CONTRIBUTION OF PHYSIOTHERAPY TO THE MOTOR DEVELOPMENT OF CHILDREN WITH AUTISM SPECTRUM DISORDER: INTEGRATIVE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202512232004
Maria do Carmo Silveira de Cerqueira1
Maria das Graças Silva Soares2
Evaldo Sales Leal3
RESUMO
INTRODUÇÃO: O Transtorno do Espectro Autismo (TEA) é um transtorno de condição neurodesenvolvimento, caracterizada por dificuldade de comunicação, interação social, interesses restritos e padrões repetitivos de comportamento. A fisioterapia se torna fundamental desde os primeiros meses de vida. OBJETIVO: Avaliar o impacto da intervenção fisioterapêutica no desenvolvimento motor global de crianças com TEA. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão integrativa, realizada a partir de uma abordagem de pesquisa qualitativa. As fontes de pesquisa que foram utilizadas são as bases de dados: Medical Literature Analysis and Retrievel System Online (PUBMED), Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES PERIODICOS), Sistema Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS). Os critérios de inclusão foram: artigos científicos nos idiomas português, inglês e espanhol, disponíveis eletronicamente de forma integra; publicados nos últimos cinco anos (2020–2025). Os critérios de exclusão foram: estudos duplicados, incompletos, sem desfecho clínico, estudos publicados antes do ano de 2020 e aqueles cujo título, resumo e/ou objetivo não se enquadrem no tema proposto do presente estudo. RESULTADOS: Os estudos analisados demonstram que diferentes modalidades de intervenção fisioterapêutica, como exercícios aquáticos, atividades aeróbicas e técnicas estruturadas de artes marciais (como kata), promovem efeitos positivos e complementares no desenvolvimento motor, emocional e comportamental de crianças com TEA. Intervenções que integram estímulos sensório-motores favorecem ganhos em equilíbrio, controle postural, planejamento, organização, autocontrole e memória de trabalho, além de ampliarem a confiança física e emocional. Evidências mostram ainda redução de comportamentos estereotipados, melhora da sensibilidade sensorial e maior engajamento social. Assim, a fisioterapia se destaca como recurso essencial e integrativo para atender às necessidades funcionais e cognitivas dessas crianças. CONCLUSÃO: A fisioterapia, integrada a abordagens multissensoriais e motoras estruturadas, é essencial para o desenvolvimento global de crianças com TEA.
Palavras-chave:Modalidades de Fisioterapia. Transtorno do Espectro Autista. Criança.
ABSTRACT
INTRODUCTION: Autism Spectrum Disorder (ASD) is a neurodevelopmental condition characterized by difficulty in communication, social interaction, restricted interests, and repetitive behavior patterns. Physical therapy becomes essential from the first months of life. OBJECTIVE: To evaluate the impact of physical therapy intervention on the global motor development of children with ASD. METHODOLOGY: The present work is na integrative review, carried out using a qualitative research approach. The research sources used were the following databases: Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (PUBMED), Journal Portal of the Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel (CAPES PERIODICOS), and Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (LILACS). The inclusion criteria were: scientific articles in Portuguese, English, and Spanish, electronically available in full; published in the last five years (2020–2025). The exclusion criteria were: duplicate studies, incomplete studies, those without clinical outcomes, studies published before 2020, and those whose title, abstract, and/or objective were not aligned with the proposed theme of the present study. RESULTS: The analyzed studies demonstrate that different modalities of physical therapy intervention, such as aquatic exercises, aerobic activities, and structured martial arts techniques (such as kata), promote positive and complementary effects on motor, emotional, and behavioral development in children with ASD. Interventions that integrate sensory-motor stimuli promote gains in balance, postural control, planning, organization, self-control, and working memory, in addition to enhancing physical and emotional confidence. Evidence also shows a reduction in stereotyped behaviors, improved sensory sensitivity, and greater social engagement. Thus, physical therapy stands out as na essential and integrative resource to meet the functional and cognitive needs of these children. CONCLUSION: Physical therapy, integrated with multisensory and structured motor approaches, is essential for the global development of children with ASD.
Keywords: Physical Therapy Modalities. Autism Spectrum Disorder. Child.
1. INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autismo (TEA) é um transtorno de condição neurodesenvolvimento, caracterizada por dificuldade de comunicação, interação social, interesses restritos e padrões repetitivos de comportamento (Costa; Livramento, 2023). Aparição do autismo pode surgir ainda na primeira infância, sendo progressista de acordo com a idade cronológica. O traço que pode ser mais marcante do autista é não conseguir realizar a junção de partes e informações que podem formar um todo (Santos; Mascarenhas; Oliveira, 2021).
O autismo pode ter diversas origens, e uma das mais discutidas na área da neurologia relaciona-se a alterações no modo como as informações são transmitidas entre diferentes regiões do cérebro. Por isso, crianças e indivíduos com TEA se beneficiam de terapias que ofereçam novas experiências sensoriais, com o objetivo de atender suas necessidades específicas de estimulação e favorecer o desenvolvimento das habilidades perceptivas e motoras (Marcião et al., 2021).
Foi exposto a primeira vez pelo psiquiatra Leo Kanner em 1943, descrevendo 11 casos de crianças com um isolamento extremo desde o início de vida e incapacidade de interagir com outras crianças, onde observou que muitas dessas crianças nunca falaram, tinham inversão de pronomes, movimentos motores incomuns, como oscilar o corpo e bater as mãos repetitivamente (Sartori et al., 2020).
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DMS-V, 2022) classifica o TEA em três níveis: leve, moderado e grave. O leve requer suporte, mas consegue ser independente e por mais que consigam uma boa adaptação ainda sim se torna necessário que tenham um pouco de acompanhamento para que se desenvolvam e sejam funcionais.
O moderado requer substancial suporte e geralmente as crianças apresentam mais comprometimento e assim necessário ajuda intensiva, onde não conseguem funcionalidade para realizar a comunicação e adaptação ao ambiente. O grave é necessário que tenha a presença constante do cuidador, pois apontam um comportamento que seja relevante na funcionalidade no cotidiano, então mesmo com tratamento específico e todo apoio na escola e em casa, essas crianças são pouco funcionais (Gaia; Freitas, 2022).
As principais alterações motoras encontrada em crianças com TEA são as alterações sensório-motores, tônus global, tônus postural, equilíbrio, marcha, coordenação motora fina, lateralidade, planejamento motor, imagem corporal e coordenação motora ampla, essas alterações podem ser leves ou limitantes (Nunes et al., 2023).
A fisioterapia é essencial já nos primeiros meses de vida, com os fisioterapeutas aplicando medidas preventivas, destacando o cuidado com a saúde em vez de focar apenas na doença. O trabalho do fisioterapeuta não se trata apenas de um tratamento físico, pois se torna necessário que aconteça uma compreensão sobre as peculiaridades da maneira como essas crianças com TEA irão reagir às sessões. É essencial planejar o local do atendimento para que não aconteçam distrações, fazendo com que criança se mantenha centrada nas sessões, deixando-a sempre confortável durante o tratamento (Costa; Gonçalvez, 2020; Rocha; Raimundo, 2024).
O fisioterapeuta pode trabalhar as habilidades motoras de crianças com autismo, através de exercícios funcionais, de uma forma que contribua com a restauração dos movimentos para ajudar no equilíbrio e coordenação (Rodrigues et al., 2024). Deve destacar também as integrações sensoriais, jogos de coordenação motora, equoterapia, dança, gameterapia, e exercícios de propriocepção que são atividades que exercem uma função importante para atender as necessidades especificas e que possa estimular um progresso motor e garantir uma melhor qualidade de vida (Silva et al., 2024).
Diante da relevância do TEA e de seus impactos na comunicação, interação social, desenvolvimento motor e comportamentos repetitivos, torna-se essencial compreender como a atuação fisioterapêutica pode contribuir de forma efetiva no cuidado dessas crianças. Nesse contexto, surge a questão norteadora que orienta esta pesquisa: quais são os benefícios e de que forma a fisioterapia pode contribuir para o desenvolvimento motor de crianças com TEA, integrando-se ao tratamento global e promovendo melhores habilidades, bem-estar e qualidade de vida? Assim, este estudo tem como objetivo avaliar o impacto da intervenção fisioterapêutica no desenvolvimento motor de crianças com TEA.
2. METODOLOGIA
O estudo em questão tratou-se de uma revisão integrativa, ou seja, um recurso que visa sintetizar conhecimento científico de forma que permita a análise de novos pontos de vista, gerando mais interesse para pesquisas. Tem como fundamento a interpretação das evidências, podendo comportar em seu conteúdo, trabalhos com diversas metodologias e abordagens, visando compreender de modo mais abrangente um fenômeno em particular (Rodrigues et al., 2022).
Esta revisão foi construída a partir de seis etapas: estabelecimento de uma hipótese ou pergunta norteadora; busca na literatura; classificação dos estudos; avaliação dos estudos para inclusão na revisão; interpretação dos resultados e apresentação da revisão (Mendes; Silveira; Galvão, 2019).
As fontes de pesquisa que foram utilizadas são as bases de dados: Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES PERIODICOS), Sistema Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS MEDLINE), Biblioteca Nacional de Medicina (PUBMED MEDLINE).
Foram utilizadas as seguintes palavras-chave, de acordo com a descrição dos termos Descritores em Ciência em Saúde (DeCS) e Medical Subject Heading (MESH) nos idiomas inglês, português e espanhol, sendo estes: “Serviços de Fisioterapia”, “Transtorno Autístico”, “Criança”. Em inglês: “Physical Therapy Services”, “Autistic Disorder”, “Child”. Em espanhol: “Servicios de Fisioterapia”, “Trastorno Autístico”, “Niño”.
A fim de se realizar a busca integrada utilizou-se o conectivo “and” unindo os descritores. Nesta etapa não houve utilização de outros filtros no intuito de abordar toda a literatura disponível dentro do foco de interesse. As duplicatas foram resolvidas após verificação de todos os títulos dos trabalhos.
Os critérios para elegibilidade para inclusão decorrem-se de artigos científicos nos idiomas português, inglês e espanhol, disponíveis eletronicamente de forma integral; publicados nos últimos cinco anos (2020–2025), artigo de Qualis A e B, estudos completos e estudos originais que abordem o tema proposto. Os critérios de exclusão foram estudos de revisão, duplicados, incompletos, sem desfecho clínico, estudos publicados antes do ano de 2020 e aqueles cujo título, resumo e/ou objetivo não se enquadrem no tema proposto do presente estudo.
Os estudos foram selecionados após a leitura minuciosa de acordo com os critérios definidos, logo após foram analisados de forma detalhada, por meio de uma análise crítica, a fim de trazer os principais resultados e conclusões apresentados na literatura. Para este fim foram elaborados quadros com objetivo de facilitar a compreensão do leitor, estes foram apresentados nos resultados e discussão e contém informações relevantes dos estudos escolhidos como autor, ano, objetivo, e principais achados.
O processo de seleção dos estudos iniciou-se pela fase de identificação, na qual foram encontrados 165 artigos por meio dos descritores DeCS, sendo 124 na base PubMed, nenhum na LILACS e 41 no portal de Periódicos CAPES. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram eliminados 51 estudos: 30 provenientes da PubMed e 21 da CAPES Periódicos.
Na etapa de triagem, 114 estudos foram selecionados para leitura dos títulos, sendo 94 da PubMed e 20 da CAPES Periódicos. Após essa leitura, 20 artigos foram excluídos, 15 da PubMed e 5 da CAPES Periódicos. Assim, 94 estudos foram elegíveis para leitura dos resumos, dos quais 81 foram excluídos nesta fase. Na fase de elegibilidade, 13 estudos permaneceram para leitura do texto completo, resultando na exclusão de 8 artigos por não atenderem aos critérios estabelecidos. Por fim, na etapa de inclusão, 5 estudos foram considerados adequados e compuseram a revisão integrativa, todos provenientes da base PubMed, sem inclusão de artigos da LILACS ou da CAPES Periódicos.
Figura 01 – Fluxograma das fases de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão.


Fonte: Elaborado pelas autoras (2025).
3. Resultados e Discussão
A seguir, estão apresentados os estudos selecionados para compor a discussão deste trabalho. As pesquisas foram analisadas quanto ao autor, ano de publicação, objetivo, classificação do Qualis, revista em que foram publicados. Essa disposição tem como finalidade evidenciar a qualidade e a pertinência das pesquisas analisadas, servindo de base para a interpretação dos resultados.
QUADRO 1 – Artigos incluídos na revisão integrativa de acordo com autor/ano, objetivo, Qualis e revista.
| AUTOR/ANO | OBJETIVO | QUALIS | REVISTA |
| Haque Et al., 2025 | Avaliar a eficácia combinada da fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia na melhoria dos resultados físicos e comportamentais em crianças com TEA. | B1 | BMC Pediatrics |
| Arabi; Kakhki, 2025 | Comparar os efeitos dos Exercícios Motores Fino, Grosso e Fino-Grosso nas habilidades motoras grossas e finas e na competência motora de crianças autistas de 6 a 12 anos. | A3 | Acta Psychologica |
| Ansari Et al., 2020 | Comparar o efeito de um programa de exercícios em solo e um programa de exercícios aquáticos sobre as habilidades de equilíbrio em crianças com autismo. | B2 | Journal of Autism and Developmental Disorders |
| Firouzjah; Yaeichi, Hematinia, 2024 | O presente estudo tem como objetivo investigar a eficácia dos exercícios de integração sensório-motora nas habilidades sociais e no desempenho motor de crianças com transtorno do espectro autista (TEA). | B2 | Journal of Autism and Developmental Disorders |
| Alooche Et al., 2025 | Investigar a eficácia das atividades físicas na função cognitiva e na capacidade de realizar uma tarefa dupla em crianças com TEA. | A2 | Journal of Bodywork & Movement Therapies |
O quadro apresenta uma síntese da metodologia utilizada nos estudos analisados e dos principais achados encontrados, descrevendo o tipo de intervenção aplicada, os instrumentos de avaliação empregados e os resultados obtidos em relação ao comportamento e ao desenvolvimento físico de crianças com TEA.
QUADRO 2 – Síntese da metodologia e principais achados dos estudos.
| METODOLOGIA | PRINCIPAIS ACHADOS |
| Ensaio clínico randomizado, cego para avaliadores, com 70 criança com TEA. Os desfechos foram avaliados utilizando o SF36 (pontuações avaliam 2 domínios principais: saúde física, englobando saúde geral, limitações físicas, desconforto e capacidade funcional, e saúde mental/social, que inclui vitalidade, saúde mental, limitações emocionais e funcionamento social, com escalas variando de 0 a 100). modificado para estado físico e o GARS-3 (a escala mede comportamentos restrito, interação e comunicação social, respostas emocionais, estilo e cognitivo) para estado comportamental no início do estudo e após seis semanas de intervenções. Grupo A – Fisioterapia + Fonoaudiologia + Terapia Ocupacional: Protocolo integrado que incluiu fisioterapia com diversos treinamentos: equilíbrio em terra e na água (10 min), coordenação (3 min), hipoterapia/equoterapia (3 min), propriocepção (4 min), fortalecimento de membros inferiores (5 min) e exercícios aeróbicos (5 min). As sessões tinham duração total de 30 minutos por dia, além da fonoaudiologia e terapia ocupacional. Grupo B – Apenas Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia: Recebeu o mesmo protocolo de terapia ocupacional e fonoaudiologia do Grupo A, porém sem fisioterapia. Cada sessão teve duração de 1h30mnt com 45 minutos para cada intervenção terapêutica. | Os achados demonstram que combinação da fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia possibilitou resultados superiores quando se comparada às intervenções isoladas. A análise entre grupos comprovou a diferença significativa (valor p < 0,001), indicando maior eficácia do tratamento integrado para melhorar o estado comportamental e físico de crianças com TEA. Além disso, na análise intragrupo, apenas o grupo que recebeu fisioterapia mostrou melhorias significativas em ambos os desfechos, reforçando o papel decisivo da intervenção na evolução dos participantes. |
| Estudo quase-experimental com grupo de controle randomizado e incluiu 60 crianças com TEA, distribuídas aleatoriamente em três grupos experimentais e um grupo controle. A avaliação foi realizada por meio do Teste de Competência Motora Bruininks-Oseretsky (avaliar habilidade motoras), aplicado em três momentos: pré-teste, pós-teste e acompanhamento, este último conduzido dois meses após o término das intervenções. Os grupos experimentais participaram de 30 sessões, realizadas três vezes por semana durante três meses, com duração de 45 minutos cada. O grupo 1 recebeu somente exercícios de motricidade fina. O grupo 2 recebeu somente exercícios de motricidade grossos. O grupo 3 recebeu uma combinação de atividades dos dois grupos tanto exercícios de coordenação fina como exercícios de motricidade grossa. As intervenções foram conduzidas por cinco instrutores, sendo dois responsáveis pela motricidade fina e grossa, dois pela motricidade grossa e um pela motricidade | O grupo submetido ao programa de desenvolvimento da motricidade fina e grossa apresentou melhora significativa das habilidades motoras finas já no pós-teste, quando comparado ao pré-teste e aos demais grupos (p < 0,001). Além disso, essa evolução manteve-se no acompanhamento após dois meses, indicando efeito duradouro da intervenção (p < 0,001). |
| Ensaio clínico randomizado. Trinta crianças foram selecionadas voluntariamente e distribuídas aleatoriamente em três grupos: exercício de caratê, treinamento aquático e controle. Atendimento de 60 minutos, 2x por semana durante 10 semanas. Antes e após a intervenção de 10 semanas, foram aplicados testes de equilíbrio estático e dinâmico. | O estudo mostrara diferenças significativas (p=0,001), entre os grupos no equilíbrio estático e no dinâmico. No equilíbrio estático, exercícios aquáticos e karatê tiveram desempenho superior ao controle. No equilíbrio dinâmico, ambos também superaram o controle, e houve diferença significativa entre exercícios aquáticos e karatê. |
| Estudo quase-experimental controlado, com delineamento de pré e pós-teste e grupo controle. Crianças com TEA, com idades entre 9 e 11 anos. Dentre elas, 30 foram selecionadas por amostragem por conveniência e distribuídas aleatoriamente em dois grupos: experimental e controle. O grupo experimental participou de um programa de intervenção composto por 12 sessões. As intervenções foram: estimular tato, equilíbrio e propriocepção, estimular o tato, estimular propriocepção, estimular equilíbrio, estimular senso de propriocepção, estimular tato e equilíbrio, estimular toque e propriocepção. Os instrumentos de coleta de dados incluíram o Questionário de Habilidades Sociais de Gresham e Elliott (avalia questões comportamentais e habilidade social) e o Teste de Desempenho Motor de Ulrich (mede desenvolvimento padrão e execução de habilidades motoras). A análise dos dados foi realizada por meio de análise de covariância no software SPSS21. | Os resultados indicaram diferenças significativas entre os grupos experimental e controle após a intervenção. O grupo experimental apresentou melhor desempenho nas habilidades sociais — determinação, cooperação e autocontrole — e no desempenho motor — locomoção e controle de objetos — quando comparado ao grupo controle no pós-teste. As análises estatísticas confirmaram que a premissa de homogeneidade das variâncias foi atendida, que houve diferença global significativa entre os grupos segundo o teste de Lambda de Wilks (avalia se a variância) e que, no pós-teste, o grupo experimental superou o controle em todas as variáveis avaliadas (P<0,001), demonstrando a eficácia da intervenção na melhoria tanto das habilidades sociais quanto do desempenho motor. |
| Este ensaio clínico randomizado envolveu 30 crianças com TEA de alto funcionamento, com idades entre 6 e 12 anos, que foram aleatoriamente designadas para o grupo experimental (n = 15) ou grupo controle (n = 15). O grupo experimental realizou 24 sessões de treinamento físico voltadas para o aprimoramento do equilíbrio, agilidade, estabilidade central e coordenação motora (3 sessões por semana), enquanto o grupo controle continuou com seus serviços rotineiros de reabilitação. A função cognitiva foi avaliada por meio do WCST (uma tarefa baseada em computador usada para medir vários processos cognitivos, como atenção, resistência, memória de trabalho, pensamento abstrato e flexibilidade cognitiva) do questionário BRIEF (é utilizado para avaliar a função executiva em crianças e adolescentes de 5 a 18 anos por meio do relato parental) e dos testes de amplitude de dígitos direto e reverso (O dígito é um medida de memória verbal de trabalho que pode ser usado em dois formatos: dígito para a frente e dígito para trás), aplicados antes e após a intervenção de 4 semanas. A capacidade de realizar uma tarefa dupla foi avaliada por meio dos parâmetros do centro de pressão (COP) durante tarefas de equilíbrio estático e dinâmico enquanto executavam o teste de amplitude de dígitos direto. | Após a intervenção, o grupo experimental apresentou melhora significativa em várias funções cognitivas avaliadas pelo BRIEF — como inibição, controle emocional, planejamento, memória de trabalho e iniciativa — além de melhor desempenho no teste de dígitos invertidos. Não houve diferenças entre os grupos nas variáveis do WCST ou no teste de dígitos diretos. No equilíbrio estático sob dupla tarefa, o grupo experimental mostrou redução importante nos deslocamentos e na área de oscilação, especialmente na perna não dominante com olhos fechados, enquanto no equilíbrio dinâmico não houve diferença entre os grupos. Dentro do próprio grupo experimental, observou-se melhora significativa em quase todas as variáveis cognitivas e em diversos parâmetros de equilíbrio, enquanto o grupo controle não apresentou mudanças relevantes. Em síntese, a intervenção promoveu melhorias consistentes em funções cognitivas e em aspectos do equilíbrio estático no grupo experimental. |
Os achados apresentados nos estudos analisados demonstram que diferentes modalidades de intervenção produzem efeitos relevantes e complementares no desenvolvimento motor, comportamental e emocional de crianças com TEA. A comparação entre exercícios aquáticos, kata, atividades aeróbicas atua de forma exclusiva sobre aspectos essenciais como equilíbrio, funções executivas, organização sensorial e habilidades sociais (Haque et al. 2025).
Além dessas modalidades, intervenção como integração sensório-motora promove ganhos importantes na confiança física e emocional, no autocontrole e na auto-organização, ao mesmo tempo em que reforça a relação terapêutica (Firouzjah; Yaeichi; Hematinia, 2024). De forma semelhante Alooche et al. (2025) apresentou no grupo experimental um aumento em variáveis cognitivas como inibição, controle emocional, planejamento/organização, memória de trabalho e iniciação no teste BRIEF, em comparação ao grupo controle após a intervenção. Não houve diferença significativa em nenhuma das variáveis do WCST entre os dois grupos.
Ansari et al. (2020) ressaltam inicialmente que os exercícios aquáticos exibem efeitos distintos sobre o equilíbrio quando comparados aos exercícios realizados no solo. As propriedades da água como flutuabilidade, resistência e pressão hidrostática criam um ambiente seguro e assistido, no qual as crianças conseguem explorar o movimento com menor sobrecarga corporal e com maior estabilidade. Isso beneficia o controle postural e o desenvolvimento motor, possibilitando que a natação seja utilizada como recurso terapêutico conciliado às necessidades individuais de cada criança.
O estudo de Haque et al. (2020) foi de encontro com Ansari et al. (2025) onde ressaltou que o treinamento de kata proporcionou melhorias tanto no equilíbrio estático quanto no equilíbrio dinâmico, resultado eventualmente relacionado à ênfase do karatê no alinhamento corporal, na precisão dos movimentos e na coordenação motora, evidenciando que o grupo que participou de karatê obteve desempenho superior.
Em contrapartida Alooche et al. (2025) não encontrou diferença significativa entre os grupos na dupla tarefa baseada no equilíbrio dinâmico. Entretanto o grupo experimental mostrou melhora no equilíbrio estático em dupla tarefa, com redução de deslocamentos e área de oscilação.
Haque et al. (2025) reforçam essa discussão ao demonstrarem que exercícios aeróbicos, como corrida e ciclismo, quando combinados a treinamentos estruturados que incluem técnicas de artes (kata), são eficazes para diminuir comportamentos estereotipados, assim ajudam modular a sensibilidade sensorial e aprimorar a coordenação motora, favorecendo o engajamento social. Além de que os exercícios aeróbicos cooperam na melhora do condicionamento físico e do equilíbrio emocional, atuando de forma abrangente sobre aspectos motores, sensoriais e comportamentais. Ainda se observa que o tratamento integrado com a fisioterapia apresenta um desempenho significativamente superior quando comparado apenas com tratamento de terapia ocupacional e fonoaudiologia.
A intervenção baseada na integração sensório-motora, discutida por Firouzjah, Yaeichi, Hematinia (2024), mostrou-se eficaz tanto na promoção de habilidades motoras quanto na melhora de habilidades sociais. O grupo experimental teve desempenho significativamente superior ao grupo controle após as 12 sessões de intervenção sensório-motora, demonstrando que apresentaram avanços consistentes nas habilidades sociais, como determinação, cooperação e autocontrole e no desempenho motor, especialmente em locomoção e controle de objetos.
Alooche et al. (2025) observam que oito semanas de atividade física são suficientes para gerar melhorias significativas em diversos componentes das funções executivas, incluindo inibição, controle emocional, planejamento e memória de trabalho. Além dos ganhos cognitivos, é notório os avanços no equilíbrio e na capacidade de realizar tarefas duplas, ambas diretamente relacionadas ao desempenho motor global. A atividade física pode atuar como um recurso terapêutico capaz de otimizar tanto o controle postural quanto a organização motora, favorecendo o desenvolvimento global das crianças com TEA.
Por fim, Arabi e Kakhki (2025) evidenciam benefícios significativos de programas estruturados de intervenção motora voltados para crianças com TEA. O estudo mostrou progressos relevantes no equilíbrio, no desempenho motor e na organização das funções executivas após um período de intervenção supervisionada. Da mesma forma, observou-se uma evolução consistente no desenvolvimento motor global, indicando que a estimulação sistemática contribui para avanços em coordenação, planejamento motor e autonomia funcional. Esses resultados reforçam, de maneira geral, a eficácia de protocolos que priorizam o estímulo motor como estratégia essencial no acompanhamento terapêutico de crianças autistas.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A fisioterapia no TEA surge com um papel muito importante, pois pode estar promovendo uma aprimoração da coordenação, estabilidade postural e progressão do desenvolvimento motor adequado. A fisioterapia pediátrica mostra que as atividades realizadas buscam melhorar os déficits motores, reduzir os padrões anormais e assim melhorar a independência e os seus aspectos funcionais.
A análise da literatura científica evidenciou que diferentes modalidades como exercícios aquáticos, treinamento de kata, atividades aeróbicas, integração sensório-motora e programas multiprofissionais e atividades motoras estruturadas exercem impacto significativo que promovem melhorias consistentes no equilíbrio, na coordenação, no controle postural e nas funções executivas, além de contribuírem positivamente para aspectos comportamentais e sociais no desenvolvimento motor de crianças com TEA.
Diante dos achados, conclui-se que a fisioterapia, integrada a abordagens multissensoriais e motoras estruturadas, é essencial para o desenvolvimento global de crianças com TEA. Reforçando que programas sistemáticos e individualizados podem gerar ganhos importantes na autonomia, na organização motora e na qualidade de vida. Contudo, destaca-se a necessidade de novos estudos com amostras maiores e metodologias padronizadas, a fim de fortalecer as evidências disponíveis e orientar práticas clínicas cada vez mais eficazes.
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1Acadêmica do Curso Bacharelada em Fisioterapia da Christus Faculdade do Piauí – CHRISFAPI, Piripiri, Piauí, Brasil. e-mail: mariacrq8@gmail.com
2Pós – Graduada em Fisioterapia Traumato -Ortopédica com ênfase em Terapia Manual – Faculdade Einstein – Facei. Docente Christus Faculdade do Piauí – CHRISFAPI, Piripiri, Piauí, Brasil. E-mail: grasoaresfisio@outlook.com
3Mestre em enfermagem pela Universidade Federal do Piauí. Docente Christus Faculdade do Piauí – CHRISFAPI, Piripiri, Piauí, Brasil. e-mail: evaldosleal@hotmail.com
