SÍFILIS CONGÊNITA: UMA ANÁLISE DA INCIDÊNCIA E DAS PRINCIPAIS SEQUELAS EM CRIANÇAS

CONGENITAL SYPHILIS: AN ANALYSIS OF THE INCIDENCE AND MAIN SEQUELAE IN CHILDREN

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510261238


Fernanda Cristina Barbosa¹;
Lívia Martins Marques2;
Milena de Carvalho Castro Diniz3;
Me. Flávia Mesquita Costa4


Resumo

A sífilis congênita é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) resultante da transmissão vertical da bactéria Treponema pallidum da mãe para o feto, configura-se um grave problema de saúde pública, apesar de sua evitabilidade por meio da prevenção, do diagnóstico e tratamento precoces. Este artigo tem como objetivo analisar a incidência da sífilis congênita no Brasil e as principais sequelas em crianças, destacando os fatores que contribuem para sua persistência. Trata-se de uma revisão narrativa de literatura, baseada em publicações científicas e documentos oficiais. Os achados revelam que a doença permanece altamente incidente no país, com destaque para falhas no diagnóstico e tratamento durante o pré-natal, desigualdades sociais e ausência de políticas públicas efetivas. As sequelas neurológicas, visuais, auditivas e osteoarticulares impactam diretamente a qualidade de vida da criança, gerando também implicações econômicas e sociais. Conclui-se que, apesar dos avanços, a sífilis congênita ainda representa um desafio sistêmico e intersetorial que exige ações integradas e contínuas.

Palavras-chave: Sífilis congênita. Transmissão vertical. Sequelas. Treponema Pallidum. 

1 INTRODUÇÃO

A sífilis congênita é uma infecção causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida da gestante infectada ao feto, através da placenta por via transplacentária. Essa forma de transmissão vertical representa uma condição grave e prevenível, sendo considerada um importante indicador da qualidade do cuidado pré-natal e da atenção básica em saúde (BRASIL, 2021; LOPES et al., 2021).

No Brasil, a sífilis congênita permanece como grave problema de saúde pública. Dados de 2023 apontam para 25.002 casos notificados e 196 óbitos relacionados à doença (BRASIL, 2024). De acordo com Ramos Júnior (2022) embora haja ampliação da cobertura de diagnóstico em gestantes, a persistência da doença reflete fragilidades estruturais no sistema de saúde.

As manifestações clínicas podem ser precoces, até os dois primeiros anos de vida, ou tardias, muitas vezes irreversíveis. Entre as complicações estão surdez, cegueira, deformidades ósseas, atraso neuropsicomotor e até mesmo a morte fetal (LOPES et al., 2021).

Este trabalho tem como objetivo analisar a incidência da sífilis congênita e suas principais sequelas em crianças, destacando o impacto dessa condição na saúde pública. Sua relevância justifica-se pela necessidade de abordar fatores que evidenciam falhas no diagnóstico precoce e na assistência pré-natal (GALLI et al., 2024).

2 METODOLOGIA

Este estudo consiste em uma revisão narrativa de literatura com abordagem qualitativa. A abordagem teve como objetivo reunir e analisar informações científicas sobre a incidência da sífilis congênita e suas principais sequelas em crianças, buscando compreender a evolução da doença, suas manifestações clínicas, fatores de risco e impactos sociais e econômicos. Foram utilizados artigos científicos indexados nas bases Scielo, PubMed, BVS e Google Acadêmico, além de publicações oficiais do Ministério da Saúde, boletins epidemiológicos e manuais técnicos entre os anos de 2015 e 2025. Os descritores utilizados foram: “sífilis congênita”, “transmissão vertical”, “sequelas”, “pré-natal” e “políticas públicas”. Após triagem, foram selecionadas as referências mais relevantes à discussão do tema.

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

3.1 Sífilis Congênita 

A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, uma espiroqueta da família Spirochaetaceae. Essa infecção pode se manifestar em três formas principais: sífilis adquirida, sífilis gestacional e, em decorrência desta, a sífilis congênita (BRASIL, 2021). A sífilis adquirida é transmitida, em sua maioria, por via sexual (transmissão horizontal), por meio de contato direto com lesões infecciosas durante relações sexuais desprotegidas. Também pode ocorrer por transfusão de sangue ou compartilhamento de objetos perfurocortantes contaminados (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

A sífilis gestacional refere-se à infecção presente em mulheres durante o período gestacional, independentemente do momento em que a doença foi adquirida (BRASIL, 2021). A sífilis congênita, por sua vez, ocorre quando a gestante infectada transmite a bactéria ao feto, de forma vertical, geralmente por via transplacentária, podendo resultar em aborto espontâneo, natimortalidade, prematuridade, baixo peso ao nascer ou manifestações clínicas graves após o nascimento (LAFETÁ et al., 2016; LOPES et al., 2021).

Do ponto de vista morfológico, o Treponema pallidum apresenta formato espiralado (FIGURA 1), com extremidades afiladas e cerca de 6 a 15 micrômetros de comprimento por 0,1 a 0,2 micrômetros de diâmetro. Possui motilidade ativa conferida por filamentos axiais, estruturas semelhantes a flagelos localizadas no espaço periplasmático, o que lhe permite movimentar-se em meios viscosos, como o tecido conjuntivo. Essa alta motilidade e sua capacidade de adesão às células endoteliais favorecem a disseminação rápida pelos tecidos do hospedeiro (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2021). 

Além disso, por ser uma bactéria de crescimento lento e de difícil cultivo in vitro, o diagnóstico laboratorial requer métodos sorológicos e não culturais (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). A transmissão vertical ocorre predominantemente pela placenta, especialmente nas fases iniciais da gestação. Quanto mais precoce for a infecção materna, maior será o risco de transmissão e de sequelas fetais. A taxa de transmissão varia de 70% a 100% nas fases primária e secundária, em razão da maior carga bacteriana circulante e 30% nas fases latente e terciária (MOTTA et al., 2018).

O Treponema pallidum tem tropismo por diversos tecidos fetais, podendo afetar ossos, fígado, pulmões, sistema nervoso central e pele, provocando alterações hematológicas, hepatoesplenomegalia, lesões cutâneas e comprometimento neurológico (BRASIL, 2021). Embora a principal forma de transmissão vertical ocorra durante a gestação, há também a possibilidade de transmissão intraparto, quando o bebê entra em contato com lesões sifilíticas na mucosa vaginal durante o parto. Essa forma é menos comum, mas pode ocorrer em casos de lesões genitais ativas não tratadas adequadamente (DOMINGUES; LEAL, 2016). 

FIGURA 1: Imagem ilustrativa da bactéria Treponema pallidum causadora da sífilis.

Fonte: Hilab

3.2 Manifestações Clínicas da Sífilis Congênita e Principais Sequelas em Crianças 

As manifestações clínicas da sífilis congênita podem se apresentar de forma bastante variável, dependendo do momento da transmissão vertical, da carga bacteriana materna, do estágio da doença e da resposta imunológica do feto ou recém-nascido. Classificam-se, tradicionalmente, em precoces quando surgem nos dois primeiros anos de vida e tardias, que se manifestam após esse período (BRASIL, 2021). 

As manifestações precoces costumam ocorrer nas primeiras semanas ou meses de vida. Muitos recém-nascidos podem nascer assintomáticos, apresentando sinais apenas semanas depois, o que dificulta o diagnóstico imediato. Entre os sinais e sintomas mais frequentes estão:

  • Lesões cutâneas e mucosas, como exantema maculopapular difuso, descamação palmoplantar e fissuras perionais e anais;
  • Alterações hematológicas, como anemia, trombocitopenia e leucocitose;
  • Hepatoesplenomegalia, devido ao comprometimento hepático e hematopoiético;
  • Icterícia, geralmente associada à anemia hemolítica e disfunção hepática;
  • Rinite sifilítica, conhecida como “coriza sanguinolenta”, altamente contagiosa;
  • Comprometimento pulmonar, resultando na chamada “pneumonia alba”, caracterizada por infiltrado intersticial difuso (REY, 2015; BRASIL, 2021). 

Nas formas tardias, que surgem após os dois anos de idade, os sinais estão geralmente relacionados às sequelas irreversíveis da infecção não tratada adequadamente. As principais manifestações incluem:

  • Alterações ósseas e dentárias, como a tíbia em “lâmina de sabre”, fronte olímpica, dentes de Hutchinson (incisivos com entalhes), molares em amora e deformidades ósseas faciais;
  • Surdez neurossensorial bilateral, decorrente do comprometimento do VIII par craniano;
  • Ceratite intersticial, que pode levar à cegueira parcial ou total; 
  • Alterações neurológicas, incluindo hidrocefalia, convulsões, déficit cognitivo e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor; 
  • Cicatrizes periorais e perinasais (em “raios de sol”), resultantes de lesões cutâneas anteriores; 
  • Deformidades articulares, como a articulação de Clutton (artrite asséptica simétrica dos joelhos) (NEVES, 2018; BRASIL, 2021). Além das manifestações clínicas específicas, a sífilis congênita está associada a elevadas taxas de mortalidade, prematuridade, baixo peso ao nascer e mortalidade neonatal, especialmente em casos não diagnosticados ou tratados de forma inadequada durante a gestação (LOPES et al., 2021).

O diagnóstico clínico dessas manifestações, aliado à confirmação laboratorial, é fundamental para instituir o tratamento precoce e reduzir o risco de sequelas permanentes. A ausência de sinais clínicos ao nascimento não exclui a infecção, sendo essencial o acompanhamento clínico e sorológico dos recém-nascidos expostos, conforme protocolos do Ministério da Saúde (BRASIL, 2021). 

3.3 Impactos Sociais e Econômicos Decorrentes da Sífilis Congênita 

A sífilis congênita, além de representar um importante agravo à saúde pública, acarreta consequências significativas no âmbito social e econômico. Os impactos vão muito além do acometimento clínico imediato, estendendo-se ao longo da vida da criança, de sua família e da sociedade (GALLI et al., 2024). 

Do ponto de vista econômico, o diagnóstico tardio ou a ausência de tratamento adequado durante a gestação geram elevados custos para o sistema de saúde. Esses custos envolvem internações prolongadas em unidades neonatais, uso de antibióticos e insumos hospitalares, realização de exames diagnósticos seriados e acompanhamento médico especializado. Em casos com sequelas neurológicas, auditivas ou visuais, há necessidade de terapias de reabilitação contínuas, uso de aparelhos auditivos ou intervenções oftalmológicas, o que onera ainda mais os serviços públicos de saúde (BRASIL, 2021). 

No campo social, as sequelas irreversíveis podem comprometer de forma significativa a qualidade de vida da criança, dificultando seu desenvolvimento escolar, sua inserção no mercado de trabalho e sua autonomia na vida adulta. Tais limitações geram impacto direto nas famílias, que frequentemente precisam reorganizar sua rotina para cuidar da criança, afastandose do trabalho e enfrentando dificuldades financeiras adicionais. Em muitos casos, há também repercussões emocionais importantes, como estigmatização, discriminação e sofrimento psicológico, tanto para a criança quanto para seus cuidadores (NEVES, 2018). 

Além disso, a persistência de casos de sífilis congênita reflete falhas estruturais no acesso aos serviços de saúde, desigualdades socioeconômicas e fragilidades na educação em saúde, perpetuando um ciclo de vulnerabilidade social. Assim, os impactos dessa doença devem ser compreendidos de forma ampla, envolvendo dimensões biomédicas, sociais, econômicas e políticas, exigindo respostas intersetoriais para sua prevenção e controle (MACHADO et al., 2021). 

3.4 Fatores Associados ao Aumento da Incidência da Sífilis Congênita 

No Brasil, os indicadores epidemiológicos revelam que, mesmo com políticas públicas voltadas para o enfrentamento da sífilis, o país ainda enfrenta elevados índices de transmissão vertical. De acordo com dados recentes, em 2023, foram notificados 25.002 casos de sífilis congênita e 196 óbitos relacionados à doença, tendo cerca de 71% das transmissões verticais esperadas tenham sido evitadas por meio da ampliação do diagnóstico em gestantes e da garantia do tratamento durante o pré-natal (BRASIL, 2024). 

De acordo com o Boletim Epidemiológico de 2024, no ano de 2023 a faixa etária de gestantes acometidas pela infecção foi entre 20 e 29 anos, representando 60,1% dos casos. Vale destacar que o percentual de adolescentes entre 10 e 19 anos foi de 20% no mesmo ano. Em relação à escolaridade, percebe-se que a informação muitas vezes era ignorada no preenchimento da notificação, entre as gestantes em que a escolaridade foi informada, a maioria possuía ensino médio completo. Em relação à raça e cor, somando mulheres pardas e negras, evidenciou-se que 65,6% eram mulheres negras (BRASIL, 2024). 

A sífilis congênita deve ser compreendida não apenas como uma doença infecciosa, mas também como um indicador da qualidade da atenção pré-natal e da efetividade da atenção básica em saúde. A persistência da doença no Brasil é um reflexo da fragilidade estrutural do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no que diz respeito à equidade no acesso, continuidade do cuidado e integração entre os níveis de atenção (RAMOS JÚNIOR, 2022). 

Durante a pandemia da COVID-19, a situação tornou-se ainda mais preocupante. Estudos apontam que houve redução no número de consultas de pré natal e dificuldades no acesso a testes diagnósticos, fatores que contribuíram para o aumento da transmissão vertical nesse período. A crise sanitária agravou o cenário da sífilis congênita, revelando vulnerabilidades históricas no sistema de saúde brasileiro. (DOMINGUES et al.,2020). 

Diante do exposto neste estudo, é notável a lacuna na capacitação dos profissionais de saúde, e a falta de compreensão da população, sobre a relevância do debate aberto sobre o tema, para que medidas de controle sejam mais eficazes. De acordo com Galli et al. (2024), os homens possuem maior dificuldade de proximidade com os serviços de saúde e no contexto da sífilis congênita, este fator prejudica o tratamento adequado da gestante, pois pode ocorrer reinfecção durante o acompanhamento pré-natal. Sendo fundamental que além de acompanhar a gestante e o feto, ocorra o acompanhamento do parceiro, garantindo que ele receba orientação adequada, se previna, e ajude a gestante no controle da infecção (LAFETÁ et al., 2016). 

Apesar dos esforços, a subnotificação ainda é um dos principais entraves para o controle da sífilis congênita. Lafetá et al. (2016) já haviam evidenciado a dificuldade no registro adequado dos casos, o que compromete a elaboração de políticas públicas mais assertivas. Lopes et al. (2021) acrescentam que a fragmentação dos sistemas de informação e a ausência de busca ativa em algumas localidades comprometem o rastreamento eficaz das gestantes infectadas. 

Do ponto de vista da saúde pública, os impactos da sífilis congênita são amplos. Além de comprometerem o desenvolvimento físico, neurológico e social das crianças afetadas, os custos associados ao tratamento e às sequelas sobrecarregam o sistema de saúde. A sífilis congênita acarreta não apenas custos médicos diretos, mas também repercussões econômicas e sociais de longo prazo, relacionadas à incapacidade funcional e às necessidades especiais dessas crianças. (GALI et al., 2024).

Diante desse cenário, torna-se imprescindível investir em políticas intersetoriais que aliem educação em saúde, capacitação profissional, acesso universal aos insumos laboratoriais e garantia de fornecimento regular da penicilina benzatina, medicamento de primeira escolha para o tratamento da sífilis (BRASIL, 2021). A efetividade das ações depende do comprometimento dos gestores públicos, da integração entre diferentes níveis de atenção e da sensibilização dos profissionais de saúde para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento oportuno (BRASIL, 2021). 

Portanto, a persistência da sífilis congênita no Brasil deve ser interpretada como um desafio coletivo, que envolve não apenas a área da saúde, mas também aspectos sociais, políticos e estruturais. Somente com a consolidação de estratégias integradas e sustentáveis será possível reduzir significativamente sua incidência (RAMOS JÚNIOR, 2022). 

3.5 Falhas no Diagnóstico e Tratamento Durante o Pré-Natal que contribuem para a Transmissão Vertical 

A transmissão vertical da sífilis permanece como um importante desafio de saúde pública no Brasil, sobretudo em razão das falhas identificadas no diagnóstico e tratamento durante o pré-natal. Embora a sífilis congênita seja completamente evitável quando a gestante recebe atendimento adequado, dados recentes demonstram que um número significativo de casos continua sendo notificado devido a diagnósticos tardios ou tratamentos incompletos. (BRASIL, 2024).

Torres et al. (2022) apontam que, apesar de grande parte das gestantes realizar consultas de pré-natal, há uma defasagem crítica na detecção precoce da doença. Muitas mulheres só são diagnosticadas no terceiro trimestre ou até mesmo no momento do parto, momento em que a intervenção terapêutica é menos eficaz e o risco de transmissão vertical aumenta significativamente. As falhas no manejo terapêutico estão diretamente relacionadas à escassez de profissionais capacitados, à falta de protocolos clínicos padronizados em algumas regiões e à insuficiente integração entre os serviços de atenção primária e secundária. 

Além disso, há questões relacionadas à adesão da gestante ao tratamento, influenciada por fatores socioeconômicos, educacionais e culturais, que podem resultar na interrupção precoce da penicilina benzatina ou na não realização de testes complementares. Outro fator crítico é o tratamento inadequado ou inexistente do parceiro sexual, o que pode provocar reinfecção da gestante durante a gestação, perpetuando o risco de transmissão vertical (BRASIL, 2023). 

Estudos demonstram que a ausência de notificação sobre o agravo é uma realidade não só no Brasil, mas também em todo o mundo, o que evidencia as falhas de assistência ao prénatal de forma mais humanizada, na qual a gestante é acompanhada na integralidade. O acompanhamento envolve não só a identificação da infecção na gestante, mas também o acesso a medicações adequadas, testes e orientações sobre a gravidade da doença. É fundamental que a gestante e sua rede de apoio compreendam quão grave a doença pode ser para o feto e a criança (ARANDIA et al., 2023). 

3.6 Políticas Públicas e Estratégias de Prevenção Voltadas ao Controle da Sífilis Congênita 

O enfrentamento da sífilis congênita no Brasil está intimamente relacionado à implementação de políticas públicas eficazes, que englobam desde ações preventivas até o tratamento oportuno de gestantes e recém-nascidos. Entre as principais estratégias destaca-se o Pacto Nacional para a Eliminação da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis, Hepatites B e C, que estabelece diretrizes para integralidade do cuidado materno-infantil, monitoramento epidemiológico e capacitação de profissionais de saúde. O Brasil também implementou a Estratégia Saúde da Família e a Rede Cegonha, permitindo o acompanhamento contínuo das gestantes, desde o diagnóstico precoce até o parto, incluindo o rastreamento sorológico e a notificação obrigatória dos casos de sífilis gestacional (BRASIL, 2023). 

Além disso, políticas estaduais e municipais têm buscado fortalecer a vigilância epidemiológica e criar programas de incentivo, como o Selo de Boas Práticas rumo à eliminação da transmissão vertical da sífilis e HIV. Esses programas visam reconhecer municípios que adotam estratégias eficazes de prevenção, acompanhamento de gestantes e tratamento dos parceiros, estimulando a adoção de boas práticas em saúde pública (BRASIL,2024). 

3.7 Medidas Educativas e Assistenciais para Reduzir a Ocorrência da Doença e suas Consequências 

A prevenção da sífilis congênita não depende apenas de políticas públicas e protocolos clínicos, mas também de medidas educativas e assistenciais que promovam o engajamento da comunidade, das gestantes e de suas famílias. A educação em saúde desempenha um papel central na redução da incidência da doença, uma vez que melhora a compreensão sobre a importância do pré-natal, da testagem periódica e do tratamento adequado da gestante e do parceiro sexual. Programas educativos, aliando orientação em saúde sexual e reprodutiva com acompanhamento psicológico, têm demonstrado eficácia na adesão ao tratamento e na prevenção da reinfecção (BATISTA, 2019).

Além disso, a assistência integral no pré-natal é essencial. Isso inclui acesso facilitado a exames laboratoriais, consultas de acompanhamento, disponibilidade de medicamentos como a penicilina benzatina e monitoramento da gestante e do recém-nascido. Estratégias como busca ativa de gestantes faltosas, aconselhamento sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e articulação entre serviços primários e especializados contribuem significativamente para a redução da transmissão vertical (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023). 

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A sífilis congênita, apesar de ser uma doença totalmente evitável, ainda representa um dos maiores desafios da saúde pública. Esse cenário reflete a necessidade de atenção a fatores fundamentais, como a oferta de uma assistência pré-natal adequada, o aprimoramento do diagnóstico precoce, o incentivo à adesão ao tratamento tanto pela gestante quanto pelo parceiro, além do fortalecimento de ações de prevenção e educação em saúde. 

Os dados epidemiológicos evidenciam fragilidades estruturais no sistema de saúde, bem como desigualdades sociais que dificultam o acesso das gestantes a um acompanhamento contínuo e de qualidade. Por meio da pesquisa realizada, observou-se a persistência da sífilis congênita mesmo diante das diversas estratégias existentes para sua erradicação. A análise dos dados demonstra que essa permanência está diretamente relacionada à falta de integração entre os serviços de saúde, à insuficiente capacitação dos profissionais e à carência de políticas públicas mais efetivas voltadas à educação sexual e reprodutiva. 

Denota-se que a ausência de tratamento adequado do parceiro, contribui significativamente para a reinfecção da gestante e para a manutenção do ciclo de transmissão, impactando de forma expressiva o controle da infecção. Diante disso, este estudo reforça a importância de manter o debate aberto sobre o tema e a necessidade urgente de avaliar e reestruturar as medidas atualmente adotadas. É notável que, apesar dos avanços alcançados, essas ações ainda não tenham sido suficientes para atingir os objetivos de combate e eliminação da sífilis congênita, exigindo, portanto, um compromisso conjunto entre profissionais de saúde, gestores e sociedade para que resultados mais efetivos sejam alcançados. 

REFERÊNCIAS

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1Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário UNA Campus Bom Despacho – e-mail: fernandabarbosabiomed@gmail.com
2Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário UNA Campus Bom Despacho – e-mail: liviapomps367@gmail.com
3Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário UNA Campus Bom Despacho – e-mail: micarvalhocastrodiniz@gmail.com
4Docente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário UNA Campus Bom Despacho – e-mail: flavia.mesquita@ulife.com.br

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