REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511161834
Gustavo de Almeida Leão1
RESUMO
O estudo analisa os desafios e as estratégias para o manejo da saúde mental na Atenção Primária à Saúde, considerando o aumento das demandas psicossociais e a necessidade de fortalecimento das práticas médicas nesse nível de atenção. A revisão narrativa foi adotada para integrar produções científicas recentes que abordam o tema sob diferentes perspectivas, possibilitando uma compreensão abrangente do fenômeno. A pesquisa baseou-se nas orientações de Gil (2002) e Lakatos e Marconi (2021), que sustentaram o delineamento metodológico, com análise interpretativa e descritiva das evidências disponíveis. Os resultados demonstraram que a falta de capacitação dos profissionais, a sobrecarga de trabalho e a fragilidade da articulação entre a Atenção Primária e a Rede de Atenção Psicossocial comprometem a integralidade do cuidado. Em contrapartida, estratégias voltadas à formação continuada, à comunicação intersetorial e à valorização do trabalho em equipe mostraram-se essenciais para o aprimoramento do atendimento. Portanto, frente ao exposto, conclui-se que o fortalecimento das redes de apoio e a qualificação profissional são fatores determinantes para a consolidação de práticas efetivas de cuidado em saúde mental na Atenção Primária à Saúde.
Palavras-chave: Integralidade. Intersetorialidade. Formação profissional.
ABSTRACT
The study analyzes the challenges and strategies for managing mental health in Primary Health Care, considering the increase in psychosocial demands and the need to strengthen medical practices at this level of care. A narrative review was adopted to integrate recent scientific studies addressing the topic from different perspectives, enabling a comprehensive understanding of the phenomenon. The research was based on the guidelines of Gil (2002) and Lakatos and Marconi (2021), which supported the methodological design, with interpretative and descriptive analysis of the available evidence. The results showed that the lack of professional training, work overload, and weak coordination between Primary Health Care and the Psychosocial Care Network compromise the comprehensiveness of care. In contrast, strategies aimed at continuing education, intersectoral communication, and valuing teamwork proved essential for improving healthcare delivery. Therefore, based on the findings, it is concluded that strengthening support networks and professional qualification are key factors for consolidating effective mental health care practices in Primary Health Care.
Keywords: Comprehensiveness. Intersectorality. Professional training.
INTRODUÇÃO
A saúde mental representa um dos maiores desafios contemporâneos do sistema público de saúde, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS), onde se concentram as ações voltadas à promoção, prevenção e cuidado integral (Brasil, 2022a). De acordo com Salgado e Fortes (2021), a APS é considerada o primeiro ponto de contato dos usuários com o sistema de saúde, desempenhando papel essencial na identificação precoce e manejo de transtornos mentais. Nesse contexto, para os autores loc. cit., compreender as estratégias que sustentam essa atuação torna-se imprescindível para o fortalecimento do cuidado em saúde mental.
A inserção da saúde mental na APS tem como objetivo superar a fragmentação do cuidado e promover o acompanhamento longitudinal dos pacientes, integrando aspectos psicossociais e clínicos. Segundo Lima et al. (2021), a atuação médica nesse nível de atenção requer abordagens interdisciplinares e uma articulação constante com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), para assegurar a continuidade terapêutica e o suporte territorial. Assim, torna-se evidente a necessidade de aperfeiçoamento das práticas profissionais e das políticas públicas voltadas a esse campo.
Apesar dos avanços, ainda persistem dificuldades na integração entre as equipes da APS e os serviços especializados, o que compromete a efetividade das ações de saúde mental (Brasil, 2022a). De acordo com Auad, Avelar e Bellini (2023), os desafios mais recorrentes desta integração estão relacionados à sobrecarga de demandas; à carência de capacitação específica; e à escassez de recursos estruturais. Diante desse cenário, emerge o postulado desta pesquisa: quais os principais desafios e estratégias para o manejo da saúde mental na Atenção Primária à Saúde?
Parte-se da hipótese de que a qualificação dos profissionais de medicina e o fortalecimento das redes de apoio são fundamentais para o aprimoramento do cuidado oferecido aos usuários. Partindo de tal questão norteadora, este estudo teve como objetivo geral analisar os desafios e as estratégias para o manejo da saúde mental na Atenção Primária à Saúde.
Estes limitaram-se pelos seus específicos, a constar: [i] identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos médicos na APS; [ii] descrever as estratégias utilizadas para o cuidado em saúde mental no contexto das APS; e [iii] discutir as contribuições das práticas de manejo e atendimento a pacientes da saúde mental para a consolidação de um modelo assistencial mais resolutivo e humanizado.
A pesquisa caracteriza-se como uma revisão narrativa de natureza qualitativa e abordagem descritiva, fundamentada na análise crítica de artigos científicos e documentos oficiais. O método adotado buscou compreender o fenômeno estudado a partir da interpretação teórica das fontes selecionadas. Conforme Gil (2002), a pesquisa bibliográfica permite o exame aprofundado de um tema mediante levantamento e análise de publicações já disponíveis. Lakatos e Marconi (2021) acrescentam que a revisão narrativa é especialmente útil para integrar resultados dispersos e identificar lacunas na produção científica.
Dados recentes do Ministério da Saúde revelam um crescimento expressivo das demandas por atenção em saúde mental na APS, especialmente após a pandemia de Covid-19 (Brasil 2022). Segundo os autores loc. cit. mais de 60% dos atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) ocorrem na atenção básica, o que reforça sua importância como eixo estruturante RAPS. Frente a esta problematização, entende-se que essa ampliação da demanda exige não apenas investimentos em recursos humanos, mas também estratégias de formação e acolhimento voltadas à realidade dos territórios.
Diante do supracitado, o presente trabalho se justifica por contribuir para a reflexão sobre as práticas de cuidado em saúde mental desenvolvidas na APS e por subsidiar o aprimoramento das políticas públicas voltadas à saúde integral. Conforme Brasil (2022b), o fortalecimento da atenção primária é condição essencial para garantir o acesso universal e equitativo aos serviços, consolidando o SUS como sistema orientado pela integralidade e pela humanização. Assim, a investigação proposta busca agregar evidências que sustentem a melhoria contínua da atenção em saúde mental no contexto da APS.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel central na promoção, prevenção e manejo de transtornos mentais, sendo responsável pelo primeiro contato do usuário com o sistema de saúde (Brasil, 2022a). Para os autores loc cit., nesse contexto, os médicos assumem funções estratégicas, articulando aspectos clínicos e psicossociais no cuidado integral. Segundo Salgado e Fortes (2021), a APS permite, portanto, identificar precocemente fatores de risco e implementar estratégias de manejo que promovam a continuidade terapêutica, que serão aprofundados nas subseções abaixo.
1. DIFICULDADES ENFRENTADAS PELOS MÉDICOS NA APS
A atuação médica na APS enfrenta desafios complexos relacionados à escassez de recursos humanos e estruturais (Brasil, 2022a). A sobrecarga de demandas e carência de capacitação específica dificultam a integração com serviços especializados, comprometendo o cuidado longitudinal (Auad; Avelar; Bellini, 2023). Além disso, lacunas no treinamento em saúde mental e no suporte técnico aos médicos geram limitações na avaliação e manejo de pacientes com transtornos mentais, impactando a efetividade das ações (Salgado; Fortes, 2021). Estes autores loc cit. destacam que essas dificuldades ressaltam a necessidade de políticas que fortaleçam a formação contínua e o suporte interinstitucional.
Ademais, a falta de protocolos claros e uniformes de atenção à saúde mental também é um fator crítico. A ausência de fluxos de referência e contrarreferência prejudica a articulação entre APS e a RAPS, dificultando o acompanhamento dos pacientes (Lima et al., 2021). Para os autores loc. cit., a padronização de procedimentos e diretrizes clínicas constitui um elemento essencial para reduzir desigualdades na atenção, permitindo que os médicos atuem com segurança e assertividade. Neste sentido, a gestão de tempo e a demanda por múltiplos atendimentos simultâneos impõem restrições à prática médica (Rocha, 2021). A necessidade de equilibrar consultas, acompanhamento de casos crônicos e demandas emergenciais compromete a qualidade do cuidado em saúde mental (Auad; Avelar; Bellini, 2023).
Tavares et al. (2023) reforçam que a sobrecarga de trabalho e a fragmentação de responsabilidades entre os profissionais podem gerar burnout e reduzir a capacidade de intervenção eficiente, evidenciando a urgência de estratégias que promovam a sustentabilidade do trabalho na APS. A comunicação interprofissional limitada é outro desafio. Onocko-Campos et al. (2025) apontam que a ausência de canais efetivos de interação entre médicos, psicólogos e assistentes sociais reduz a integração do cuidado e o compartilhamento de informações relevantes sobre os pacientes. Tal cenário dificulta, de acordo com Tavares et al. (2023) a implementação de estratégias coordenadas, impactando negativamente os resultados clínicos e a continuidade do atendimento.
2. ESTRATÉGIAS DE CUIDADO E MANEJO EM SAÚDE MENTAL
O desenvolvimento de protocolos clínicos e fluxos de referência bem definidos emerge como estratégia central (Brasil, 2022b). A utilização de guias padronizados permite que os médicos identifiquem sinais precoces de transtornos mentais e promovam intervenções apropriadas, aumentando a efetividade do cuidado (Lima et al., 2021). Para os autores loc. cit., a articulação com a RAPS é fundamental para assegurar suporte contínuo e integrado ao usuário. A capacitação contínua dos profissionais também se mostra essencial. Neste sentido, treinamentos periódicos em saúde mental, inclusive simulados de manejo de crises, fortalecem a atuação médica e promovem confiança no cuidado (Salgado; Fortes, 2021). Programas de educação permanente contribuem para atualização técnica e ampliação da competência clínica, favorecendo decisões mais seguras e resolutivas (Onocko-Campos et al., 2025).
Além disso, a integração com equipes multiprofissionais proporciona suporte adicional na APS (Auad; Avelar; Bellini, 2023). O trabalho colaborativo entre médicos, psicólogos, enfermeiros e agentes comunitários melhora a detecção de casos complexos e facilita a continuidade terapêutica (Tavares et al., 2023). Para os autores loc. cit. estratégias que incentivam reuniões de acompanhamento e discussões de casos promovem coordenação efetiva e otimização dos recursos disponíveis.
O uso de tecnologias de informação e comunicação também representa uma abordagem inovadora. Portanto, registros eletrônicos, teleconsultas e sistemas de monitoramento remoto permitem acompanhamento longitudinal, garantindo acesso a dados clínicos e suporte aos profissionais. Essas ferramentas fortalecem o manejo de pacientes, especialmente em contextos com escassez de recursos ou alta demanda (Rocha, 2021).
3. CONTRIBUIÇÕES DAS PRÁTICAS DE MANEJO PARA O MODELO ASSISTENCIAL
A consolidação de práticas de manejo eficientes fortalece a APS como eixo estruturante do sistema de saúde mental (Brasil, 2022a). A implementação de fluxos de referência, capacitação contínua e integração multiprofissional promove atendimento mais resolutivo e humanizado. Tais práticas reduzem a fragmentação do cuidado e aumentam a satisfação dos usuários (Ribeiro et al., 2023). Além disso, a monitorização de indicadores clínicos e de processos auxilia na avaliação da efetividade das estratégias adotadas (Brasil, 2022b). A análise sistemática de dados permite ajustes e aprimoramento contínuo das práticas médicas, promovendo eficiência e segurança no manejo da saúde mental (Vasconcelos et al., 2023).
A articulação da APS com a RAPS e demais serviços especializados também contribui para um modelo assistencial integral. O alinhamento entre diferentes níveis de atenção garante continuidade terapêutica, redução de lacunas assistenciais e melhor desfecho clínico. Tais estratégias reforçam a centralidade do médico no cuidado em saúde mental (Auad, Avelar e Bellini, 2023)
Em função disso, a implementação de estratégias estruturadas, integradas e baseadas em evidências contribui para consolidar um modelo assistencial centrado na humanização, integralidade e resolutividade (Salgado; Fortes, 2021). Tavares et al. (2023) enfatizam que médicos capacitados e respaldados por políticas públicas consistentes são capazes de atender com qualidade crescente, garantindo o acesso equitativo e eficaz à saúde mental na APS.
MATERIAIS E MÉTODOS
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, com abordagem descritiva, baseada em revisão narrativa da literatura. Diferentemente da revisão bibliográfica convencional, a revisão narrativa permite a análise crítica e interpretativa das publicações selecionadas, possibilitando organizar e sintetizar resultados dispersos, identificar lacunas no conhecimento e fornecer suporte teórico para a prática médica na Atenção Primária à Saúde (APS) (Gil, 2002). Esse tipo de abordagem é adequado para compreender o manejo da saúde mental em contextos complexos, permitindo contemplar tanto os desafios quanto às estratégias utilizadas pelos médicos no cuidado integral aos pacientes.
A escolha da revisão narrativa como método se justifica pela possibilidade de examinar de forma ampla e reflexiva a literatura existente, integrando diferentes tipos de fontes e oferecendo uma visão consolidada do tema estudado. Segundo Lakatos e Marconi (2021), este procedimento possibilita organizar informações dispersas em categorias temáticas e estabelecer conexões interpretativas entre os achados, fornecendo subsídios para análise crítica. Gil (2002) reforça que a pesquisa baseada em revisão de literatura constitui um procedimento eficiente para trabalhos que visam aprofundar o conhecimento sobre um fenômeno específico, sobretudo quando a investigação objetiva compreender práticas profissionais e políticas públicas aplicadas.
Os critérios de inclusão consideraram artigos científicos, dissertações de mestrado e teses de doutorado publicados entre os anos de 2020 e 2025, que abordassem o manejo da saúde mental na APS com foco na atuação médica. Foram selecionadas publicações em português ou inglês, disponíveis na íntegra, e provenientes de fontes confiáveis, incluindo bases de dados consolidadas. Como critérios de exclusão, foram desconsiderados trabalhos de outras áreas profissionais que não tivessem o médico como foco principal, materiais anteriores a 2020, textos sem acesso completo e publicações de caráter opinativo ou que não apresentassem evidências fundamentadas. A análise dos dados ocorreu de forma sistemática e interpretativa, considerando o conteúdo de cada publicação e sua relevância para os objetivos do estudo.
As informações extraídas foram categorizadas de acordo com três eixos: dificuldades enfrentadas pelos médicos na APS, estratégias de cuidado e manejo em saúde mental e contribuições das práticas para o modelo assistencial. Lakatos e Marconi (2021) destacam que esse procedimento possibilita integrar resultados dispersos, permitindo uma síntese coerente e crítica. Gil (2002) acrescenta que a interpretação contextualizada dos dados é essencial para identificar padrões, lacunas e tendências, fornecendo suporte para recomendações aplicáveis à prática médica.
O processo de leitura crítica incluiu análise detalhada dos métodos, resultados e discussões de cada estudo, comparando informações entre diferentes fontes e considerando o contexto brasileiro. As publicações selecionadas foram organizadas em tabelas auxiliares de registro de dados, contendo autores, objetivos, amostra, principais achados e recomendações. Essa sistematização permitiu garantir consistência, rigor metodológico e confiabilidade na interpretação, assegurando que os resultados da revisão narrativa pudessem oferecer uma visão consolidada sobre os desafios e estratégias para o manejo da saúde mental na APS (Gil, 2002; Lakatos, 2021).
RESULTADO E DISCUSSÃO
A atuação médica na Atenção Primária à Saúde (APS) frente aos desafios da saúde mental evidencia múltiplas dimensões de complexidade, sobretudo relacionadas à integração entre serviços e capacitação profissional (Brasil, 2022a). Sobre isso, Salgado e Fortes (2021) apontam que a formação inadequada dos profissionais compromete a identificação precoce de transtornos mentais, enquanto Auad, Avelar e Bellini (2023) destacam que a sobrecarga de demandas e a escassez de recursos estruturais amplificam essa dificuldade. Rocha (2021) corrobora essa perspectiva, enfatizando que a falta de protocolos padronizados eleva a variabilidade das práticas médicas e reduz a efetividade das intervenções. No tocante à integração com a RAPS, Lima et al. (2021) ressaltam a importância de fluxos de referência e contrarreferência claros, destacando que sua ausência prejudica a continuidade terapêutica.
Onocko-Campos et al. (2025) reforçam que a comunicação fragmentada entre médicos, psicólogos e assistentes sociais limita o compartilhamento de informações relevantes sobre os pacientes. Tavares et al. (2023) acrescentam que o fortalecimento das redes de apoio é central para o manejo adequado, sendo a integração institucional e interprofissional um fator determinante para resultados clínicos positivos.
Deste modo, observa-se que a capacitação médica contínua surge como estratégia essencial para aprimorar o cuidado em saúde mental. Sobre este assunto, Salgado e Fortes (2021) indicam que treinamentos regulares aumentam a confiança e a competência na abordagem de casos complexos, enquanto Onocko-Campos et al. (2025) enfatizam que programas de educação permanente devem contemplar simulações práticas e discussões de casos, promovendo a aplicação efetiva do conhecimento. Rocha (2021) complementa, sugerindo que a qualificação médica é condição indispensável para fortalecer a APS como eixo estruturante da saúde mental.
Sobre a sobrecarga de trabalho, Auad, Avelar e Bellini (2023) descrevem que a demanda simultânea por múltiplos atendimentos e a fragmentação de responsabilidades elevam o risco de burnout, reduzindo a capacidade de intervenção eficiente. Tavares et al. (2023) complementam que a gestão inadequada do tempo compromete o acompanhamento longitudinal e a detecção precoce de transtornos mentais. Nesse sentido, Ribeiro et al. (2023) destacam a importância da implementação de estratégias organizacionais e fluxos bem definidos para otimizar recursos humanos e reduzir o impacto da sobrecarga laboral para o planejamento institucional e suporte estruturado em uma APS.
A articulação multiprofissional apresenta-se como estratégia consolidada para o manejo de casos complexos. Auad, Avelar e Bellini (2023) argumentam que a interação entre médicos, enfermeiros e agentes comunitários facilita o acompanhamento contínuo, enquanto Onocko-Campos et al. (2025) enfatizam que reuniões regulares de discussão de casos promovem coordenação e compartilhamento de boas práticas. Tavares et al. (2023) reforçam que essa colaboração interprofissional contribui para reduzir lacunas assistenciais e aumentar a resolutividade do cuidado.
Já o uso de tecnologias de informação e comunicação emerge como instrumento complementar na gestão do cuidado. Rocha (2021) destaca que registros eletrônicos e sistemas de monitoramento remoto permitem acompanhamento longitudinal eficiente, possibilitando acesso rápido a informações clínicas. Lima et al. (2021) corroboram, enfatizando que teleconsultas e ferramentas digitais aumentam a cobertura assistencial, e se usadas corretamente, podem promover maior assertividade no manejo da saúde mental. Brasil (2022b) afirma que a padronização de fluxos e protocolos, aliada à qualificação médica, garante maior segurança e equidade no atendimento. Ribeiro et al. (2023) indicam que a monitorização de indicadores clínicos possibilita ajustes contínuos nas estratégias de cuidado, enquanto Vasconcelos et al. (2023) complementam que a análise sistemática de dados apoia a eficiência e eficácia das práticas médicas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise realizada evidencia que o manejo da saúde mental na Atenção Primária à Saúde (APS) enfrenta desafios complexos, principalmente relacionados à capacitação dos profissionais, sobrecarga de trabalho e fragmentação dos serviços. Os resultados da revisão indicam que a atuação médica, quando integrada a redes de apoio estruturadas e respaldada por protocolos claros, desempenha papel estratégico na identificação precoce de transtornos mentais e no acompanhamento longitudinal dos pacientes, reforçando a centralidade da APS no cuidado integral.
Os achados corroboram que estratégias de formação continuada, articulação multiprofissional e utilização de tecnologias de informação são fundamentais para otimizar o cuidado em saúde mental. A integração entre médicos, psicólogos, enfermeiros e agentes comunitários contribui para reduzir lacunas assistenciais, aumentar a resolutividade das ações e promover uma abordagem centrada na humanização do atendimento. Essa combinação de práticas evidencia a relevância de investimentos em políticas públicas voltadas para a qualificação profissional e fortalecimento da atenção primária.
A revisão indica que a padronização de fluxos de referência aliada à monitorização de indicadores clínicos, constitui elemento-chave para consolidar um modelo assistencial eficiente e equitativo. A sistematização das práticas permite ajustes contínuos, promovendo maior segurança nas decisões médicas e garantindo que o cuidado seja oferecido de forma consistente em diferentes contextos e territórios, evidenciando que a coordenação do cuidado é um fator determinante na efetividade das ações em saúde mental.
O estudo aponta para necessidade de pesquisas futuras voltadas para avaliação de programas de capacitação, monitoramento do impacto de tecnologias de suporte e análise de modelos de integração interprofissional. Portanto, frente ao exposto, conclui-se que a análise dos desafios e estratégias para o manejo da saúde mental na APS evidencia que a qualificação dos profissionais de medicina e o fortalecimento das redes de apoio são fatores centrais para o aprimoramento do cuidado oferecido aos usuários.
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1Aluno de medicina da Faculdade Uninassau
