SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA MILITAR DO PARÁ: FATORES DE RISCO, DESAFIOS INSTITUCIONAIS E POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO

MENTAL HEALTH IN THE MILITARY POLICE OF PARÁ: RISK FACTORS, INSTITUTIONAL CHALLENGES, AND POSSIBILITIES FOR INTERVENTION

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202512232017


Alexandre José de Oliveira Fernandes1
Fabiola de Souza Costa Lima2
Ismael Washington Pinto de Melo3
Pedrina Oliveira de Sousa Aires4


Resumo

Este trabalho aborda a saúde mental no contexto da atividade policial militar, com foco na Polícia Militar do Estado do Pará, considerando os fatores de risco ocupacionais e organizacionais, os desafios institucionais e as possibilidades de intervenção existentes. O estudo tem como objetivo analisar como as condições de trabalho e a cultura organizacional influenciam o adoecimento psíquico dos policiais militares paraenses, bem como discutir as ações institucionais voltadas à promoção da saúde mental. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e análise documental, a partir de livros, artigos científicos e documentos oficiais relacionados à saúde mental, segurança pública e políticas institucionais, incluindo programas governamentais de atenção psicossocial. Os resultados indicam que a atividade policial militar apresenta elevada exposição a fatores estressores, como violência, risco permanente, sobrecarga laboral e pressão institucional, os quais impactam diretamente a saúde mental dos profissionais. Verifica-se que, no Estado do Pará, essas condições são potencializadas por especificidades territoriais, desigualdades regionais e limitações no acesso aos serviços especializados. Conclui-se que, embora existam avanços institucionais recentes, como a implementação de programas de atenção psicossocial, ainda persistem desafios relacionados à continuidade do cuidado, à descentralização dos serviços e à superação do estigma organizacional. O estudo contribui para a ampliação do debate teórico e oferece subsídios para o aprimoramento das políticas públicas e das ações institucionais voltadas à promoção da saúde mental dos policiais militares.

Palavras-chave: Saúde mental, Polícia Militar, Segurança pública, Políticas institucionais, Estado do Pará.

1 INTRODUÇÃO

A saúde mental dos trabalhadores tem ocupado posição central nas discussões contemporâneas da saúde pública, especialmente no que se refere às categorias profissionais submetidas a elevados níveis de risco, estresse ocupacional e exposição contínua a situações traumáticas. Nesse cenário, a atividade policial militar destaca-se como uma das mais complexas, uma vez que envolve o enfrentamento cotidiano da violência, a pressão institucional por resultados, a convivência com a morte e a constante vigilância social, fatores que afetam diretamente o bem-estar psíquico desses profissionais (SILVA et al., 2020; SOARES & LIMA, 2021).

No contexto da segurança pública brasileira, estudos recentes indicam que policiais militares apresentam maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos mentais comuns, como ansiedade, depressão, estresse crônico e transtornos relacionados ao trauma, além de elevados índices de afastamento laboral e risco de suicídio (MINAYO & ADORNO, 2020; FERREIRA et al., 2022). Conforme Minayo & Adorno (2020), o sofrimento psíquico no trabalho policial deve ser compreendido a partir da interação entre fatores operacionais, organizacionais e socioterritoriais, o que exige análises contextualizadas às realidades locais.

No Estado do Pará, essa realidade assume contornos ainda mais complexos. A Polícia Militar do Pará (PMPA) atua em um território marcado por grandes extensões geográficas, desigualdades regionais, conflitos fundiários, violência urbana e rural, além de limitações estruturais no acesso a serviços públicos, especialmente nas regiões interioranas. Tais condições intensificam a exposição dos policiais militares a fatores de risco psicossociais, ampliando o desgaste emocional, o sofrimento mental e os agravos à saúde psíquica (SOUZA et al., 2022).

Pesquisas desenvolvidas no contexto amazônico apontam que a sobrecarga de trabalho, o déficit de efetivo, as escalas extensas, a precariedade de recursos materiais e a atuação em áreas de difícil acesso contribuem significativamente para o adoecimento mental dos profissionais da segurança pública no Pará (ALMEIDA et al., 2023). Soma-se a isso uma cultura organizacional militar fortemente marcada pela hierarquia rígida, disciplina e valorização da resistência emocional, o que tende a reforçar o estigma em relação à busca por apoio psicológico e dificultar o reconhecimento do sofrimento psíquico no interior da corporação (MINAYO et al., 2021).

Nos últimos anos, observa-se a implementação de iniciativas institucionais voltadas à atenção psicossocial dos profissionais da segurança pública paraense, como a adesão do Estado do Pará ao programa Escuta-SUSP, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Embora tais ações representem avanços importantes no reconhecimento da saúde mental como pauta institucional, estudos indicam que ainda persistem desafios relacionados à efetividade das políticas, à adesão dos policiais militares aos serviços oferecidos e à continuidade do cuidado em saúde mental no âmbito da PMPA (BRASIL, 2020; SOUZA et al., 2022).

A problematização que fundamenta a presente pesquisa emerge da constatação de que, apesar da relevância institucional da saúde mental, ainda há lacunas significativas entre as políticas públicas formuladas e sua efetiva operacionalização no cotidiano da Polícia Militar do Pará. Diante disso, questiona-se: como os fatores de risco ocupacionais e organizacionais influenciam a saúde mental dos policiais militares do Estado do Pará e quais são os desafios institucionais e as possibilidades de intervenção existentes no âmbito da PMPA? Esse problema apresenta aplicabilidade social e científica, por refletir uma vivência concreta da realidade paraense da segurança pública e por possibilitar a produção de conhecimentos relevantes para a melhoria das práticas institucionais.

Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo geral analisar os fatores de risco, os desafios institucionais e as possibilidades de intervenção relacionados à saúde mental dos policiais militares do Estado do Pará. De forma específica, busca-se identificar os principais fatores associados ao adoecimento mental, descrever os desafios institucionais no cuidado psicossocial, analisar as ações e programas existentes, como o Escuta-SUSP, e discutir estratégias institucionais voltadas à promoção da saúde mental e à prevenção do adoecimento psíquico no contexto da PMPA.

A relevância desta pesquisa justifica-se por sua contribuição teórica e prática, ao aprofundar o debate sobre a saúde mental no trabalho policial militar em um recorte regional ainda pouco explorado na literatura científica. Espera-se que os resultados obtidos possam subsidiar o planejamento institucional da Polícia Militar do Pará, fortalecer políticas públicas de cuidado integral e contribuir para a construção de ambientes organizacionais mais saudáveis, impactando positivamente tanto a qualidade de vida dos policiais militares quanto a efetividade da segurança pública no Estado.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Saúde mental

A saúde mental no contexto do trabalho tem sido compreendida, nas últimas décadas, como um fenômeno complexo e multidimensional, fortemente influenciado por fatores individuais, organizacionais e sociais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a saúde mental corresponde a “um estado de bem-estar no qual o indivíduo reconhece suas capacidades, pode lidar com os estresses normais da vida, trabalhar produtivamente e contribuir para sua comunidade” (OMS, 2022). No campo da saúde coletiva, esse conceito é ampliado ao considerar que o processo saúde–doença está diretamente relacionado às condições de vida e trabalho dos indivíduos (MINAYO & ADORNO, 2020).

No que se refere à atividade policial militar, a literatura aponta que se trata de uma das profissões com maior carga de estresse ocupacional, em razão da exposição contínua à violência, à morte, ao risco permanente e à pressão institucional por resultados. Conforme destacam Silva et al. (2020), o trabalho policial “impõe demandas emocionais intensas e constantes, que, quando não acompanhadas de estratégias institucionais de cuidado, favorecem o adoecimento psíquico”. Estudos recentes evidenciam a alta prevalência de transtornos mentais comuns entre policiais militares, como ansiedade, depressão e estresse crônico (FERREIRA et al., 2022).

Minayo & Adorno (2020) ressaltam que o sofrimento psíquico no trabalho policial não deve ser compreendido apenas a partir de eventos críticos isolados, mas como resultado de um processo contínuo de desgaste emocional. Segundo os autores, “o adoecimento mental dos policiais está fortemente associado à forma como o trabalho é organizado e às condições institucionais oferecidas” (MINAYO & ADORNO, 2020). Dessa forma, a literatura contemporânea afasta explicações individualizantes e enfatiza a responsabilidade institucional no cuidado com a saúde mental desses profissionais.

2.2 Fatores de Risco Ocupacionais e Organizacionais no Trabalho Policial Militar

Os fatores de risco associados ao adoecimento mental dos policiais militares são amplamente discutidos na literatura e podem ser agrupados em fatores operacionais, organizacionais e psicossociais. Entre os fatores operacionais, destacam-se o enfrentamento direto da violência, a exposição recorrente a cenas traumáticas, o risco constante de morte e a necessidade de tomada de decisões rápidas em contextos de alta tensão (SOARES & LIMA, 2021). Para esses autores, “a imprevisibilidade e a letalidade potencial das ocorrências policiais constituem elementos centrais do sofrimento psíquico no trabalho policial” (SOARES & LIMA, 2021).

No âmbito organizacional, estudos apontam que jornadas extensas, escalas irregulares, déficit de efetivo e precariedade de recursos materiais contribuem significativamente para o desgaste emocional dos profissionais (SANTOS, OLIVEIRA & COSTA, 2021). Almeida et al. (2023) afirmam que “a sobrecarga de trabalho e a insuficiência de condições adequadas de atuação ampliam os níveis de estresse e favorecem o adoecimento mental dos policiais militares”.

A cultura organizacional militar também exerce influência direta sobre a saúde mental. Minayo et al. (2021) destacam que a valorização da resistência emocional, da disciplina rígida e da hierarquia tende a dificultar a expressão do sofrimento psíquico. Segundo os autores, “o modelo organizacional militar historicamente associa o cuidado psicológico à fragilidade, reforçando o estigma e afastando os profissionais dos serviços de saúde mental” (MINAYO et al., 2021).

2.3 Saúde Mental e Polícia Militar no Estado do Pará

No Estado do Pará, a saúde mental dos policiais militares deve ser analisada a partir das especificidades territoriais e sociais da região amazônica. A Polícia Militar do Pará (PMPA) atua em um território extenso, marcado por desigualdades regionais, violência urbana e rural, conflitos fundiários e dificuldades logísticas, especialmente em áreas interioranas e de difícil acesso.

Pesquisas desenvolvidas no contexto amazônico indicam que essas condições intensificam os fatores de risco psicossociais. Almeida et al. (2023) destacam que “a distância entre os centros urbanos, a carência de serviços especializados e as condições adversas de trabalho contribuem para o agravamento do sofrimento psíquico dos policiais na Amazônia”. Souza et al. (2022) complementam ao afirmar que a descentralização insuficiente dos serviços de saúde mental dificulta o acesso dos policiais do interior aos atendimentos psicossociais.

Além disso, a atuação em regiões com elevados índices de violência e vulnerabilidade social amplia a exposição dos policiais militares a situações traumáticas recorrentes. Conforme Souza et al. (2022), “a realidade da segurança pública no Pará impõe aos profissionais demandas emocionais que extrapolam aquelas observadas em outros contextos regionais do país”.

No que se refere aos agravos à saúde mental, estudos nacionais indicam que profissionais da segurança pública apresentam maior prevalência de transtornos mentais comuns, como ansiedade, depressão e estresse crônico, além de maior vulnerabilidade a transtornos relacionados ao trauma e comportamento suicida (SILVA et al., 2020; FERREIRA et al., 2022). Embora haja escassez de dados epidemiológicos específicos e sistematizados sobre a PMPA, pesquisas qualitativas e relatórios institucionais apontam para o aumento de afastamentos por motivos psicológicos, licenças médicas prolongadas e dificuldades de reinserção laboral após episódios de adoecimento mental.

A realidade paraense é agravada pela dificuldade de acesso a serviços especializados em saúde mental, especialmente fora da Região Metropolitana de Belém. Souza et al. (2022) destacam que “a concentração dos serviços psicossociais nas capitais e grandes centros urbanos limita o acesso dos profissionais que atuam no interior, comprometendo a continuidade do cuidado”. Essa limitação estrutural reforça a desigualdade regional no atendimento à saúde mental dos policiais militares do Pará.

Outro aspecto relevante refere-se à cultura organizacional da PMPA, fortemente influenciada pelos princípios militares de hierarquia, disciplina e controle. Minayo et al. (2021) afirmam que esse modelo organizacional tende a naturalizar o sofrimento psíquico como parte inerente da profissão, dificultando o reconhecimento do adoecimento mental como problema de saúde. Segundo os autores, “o policial aprende a silenciar sua dor emocional, o que contribui para o agravamento dos quadros psicológicos e para a busca tardia por ajuda especializada” (MINAYO et al., 2021).

Nos últimos anos, observa-se o avanço de iniciativas institucionais voltadas à atenção psicossocial dos profissionais da segurança pública no Pará, com destaque para a adesão ao programa Escuta-SUSP, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O programa visa oferecer atendimento psicológico aos profissionais da segurança pública, reconhecendo os impactos do trabalho policial sobre a saúde mental (BRASIL, 2020). Entretanto, estudos indicam que tais iniciativas ainda enfrentam desafios relacionados à adesão dos policiais, à superação do estigma institucional e à integração das ações com políticas internas permanentes da corporação (SOUZA et al., 2022).

Dessa forma, a análise da saúde mental dos policiais militares no Estado do Pará evidencia a necessidade de estratégias institucionais contínuas, descentralizadas e sensíveis às especificidades regionais. A literatura aponta que o enfrentamento do adoecimento psíquico no contexto da PMPA demanda não apenas a ampliação do acesso aos serviços de saúde mental, mas também mudanças na cultura organizacional, fortalecimento das políticas preventivas e valorização do cuidado psicológico como componente estratégico da segurança pública (MINAYO & ADORNO, 2020).

2.4 Políticas Públicas e Ações Institucionais de Atenção à Saúde Mental

Nos últimos anos, a saúde mental dos profissionais da segurança pública passou a integrar de forma mais explícita a agenda das políticas públicas nacionais. Um dos principais avanços nesse campo foi a criação do programa Escuta-SUSP, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, cujo objetivo é oferecer atendimento psicológico e psicossocial aos trabalhadores da segurança pública (BRASIL, 2020).

Segundo o documento oficial do programa, o Escuta-SUSP busca “promover o cuidado integral em saúde mental, reconhecendo os impactos do trabalho policial na vida dos profissionais” (BRASIL, 2020). No entanto, estudos apontam que a efetividade dessas ações depende da articulação com políticas internas das corporações e da superação do estigma institucional (MINAYO et al., 2021).

No caso da PMPA, observa-se que, embora existam iniciativas voltadas à atenção psicossocial, ainda há desafios relacionados à continuidade do cuidado, à adesão dos profissionais e à ampliação das ações para além da região metropolitana. Conforme apontam Souza et al. (2022), “a ausência de uma política institucional permanente limita o alcance e a efetividade das ações de saúde mental no âmbito das corporações policiais”.

2.5 Avanços e Lacunas nas Pesquisas sobre Saúde Mental Policial

O estado da arte sobre saúde mental no trabalho policial evidencia um crescimento significativo da produção científica a partir de 2020, com maior enfoque nos impactos psicossociais da atividade policial e na necessidade de políticas institucionais de cuidado. Estudos recentes têm destacado a importância da prevenção, do acompanhamento contínuo e da valorização da saúde mental como componente estratégico da segurança pública (SILVA et al., 2020; FERREIRA et al., 2022).

Apesar dos avanços, a literatura ainda apresenta lacunas importantes, especialmente no que se refere a estudos empíricos com recorte regional. Minayo & Adorno (2020) ressaltam que “a compreensão do sofrimento psíquico no trabalho policial exige análises contextualizadas, que considerem as especificidades territoriais e organizacionais”. Nesse sentido, observa-se a escassez de pesquisas focadas na realidade do Estado do Pará, o que reforça a relevância do presente estudo.

Assim, ao articular o referencial teórico existente às particularidades da PMPA, esta pesquisa busca contribuir para o aprofundamento do debate sobre saúde mental no trabalho policial militar, evidenciando a necessidade de estratégias institucionais permanentes e contextualizadas de promoção da saúde mental e prevenção do adoecimento psíquico.

Nos últimos anos, o Estado do Pará passou a estruturar e ampliar ações voltadas à saúde mental dos profissionais da segurança pública, reconhecendo de forma mais sistemática os impactos psicossociais decorrentes do exercício da atividade policial. Esse movimento acompanha uma tendência nacional de incorporação da saúde mental como eixo estratégico das políticas de segurança pública, especialmente diante do aumento de afastamentos por adoecimento psíquico, sofrimento emocional e risco de suicídio entre agentes de segurança (BRASIL, 2020; SOUZA et al., 2022).

Nesse contexto, o Pará aderiu ao programa federal Escuta-SUSP, iniciativa coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, voltada à atenção psicossocial dos profissionais integrantes do Sistema Único de Segurança Pública. O programa oferece atendimentos on-line, gratuitos e sigilosos, buscando reduzir barreiras de acesso ao cuidado psicológico, sobretudo aquelas relacionadas ao estigma institucional e às limitações logísticas enfrentadas por profissionais que atuam em regiões interioranas e de difícil acesso (BRASIL, 2020).

Entre as modalidades previstas no Escuta-SUSP destacam-se o acolhimento psicológico inicial, a psicoterapia de curta duração  com possibilidade de até vinte sessões e intervenções específicas voltadas à prevenção do comportamento suicida. De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o programa tem como objetivo “promover o cuidado integral em saúde mental dos profissionais de segurança pública, reconhecendo os impactos do trabalho policial sobre o bem-estar psíquico” (BRASIL, 2020).

A adesão do Estado do Pará ao Escuta-SUSP representa um avanço significativo no reconhecimento da saúde mental como componente essencial da política de segurança pública estadual. O formato remoto dos atendimentos mostra-se particularmente relevante diante da grande extensão territorial do Pará, permitindo o acesso ao cuidado psicológico mesmo para policiais lotados em municípios distantes da capital. Além disso, o caráter sigiloso do programa configura-se como elemento estratégico para enfrentar o receio de exposição e julgamento, frequentemente associado à cultura organizacional militar (MINAYO et al., 2021).

Paralelamente à implementação do Escuta-SUSP, a Polícia Militar do Pará anunciou a ampliação das ações internas de atenção psicossocial, incluindo a contratação de acompanhamento psicológico continuado e o investimento de recursos públicos voltados ao fortalecimento da assistência em saúde mental no âmbito da corporação. Segundo informações institucionais divulgadas pela própria Polícia Militar do Pará, tais medidas visam ampliar a oferta de atendimentos especializados, promover a continuidade do cuidado e oferecer suporte mais sistemático aos policiais militares que apresentam quadros de sofrimento psíquico persistente (PARÁ, 2023).

Notícias veiculadas por órgãos oficiais do Estado, como a Agência Pará, indicam que essas ações fazem parte de um esforço governamental mais amplo para qualificar as políticas de cuidado aos profissionais da segurança pública, integrando saúde mental, valorização profissional e prevenção de agravos psicossociais (AGÊNCIA PARÁ, 2023). No entanto, a literatura ressalta que a efetividade dessas iniciativas depende de sua institucionalização permanente, da descentralização dos serviços e da articulação entre programas federais e políticas internas da corporação (SOUZA et al., 2022).

Dessa forma, embora os avanços observados no Estado do Pará representem importantes passos no enfrentamento do adoecimento psíquico entre os policiais militares, persistem desafios relacionados à adesão dos profissionais, à continuidade do acompanhamento psicossocial e à superação do estigma institucional. A análise dessas ações reforça a necessidade de estudos que avaliem criticamente suas potencialidades e limitações, contribuindo para o aprimoramento das políticas públicas de saúde mental no contexto da segurança pública paraense.

2.6 Iniciativas da Polícia Militar do Pará voltadas à promoção da saúde mental

A aprovação do Projeto de Lei nº 163/2024 pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará institui a Política Estadual em prol da Saúde Mental dos Profissionais da Segurança Pública, configurando um avanço normativo no reconhecimento do cuidado psicossocial como eixo estratégico da segurança pública. A política abrange diversas categorias profissionais e estabelece diretrizes voltadas à promoção da saúde mental, à prevenção de transtornos emocionais e à valorização da qualidade de vida no ambiente de trabalho (PARÁ, 2024).

A relevância da iniciativa é reforçada por dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023, que apontam, pela primeira vez, que o número de suicídios entre policiais superou o de mortes em confrontos, evidenciando a gravidade do sofrimento psíquico nesse grupo profissional (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA, 2023). Nesse contexto, a política estadual surge como resposta institucional à necessidade de ações preventivas, educativas e de atendimento integral em saúde mental, embora sua efetividade dependa da regulamentação, do financiamento e da articulação com programas já existentes.

No âmbito das estratégias inovadoras voltadas à promoção da saúde mental dos profissionais de segurança pública, destaca-se o Projeto Ajuda+, desenvolvido por policiais militares do Estado do Pará. A iniciativa ganhou projeção nacional ao ser selecionada para a fase final do concurso “Hackathon – Tecnologias Disruptivas para Segurança Pública”, promovido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), em 2025.

O Projeto Ajuda+ consiste na proposta de desenvolvimento de um aplicativo digital voltado à avaliação, ao monitoramento e ao suporte em saúde mental de agentes de segurança pública, com possibilidade de alcance em todo o território nacional. A concepção do aplicativo parte do reconhecimento de que o exercício da atividade policial expõe os profissionais a elevados níveis de estresse ocupacional, pressão emocional, riscos físicos e situações de violência, fatores amplamente associados ao adoecimento psíquico, como depressão, ansiedade e comportamento suicida.

Entre as funcionalidades previstas no aplicativo, destaca-se o Diário de Emoções, ferramenta que permite ao usuário registrar diariamente seu estado emocional, favorecendo o autoconhecimento e a identificação precoce de sinais de sofrimento mental. O projeto também contempla um módulo de Educação Emocional, com conteúdos informativos sobre inteligência emocional, estratégias de enfrentamento do estresse e promoção do equilíbrio psicológico, contribuindo para ações preventivas no cotidiano profissional.

Outra funcionalidade relevante é a Autoavaliação de Saúde Mental, que possibilita aos agentes de segurança pública realizarem avaliações periódicas de seu bem-estar psicológico, identificando áreas que demandam atenção e sugerindo medidas corretivas ou encaminhamentos adequados. Soma-se a isso a criação de uma Comunidade Online, espaço virtual destinado à interação entre profissionais, com o objetivo de promover apoio mútuo, troca de experiências e redução do isolamento emocional, frequentemente presente no contexto institucional policial. O aplicativo também prevê links úteis e acesso facilitado a profissionais de saúde mental, fortalecendo a articulação com a rede de atenção psicossocial.

O desenvolvimento do Projeto Ajuda+ fundamenta-se em dados recentes que apontam para o agravamento do sofrimento psíquico entre profissionais da segurança pública no Brasil. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 evidenciou o crescimento dos casos de suicídio em determinados estados, enquanto o programa Escuta SUSP, implementado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, alcançou a marca de mil atendimentos psicológicos desde sua criação, em maio de 2024, demonstrando a elevada demanda por suporte psicológico nesse grupo profissional.

A participação do Projeto Ajuda+ no Hackathon ocorreu no Eixo 3 – Plataforma de Autoavaliação de Saúde Mental, cujo objetivo é fomentar soluções tecnológicas que contribuam para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais de segurança pública. O projeto idealizado pelos policiais militares do Pará obteve a melhor pontuação da fase inicial do concurso, superando propostas de outros eixos temáticos, o que evidencia seu potencial de inovação e aplicabilidade prática.

Dessa forma, o Projeto Ajuda+ configura-se como uma iniciativa relevante no campo da saúde mental policial, ao integrar tecnologia, prevenção e cuidado psicossocial, alinhando-se às diretrizes do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e às políticas de valorização dos profissionais da segurança. A proposta reforça a importância de estratégias inovadoras e acessíveis para o enfrentamento dos desafios relacionados ao adoecimento mental no contexto policial, contribuindo para a construção de uma cultura institucional de cuidado, acolhimento e promoção do bem-estar psicológico.

3 METODOLOGIA

A presente pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, por possibilitar a compreensão aprofundada do fenômeno da saúde mental no contexto do trabalho policial militar, a partir da análise de produções científicas e documentos institucionais. A opção pela abordagem qualitativa justifica-se por permitir a interpretação de aspectos conceituais, normativos e organizacionais relacionados aos fatores de risco, desafios institucionais e políticas de cuidado em saúde mental, sem a utilização de instrumentos de coleta direta com participantes, o que é adequado a estudos de natureza teórica e documental (MINAYO, 2014).

Quanto aos procedimentos técnicos, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental. A pesquisa bibliográfica consistiu no levantamento e análise de livros, artigos científicos, dissertações e teses que abordam a temática da saúde mental, do trabalho policial militar e da segurança pública, priorizando produções atualizadas e publicadas em fontes científicas confiáveis. O levantamento foi realizado em bases de dados reconhecidas, como SciELO, LILACS, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico. Segundo Gil (2019), a pesquisa bibliográfica permite identificar o estado da arte sobre determinado tema, fornecendo sustentação teórica ao problema investigado.

Paralelamente, foi realizada a pesquisa documental, a partir da análise de documentos oficiais, normas, portarias, programas e relatórios institucionais relacionados à saúde mental dos profissionais da segurança pública. Foram examinados documentos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, especialmente aqueles referentes ao programa Escuta-SUSP, bem como materiais institucionais da Polícia Militar do Estado do Pará e da Secretaria de Segurança Pública do Estado. A pesquisa documental mostra-se fundamental para a compreensão das políticas públicas e das ações institucionais, uma vez que utiliza fontes primárias produzidas no âmbito governamental e organizacional (GIL, 2019).

A análise dos dados ocorreu por meio da técnica de Análise de Conteúdo, conforme proposta por Bardin, aplicada aos textos científicos e documentos selecionados. Essa técnica possibilita a organização sistemática do material analisado, a identificação de categorias temáticas e a interpretação dos conteúdos à luz do referencial teórico adotado (BARDIN, 2016). O processo analítico envolveu as etapas de pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, permitindo a construção de categorias relacionadas aos fatores de risco ocupacionais, à cultura organizacional militar, às políticas públicas de saúde mental e às ações institucionais desenvolvidas no Estado do Pará.

Por não envolver coleta de dados diretamente com seres humanos, esta pesquisa não se caracteriza como pesquisa de campo e não demanda aplicação de instrumentos como entrevistas ou questionários. Ainda assim, foram observados os princípios éticos da pesquisa científica, especialmente no que se refere à fidedignidade das informações, ao uso responsável das fontes e ao respeito à autoria das produções analisadas, evitando-se qualquer forma de plágio ou deturpação dos dados.

A Polícia Militar do Pará (PMPA) tem desenvolvido um conjunto de iniciativas institucionais voltadas à promoção da saúde mental e à prevenção do adoecimento psíquico entre seus profissionais, reconhecendo os impactos emocionais inerentes ao exercício da atividade policial. Entre essas ações, destaca-se a atuação do Centro Integrado de Atenção Psicossocial (CIAP), responsável por promover atividades educativas, preventivas e de sensibilização no âmbito da corporação.

Como exemplo dessas iniciativas, o CIAP realiza ciclos de palestras alusivos à campanha Setembro Amarelo, com foco na valorização da vida e na prevenção do suicídio, buscando ampliar o diálogo sobre saúde mental, reduzir o estigma associado ao sofrimento psíquico e estimular a busca por apoio psicológico entre os policiais militares (PARÁ, 2021). Essas ações possuem caráter pedagógico e preventivo, contribuindo para a construção de uma cultura institucional mais acolhedora e atenta às demandas emocionais da tropa.

Paralelamente às ações educativas, a PMPA tem investido em estratégias inovadoras de cuidado, como o Projeto Ajuda+, aplicativo idealizado por policiais militares do Pará e selecionado em concurso nacional promovido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O projeto propõe o uso da tecnologia como ferramenta de autoavaliação, monitoramento emocional, educação em saúde mental e acesso facilitado a suporte psicológico, ampliando as possibilidades de cuidado contínuo e preventivo (PARÁ, 2025).

Essas iniciativas institucionais dialogam diretamente com o avanço normativo representado pela aprovação do Projeto de Lei nº 163/2024, que institui a Política Estadual em prol da Saúde Mental dos Profissionais da Segurança Pública no Pará. A política reconhece a necessidade de ações preventivas, educativas e de atendimento integral, além de destacar a importância da qualidade de vida no ambiente de trabalho e da prevenção do suicídio (PARÁ, 2024).

Nesse contexto, as ações desenvolvidas pela PMPA  como as atividades do CIAP, as campanhas do Setembro Amarelo e o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras evidenciam um esforço institucional alinhado às diretrizes nacionais e estaduais de valorização dos profissionais da segurança pública. Contudo, a efetividade dessas iniciativas depende de sua continuidade, ampliação e articulação com políticas públicas estruturadas, de modo a produzir impactos concretos na redução do sofrimento psíquico e na promoção da saúde mental dos policiais militares.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A análise da literatura evidencia consenso entre os autores quanto à elevada exposição dos policiais militares a fatores de risco psicossociais. Os estudos analisados apontam que o estresse ocupacional, a exposição contínua à violência, o risco permanente de morte, as jornadas extensas e a pressão institucional por resultados configuram-se como elementos centrais no processo de adoecimento mental desses profissionais (MINAYO & ADORNO, 2020; SILVA et al., 2020; FERREIRA et al., 2022).

No contexto do Estado do Pará, esses fatores são potencializados por características territoriais e sociais específicas, como a grande extensão geográfica, a atuação em áreas de difícil acesso, a violência urbana e rural, os conflitos fundiários e a precariedade de recursos institucionais em determinadas regiões. A literatura analisada indica que tais condições ampliam o desgaste físico e emocional dos policiais militares, contribuindo para o surgimento de quadros de ansiedade, depressão, estresse crônico e transtornos relacionados ao trauma (ALMEIDA et al., 2023).

A análise dos documentos institucionais e das produções científicas indica que o estigma associado à saúde mental ainda constitui um obstáculo significativo para a busca por apoio psicológico, especialmente no ambiente policial militar. Muitos profissionais tendem a associar o cuidado psicológico à fragilidade ou à incapacidade para o serviço, o que dificulta a adesão às ações de prevenção e tratamento.

No caso da PMPA, esse cenário se agrava em contextos interioranos, onde a ausência de serviços especializados e a proximidade entre os membros das unidades policiais podem intensificar o receio de exposição. Esses achados reforçam a importância de estratégias institucionais que promovam mudanças na cultura organizacional, valorizando o cuidado em saúde mental como parte integrante da atividade profissional.

A análise documental revelou avanços importantes nas políticas públicas voltadas à saúde mental dos profissionais da segurança pública no Estado do Pará. A adesão ao programa federal Escuta-SUSP e a ampliação de atendimentos psicossociais no âmbito da PMPA indicam um reconhecimento institucional crescente da relevância do tema (BRASIL, 2020; PARÁ, 2023).

O Escuta-SUSP destaca-se como uma estratégia relevante por oferecer atendimentos on-line, gratuitos e sigilosos, ampliando o acesso ao cuidado psicológico em um estado marcado por grandes distâncias geográficas. Além disso, a possibilidade de psicoterapia de curta duração e de intervenções voltadas à prevenção do suicídio representa um avanço no enfrentamento dos agravos à saúde mental dos policiais militares.

Entretanto, os documentos analisados e a literatura científica indicam que essas ações ainda enfrentam desafios relacionados à continuidade do cuidado, à descentralização dos serviços e à integração entre políticas federais e ações internas da corporação (SOUZA et al., 2022). Esses resultados sugerem que, embora existam avanços institucionais, ainda há necessidade de consolidação de políticas permanentes e estruturadas de atenção à saúde mental no âmbito da PMPA.

A interpretação dos resultados permite afirmar que a promoção da saúde mental dos policiais militares do Pará exige ações que ultrapassem intervenções pontuais ou emergenciais. A literatura analisada aponta que estratégias eficazes devem envolver a prevenção do adoecimento psíquico, a ampliação do acesso aos serviços de saúde mental, a valorização do cuidado psicológico e a transformação da cultura organizacional militar (MINAYO & ADORNO, 2020).

Nesse sentido, os resultados reforçam a importância de políticas institucionais contínuas, que considerem as especificidades territoriais do Estado do Pará e promovam a interiorização dos serviços psicossociais. Além disso, destaca-se a necessidade de investimentos em formação, sensibilização e capacitação dos gestores e dos próprios policiais militares, visando reduzir o estigma e fortalecer uma cultura organizacional orientada ao cuidado.

Por fim, a análise realizada evidencia que os objetivos da pesquisa foram atendidos, uma vez que foi possível identificar os principais fatores de risco associados ao adoecimento mental, analisar os desafios institucionais existentes e discutir as possibilidades de intervenção no contexto da Polícia Militar do Estado do Pará. Os resultados apresentados fornecem subsídios relevantes para o aprimoramento das políticas públicas e das ações institucionais voltadas à saúde mental dos profissionais da segurança pública.

5 CONCLUSÃO

A presente pesquisa conclui que a saúde mental dos policiais militares do Estado do Pará é fortemente influenciada por fatores de risco ocupacionais e organizacionais associados à natureza da atividade policial, às condições de trabalho e à cultura institucional. Verifica-se que o adoecimento psíquico não se limita a aspectos individuais, mas decorre de um conjunto de elementos estruturais que envolvem exposição à violência, estresse contínuo, sobrecarga laboral e dificuldades de acesso ao cuidado psicossocial.

Constata-se que os objetivos propostos foram atingidos, uma vez que foi possível identificar os principais fatores de risco associados ao adoecimento mental dos policiais militares, descrever os desafios institucionais enfrentados pela corporação e analisar as ações e programas existentes voltados à promoção da saúde mental no âmbito da Polícia Militar do Pará. A análise permitiu compreender que, embora existam avanços institucionais recentes, como a adesão a programas de atenção psicossocial, ainda persistem limitações relacionadas à efetividade, à continuidade do cuidado e à superação do estigma organizacional.

Conclui-se que as ações institucionais atualmente implementadas representam progresso no reconhecimento da saúde mental como tema estratégico da segurança pública, porém ainda carecem de consolidação enquanto política permanente, integrada e sensível às especificidades territoriais do Estado do Pará. A pesquisa evidencia que a promoção da saúde mental dos policiais militares exige estratégias contínuas, preventivas e descentralizadas, capazes de alcançar também os profissionais que atuam em regiões interioranas e de difícil acesso.

Diante da problematização inicial, a pesquisa responde que os fatores de risco ocupacionais e organizacionais exercem influência direta e significativa sobre a saúde mental dos policiais militares paraenses, ao mesmo tempo em que os desafios institucionais ainda limitam o alcance das intervenções existentes. As possibilidades de intervenção identificadas apontam para a necessidade de fortalecimento das políticas públicas, ampliação do acesso aos serviços psicossociais e transformação da cultura organizacional no sentido da valorização do cuidado psicológico.

Como principais contribuições teóricas, o estudo amplia o debate sobre saúde mental no trabalho policial militar a partir de um recorte regional específico, ainda pouco explorado na literatura científica. No campo prático, a pesquisa oferece subsídios para o aprimoramento das ações institucionais da Polícia Militar do Pará e para o planejamento de políticas públicas mais eficazes voltadas ao cuidado integral dos profissionais da segurança pública.

Reconhecem-se como limitações do estudo a ausência de dados empíricos oriundos de pesquisa de campo e a dependência de fontes bibliográficas e documentais, o que restringe a análise às informações já publicadas. Sugere-se, para pesquisas futuras, a realização de estudos empíricos com policiais militares do Estado do Pará, bem como investigações quantitativas e qualitativas que avaliem a efetividade das ações institucionais de saúde mental e aprofundem a compreensão das experiências vivenciadas pelos profissionais.

Por fim, conclui-se que a temática da saúde mental no âmbito da Polícia Militar do Pará demanda atenção contínua, investimentos institucionais e produção científica permanente, de modo a contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos policiais militares e para o fortalecimento da segurança pública enquanto política social.

REFERÊNCIAS

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1Discente do Curso de Pós-graduação em Assistência Sociojurídica na Segurança Pública pela Faculdade FAVENNI.Campus Belém.E-mail: alj_fernandes@hotmail.com

2Discente do Curso de Pós-graduação em Gestão Escolar pela Faculdade Bookplay.Campus Belém.E-mail: fabyollalima@hotmail.com

3Discente do Curso Superior de Tecnologia em Segurança Pública pela Faculdade UNIFATECIE.Campus Belém . E-mail: ismaelwpmelo@gmail.com

4Discente do Curso de Pós-graduação em Educação Especial e Inclusiva pela Faculdade Intelectual da Amazônia (FIAMA).Campus Belém. E-mail: pedrina.aires29@gmail.com