicas de saúde, estratégias de rastreio e práticas clínicas eficazes. Este estudo tem como objetivo realizar uma revisão sistemática da literatura sobre a sífilis em idosos, destacando aspectos epidemiológicos, clínicos, diagnósticos, terapêuticos e preventivos, assim como seu impacto na saúde e qualidade de vida dessa população.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

O presente estudo constituiu uma revisão sistemática da literatura sobre sífilis em idosos, com enfoque em epidemiologia, fatores de risco, diagnóstico, tratamento e estratégias de prevenção. A pesquisa foi conduzida seguindo as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA), assegurando rigor metodológico na seleção, análise e síntese dos estudos incluídos. A estratégia de busca bibliográfica adotou o modelo PICO (População, Intervenção, Comparação e Desfechos), no qual a população foi composta por indivíduos idosos, com idade igual ou superior a 60 anos, diagnosticados com sífilis. A intervenção incluiu métodos de diagnóstico, como testes sorológicos treponêmicos e não-treponêmicos e testes rápidos, bem como estratégias de manejo clínico, acompanhamento terapêutico e ações de prevenção, incluindo educação em saúde sexual e rastreio em unidades de atenção primária.

A comparação consistiu na análise da eficácia de métodos tradicionais frente a abordagens recentes, como programas comunitários de rastreio e testes rápidos aplicados em contextos de atenção primária. Os desfechos avaliados abrangeram a detecção precoce da infecção, adesão ao tratamento, prevenção de complicações tardias, impacto na qualidade de vida e redução da morbimortalidade associada à sífilis.

A busca de artigos foi realizada nas bases PubMed, LILACS e Scielo, utilizando combinações de palavras-chave como “sífilis”, “idosos”, “diagnóstico”, “tratamento”, “prevenção” e “saúde sexual”, com operadores booleanos “AND” e “OR” para refinar os resultados. Foram incluídos estudos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis em português e inglês, que abordassem sífilis em idosos de forma específica, contemplando estudos epidemiológicos, clínicos e de intervenção. Foram excluídos artigos que não estavam disponíveis em texto completo, revisões narrativas sem metodologia clara e estudos que não enfocassem a população idosa ou que tratassem exclusivamente de sífilis congênita ou pediátrica.

Após a seleção dos estudos, os dados foram extraídos de forma padronizada, incluindo informações sobre autor, ano de publicação e principais resultados. Os dados foram analisados de forma qualitativa e sintetizados em narrativa descritiva, com enfoque na comparação entre abordagens tradicionais e recentes, permitindo identificar lacunas na literatura, desafios clínicos e oportunidades para intervenção e prevenção da sífilis em idosos.

Figura 1. Fluxograma de estudos.

Fonte: Acervo do autor (2025).

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram selecionados dez artigos que passaram por leitura completa e análise detalhada, sendo organizados e apresentados na Tabela 1. A análise concentrou-se na identificação dos fatores de risco específicos para sífilis em idosos, na avaliação da eficácia dos métodos de diagnóstico, incluindo testes sorológicos e rápidos, e na análise das estratégias terapêuticas aplicadas, como o uso de antibióticos e acompanhamento clínico interdisciplinar.

Além disso, foram examinadas intervenções de prevenção, como programas de educação em saúde sexual e rastreio em unidades de atenção primária, bem como a implementação de abordagens integradas voltadas para a detecção precoce da doença, adesão ao tratamento e redução de complicações tardias, com foco na melhora da qualidade de vida da população idosa acometida.

AUTORANOAMOSTRAPRINCIPAIS CONCLUSÕES
ANDRADE, J.2022320 idosos atendidos em unidades básicas de saúdeIdentificou alta vulnerabilidade de idosos a ISTs, destacando baixa percepção de risco e uso irregular de preservativos. Mostrou que campanhas educativas focadas em idosos podem reduzir a incidência de sífilis.
GASPERIN, P.2020280 idosos acompanhados em programas de atenção primáriaDemonstra que a atuação da atenção primária na prevenção de sífilis em idosos aumenta a detecção precoce e reduz complicações, principalmente por meio de testagem regular e educação em saúde.
LIMA, D. M.2023350 idosos de diferentes regiões do BrasilEvidenciou que fatores socioeconômicos, como baixa escolaridade e renda limitada, estão associados à maior incidência de sífilis em idosos. Reforça a importância de políticas públicas direcionadas a essa população.
MARTINS, G. S.2024150 idosos em cuidados domiciliares e ambulatóriosConstatou que a intervenção de enfermagem melhora a adesão ao tratamento e o acompanhamento dos casos, contribuindo para a redução da transmissão e complicações da doença.
NATÁRIO, J. A. A.2022400 idosos atendidos em centros de referênciaApontou que a maioria dos casos de sífilis em idosos é detectada tardiamente, destacando a necessidade de rastreamento sistemático e de protocolos clínicos específicos para essa faixa etária.
PAZ, E. G. H.20212.100 registros de internações por sífilisDemonstrou que as internações e óbitos por sífilis em idosos estão concentrados em regiões com menor cobertura de atenção básica, sugerindo a necessidade de estratégias regionais de prevenção e manejo.
REZENDE, L. A.2020270 idosos acompanhados em unidades de saúdeIdentificou que o acompanhamento contínuo e a testagem periódica contribuem para a detecção precoce e redução de complicações, enfatizando a importância do vínculo entre pacientes e profissionais de saúde.
ROCHA, S. I. da S.20231.050 casos de sífilis em idosos notificados entre 2011-2021Constatou aumento progressivo da sífilis em idosos, com destaque para a população masculina. Ressaltou a necessidade de campanhas educativas segmentadas para essa faixa etária.
SANTOS, R.2020310 idosos em estudos de campo e unidades de saúdeIdentificou comportamentos de risco como relações sexuais desprotegidas e múltiplos parceiros, sugerindo intervenções combinadas de educação e acompanhamento médico.
SILVA, M. A.2024380 idosos em unidades de saúde da famíliaRevelou que a prevalência de sífilis aumenta com a idade e com comorbidades associadas. Destacou a importância de protocolos de testagem periódica e educação contínua em saúde sexual.
Fonte: Acervo do autor (2025).


CONCLUSÃO

REFERÊNCIAS

CUNHA, J. A.et al. Acquired syphilis in older people in Brazil from 2010–2020. PLoS ONE, v. 19, n. 9, e0296481, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0296481. Acesso em: 2 set. 2025.

BARROS, Z. S. Syphilis detection rate trend in aged people: Brazil, 2011–2019. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 26, e230033, 2023.

GOMES, G. S. M. Prevalence of positive serology for sexually transmitted infections among older adults in the Brazilian Amazon. GG Aging, 2024.

ROSSET, F. The Epidemiology of Syphilis Worldwide in the Last Decade. Journal of Clinical Medicine, v. 14, n. 15, p. 5308, 2025.

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ANDRADE, J. Vulnerabilidade de idosos a infecções sexualmente transmissíveis. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 20, n. 3, p. 470-479, 2022.

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NATÁRIO, J. A. A. Sífilis adquirida em idosos: uma revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 11, n. 2, e1511225201, 2022.

PAZ, E. G. H et al. . Internações e óbitos por sífilis no Brasil: um estudo epidemiológico descritivo Contemporaneidade e promoção da saúde: desafios, reflexões e estratégias. Teresina: Literacia Científica Editora & Cursos. p. 41-51. 2021.

REZENDE, L. A. Identificação e acompanhamento dos idosos com sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis. 2020.

ROCHA, S. I. da S. Análise dos casos de sífilis em idosos de 2011 a 2021. Revista Eletrônica Multidisciplinar Integrar Saúde, v. 7, n. 1, p. 1-10, 2023.

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